Título: Entre o Amor e o Ódio – Capítulo 14

Fandon: Supernatural

Autora: Mary Spn

Personagens principais: Dean / Sam

Sinopse: Dois irmãos criados de formas diferentes, vivendo uma relação de amor e ódio. Qual dos dois irá vencer esta batalha?

Nota: Esta fic trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores, são apenas personagens desta fic.

Dedicatória: Eu quero dedicar esta fic para A Rainha, em retribuição a "Supernatural Reloaded: Eu os declaro marido e mulher", minha Wincest preferida!


Entre o Amor e o Ódio

Capítulo 14

Sara acordou depois das dez da manhã, e estranhou o fato de Sam ainda não ter levantado. Tomou seu café, preparou um copo de suco, e levou até o quarto de Sam, vendo que o filho já estava acordado, mas continuava encolhido na cama.

- Bom dia! Hey, que preguiça toda é essa, meu amor? Logo você que costuma levantar cedo! – Falou, depositando o copo de suco no criado mudo, e se sentando na beirada da cama.

- Eu só não estou com vontade pra nada, mãe. Eu quero ficar aqui na cama pra sempre. – Sam respondeu baixinho, e Sara pode sentir a tristeza em sua voz.

- Então tome pelo menos este suco, Sam, senão você vai acabar ficando fraquinho. – Sara falou, fazendo um carinho em seus cabelos.

- Mãe... você acha que algum dia eu vou conseguir ser feliz?

- Oh, meu anjo... você ainda é tão novinho pra falar desse jeito! É claro que você vai ser muito, muito feliz. Eu sei que você está sofrendo, que essa sua relação com o Dean envolve muita coisa, mas as vezes não dá pra evitar, Sam. As vezes nós temos que passar por coisas, por provações, e parece tudo tão injusto, mas você não pode desanimar, meu amor. Pra tudo sempre existe uma solução.

- Eu não vejo uma solução pro meu caso, nem uma luz no fim do túnel, nada...

- Você se lembra de quando o Walter estava piorando, e piorando, e você me ligava chorando, dizendo que não aguentava mais... Mas você aguentou, Sam. Você ficou com ele até o final, e eu sei o quanto você sofreu.

- Mas por que as coisas tem que ser sempre tão difíceis? Por que?

- Com a sua idade, eu também pensava assim, meu filho. E hoje, eu daria qualquer coisa pra não te ver desse jeito. Sam, eu acho que é melhor você não voltar pra casa do seu pai, agora. Fique algum tempo aqui conosco, até as coisas melhorarem.

- Não, mãe. Eu preciso voltar. Eu prometi ao meu pai que voltaria.

- Pense bem, Sam. Você só vai se machucar mais ainda se voltar pra lá. E sem falar que, enquanto for apenas algo sexual o que há entre você e o Dean, ainda é aceitável, mas e se isso se tornar algo maior, e se você acabar se apaixonando?

- Mãe...

- Eu sei que parte disso é culpa minha, afinal eu... talvez eu devesse ter deixado o John te criar, ao invés de ficar arrastando você de um lado para o outro. Você só via o seu pai e o seu irmão duas ou três vezes por ano, e é claro que acabou criando uma carência afetiva, e talvez agora isso esteja te confundindo, ou...

- Mãe! Por favor, você é uma péssima psicóloga! Não tem nada a ver, será que você não entende? Ninguém é culpado pelo que está acontecendo, além de mim e do Dean. Agora para com isso.

- Ok, eu sei que sou péssima até em resolver meus próprios problemas, mas eu só estou querendo ajudar, ok?

- Mãe?

- Hmm?

- Quando eu... quando você contou pro John que eu era filho dele, eu tinha três anos, né? Ele exigiu o teste de DNA?

- O que? Não... eu não tinha um centavo na carteira, e ele também era um duro. Ele era mecânico, não tinha aquela loja, nem nada. Essas coisas custavam caro na época, filho.

- Mas ele nunca teve dúvidas?

- Sam, aonde você está querendo chegar, afinal? Sua mãe não era nenhuma vagabunda, e ele foi o único cara com quem eu transei na época.

- Eu não estou falando isso, mãe!

