Vida de casado
Nota: Mais uma Side Story que um epílogo. Boa leitura.
Alguns meses se passaram após a mudança dos Amamiyas para sua casa. Shaka participou de algumas coletivas a respeito do seu livro e finalizou sua estadia profissional no Japão. Mesmo assim, não se livrara dos paparazzis que estavam sempre dispostos a fotografá-lo a todo lugar que ia. Esperava que, com o tempo, a novidade que era sua presença em Tóquio deixasse de interessá-los e pudesse sim, levar uma vida tranqüila.
Ikki voltou à faculdade e finalizaria o semestre até o final do ano. Que não estava muito longe. Shun continuava no mesmo colégio, só que não mais como interno. Sua rotina também mudou, mesmo porque, era impossível ter paz para escrever com Ikki e Shun brigando o tempo todo. Sim, o mais novo passa tempo dos irmãos era brigar sem parar, e o loiro já se perguntava o porquê daquilo antes todos pareciam felizes?
- Shun, eu já disse que você não vai! – berrava Ikki a plenos pulmões – Não deixarei você solto por aí, nem em sonho!
- Por quê? Todos meus colegas vão! – berrava o mais jovem – Eu vou sim, você não manda em mim!
- Mando sim, sou seu tutor legal agora, esqueceu?
- Eu preferia a Saiyaka, você não me deixa fazer nada!
- Como tem coragem de me dizer isso, Shun?
- Eu odeio viver aqui com você, eu preferia o colégio!
Shaka observava a discussão, sentado calmamente no sofá, tentando ler o jornal. Shun, depois de dizer os desaforos, correu para o quarto e se trancou. Ikki bufou, empertigou-se e resolveu seguir para a faculdade onde teria uma prova.
- Eu não sei o que está acontecendo com ele. – resmungou o leonino. Shaka sorriu, abandonou o jornal e se aproximou do moreno.
- Adolescência. É complicado.
- Mas o Shun era tão doce, nunca pensei que ele seria um adolescente difícil.
- Vai passar. – o loiro beijou carinhosamente o amado. Ikki se despediu dele e seguiu para a faculdade.
Andava pelo corredor entretido nos próprios pensamentos, mas especificamente no comportamento de Shun, quando alguém o puxou pelo ombro.
- Ikki, pensei que não terminaria o curso!
- Ah, oi, Shiryu, como vai? – cumprimentou o amigo – Eu tranquei por um tempo, mas preciso terminar esse semestre antes de pedir transferência, vou morar na Europa, e...
- Você, na Europa? – estranhou o rapaz chinês – Desde quando e por quê? Não me diga que você e a Esmeralda voltaram?
- Não, na verdade... – o mais velho coçou a cabeça – É uma longa história...
- Que tal tomarmos um café depois da prova? Aí você me conta toda essa longa história.
- Ok...
Então, depois da prova, Ikki e Shiryu seguiram para a lanchonete da faculdade. O moreno explicou para o amigo os motivos que o levava a Europa. Shiryu já sabia da sua profissão e não pareceu surpreso por seu envolvimento com Shaka, mesmo estranhando que o machão Ikki Amamiya estivesse apaixonado por outro homem a ponto de segui-lo até a Grécia.
- Nunca pensei que você quisesse morar fora do país. – comentou – Esse escritor deve ser mesmo persuasivo.
- Ele não me persuadiu, ele sugeriu e eu concordei. – explicou o leonino contrafeito.
- É estranho, Ikki, - continuou Shiryu – Você parece feliz. Parece mais feliz do que nunca, mas não parece satisfeito com essa viagem.
- Eu nunca pensei em sair de Tóquio, e tem o Shun...
- O que tem o Shun?
- Ele está revoltado, não quer ir embora, eu compreendo, todos os seus amigos estão aqui e... é uma fase difícil para se fazer novos amigos, pior ainda sendo um garoto tão tímido como ele é...
- Já conversou isso com o Shaka?
- Não... – Ikki ajeitou a gola da camisa, desconfortável em abrir sua vida daquela forma, mas Shiryu sempre tivera esse poder sobre ele, talvez, por sua discrição, o chinês fosse a única pessoa em quem confiasse a ponto de demonstrar seus sentimentos.
- E por que não? Pelo que me falou dele, parece ser uma pessoa bem compreensiva.
