Título: Lessons In Love

Autora: Blanche Malfoy

Tradutora: Celly M.

Beta da Tradução: Blanche Malfoy

Sumário: Encarando seus próprios demônios, Harry não percebe quão solitário seu filho é. Quando James Potter, seu filho de 16 anos, volta para Hogwarts, para seu sexto ano na escola, ele encontra um aluno transferido, que pode ser o que ele precisa para se abrir para a vida. Mas o que Harry irá dizer quando souber que seu filho se apaixonou por outro garoto?

Retratação: obviamente, os eventos descritos aqui pertencem à Blanche. Eu só traduzi. Por conseqüência, os personagens aqui descritos, com a exceção dos criados por ela, pertencem à J.K. Rowling e associados.

Agradecimentos: como não poderia deixar de ser, eu faço aqui minha habitual reverência à uma das escritoras que mais admiro no fandom de Harry Potter. Além de minha amiga, a Blanche é uma daquelas autoras que simplesmente escrevem bem, sem firulas ou rodeios.

Capítulo 14:

— Eu não posso acreditar que você e James foram tão irresponsáveis assim! Você vai consertar isso agora, Lucius! Não me importa o que faça, Potter não pode ver a minha vassoura! Entendeu? –Draco gritou.

Lucius raramente havia visto o pai perder o controle daquela forma. Draco era normalmente tranqüilo e controlado. Ele lidava com discussões utilizando-se do sarcasmo como arma ao invés dos gritos desnecessários. Era raro vê-lo mostrar qualquer emoção facilmente, até mesmo na frente do filho. Ele era amoroso, sim, mas era difícil para Draco expressar o que realmente estava sentindo na maioria das vezes.

Lucius não achava que Draco iria ficar muito feliz ao saber que ele havia trocado de vassoura com James, mas não esperava que o pai surtasse daquela forma. No momento em que seus planos foram mencionados, Draco ficou furioso. Ele não iria deixar mesmo Harry pôr as mãos em sua vassoura.

E Lucius sabia a razão sem ao menos perguntar. Ele sabia que Draco tinha medo que Harry visse o 'HP' gravado próximo às cerdas. Ainda assim, ele tentou convencer o pai a deixar James ficar com Foxy pelo tempo combinado. Era importante que Draco e Harry se dessem bem, pelo bem do relacionamento de seus filhos. Eles não tinham a mínima intenção de ser um novo Romeu e Julieta. Os dois queriam poder amar um ao outro com as bênçãos dos pais.

— Você não acha que está exagerando? –Lucius arriscou perguntar. — Quero dizer, eu sei que as coisas entre você e o Potter nunca foram muito...

— Lucius. –Draco suspirou pesadamente, de forma cansada. — Eu realmente aprecio muito o que você e James estão tentando fazer...Mas também temo por vocês. Existe uma coisa que vocês não devem esquecer: Potter e eu jamais seremos amigos. Existem muitas...coisas...entre nós. Coisas ruins. Coisas terríveis.

Lucius sentiu a curiosidade crescer ainda mais dentro de si; ele realmente tinha vontade de saber o que havia acontecido entre o pai e Harry.

— Que coisas?

— Coisas que eu te direi um dia. Não hoje. Não no Natal, por Merlin! Então, pelo bem do nosso Natal, escreva para James e peça a ele para não mostrar a vassoura para o Potter e para trocá-la novamente pela dele. Se Potter vê-la...Merlin...Eu nem quero pensar nisso... –Draco ficou extremamente pálido diante daquela hipótese.

— Por quê? Porque você tem medo que ele vá ver o HP escrito nela? –o rapaz perguntou, de forma audaciosa.

Naquele mesmo instante, o rosto de Draco ficou extremamente avermelhado.

— O que... Seu moleque! O que está dizendo? Eu... Eu não faço idéia do que está falando! –Draco ficou completamente sem palavras. Seu filho o havia pego de surpresa com aquela súbita pergunta.