- E eu não sabia que ele era casado, Sam. Quando eu soube que estava grávida, e a minha família me virou as costas, eu nem quis contar a ele, porque descobri que ele já tinha uma família. Eu tinha dezenove anos, Sammy... então eu tentei te criar sozinha, mas... as coisas ficaram difíceis, sabe. Eu fiquei desempregada, e não tinha ninguém pra me ajudar com você. Então eu não vi outra solução, e você já tinha três anos quando eu contei pro seu pai. Depois disso ele me ajudou, e eu consegui pagar alguém pra tomar conta de você, e pude voltar a trabalhar e a estudar, e as coisas começaram a melhorar.

- Então ele...

- Ele não teve dúvidas, acho que você era muito parecido com ele, quando criança.

- Hmm.

- Se você está querendo achar que existe alguma chance de não ser irmão do Dean, pode esquecer, meu filho. Você é cem por cento meio irmão dele.

- Droga!

- E então, você vai ficar conosco?

- Não, eu não vou. Eu prometi pro meu pai, e... Mãe, é a primeira vez que eu fico tanto tempo junto dele, é a primeira oportunidade que eu tenho de conhecê-lo de verdade. E o meu pai, ele é... ele é muito especial, mãe. E só tem dois meses ainda até eu voltar pra faculdade, aí eu vou ficar um tempão longe dele de novo.

- Eu sei que o John é um cara especial, Sam. Eu nunca duvidei disso. E é por ele o meu maior medo, porque ele é a pessoa que mais vai sair magoada nessa história toda, se ele descobrir.

- Ele não vai descobrir, porque não vai haver mais nada entre eu e o Dean. Eu prometo.

- Sam, vocês dois lá, juntos o tempo todo, dormindo no mesmo quarto...

- Eu posso resistir, mãe. Acredite em mim, eu sei o que estou fazendo.

- Assim eu espero, meu amor. Assim eu espero...

- x -

Dean acordou cedo e foi para a loja, conferindo o estoque antes de abrí-la. John logo apareceu por lá também, e como o movimento estava fraco, passaram a maior parte do tempo conversando.

- Caramba! O seu irmão faz uma falta danada aqui na loja. Olha só esta bagunça! – John reclamava, procurando por uma caneta, em meio a papelada em cima do balcão.

- Você está mal acostumado, pai! – Dean deu risadas.

- Eu me surpreendi com ele, Dean. Não entendia de coisa alguma, e em menos de um mês ele já passou a dominar tudo por aqui. Nem com as contas e as finanças eu preciso me preocupar mais.

- E quando ele voltar pra faculdade? Talvez a gente precise contratar mais alguém aqui.

- É, eu não tinha pensado nisso. Eu quero muito que ele volte a estudar, mas... também é muito bom ter ele por aqui. Parece que finalmente eu o estou conhecendo, sabe... como ele é de verdade.

- O senhor acha mesmo que ele volta?

- Como?

- Da casa da mãe dele. Não acha que ele vai querer ficar por lá? – Dean se sentia aflito com a idéia de Sam não voltar.

- Eu não sei, mas ele prometeu que iria voltar. E eu espero sinceramente que sim. Eu gostaria muito de... sei lá, eu sei que não dá pra recuperar o tempo perdido, mas eu gostaria de ser mais presente na vida dele agora.

- Parece que ele também quer isso, não é? Quero dizer, é a primeira vez que ele vem pra cá por livre e espontânea vontade, e fica tanto tempo.

- Ele as vezes é um pouco mimado, mas tem uma personalidade forte, eu gosto disso.

- É, ele tem mesmo.

- Dean, você acha que ele... aquele padrasto dele, o Paul... Você acha que ele o considera como um pai? Ele sempre esteve mais presente do que eu, afinal...

- Não, pelo que eu percebi, eles são mais como amigos, e não como pai e filho. O Paul parece ser um cara legal, mas você é muito mais, se é o que quer saber. Isso é ciúmes agora, Sr. John Winchester? – Dean zoou.

- Ciúmes? Claro que não! De onde você tirou essa? – John resmungou.

- Pai?

- Hmm?

- Quando... quando o senhor... e a mãe do Sam... O senhor sentia alguma coisa por ela? Tipo... era apaixonado, ou algo assim?

- Dean, este é um assunto complicado, sabe. A Sara é uma mulher maravilhosa, uma pessoa que eu admiro muito, e sempre admirei. Mas não, eu não me apaixonei por ela. Eu era muito jovem na época, ela mais ainda, e... não foi mais do que atração pra mim. Eu fiquei um mês viajando, longe da sua mãe, então... aconteceu. Foi um erro, e eu quase perdi a Mary por isso, mas é engraçado pensar que se não tivesse acontecido, hoje o Sam não existiria.

