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POV Jasper

Depois que sai do hospital, vaguei sem rumo definido. Não tomei nenhuma decisão consciente, meu único foco era ficar o mais longe de qualquer pessoa. Corri mais rápido se é que era possível, eu não sei como não arranquei algumas árvores no caminho, uma vez que sequer prestava atenção aonde eu ia e para ser sincero se eu batesse em uma no estado que estava provavelmente não tomaria conhecimento.

Parei em uma clareira e fiquei imóvel por um tempo, não sei bem quanto tempo estava ali, se bem que a noite progrediu e logo um novo dia surgia. Minha mente vagava em varias direções e não necessariamente aquela que seria o motivo de estar ali.

Foquei minha atenção pela primeira vez a minha volta. A clareira não era grande, havia varias árvores frondosas em torno dela. Não havia som, nem mesmo de algum animal silvestre.

Respirei profundamente. Não era de fato necessário, eu não precisava de ar para viver, mas a sensação era muito boa.

Passei minha mão em meus cabelos, tentando clarear meus pensamentos. Agora que não estava sendo influenciado pelas emoções de outros, comecei a pensar no que acontecera.

Meus pensamentos voltaram à menina adormecida. Ela era magra, mas não tão magra. Ela era excepcionalmente proporcional, para dizer a verdade. Sua pele era quase translucida o que constratavam com seus cabelos negros. Sua boca era... Balancei a cabeça em negação.

Eu não podia desejá-la.

Meu monstro interior não pensava da mesma forma. Ele gritava em minha mente dizendo que sim eu poderia não só desejá-la como era meu direito me senti assim. Voltei meus pensamentos na menina.

Eu me preocupava com seu bem estar. Não consigo entender como é estranho pra mim me preocupar assim com um humano.

Essa sensação estava crescendo em meu estômago, como se tremesse e não consegui reconhecer essa emoção. Era... Boa. E então me acertou. Eu gostava dela. Não era amor, não era para tanto. Mas o teor era o mesmo.

Constatar tal fato não melhorou meu estado de espirito. Eu não queria gostar dela, eu nem a conhecia. Eu queria conhecê-la. Muito mais estranho, eu queria que ela me conhecesse.

Eu estou tão... Ferrado e nem era de uma maneira boa.

–Nãooooooooo.

Eu estava furioso. Em minha fúria arranquei algumas árvores, a clareira ficando pelo menos duas vezes maior do que inicialmente. Cai de joelhos sobre a relva enterrando meu rosto em minhas mãos.

Ela era insuportável! Minha humanidade, a muito enterrada, ressurgia.

Um vento trouxe um cheiro familiar me colocando em pé no mesmo instante. Eu estava em alerta. Corri em direção ao cheiro, o fato de ser dia era um fator positivo, avancei rapidamente e vi algo que em muito tempo não testemunhava.

Andei pelo turbilhão de coisas destruídas. O cheiro de sangue era demasiado forte, pelo menos seis mortos. Podia ver três barracas parcialmente destruídas. Olhei os corpos ou o que sobrou deles.

Pelas marcas e o cheiro proveniente deles eu podia dizer que foram mortos a pelo menos quarenta e oito horas. Marcas de lobisomens.

Há muito tempo não se ouvia falar de ataque de lobisomens. Desde o tratado. Olhei a direção que eles tomaram, não gostando de seu rumo.

Peguei meu celular e disquei o primeiro número. Ocupado. Klaus provavelmente estava ainda no hospital e lá não teria sinal. Pensei em Edward. Não, ele não era bom em rastrear. Damon era uma boa escolha.

Cheguei a casa antes do crepúsculo. Nem bem cheguei Greta me informou o que aconteceu no hospital. Ela havia fugido. Essa reação era de fato inesperada? Pelo que conhecia meus irmãos sabia de antemão que eles provavelmente não tinham facilitado em nada na noticia dada a garota.

O jeito era esperar. A noite caiu rapidamente ou eu estava tão imerso aos meus próprios pensamentos para ver o tempo passar adequadamente.

Ouvi o carro se aproximar ao longe, mas não foi isso que me alarmou. Eu sentia uma grande ansiedade crescendo e não provinha de mim.