— Eu sei que você fez essa vassoura pra ele inicialmente. Eu vi os desenhos. Eu li algumas das anotações...

— Merlin! –os lábios de Draco afinaram-se. Lucius podia perceber que o pai estava pensando em uma resposta, uma que não o entregasse muito. Ele estava prestes a gritar com o filho, condenando-o por ter espiado em suas coisas, por ter ousado ver uma coisa tão particular como aquela. No entanto, ele apenas falou com um sorrisinho. — Acho que é o Malfoy em você, hm?

— Não foi assim que aconteceu! Eu vi totalmente por acaso!

— As plantas do projeto daquela vassoura estavam escondidas no sótão, dentro de um baú trancado! –Draco estava fumegando. — Um lugar que eu o proibi estritamente de entrar! Há coisas perigosas guardadas lá dentro!

— Bem... –e então foi a vez de Lucius corar. — O baú não estava trancado. E não é como se eu estivesse procurando pelo projeto, eu apenas esbarrei nele...e obviamente fiquei curioso! Lá estava eu diante do projeto da vassoura mais linda de todas que já havia visto! Como poderia resistir a dar uma olhada? –ele tentava se justificar.

— Você deveria ficar de castigo!

— Eu já tenho dezesseis anos!

— E dai? Você ainda se comporta como uma criança!

— Só porque eu mandei sua vassoura pra Harry Potter dar uma olhada? Ele é dono da melhor marca de produtos pra Quadribol em todo o mundo! Ele é um expert! Você podia ganhar um bom dinheiro com a Foxy, assim não íamos precisar vender nossas jóias, mobília e objetos mágicos!

Draco sentiu um aperto profundo no peito assim que ouviu aquilo. Era verdade que os Malfoy estavam perdendo um grande montante de dinheiro durante os últimos anos devido a inúmeras dívidas, não apenas com o Governo, mas com certo número de credores também. Porém, ele não imaginava que o filho soubesse que ele estava vendendo o patrimônio nos últimos três anos para pagar suas contas, além de outras coisas. Ele sorriu amargamente. Era apenas uma questão de tempo até que Lucius percebesse aquilo.

— O que você vendeu para doar aquela quantia de dinheiro para a escola? –Lucius perguntou em voz baixa.

Draco sentou-se porque não acreditava conseguir manter-se da outra forma por mais tempo. Ele se recusava a olhar para baixo, no entanto. Ainda mantinha a dignidade intacta.

— Isso não é da sua conta. –ele declarou, seriamente.

— É claro que é! É a minha herança também!

Draco não conseguia acreditar em quão impertinente Lucius estava sendo naquele dia. Na verdade, não acreditava porque estava tão surpreso por aquele comportamento. O filho nunca tivera medo de falar o que pensava. Ele costumava desafiar o pai quando tinha apenas quatro anos de idade e Draco sempre admirou aquela qualidade nele. Lucius era esperto demais, no entanto.

E aquela era uma qualidade que Draco também temia.

— Lucius, por Merlin, será que você não entende? Isso não é pelo dinheiro! Eu prefiro morrer antes de ter que depender do dinheiro de Harry Potter! Talvez em um mundo perfeito, James poderia mostrar minha vassoura a ele, e ela seria tão boa que ele nem ao menos se importaria se Voldemort a tivesse criado! Mas esse não é o caso aqui! Potter e eu somos inimigos, ele me odeia! Ele não vai ficar nem um pouco feliz ao descobrir que James está por aí voando em uma vassoura que eu criei! Na verdade, se ele descobrir que a Foxy é sua, seu namorado vai estar com problemas. Você me contou nas cartas que ele não tem um bom relacionamento com o pai. O que você acha que vai acontecer quando Harry descobrir a verdade sobre Foxy?

Lucius mordeu o lábio inferior, ainda não vendo a gravidade da situação. O problema é que ele não sabia exatamente o que havia acontecido entre Draco e Harry e até que ponto os dois se odiavam. Ele sabia que o pai havia feito algumas coisas horríveis, mas também sabia que ele eventualmente havia feito de tudo para compensar todos os seus erros. Por que o mundo não podia ver aquilo? Por que Harry Potter não podia ver aquilo?