- É, se pensar por este lado. – Dean teve que concordar, não conseguia imaginar a sua vida sem Sam.

- x -

A noite, Sara saía da cozinha, quando se deparou com o marido e o filho, descendo as escadas, animados.

- Hey! Aonde vocês dois pensam que vão?

- Sair, ué! Hoje é a noite dos garotos! – Paul falou brincando.

- Noite dos garotos, é? Então você está se sentindo o garotão agora! – Sara deu risadas. – Sam, fique de olho no seu padrasto, porque em você eu confio, mas nele não! – Sara piscou para o filho e beijou o marido, antes dos dois saírem.

Paul levou Sam para um bar, e pediu duas cervejas. Ficaram ali, bebendo e conversando um pouco. Sam não quis tomar a segunda cerveja, mas Paul insistiu.

- Beba, Sam. Eu vou te levar a um lugar depois, e acredite... é melhor você beber um pouco, vai se sentir mais a vontade.

- E que lugar é esse? – Sam estava curioso.

- Você já vai saber...

Tomaram mais algumas cervejas e então entraram no carro, e quando Paul estacionou, Sam não quis acreditar.

- Espera aí, Paul. Você não acha mesmo que eu vou entrar aí.

- Relaxa, Sam. Você vai entrar comigo, e eles vão pensar que estamos juntos, ninguém vai mexer com você.

- Mas... eu não...

- Vamos lá, eu só quero que você conheça, Sam. Não tem nada demais, vamos!

Paul o puxou pelo braço, e comprou as entradas, encaminhando o enteado para dentro da boate.

Sam estranhou muito entrar em um lugar como este, o ambiente era pesado, e quase só havia homens ali, ou melhor, gays.

Paul o encaminhou até o balcão, com uma mão em seu ombro o tempo todo, e pediu duas cervejas.

- E então? O que você me diz desse lugar? – Paul perguntou, dando um gole em sua cerveja.

- É... estranho. Muito estranho... – Sam olhou torto, vendo que tinha um cara o encarando de uma forma descarada.

- Não se preocupe, eles acham que você está comigo, então ninguém vai mexer com você, a não ser que você queira.

- Por que você me trouxe aqui?

- Você é muito tímido, Sam. E apesar de em tudo quanto é lugar, ter homens e mulheres se derretendo por você, você parece alheio a tudo isso. Eu pensei que talvez aqui...

- Não, você não acha que eu... isso aqui me assusta.

- Olha só, nós podemos ir embora a hora que você quiser, mas antes eu gostaria que você desse uma volta por aí... sozinho.

- Sozinho? Não... eu...

- Ninguém vai te estuprar aqui, Sam. Fica tranquilo. – Paul deu risadas. – Mas sabe o que eu acho? Talvez se você conhecer outro cara que te interesse, se você realmente tentar, Sam, você consiga tirar seu irmão da cabeça. Você não precisa ir pra cama com ninguém, mas... conhecer, se envolver, sabe. E talvez ficar uns tempos por aqui, e se afastar do Dean também ajude.

- Eu não sei. – Sam ficou pensativo, e bebeu um pouco da sua cerveja. – Mas eu vou fazer o que você falou.

Andou pelo lado da pista, observando o pessoal dali. Casais de homens dançavam juntos, se beijavam, e Sam percebeu que ali eles podiam ser eles mesmos, sem se esconder da sociedade. Parou por um instante, e logo sentiu alguém o puxando pela mão, até um canto mais reservado.

- Hey! Você está sozinho? – Um cara moreno, quase tão alto quanto ele, e muito bonito, perguntou, sorrindo.

- Eu... estou.

- Muito prazer, o meu nome é Call. – O sujeito estendeu a mão para cumprimentá-lo.

Sam ficou apenas o encarando por alguns segundos, então se deu conta da mão estendida e a apertou.

- Ah, me desculpe, eu sou o Sam.

- Primeira vez que vem aqui, Sam?

- É sim, a primeira vez.

- Dá pra perceber, pelo seu olhar assustado. – Call deu risadas.

- Desculpe, eu acho que... acho que não devia ter vindo. – Sam tentou se afastar, mas foi puxado de volta.

- Espera! Está tudo bem, eu também me senti assim, deslocado, da primeira vez que vim aqui. Mas depois, eu percebi que podia conhecer pessoas legais aqui. É a terceira vez que eu venho.

