Capítulo treze

No dia seguinte, ao meio-dia, Isabella se encontrou com o irmão Tyler. Edward aproveitou para acompanhar o pai, que tinha de tomar algumas providências, e ficou combinado que ela ligaria à tarde.

— Fette, você está linda — disse Tyler assim que a viu, quando se encontraram na Puerta del Sol, em frente à La Mallorquina, a confeitaria preferida dos dois na cidade.

— Você, sim, que está bonito, maninho.

De mãos dadas, caminharam até a Plaza Mayor. Lá, entraram num dos bares e pediram sanduíches de lula. Isso havia se convertido quase num ritual sempre que se viam em Madri: primeiro sanduíche de lula e, de sobremesa, uma trufa gigante da La Mallorquina. Depois foram até uma cafeteria na Calle del Carmen para conversarem com calma tomando café.

— Você sabe como anda a papelada dos meninos?

— Não, a última coisa que fiquei sabendo é que os relatórios definitivos estão pra chegar.

— Maravilha! E eles, estão contentes?

Pensar neles fez o olhar de Isabella se iluminar.

— Reneesme está feliz. Bem, já sabe como ela é. E Antony também está contente, se bem que ele é mais reservado.

— É um adolescente.

— Um adolescente muito bonito — riu Isabella.

— Tem certeza do que está fazendo?

— Certeza total, maninho.

— Você vai ser mamãe, isso não te dá medo?

Isabella sorriu, dando de ombros.

— Estou morrendo de medo, mas não diga isso a ninguém.

— Certo… e… mudando de assunto, me conta o que esse jogador significa pra você. Eu só digo o que você já sabe: a mamãe está adorando e o papai, louco da vida.

Isabella deu uma gargalhada.

— O que você quer que eu diga? Só que gosto muito dele e que me sinto muito bem com ele… mas é isso, não há muito mais para contar.

Tyler, que conhecia a irmã melhor do que ninguém, pegou-a pela mão.

— Você não me engana, te conheço e sei que, se não fosse importante, você não o acompanharia num evento familiar. Além disso, a mamãe me disse que ele foi ao aniversário da Reneesme, que se dá superbem com o Antony e que vocês quatro às vezes têm ido, nos fim de semana, a uma casa que ele tem na Toscana. Está saindo com ele desde fins de outubro, não é?

— É, em outubro ele sofreu a lesão, mas nossa história só começou em janeiro. Por isso, não fique todo empolgado, porque a gente só está se vendo há três meses, tá?

Tyler sorriu ao ver o rosto aflito da irmã.

— Fette…

— Está bem, eu confesso: adoro o Edward e acho… acho que me apaixonei por ele como uma perfeita idiota. Penso nele durante as 24 horas do dia e, quando ouço minha música preferida do Elvis, fecho os olhos e sinto que ele me abraça e… e…

— Isso é fantástico, Fetteeee!

— Não, não é fantástico — protestou. — Você já sabe minha opinião sobre as relações longas, isso sem contar quem ele é e…

Tyler não a deixou continuar e cobriu sua boca com as mãos.

— Você tem que contar ao Edward a sua situação.

— Não posso… não posso dizer a ele. Sei que se eu disser, ele vai me olhar diferente e…

— Mas, Bells, se esse homem sente o mesmo que você, por que a relação de vocês mudaria?

Segurando as lágrimas, ela tomou a outra mão do irmão.

— Há alguns meses, num dia em que a gente estava em casa, me perguntou da Reneesme e eu comentei o problema dela. Você tinha que ver a cara dele só de ouvir a palavra "câncer". Quando ele está com a menina, tem que ver como olha pra ela. Ele a trata com carinho, mas olha com uma pena que eu não consigo suportar. Não quero que ele me olhe assim, só quero que continue me olhando como até agora, você não entende?

Tyler suspirou. Entendia perfeitamente.

— Te entendo, mas você não está agindo direito, Bells, não está mesmo.