- Esse é o problema. O Shaka é compreensivo demais, se eu falar sobre isso com ele, ele vai ficar no Japão somente por nós, e não quero isso; não quero ser um peso para ele, já basta que... que sou mais novo, pobre... eu não...
- Está a altura dele, é isso que acha? – Shiryu interrompeu, e Ikki suspirou resignado.
- É exatamente isso, não quero que eu e meu irmão sejamos fardos para ele.
- Você sempre foi muito orgulhoso.
- Não é orgulho!
- Claro que é, então por que não conversa com o Shaka sobre isso?
- Não quero preocupá-lo; ele ama a Grécia, e não seria justo pedir que fique aqui por minha causa, e eu também não quero ficar sem ele, então...
- Mas e o Shun?
- Tenho que resolver isso com ele, mas deixarei o Shaka fora disso.
- Será que ele gostaria de ficar fora disso, Ikki?
O moreno não respondeu, terminou de beber o suco que tomava e depois voltou para a aula, teria um dia cheio.
-OOO-
Shaka pegou a correspondência na portaria do prédio e começou a abri-la enquanto caminhava de volta ao apartamento.
- Nossa, quanta bobagem! – reclamou enquanto abria os envelopes; até que parou, sem jeito, ao perceber que havia aberto uma carta endereçada a Ikki. Corou, mas não pode evitar ler.
"Senhor Amamiya,
"O Hospital Matsuzawa informa que o senhor passou na seleção de estágio, favor comparecer até o dia..."
Parou a leitura, intrigado, e depois bateu na porta do "quarto improvisado" de Shun, já que o local em que montaram o quarto do adolescente, na verdade era um quarto de empregados acoplado a cozinha. O apartamento só possuía um quarto.
- Não enche!
- Shun, sou eu.
O garoto abriu a porta, Shaka mirou, condoído, o rosto marcado por lágrimas do mais jovem.
- Shun, o que está acontecendo? – perguntou – Nas últimas semanas, você e o Ikki só fazem brigar.
- O Ikki é um bobo! – murmurou o menino, corando, envergonhado – Me desculpe, Shaka, eu não quero causar problemas pra você...
- Você não me causa problemas, Shun, e gostaria de ajudá-los a resolver isso. Seja o que for.
O garoto se sentou na cama, Shaka se sentou ao seu lado.
- O Ikki diz que não é justo, e eu concordo com ele, mas... é minha vida também!
- O que o Ikki diz que não é justo, Shun?
- Obrigá-lo a ficar aqui no Japão.
Shaka mirou o mais jovem dos Amamiyas, boquiaberto.
- Mas... pensei que ele quisesse morar na Grécia...
- Ele quer morar com você, não importa aonde. – tornou Shun – Shaka, eu também quero morar com você, eu gosto de você. Mas... gosto do Japão...
- Então é por isso que vocês brigavam tanto?
- Sim, eu... queria falar com você se a gente não podia morar aqui, mas o Ikki não deixou. – bufou o pré-adolescente.
- Desculpe, Shun, eu... eu vou conversar com o Ikki assim que ele chegar, certo?
- Você não tá zangado?
- Não. – Shaka sorriu – Só não quero vê-los brigando mais.
Shun abriu um largo sorriso e se atirou nos braços do loiro o abraçando. Shaka aturdido riu e abraçou o menino também.
- Amo você, Shaka...
- Eh... eu também... – disse o indiano sem jeito.
Shun se afastou e olhou nos olhos azuis do loiro.
- Eu posso te contar um segredo?
- Claro que pode...
O menino então se inclinou e sussurrou algo no ouvido do mais velho que arregalou os olhos.
-OOO-
Quando Ikki chegou ao apartamento, encontrou o loiro no quarto, sentado na cama, digitando algo no notebook e usando os enormes óculos que o moreno detestava. Aproximou-se dele e beijou-lhe o pescoço, massageando os ombros largos e brancos, já que o indiano estava de short e sem camisa.
- O que está escrevendo?
- Meu novo livro...
- Você me usou como inspiração também?
- É um livro do Shaka Phalke e não Os contos proibidos do Marquês de Sade. – riu o indiano – Como foi seu dia?
- Bem, fiz uma prova péssima, mas tudo bem. – Ikki coçou a cabeça – Eu tenho algo a falar...
Shaka parou de digitar, fechou o notebook e encarou o moreno.
