Capítulo 14
Oito anos depois...
Jack abriu a porta de sua casa e não estranhou o silêncio. Acendeu a luz do hall e ela estava lá. De novo. Sentada num sofá afastado, olhava fixamente para a porta que ele acabara de abrir.
-Ainda acordada? – ele perguntou, colocando as chaves do carro em cima do aparador.
-Estou sem sono – foi sua resposta lacônica.
Parecia que ela queria lhe dizer algo. Jack puxou na memória o que poderia ser. E então se lembrou. Sentiu-se tenso.
-Você foi ao médico hoje? – indagou.
Ela sacudiu a cabeça afirmativamente.
-E então?
-Nada.
Jack suspirou pesadamente. A rotina não se alterara nos últimos dois anos. Desde que ele e Sarah decidiram ter um bebê, a tensão era a mesma. Idas a médicos, tratamentos sem fim. E o mesmo resultado: Sarah não conseguia engravidar. Ficaram em silêncio por algum tempo, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
-Eu sinto muito - ele disse por fim.
Ela apenas meneou a cabeça devagar e levantou-se.
-Eu acho que você não sente – exclamou de repente e se voltou o encarando com raiva.
Lá vamos nós outra vez. Jack começou a se irritar.
-O que quer dizer com isto?
-Você não quer ter um filho.
-Claro que eu quero.
Ela agora chorava. Lágrimas silenciosas de acusação.
-Por que a gente insiste nisto, Jack? Por que não desistimos logo desta droga de casamento? Por que insistimos em ter um filho, achando que isto vai resolver todos os nossos problemas?
Jack se perguntava a mesma coisa. Mas concordar com Sarah naquele momento não era a melhor opção.
-Às vezes demora mesmo. Estamos fazendo o tratamento...
-Até quando?
-Nós já conversamos sobre isto.
-Sim. Conversas, conversas! Estou tão cansada Jack.
-E você acha que é fácil pra mim?
-Se você ao menos passasse mais horas em casa...
-Não começa com esta história de novo!
-Ok, eu não vou começar. Não adianta nada mesmo não é? Eu vou dormir – ela se afastou sem olhar para trás.
Jack foi até o bar e preparou uma bebida. Tomou o uísque de um gole só, o líquido queimando em sua garganta. Há quanto tempo ele e Sarah não se entendiam? Todos os dias, nos últimos oito anos, Jack se perguntava se fizera a coisa certa em casar com Sarah. Mas na época, parecera o melhor a fazer. A única opção depois de...Ele mudou os rumos dos pensamentos. De nada adiantava pensar no passado. Subiu para o quarto e quando entrou Sarah estava imóvel. Estaria dormindo ou fingindo? Ele não se importava. Rumou para o chuveiro e entrou debaixo da água quente, limpando a mente dos pensamentos ruins. Lembrou-se que amanhã teria que viajar a Nova York. Um simpósio de médicos no fim de semana. Sarah não gostaria disto, mas ele nada podia fazer.
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Jack bebeu um gole de uísque e olhou para a passarela.
-Ainda arrependido? – o médico que o arrastara para aquele evento de moda indagou divertido.
Ele passara o dia no simpósio de medicina e o amigo o convidara juntamente com outros médicos para aquele desfile. Jack não estava com o menor humor para festas, mas eles insistiram e Jack acabara concordando. Não havia mal algum em esfriar a cabeça por umas horas. Melhor do que voltar para casa. Para brigar com Sarah. Mas eventos de moda lhe lembravam de uma pessoa. Uma que por mais que ele tentasse esquecer, a imagem o perseguia em todos os lugares. Ela estava na capa da revista na banca de jornal. Nos outdoors em cada esquina. No comercial na televisão. Jack bebeu mais um gole mal humorado. Muito difícil encontrá-la ali. Muito improvável. Ele não sabia se sentia alívio ou decepção.