— Está bem, eu reconheço, estou fazendo tudo errado, mas o problema é meu, não é?

— Claro que é, mas você deveria pensar que nem todos são como Jacob e, principalmente, deve entender que quem te amar vai te amar seja qual for a circunstância, maninha.

Aquilo a fez sorrir e, no fim do café, Isabella se levantou dizendo:

— Vamos… vamos passear por Madri, que a gente está precisando.

Durante horas percorreram as ruelas da cidade, pararam em frente a uma infinidade de vitrines e entraram em duas lojas para comprar camisetas de presente para Reneesme e Antony. Às seis da tarde, Edward ligou para se encontrar com ela. Iriam se ver dali a meia hora na Plaza de las Cortes.

Isabella sorriu ao ver Edward chegar: estava muito bonito com seu jeans escuro, a camisa xadrez e a jaqueta azul-marinho. Sabia que ele estava olhando para ela, apesar de disfarçado com o boné e os óculos de sol. Sentir-se observada a excitou. Quando chegou até eles, Edward beijou Isabella nos lábios e estendeu a mão a Tyler.

— Prazer em conhecer você, Tyler.

— Igualmente, Edward.

Adorando estar com dois homens que amava tanto, ela tomou cada um por um braço e, juntos, passaram um fim de tarde espetacular em Madri.

Tyler teve tempo suficiente de comprovar como Edward olhava para sua irmã e como prestava atenção em tudo o que ela fazia. E confirmou que era mútuo. Sorriu ao ver Isabella feliz, mas também intuiu que ela ia acabar mal, muito mal, se não mudasse de atitude.

Naquela noite, quando se despediram, Isabella beijou o irmão.

— Você tem que vir nos visitar em Milão, a mamãe morre de saudade.

— Vou assim que puder, Fette.

Edward percebeu o carinho que os irmãos tinham um pelo outro. Despediu-se de Tyler com um abraço.

— Foi um prazer te conhecer e espero te ver por Milão.

— Vai me ver, mas enquanto isso, cuida da minha irmã, está bem, cara?

Olharam-se e sorriram. Depois de um último beijo em Isabella, Tyler parou um táxi e foi embora.

De mãos dadas e protegidos pela escuridão da noite, Isabella e Edward caminharam calmamente até chegarem a Chamberí, de volta à casa dos pais do jogador.

...

O casamento de Ângela foi lindo. A noiva estava muito bonita, seus pais, muito emocionados e seus irmãos, felizes. Ninguém apresentou Isabella como acompanhante de Edward . Ia a todo lugar junto de Alice, que a apresentava como uma amiga.

Durante o banquete, Isabella se sentou entre Alice e Edward, que, sem poder reprimir a necessidade de tocá-la, colocou várias vezes a mão sobre sua coxa, por baixo da mesa.

Ao notar, ela se mexia, e ele tirava a mão, embora, de maneira quase inconsciente, na primeira oportunidade, voltasse a procurar o contato. Não gostou muito de vê-la dançando com os amigos das irmãs, mas como não queria que ninguém pudesse relacioná-la diretamente a ele, preferiu morder a língua e aguentar.

Alice, consciente da vontade louca que ele tinha de ficar perto de Isabella, arranjava encontros dos dois sempre que podia e o casal aproveitava ao máximo. Dançaram algumas músicas sob o olhar atento de centenas de pessoas: tudo o que Edward fazia ali era observado com lente de aumento e isso o deixava mais e mais contrariado a cada segundo.

Quando, por fim, os cumprimentos terminaram e a maioria dos convidados foi embora, Edward se negou a sair para dançar com os noivos, pois estava saturado de ser o centro das atenções. Alice também não quis e assim pôde evitar que Isabella tivesse que ir. Ao final, os noivos, seus amigos e os pais foram para um conhecido salão de festas em Madri para continuarem com a comemoração.

