Capitulo XIII - É melhor não cutucar a onça com vara curta. Missão "Curando o Doutor": Dia 9. Resultados obtidos: Incontáveis.
O som de Robert Johnson tocava baixinho no meu carro. Ele fazia eu me sentir nos anos antigos onde o Blues ainda era bem famoso e curtido.
A rua estava completamente vazia, o que deixava ecoando o barulho do motor potente do meu carro. Olhei para o relógio mais uma vez e depois para o rosto sereno de Isabella. Ela ressonava no banco de passageiro.
O sorriso ainda estava presente em seus lábios, fazendo com que eu tivesse vontade de beijá-los. Já era quatro e meia da matina e só voltávamos para casa agora. Normalmente esses bailes chiques terminavam mais cedo por conta da monotonia das pessoas, porém Isabella e Rosalie souberam animar a todos.
Lembrei do olhar de admiração que meu pai e minha mãe lançavam a ela e o meu sorriso alargou-se. Passei a mão suavemente pela fronte dela, sentindo-a estremecer um pouquinho e soltar um longo suspiro.
Estacionei o carro lentamente em frente à pensão e encarei Bella profundamente. Não tinha como acordá-la. Ela parecia estar tão confortável e em paz que eu não ousaria chamá-la.
Saí do carro e dei a volta, abrindo a porta dela e a encarando. Gentilmente a peguei em meus braços e fui levando-a para dentro da pensão. No começo ela se mexeu um pouquinho, porém instantes depois estava tão tranqüila quanto antes.
- Ainda acordada, Jean? - Falei em um sussurro.
- Estava com insônia. - Ela olhou para Bella e depois para mim e sorriu. - Pelo visto a festa foi boa.
- Com certeza. - Dei um aceno com a cabeça. - Boa noite!
- Boa noite, Edward. - Escutei-a falar, enquanto andava para o meu quarto e o de Bella.
Abri a porta desajeitadamente, com medo de derrubar Bella. Jake começou a pular na minha perna e fazer uma festa para a dona que estava adormecida.
- Shh! Não a acorde, Jake! - Falei para ele. - Sua mãe está cansada.
Deitei-a na cama e a encarei deslumbrado. Não tinha como não se apaixonar. Era humanamente impossível não sentir nada por aquela pessoa incrível. Ela havia me mudado, havia me mostrado o caminho da felicidade. E este era ao lado dela.
Beijei-a na testa demoradamente, inspirando o seu cheiro. Queria deitá-la em meu peito ou então fazê-la inteiramente minha. Queria mostrá-la que havia desrespeitado as suas regras, que eu amava.
Jake subiu na cama sem fazer nenhum barulho e ficou me olhando intensamente.
- Trégua? - Falei baixinho para ele.
Por mais improvável que soe eu juro que o vi piscando para mim como se concordasse.
- Onde eu estou? - A voz de Bella estava rouca e sonolenta. Ela permanecia com os olhos fechados.
- Eu te trouxe para casa, Bella. - Sussurrei em seu ouvido.
- Obrigada, pai. - Ela abriu um sorriso largo e me puxou para um abraço.
Eu congelei e arregalei os olhos. Deixei-a me apertar com força e me dar um beijinho singelo. Quando ela voltou a encostar a cabeça na cama e ressonar, percebi que ela ainda estava dormindo.
A curiosidade palpitou no meu peito e fez com que eu desejasse conhecer mais dela. Eu queria que ela tivesse confiança em mim para me contar tudo sobre a sua vida. Eu queria que ela se entregasse completamente.
Jake foi andando lentamente e lambeu o rosto dela. Observei Bella instintivamente o pegar em seus braços e o abraçar, grudando-o em seu corpo pequeno.
Queria ser ele. Eu queria me tornar tão indispensável como ele era para ela. Ela o amava de uma forma inexplicável, era óbvio que era o único ser que se apegara. E eu queria tanto que ela se apegasse a mim.
Não queria deixá-la partir. Não queria que os dias passassem. Não queria vê-la ir embora, deixando-me na amargura que era a minha vida anteriormente.
Você tem seis dias. Minha mente me avisou.
Eu tinha mais seis dias com ela. O meu tempo era curto, mas eu já sabia o que precisava fazer. Eu tinha que conquistá-la nesse tempo, fazê-la observar o quanto era bom criar laços e uma família.
Precisava mostrá-la o meu mundo e precisava encaixá-la nele.
Ela tinha que se sentir segura e em casa. E eu faria isso. Mostraria a ela o quanto eu poderia fazê-la feliz. O quanto eu queria que ela me amasse da forma que eu a amava.
Passei mais uma vez a minha mão em seu rosto.
- Eu vou curar você, Bella. Vou curar essa fobia que você sente por amar alguém. Eu prometo. - Susurrei.
Depois de roçar meu lábio delicadamente sobre o dela, eu fiz a minha cama e deitei embaixo da dela. Não queria pressioná-la. As coisas aconteceriam naturalmente.
Eu tinha seis dias para fazê-la me amar.
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Narrado por Isabella Swan
Sonhei com os olhos verdes dele. Eles me encaravam de uma forma linda e encantadora. Era irresistível e de longe a coisa mais bonita que eu já vira. Bastava apenas a apreciar. Ela era tão necessária para mim quanto o oxigênio.
Espreguicei-me na cama e tentei me concentrar na noite passada. A última coisa que eu lembrava era o abraço de despedida em Esme. Como havia chego ali?
Abri os olhos e olhei para Jake que me encarava com os seus olhinhos brilhantes.
Ele latiu todo contente e veio me dar beijinhos.
- Bom dia para você também, pequeno. - Sussurrei, o abraçando.
De longe escutei o barulho do chuveiro. Senti o meu corpo estremecendo e um desejo estranho preenchendo o meu peito. Naquele instante Edward estava nu relativamente próximo a mim.
Engoli um seco e fechei os olhos. Lembrei de como era ter o seu corpo másculo encostado ao meu. Os seus grunhidos de prazer voltaram a minha mente, fazendo com que a luxuria se intensificasse dentro de mim.
- Deus! - Sussurrei, passando a mão pelo cabelo. - Estou virando uma pervertida.
Não consegui conter a risadinha.
Sentei na cama e olhei tudo ao meu redor. A noite de ontem passando vagarosamente em minha mente, fazendo-me deliciar com cada sorriso e abraço sincero que recebera daquela família perfeita.
Eu havia sentido falta de um carinho de mãe. De todo aquele clima gostoso que muitas vezes só é criado em algum feriado como o Natal ou o Dia de Ação de Graças.
Lembrei de Carlisle e todo o amor que transbordava dos olhos verdes dele. Os olhos iguais aos de Edward. Era visível a sua bondade e lealdade. A sua alma era transparente e pura, sem a maldade comum.
Esme era a mãe perfeita. O seu carinho e amor eram visíveis a cada toque ou sorriso. Apenas o seu abraço havia ascendido em mim as saudades e as dores mais antigas e profundas que pensei que tivessem se cicatrizado.
Ela era a mãe que eu nunca tive e que eu sempre tivera vontade de ter.
