Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal:
Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais:
Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso:
Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.

You're all I have
Kaline Bogard

Capítulo 13
O retorno

Talvez o maldito jantar estivesse acontecendo por ali, ou talvez fosse apenas falta de sorte mesmo. O fato é que vários trolls foram aparecendo por entre as árvores e arbustos, em um número muito acima do esperado. Vinham incitados pelo alerta. Se tinha algo que odiavam eram os asgardianos.

Thor, que estava mais próximo, recebeu os inimigos com o martelo nas mãos. Loki recorreu a magia, principalmente aquela que criava um avatar. Com três cópias suas conseguiu deixar os trolls bem confusos. Aqueles não eram seres dotados de muita inteligência.

O deus do trovão tinha postura mais defensiva do que ofensiva. Seu gênio indômito havia sido suavizado depois da aventura em Midgard. Antigamente não se conteria em destroçar as criaturas caricatas. Hoje os acertava sem aquela fúria assassina. A diferença estava na vontade de defender e proteger, diferente de outras investidas, quando queria apenas vencer ou se vingar. Vencer de forma fulminante.

Os trolls iam caindo, colhidos em cheio pelos golpes de Mjölnir e vitimados pelas artimanhas de Loki. Eram enganados pelas táticas de violência não-direta: o deus-mago os enganava com ilusões e os acerta em seguida.

Mas apesar da superioridade tática dos irmãos a superioridade numérica dos habitantes ameaçava se tornar um problema. Para cada um que derrotavam dois surgiam para tomar o lugar do caído.

Além disso, havia o péssimo terreno em que lutavam. O pântano tinha pouco solo realmente firme, sendo a maior parte tomada de lama e poças de água suja, galhos de árvores apodrecidos que fizeram Loki tropeçar uma ou duas vezes.

Os trolls conheciam bem seus domínios. Ou estavam acostumados às condições desfavoráveis, pois nada daquilo pareceu ser obstáculo para a luta. Queriam poder colocar as mãos, mesmo que de leve, nos dois asgardianos...

Thor lutava mantendo um olho nos inimigos e um olho em seu irmão, preocupado que ele não conseguisse se defender direito.

Foi graças à essa atitude super-protetora que percebeu o momento em que Loki pisou em falso numa parte do terreno enganadoramente firme. O avatar escorregou e caiu no chão, por que o verdadeiro Loki, que estava mais atrás, também deslizou na lama escorregadia, mergulhando no chão lamacento.

O acidente denunciou a posição do moreno, que perdeu um segundo precioso, preso pela surpresa, e deu a oportunidade de um dos trolls abaixar-se, pegando-o pelo braço e içando-o para fora da poça.

Com a força típica da espécie, o troll empurrou Loki pra frente. Ele se desequilibrou e caiu de joelhos no meio da batalha.

Thor praguejou. Observou o irmão ajoelhado e cercado por quatro ou cinco inimigos. Os olhos verdes pareciam enormes pelo susto, dominando o rosto magro e sujo de lama.

Como ousavam encostar em seu irmãozinho?

O loiro mataria por menos que aquilo. Por tal ofensa causaria um massacre.

Através de frestas nas copas cerradas das árvores foi possível entrever o céu negro da noite ser quebrado por grandes nuvens cinzentas de tempestade. O ar tornou-se denso, pesado pelo prelúdio de uma tempestade.

Raios deslizaram irregulares como chagas recém abertas caindo certeiros sobre os trolls que ameaçavam Loki e arremessando-os longe, fulminados fatalmente. O próprio deus-mago teve que se encolher e se proteger tamanha a eletricidade daqueles golpes.

E não foram apenas os raios.

Thor girou Mjölnir na mão com violência e furor. Os pobres coitados atingidos pela fúria sanguinária daquela arma invencível não tiveram nem tempo de se arrepender. Foram agraciados com golpes rápidos e duros, que refletiam a fúria do guerreiro que os atacava.

A reação do deus do trovão não acabou, sequer diminuiu, enquanto havia um único troll vivo e em pé naquele inusitado campo de batalha. Os relâmpagos só cessaram e Mjölnir foi refreado quando o último troll caiu de joelhos no chão, a testa sangrando em abundancia, e deslizou silencioso para o solo, morto antes mesmo de encerrar a queda.

Ofegante Thor olhou ao redor como se desafiasse mais inimigos a surgir e atacá-los, enfrentando sua fúria ao tocar com mãos infames seu precioso irmão caçula.

Loki só então voltou a abrir os olhos. O silêncio indicava que era seguro novamente. As íris esmeraldas contemplaram o pântano gravando cada mínimo detalhe. O cenário era terrível: corpos para todos os lados. Reinava o cheiro de sangue, carne queimada e morte.

– Thor...

O chamado trouxe Thor de volta a realidade. Ele respirou fundo e caminhou até o moreno, ajudando-o a ficar em pé.

– Você está bem? Não se feriu?

– Estou bem – Loki afirmou movendo a cabeça como se quisesse dar ênfase a afirmativa – Vamos embora antes que outros cheguem.

O mais velho concordou. Analisaram rapidamente o local, procurando a direção para a qual deveriam seguir e afastaram-se deixando os inimigos derrotados para trás.

