CAPÍTULO 5- NASCE O SENTIMENTO

Rebecca's POV

Eu ainda não sabia ao certo o que sentia por ele, mas eu estava sentindo. Não sei se era paixão ou até mesmo o começo de um amor, mas eu tinha um carinho e uma necessidade enorme daquele garoto.

Parecia que estávamos na mesma sintonia, juntos de verdade, pela primeira vez.

– Eu sei disso, que não precisamos estar juntos, mas eu... vou deixar as evasivas. Eu quero estar com você, Rebecca. Eu gosto de você, gosto de estar com você, de podermos andar de mãos dadas, de te beijar, te abraçar. Gosto que Dean e os outros caras não mexam com você por você estar comigo. – Ele me puxou mais forte na cintura. – A gente convive há algum tempo, Becca. Não pude evitar me apaixonar por você.

Ao olhar em seus olhos, vi que era verdade e que era recíproco. Ele não mentia para mim. Ele sentia o mesmo que eu sentia por ele.

– Então vamos ficar juntos? – perguntei.

– Só se você também quiser. Não quero que você se sinta obrigada a estar comigo só porque eu gosto de você.

– Shhh. – Coloquei um dedo sobre os lábios de Sam. – Não vou ser obrigada a nada. Se você pudesse olhar dentro do meu coração, veria que estou me sentindo exatamente como você.

Ele sorriu como se estivesse contendo o choro. E então segurou o meu rosto e beijou a minha testa - um sinal de respeito, intimidade, carinho.

– Posso chamá-la de minha namorada?

– Só se eu realmente for a sua.

Ele fingiu pensar por um instante.

– Acho que rola.

Em um beijo, nossos corações se tornaram um só, e eu estava indefinidamente apaixonada por Sam Winchester.


Bobby's POV

Eu podia sentir que boa coisa não iria acontecer.

A garota, Rebecca, era realmente bonita, mas sua personalidade era tão forte quanto a de um Winchester

Aposto que era uma garota doce, como Sam, mas decidida, como John, e teimosa, como Dean. O que quer dizer que tudo ia dar em merda.

Ela podia não estar com Sam ainda, mas ela ia acabar ficando com ele. E Dean não ficaria nada satisfeito, porque era uma criatura egoísta e com um ego enorme que não aceitaria perder para o irmão. Ou seja, merda.

– O galpão do lado daria um belo bar – sugeriu Fred.

Dean tinha ficado meio desgostoso por Sam ir dormir com Rebecca, mas alegrou-se com o assunto.

– Foi o que eu falei! – Ele deu um soco na mesa. – Becca conseguiu convencer o cara a nos deixar ficar com a casa por um mês. Agora é só ela pedir o galpão.

– Ela subornou o cara? – Arthur riu.

– Nada. Só jogou charme. Sério, ela é fantástica! – Dean refletiu um pouco, o que não era boa coisa. Se ele desenvolvesse algum sentimento pela garota, seria impossível impedir uma briga entre os irmãos.


Rebecca's POV

Quando acordei, eu estava tranqüila, mas não me lembrava do porquê.

Eu sabia que eu estava muito feliz por algo, tão feliz que poderia flutuar.

Tateei a cama e não encontrei ninguém ali comigo.

Foi assim que minha memória voltou, tão abruptamente que até me sentei.

O lençol era a única coisa que cobria o meu corpo nu, naquele quarto quente, abafado e solitário.

Sam e eu estávamos namorando! Cara, era muito para a minha cabeça. Não pude segurar uma risadinha animada.

Ele já devia ter acordado, por isso não estava na cama mais. Tomei um banho rápido para me juntar a ele logo. Eu ainda conseguia sentir seu dedo acariciando as minhas costas, o que me fez arrepiar.

Ao chegar à cozinha, não encontrei ninguém. Não, eles não haviam me abandonado. Então ouvi a risada de Sammy e me dirigi à sala.

Só Bobby estava ali de visita, nada de Fred ou Arthur. Dean estava sentado ao lado do senhorzinho, enquanto Sam estava sozinho sentado de costas para mim.