- Está pensativa hoje. - Eu estava tão distraída que não havia ouvido Edward se aproximar.
O encarei profundamente e sorri.
- Estou tentando entender como cheguei aqui. Eu devo ser uma mutante com capacidade de tele transporte. - Mordi o lábio e fiz uma cara séria.
Edward riu e se aproximou. Ele estava vestindo apenas uma calça jeans, deixando o seu tronco musculoso à mostra. Eu tentei desviar os olhos para não perder a linha de raciocínio.
- Você adormeceu no carro e eu te trouxe para cá. - Ele abriu um sorriso malicioso e me mandou uma piscada.
- Eu não lembro. - Fiz uma careta. - Como posso ter certeza que você não me molestou?
Ele franziu a testa.
- Eu sou virgem e puro, lembra? - Ele piscou os olhos várias vezes e fez cara de santinho.
Eu ri e concordei com a cabeça.
- Droga. Esqueci desse detalhe inoportuno.
Ele sentou-se ao meu lado e me encarou intensamente. O seu cheiro invadiu as minhas narinas e me deixou entorpecida. Seu tronco estava tão próximo de mim que eu seria capaz de tocá-lo.
- O que faremos hoje?
Chacoalhei a cabeça e fechei os olhos para tentar me concentrar.
- Vamos finalmente visitar um local que eu estava louca para conhecer. - Abri um sorriso e tentei desviar a minha mente daquele corpo delicioso.
- E qual seria?
- Você sabe que eu não vou falar, então por que pergunta? - Abri os olhos e o encarei com um sorriso maldoso.
- Não custa tentar. - Ele deu os ombros e se aproximou. - Eu posso forçá-la a falar.
O ar faltou em meus pulmões quando o seu rosto ficou a poucos centímetros do meu. A mão dele agarrou a minha nuca sem hesitação, enquanto a outra pegava em minha cintura.
- Você não vai conseguir. - Sussurrei com o último fio de ar que restava em meu organismo.
- Se eu fosse você não teria tanta certeza assim. - Ele roçou em meus lábios, enquanto falava.
Ele sugou o meu lábio inferior e eu agarrei os seus cabelos cor de cobre com força entre os meus dedos. Puxei a sua boca para a minha, sedenta por seu gosto viciante entre meus lábios.
Nossas bocas já estavam entreabertas o que permitiu a minha língua de invadi-la e começar a explorá-la. Tudo era intenso demais, bom demais. A sincronia era perfeita, nossas bocas se encaixavam com precisão.
Ele separou os nossos lábios e colou as nossas testas. Arfei e abri um sorriso.
- Vamos a um local chamado kidsmart. É onde as crianças aprendem através da arte, tendo uma segunda chance por conta dela. - Disparei sem conseguir me controlar.
- Assim está melhor. - Edward beijou o meu lábio mais uma vez.
Eu ri baixinho, enquanto sentia as minhas bochechas esquentarem.
- Isso foi golpe baixo. - Ainda estava ofegante.
- Pelo menos agora encontrei um meio de te controlar. - O sorriso malicioso dele fez com que um arrepio percorresse a minha espinha.
Eu fui soltando ele aos poucos e me afastando.
- Preciso me trocar. - Olhei para baixo e observei que ainda vestia o vestido vermelho e perfeito.
- Certo. - Ele mordeu o lábio. - Eu vou sair daqui antes que eu a ataque.
Eu ri baixinho. Se ele imaginasse que era eu que estava prestes a atacá-lo.
- Não vou demorar. - Dei um beijo no canto da sua boca.
Antes de sair, Edward pegou uma camiseta simples em sua bolsa e me deixou ali sozinha com Jake. Eu fui me trocando lentamente. Ao me olhar no espelho percebi que estava com a maquiagem borrada e os olhos inchados.
Como Edward havia tido coragem de me beijar naquele estado?
Depois de estar pronta segui para encontrá-lo. Estava entretido em uma conversa animada com Jean. Eu os cumprimentei e depois seguimos para o carro dele. A viagem foi feita em silêncio. Edward e eu nos encarávamos às vezes e riamos, ou então apenas cantarolávamos as musicas do rádio.
Mais ou menos quinze minutos depois, estacionávamos o carro na frente de um instituto bem colorido. Eu escutava vozes de crianças de longe e isso já me animava, fazendo meu estômago se apertar na expectativa rotineira.
Fomos caminhando lado a lado até a recepção onde havia uma mulher bem alegre e sorridente.
- Bom dia!
- Olá. Eu sou Bella e esse é Edward. Queríamos saber se tem vagas para voluntários hoje.
- Sempre há vagas. - Ela pegou um papel e foi anotando os nossos nomes. - Vocês gostam de qual área?
- Estamos aqui para ajudar. Independente da área. - Abri um sorriso sincero.
- Ótimo. - Ela entrou os nossos crachás. - Me sigam.
As paredes eram pintadas com cores vivas e os moveis novos. A cada sala que passávamos de dentro podíamos ouvir as vozes finas e alegres das crianças. Aquele lugar era ótimo.
Por fim entramos em uma sala onde havia um pessoal ensaiando uma mini peça. As crianças estavam vestidas de animais e pareciam fascinadas por suas fantasias.
- Olá, meninos. Esses aqui são Bella e Edward. Eles estarão os ajudando hoje. - Ela abriu um sorriso. - Qualquer coisa pergunte ao Jimmie.
Ela indicou o outro homem que estava dentro da sala.
Depois de acenar para mim e para Edward, saiu porta a fora. Quando essa foi fechada, várias crianças vieram em nossa direção e começaram a nos bombardear de perguntas.
- Crianças, os deixem respirar. - O homem que chamava Jimmie falou.
- Estavam ensaiando uma peça? - Me abaixei para ficar do tamanho das crianças.
- Sim! Estávamos ensaiando O Mágico de Oz. - Uma menininha com a voz fina falou. Ela estava vestida de Dorothy Gale.
- Eu adoro essa peça! - Falei animada.
- Vamos apresentá-la no final do ano. Falta apenas algumas semanas.- Jimmie falou.
- Oh! Então apresentem para nós! Queremos ver como está ficando! - Edward falou animado.
As crianças colocaram duas cadeiras em frente ao palco improvisado e começaram a ir para os seus lugares. Eu não conseguia tirar o sorriso de meu rosto.
A apresentação era simples, porém fofa e bem feita. Os equipamentos deles não eram tão sofisticados, porém a beleza era realmente na simplicidade. As crianças eram ótimas!
Dorothy conseguiu me convencer e me emocionar.
Quando terminaram eu e Edward batíamos palma com entusiasmo.
- O que acharam? - Perguntou o menino que estava vestido de leão.
- Fantástico! - Eu fui me levantando e me aproximei um pouco. - Podemos só colocar mais umas músicas e vai ficar perfeito. Você se importa, Jimmie?
- Não, não. Vá em frente.
Eu levantei e comecei a ensiná-las várias coisas. As crianças pareciam ansiosas para aprender, pois se esforçavam bastante. Em menos de uma hora eu já havia passado umas quatro músicas para elas.