Eu não me movi.

Escutei quando o carro parou na frente da casa, quando as portas foram abertas e fechadas. Esperei.

A ansiedade crescia como uma bola de neve morro a baixo se transformando em pânico. Eu quase me encolhi com tal sentimento. Ouvi uma porta sendo batida com força. Continuei imóvel.

–Isabella abra a porta. Nem pense nisso. –gritou Edward, eu podia sentir sua raiva e antes que me desse conta estava correndo em direção ao carro, a tempo de ver Edward arrancando a porta do mesmo.

Não me pergunte como, mas consegui chegar nela antes dele que estava praticamente colado ao carro. Eu a peguei no colo.

Eu olhei em sua direção. Seus olhos mostrava todo o pânico que sentia. Mandei uma onda de calma para ela nesse instante.

Os dedos dela agarraram e soltaram, amassando o tecido de minha camisa e quase tocando minha pele. Eu sorri, tentando esconder meu nervosismo.

Olhei meus irmãos nesse momento, conseguia sentir a frustração e mortificação de Edward, a impaciência de Damon e a raiva que Klaus direcionava a Edward nesse momento. Lembrei-me de como Klaus gostava de seu carro. Seria o carro mesmo a razão de sua raiva? Sorri divertido.

–Como uma garota pode dar tanto trabalho? –perguntei contendo minha risada ao lembrar-se de suas palavras ao sair do quarto de hospital.

A menina olhou de volta para eles para logo em seguida se agarrar em mim novamente. Se eu fosse humano com certeza teria hematomas no dia seguinte.

Mandei outra onda de calma em sua direção, uma dose um pouco maior do que a primeira. Ela afrouxou um pouco o seu aperto, porém não me soltou. Eu gostei disso. Edward levantou uma das sobrancelhas ao captar meus pensamentos. Ignorei.

–O que vocês pensam que estão fazendo? –eu quase rosnei ao perguntar. Perguntei tão baixo que só nós poderíamos escutar. Não queria que ela escutasse, já estava abalada o suficiente para um único dia.

–O que acha que estamos fazendo? –perguntou mal humorado Damon.

–Vocês deveriam trazer ela para casa e não matar ela de susto.

–Não foi minha intenção, eu só...

Sentia a frustração e a sinceridade proveniente de Edward tentando pronunciar uma resposta.

Sentia suas emoções conturbadas. Mandei-lhes uma onda de calma. Eles relaxaram e senti suas ondas de agradecimentos.

Olhei Damon, antes que fizesse a pergunta ele mesmo se prontificou.

–Senti o cheiro deles há alguns quilômetros ao sul, mas perdi seu rastro e depois recebi o telefonema de Edward e aqui estamos.

–O que acha Klaus? –perguntei. Todos olharam para ele nesse instante.

–Eu não sei. Não tenho nenhuma teoria. Preciso ver alguém antes de fazer qualquer movimento. Damon e Edward podem ir falar com aquele amigo de Damon e ver se ele sabe de alguma coisa.

–Eles podem estar só de passagem... –cortei Edward antes de terminar a sentença, contando rapidamente o que vi na floresta. Decidimos colher informações. Talvez fosse apenas um incidente isolado ou talvez não. Era necessário agir com cautela. Olhei a garota em meus braços, sentia seu cansaço.

–Você está cansada, eu vou te levar para o quarto.

Ela não disse nada, apenas me fitou com seus olhos cor de chocolate. Eu entrei com ela em meus braços, meus irmãos não me seguiram.

Eu consegui sentir seu embaraço antes de ela falar. E ela estava tão quente... Eu estava terrivelmente consciente de que meus sentimentos por ela naquele momento e não tinham nada a ver com o desejo de sangue. Esse era um desejo que eu nunca senti por um humano.

–Pode-me por no chão. Eu sei andar. - Eu não conseguia sentir nenhum medo vindo dela. Senti-me tão aliviado que acabei rindo.

–Eu sei que pode. –continuei a andar, parte de mim gostava da sensação de tê-la nos braços. Eu não queria soltá-la.

–E então? –ela perguntou sugestiva. Senti sua impaciência, mas nenhum medo. Sorri com isso.