– Bom dia, rapazes – falei, me aproximando dele e passando minhas mãos em seu ombro.

– Bom dia. – Bobby inclinou a cabeça para mim.

– Acordou, finalmente – provocou Dean.

Eu estava pronta para revidar quando Sam levantou a cabeça e sorriu para mim.

– Bom dia, amor.

Amor. Ele me chamou de amor. Antes que eu caísse no colo dele, chorando de emoção, abaixei-me e dei um selinho nele.

– Já tomaram café da manhã? – perguntei.

– Ah, ainda não. – Ele começou a se levantar.

– Não, pode deixar. Vou fazer uns ovos para todos nós, que tal? – sugeri, não querendo incomodá-los.

– Seria ótimo. – Dean deu de ombros.

– Eu aceito, mas vou ajudá-la. – Como sempre, Sam foi o mais educado.

– Nada disso. Fique aí botando a conversa em dia com Bobby. É rapidinho lá. Você também aceita, Bobby?

Ele sorriu para mim. Que amável!

– Sim, garota.

– Ok. Não demoro.

E saí para preparar comida para os meus homens.


Sam's POV

Antes mesmo de dar exatamente um minuto, Dean já foi falando.

– Só eu senti o clima romântico? – Ele olhou para Bobby. – Você também sentiu, não sentiu?

– Dean – censurou Bobby.

– Não, não, eu vou falar. Eu sei que ontem vocês dois só estavam provocando. – Dean olhou para mim. – Hoje o clima não está de provocação.

– Porque não estamos mais provocando você. Rebecca e eu nos acertamos. – Fui bem claro, sem mal-entendidos.

Mesmo assim, foi confuso demais para meu irmão.

– Como assim, se acertaram?

– Estamos juntos. Namorando.

– Então isso quer dizer que rolou um sexo ontem à noite e vocês resolveram ficar juntos – continuou me irritando.

– Exatamente. – Fechei minhas mãos em punho.

Encarei Dean. Eu sabia que estávamos prestes a nos socar.

– Tenho uma proposta – falou, me surpreendendo totalmente.


Rebecca's POV

– Não acho que vocês devam fazer isso. Parece errado – ouvi a voz de Bobby dizer quando eu me aproximei da sala para chamá-los.

– O que não é certo? – perguntei, aparecendo na porta.

Os três levaram um susto. Dean foi o primeiro a se recuperar.

– Não é certo a gente aqui sentado, esperando você fazer tudo, Becca. Bobby disse que a gente deveria ajudar mais. – Ele deu de ombros.

– Eu não me importo, vocês sabem. Vamos comer, falando nisso!

Todos se levantaram e foram comigo para a cozinha.

– Cadê os outros dois? – perguntei a Bobby.

– Foram embora pela manhã. Tinham um caso e me deixaram para trás – respondeu. – Alguém aqui vai ter que me dar uma carona de volta para casa.

– Ei, você não vai embora hoje, né? – Sorri para ele. – Fica mais uns dias!

– Acho que ela adorou você – provocou Dean.

– Adorei! Fica, Bobby! Você é super demais! – pedi.

Ele deu uma risadinha.

– Tudo bem, fico esse final de semana, mas só porque você cozinha muito bem!

Foram dias incríveis que Bobby passou lá. Eu adorava conversar com ele! Cada história da vida dele, dos casos... Não sei como ele podia ser mais interessante.

Comecei a considerá-lo um super amigo.

– Eu preciso ir embora agora – disse, no domingo. – O dever me chama.

– Ah, Bobby! Jante primeiro... Eu estou acabando de fazer a massa! – Fiz um biquinho.

– Tudo bem. – Sorriu, gentil.

Dean revirou os olhos.

– Se cuida, Sammy. Vai acabar perdendo a namorada para o Bobby.

Sam deu uma risada.

– Não acho que eles fariam isso comigo.

– Chega de imaginação fértil e se sentem logo. Ficou pronto – falei, pegando os pratos e colocando a mesa.

Estávamos nos servindo quando bateram na porta.