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Kate estava entediada. As pessoas se agitavam a sua volta, falando muito alto, mas ela não se importava. Ouviu seu nome e colou um sorriso no rosto, dando o primeiro passo. As luzes fortes a atingiram e os flashes pipocaram em sua direção. Mais um desfile. Estava cansada daquela vida, pensou de repente, dando a primeira parada, ainda com o sorriso plástico no rosto. A platéia, formada por jornalistas de moda e outros que estavam ali apenas para fazer fofocas, socialites endinheiradas e fashionistas tinham a atenção voltada para ela. Ela relanceou o olhar pela massa humana, com o olhar de tédio costumeiro, a fria indiferença exigida das modelos. E então seu olhar se deteve em um rosto no meio da multidão, a alcançando através dos flashes. Ele estava na última fileira e a fitava fixamente. Um olhar de escárnio, como o ultimo que ele lhe lançara há oito anos atrás.
O sorriso desapareceu de seu rosto e ela sentiu uma leve vertigem. Outros flashes mais fortes pipocaram em seu rosto, a fazendo piscar, voltando a atenção para o desfile. Olhou de novo na direção de onde o tinha visto. Mas ele tinha desaparecido. Voltou a sorrir, com certeza era mais uma peça de sua imaginação. Enquanto caminhava de volta na passarela, pensou que fazia tempo que não tinha aquele tipo de ilusão; Houve um tempo, há muito tempo atrás, que achava estar vendo-o em todos os lugares. Mas a imagem foi se dissipando conforme os anos iam passando. Por que voltara a vê-lo hoje?
-O mundo fashion é mesmo pequeno não é?
Kate ouviu a voz irritante e olhou pra trás.
-Shannon.
-Oi Kate, a gente sempre se esbarrando não é?
-Pois é – ela disse distraída, enquanto alguém a ajudava a tirar a roupa.
-Não está cansada de ser o centro das atenções? – Shannon indagou maldosamente.
Kate revirou os olhos. Era sempre assim. Desde que Shannon também resolvera seguir a carreira de modelo, elas viviam se encontrando e a ex- colega de turma sempre a irritando. Às vezes, Kate se divertia a provocando também, mas hoje não estava com o menor humor.
-Shannon, não estou a fim de ouvir suas conversinhas fiadas hoje.
-Nossa, está na TPM? Credo!
Ela se afastou, não sem antes lançar um olhar invejoso em direção a Kate.
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Jack respirou o ar puro da noite, lutando contra o mal estar. Era ela. Não havia dúvida. Quando a linda modelo com suas longas pernas e cabelos esvoaçantes, pisou na passarela, o burburinho aumentara e todos os fotógrafos se lançaram como moscas em cima de um doce para pegarem uma imagem dela. Os flashes o confundiram por um momento, e quando ele a reconheceu achou que estivesse apenas imaginando. Mas não. Na fração de segundos que seus olhares se encontraram ele soube que era ela. Os mesmos olhos verdes que o atormentavam em pesadelos incontáveis se prenderam nele, com assombro e dúvida. E então ele virara e fugira. Como um covarde. Mas não era sempre assim em se tratando de Kate Austen?
Quando a vira pela primeira vez ela sorrira com ironia e lhe mostrara o dedo em desafio. As roupas pretas, os olhos muito pintados e o olhar de desprezo. Esta Kate, a top model internacional, que preferia de 10 entre dez grifes famosas, o fitara com medo e não com desafio. E isto o desconcertara. Em todos estes anos, em que a via de longe brilhando intensamente no mundo da moda, ele pensara que ela provavelmente nem se lembrava que ele existia. Muito menos que um dia havia se deitado em sua cama e depois o traído.
Durante anos cortara Claire quando esta começava a falar de algo relacionado a Kate. Ele não queria saber. Não lhe interessava. Até hoje não fazia idéia do que Claire sabia sobre ele e Kate. Ele nunca tocou no assunto com a irmã e Jack intuíra que Kate também não lhe contara nada. Melhor assim. Se ela desconfiava que havia algo estranho naquelas recusas dele de ouvir sobre Kate, guardava para si. Mas agora ele a vira de novo.