–Então o que? –perguntei me fazendo de desentendido.

Ela estreitou os olhos.

–Não se faça de inocente. Coloca-me no chão. –ela mandou, ela estava bem confiante. Eu não consegui resistir em provoca-la.

–Eu não sou inocente? –perguntei fingindo-me de indignado. Uma risada quase escapou de meus lábios.

–Dificilmente.

Coloquei-a no chão e inclinei minha cabeça para o lado ao dizer.

–Desculpe senhora. –fui o mais formal possível. E fui agraciado com uma onda de divertimento. Eu a divertia? Senti seu cansaço novamente. –Seu quarto. –disse abrindo a porta e deixando-a passar primeiro.

Ela gemeu.

–Quarto de princesa. –resmungou.

Eu a observei, me perguntando o que ela estava pensando. Não me mexi de onde estava.

–Não gostou? Achei que todas as garotas da sua idade gostavam.

Processem-me, mas eu estava curioso sobre ela.

–Se você tem cinco anos... Além do mais eu não sou como as outras garotas.

–Certamente que não. –ela parecia bem relaxada na minha presença, e eu nem estava usando meu dom nela.

Fiquei olhando ela se movimentando pelo quarto sem parar em nenhum lugar especifico. E então ela me olhou.

–O que foi? Nunca viu não? É melhor bater uma foto dura mais. –ela disse raivosa. Não desviei minha atenção. Ouvi quando ela bufou. É isso mesmo, ela bufou para mim. Suas emoções eram curiosas, nesse momento eu queria ter o dom de Edward para saber seus pensamentos, eu podia sentir suas emoções, mas não o que as motivava.

No momento ela emanava raiva. Eu a vi andar pelo quarto. O cabelo se movia para todos os lados e a raiva fazia seus olhos brilharem. Ela estava bastante... Radiante. Eu me surpreendi com essa palavra.

–Você pode mudar a decoração a seu gosto. -eu disse suavemente.

–Eu não quero ficar aqui. Eu quero ir para minha casa.

Sentia sua frustração. Deveria ter ficado até decidir o que deveria ser feito em relação a ela. Meus irmãos já tinham decidido que ela deveria morar conosco e era tarde para voltar atrás, mudar isso agora só faria ela mais distante de nós.

–Você já está em casa. –tentei falar de forma amigável.

–Não, não estou. Eu quero ir para casa de meu pai, meu lugar não é aqui. –sua raiva era palpável, e de certa forma eu também fiquei zangado.

–Não. Seu lugar é exatamente aqui. Precisamos aprender a conviver, Isabella. Assim, sugiro que pelo menos tente cooperar conosco nessa questão.

–Não.

Eu abri um pequeno sorriso.

–Você tem vontade própria. - meu sorriso sumiu. - Este não é o momento de usá-la. Descanse, você está cansada, amanhã conversaremos. –ela fez menção para protestar-Você precisa de tempo para digerir tudo, e nada como uma boa noite de sono. Não conseguirá nada agora.

Não só vi como senti quando ela desistiu. Sorri. Ela corou embaraçada.

–Quem é você?

Sua pergunta me pegou de surpresa, fiquei tão focado em tantas coisas que nem me dei o trabalho de me apresentar. Foi a minha vez de ficar sem graça, se pudesse eu teria corado.

Eu nunca tive muita experiência com emoções humanas, não por muito tempo, e estava preocupado com essa humanidade surgindo.

Caminhei até ela em passos humanos.

As emoções dela mudaram de surpresa para… desejo. Bom, aquilo era novo.

Eu vou para o inferno por isso, acho. Eu não me impedi, e não tinha idéia do por que.

Eu levei minha mão no seu rosto tocando levemente com meus dedos sua face numa leve caricia por um momento me perdi em seus olhos castanhos... Fui incapaz de desviar meus olhos, eu rocei meus lábios nos seus, vi quando ela fechou seus olhos, sorri contra seus lábios, eu não a beijei não me pareceu certo de alguma maneira. Eu desejava beijá-la e eu a beijaria... quando ela estivesse pronta para isso. Quando ela me quisesse da mesma maneira.