Jimmie me ajudava bastante assim como Edward. Ele estava sendo bem atencioso e ficava mais observando, julgando o que ficava bom e o que não ficava.
O tempo começou a voar. As crianças pareciam estar mais cansadas e lentas do que quando havíamos começado. Jimmie olhava constantemente ao seu relógio. Pareciam inquietos e ansiosos para algo.
- Será que ele não vem hoje? - Ouvi uma menininha sussurrando.
- Ele já não veio ontem! - A outra fez um biquinho. - Não quero passar a tarde inteira com o Tio Jimmie de novo!
- Pelo menos a Tia Bella ta aqui. - Um garotinho entrou na conversa e as duas lançaram um olhar mortífero para esse.
- Bom, pessoal.. - Jimmie falou alto captando a atenção de todos. - Já está no meu horário. O dia foi bem produtivo hoje, não acharam?
- Sim, Tio Jimmie. - As crianças responderam em uníssono.
Ele foi se aproximando de mim e de Edward.
- Deu o meu horário. Daqui a pouco outra pessoa vai entrar para continuar. - Ele abriu um sorriso. - Obrigado pela ajuda.
- Imagina, Jimmie. É um prazer ajudar. - Edward esticou a mão e o cumprimentou.
- Tchau! - Ele se afastou e saiu.
Quando a porta foi fechada as crianças começaram a gritar e comemorar. Eu e Edward nos encaramos e começamos a gargalhar.
- Pelo visto elas não gostam muito dele. - Eu disse em meio ao riso.
- Ele realmente não é muito animado e legal para dirigir uma peça. - Edward aproximou-se e passou a mão em meu rosto. - Ele não é que nem você.
- Oh, Edw.. - O barulho da porta sendo aberta me cortou e fez com que todos se calassem.
Por ela passava um homem loiro e alto que segurava um violão em seus dedos. As crianças começaram a gritar e foram todas para cima dele, o abraçando e o saudando animadamente.
Arregalei os olhos e o ar faltou em meus pulmões.
Ele abraçava a todos bondosamente e tinha um sorriso nos lábios. Um sorriso familiar para mim.
- Oh, meu deus! - Eu falei alto.
Todos no lugar voltaram às atenções para mim.
- Jasper! - Eu gritei.
- Bella? - Ele perguntou. Parecia estar tão chocado quanto eu. Seu sorriso alargou-se.
- Jasperzinho! - Corri em direção a ele e pulei em seus braços como fazia antigamente.
Ele me rodou e todas as crianças do local riram. Meu coração se enchia em felicidade e saudades daquele maluco.
Jasper pegou meu rosto entre suas mãos e colou nossos lábios. Era um cumprimento comum para nós, utilizando há muito tempo.
- Como você veio parar em New Orleans, maluca? - Ele perguntou todo animado.
- Ah, acabamos sem querer nessa cidade maravilhosa. - Dei os ombros. Meus olhos deviam estar brilhantes e transparecendo todo o meu contentamento.
- Crianças, lanche! - Jasper anunciou para elas. - Daqui vinte minutos voltem aqui para continuarmos!
Elas saíram da sala rapidamente, gritando e brincando.
Eu o abracei de novo.
- Ainda não consigo acreditar que esteja aqui. - Gritei.
- Isso é tão inesperado. - Ele beijou as minhas duas bochechas. - Achei que nunca mais a veria.
- Não é tão fácil assim se livrar de mim. - Eu o apertei nas bochechas. Lentamente fui soltando dele, quando lembrei da presença de Edward na sala.
Eu virei o meu rosto e encontrei uma expressão estranha em seu rosto. Seu maxilar estava tenso e ele tinha a testa franzida. Parecia tão tenso como quando eu o vira pela primeira vez naquele hospital.
- Oh! Jasper esse aqui é Edward. - Eu puxei o loiro pela mão até ficar próximo de Edward. - Edward esse aqui é Jasper.
- Ah.. - Jasper abriu um sorriso malicioso. - Então você é o sortudo da vez?
Eu dei uma risada escandalosa ao mesmo tempo em que socava o braço do loiro.
- Não me difame desse jeito, ridículo. - Revirei os olhos e fiz uma careta.
Ele riu alto. Aquela risada que eu sentira tanta falta. Nunca havia percebido o quanto aquele homem fazia falta na minha vida. Como ele havia deixado um vazio em meu peito.
- O que anda aprontando por aqui? - Ele veio e bagunçou os meus cabelos.
- Nada demais. Estou apenas junto com Edward curtindo a vida da melhor forma possível. - Abri um sorriso. - Ele é médico, sabia?
- Uau! Finalmente um bom partido! - Jasper abriu um sorriso para Edward. - Trabalha em qual Hospital?
- O Hospital de New Orleans mesmo. - Edward falou secamente. Onde estava todo o humor de antes?
- Isso sim que é carreira! - Ele bateu nas costas do Edward. - Parabéns, cara.
- E você? - Falei animada. Parecia Alice quando estava empolgada com alguma coisa. - Como veio parar aqui?
- Eu estou morando aqui. Minha mãe comprou uma casa há uns seis meses e nós viemos. Conheci essa instituição há um tempo e agora trabalho aqui. - Ele deu os ombros.
- É estranho vê-lo instalado em um lugar. - Abri um sorriso. - Você parece feliz.
- Eu estou feliz. Principalmente por encontrar você. - Ele me abraçou carinhosamente.
- Não sabe como senti a sua falta, Jasp. - Encostei a minha cabeça em seu peito e inspirei o seu cheiro. Aqueles braços me traziam tanta segurança.
- Agora que sabe onde estou é mais fácil para vir me visitar. - Ele olhou para os lados e depois me soltou. - Pretende ficar muito tempo?
- Oh, não. - Mordi o lábio inferior e fiz uma careta. - Tenho só mais alguns dias aqui e depois partirei.
- Quantos dias?
Eu ia abrir a boca para responder, porém Edward me cortou.
- Seis dias. - Eu não gostei do tom seco dele. Ele me fez lembrar do Edward antigo.
- Tão pouco tempo! - Jasper fez uma careta.
- Sempre duas semanas. Você sabe disso melhor do que ninguém. - Eu abri um sorriso triste.
- E Rosalie, como ela está? - Jasper gritou.
- Ótima, ótima! Arranjou um namorado que é simplesmente a alma gêmea dela! Viciado em sexo e tudo! - Nós dois rimos.
As crianças começaram a invadir a sala e nós tivemos que cortar o assunto. Quando se tratava de Rosalie era difícil não falar alguma besteira. Aquela cena era tão nostálgica que fazia com que eu tivesse vontade de pular.
- Olá, crianças! - Jasper foi subindo no palco improvisado.
- Olá, Tio Jasper. - Elas responderam.
- Hoje vamos dar uma pausinha na nossa peça para nos divertir. O que acham?
Todos eles responderam animadamente concordando com a cabeça e rindo.
- Vocês achariam legal fazer uma roda de canto e brincadeiras? Eu tenho uma amiga aqui que canta muitíssimo bem. - Ele apontou em minha direção e todas as cabeças viraram-se para me fitar.
- Vocês concordam?