Jack respirou fundo. As lembranças que jogava para o fundo da mente todo este tempo, vindo à tona, sem permissão, mas irremediavelmente intensas. Aquilo era loucura. Mas uma parte dele queria voltar lá dentro e confrontá-la. Para que? Ele não sabia. Talvez perguntar se ela era feliz. Será que ainda era a mesma Kate, rebelde e inconseqüente? Provavelmente não.
E sem pensar, Jack deu meia volta e entrou no saguão apinhado de gente. O desfile havia terminado. Mas seu colega havia dito que teria um cocktail depois. E animado, ainda frisara que contavam com a presença de várias modelos. Claro que Jack não tinha a menor intenção de permanecer naquela festa. Mas agora era diferente.
Vasculhou o local com o olhar a procurando. Reconheceu algumas modelos, os paparazzis continuavam ali, como se esperassem alguém. De repente, todos se voltaram para o mesmo local e lá estava ela. Linda. Num vestido prata, muito curto e os cabelos castanhos soltos sobre os ombros. Ela sorria para os flashes e respondia as perguntas dos repórteres ansiosos.
-È verdade que vai estrelar um filme, Kate?
-Onde ouviram isto? – ela respondeu distraída, em tom de brincadeira.
As perguntas continuavam, insistentes. De repente, um braço musculoso passou por seus ombros e Jack se enrijeceu ao reconhecer Sawyer. Com os cabelos loiros presos num rabo de cavalo e roupas elegantemente despojadas, mas o mesmo sorriso sarcástico.
-Seu marido não é ciumento, Kate? –alguém gritou .
-Só um pouco – Sawyer respondeu, as mãos agora possessivamente em sua cintura
Kate disse algo em seu ouvido e Sawyer sorriu para os fotógrafos de maneira charmosa.
-Senhores, precisamos ir!
-Mas temos mais perguntas!
Sawyer a conduziu em meio à horda de fotógrafos até um carro preto. Jack a viu desaparecer e só então percebeu que não se mexera do lugar, as juntas dos dedos presas no copo que segurava.
-Hei, estava te procurando – o médico gritou – Onde se meteu? Vai dizer que estava trás de um autógrafo da Kate Austen? Ela é mesmo um arraso não? Este marido dela é um cara de sorte. Quem me dera ser casado com uma mulher desta!
Jack tomou o resto de sua bebida de um gole só, tentando acalmar os nervos. Quer dizer que Kate e Sawyer ainda estavam juntos depois de todo este tempo? Sentiu a velha raiva o atormentar. Algumas coisas nunca mudavam.
-Hei, Jack, esta surdo?
-Me desculpe – ele fingiu olhar o relógio – Preciso ir, ainda sai um vôo para Boston hoje à noite.
-Achei que fossemos nos divertir na festa... Olha quanta mulher gata, cara!
-Eu sou casado!
-E daí? Eu também sou.
Jack riu.
-Divirta-se!
-Ok, nos vemos na próxima. Manda um beijo para Sarah.
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Ana-Lucia empacotou mais uma caixa e a encostou num canto do apartamento. Olhou em volta desolada, tudo estava uma bagunça, ainda tinha um monte de coisas para empacotar. Fazer mudanças sempre era uma coisa terrível. Mas desta vez tinha um gostinho melhor para ela: era seu primeiro apartamento. Que comprara com seu próprio dinheiro. Aluguel nunca mais! E além do mais, também estava comemorando seu mais novo emprego: estava entrando como sócia numa conceituada firma de Advocacia de Los Angeles. De inicio sentiu-se um pouco apreensiva de voltar à LA e ter que se deparar com o passado terrível que deixara para trás. Mas depois de muito pensar, decidiu que já era hora de voltar e continuar seguindo com sua vida como vinha fazendo.
