Capítulo 14 – O quarto de Gina Weasley
N.A.: Recomendo profundamente lerem ouvindo ou a Your Body Is a Wonderland do John Mayer ou à Infatuation do Maroon 5. Dá um clima bom! E o capítulo não tem descreve sexo, mas tem umas preliminares sexuais, então quem tiver problemas de bacurinha on fire ao ler isso, já fica avisado! :D. A propósito, Infatuation é uma música sensual que tem a ver com o relacionamento que eu inventei pra eles, já Your Body is a Wonderland tem mais a ver com a cena de sexo mesmo.
Infatuation: http:// www. youtube .com/ watch?v=KCfNelEJ67k (sem espaços)
Your Body is a Wonderland: http:// www. youtube .com/ watch?v=DAfxi_5jOaM (sem espaços)
Draco dera o jantar à filha. Enquanto pagava a conta, Camille começava a ficar cada vez mais sonolenta. Os olhos pesavam e ela pegava no sono enquanto Draco a carregava no colo, com seu casaco protegendo-a do frio cortante que se instalara na madrugada.
Durante todo o trajeto silencioso Draco pensava na recusa de Gina. Ela não tinha motivos para isso. Talvez estivesse assustada, como ele secretamente também estava, em ter alguma proximidade com alguém com quem não queria e muito menos devia se envolver. Gina, para ele, era um exemplo, uma pessoa em quem confiar, uma pessoa de que dependia, a única pessoa que o ajudara. Ele estava jogando tudo isso fora, arriscando-se a tocar em um sentimento incerto, duvidoso e, para ambos, perigoso.
Talvez tenha sido um erro. E ele arriscara tudo o que conseguira com ela. Estava expondo algo tão precioso e valioso e que o havia ajudado a evoluir muito. Não sabia o que seria dele e de Camille sem Gina. "Talvez tenha sido um erro." Ele admitiu relutante ao suspirar. Ele relembrou o beijo e sorriu silencioso. Mesmo que tivesse sido um erro, valeu a pena.
Draco entrou com cautela no apartamento vazio. A bolsa dela estava no aparador ao lado da porta. Camille estava dormindo em seu colo, a cabeça loira apoiada em seu ombro. Ele não queria acordá-la, mas ela mesma despertou justo quando ele ia colocá-la para dormir.
-Pode me fazer um enorme favor?
Ela balançou a cabeça, sonolenta.
-Consegue se arrumar sozinha pra dormir?
-Sim.
-Então faça isso por mim, por favor. Eu vou falar com a Gina.
-Está bem, papai.
Camille fazia movimentos lentos ao se locomover. Draco ficou olhando só alguns instantes para ter certeza se ela não precisaria de ajuda, mas depois viu que ela era independente neste ponto e se viraria bem.
Bateu à porta do quarto de Gina. Como ela não respondesse, ele abriu a porta. Já tinha feito pior com ela, invadindo sua vontade e desrespeitando seus limites. Isto agora era de menos.
-Posso falar com você?
-Já está falando, Malfoy.
Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. As paredes azul-claras contrastavam com os móveis brancos. A cama tinha uma colcha azul escura. Gina estava vestindo pijamas brancos: blusa de manga comprida com alguns botões próximos à gola e short. As pernas de fora, foi a primeira coisa que Draco notou. Ela virou-se de costas para ele para tirar os brincos. Ainda não tinha olhado nos olhos dele.
Ressentimento por ele. Era o que sentia. No tempo que passara sozinha, milhares de pensamentos haviam passado por aquela cabeça ruiva. Alguns lembrando-a do erro, alguns considerando que não havia nada de mais no que havia acontecido, e outros a fazendo se arrepender de tê-lo tratado tão mal.
-Se quiser eu vou embora.
-Não, Draco. São coisas diferentes – ela disse com um tom de voz seco, sem se virar para ele. – Essa é a minha vontade agora, mas não uma coisa não tem nada a ver com a outra.
-Está com raiva de mim?
Ela virou-se para ele, e o encarou com a intenção de convencê-lo, mas no fim, sua voz só confirmou o tom de suplica de seu olhar:
-Foi um erro, Malfoy!