- Sim, Tio Jasper.
Fizemos uma roda gigante. Eu fiquei ao lado de Jasper e de Edward. Sentia meu coração bater em meu peito com força.
Tudo estava perfeito e em ordem. Não me sentia tão bem assim há muito tempo.
Jasper pegou o seu violão e começou a dedilhá-lo experientemente. Ele é quem havia me ensinado os primeiros acordes daquele instrumento. Ele tocava muitíssimo bem.
Reconheci a música e dei uma gargalhada.
Fifteen – Taylor Swift.
As palavras escaparam da minha boca com naturalidade, enquanto as memórias percorriam a minha mente e me deliciavam. Conseguia lembrar de todas as cenas em que ele me fizera rir. De todas as suas palhaçadas.
As crianças começaram a bater palmas e nos acompanhar.
O tempo voou. A cada canção eu esquecia de tudo ao meu redor e mergulhava no meu passado. As crianças cantaram comigo algumas músicas conhecidas e se divertiram bastante.
Quando olhei pela janela vi o crepúsculo e soltei um longo suspiro. Era tão belo e singelo.
As crianças se despediram de mim com um abraço e um beijo carinhoso, aos poucos seus pais chegavam e as levavam após um cumprimento e um elogio de Jasper. O clima era sereno e bem diferente de quando Jimmie dirigia a classe.
E então só restou eu, Jasper e Edward dentro da sala.
- Acho que é isso. - Falei sorrindo.
- Sim. Você estava fantástica, viu? - Ele apertou as minhas bochechas.
- Ah! Tive uma idéia maravilhosa! Que tal irmos jantar? Eu, você, Edward, Rosalie e seu namorado. Não seria ótimo? - Murmurei animada.
- Sim, sim! - Ele concordou no mesmo clima. - Tem um restaurante muito bom perto de casa.
Ele passou o endereço para mim e para Edward e depois nos despedimos demoradamente. Jasper dessa vez não encostou os seus lábios nos meus, mas sim na minha testa.
- Até mais tarde!- Gritei mais uma vez antes de entrar no carro.
Ao fechar a porta o silêncio reinou no lugar. Olhei para Edward e percebi que ele mantinha a mesma expressão desde que Jasper havia entrado naquela sala.
- O que você tem? - Franzi o cenho.
Ele sugou o ar com força e me lançou um olhar intenso.
- Nada. - Ele ligou o carro e arrancou com um pouco de violência.
- Ele não é divino? - Perguntei animadamente. - Conheci Jasper lá no Texas. Foi com ele que decidi fugir e viver dessa forma. Antigamente vagávamos nós três: Eu, ele e Rose. Éramos o trio perfeito!
- Você decidiu fugir com ele? - A voz de Edward era áspera.
- Sim. - Dei uma risadinha. - Eu era uma menina idiota.
- Você o namorava?
Eu me calei e mordi o lábio.
- Não sei. Éramos muito próximos. Ele que me salvou e me fez ver a vida com outros olhos. Acho que acabei confundindo tudo com ele no começo.
- Você o amava? - Edward parecia amargurado. Como se alguém estivesse o torturando.
- Eu o amo. Muito. - Abri um sorriso. - Mas não da forma romântica que pensava. Eu estava confusa e perdida quando ele me encontrou e isso fez com que eu confundisse uma amizade com uma paixão.
Edward fez um barulho estranho e se calou. Passamos vários minutos calados. Nossa respiração era o único barulho do local. Aquele clima foi me deixando nervosa, a cada momento tentava entender o que o transtornara tanto.
Depois de estacionar o carro Edward não desceu, simplesmente virou-se e me encarou profundamente.
- O que? - Perguntei confusa.
- Você já transou com ele? - A sua voz era fria e sem emoção.
- Edward, por.. - Ele me cortou.
- Apenas responda.
- Sim. - Eu o encarei profundamente. - Eu já transei com ele.
Edward bufou e bateu com força no volante. Ele estava arfante e parecia bem irritado. A sua ira era praticamente palpável.
- Ele faz parte da enorme lista de homens que você levou para cama, huh?- Suas palavras entraram nos meus ouvidos e pareceram rasgar o meu peito e o meu coração.
Elas me dilaceraram por dentro.
- Sim. - Falei com raiva. - Na lista em que você não está. Ele foi muito mais além do que alguns beijinhos insignificantes.
Saí do carro e bati a porta com força.
Fechei os olhos e suguei o ar. Entrei na pensão e enxerguei Jean conversando animadamente com Alice, Rosalie e Emmett. Eu não estava com vontade de conversar e fingir que estava tudo bem.
Observei meu cachorro correr em minha direção como se soubesse que tinha algo errado.
- Vamos, Jake. - Murmurei ao sair apressadamente para rua.
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Narrado por Edward Cullen
Tudo ardia dentro de mim.
Parecia que eu estava sendo queimado vivo ou tivesse tomado algum ácido. Era uma dor aguda e constante. Uma dor que parecia não ter mais fim.
Vê-la abraçar aquele homem daquela forma tão intima havia acabado comigo. O ciúme me invadira de uma forma tão bruta e intensa que foi difícil controlar e disfarçar. Eu tive que lembrar as minhas táticas do passado para enterrar minhas emoções e não deixá-las transparecer.
Não queria assustá-la. Não queria que ela percebesse o quanto eu estava envolvido. Por isso eu me controlara e me fechara.
Mas eu não havia conseguido. A minha tristeza e amargura ficaram claras e expostas em cada uma das minhas palavras. Chegava até ser patético a forma como eu me revoltara.
Não queria feri-la e muito menos culpá-la pelo meu ciúme. Ela havia avisado para eu não me apaixonar, havia avisado que me machucaria, porém eu simplesmente a esnobei e mergulhei de cabeça nos meus sentimentos.
Encostei a cabeça no volante e soltei um longo suspiro.
Ele já havia a tocado da forma que eu tanto desejava. Ele já havia a feito gemer e implorar por mais. Ele já havia a feito dizer que o amava.
A dor multiplicou-se e eu soltei um longo gemido.
Eu não conseguia não ser aquele homem possessivo. O meu corpo e a minha mente simplesmente gritavam para ir proteger o que era meu. Era automático.
Quando ela estava longe era fácil me controlar e ver o quanto eu estava sendo idiota, porém com ela perto era impossível. Eu só queria mostrá-la que era minha. Queria demarcá-la e possuí-la.
Uma batida na janela do carro me despertou. Era Rosalie. Abri a porta e a encarei profundamente.
- O que foi? - Falei rudemente.
- O que aconteceu? - A voz dela era forte e autoritária.
- Nada. - Tentei me acalmar, tentei esquecer a dor e a raiva que borbulhavam dentro de mim.
- Por que Bella saiu daquela forma?
- Nós meio que brigamos. - Eu saí do carro e fechei a porta com força.
- Por quê?
- Ela.. eu.. - As palavras faltavam na minha boca. Eu fechei os olhos e tentei expulsar a cena da minha mente. - Foi tudo culpa do Jasper.
Minha voz estava lotada em rancor.
- Jasper? - Rosalie gritou. - Aquele Jasper?