– Quem será? Já é noite – murmurei, me levantando e indo para a porta.

– Ei, espera! – Sam já estava saindo para buscar alguma arma e rolei os olhos.

– Não vamos receber a visita com uma arma apontada para ela. Vamos tentar ser normais. – Eu o puxei de volta.

– Não vou deixar você abrir a porta vulnerável – disse, teimoso.

– Não estou vulnerável. – Dei um tapinha na minha coxa, onde eu sempre levava uma faca de prata no frufru.

Ignorando Sam e o seu medo, abri a porta. Era só ele.

– David! – exclamei. – Entre, entre.

Ele sorriu para mim, entrando.

– Como vocês estavam aqui por uma semana já, só passei para saber como estavam mesmo.

– Oh, que fofo – falei. – Chegou na hora boa! Sente-se, vou buscar mais um prato.

Enquanto eu estava na cozinha, todos já se cumprimentavam.

– Então o que Bobby é de vocês? – perguntou o rapaz.

– Um amigo da família – respondeu Sam.

– Muito próximo – completou Dean.

– Como um pai para nós – finalizei.

– Ah, sim. – David sorriu. – Você cozinha muito bem, Rebecca.

– Obrigada.

– Olha, nem sei direito como começar, mas... – Ele deu uma risadinha sem graça. – Eu vou usar o galpão para abrir um bar e... talvez você quisesse trabalhar lá.

– Tipo eu ser a garçonete de lá? – Levantei as sobrancelhas.

– É! Podemos abrir o bar das 6h da noite às 2h da madrugada!

– E qual seria o salário dela? – Dean estava visivelmente bravo. Ele queria abrir o bar.

– Que tal 60 dólares por noite?

– Feito! – falei. Fala sério, isso é o que eu chamo de trabalho fácil.

– Ótimo. Semana que vem eu apareço aqui para a gente combinar direitinho. – Ele se levantou. – Muito obrigado pelo jantar e desculpa qualquer coisa.

– Vou levá-lo até a porta – ofereci, me levantando com ele.

Aposto que os clientes vão adorar uma garçonete dessas – sussurrou.

– Com certeza – falei. Então acenei e fechei a porta logo.

– Você vai ter um emprego. – Sam balançou a cabeça. – Inacreditável.

– Vocês vão poder ficar lá comigo. – Passei por toda a mesa, recolhendo as louças sujas. Todos pareciam ter comido até as tampas.

– Bem, então vou levar Bobby – Dean disse.

– Ok – falei, me dirigindo para a pia. Sam estava me seguindo para me ajudar a lavar as louças quando soltei um resmungo. – Demônio! – Soltei um suspiro. – Quem aí sabe desentupir pias, mexendo no encanamento? Porque, sem querer discriminar, isso é trabalho de homem.

– Passei da idade para isso – Bobby disse.

– Nunca aprendi a mexer no encanamento. Sempre que a pia entupia, Jess tinha que chamar um encanador. – A dor que passou no rosto de Sam foi tão intensa que me magoou. Ele nunca ia gostar de mim como havia gostado dela.

Dean parecer entender o meu sofrimento, pois já começou a fazer as gracinhas dele.

– Sorte sua que aqui tem um homem de verdade, Becca. Pelo jeito, eu sou o único que sabe mexer em canos. – Dean olhou para Sam. – E, pelo jeito, você, Sam, vai ter que levar Bobby. – Ele jogou as chaves para o irmão. – Boa viagem.

Sam olhou profundamente para Dean. Então suspirou e virou-se para mim.

– Vou lá, então. Levar Bobby. – Ele me deu um sorrisinho contido.

– Que horas você volta? – perguntei. Será que ia demorar muito?

– Provavelmente amanhã. – Sam me deu um beijo de despedida. – Tchau.

– Tchau – falei, acompanhando os dois até a porta. – Tchau, Bobby! Adorei conhecer você!

Ele deu uma risada.

– Também gostei de conhecer você, querida.

Então os dois se foram e eu fiquei sozinha com Dean.