Ele deu alguns passos a frente, para ficar frente a frente com ela.
-Não foi um erro, Gina.
-Claro que foi. E porque não seria?
Desta vez, o golpe foi rápido. Ele sabia que ela iria se afastar dele caso se aproximasse lentamente como da última vez. Agora a situação era outra. Ela estava raivosa e racional. Ele a pegou pelos quadris e antes de se aproximar totalmente dela já estava com os lábios nos dela, sedento. Convencendo-a de que não fora um erro. Gina tentava fugir de todo modo, esquivando-se dele como podia, empurrando-o, afastando-se, mas nada funcionava. Ele passou os dedos pelo mar vermelho de cabelos dela, puxando-a para ainda mais perto. A outra mão escapava furtivamente para debaixo da blusa, acariciando a pele quente das costas dela e contornando a curva da cintura dela. Neste momento, exatamente, ela passou a se entregar ao beijo, agarrando-se aos fios loiros com a mão. Como ela cedesse, ele procurou às cegas no quarto um ponto de apoio.
A movimentação a despertou, e ela começara a comparar mentalmente ele com Harry. Era inevitável, afinal, era por causa deste que se sentia apreensiva em beijar Draco. Draco ia direto ao ponto, e instintivamente era isso que ela sempre procurara em Harry e nunca encontrara. A apatia de Harry não se comparava à pressão do corpo de Draco contra o dela, que ia atingir a parede a qualquer segundo. Céus, ela estava comparando um ao outro? Ela precisava imediatamente dar um fim aquilo, mas não tinha forças suficientes.
Gina conseguiu ao menos desgrudar sua boca da dele para falar com uma voz sofrida e confusa:
-Eu não posso ficar com você.
Ele ignorou, e fez o traço do maxilar dela com a boca, até que por fim, seus lábios encontraram a orelha dela. Ofensivamente o corpo dele apertava ainda mais o dela contra a parede. Ela gostava daquilo, por isso mesmo tinha que dar um fim. Com seus braços, empurrava o peito dele com força.
-Eu não vou ficar com você, Draco – disse ela com a voz dessa vez firme.
Ele afastou-se um pouco, liberando o corpo dela, mas ainda sem soltá-la.
-Por quê?
Ele voltou a beijar a boca vermelha dela, dessa vez de leve, sem tirar os olhos dos dela. Ela virou o rosto, e ele encontrou a bochecha cheia de sardas.
A resposta veio em uma só palavra.
-Harry.
Ele afastou seu corpo do dela totalmente, mas ainda apoiava o peso de seu próprio nas mãos ao redor dela, na parede. Ela ainda estava detida, para maiores explicações.
-Ele não se importa tanto com você.
-Mas eu me importo com ele.
-A troco de que?
Gina não sabia como explicar. E não queria se humilhar, dizendo que ela fazia isso por respeito à Harry. Foi salva pelo gongo.
-Papai! – Camille gritou do quarto ao lado - Meu beijo de boa noite!
Graças aos céus Camille só dormia depois do beijo de boa noite do pai.
-Já vou. – gritou.
Draco olhou para Gina uma última vez com ternura e ajeitou os cabelos que ele mesmo havia tirado do lugar.
Camille já estava deitada e estava muito cansada, já quase dormindo. Havia se arrumado sozinha, mas queria o beijo de boa noite. Era uma segurança que ela tinha, além de ser um costume que tinha com a mãe. Aquilo a deixava tranqüila para dormir.
-Desculpe a demora, eu estava conversando com a Gina.
-E agora vocês estão namorando?
-Já disse que não.
-Tem certeza que não são namorados?
-Tenho. – Draco bufou. Dentro dele desejava que a resposta fosse outra.
-Mamãe faz o mesmo com o namorado dela.
-Amelie tem namorado?
-Tem sim.
Draco não sabia disso e nem se importava com o fato de ela ter namorado. O que incomodava era não saber nada sobre a mãe de sua filha. Ela era uma parte de sua vida que ele ignorava. E continuaria ignorando até que Amelie reaparecesse.
-Já está tarde, você tem que dormir. Boa noite.
-Boa noite, papai.