- Se você está falando do Jasper que transou com Bella e fugiu com ela. Sim, é esse mesmo. - Soltei um longo suspiro. Falar aquelas palavras havia sido dolorido demais.
- Oh, meu Deus! Ele está aqui? - Ela abriu um sorriso largo e começou a pular.
- Mais uma? Pelo amor de Deus! O que é que esse idiota tem? - Eu virei as costas para ela e me afastei.
- Tudo isso é por conta de ciúme, Edward? - Rosalie começou a me seguir.
- O que você faria se uma mulher entrasse na sala que você está com Emmett e o abraçasse e beijasse? Acho que esse seu sorrisinho presunçoso sumiria imediatamente. - Gritei para ela.
- Você não entende, Edward. - Ela pegou em meu braço e me fez encará-la.
- Não! Eu entendo perfeitamente bem! Ela prefere a ele. Ela o ama. Ótimo! - Puxei meu braço e voltei a caminhar.
Adentrei a pensão que nem um furacão.
- Você a ama! - Rosalie estava próxima a mim. - É isso!
Parei de andar e a encarei profundamente.
- Você não sabe como dói saber que ela vai embora sem nem pensar duas vezes. Você não sabe como foi horrível vê-la falar que sentiu a falta dele, que o amava. Eu devia tê-la escutado! Eu devia ter me afastado quando ainda havia tempo.
- Você a ama. - Rosalie repetiu e então abriu um sorriso. - Você realmente a ama.
- Sim, eu amo! - Gritei revoltado. Passei a mão pelos meus cabelos. - Era isso o que queria ouvir? Pronto! Satisfeita?
Ela riu alegremente e me abraçou.
- Isso é fantástico!
- O qu.. - Ela me cortou.
- Eu não sabia que seus sentimentos eram tão intensos! Isso é simplesmente perfeito! - Ela puxou o ar com força. - Você vai ter que fazê-la ficar.
- O que?
- Edward, você tem que convencê-la a ficar. Meu deus.. só temos mais seis dias. - Ela mordeu o lábio.
- Você está louca?
- Não, não estou. Se você a ama de verdade não vai simplesmente deixar esse ciúme os separar. Lute por ela, Edward. Não a deixe ir. - Ela beijou a minha bochecha. - Eu sei que você é capaz de fazer isso.
- Ela não vai querer ficar. Ela não me quer.
- Confie mais em você. Ela o adora. - Rosalie me pegou pelos ombros e me olhou intensamente.
- Você devia ter visto como ela estava feliz hoje. E eu quero a felicidade dela, mesmo que para isso ela tenha ficar com aquele idiota ou fugir de mim. - Tirei delicadamente a mão de Rosalie dos meus ombros. - Obrigado pelo apoio, Rosalie. De verdade. Mas eu preciso ficar sozinho agora.
Entrei no quarto e fechei a porta. Encostei a minha cabeça nessa e escorreguei até o chão.
Por que amar era tão doloroso? Por que as coisas não podiam ser mais simples a práticas?
O tempo foi passando lentamente. Minha mente estava em um torpor, perdida nas palavras de Rosalie e na minha dor sem fim. Eu não tinha forças para me mexer ou levantar.
Percebi que já devia ser mais ou menos o horário do jantar. Eu precisava ir. Não podia deixá-la sozinha com ele. Era uma atitude e um pensamento estúpido, mas eu não conseguia evitar.
Por mais torturante que fosse, eu iria.
Arrastei-me até o banheiro e tomei um banho rápido. Sem a menor vontade fui e escolhi a minha roupa. Vinte minutos depois eu estava pronto e ainda mais triste.
Escutei uma batida na porta.
- Quem é? - Falei com a voz rouca e baixa.
- É a Alice.
- Pode entrar;
Ela abriu a porta lentamente e ficou parada me encarando. Seus olhos estavam lotados em preocupação.
- Como você está?
- Sinceramente? Uma merda. - Abri um sorriso triste e me aproximei dela. Seus braços pequenos me puxaram para um abraço confortador.
- Não deixe que esse sentimento ridículo separe vocês. - Ela sussurrou. - O ciúme não serve para nada.
- Não consigo acabar com a dor. Não consigo me controlar. - Gemi frustrado.
- Ela ama você, Edward. Eu vejo isso em cada gesto e olhar. Lembre-se da forma que ela o defendeu ontem, maninho. - Ela beijou a minha bochecha.
- Eu não sei mais em que acreditar. - Sussurrei.
- Acredite em seu coração. Nele você encontrará as respostas. - Alice foi me guiando para fora do quarto. - Venha, vamos dar uma voltinha.
A voltinha de Alice foi um pouco mais demorada do que o esperado. Saímos da Pensão e caminhamos pela rua movimentada com o vento frio batendo em nossos rostos. Longe de Bella era difícil acreditar que ela podia causar tudo aquilo em mim. Que ela podia ser tão irresistível.
Desviamos completamente desse assunto e acabamos falando apenas do passado. Várias histórias voltaram a minha mente, refrescando a minha memória e me animando um pouco. Era tão fácil ficar ao lado da minha irmã. Eu quase havia me esquecido disso.
Uma meia hora depois - quando o celular dela não parava de apitar - voltamos a Pensão. Emmett nos esperava na porta com um sorriso menor do que o de costume. Ele olhou bem para o meu rosto, como se me analisasse.
Acho que essa era a primeira vez que ele não me recebia com uma piada ou comentário constrangedor.
- Está todo mundo pronto? - Alice perguntou animada.
- Sim! - Rosalie apareceu pela porta, trajando uma calça jeans justa e uma blusa que moldou o seu corpo perfeito.
Eu não gastei nem dois segundos a analisando, porque instantes depois Isabella passou por ela prendendo toda a minha atenção. Ela estava produzida e linda. Seus cabelos estavam soltos, porém limpos e arrumados. Ela vestia um vestido curto, uma bota e um casaco.
Eu estava deslumbrado.
- Uau, Bella! - Alice tirou as palavras da minha boca. - Caprichou, huh?
- Que nada. - Não me contentei e olhei para o seu rosto enquanto ela falava. Estava corada e mordia o lábio inferior.
Fechei os olhos e puxei o ar com força.
Ela havia se arrumado dessa forma para ele. Não para mim. Ela estava apenas tentando chamar a atenção de Jasper para fisgá-lo mais uma vez, e então eu seria completamente esquecido. Uma Missão inacabada e um homem incompleto.
O ciúme me preencheu novamente e fez com que eu segurasse um gemido de dor e desconforto.
Fomos caminhando em silêncio até os carros. Agradeci mentalmente quando Bella falou que iria no de Alice. Sabia que não resistiria e a atacaria se ela ficasse trancada a sós comigo. O cheiro que exalava de sua pele somado a sua beleza encantadora eram simplesmente irresistíveis.
Chegamos a um restaurante pequeno, porém confortável. O maitre nos guiou até uma mesa grande onde Jasper nos aguardava. Ele tinha um sorriso grande nos lábios e assim que chegamos voou para os braços de Rosalie.
