POV Draco

Fiquei olhando para Júlia por uns segundos, tentei ver o que eu sentia enquanto ela se levantava e seguia para mim, com aqueles saltos a baterem no piso encerado. E querem saber da verdade? Mesmo tendo aquela mulher linda e praticamente nua na minha frente, eu não senti nada. Júlia não importava para mim quando eu sabia que havia uma ruiva na minha cama.

- É melhor você ir embora! – eu me afastei dela

- Nós já fizemos isso uma vez. Podemos fazer de novo. Sei que não ama sua esposa. – ela respirava mais rapidamente a cada frase, o álcool fazendo efeito

- Não vou trair a Gina. – eu parei de andar para trás

Eu não trairia a ruiva, isso era um fato. Eu não precisava fugir da mulher a minha frente, porque era só segurá-la pelos braços e pô-la para fora da minha casa. Afinal eu era um Malfoy ou não era?

- Mas traiu a Alexia, apesar de amá-la...ama a Gina também? – ela desdenhou, cuspiu quando falou o nome da ruiva

- Aquela noite eu bebi demais, sabe disso. Se não houvesse agido como um trouxa eu não teria traído a minha esposa. – eu dei de ombros, ela parou me encarando furiosa, parecia não ter gostado de saber que eu não queria passar aquela noite com ela

- Você vai se arrepender. – ela soltou a taça no chão

Os cacos voaram para todos os lados, o barulho ecoou na casa silenciosa. Gina acordaria. Enzo. Merlin, meu filho, não!

- Júlia, vá embora daqui agora! – eu me aproximei dela e a segurei pelos ombros – Se Enzo te ver assim, juro que acabo com você!

Ela jogou a cabeça para trás e gargalhou. Nada importava para ela. Agora, tudo o que Júlia queria, era acabar com a minha vida. Estava conseguindo.

- Um beijo. E prometo que vou embora.

- Não. – eu fui resoluto e tentei empurrá-la para a porta

Ela se agarrou em meus braços e me puxou para junto de si. Eu me equilibrei facilmente, mas ela acabou quebrando um salto e me puxando junto para o sofá.

- Por que eu acreditei mesmo em você?

Droga, essa voz não. Por favor, diga que não. É mentira, não é? Olhei para Júlia e a vi sorrir de forma vencedora. Suspirei pesadamente e me levantei olhando as escadas.

- Gina, eu juro que posso explicar. – por algum motivo lembro-me de ter falado essa frase antes, mas com o nome da Alexia

- Não tem o que explicar, você acabou de provar que armou tudo isso. – a ruiva deu de ombros, parecia indiferente

- Eu não armei nada! Do quê você está falando? – franzi o cenho, o que ela havia entendido?

- Você já traiu a Alexia, agora me traiu também. Vocês devem estar brincando com a minha cara há muito tempo. Tentei confiar em você, mas estava errada. – ela desceu degrau por degrau, as costas retas, o rosto altivo, ela chegava a parecer uma deusa antiga

- Nunca tive nada com a Júlia, sabe disso! – eu falei entre dentes, onde ela queria chegar com aquilo?

- Li os diários da Alexia, ela contou como foi a sua traição. – Gina parou bem na minha frente – Ela contou como você não a amava.

- Isso é mentira! – eu me aproximei dela, mas ela se afastou ainda mais

- E sabe o que é pior Draco? – ela sorriu de forma fraca – É saber que eu acreditei que podia sentir algo por você! Eu confiei e você quebrou minha confiança! Não consigo mais ficar aqui com você depois de saber que você a trouxe para a minha casa.

Espera aí! Ela gostava de mim? Jura? Por que eu estava me sentindo tão feliz por isso? E por que não deveria me sentir assim?

- Gina, por favor, ouça-me! – aproximei-me rapidamente e a segurei pelos braços – Júlia e...

- Largue-me agora! – ela retirou a varinha de dentro do roupão – Você não tem mais o direito de me tocar, Malfoy!

- Gina...

- Deixa ela, Draco... – Júlia me puxou pelo braço – Ela não quer mais você, agora temos tempo para nós...

- Que bom que entendeu! – Gina se afastou furiosa, mas havia lágrimas em seus olhos – Vou voltar para pegar minhas coisas e ver o Enzo.

E então ela abriu a porta e saiu, ainda pude ouvir o estalo de sua desaparatação. Ela se fora e eu nem ao menos consegui me explicar para ela. Por quê? Era um fato que eu gostava dela, mas...eu não conseguia me explicar porque aquele casamento não era de verdade, então...não havia motivo para eu pensar que ela pudesse ficar tão magoada. Mas ela ficara e eu já estava sentindo sua falta.