Ninguém mais poderia machucá-la agora era o que sua mente repetia. Além disso, seus pais estavam adorando sua volta à cidade, apesar de não aprovarem o fato de estar indo morar sozinha; Na opinião deles ela só deveria sair de casa depois de casada, mas para Ana-Lucia essa era uma opinião ultrapassada, principalmente porque ela já vivia sozinha há muito tempo. No início, quando começou a estudar na faculdade, ainda muito abalada com o que tinha sofrido em Los Angeles, Ana não quis morar nos alojamentos da universidade. Fragilizada, ela passou um bom tempo morando com tia Iêda. Foi um período muito bom para ela, pois pôde desabafar com sua querida tia sobre tudo o que lhe tinha acontecido, e sua madrinha foi muito compreensiva.
Depois, no segundo ano do curso Ana-Lucia começou a morar com uma amiga no alojamento da faculdade de direito, ao final do curso alugou um apartamento e deu boas-vindas à sua independência. Agora, aos 24 anos ela sabia exatamente o que queria. Sentia-se poderosa, desejada. Os homens a procuravam bastante, mas ela nunca descia do pedestal em que se colocara para proteger o próprio coração. Paixões sim, mas nenhum relacionamento sério. Ana-Lucia não estava interessada em sofrer na mão de ninguém, tal qual o juramento que fizera a si mesma ainda debilitada no hospital oito anos atrás depois de ter sofrido o acidente de carro que ocasionou-lhe o traumático aborto.
Pensando no quanto sua vida mudara durante aqueles oito anos, Ana-Lucia jogou-se no sofá e deixou os objetos que estava encaixotando de lado por um momento. O barulho do telefone celular soou embaixo de uma almofada e ela atendeu com um sorriso:
- Hey!
- Oi garota, como é que você está?- indagou a voz animada de sua amiga Libby do outro lado da linha.
- Eu estou ótima, amiga.- Ana respondeu.
- Ah é mesmo?- retrucou Libby. – Pois imagino que esteja realmente porque encontrei com o seu Manoel no supermercado hoje e ele me disse que você conseguiu a sociedade na firma advocacia, comprou um apartamento aqui em LA e está voltando. Sua bruxa, quando pretendia me contar?
Ana-Lucia deu uma gargalhada.
- Eu queria fazer uma surpresa, Libby!
- Certo, mas agora eu e a Naomi já sabemos e só posso dizer que estamos muito felizes com a sua volta, amiga.
- Eu também!
- Quando você chega?
- Bem, se eu conseguir empacotar tudo até amanhã eu pego o último vôo de volta para Los Angeles.
- Eu e a Naomi estaremos te esperando pra gente dar uma volta e relembrar os velhos tempos.
Ana-Lucia não sabia se queria relembrar os velhos tempos. Mas deixou esse pensamento de lado e perguntou:
- E quanto à Naomi? Ela e o Desmond vão mesmo se casar?
- Eles ainda brigam feito cão e gato, mas o amor é lindo! Bem, preciso ir agora amiga, tenho pacientes para atender.
- Oh sim, você é a Dra. Thompson agora!
- Então! Estou esperando você aqui amiga, me liga!
- Ok, beijos!
Ana desligou o telefone e voltou a se esparramar no sofá. Dessa vez ligou a TV. Estava sintonizada em um destes canais de celebridades e ela pegou uma caixinha de comida chinesa que tinha pedido há mais de vinte minutos e assistiu ao programa, distraída. De repente ergueu os olhos pra TV, atenta quando ouviu um nome conhecido.
"A super modelo Kate Austen desfilou esta noite para as mais famosas grifes em um evento beneficente em Nova York..."
A repórter continuava a falar sobre o desfile, enquanto passava imagens de Kate nos mais diferentes trajes.
"Ela fugiu das perguntas sobre os rumores de que estrelaria um filme..."
E então Ana engasgou quando Kate apareceu respondendo as perguntas com ninguém menos que Sawyer do lado! Ela sentiu a respiração presa na garganta e o coração praticamente parando de bater. Pegou o controle e aumentou o volume. A mesma voz irônica, o mesmo sorriso zombeteiro. Mas as roupas eram diferentes. Caras. O cabelo arrumado num rabo de cavalo, dizia que o antigo Sawyer, ex. presidiário e mecânico, não existia mais. Agora ele era marido de uma das modelos mais famosas do mundo. Ana sentiu um ódio frio a dominá-la. O mesmo canalha que a havia humilhado, que fora responsável por perder seu filho, depois de rejeitá-lo. O mesmo homem que a tratara da maneira mais vil. Agora ria para as câmeras. Rico e feliz. A vida não era justa;
Irritada, ela desligou a TV e jogou o controle longe. Odiava Sawyer com todas as suas forças. E seria feliz se o visse sofrer muito. E ela ainda veria isto. Tinha certeza.