– Bem, você sabe onde tem uma caixa de ferramentas? – ele me perguntou.

– Aham. Vem cá. – Fui até o quartinho de bagunça e indiquei uma caixa vermelha.

Quando ele a pegou, saiu uma barata. E o grito que eu soltei foi descomunal.

– Mata, mata, mata, mata! – gritei, indo para trás de Dean.

Ele soltou uma risada.

– Você já enfrentou vampiros, demônios, Daevas, tudo isso e agora me diz que tem medo de baratas? – Ele riu de novo.

– É! Mata, Dean! Ela vai voar para cima de mim – reclamei.

Ainda rindo, ele jogou um veneno que tinha lá nela. A barata morreu na hora.

– Ufa! Obrigada – pedi, me desgrudando dele. Eu havia segurado os braços dele com tanta força que estava com marcas da minha unha.

– Você é hilária, Becca – disse, indo para a cozinha com a caixa na mão.

Meia hora se passou e ainda estávamos lá, sentados no chão. Ele havia tirado a camisa e seu peito musculoso estava coberto de suor.

– Chave de fenda – pediu.

Peguei alguma coisa que parecia ser uma chave de fenda e entreguei a ele.

– Olha! Você acertou – provocou.

– Viu? Estou melhorando. – Dei uma piscadela para ele.

Ele mexeu em um dos canos e eu ouvi barulho de água sendo sugada.

– Vê ali se desentupiu – disse.

Eu me levantei e olhei dentro da pia.

– Uau, Dean! Você conseguiu!

– É, que bom, então. – Ele fechou a portinha e se levantou. – Quer ajuda com as louças?

– Sim, sim. Aí amanhã a gente bota Sam para lavar as louças do resto do dia.

– Boa idéia! – Dean riu.

Depois de algum tempo, acabamos finalmente.

– Melhor você ir tomar outro banho – sugeri a ele.

– Quer ir comigo? – Ele me lançou um daqueles olhares espertinhos e maliciosos.

– Não estou suada. – Revirei meus olhos.

– Posso fazer você suar rapidinho. – Ele levantou uma sobrancelha.

– Que engraçadinho.

Ele deu uma risada e foi para seu quarto. Fui junto.

– Hmm. – Dean me olhou desconcertado quando entrei e fechei a porta. – Você vai vir mesmo tomar banho comigo?

– Lógico que não! – Soltei uma risada. – Seu quarto é o único cômodo da casa que tem TV, o que acho muito estranho. Não seria mais fácil deixar na sala?

– Não, é minha TV. – Ele pegou uma roupa e se trancou no banheiro.

Quando ele voltou, eu estava assistindo a MTV.

– Ah, é o festival de Rock? – perguntou.

– É. Muito bom. Acabou de começar.

– Vou pegar uma cerveja e vir assistir também. Sabe... Sam não está aqui hoje... Não vai lhe controlar caso você queira beber o resto das suas Smirnoff que está na geladeira.

Sorri para ele: Um sorriso conspirador.

– Há! Um brinde à minha ultima Smirnoff! – falei, levantando a garrafa. Eu podia sentir o álcool em mim, me deixando incoerente. Minha língua enrolava.

– E à minha ultima garrafa de cerveja. – Dean também estava mais bêbado que tudo.

A gente brindou e caiu na risada. A mão de Dean veio parar na minha coxa e eu o encarei. Ele era tão bonito... por que eu não o beijava logo? Eu me lembrava vagamente de algo que me impedia de fazer isso, mas não me importava mais naquele momento.

Acordei pela manhã sorrindo do sonho estranho que eu tive. Eu havia sonhado que tinha dormido com Dean! Que estranho, principalmente porque eu estava com Sam. Era errado até mesmo sonhar com isso.

No meu sonho, eu estava tão bêbada que não conseguia pensar direito. E Dean também. Nós nos beijamos e foi tão bom que eu senti minha pele inteirinha arder. Ele me derrubou na cama, puxando rapidamente a minha cintura para cima, só para aproveitar para tirar minha blusa. Lembro que cheguei a pensar que mesmo bêbado, ele tinha exatidão em seus movimentos. E então tirei a blusa dele e tudo o que eu quis era dar para Dean. Não me lembrava de mais nada que me impedisse daquilo.

