– Eu entendo porque você ama o seu carro, Dean.
O caçador pousou os olhos sobre o ex-anjo. O barulho do motor foi o único barulho por alguns minutos até Dean se lembrar de que algumas coisas não haviam mudado. Castiel ainda era o mesmo, ainda não terminava os próprios pensamentos a menos que fosse questionado.
– Entende?
– Sim, eu entendo. Caminhar não é algo confortante eu também teria inventado os motores.
Dean se permitiu rir da conclusão do amigo e pelo canto dos olhos observou como Cas se parecia com uma criança. Havia um brilho intenso nos olhos do ex-anjo enquanto ele brincava de por as mãos para fora da janela.
– O que está fazendo, Cas?
Um sorriso bobo brotou dos lábios rosados. Dean ainda não havia se acostumado ás novas expressões do anjo, ele ainda se via admirando cada sorriso como se fosse algo único, algo que poderia não se repetir. A verdade era que Dean ainda o tinha como anjo, mesmo sem as assas Castiel ainda era o seu protetor e algumas coisas realmente não haviam mudado.
– Estou me sentindo vivo, Dean. – os olhos azuis se voltaram até o caçador resgatando-o dos próprios pensamentos – Ás vezes eu acho que vocês humanos envelhecem e se esquecem de sentir as pequenas sensações que a vida permite. O vento frio batendo na pele era algo que eu nunca havia experimentado antes, não com tanta intensidade como agora eu posso. Quando eu fecho os meus olhos, eu me sinto voando novamente. Eu sinto algo diferente no peito, uma vontade grande de viver e de conhecer o mundo. Você conhece o mundo, Dean?
Pela segunda vez Dean se viu sorrindo tão bobo quanto o anjo.
– Não, Cas... Eu não conheço o mundo.
– Por que não? É tão bonito e surpreendente.
– Você conhece o mundo, Cas?
– Sim, mas quando eu conheci não tinha você. – Cas suspirou - Eu era um anjo e minhas emoções eram limitadas. Eu quero mais do que conhecer, Dean... Eu quero sentir o mundo.
Os olhos azuis pousaram nos verdes, tão serenos, tão simples. Uma imensidão de águas calmas e transparentes. Havia tanta pureza naquelas palavras que por segundos o caçador preferiu não responder, por medo de estraga-las.
Naquele instante Dean viu Cas como uma bolha de sabão. Transparente, bonita e flutuante.