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-Achei que fossemos ficar para a festa! – Sawyer reclamou dentro do carro.
Kate o encarou. Irritada.
-Não obriguei você a vir comigo!
-O que iam dizer se eu ficasse sozinho?
-Não seria a primeira vez não é?
-Hei, vai ficar com ironia agora? Está irritadinha?
Kate o fuzilou com o olhar.
-Desde quando se preocupa com o que estou sentindo?
Ele riu sarcástico.
-Estou vendo que está irritada mesmo. E isto não é novidade – completou.
-Sawyer, porque não volta para a droga da festa e me deixa em paz?
-Você adoraria não é?
-Adoraria ficar sem brigar ao menos um dia.
-A culpa é de quem?
Kate não respondeu, virando-se para a janela. Podia ouvir Sawyer bufando ao seu lado.
-Kate... – ele falou com a voz branda, tocando seu ombro, mas ela se esquivou.
Sawyer tirou as mãos dela irritado.
-Estou cansado deste seu humor, sardenta.
Ela o fitou.
-Está comigo porque quer!
-Estou contigo porque somos casados! E é isto que pessoas casadas fazem!
-Está comigo porque eu sustento você!
-Oh! Vai ficar jogando isto na minha cara agora?
-Você pediu!
-Hei, sardenta, isto nunca foi problema para nós! Sei que nunca foi loucamente apaixonada por mim, mas pelo menos antes você disfarçava melhor! E só para refrescar sua memória, você pediu que eu viesse para Nova York com você!
-Isto foi há mais de oito anos Sawyer
-Oito anos que estamos juntos e conseguimos agüentar até então, sei que é por causa...
-Não. Não vamos colocar isto no meio da nossa briga!
-Ok, concordo com você. Os nossos problemas são nossos problemas não é?
Kate fechou os olhos, começando a sentir uma leve dor de cabeça.
-Está arrependida, sardenta? – ele indagou de repente e Kate abriu os olhos.
-Arrependida do que?
-De ter se casado comigo
-Agora é tarde não é?
-È que às vezes... droga, Kate! Eu tento ok? Tento fazer com que dê certo, mas você não dá a mínima!
Kate engoliu em seco, sentindo-se levemente culpada. Ele tinha razão. Ela sabia.
-Sawyer... eu também tento.
Ele riu, irônico
-Se você diz!
-Esta vendo? É por isto que me irrita!
-Já vamos começar de novo...
O carro parou e Kate saltou e entrou no prédio, com Sawyer em seus calcanhares. Entraram no elevador e ele riu
-Sabe, sardenta, hoje você esta diferente...
-Diferente como? – ele indagou na defensiva
-Eu não sei... Estava mais calminha antes deste desfile...
-È impressão sua.
A porta se abriu na cobertura e Kate arrancou os sapatos quando entrou no luxuoso apartamento. Sawyer a surpreendeu, a abraçando por trás e dando um beijo em seu pescoço.
-Sei muito bem como podemos acabar esta briga...
Kate o empurrou
-Hoje não Sawyer!
Ele revirou os olhos:
-Sempre uma desculpa...
-Você poderia ter um pouco de sensibilidade, trabalhei o dia inteiro, enquanto você passou o dia vagabundando!
Ele riu.
-De novo esta história?
-Faz um favor a nós dois? Cala a boca!
Ela entrou no quarto e bateu a porta. Sawyer xingou baixinho. Estava realmente cansado daquela situação. Pegou um cartão que tinha no bolso do paletó e sorriu
Havia algo melhor a fazer hoje à noite. Muito mais interessante do que tentar fazer as pazes com Kate. Pegou o telefone e discou.