No sonho, Dean era maravilhosamente perfeito. A sensação dos lábios dele, de coxa com coxa, barriga com barriga, do movimento de nossos corpos que me fazia ofegar, das minhas unhas arranhando suas costas largas, dos seus braços musculosos me apertando forte e forte, de minhas mãos segurando seus cabelos e puxando até Dean soltar um gemido. Foi ótimo, muito bom. Ele havia me abraçado quando alcançamos o prazer e sussurrado no meu ouvido que eu era muito gostosa. E então eu dormi... E acordei.

Bem, foi um sonho bom, mas absurdo. Até parece!

Então senti alguém ao meu lado. Abri meus olhos. Com certeza eu não estava no meu quarto. Olhei para o lado e então dei um pulo, saindo da cama.

– Céus! – Tampei minha boca com as mãos. Foi verdade, não só um sonho! Dean estava deitado de bruços, nu, com o cabelo desalinhado.

Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto eu caía na real e percebia o que havia feito.

Eu havia traído Sam!

E estava me sentindo uma cachorra!

Fui buscando minhas roupas pelo quarto inteiro, colocando uma peça de cada vez. Dean acordou e sorriu para mim.

– Para que tanta pressa? – Ele deu uma risadinha. – Temos tempo. Sam vai demorar um pouquinho para chegar.

Olhei para ele, os olhos arrependidos e molhados.

– Foi errado, Dean.

E então saí do quarto, deixando um Dean totalmente confuso lá.

Corri para meu banheiro, tomando um banho detalhado. Eu sabia que seria um dia ruim. Minha cabeça já doía da ressaca. Eu sabia que a culpa iria me perseguir para sempre. Eu nunca mais ia conseguir ser a mesma. Não sabia como olhar para Sam. Muito menos sabia como olhar para Dean. Não conseguia achar uma roupa que ficasse boa em mim. Não consegui imaginar como ia justificar o chupão na minha cintura. E quando arrumei meu cabelo, comecei a me sentir enjoada. A bebida estava me fazendo passar mal.

E vomitei.

Queria vomitar a culpa que eu senti, mas não foi possível. Chorei, chorei pela traição que cometi injustamente ao único homem que amei em toda a minha vida.

Ouvi a porta se abrindo e comecei a ter outra crise de ânsia. Estendi a mão para que a pessoa não se aproximasse, mas foi inútil. No mesmo momento, Sam já estava abaixado comigo, me ajudando, segurando meus cabelos – o que, com certeza, me fez chorar mais.

– O que aconteceu? – perguntou.

Eu me levantei, dei a descarga e escovei meus dentes. Enquanto isso, Sam me abraçou carinhosamente por trás e deu um beijo na minha cabeça.

– Bebi demais ontem – justifiquei quando acabei.

– Está com dor de cabeça? Tenho um remédio ótimo aqui. – Ele me trouxe água e um comprimido, enquanto eu estava estupefata da bondade dele. Como fui burra! Como arrisquei perdê-lo desse modo?

– A dor vai passar logo – prometeu, se abaixando para me beijar. Eu era alta, mas, perto dele, nem dava para comparar.

– É, eu sei.

– Vem. Eu trouxe bacon para nosso café da manhã. Eu sei que você gosta muito de bacon. – Com uma piscadela, me puxou do quarto, ao mesmo tempo em que eu pensava em como encarar Dean.

Fiquei muito aliviada quando Dean continuou o mesmo Dean – sem mencionar a noite que tivemos. As gracinhas continuavam e tudo mais e pela primeira vez não reclamei. Eu preferia isso a um Dean acusatório.

Sam também continuava o mesmo, o que significava que eu tinha que largar de paranóia e continuar a agir normalmente.

Cheguei a cogitar a hipótese de contar tudo para Sam, mas não fui forte o bastante. Eu não ia agüentar levar um fora dele... Meu sentimento era intenso demais.