Ele beijou sua bochecha carinhosamente e depois a cobriu. Ficou algum tempo ali ao lado da cama, pensativo. E era óbvio que seu pensamento estava na cama do quarto ao lado.
Porém, o porém que mais o decepcionou na vida, a porta do quarto estava fechada. E isso o irritou profundamente. Ele não admitia ser trocado pela 'memória' do Potter. Principalmente sabendo que o testa rachada não era tão perfeito assim, e que tinha deixado várias lacunas não preenchidas no relacionamento com Gina, às quais Draco tinha a plena certeza que seria capaz de preencher com perfeição.
Foi dormir com raiva. Na verdade, ele cochilou, meramente. Caiu no sono depois de bastante tempo remoendo a indecisão estúpida de Gina. Dormiu por três horas apenas e acordou no meio da madrugada, ainda com raiva, sem saber que no quarto ao lado Gina se arrependia de sua estupidez. Tratara Draco tão mal quando ele não havia feito nada de mal a ela. Sem contar que ela mesma não entendia porque agira tão instintivamente protetora em relação à Harry. Ela estava livre e desimpedida, não tinha que ligar para Harry, que não dava a mínima para ela. Então, o erro estava feito e ela nada mais poderia fazer e não adiantaria em nada o arrependimento que sentia.
Ele não se desprendia da raiva e ela do arrependimento. Ambos desejaram que tudo fosse mais simples.
Três e meia da manhã e nada de dormir novamente. Ela se irritara tanto consigo mesma que havia acordado no meio da noite, o sono agitado pela angústia de um erro não a mantivera presa por muito tempo no mundo dos sonhos onde ela não tinha sido tão ignorante.
Resolveu se levantar, mas ao abrir a porta de seu quarto encontrou Draco na cozinha. Não podia voltar como se tivesse se lembrado de algo inacabado que tinha que fazer. Era melhor poupar-se e poupá-lo de mais uma infantilidade. Como se não o tivesse visto, o ignorou e foi ao banheiro. Se trancou lá, como se esse fosse seu objetivo quando saiu do quarto. Lavou o rosto para tentar pensar em algo racional a fazer. Ela já tinha destruído qualquer possibilidade de saída racional daquele envolvimento físico, logo poderia fazer qualquer coisa. Estava quase tudo perdido. Pior não ficaria.
Respirou fundo e analisou seu rosto cansado no espelho. A culpa estava praticamente estampada em sua testa e ela precisava acabar com isso. Ajeitou alguns cachos vermelhos que insistiam em não ficar no lugar.
Depois, somente depois de respirar fundo mais uma última vez saiu dali e silenciosamente sentou-se ao lado dele na mesa. Ele bebia água, concentrando-se no copo como se daquilo dependesse sua vida. Mas o modo como respirava exalava raiva. O rosto de Draco nem sequer virou-se para olhá-la. Ele estava com muita raiva.
-Eu mereço seu ódio.
-Que bom que sabe. – Ele falou sério, olhando para a parede a sua frente.
-Eu fui estúpida e agi de maneira infantil e ridícula.
-Pensei que fôssemos adultos.
-Me desculpe. E é irônico que você esteja dizendo isso.
-Está desculpada. E eu adoro ironias. – Ele olhou para ela com expressão neutra.
-Eu só estou confusa... Com o fim de um relacionamento, e me envolver com você de repente, sendo que temos outro tipo de envolvimento...
-A hierarquia acabou, Gina.
-Eu precisava de um tempo para me adaptar, só isso.
-E já se adaptou?
Um segundo de silêncio no qual Gina pensara. Ela conseguiria lidar com isso depois?
-Acho que sim. Estou arrependida, então isso significa que eu queria ter agido do jeito que você queria que eu agisse.
-Apesar de confuso, faz sentido.