— Se você não fizer por mim, faça ao menos pelo James. Pelo bem dele, ligue ou escreva para ele. Eu não me importo! Mas diga a ele para não mostrar a vassoura para o Potter.

— Mas por quê? É porque ele sabe que você era apaixonado por ele no passado? –Lucius perguntou de supetão.

E Draco quase teve um ataque cardíaco. Mas ao invés de gritar, xingar, fazer um escândalo e mandar o filho para o quarto de castigo pelo restante do feriado como punição, ele apenas fitou Lucius, perguntando-se o que havia feito de errado. Pergunta estúpida. Ele sabia bem a resposta àquela pergunta. Apenas não sabia de onde o filho havia tirado aquela idéia de que ele era apaixonado por Potter. Draco não se lembrava de ter dito ou escrito sobre aquilo, ele não tinha diários. A única prova contra ele eram aquelas malditas anotações no sótão. Mas elas não eram tão comprometedoras assim.

Ou eram?

Draco fez uma careta. Quem era estúpido o suficiente para criar uma vassoura e encravar as iniciais de Potter nela? Devia estar completamente fora de si quando fizera aquilo.

"Eu estava apaixonado", ele pensou, sentindo um gosto amargo nos lábios. "Isso é classificado como loucura, certo? O amor é loucura."

— Você estava apaixonado por ele? –Lucius insistiu. — Ou você ainda é apaixonado por ele?

O mais velho mordeu o lábio inferior. Ainda mantinha a mesma postura gélida e deveria agradecer aos anos de prática com Severus. Havia sido ele quem o ensinara a manter seus pensamentos e emoções para si mesmo e sempre manter-se focado, não importava quão desesperadora a situação fosse. No entanto, ele esqueceu de dizer a Draco que quando o assunto era Harry Potter até mesmo o grande Severus Snape, com todo seu treinamento, não conseguia se manter calmo.

Harry Potter conseguia enlouquecer qualquer um.

— Lucius... –Draco começou, cuidadosamente, incerto do que dizer; ele queria poder mandar o filho calar a boca, mas conhecendo o garoto, só iria pioras as coisas. Ele nunca deixaria aquilo quieto a não ser que o pai lhe contasse a verdade. Então, uma mentira pequena era o suficiente. — Vamos dizer que eu tentei fazer as pazes com aquele bastardo, mas não funcionou. A vassoura deveria ser um símbolo do meu...arrependimento. Porém nossa trégua acabou antes que ela pudesse ter sido finalizada. Na verdade, eu acho que nunca houve momentos de paz entre nós dois. —ele completou pensativo. — De qualquer forma, isso ficou no passado e ele me odeia profundamente. Se você quer arruinar as coisas para James, vá em frente e continue com seu brilhante plano. Por que eu me importaria?

Draco podia dizer que Lucius havia ficado preocupado. Ele sentia pena do filho, e o amava mais ainda por tentar de tudo para reconciliá-lo com Harry Potter para o bem de seu relacionamento com James. Infelizmente era o dever dos pais não apenas congratular os filhos por fazer alguma coisa boa, mas também por avisá-los quando estivessem prestes a fazer algo que poderia terminar em um completo desastre.

— Então? –o Malfoy mais velho perguntou, esperando pela resposta do filho.

Lucius cruzou os braços por alguns instantes.

— Eu vou ligar para ele. –disse, em um tom quase birrento. — Mas só se você me contar mais sobre Harry Potter.

Draco suspirou, irritado.

— Vá ler um livro. Há centenas deles falando sobre Potter. Há até um poema de duzentas páginas exultando a bravura dele!