Quando ele abraçou Isabella eu desviei o olhar e tentei esnobar. Instintivamente o gosto e a textura dela invadiram a minha mente, fazendo com que a dor se intensificasse ainda mais.
Sentamos e logo pedimos a comida, em meio à conversa animada e as risadas deles. Eu estava completamente quieto e introvertido. Não queria nem ao menos levantar os meus olhos para ver ele a observando.
Não queria ver o flerte palpável e natural que acontecia entre os dois. Eu só queria sumir. Queria que o chão abrisse e me engolisse.
Cada minuto que passava parecia uma eternidade para mim. Era uma tortura sem fim.
Por um instante eu me permiti sair de minha bolha e espiar, acabei percebendo algo completamente inesperado. Algo que preencheu o meu coração de esperança.
Um sorrisinho maldoso se abriu em meus lábios.
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Narado por Isabella Swan
A raiva que me consumia mais cedo foi cedendo aos poucos enquanto a frustração tomava conta e fazia com que eu mergulhasse em um rio de amargura. Quando saí daquele carro não consegui segurar as lágrimas de vergonha e tristeza. A dor me cortava e queimava por dentro.
Não queria enxergar o que todos estavam me falando. Simplesmente não conseguia acreditar que Edward estava com ciúmes. Era surreal e ridículo demais.
Ele era o renomado médico de New Orleans. Um dos homens mais cobiçados por as mulheres. Simplesmente um anjo que caminhava entre os meros mortais, encantando a todos com a sua beleza fantástica.
Por que ele teria ciúmes de mim? Eu achei que as palavras dele no carro expressavam mais nojo e asco. Não ciúmes. Nunca ciúmes.
Rosalie decidiu que eu deveria me arrumar bem e enfiou um vestido seu em meu corpo pequeno. Ao me olhar no espelho, uma chama de esperança nasceu em meu peito e me fez sorrir. Com aqueles trajes eu tinha chance de capturar o seu olhar, de chamar a sua atenção.
Queria apenas ver o desejo percorrer as íris verdes. Queria que ele me olhasse com luxuria e que desejasse se perder em meus lábios mais uma vez.
Frustação. Doce frustração.
Ele não havia lançado nenhum olhar para mim, assim como não havia me dirigido à palavra. Estava fechado em sua bolha particular, mais pensativo e calado do que eu estava acostumada a vê-lo.
Nem um olhar rápido. Nada. Ele simplesmente havia decidido me esnobar por completo. Esquecer a minha existência.
- Vou ir ao banheiro, ok? - Falei para todos, querendo soar animada e alegre. Não fui muito convincente.
Várias cabeças assentiram e eu finalmente pude levantar e fugir daquele lugar. Praticamente saí correndo para o banheiro, trancando-me lá. Encarei-me no espelho e não gostei nenhum pouco do que vi.
A tristeza e a decepção estavam evidentes em meus olhos.
- Respire, Bella.. - Falei para mim mesma. - Tudo isso já vai passar.
Abri um sorriso depois que passei a mão pelo rosto e tentei parecer feliz. Pensei em Jasper e tentei ficar contente com a sua chegada, tentei ficar animada como estava mais cedo.
Nada. Simplesmente nada.
Soltei um longo suspiro, fazendo com que o sorriso forçado saísse de meus lábios. Com os ombros caídos e uma tristeza sem tamanha eu decidi sair daquele lugar e encarar a realidade.
Ao pisar fora do banheiro instintivamente eu ergui os olhos. Ele estava ali. Apoiado na parede com os braços cruzados e os olhos duros e frios, me encarando como se eu fosse sua presa. Sua vitima.
Arfei e levei a mão ao peito. Com todas as forças que ainda tinha tentei esconder isso, assim como a minha tristeza. Queria parecer confiante e forte.
- Pelo visto o seu plano não deu muito certo.. - A voz dele era mais fria que seus olhos, e ela me fez congelar e arregalar os olhos.
- Plano? Que plano? - Ergui a minha cabeça e tentei ficar com a voz forte.
- De levar Jasper para a cama. - Um sorriso sarcástico abriu-se nos lábios macios dele. - Ele simplesmente não consegue tirar os olhos de Alice.
Ele realmente acreditava que tudo aquilo era para Jasper?
Abri um sorrisinho e me aproximei dele com os olhos fechados em fendas. Odiava quando as pessoas me provocavam. Se ele queria briga, ele teria.
Por mais que eu saísse ferida e despedaçada, não podia deixar aquele desafio mudo escapar.
- É que você não percebeu a mão dele que me tocava por baixo da mesa. - Eu falei bem baixinho. Já estava perto dele.
Os olhos de Edward se arregalaram e o maxilar dele ficou mais tenso. Suas mãos grandes agarraram o meu braço com força e me puxaram para perto.
- Você ainda não entendeu? - Ele falou com raiva. - Nessas duas semanas você é minha. Somente minha.
Meu corpo estava colado com o dele. Nossos olhos grudados um no outro.
De repente eu percebi a luxuria ali. Ela estava bem escondida pela raiva, porém não deixava de estar presente. Mordi o lábio inferior, enquanto analisava o seu rosto perfeito.
Com força e violência Edward agarrou a minha nuca e me puxou para um beijo. Nossos lábios se procuraram com volúpia e desespero. Nossas mãos voaram para os nossos corpos, tentando tocar o máximo que conseguíamos.
Senti meu coração acelerar e finalmente a paz me alcançar.
Eu gemi baixinho quando senti seu gosto entre meus lábios e o puxei mais para perto. Sua ereção dura e latejante tocou a minha barriga, fazendo com que eu ondulasse o meu corpo no dele. O desejo e o calor só aumentando.
Seus lábios saíram de minha boca e foram em direção ao meu pescoço. Sugando-o e beijando-o como se a vida dele dependesse disso. A minha resposta era apenas bagunçar os fios de cobre entre os meus dedos e gemer baixinho.
Eu estava entregue ao desejo e a paixão. Queria apenas senti-lo mais. Muito mais.
- Venha. - A voz dele estava rouca e febril. - Vamos sair daqui.
Eu nem ao menos pensei em não segui-lo. Minha mão deixou ser agarrada pela dele e o meu corpo foi guiado para fora dali. Minha mente ainda estava em torpor, eu ainda estava perdida no gosto dele. Deslumbrada demais.
Seus braços me enlaçaram pela cintura e ele beijou preguiçosamente o meu pescoço, fazendo-me respirar alto demais.
Sem falar nenhum palavra entramos no Volvo prateado, loucos para poder nos tocar novamente. Para poder saciar a nossa sede um pelo outro. Assim que a minha porta foi fechada Edward acelerou com violência.
Não consegui segurar a risadinha.
Quando já estávamos um pouco longe de olhares curiosos, uma mão de Edward soltou do volante e veio em meu encontro. Ele me puxou para mais perto, fazendo com que eu me encostasse a ele.
Comecei a beijá-lo no ombro, enquanto a minha mão o tocava no abdômen definido. Os dedos dele agora seguravam o meu seio com força e possessão. Eu gemi baixinho e acabei instintivamente me aproximando mais de seu corpo.