A sós na casa da família, Edward não esperou: assim que fechou a porta de casa, pegou Isabella nos braços e a beijou. Devorou seus lábios com tamanha sofreguidão, que ela achou que ia desmaiar.

— Não via a hora… — disse ele, enquanto abria o zíper do vestido.

Beijos e mais beijos regaram o corpo dela enquanto Edward, como um lobo faminto, tirava sua roupa, desejando sexo. Uma vez no quarto, ele trancou a porta e a olhou fixamente nos olhos.

— Te desejo.

Ela fez que sim e, sem falar nada, aproximou-se de sua boca demonstrando que o desejo era mútuo. Roupas voaram pelo quarto até que ficassem nus em cima da cama. Excitada, Isabella abriu as pernas e se ofereceu de modo tentador, desejando ser possuída. Edward sorriu colocando uma camisinha. Sem dizer nada, deitou sobre ela e a fez gemer. Edward forçava sua ereção entre as pernas de Isabella, e a ânsia que ela sentia de ser penetrada crescia mais e mais.— Venha agora — sussurrou.

Edward sorriu sedutor e passou delicadamente seu dedo pela vagina molhada de Isabella.

— Me deseja?

— Muito.

Sem desviar os olhos, enfiou um dos dedos no interior dela e o moveu com ímpeto, fazendo-a gemer.

— Me beija, querida.

Enfeitiçada por aquelas palavras, obedeceu. Um novo gemido lhe escapou quando ele enfiou dois dedos, de repente. Desejando todo o prazer, ela começou a mover os quadris em um movimento semiconsciente, mas harmônico.

— Assim… vamos… se mexe… — insistiu Edward.

Ela atendeu sem nenhum tipo de vergonha: movia os quadris com vigor para a frente e para trás, buscando mais contato com os dedos, para que a penetrassem mais fundo. Edward tirou os dedos e, em um só movimento, a penetrou de forma inesperada, atendendo ao pedido dos quadris de Isabella. Todo seu corpo se arqueou e seu grito invadiu o quarto. De joelhos na cama, como um deus todo poderoso, Edward observava Isabella nua diante de seus olhos. Ele a tomou pela cintura e voltou a se fundir em seu interior. Ela gemeu e ele repetiu o movimento. Várias vezes experimentou aquela agonia lenta, porém maravilhosa, enquanto ela se abria para recebê-lo. Agarrou os seios pequenos que seguiam o ritmo de seu corpo e beliscou os mamilos, dando um puxão bem no momento em que ela gritava de novo e ele percebia como os fluidos os inundavam. Olhando-a, curtiu o prazer dela, sentindo o seu próprio e, quando não aguentou mais, depois de um movimento certeiro, se deixou cair sobre ela e gozou.

Passados alguns segundos, sem soltá-la, girou na cama para não desabar com seu peso sobre Isabella e beijou-lhe a testa.

— Estava morrendo de vontade de fazer isso.

Ao ouvir, ela sorriu esgotada, mas de um jeito desafiador.

— Quando você se recuperar, quero repetir.

Edward gargalhou e se colocou sobre ela mais uma vez.

— Caramba… caramba… casamentos te deixam excitada?

Isabella levantou a cabeça do travesseiro com uma expressão divertida, beijou Edward e, quando separou seus lábios dos dele, sussurrou, querendo tudo de novo:

— Você me excita.

Não foi preciso dizer mais nada. O prazer do momento e saber que estavam transgredindo as regras da casa dos pais dele os fizeram voltar a fazer amor duas vezes mais até que, exaustos, adormecessem profundamente. Quando acordaram, nus e abraçados, a luz do dia entrava pela janela. Isabella se horrorizou ao ouvir barulho do lado de fora do quarto. Na certa, Teresa sabia que estavam juntos.

— Edward … Edward … acorda.

O jogador, ao ouvi-la, acordou de repente.

— O que foi?

— Dormimos e acho que sua mãe sabe que estou aqui.