— Eu quero que você me fale sobre ele, não um livro...Você o conhecia. Eu tenho que saber tudo o que posso, será que não consegue ver isso? Eu preciso estar preparado. Vai chegar o dia em que eu terei que encontrá-lo. Ele não vai aceitar meu namoro com James. Eu sei disso. Você sabe disso. Mesmo que o James não mostre a vassoura a ele, Harry Potter vai descobrir a verdade sobre nós dois eventualmente. Então eu preciso saber mais sobre ele, eu não vou desistir do Jimmy.

Draco sorriu, puxando o filho para perto e o abraçou forte. Às vezes ele desejava ser tão corajoso quanto Lucius. Seu filho era tão diferente dele. Não tinha medo dos sentimentos, não temia lutar por eles. Se ele conseguisse manter aquela coragem intacta, o passado de Draco não iria ter a mínima chance contra o amor dele por James.

E Draco contava exatamente com aquilo para proteger Lucius da verdade.

— Eu conto a você sobre Harry Potter, mas depois do Natal, certo? Mas Lucius, quando chegar a hora para você e James enfrentarem Harry Potter, deixe que eu cuido dele.

— Você não tem medo dele?

O loiro mais velho ergueu uma das sobrancelhas, desapontado que o filho pensasse que ele era um covarde.

— Eu não tenho medo dele. Apenas gosto de evitar as coisas desagradáveis. Pelo tempo necessário...

— E no que isso ajuda? Não seria melhor se você simplesmente o encarasse de uma vez por todas?

Mais uma vez, Lucius fez com que Draco se sentisse desconfortável. Se pensassem por aquele ângulo, ele realmente parecia um covarde.

— Eu não sei se as coisas seriam melhores... Tudo entre mim e Harry é muito complicado. E não, você não pode me perguntar o que são essas coisas. –Draco interrompeu Lucius antes que ele pudesse se precipitar a fazer a pergunta. O garoto fez uma careta em resposta. — Mas eu vou te contar sobre isso eventualmente. Por enquanto, fale com James e evite uma tragédia. Certo?

Lucius suspirou, assentindo.

— Certo.

— Bom menino. Agora vamos dar uma volta na minha BMW nova. –Draco disse com um sorrisinho.

— Nós temos dinheiro para uma BMW? –Lucius perguntou, franzindo o cenho.

— Nós podemos nos mimar com um pequeno presente de Natal, certo? É Natal, no fim das contas. Além do mais, Luc, mesmo que tenhamos algumas dificuldades financeiras, não quer dizer que precisamos agir como pobres. Se vamos cair, vamos ao menos com dignidade. Eu li isso em uma tapeçaria em algum lugar aqui em casa... –Draco disse, brincalhão. — Vamos, vamos nos divertir. Ainda temos muito dinheiro para gastar e você não precisa se preocupar com isso.

Lucius então assentiu e seguiu o pai na direção da garagem onde iriam aproveitar os prazeres da nova BMW.

Os contos de amor e ódio entre Harry e Draco ficariam para mais tarde.

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— Uau! –Harry exclamou após seu décimo vôo em Foxy.

James sorriu, satisfeito. Harry estava enfeitiçado, seus olhos brilhavam, as bochechas estavam avermelhadas e ele parecia positivamente feliz. 'Incrível', 'brilhante', 'totalmente maravilhosa' e 'um sonho realizado' foram apenas algumas das palavras que ele usara para descrever Foxy. O garoto imaginou, no entanto, se o pai continuaria naquela animação ao descobrir quem havia criado a vassoura. De qualquer forma, ele só iria contar a Harry após o Natal. Não queria arriscar destruir a festa planejada, não quando ele e o pai estavam finalmente se divertindo juntos.

— Isso é inacreditável! –Harry exclamou. Ele não se sentia tão vivo desde que montara em uma vassoura pela primeira vez e descobrira o que era voar. — Estou realmente surpreso! É como se ela tivesse sido feita pra mim! Sempre sonhei em ter uma vassoura com essa qualidade, ela é tão rápida! Você tem certeza que esse cara a fez pro filho dele? Porque essa não é uma vassoura qualquer, James, é top de linha! Ela é pra profissionais, não para meros estudantes.