Ela sorriu aliviada ao perceber a raiva esvaída do rosto angelical de Draco. Virou-se para ele e colocou a mão na parte de baixo da cadeira onde ele estava sentado para puxá-lo para mais perto e ao mesmo tempo virá-lo para que ficassem de frente um para o outro. Ele pareceu imóvel. Queria saber o que ela iria fazer, agora que ela estava no comando. Seus joelhos se encostaram e ela se aproximou mais. Olhava nos olhos cinza, naquele momento azulados, que a desafiavam a beijar Draco. Ela então fechou os olhos e levemente pousou os lábios nos dele e se afastou de novo para ver como ele reagiria. Draco a observou, esperando o próximo passo. Ela era melhor agindo do que falando. E para confirmar o pensamento de Draco, a próxima coisa que ela fez foi sair de sua cadeira para sentar-se no colo dele, as coxas abraçando a cintura dele e as mãos no rosto áspero por causa da barba por fazer.
-Você sabe que eu sou péssima com palavras...
Ele a beijou mais uma vez, sem aprofundar-se.
-Eu sei – ele intensificou o beijo... – Então não vamos usar palavras...
Ela assentiu:
-Nada de palavras... – disse ofegando ligeiramente, e mordendo o lábio inferior dele.
Então ela começou, com cuidado, a beijá-lo. Mas ele tinha uma pressa chamada desejo dentro de si, que não agüentaria o ritmo lento que Gina queria impor. Ele ficou de pé e deu alguns passos para frente, Gina o abraçou com as pernas, deixando que ele fosse onde quisesse. Ela puxava os cabelos dele com força enquanto ele meramente entrelaçava os dedos nos fios ruivos. O corpo dela conduzido por Draco atingiu a porta do quarto dela. A mão dela procurava a maçaneta, a dele procurava tocar todo lugar ainda não explorado do corpo dela. Ele fechou a porta atrás de si, tendo que soltá-la por um segundo. Ela desvencilhou-se dos braços dele, mas empurrou-o para a cama desarrumada. Ele procurou conforto entre os lençóis desarrumados para abrigá-la sobre ele e começou a desatar cada um dos botões superiores do pijama dela. Com habilidade, ele livrou-se da blusa e pôde desfrutar da visão panorâmica de Gina sobre ele.
Ele já havia suspeitado que ela iria preferir essa posição na hierarquia. Ela gostava de ficar por cima. E por ele, poderia fazer o que quisesse dele.
Uma luta começou a ser travada com a blusa de manga comprida dele, mas Draco não ajudava Gina a vencer esta guerra. Estava mais interessado em tocar de algum modo cada milímetro da pele de porcelana que havia se revelado. Com as mãos, com a boca... O sutiã de renda preta dava um contraste ainda maior às sardas por todo o corpo dela. Ela ainda tentava desajeitadamente puxar a camisa dele e estava perdendo a paciência. Quando finalmente conseguiu tirar a peça de roupa que a estava atrapalhando, não foi nos músculos dele que ela reparou. E sim na tatuagem na parte inferior de seu braço.
O símbolo dos comensais da morte. O desenho de uma caveira entrelaçada por uma cobra contra a pele pálida dele a paralisou imediatamente, a fazendo se afastar dele. Ela não olhava mais para o braço dele, como se tivesse repulsa. Ele entendia, pois ele também se arrependia amargamente das decisões que fizeram aquela tatuagem ser marcada em seu braço. Aquela tatuagem não era só um desenho ou um símbolo, era uma lembrança desagradável de um passado sombrio que fizera Draco sofrer muito e que colocara em perigo de vida Gina e sua família. Aquela marca, ou aquilo que ela representava, matara um dos irmãos dela. E havia colocado em risco a vida de Harry. Maldito Harry. Ela estava agindo instintivamente e ele sabia o quão difícil era pra ela. Também era difícil pra ele.
-Eu sei por que fez isso, não precisa nem falar. Mas acho que já provei que sou digno de confiança – Ele mirou no fundo dos olhos castanhos – Já te pedi muitas coisas, mas tenho que te pedir mais essa. Só me dê essa chance.
Não respondeu com palavras, ela sabia que era péssima nisso. Preferiu beijá-lo ternamente, ao que ele respondeu com carinho e mais ainda, cuidado.
N.A.: Yu XD – A Gina é um pouco má mesmo, mas ela sempre acaba cedendo. Também, com o Draco, é meio difícil alguém não ceder. Eu não cederia! Continue lendo! E espero que goste deste capítulo!
Loh Malfoy – Gostou do último capítulo? Então espero que goste ainda mais desse capítulo!