- Hey, baby, ainda quer jantar esta noite?
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Kate ouviu a porta batendo e sentiu alívio por Sawyer ter saído. Hoje, dentre todos os outros dias não estava a fim de brigar mais. Será que tinha mesmo visto Jack? Ou era mais uma peça que sua imaginação lhe pregava? Jack morava em Boston. Era o que Claire sempre dizia. E estava casado e feliz com Sarah. Kate sentia o coração se apertar sempre que Claire comentava algo sobre eles. Mesmo ela fingindo que não estava interessada. Mas a vida seguira. Para ela e para ele. Ela se casara com Sawyer, contrariando todas as probabilidades e ele se casara com Sarah. Durante todos estes anos, ela vira sua vida mudar irreversivelmente e o passado fora se distanciando, mas nunca esquecido totalmente. E agora, voltava com força total. Ela suspirou. Será que continuava a mesma tola de sempre? De repente seu celular tocou.
-Oi Kate! – ela ouviu a voz de Claire
-Oi Claire, tudo bem com você?
-Nasceu!
-Como assim nasceu? Não era pra daqui quinze dias?
-Sei que era, mas passei mal hoje e tiveram que me trazer as pressas para o hospital
-Por que não avisou antes?
-E deu tempo?
-E está tudo bem?
-Sim, é um menino, como já sabia. Vai chamar Aaron. Você virá pra cá?
-Claro! Vou ver se acho um vôo ainda hoje
-Não tem pressa!
-È... Claire... O seu irmão vai estar aí também?
-Eu liguei na casa dele, mas a Sarah disse que esta viajando, num simpósio de medicina parece... Acho que ele só vem na segunda feira.
Kate respirou aliviada
-Me espera então.
-Sawyer virá com você?
-Não, irei sozinha – Kate cortou.
-Ok, vou te esperar!
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-Claire, ele é muito lindo. Parece com você – Kate comentou na manhã seguinte com Aaron no colo.
-Tinha que ser lindo mesmo! – Claire falou rindo quando Kate o devolveu para seu colo – E então, porque o Sawyer não veio?
-Estamos meio brigados.
-Sei...
-Mas não quero falar sobre isto. E o Tom não apareceu?
-Não me fale deste traste! Ele não quer saber de ser pai. Mas não me importo.
-Sempre achei que você fosse casar com o Charlie!
-Eu e Charlie terminamos há muito tempo, e você sabe porque. Ele escolheu o caminho dele.
-Foi uma pena mesmo. Ele poderia ser o pai do Aaron.
-Mas não é.
-Você sabe que pode contar comigo para o que precisar não é?
-Sei sim. Mesmo você desaparecendo às vezes... cheia de desfiles e fotos... – ela brincou
-Sempre tenho tempo pra você.
-Contanto que eu não fale do Jack!
Kate ficou incomodada e Claire pegou sua mão.
-Desculpa, era brincadeira.
-Eu sei
-Eu nunca entendi direito esta antipatia de vocês.
Kate deu um sorriso amarelo.
Ele sempre foi horrível comigo, você sabe.
-Ah, mas isto é coisa do passado, você nem é mais aquela rebelde. Ele a tratava assim porque se preocupava comigo.
-Achei que não ia falar do seu irmão!
Claire riu.
-Se não fosse tão improvável eu ia achar... ah, deixa pra lá!
Kate não insistiu. Sabia o que Claire ia falar. E nem queria ouvir.
-O papo esta bom, mas eu preciso ir!
-Mas já? Achei que fosse passar uns dias aqui.
-Não posso. Tenho trabalho.
-E a Mandy?
-Volta amanhã de manhã da Disney.
-Agora entendi. Dá um beijo nela. E ela tem que vir conhecer o Aaron.
-Ela virá.
Kate deu um beijo na amiga e se despediu Se corresse ainda podia pegar um vôo antes do meio dia. Saiu do quarto fechando a porta devagar e então estacou. O coração falhando uma batida ao ver Jack vindo em sua direção no corredor.
Continua...