— Bem...o filho dele é...muito bom. –James disse, cuidadosamente, imaginando se Harry poderia ligar aquilo a Lucius. Ele não o fez. Qualquer pessoa o faria. O loiro era a única pessoa que poderia voar naquela vassoura e o pai saberia na mesma hora se visse Lucius voar ao menos uma vez.

Feliz ou infelizmente, Harry nunca havia visto Lucius jogar Quadribol, então apenas conhecia a reputação do garoto pelos outros. E já que o pai não acreditava que o Sonserino era tão bom assim, não ligou Foxy a Lucius.

— Ainda assim... –Harry começou, acariciando a vassoura como se ela fosse um animal de estimação. — A única pessoa que tem atributos em Hogwarts é você. Você é o único que tem talento suficiente para voar nela.

"Na verdade, é o Lucius", James completou, silenciosamente. Como era possível que Harry ainda não tivesse pensado naquilo? Será que ele era tão estúpido assim? Ou ele odiava tanto os Malfoy que preferia negar o talento de Lucius, ignorá-lo?

"Eu acho que é porque Draco não era tão talentoso como seu filho. O papai ficaria chocado se visse Lucius voar ao menos uma vez", continuou pensando.

— Posso mostrar ao menos ao Ron? –Harry perguntou, esperançoso.

— Não, você prometeu manter isso em segredo, lembra?

Harry assentiu, mas não parecia muito contente.

— Eu não entendo. Esse cara é obviamente o designer mais talentoso que já encontrei, acho difícil que ele não saiba o quão bom ele é. Ele tem que saber! É a criação dele, afinal de contas! E é engenhosa!

— Algumas pessoas não se importam com a fama... E algumas simplesmente não acreditam ter talento, mesmo quando têm. Eles não conseguem enxergar o quão bons são...

Harry fitou o filho intensamente, imaginando se ele falava sobre si mesmo. Na verdade, ele pensava exatamente aquilo sobre o garoto. Seu filho era tão impressionantemente talentoso, mas não acreditava em si mesmo. Harry por diversas vezes se culpava por aquilo, especialmente após o que acontecera durante o aniversário de James. Hermione com seu discurso irritante sobre ele ser uma porcaria de pai havia aberto seus olhos.

— James...quando eu exijo alguma coisa sua é porque eu não gostaria de ver seu talento desperdiçado. Você tem um talento enorme para o Quadribol. Me faria tão feliz se você pudesse apenas...acreditar em si mesmo.

— Por que você está dizendo isso agora? –o garoto o interrompeu, abruptamente. — Eu não estava falando sobre mim.

— Não estava?

— Eu sei que eu sou bom em Quadribol. Mas não sou tão bom quanto você...

— Você é ainda melhor. –Harry afirmou.

James apenas negou, iniciando sua resposta.

— Eu não sou. Você diz isso porque é meu pai. Você tem que me dizer que eu sou a pessoa mais talentosa, esperta e bonita de todo o mundo porque é isso o que os pais fazem. Não significa que seja a verdade.

— Eu não estou dizendo isso porque sou seu pai! Eu realmente acredito no seu potencial, você sobressairia sobre qualquer um com seu talento.

— Mas eu não quero. Eu não odeio mais o Quadribol como antes, mas isso não significa que eu quero me tornar um jogador famoso. Não é o que eu quero. Eu pensei muito sobre isso, pensei que meu problema com o Quadribol era porque você me forçava a jogar e fazer aquelas propagandas idiotas para sua companhia. Mas não é. Eu realmente não quero jogar! Eu não faço o tipo. –James confessou.

Harry ainda observava o filho.

— Você nunca me disse nada sobre isso. Eu não sabia que não gostava de estar nas propagandas...

— Quem gostaria, pai? Eu não me sinto à vontade sob os holofotes, eu sou tímido e odeio ser o centro das atenções. Mas você continuava me forçando a fazer as coisas que não gostava todo o tempo! Realmente me deixava irritado! Você nunca me perguntou se eu queria fazer aquelas coisas, apenas imaginava que sim...