Urgência e pressa guiava-lhes os passos. Thor, principalmente, era o mais interessado em sair dali. Não por que temesse um confronto. Não. Longe disso. Ele não era homem de recusar uma boa luta. No entanto nem pela batalha mais empolgante do mundo ousaria colocar Loki em perigo. Não perdoaria qualquer um que maculasse um fio do cabelo daquele que amava mais que a própria vida. O insano que se erguesse contra Loki estaria se erguendo contra o próprio deus do trovão. E jamais encontraria misericórdia.

A medida que se afastavam do nefasto local, a necessidade de se colocar em segurança foi deixada de lado. Thor estava prestes a comentar sobre o que ocorrera quando ouviu uma exclamação abafada. Virou-se para o lado e flagrou o moreno tentando limpar a sujeira do rosto desesperadamente.

– O que foi? – Thor indagou – A lama está secando...

– Eu sei – Loki respondeu com o tom rouco repleto de repugnância – Você viu, irmão? Aquele troll...

O loiro franziu as sobrancelhas diante da expressão facial que também refletia nojo.

– "Aquele troll"? Qual deles?

– O primeiro de todos – além de enojado Loki pareceu irritado e ofendido – Maldição, Thor. Eles usavam aquele pântano como banheiro!

Por um segundo o mais velho pareceu confuso com a frase. Logo a cena do primeiro contato veio-lhe a mente, com o pobre e desavisado troll prestes a descer a calça.

Então os olhos azuis analisaram a face magra de Loki, preta de tanta lama. As roupas elegantes também estavam sujas, assim como as mãos de dedos magros. Nem os cabelos, sempre cuidadosamente penteados, escaparam, na verdade algumas mechas caiam grudentas de barro pelo rosto irritado. Não havia, além dos olhos esmeralda, parte limpa no caçula.

Thor fez a única coisa que podia: fechou os olhos, jogou a cabeça pra trás e gargalhou.

T&L

Eles já caminhavam a um tempo significativo. Loki ia a frente, mal humorado e se recusando a falar com Thor que rira de sua tragédia.

Thor ia três passos atrás, com as mãos cruzadas atrás da cabeça, divertindo-se um bocado com a situação. Não era todo dia que se via o arguto deus-mago em maus lençóis, literalmente falando.

Os olhos azuis e serenos permaneciam grudados no caçula, aproveitando para admirar todo o possível daquele corpo magro e elegante, que se movia de forma felina e sedutora, mesmo que sem intenção.

Ou talvez os passos duros e curtos, reflexo da raiva que Loki sentia, parecessem sedutores apenas aos olhos de Thor, graças ao amor que o mais velho sentia.

Thor estava tão perdido em seus pensamentos contemplativos que quase se chocou com o outro, quando Loki parou de súbito e sem aviso prévio.

– O que foi?

O moreno sorriu torto. Chamou o mais velho com um gesto de mão e aproximou-se de uma das árvores que não parecia tão podre quanto as outras. Estendeu a mão suja de lama e fez os ramos escuros se agitarem.

Surpreso Thor sentiu um calor agradável envolvê-los. Parecido com a sensação de quando estavam com os Muspel, mas ainda assim diferente. Ao mesmo tempo trazia um quê de familiaridade, como se o deus do trovão reencontrasse algo conhecido previamente.

– Yggdrasil – Loki informou – a árvore cósmica que está em todos os lugares do universo.

– Aqui também? – Thor surpreendeu-se quando a árvore mudou de forma, deixando de parecer-se com uma árvore e ganhando contornos de raiz, transparente e brilhante que se erguia pelo ar até desaparecer rumo ao céu sombrio, respondendo ao contato estabelecido com Loki.

– Sim, irmão. Yggdrasil tem folhas, frutos e raízes em todos os reinos. Mas apenas os pontos das raízes criam portais, você só precisa entrar em sintonia com ela. É assim que eu consigo ir de um reino a outro sem usar Bifrost. Basta achar o ponto em que uma raiz está alojada e abrir uma passagem.

Thor sorriu pela astucia e conhecimento de Loki que pareciam ilimitados. Nem perguntou como o caçula descobrira aquilo. Cada um deles tinham suas qualidade, características e pontos fortes. Loki não era dotado de força física como a sua, mas a inteligência acirrada compensava.

Fora Thor que, praticamente sozinho, os livrara dos trolls. Mas isso de nada adiantaria sem os conhecimentos do moreno que os levaria em segurança para casa. Ambos se completavam, por isso eram tão perfeitos juntos.

Dando um passo a frente Thor envolveu o corpo do mais jovem com seus braços, pouco se importando com a lama que secara quase completamente. Loki sorriu e aconchegou-se no abraço.

A raiz de Yggdrasil moveu-se a principio lentamente e então de forma mais ágil, começou a envolver o corpo dos irmãos, tocando-os. E o contato não foi áspero como seria de se esperar. A raiz parecia suave como tâmaras e pêssegos, fresca e macia. Pequenas ramificações despontaram. A árvore cósmica alimentou-se das boas sensações emanadas dos asgardianos e pulsou feliz, correspondendo a altura.

No instante seguinte Yggdrasil estremeceu e os dois irmãos desapareceram.

Continua

É isso, leitores gatos.

Eu faria os dois chegando a Asgard e fim. Mas como a marida deu uma luz mágica acabou que se esticou um pouco mais...

Rsrsrsrsr

Não tenho muito o que falar aqui, só que já estou sentindo saudades... snif...

Vejo vocês na próxima segunda.

PS: Nieryka, mulher, dê sinal de vida! To preocupada com você!