Antes de fechar a porta eu a olhei com um sorriso e disse.

–Eu sou o Jasper.

Edward e Damon já haviam partido. Klaus dava instruções para alguns seguranças. Esperei.

Olhei em direção a escada, ouvia seus passos, sua respiração... Não sei se foi uma boa ideia terem trazido ela para nossa casa. O melhor seria ela ter ido morar com sua família e ser introduzida em nossas vidas aos poucos. Ela aceitaria gradativamente e nós teríamos tempo de assimilar o fato de tê-la em nossas vidas.

Já estava feito. Agora era se adaptar da melhor forma.

–E então?

Olhei para Klaus, ele olhava em direção a escada.

–Ela está bem... Acho. Suas emoções estão bem calmas no momento, na medida do possível considerando a situação.

Ele voltou seu olhar para mim.

–Irei falar com Emily, talvez ela tenha alguma informação sobre os lobisomens.

–Irei falar com Peter. Edward e Damon?

–Eles já partiram. Deixarei alguns seguranças ao redor da casa para segurança dela. –ele voltou seu olhar à escada.

–Para segurança dela ou para impedir dela fugir? –provoquei.

–Os dois.

Ele caminhou para fora. Ouvi o carro sendo ligado e logo eu já não ouvia nenhum som, apenas uma doce e suave respiração no andar de cima, indicando que ela havia adormecido. Teria que conversar com ela em outro momento.

Sai logo em seguida.

POV Klaus

Ela deveria ter ido morar com seu pai.

Quanto mais eu pensava nisso, mais eu me perguntava por que não segui meu plano inicial. Eu sabia o motivo. Quando Greta sugerira que outros a cobiçaria eu fiquei com... Pelo menos para mim eu podia dizer a verdade. Eu fiquei com ciúmes.

Poderia dizer que era para a segurança dela.

Mas quem eu queria enganar? Seria uma boa justificativa agora com os lobisomens tão perto de nossa residência.

Foquei minha atenção na estrada e na visita que iria fazer. Depois de quatro horas de viagem, ela se mostrou infrutífera. Nem sinal de Emily. A casa se encontrava vazia e pelo cheiro podia se dizer que ela não era habitada há pelo menos três semanas.

Não havia muitos móveis, os poucos que se encontravam estavam cobertos por lençóis. No passado eu lhe oferecera uma casa mais próxima à cidade para melhor conforto e de melhor acesso a ela. Ela recusou dizendo que sua família vivia ali há séculos. A casa apesar de antiga tinha passado por uma boa reforma deixando ela mais moderna sem perder suas características iniciais.

Emily tinha muito amor pela casa. Então o que a faria sair de lá?

Resolvi fazer uma varredura em volta da casa, levou cerca de duas horas. Estava quase desistindo quando um cheiro me chamou atenção. Não me era familiar. Segui o rastro.

O rastro dava a uma pequena estrada de terra. O cheiro acabava aí. Não era humano.

Eu fiquei curioso ao mesmo tempo em que o cheiro era estranho me era familiar de alguma forma.

Voltei. A casa não tinha nenhum sinal de luta e não havia cheiro de sangue. Emily saíra por conta própria. Eu só precisava descobrir para onde ela foi e se ela sabia alguma coisa.

Algo me dizia que ela tinha as respostas e que eu não iria gostar delas.

Meus pensamentos foram rapidamente em direção a certa menina a quilômetros de distancia

Isabella.

Entrei no carro fazendo o retorno e ido em direção a minha residência no momento. Precisava vê-la. Eu só não entendia o motivo. Estacionei o carro em frente a casa.

Andei rapidamente em direção a casa, quando escuto sua voz ao fundo me direcionando para lá.

–Damon seu cretino! Vampiro idiota!

Damon? O que foi que ele fez?

De todas as coisa que eu esperava não me preparou para o que vi. Sendo a primeira que Isabella estava dentro da piscina com roupa e tudo, com o rosto muito corado devido sua raiva explicita e a segunda mais espantosa ainda foi ver Damon na mesma situação, sendo que ele estava com algo marrom escorrendo na cabeça. Pela vasilha no chão eu podia dizer que era... Sorvete?