— Por que não me disse? Eu não forçava você a fazer nada, James! Você fala como se eu fosse um monstro! –Harry pensava que era um, mas era difícil admitir em voz alta. — Eu via talento em você e não queria vê-lo desperdiçado. Se você tivesse me dito...

— Se eu tivesse dito como me sentia, você ficaria desapontado comigo. –o garoto falou, abaixando a cabeça.

— Eu não ficaria! –o moreno imediatamente negou.

— Você ficaria! Eu tinha medo... tinha medo que...que você me odiasse. Você mal falava comigo, pai. Mal passava o tempo comigo e o tempo que ficávamos juntos você só falava sobre Quadribol e seu trabalho idiota! Nunca era sobre mim, era sempre sobre você. E a coisa mais triste é que eu não sei nada sobre sua vida. E você mal sabe sobre a minha. Você nunca se importou em saber, só via o que queria. Estava tão preso ao seu próprio mundo que não percebia o que estava acontecendo comigo.

James tinha lágrimas nos olhos. Na verdade, não esperava que a conversa entre eles tomasse aquele rumo tão depressa, mas agora que havia começado, ele precisava se livrar de todo o veneno de uma vez por todas.

— Há tantas coisas que você não sabe sobre mim... –o garoto disse, suavemente. — Sabia que eu sou o melhor aluno em Herbologia, Astronomia e Estudo das Runas Antigas?

— É claro que eu sei. –Harry começou, emocionado. — Neville nunca pára de falar sobre você sempre que nos encontramos, ele acha você ótimo. Os Professores Angel e Niles também o elogiam muito, eu sei sobre o seu sucesso. Eu sei que você é um aluno excelente. É só...

— Droga nenhuma! Você tem vergonha de mim porque eu faço mais o estilo acadêmico que o esportista que deseja que eu seja. Você sempre me olha como se estivesse profundamente desapontado. Você faz com que eu me sinta um fracasso... –desabafou James.

Harry estava completamente chocado. Não fazia idéia de que James se sentia daquela forma. Era óbvio agora porque o filho o odiava tanto. Suspirou profundamente, caminhando na direção do ruivo cuidadosamente, o coração pesando dentro do próprio peito. Suas mãos suavam quando ele tocou os cabelos do filho carinhosamente, quase como se temesse que o filho pudesse retesar e sair correndo.

O garoto não teve reação alguma, no entanto. Ele apenas fitou o pai em retorno, os enormes olhos verdes implorando por entendimento e amor.

O ódio que Harry sentia de si mesmo aumentou. Se ele tivesse morrido ao invés de Ginny...Como homem de negócios e jogador de Quadribol, ele era o melhor. Mas como pai, ele era terrível. Ginny teria feito um trabalho muito melhor criando James. Ela nunca o teria feito se sentir abandonado e sem amor, como Harry fez.

O moreno notou as lágrimas que corriam dos olhos do filho livremente e secou-as imediatamente.

— Não chore... Parte meu coração ver você chorar... –Harry murmurou. — Eu nunca quis magoar você. Você precisa saber disso.

— Você também está chorando. –James retrucou, tocando o rosto do pai.

Só então Harry percebeu que estava chorando também. Ele segurou a mão de James, apertando-a suavemente. Então o abraçou da mesma forma, não querendo soltá-lo em hipótese alguma.

— Eu não acho que você seja um fracassado. –ele murmurou, emocionado. — Você é a única coisa boa na minha vida, você é perfeito e eu te amo. Sinto muito se fiz com que pensasse diferente, sinto tanto por ser um idiota. –e ele beijou as bochechas do filho carinhosamente. — Eu sou muito ferrado, mas isso não tem nada a ver com você.

— Você nunca me contou como foi na época da Guerra... Nunca me falou sobre a mamãe...

Harry mordeu o lábio inferior com força. Ele ainda não queria falar sobre aquilo, mas não podia negar nada ao filho quando ele parecia estar tão triste.