- O Tony me arranjou um trabalho...
- Um trabalho de...?
- Calma, loiro, é só um streap, o combinado é só isso, tirar a roupa, receber a grana e sair. – explicou Ikki, vendo a ruga que se formou na testa do loiro, mostrando que ele não estava muito feliz com a ideia – Juro que não deixarei ninguém tocar em meu corpinho – Ikki piscou de forma sedutora – Ele é só seu agora...
- Ikki, isso não é...
- Shaka, eu estou duro no mal sentido da palavra. Tenho várias contas pra pagar e preciso de grana. Sinto muito, mas ainda não encontrei aquele emprego decente que prometi, então, quer parar de ser ciumento e deixar que me vire?
- Eu poderia lhe emprestar o dinheiro... – sugeriu o loiro ressabiado.
- Nem pense, já disse que não quero seu dinheiro, eu já devo demais por tudo que fez pelo Shun. – volveu o moreno sério, enlaçou a cintura do loiro, o puxando pra si – É só uma noite...
- Ikki, e aquele dinheiro que você recebeu do Mu e do Aiolia pra ficar um mês comigo?
- Já gastei. – respondeu de imediato.
- Está mentido. – disse Shaka.
- Não peguei o dinheiro...
- O quê? – Shaka o mirou indignado. Ikki além de orgulhoso era burro!
- Ah, loiro, nossa relação mudou, não queria aquele dinheiro entre nós!
- Ikki, o dinheiro é seu, você trabalhou por ele! – protestou Shaka – Detesto esse seu orgulho burro!
O moreno afundou o rosto em seu pescoço o beijando.
- Foi mais prazer que negócios...
- Ikki...
- Sem mais, loiro, eu não quero esse dinheiro e ponto final.
Shaka resignou-se.
- Ikki, eu... – respirou fundo – Eu abri uma correspondência sua, foi sem querer, mas vi que se candidatou a um estágio.
O moreno franziu as sobrancelhas.
- Isso foi antes...
- Então era o que você queria?
O moreno o derrubou no colo e começou a beijar o pescoço do loiro.
- Vamos esquecer isso, certo? Você não quer voltar pra Grécia? Não é lá que estão todos seus amigos?
- Espere, Ikki... – Shaka o afastou e encarou os olhos turquesa do amante – Não quero que se sacrifique, você gosta daqui, o Shun gosta daqui, podemos ficar...
- Eu não quero mais nenhum sacrifício seu, Shaka, será que não entende? – irritou-se o leonino – Estou sempre em dívida com você, isso tem que ter um fim...
- Ikki, eu quero ficar. – sorriu o loiro – Não estou falando isso para agradá-lo, pra mim não faz diferença aqui ou a Europa, meu trabalho me dá essa vantagem, já o seu, não, e esse estágio seria muito bom pra você...
- Loiro...
- Puxa, como você é teimoso! – irritou-se Shaka - E além do mais tem o Shun! Ele não quer sair do Japão.
Ikki bufou e cruzou os braços enquanto Shaka se sentava novamente, realinhando os cabelos.
- Juro que não é nenhum sacrifício. – disse e afagou o rosto emburrado do mais jovem – Ficarei feliz em qualquer lugar, portanto que seja com você...
O moreno o puxou pra si, o abraçando com força.
- Você podia ser menos perfeito... – murmurou mordiscando-lhe a orelha – Assim teria mais argumentos para discutir com você...
Shaka gemeu, inclinando a cabeça, dando maior acesso aos lábios de Ikki.
- Nunca terá... – sorriu – Então estamos resolvidos?
- Certo, certo! – disse Ikki lambendo-lhe o pescoço – Você venceu dessa vez...
Shaka sorriu e suspirou de prazer, com a carícia do moreno, se lembrando que tinha algo, talvez, muito mais importante para conversar com o amado.
- Ah, amor... eu tenho outra coisa pra te dizer... – gemeu o loiro, porque o mais jovem já enfiava as mãos dentro do short branco que ele vestia.
- Fala depois... – tornou Ikki, tomando os lábios do escritor num beijo sensual e o deitando na cama.
- É importante... – murmurou Shaka, tentando achar autocontrole para não se entregar ao desejo.
- Depois, depois... – sussurrou Ikki, descendo os lábios pelo corpo alvo do amante, sentindo o corpo vibrar de excitação. Era incrível como seu desejo por ele não tinha fim.