- Eu não consigo tirar as minhas mãos de você. - Edward grunhiu quando eu o toquei nas coxas torneadas
- Então não tire. - Sussurrei de volta.
Como em uma concordância muda para o que eu havia dito, os dedos ágeis e delicados de Edward foram descendo pelo vale no meio dos meus seios, passaram pela minha barriga e foram para a minha virilha.
Ele começou a me provocar, passando a mão levemente por cima da minha calcinha. Eu fechei os olhos e arfei, desejando que ele me tocasse mais fundo. Eu me sentia cada vez mais úmida e pronta para recebê-lo.
Cada vez mais o desejo crescia e se tornava incontrolável.
Quando o dedo dele finalmente invadiu a minha calcinha e me tocou com precisão, não consegui conter um gemido. Isso pareceu estimulá-lo, pois suas caricias ficaram mais ousadas e intensas.
- Tão úmida. - Edward grunhiu baixinho. Seus dedos agora faziam círculos em meu clitóris.
Eu esqueci de tudo ao meu redor. Esqueci que estava em um carro. Esqueci que devia estar brava e frustrada com ele. Esqueci até mesmo o meu nome.
Os meus gemidos foram aumentando, enquanto os dedos dele trabalhavam habilmente, fazendo-me ofegar e implorar por mais. Quando eles invadiram a minha fenda úmida eu mordi o ombro dele, soltando uma lamuria mais alta.
- Oh, Edward. - Falei em seu ouvido.
O ritmo de seus dedos aumentou.
- Isso. Fale meu nome. - Ele pediu. Parecia estar no mesmo êxtase que eu.
Os espasmos e o prazer intenso chegaram inesperadamente, fazendo-me gritar e me chacoalhar inteira. Todos os meus músculos se contraíram e depois relaxaram, fazendo com que eu amolecesse sob o ombro dele.
- Uau. - Falei ofegante.
Foi só nesse momento que eu olhei pela janela. Nós não estávamos indo para a Pensão. Eu não tinha a mínima noção de onde estávamos. Edward não me olhava, porém tinha um sorriso torto nos lábios.
- Para onde.. - Ele não me deixou terminar a pergunta.
- Você já vai ver. - Falou misteriosamente.
Um pouco depois nos aproximamos de um prédio chique e grande. Eu o reconheci imediatamente. Minha testa se franziu e eu fiz uma careta.
Ele entrou com o carro na garagem e estacionou em grande velocidade. Eu havia prendido o ar. Depois de tirar a chave da ignição, voltou-se para mim, puxando-me para o seu colo.
Não criei nenhuma resistência. Apenas me deixei levar, sentando em seu colo e enlaçando o seu pescoço com os meus braços. A boca dele procurou a minha avidamente.
Suas mãos agora estavam na minha bunda, fazendo com que eu roçasse deliciosamente em sua ereção. Nosso beijo era intenso, com as línguas velozes e desesperadas sob a boca um do outro.
Eu grunhi quando ele desgrudou nossos lábios. Edward riu e abriu a porta. Em soltar o meu corpo do seu ele foi me carregando para um elevador grande e elegante. Nenhuma palavra era necessária.
Quando estávamos fechados no cubículo, simplesmente ignoramos a câmera e voltamos a nos beijar. Edward me soltou lentamente, me pressionando na parede. Quando a porta do elevador abriu, nós saímos trôpegos e risonhos.
Com uma facilidade incrível, Edward destrancou a porta e a abriu. Eu nunca havia entrado em seu apartamento. Queria poder explorar tudo, porém não naquele momento. Ele me puxou pelas mãos rapidamente, como se tivesse tão desesperado quanto eu.
Quando ele me deitou na cama macia e grande todo o desespero e a pressa sumiu. Eu me perdi dentro daqueles olhos verdes. Agora não havia mais volta. Eu não conseguiria nunca mais tirar as mãos dele.
Abri um sorriso tímido.
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Narrado por Edward Cullen.
Tudo havia acontecido rápido demais. Em um momento nós estávamos nos atacando raivosos e no outro estávamos nos beijando com ardor e paixão. Acho que nunca havia sentido algo tão indomável como esse desejo que me consumia.
Era algo bom. Uma queimação que me fazia sorrir e querê-la cada vez mais. Imagens indecentes passavam em minha cabeça, enquanto eu a tocava lascivamente.
Não sei por que decidi levá-la até a minha casa. Talvez eu quisesse mostrar o quanto era importante para mim. Talvez eu quisesse que ela também conhecesse o meu mundo o tanto quanto eu conhecia o dela.
Agora eu estava deitado sob o seu corpo, encarando-a intensamente. Toda a pressa e a necessidade desesperadora haviam sumido. Eu sabia que nenhum de nós iria fugir e eu precisava fazer isso lenta e delicadamente.
Queria provar e sentir cada parte do seu corpo.
Passei a mão pelo seu rosto e ela arfou, fechando os olhos em seguida.
- Eu fui tão rude com você.. - Sussurrei. Beijei o canto de sua boca, as bochechas, os olhos, o nariz.
Ela segurou o meu rosto entre suas mãos e me beijou no lábio delicadamente. Suas pernas abriram-se um pouquinho, me acomodando ali no meio delas. Quando a minha ereção tocou o seu ponto íntimo, o beijo ficou mais intenso e ávido.
Sua língua se enroscou na minha, enquanto a minha mão voltava a explorá-la. Lentamente tirei a primeira alça do vestido dela, tocando o seu ombro como se ele fosse algo sagrado. Senti-a estremecer sob mim.
As mãos dela invadiram a minha camisa e me tocaram sem hesitação. Ela parecia gostar de me tocar, como se também não conseguisse controlar o seu corpo. Era algo involuntário.
Meus beijos caminharam lentamente até o ombro nu dela, enquanto eu tirava a outra alça de vestido. Isabella gemeu baixinho e arranhou as minhas costas lentamente. Fui abaixando mais o seu vestido, até deixar os seus seios expostos.
Com delicadeza peguei um em minhas mãos o acariciei. Eu sentia seu bico intumescido em meus dedos, criando uma sensação gostosa de poder. Ela estava naquele estado por minha conta.
Era por mim que ela estava gemendo. Era a mim que ela estava desejando.
Abocanhei o outro seio. Era tão bom tê-la daquela forma. Vê-la se contorcer embaixo de mim.Tê-la completamente vulnerável e entregue para mim.
Os dedos dela começaram a brigar com os botões da minha camisa, porém ela estava entorpecida demais para conseguir abri-los. Seu quadril mexia-se, roçando levemente em minha ereção.
- Edward? - Ela sussurrou.
Eu soltei de seu seio e a encarei intensamente.
- Você tem certeza? - Eu sabia que ela devia estar se esforçando muito para falar aquilo. Eu sabia o quanto ela me desejava. - Você não está fazendo isso por conta do que falei mais cedo, não é?
- Eu nunca quis tanto alguma coisa em uma vida, Bella. - Beijei o lábio dela e sorri. - Eu a desejo tanto. O que você disse mais cedo não mudou isso em nada.
Ela mordeu o meu lábio inferior e depois o beijou delicadamente.