Ele respondeu com um sorriso e chegou mais perto dela para um novo abraço, para voltar à posição em que tinham dormido.

— Bom dia, linda.

— Mas, Edward… sua mãe…

Divertindo-se com essa inquietação, deu-lhe um beijo na ponta do nariz para que ela ficasse quieta.

— Minha mãe é minha mãe, não se preocupe com nada.

— Mas sua mãe disse…

Ele a beijou com paixão para que ela se calasse e acrescentou:

— Minha mãe pode dar o sermão se quiser, mas você e eu somos crescidinhos e estamos aqui juntos na minha cama porque a gente quis. Por isso, não se apresse, nem se preocupe, está bem?

Aquela situação a deixava péssima, super constrangida. De repente, escutaram batidas na porta e, em seguida, a mesma voz:

— Meninos… vamos, andem! É meio-dia e vinte.

Edward deu uma gargalhada e Isabella cobriu o rosto com o lençol. Achando graça de vê-la envergonhada, ele tirou o lençol com um puxão e, antes que ela pudesse dizer uma palavra, calou-a com um beijo. Então se dirigiu à mãe, que esperava do outro lado da porta.

— Já estamos indo, mamãe.

Vermelha como um tomate, Isabella se livrou dos braços dele e começou a recolher a roupa jogada no chão.

— Meu Deus, como não me dei conta da hora?

Ele se levantou ainda pelado e a pegou nos braços.

— Me dá um beijo.

— Edward , me solta! Sua mãe… está…

— Me dá um beijo — repetiu.

— Mas, Edwaaaaard !

— Enquanto você não me der um beijo e sorrir, não vou te soltar e vamos demorar mais pra sair. Então já sabe.

Sem perder tempo, Isabella lhe deu um beijo e, se afastando dele, murmurou com um sorriso forçado:

— Agora você vai me soltar.

Achando muito engraçado o constrangimento que via em Isabella, caminhou até a cama e a colocou em cima, mas quando ela ia se levantar, ele impediu, segurando-a forte pelos punhos, a amassando contra o colchão.

— Se você não estivesse tão tensa, a gente ia fazer amor agora mesmo, mas acho que agora você não vai aproveitar nada, né? — Ela concordou e, depois de um beijo, ele a soltou. — Vamos, vista alguma coisa e corra pro seu quarto pra trocar de roupa.

Como diabo fugindo da cruz, ela colocou o vestido e abriu a porta com cuidado. Quando comprovou que não havia ninguém ali fora, saiu às pressas e entrou no quarto de hóspedes, que a dona da casa tinha destinado para ela. Uma vez lá dentro, respirou aliviada e decidiu tomar uma chuveirada. Tinha que se apressar.

Teve que passar pelo constrangimento de aparecer diante da mãe de Edward e se dar conta de que a senhora estava irritada, embora pouco tempo depois tudo estivesse mais tranquilo. Às duas da tarde, chegaram os recém-casados para almoçar com a família e, dez minutos depois, apareceu Alice.

— Tudo bem por aqui? — perguntou.

Edward sorriu e Isabella contou os detalhes disfarçadamente.

— Tudo ótimo, sem contar a parte que dormi na cama do seu irmão e que hoje de manhã a sua mãe nos pegou no flagra. Minha nossa, que vergonha!

Alice conteve o riso e imitou sua mãe em voz baixa:— Pelo amor de Deus, que indecência!

Durante o almoço, Ângela conversou com a mãe, feliz da vida. De repente soou a campainha e, dois minutos depois, todos olhavam as fotos do casamento junto com o fotógrafo. Isabella observou com curiosidade. Eram típicas fotos de casamento: a noiva com o pai, com a mãe, com os irmãos…

Sorriu ao ver uma em que estava dançando com Edward. Pela expressão deles, pareciam felizes e se divertindo muito. Gostou da foto e pegou o celular para fotografar e guardar a bonita lembrança.

— Esta eu levo comigo pra Milão — anunciou Edward ao ver que Isabella a olhava.