Conversaram mais um pouco, e quando Sam percebeu, estava sendo beijado, e encostado contra a parede da boate. Sentiu sua boca ser invadida pela língua de Call, e as mãos dele o agarravam firmemente pela cintura.

A sensação não era ruim, mas logo a imagem se Dean veio a sua mente, e Sam se deu conta de que não era esta a boca que queria beijar, não eram estas mãos que queria sentir em seu corpo, e sim as do seu irmão. Apenas as do seu irmão.

Interrompeu o beijo no instante seguinte e se afastou, pedindo desculpas educadamente, e então seguiu o caminho de volta até o balcão, onde Paul o esperava.

- Paul, eu... eu quero ir embora daqui.

- Ok, é você quem manda. – Paul o encaminhou para a saída, novamente com uma mão em seu ombro.

Quando entraram no carro, Paul o olhou com atenção, percebendo que algo o estava incomodando.

- Sam, me desculpe. Eu pensei que... Bom, eu devia ter te perguntado antes de trazê-lo aqui.

- Ta tudo bem, Paul. Eu só... Eu conheci um cara, e ele parecia ser bem legal, mas... Quando ele me beijou, não era o que eu queria, sabe? Foi estranho.

- Você está apaixonado pelo Dean, não é?

- Eu... – Sam baixou o olhar, envergonhado. – Eu acho que sim... – Sam tinha os olhos marejados agora.

- Era o que eu temia. E o que você pretende fazer? Não acha melhor ficar por aqui? Eu posso pedir pra alguém buscar suas coisas, se você quiser.

- Não. Eu preciso voltar, eu prometi ao meu pai.

- Mas a situação é outra agora, Sam.

- Eu posso lidar com isso. E só tem dois meses ainda, antes de eu voltar pra faculdade, então eu vou ficar por lá. O Dean, ele... ele estava com uma garota, ontem, quando eu liguei. Eu ouvi ela falando, e então não disse nada, ele nem sabe que eu liguei. Eu não sei porque ele está fazendo isso, talvez só pra se divertir as minhas custas. Mas eu vou descobrir. Seja o que for, ele vai pagar o preço por brincar comigo.

- A vingança não leva a nada, Sam. Você só vai se machucar mais ainda.

- Não, não tem como eu me machucar mais. E eu não vou me vingar, eu só quero que ele veja que eu não sou nenhum idiota, com quem ele faz o que quiser.

- Eu confio em você, garoto. Mas as vezes, o fato de estar apaixonado, faz você não enxergar certas coisas. E eu espero mesmo que você saiba o que está fazendo, porque se dependesse de mim, você não sairia mais daqui. Mas eu não sou seu pai, e eu não posso te proibir de voltar, então...

- Eu sei o que eu estou fazendo, Paul. Pode ficar tranquilo.

- Ok, vamos pra casa, então. Só não diz pra sua mãe aonde eu te levei, senão vai sobrar pra mim. – Paul deu risadas, fazendo Sam rir também.

No dia seguinte, Sam acordou sentindo uma saudade enorme do seu irmão. Queria sentir raiva, queria odiá-lo, mas não conseguia. Tudo o que mais queria, mesmo sabendo o quanto era errado, era que Dean o amasse da mesma forma.

Começou a arrumar suas coisas de volta na mala, pois estava decidido, iria voltar hoje mesmo.


Continua...

Respondendo as reviews:

Deiva: Muito obrigada por seus elogios! *toda boba aqui* rsrs. É sempre bom saber a opinião dos leitores! Um beijo!

Jack Wincest: Ah, não é que eu adore um Dean irritante... mas sei lá, faz parte da história. Fico feliz em saber que você está gostando, amore! Um abraço!

Joanna Beth: Sabe que a sua idéia de trancar os dois num quarto até que é uma boa? Eu só não sei se eles iriam mesmo "conversar"... rsrs. Parece que comunicação não é o forte entre os irmãos, não é? Um abraço!

Patricia Rodrigues: Eu acho que o Dean tem seus motivos pra agir desta forma. Ele está mais do que perdido com toda esta situação, e acaba metendo os pés pelas mãos (agora pareço a minha mãe falando, rsrs). Quanto ao rumo da história, é impossível agradar a todos, não é? Mas ainda vem muita coisa por aí. Um beijo!

Cici: Sim, são mesmo muitos desencontros e mal-entendidos entre os dois. Como eu vou arrumar a vida dos dois? Hahaha... espere e verás! Um beijão!