- Me perdoe. Eu não queria magoá-lo. Eu nunca quis..
- Shh, Bellinha. - Abaixei um pouco mais o seu vestido. - Deixe o Doutor tomar conta de você.
Beijei-a lascivamente, enquanto a minha mão brincava com os seios expostos. A outra estava agora fazendo círculos na barriga reta e lisa. As dela ficaram mais exigentes e nos desespero acabaram estourando alguns botões de minha camisa.
Ela me fez rodar na cama, ficando por cima de mim. Sentou com uma perna de cada lado do meu corpo e me encarou com um sorriso levado. A minha boca estava inchada e clamava por preenchê-la novamente.
As mãos pequenas e hábeis foram abrindo o resto dos botões que faltavam. Quando a minha camisa estava completamente aberta, Bella começou a acariciar todo o meu tronco, arrancando suspiros e gemidos de mim .
Seus lábios se dirigiriam para o meu pescoço. Eu a agarrei com força e sem conseguir me conter, nos virei novamente na cama ficando por cima. Em um desespero sem tamanho, arranquei o resto do vestido dela e joguei para longe.
Minhas mãos logo vagaram para a calcinha úmida dela. Senti-a arfar embaixo de mim, enquanto as mãos dela acariciavam o meu peitoral lascivamente.
- Eu preciso estar dentro de você. - Sussurrei. - Mas eu só posso fazer isso se você me permitir.
Escutei-a respirar alto.
- Achei que já estivesse óbvia demais a minha permissão.
Demos uma risadinha juntos, enquanto a mão dela lutava agora contra o meu cinto. Eu a ajudei, jogando-o para longe junto com o vestidinho dela. Sua mão tocou o meu pênis sob a minha calça, fazendo com que eu fechasse os olhos e gemesse.
Voltei os meus beijos para o seio direito dela, enquanto suas caricias me matavam de prazer. Eu estava tão duro e latejante que achei que poderia desmaiar. Sem conseguir me controlar, desabotoei as minhas calças e a abaixei, deixando a minha ereção evidente em minha boxer preta.
Para provocá-la, fui tirando sua calcinha lentamente. Ainda não sabia de onde eu tirava as idéias para prosseguir. Meu corpo simplesmente sabia como agir. Era instintivo.
Bella estava desesperada, portanto pegou os meus dedos e levou até a sua vagina, implorando para eu tocá-la novamente. Eu dei uma risadinha e a obedeci, enquanto terminava de tirar a sua calcinha com a outra mão. Ela gemeu e abriu um sorriso largo quando a toquei. Já havia percebido os lugares que ela estremecia mais, a pressão necessária para fazê-la gemer mais alto. Invadi a sua fenda com dos dedos, sentindo o quanto ela estava pronta para mim.
Segurei o seu rosto e a fiz me encarar profundamente. Tirei a minha mão de sua feminilidade e a levei até a minha boxer, livrando finalmente minha ereção daquela prisão.
- Eu não tenho camisinha. - Falei envergonhado.
- Edward.. - Ela suplicou. - Não importa. Preciso de você.
Encostei a cabeça de meu pênis em seu clitóris. Nós dois arfamos e sorrimos. Lentamente eu fui a penetrando. Isabella mordeu o lábio com força e fez uma caretinha quando eu finalmente a preenchi.
- Está tudo bem? - Sussurrei.
- Eu é quem devia estar perguntando. Você é o virgem. - Ela falou divertida.
- Era o virgem. - Sorri, movimentando-me dentro dela só para recordá-la.
Ela gemeu baixinho e levou o seu quadril de encontro ao meu, fazendo com que a pressão entre nossos sexos aumentasse. Eu grunhi e aumentei o ritmo, começando um movimento mais rápido.
O prazer era tão grande que eu era capaz de gritar. Nunca havia sentido algo tão intenso e tão complexo. Não conseguia parar de sorrir, assim como não conseguia me desgrudar dos olhos dela.
Eu via o prazer e a luxuria estampados nas íris chocolates.
Penetrei-a mais profundamente, sendo um pouco mais lento. Ela gemeu alto, assim como eu. Estávamos ofegantes e suados. Eu sentia o seu seio nu escorregar sob o meu.
Eu abaixei um pouco mais a minha cabeça, colando o meu lábio sob o dela. O prazer era tão grande que não conseguíamos nem nos beijar direito. Ela agarrou a minha cintura e me puxou para mais perto.
- Isso, Edward. - Suspirou. - Oh.
Eu nunca fiquei tão orgulhoso e metido como naquele momento. Era tão bom ver alguém gemendo o seu nome. Gritando só por você.
- Fale que você é minha. - Eu pedi baixinho, enquanto aumentava o ritmo.
- Oh. - Ela gemeu longamente. - Eu sou sua, Edward.
Os primeiros espasmos chegaram ao corpo dela, fazendo-a se contorcer sob mim e o seu sexo se apertar sob o meu. Instantes depois eu estava grunhindo e me contorcendo como ela.
A explosão no meu corpo havia sido tão grande que eu não estava preparado. Havia me pegado desprevenido, deixando-me tonto e mergulhado no torpor do ápice. Senti o líquido saindo de mim e depois relaxei completamente, tombando em cima daquele corpo miúdo.
Por conta do meu peso, sai de cima dela e a puxei para o meu peito. Ainda estávamos arfantes e suados.
- Uau. - Bella falou.
- Eu sei o que quer dizer. - Concordei risonho.
Minhas mãos agora faziam círculos em suas costas nuas.
- Você tem certeza de que era virgem? - Ela me olhou profundamente, tinha um sorrisinho nos lábios.
- Sim. Certeza absoluta. - Beijei os seus lábios levemente.
- Você tem o dom, Doutor. - Ela e eu rimos alto.
Minha mão a apertou mais em sua cintura, como se eu temesse que ela fugisse de mim. Como se eu temesse que ela simplesmente desaparecesse.
- O que foi? - Ela perguntou preocupada. - Está arrependido?
Revirei os olhos e ela riu.
- Você não vai embora, né? - Falei manhosamente.
Ela me encarou com intensidade e depois riu.
- Eu estou aqui, Edward. Não vou a lugar nenhum.
É, eu sabia. Eu não a deixaria ir a lugar algum. Principalmente se esse lugar fosse longe de mim.
Fim do Capítulo XIII
Nota da Autora: O capítulo tão esperado chegou! Yay! Espero que tenham gostado! Assim como vocês, eu venho o esperando há muito tempo. É bom finalmente postá-lo. O que acharam? *-*
Jasper apareceeeeeeeeu! |Tambem não esperava por isso. O que acharam, huh? *-*
Enfim.. aconteceu um pequeno acidente com a autora de vocês. Eu levei uma bolada na cabeça jogando queimada e tive uma concussão há quase um mês atrás. Desde então venho tendo muita dor de cabeça e tontura.. e fui proibida por ordens médicas de entrar no computador. Estou voltando aos poucos.. é por conta disso que demorou tanto para sair o capítulo.
Espero ter compensado, hein? *-*
Nos vemos em breve! Beijos.