— Até parece — protestou Ângela. — Tiramos cópia e depois enviamos.

Edward foi até a irmã caçula e lhe deu um beijo no pescoço e falou no tom doce em que era difícil que lhe negassem alguma coisa.

— Oli… você vai pra lua de mel, que falta vai fazer essa foto? Eu, por outro lado, ia adorar guardar comigo em Milão. Ah, vamos… seja boazinha com seu irmão. No fim das contas, é uma foto em que estamos eu e a Isabella.

No fim, ele conseguiu o que queria e entregou a foto para uma risonha Isabella.

— Guarde, esta a gente vai levar.

— Bells, onde está a pulseira que eu te dei na outra noite? — perguntou Alice, de repente.

— Está no quarto, dentro da bolsa vermelha que eu usei na despedida.

— Você se importa se eu for lá buscar? É que não quero esquecer.

— Claro que não. Está no bolso interno. E a bolsa está sobre a mesinha.

Alice se levantou enquanto todos continuavam admirando as fotos e foi buscar a pulseira. Ao entrar no seu antigo quarto, sorriu ao ver como Isabella tinha deixado tudo organizado. Viu a bolsa e foi direto até ela. Abriu, pegou a pulseira e, quando ia sair, viu um vidro do perfume 212 Sexy de Carolina Herrera dentro de uma nécessaire aberta. Já havia usado aquele perfume antes e se aproximou para sentir o cheiro. Quando notou o que havia dentro da bolsinha, de imediato, deixou o vidro onde estava.

Ficou sem palavras: leu "Tamoxifeno" na embalagem. Atônita, tirou o pote de comprimidos da nécessaire e leu bem de perto mais uma vez.

Assombrada, comprovou que de fato era o que tinha lhe parecido. Rapidamente deixou o pote onde estava e saiu do quarto. Ao chegar à sala, Isabella olhou para Alice, que mostrou a pulseira, deu uma piscadinha e as duas sorriram.

Às seis da tarde, Edward e os pais foram ao aeroporto para se despedirem de Ângela e do marido, que iam para a lua de mel em Cancún. Alice e Isabella os esperaram em casa, vendo um filme.

Alice, sem conseguir tirar da cabeça o que tinha visto, ficou rodeando e rodeando, até que não aguentou mais e interrompeu o filme.

— Isabella … sabe que eu já gosto de você mesmo que a gente tenha acabado de se conhecer, não sabe?

Isabella, surpresa pelo tom, fez que sim.

— Quero que saiba que…

— O que foi? — perguntou Isabella, inquieta, ao ver que Alice se mexia na cadeira pouco à vontade. — Mas o que aconteceu?

Sem saber como colocar a questão sem parecer uma completa intrometida, finalmente Alice disse: — Por que você toma Tamoxifeno?

Como se tivesse levado um balde de água fria: essa foi a reação de Isabella. Como ela podia saber?

— Quando fui pegar a pulseira — prosseguiu Alice—, vi seu perfume, fui sentir o cheiro e, sem querer, vi os comprimidos na sua nécessaire.

Isabella pensou em não responder, mas não podia: a pergunta tinha sido clara e direta. Alice sabia sobre sua medicação e agora não podia mentir. Durante alguns segundos, sentiu a boca seca e começou a retorcer as mãos. Vendo sua reação, Alice suspirou e, tocando as mãos de Isabella, perguntou:

— Edward sabe?

— Não. E… bom… eu… eu… não…

Percebendo Isabella tão desconcertada, Alice a abraçou. Quando notou a tensão se aliviando, tirou sua própria conclusão.

— Ele não sabe e você não pensa em dizer, não é?

— Isabella fez que sim e Alice sussurrou: — Deus…! Agora entendo por que você me disse que a relação de vocês duraria pouco. Ai, meu Deus! Não pode ser… não pode ser…

Isabella se deu conta de como Alice estava interpretando a situação com gravidade, por isso deu-lhe uma sacudida e esclareceu:

— Ei, não estou morrendo… fica tranquila. Estou bem.