- É sobre o Shun...
- O que tem ele?
Shaka gemeu, quando o amante mordiscou-lhe um dos mamilos.
- O Shun tem um... namoradinho...
As carícias cessaram instantaneamente. Ikki ergueu o rosto para mirar o amante, sua expressão de estarrecimento logo foi substituída por uma de fúria.
- Quê? – gritou.
- Calma, Ikki, ele me contou como segredo, mas eu acho que você precisava saber...
- Eu vou matar esse moleque... SHUNNNNNNNNNN!
-OOO-
Depois de acalmar seu furacão japonês e impedi-lo de falar daquela forma com o irmão, e isso exigiu do escritor todo seu poder de sedução e vitalidade física, se é que vocês me entendem; agora eles estavam no quarto. Shaka sentado na cama e Ikki andando de um lado para o outro como um touro bravo.
- Como, me diga como! – resmungava o moreno – Um moleque de doze anos, pode saber o que quer? Pode saber que, no caso, gosta de homens?
- Ah, eu acho que soube disso bem novinho também... – disse Shaka – Mas sim, era pouco mais velho que o Shun, devia ter uns quinze, mas hoje eles estão tão precoces que...
- Shaka... – Ikki o interrompeu,
- Hum? – o loiro o encarou.
- Cala a boca! – rosnou o moreno.
O indiano cruzou os braços e colocou os óculos.
- A solução de tudo está bem clara, Ikki Amamiya, ficamos no Japão, e você aceita o namoradinho do Shun, o que deixará seu irmão incrivelmente feliz, aceita o estágio no hospital, e pronto! Tudo em perfeita ordem!
- Pra você é tudo muito fácil, não é? – irritou-se o moreno – Você já pensou numa coisinha inocente como o Shun nas mãos de um... de um...
- Um garotinho de treze anos igual a ele? – provocou Shaka e riu – Deve ser no máximo... algo bonitinho!
- Shaka!
- Ah, Ikki, por Buda, quer parar com esse dramalhão de mãe italiana? Deixe o garoto em paz. Qual o problema por ele gostar de homens, você não gosta também?
- Não, senhor Shaka, eu gosto de você, e só de você...
- E eu o que sou? Um alienígena?
- Você entendeu o que eu quis dizer! – berrou o mais novo – Não posso admitir meu irmão andando com qualquer um por aí, loiro, por que você só há um, entendeu?
- Ah, devo compreender isso como um elogio? – ironizou Shaka – Ikki, quer parar de bancar o machão e pensar um pouco no Shun?
Ikki se sentou ao lado do loiro e suspirou.
- O problema não é esse. – disse – É que o Shun... ele só tem doze anos!
- E ele me prometeu que não fará sexo antes dos quinze. – Shaka deu de ombro.
- Quinze? Quinze? E você achou isso à coisa mais normal do mundo, não foi? – irritou-se o moreno – Quem era você, Shaka Phalke, cheio de pudores, agora um... um pervertido, aliciador de menores!
- Ah, eu mereço! – riu Shaka se jogando na cama – O que quer que eu faça?
- Convença o Shun que não é hora para namoros!
- Você prefere que ele namore escondido?
- Não. – Ikki se jogou na cama também e suspirou – Você tem razão. É melhor manter o inimigo bem próximo de nós.
- Ai, por Buda! Ikki! – Shaka rolou sobre o moreno, rindo – Eu vou fingir que não ouvi isso!
O mais jovem riu, se convencendo em fim que não havia o que ser feito naquele momento, a não ser relaxar e gozar. Puxou o indiano pra si, o enchendo de beijos.
-OOO-
Quando a noite caiu, Ikki resolveu conversar com o irmão. Shun estava no quarto, de frente ao computador quando o mais velho entrou.
- Shun, podemos conversar?
- O quê, nii-chan? – perguntou sem tirar os olhos do monitor.
- O Shaka decidiu ficar no Japão...
- Eu já sei. – o menino se virou sorrindo – Estou feliz!
- Sim, eu também, mas não é bem sobre isso que quero falar com você, que porra de história é essa... – Ikki respirou fundo para recuperar a calma – Que história é essa de namorado?
- Ah, ele ainda não é meu namorado, assim... – Shun tentava achar a melhor forma de explicar – Tecnicamente, somos amigos que pretendem se tornar amantes quando mais velhos...