- Nossa vez Draquinho... – Júlia me puxou pelo pescoço para ela, eu senti seus lábios nos meus

- Fora daqui. – eu vociferei e a peguei no colo

Júlia não compreendeu, perguntou alguma coisa, mas eu não dei valor. Só parei quando estava no portão da minha casa, abri-o com cuidado e a coloquei na rua.

- Nunca mais volte. – eu disse simplesmente e voltei andando calmamente pelos jardins

Gina fora embora. Eu deveria estar me sentindo mal pelo que ela me disse que havia nos diários de Alexia, mas eu me sentia pior por saber que encontraria minha cama vazia agora. Fria.

Respirei fundo e baguncei meus cabelos. Subi para o primeiro andar e olhei o Enzo por alguns segundos, ele continuava a dormir profundamente. Olhei a porta do meu quarto, aberta. Gina não estava mais lá. O quarto estava escuro, frio, olhei a cama ainda desarrumada por termos feito amor. Merlin. Eu gostava mais dela do que imaginava.

- Preparei um banho para você, só irá voltar para aquela cama quando tirar todo o cheiro da Júlia do seu corpo.

Eu me voltei para a porta do banheiro. Minha ruiva estava ali. Minha? Oh, Merlin. Já estou dizendo que ela é minha.

- Pensei que tivesse ido embora. – eu a olhei dos pés a cabeça tentando confirmar que ela realmente estava ali

- Eu levantei assim que você levantou, meu coração me dizia que havia algo errado. Vi o que aconteceu! – ela sorriu se aproximando de mim – Mas tive que fingir, apesar de não ser boa em fingir brigas! Será melhor que me mande flores amanhã, pedindo-me desculpas.

- Você pode não saber brigar, mas tudo o que disse me deixou muito confuso e se fosse verdade eu...

- Não era. Desculpe. – ela abaixou a cabeça, séria – Li os diários da Alexia e ela realmente contou como você a traiu, mas ela escreveu que quando você contou isso a ela, você estava destruído por dentro, que seus olhos retratavam o amor que sentia por ela e o quanto você mesmo estava magoado pelo que fizera.

Eu não sabia o que responder. Alexia nunca tinha me dito aquilo que escreveu e depois do que aconteceu, eu nunca mais consegui ser o mesmo. Nunca mais consegui olhar para ela sem me sentir culpado pelo que fizera.

- Gina... – eu segurei seu rosto entre minhas mãos – Obrigado.

- Não precisa me agradecer, eu só fiz o que seria melhor para nós! Eles precisam achar que estão vencendo. – ela tentou se afastar

- Estou agradecendo por entrar na minha vida. – eu a puxei para mim beijando seus lábios rapidamente – Quero te fazer uma proposta...se o que você disse antes possa ser verdade é claro...

- O que eu disse? – ela arregalou os olhos

- Que podia gostar de mim. – eu sorri, gostei de saber isso dela, gostei de me sentir desejado por ela

- Eu...eh.. – ela gaguejou ainda assustada

- Quero saber se quer tornar nosso casamento real. – eu continuei fitando-a, notando cada tonalidade que suas bochechas adquiriam conforme ficava envergonhada

- Como assim? – ela baixou o olhar, suas mãos pararam em meu peito

- Chega dessa história de casamento por contrato, Gina, vamos tentar viver juntos, gostar um do outro! Eu quero você e você também me quer não é? – eu fiquei apreensivo por um segundo

- Não pode haver só atração em um relacionamento. – ela suspirou pesadamente

- Eu não me sinto só atraído por você! – ergui seu rosto para que me encarasse – De alguma forma, você se tornou muito especial.

- Isso é sério? – seus olhos brilharam, um sorriso se formou em seus lábios

- É. Mas sinto dizer que vamos ter que continuar fingindo nossas brigas para fugir do que eles querem que aconteça conosco! – eu suspirei – Não vamos acabar com o que temos, Gina.

- Eu não sei...eu...

- Você não quer gostar de mim, não é? – eu me afastei alguns centímetros dela

- Não quero, mas eu já gosto. – ela se encostou em mim novamente – Vamos tentar, mas por favor...

- Não vou lhe magoar! – eu a cortei – Não consigo sequer pensar em fazer mal para você agora.

- Acho que posso tomar banho com você... – ela riu com gosto e me puxou junto com ela para o banheiro

Agora, eu só tinha de descobrir onde ela guardava os malditos diários e descobrir o que Alexia escreveu no último deles, nos dias perto de sua morte.