* Equipa Kakashi * Original * De Volta *

Numa dada altura da viagem, Sasuke detem-se, seguido pela sua pequena companheira.

– Doa, aproxima-se um grupo – Assinalou com um movimento da cabeça – Mantem-te quieta ao meu lado.

Esconderam-se nuns arbustos e ela obedece-o até que a vê.

– Mamá…? – Murmura baixinho, incrédula.

– O quê? – Pergunta Sasuke, atento ao grupo, não percebendo o que ela dissera.

Nem tive chance de tal, ela saiu disparada sem responder, ele ainda tentou esticar a mão para a agarrar, mas ela na sua ansia era veloz.

– Dawn! – Exclamou ao vê-la infiltrar-se no meio da multidão.

– Mama! Mama! – Gritava enquanto empurrava as pessoas surpreendidas que interpunham-se no seu caminho.

Continuou até estar atrás de uma mulher cujas madeixas rosas espalhavam-se nas suas costas.

– Mama! Mama! Sou eu! – Puxou pelo vestido.

A mulher virou-se, o sorriso de Doa morre.

Essa não era mama.

– HAH! Sujaste-me o vestido! – Gritou a senhora de cabelos rosa, mostrando a nodoa de terra.

Viu as suas mãos, estavam encardidas.

– Desculpe, eu…

Mas voz dela perdeu-se no meio de gritos e murmúrios à sua volta. Tentou fugir, mas apertavam-na deixando-a sem espaço de manobra.

– Deixem-na ir! – Ouviu Doa, a voz destacou-se por encima de todas as vozes, calando-as.

Sasuke!

Aproveitou o momento e saiu da confusão da multidão.

- Espera – Um homem agarrando-a pelo ombro – Consideras este homem de confiança?

Uma miúda a fugir, à procura da mãe no meio de desconhecidos, realmente parecia suspeitoso, pensou Sasuke.

- Sim – Respondeu ela, afastando o toque do homem, logo movendo-se até Sasuke.

O homem não a deteve.

Olhando bem, pelas semelhanças só podiam ser familiares. Talvés pai e filha pensou, ao ver ele pedir desculpas pelo comportamento de ela e depois submergirem-se no bosque.

* Equipa Kakashi * Original * De Volta *

O fogo crepitava entre eles, acompanhando o som do mastigar a refeição que comiam. Sasuke não lhe dissera nada durante todo o caminho, mas sabia que estava furioso. A ignorava ainda mais que o costume; o olhar dele era frio, apenas quando tropeçava ou mostrava mais cansaço, o olhar dele a fulminava.

Sentia-se um bocadinho mal por o ter desobedecido, mas não se arrependia: Se realmente fosse a mama e não tivesse falado com ela? Não, não podia perder qualquer pista ou oportunidade de a encontrar.

Do outro lado Sasuke também matutava. Uma ideia atravessou-lhe a mente. Era cruel, mas eficiente. E provavelmente verdadeira.

- Tu tens noção da estupides que cometestes hoje?

Doa não aguentou.

- Buscar a mama não é uma estupides!

- Ela esta morta – diz secamente o moreno.

Doa petrifica-se.

Não que já não tivesse pensado nisso. Não era tão tonta a não admitir essa hipótese, mas...

-A mama prometeu – disse por fim, olhando-o nos olhos – Prometeu que estaríamos livres e juntas. A mama não mente!

- Hmp – Ele levanta-se – Acreditas que ela fugiu a todos os guardas? E se fosse assim tão poderosa, porque não fugiu antes contigo?

Doa deu um passo atrás amedrontada, queria escapar às perguntas que evitara até então.

- Porque ela ainda não te veio buscar? Já passou tanto tempo, tanto que já nem te lembras dela – Continuo ele passando ao lado da fogueira.

Doa dá outro passo atrás, tropeça e tomba no chão duro.

- Morreu. Por isso não veio – Ele não consegue ver o rosto escondido pelo cabelo obscuro, mas o seu estado denunciava-se pelos soluços contidos que ouvia – Tu sempre o soubestes, apenas te evadistes da realidade.

- Mentira – diz para si, muito baixinho, convencendo-se a si própria.

- O quê?

- Mentira! – Gritou com mais fé, pondo-se de pé – Tu não a conheces, ela-

- Não, não a conheço – Cortou – Mas conheço os guardas, Kabuto, Orochimaru, para além das armadilhas das guaridas. E sei também que o único que lhes interessa és tu, aliás, os teus olhos. Ela é, era um adereço inútil.

- Pará!

E ele parou.

Finalmente o enfrentava.

Por um instante viu os olhos do seu irmão, fortes, com o sharigan activado, decididos a lutar. Porém num plano mais afastado via-se a si próprio a uns anos atrás, a mesma raiva, a mesma frustração, face ao assassinato da família, do clan. Tal como ele, as lagrimas corriam com vontade própria pelo rosto. Sentiu pena, mas era o melhor.

- Eu não quero saber de olhos! –Exclama ela, puxando duma kunai, escondida entre a roupa.

Sasuke surpreendera-se com o fato de ela conseguir esconder uma kunai sem se aperceber disso.

- Eu quero a mama! – Num movimento a ponta afiada da kunai avançou, para horror de Sasuke, não em sua direção, mas aos olhos dela.

Deteve-a facilmente.

Ela ainda faz força para empurrar, mas as forças não se comparavam, ele acaba por retirar a arma.

- Covarde – Diz à vez que lhe dá uma chapada na face.

Não fora forte, porém ardia, se bem que nem isso sentisse. O odio e a ira eram superiores.

- Achas que cegares-te é a solução?!

- Não sei. – Limpa as lagrimas que teimavam a sair, com as costas das mãos – Mas desistir da mama não é a solução. A mama ensinou-me que nunca se abandona alguém querido. Vou-me embora.

Dá meia volta.

- Tsk – resmunga Sasuke – Achas que te safas só neste mundo?!

Ela continua.

-Tsk – repete ele.

- Sasuke – Ela pará, vira-se, sorrindo – Obrigada.

E some-se no bosque.

Por um segundo a quis deter.

Resistiu a isso.

Era escolha dela.

Que se fosse.

Ela não passava de uma covarde, de um atrapalho.

Tanto melhor, assim acaba-se os problemas relacionados com ela. Só cuidava dela por sentido de responsabilidade para o clan e para Itachi, mas não é obrigado a tal. Ela só lhe estragava os planos e os comprometia.

Que se fosse.

Ela é que perdia.

Deu meia volta e seguiu em frente.