O moreno ficou, por alguns segundos, boquiaberto e sem reação com a declaração do seu irmãozinho.
- Quê? – perguntou atabalhoado.
- Eu já havia dito isso a você, Ikki, não se preocupe, eu sei que sou muito novo pra transar. – Shun falava de maneira séria e racional, e o mais velho quase podia ver uma mini-cópia de Shaka a sua frente.
- Shun...
- Nii-chan, por favor, eu prometo que não farei nada de errado, só não queria ter que deixá-lo. Eu o amo de verdade, mas sei esperar.
- Sabe esperar?
- Claro que sim. – sorriu Shun – Prometo que não tem com o que se preocupar.
- C... Certo, Shun... – o Amamiya mais velho saiu do quarto sem mais nenhum argumento para discutir com o mais novo.
Assim que Ikki fechou a porta, Shun voltou para o monitor e digitou pelo MSN:
"Parece que tudo deu certo..."
"Você fez igualzinho como mandei, não foi?"
"Sim, ele ficou sem palavras..."
"Ótimo! Ele está vindo, vou sair!"
Shaka fechou o notebook assim que o moreno entrou no quarto. Sorriu da forma mais dissimulada possível.
- E então? – mirou a expressão desolada de Ikki se controlando para não rir.
- Aquele que estava lá não era meu irmão, era um alienígena! – disse o moreno se sentando na cama.
Shaka se posicionou atrás dele, massageando seus ombros.
- Seu irmãozinho está crescendo, que seja dessa forma, sem segredos entre vocês.
- Você tem razão. – riu Ikki – Chega ser cômico, como você sempre tem razão, seu loiro metido!
Ele puxou Shaka para seus braços o beijando.
E assim, Ikki conseguiu um estágio, leia-se "emprego decente", Shun continuou com seu namoradinho e Shaka teve paz para voltar a escrever. Bem, em parte, porque cedo ou tarde, teria que acontecer, e numa tarde de sábado, o pretenso namorado do Amamiya mais novo resolveu convidá-lo para ir ao cinema.
-OOO-
Quando a campainha da casa tocou – Sim, eles se mudaram do apartamento de um único quarto, para uma casa maior – houve uma pequena briga entre Ikki e Shaka pra ver quem abriria a porta; o virginiano ganhou em fim, recepcionando o garotinho loiro de olhos azuis e aparelho nos dentes.
- Oi, o Shun tá aí? – perguntou o menino – Ficamos de ir ao cinema.
Ikki já olhava o garoto por cima do ombro do indiano. Percebia que ele era pouco mais forte e mais alto que o irmão; aquilo lhe levou maus pensamentos.
- Você é o Hyoga, não é?
- Sim, sou. E você deve ser o Shaka, ele me falou de você. Muito prazer. – disse o simpático adolescente.
Shaka sorriu.
- Entre, Hyoga, o Shun já está vindo. – o escritor deu passagem para o garoto e encarou Ikki que continuava de braços cruzado e cara enfezada – Esse é o irmão do Shun, o Ikki...
- Olá, Ikki...
- Já nos conhecemos, não é mesmo? – disse o moreno com cara de poucos amigos.
- Sim, do colégio. – falou Hyoga não parecendo intimidado por aquele homem que tinha o dobro do seu tamanho. Sentou-se no sofá aceitando o convite do indiano – Eu já li todos os seus livros, Shaka, realmente estava louco para conhecê-lo.
- Obrigado. – disse o escritor surpreso – Não pensei que pessoas da sua idade lessem auto-ajuda.
- Adoro ler, leio tudo que cai em minhas mãos. E seus livros são maravilhosos!
Ikki observava encostado na parede à surreal conversa entre os dois loiros, ficando cada vez mais irritado.
"O que esse moleque quer? Seduziu meu irmão e agora está tentando fazer o mesmo com o meu namorado?" Pensava grunhindo de raiva, percebendo o olhar interessado do menino nas palavras de Shaka.
Shun chegou à sala em fim, lindamente vestido como um adolescente; camisa de banda de rock, jeans e tênis all star. Hyoga se ergueu e segurou o braço do mais jovem.
- Vamos, se não, perderemos a sessão! – pediu Shun, dando um beijo no rosto de Shaka.