— Você jura pra mim?

— Sim, é verdade. Eu juro.

Alice respirou fundo, tentando processar a nova situação e relaxar um pouco depois do susto.

— Mas claro que você está bem, que idiota eu sou, claro que está.

— Tomo Tamoxifeno há alguns anos já. Tive câncer de mama em duas ocasiões, mas está tudo superado e, hoje em dia, estou bem. Na minha última revisão foi tudo muito bem e… bom e… e…

— E por que você esconde do Edward?

— Não quero assustá-lo, Alice.

— Assustar? Mas, querida… se aqui a única que pode estar assustada é você.

— A palavra "câncer" o assusta. E só quero que a gente esteja bem durante o tempo em que estiver junto.— Mas ele merece saber a verdade, ele pode se sentir enganado e…

— Sei que não estou agindo do jeito certo, Alice, e também sei que eu deveria contar, mas nunca pensei que nossa relação duraria tanto tempo e agora… agora não sei o que fazer e…

— Você tem que contar. Edward vai entender.

— Não.

— Como não?

— Não posso, Alice, nossa relação vai acabar quando a gente chegar a Milão.

— Nem pense em fazer isso, Isabella, nem pense em deixar meu irmão por uma maldita doença que você não tem — discordou exaltada.

Desesperada, Isabella se levantou, abriu a janela para tomar um pouco de ar da rua e murmurou com um meio-sorriso.

— Sabia que seu irmão gosta de mulheres tecnicamente perfeitas?

— Isso é uma bobagem. Ninguém é perfeito e…

— Mas é assim que ele gosta. Ele é Edward Cullen, um dos maiores mulherengos da liga italiana de futebol. Montes de mulheres se matam pra estar com ele, se matam até pra tirar uma simples foto. E sei que cedo ou tarde, quando ele retomar à atividade habitual do clube, a nossa relação vai acabar.

Alice se levantou e se sentou mais perto de Isabella no sofá, para ver se assim se entendiam melhor.

— Mas, Isabella, como você pode pensar assim?

— Porque sou realista, Alice, sei que no momento em que Edward começar a viajar e passar muito tempo com Emmett e com o resto dos jogadores solteiros, tudo vai mudar e eu não vou fazer nada para que não mude. Simplesmente vou deixar que aconteça, para que a nossa relação não seja traumática e…

— E o que acontece com você? Por acaso não vai ser traumático pra você? Por acaso você não ama o meu irmão?

Isabella sorriu, tomou Alice pelas mãos e respondeu abrindo o coração, ou pelo menos era o que sentia.

— O melhor pra ele é não estar comigo, Alice.

Pense com frieza: ele é jovem e vive a vida ao máximo. Comigo sempre vai estar limitado. Costumo dizer à Rosalie, minha melhor amiga, que meu corpo é uma bomba-relógio que a qualquer momento pode começar a contagem regressiva e Edward não merece isso.

O que acabava de ouvir arrancou lágrimas dos olhos de Alice. A tranquilidade e a sensatez com que isabella estava enfrentando algo tão duro a deixavam arrepiada. Quis protestar, mas não podia, pois a angústia só a deixava soluçar.

— Não, não chore, por favor… Te peço que tente entender o que estou dizendo. Edward tem um futuro lindo pela frente e eu só tenho o presente, que se estica ou encurta a cada seis meses e… Não tenho futuro além da próxima revisão.

— Como pode dizer isso, Isabella?

— Porque estou sendo totalmente sincera com você. E quero que o Edward seja muito feliz com alguém que lhe dê os filhos que ele quer ter.

— Mas…

Querendo que Alice não revelasse seu segredo, ela a tomou pelas mãos e suplicou:

— Por favor… por favor… me prometa que não vai dizer nada. Se disser, ele vai ficar triste e isso é a última coisa que a gente quer, não é? — Alice fez que sim. — Me deixe curtir ao lado dele o pouco tempo que me resta até que ele retome a vida de antes. Já tentei terminar, mas foi impossível, porque passávamos tempo demais juntos, mas sei que em algumas semanas tudo vai mudar. Por favor, Alice, me dê esse tempo e, por favor, nunca comente nada sobre essa conversa.

Alice soluçou e Isabella, incapaz de se segurar, a acompanhou. Abraçadas, ficaram chorando no sofá, incapazes de qualquer outra coisa. Quando Edward voltou com os pais, três horas depois, ele as observou com espanto. As duas estavam com os olhos inchados, e quando Teresa quis saber o que tinha acontecido, Isabella respondeu com um de seus sorrisos:

— É que a gente viu Ghost e… bem… já sabe, choramos fácil! E o filme é de chorar baldes de lágrimas.

— De chorar muito — Alice afirmou, levantando e indo para a cozinha.

O casal se entreolhou surpreso e seguiu a filha mais velha. Aquela não era uma reação comum a ela.

Ao ficarem sozinhos, Edward veio se sentar ao lado de Daniela.

— Me diga o que aconteceu aqui, não acredito que vocês estejam assim por causa de um filme.

Isabella forçou um de seus melhores sorrisos e passou os dedos pelo cabelo dele.

— Está bem, foi uma tarde de confidências. Conversamos sobre a minha irmã Janet, e Alice me contou como se sentiu depois do divórcio e tudo o mais. Choramos por coisas que nos doem, mas, por favor, não fale nada, tá?

Chateado por ver os olhos avermelhados de Isabella, Edward não quis fazer mais perguntas. Sabia o quando era difícil para ela falar sobre a falecida irmã, mas o que não entendia de jeito nenhum eram as lágrimas de Alice: ela nunca antes tinha chorado por causa do divórcio.

No dia seguinte, Edward e Isabella voltariam a Milão. Alice e seus pais foram ao aeroporto se despedir e a ninguém passou despercebido como ela e Isabella cochichavam cúmplices.

— Estou pensando em ir te visitar mesmo que você não esteja com meu irmão, está bem?

— E eu quero que você vá. Espero por você na minha casa.

Alice, vendo Edward abraçando a mãe e sabendo que não as poderia ouvir, insistiu:

— Conte a ele, Isabella. Meu irmão vai entender e…

— Não. E, por favor, não diga nada. Você me prometeu guardar segredo.

Depois de alguns segundos de silêncio, Isabella murmurou com os olhos marejados:

— Te espero em Milão, tá?

— Já vai chorar outra vez? — perguntou Edward, muito sério, ao se aproximar, observando a irmã sem a reconhecer.

Alice negou com a cabeça e seu pai a abraçou pelas costas, dando um beijo sobre seu cabelo.

— Não ligue, filho. Quando não é uma, é outra. A questão é que estou rodeado por choronas.

— Papaaai — se queixou Alice, sorrindo.

Teresa aproximou-se de Isabella, segurou suas mãos e depois a abraçou, demonstrando que a considerava uma pessoa da família.

— Você é bem-vinda em nossa casa sempre que quiser, querida. E, por favor, cuide do meu príncipe em Milão, para ele ter cuidado com a perna e…

— Mamããããe — protestou Edward.

Isabella, com um sorriso encantador, ordenou que ele se calasse e cochichou para sua mãe:

— Não se preocupe, Esme. Prometo que seu príncipe vai ser muito bem cuidado.

Depois de uma última rodada de beijos e abraços, os dois passaram pela área de controle de passaportes do aeroporto. Segurando a mão dela com força, ele disse com certo alívio:

— Voltamos às nossas vidas.

Isabella fez que sim com um sorriso falso. Sem saber de nada, ele havia dado um chute certeiro: deveriam retomar suas vidas.


Reviews?

Beijos, até.