- Sim, divirtam-se! – disse o indiano. Hyoga lhe lançou um olhar que Ikki, psicótico como estava,claro! Achou ter um quê de sedução, antes de falar:
- Adorei conhecê-lo, Shaka!
- Eu também, Hyoga, cuide bem do Shun.
- Eu não sou criança! – protestou o Amamiya mais novo, chegando perto do irmão e o encarando – Tudo bem, Ikki?
O moreno se obrigou a sorrir.
- Tudo bem, Shun, divirta-se.
- Obrigado! Eu te amo! – beijou o rosto do irmão e sairia, se o mesmo não evitasse.
- Só um minutinho, Hyoga! – disse Ikki – Eu quero dar duas palavrinhas com você...
Tanto Shun quanto Shaka e o próprio Hyoga se entreolharam; se ele não havia dado uma palavra até aquele momento, por que justo agora?
Ikki sorriu seu sorriso mais falso e envolveu os ombros do adolescente loiro, o puxando para a saída da casa, enquanto sussurrava algumas palavras em seu ouvido. Isso durou uns cinco minutos, até os dois retornarem, Ikki exibindo um lindo sorriso, e Hyoga muito pálido.
O moreno se afastou do menino loiro, beijou a testa do irmão e declarou:
- Bom cinema pra vocês.
Shun saiu ao lado do loiro, conversando sobre algum assunto teen; Ikki ficou um tempo os observando até que eles entraram em um táxi que os esperavam, sumindo.
- Sobreviveu. – provocou Shaka sussurrando no ouvido do moreno.
- Sim, sobrevivi. – Ikki fechou a porta e se encostou à mesma, vendo o loiro cruzar os braços com uma expressão zombeteira – O que foi?
- Vai me dizer agora o que falou para o coitado do garoto?
- Nada de mais... – disse o moreno enlaçando o pescoço do amado – Só que, quando o Shun retornar, farei uma varredura perfeita em cada milímetro do corpo dele, e se achar qualquer resquício de um pato loiro na pele do meu irmão, eu o vou encontrá-lo e castrá-lo com requinte de crueldade...
- Não acredito que você fez isso com o garoto! – volveu Shaka estarrecido – E por que pato loiro?
- Sei lá, o achei com cara de pato!
- Ikki! – Shaka teve que rir. Só mesmo Ikki para fazer tal coisa – E eu pensando que você tinha amadurecido! Não passa de um moleque um pouco mais crescido que o tal pato loiro!
Ikki se aproximou e rapidamente, ergueu o indiano nos braços, fazendo Shaka soltar uma gostosa risada.
- Hum... Um moleque sim, mas um moleque que você adora! – disse levando-o para o espaçoso quarto e jogando-o sobre a cama. Shaka ergueu os braços o chamando, e o mais jovem se estendeu sobre ele, provando seus lábios e afundando as mãos em seus cabelos.
- Sabe, se me dissessem há alguns meses que um dia estaria casado com um homem, eu riria da pessoa? – disse Ikki beijando levemente o rosto do escritor.
- E se me dissessem que estaria casado e ainda com um quase-filho adolescente, eu faria a mesma coisa. – volveu Shaka mordiscando o queixo do moreno.
- Você é tudo que eu nunca esperei em minha vida! – eles disseram juntos e riram disso.
- Mesmo assim, eu te amo... – falou Ikki e o beijou levemente.
- Eu também. – sorriu Shaka rolando sobre ele, para mais uma vez, viverem nos corpos o amor que sentiam no coração.
"Ame um se puder, ame vários se quiser. O amor não tem hora marcada."
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N/A: Em fim o epílogo que virou mais uma Side Story. Mesmo assim espero que vocês tenham gostado.
Beijos a todos que acompanharam. Sentirei muita saudade dessa história açucarada, desses dois loucos apaixonados e das reviews de vocês.
A última frase do epílogo pertence à fic "Doce Dezembro" da Lua Prateada, recomendadíssima, simplesmente uma das mais belas histórias que já li. Faço aqui mais uma homenagem a essa autora maravilhosa.
Obrigada de coração a todos, em especial a Vagabond, Keronekoi, Suellen-San e Lua, pela força via MSN. Vocês são muito importantes pra mim, tenham certeza!
Perdoem possíveis erros, fiquei empolgada em conseguir terminar e nem revisei.
Abraços e até a próxima loucura!
Finalizada em 10/09/10