— É porque...dói muito falar sobre sua mãe...Quanto à Guerra...foi tudo muito horrível. Você sabe como são as Guerras. Muitas pessoas morrem por motivos idiotas. Eu perdi pessoas que eram muito preciosas para mim por causa de Voldemort. Perdi meus pais, meu padrinho, o maior mentor que já tive, alguns bons amigos, minha esposa... Eu acho... acho que só estava querendo protegê-lo ao não falar sobre essas coisas.

Harry fez uma pequena pausa, suspirando profundamente.

— Nós vivemos em um mundo pacífico agora, eu não quero que meu passado te ofusque. Eu queria que vivesse uma vida normal e no final das contas acabei estragando tudo. –ele disse, arrependido. — Tudo o que fiz até agora foi para protegê-lo. Foi por amor e preocupação pelo seu futuro. Eu sou culpado por amá-lo tanto que não sei como demonstrar meus sentimentos de forma apropriada. Você não faz idéia como tenho medo de perdê-lo. Você é meu mundo, James, então, por favor, não diga que você é uma decepção. Você é meu orgulho, eu me orgulho de cada pequena coisa que faz. Tenho orgulho de quem você é.

Então foi a vez de James abraçar o pai com força. O homem de cabelos escuros fechou os olhos e aninhou o filho nos braços por um longo tempo.

— Você ainda me odeia? –Harry perguntou.

— Não. –o garoto respondeu, em um suspiro. — Eu só disse aquilo porque você me machucou, mas eu não te odeio.

Harry sorriu, aliviado. Seu coração não doía tanto após aquilo, finalmente podia sentir que as coisas entre eles estavam começando a entrar nos eixos.

— Eu quero saber mais sobre a mamãe e sobre a Guerra. –James disse, olhando o pai em expectativa. — Essa é uma forma de conhecer você também. Eu realmente quero saber tudo sobre você, pai.

O moreno beijou a testa do filho, ajeitando os cabelos dele.

— Tudo bem, mas eu preciso de algum tempo, isso não é fácil pra mim.

Eles foram interrompidos, no entanto, pela chegada tumultuada de Dobby. A pequena criatura apareceu correndo como um louco com um celular que vibrava em suas pequenas mãos. O elfo arfava ao entregar o telefone a James, as enormes orelhas baixas. Dobby tinha um horror à tecnologia Trouxa e odiava atender ao telefone.

— O telefone estava movendo há algum tempo, pequeno Mestre, mas não sabia o que fazer! –Dobby exclamou. — Eu sinto muitíssimo em interromper, mas ele não parava de tremer sobre a mesa! Assustou os outros elfos... –a criatura fitou Harry desculpando-se com um olhar, como se soubesse que havia interrompido alguma coisa importante. Conhecendo o elfo, o moreno tinha quase a certeza de que ele os estivera espionando.

O pequeno celular parou de vibrar por alguns instantes, mas segundos depois, novamente recomeçou, permitindo que James pudesse ver quem era. LM. Ele mordeu o lábio inferior, desviando o olhar para o pai. Então disse:

— Sinto muito, mas eu preciso atender. É o Max...nós temos que discutir...algumas coisas...É pessoal...sobre uma garota que ele está saindo e...

— Está tudo bem, podemos continuar nossa conversa mais tarde. –Harry sorriu.

James realmente não queria terminar a conversa que estavam tendo tão abruptamente, não quando estavam finalmente se acertando. Mas Lucius não iria desistir até que ele atendesse. Além do mais, o garoto sentia falta do namorado e estava louco para poder contar a ele sobre o momento que havia compartilhado com o pai. Harry parecia tão diferente do frio homem de negócios que costumava ser. Com o pai sendo tão bom e aberto, talvez fosse seguro contar a ele que a vassoura que ele acabara de experimentar era de Draco e que estava namorando com Lucius fazia algum tempo.

O garoto abraçou o pai uma última vez e foi para o quarto, então podendo ligar para Lucius. O loiro atendeu na mesma hora.

— Aonde você estava? Por que não retornou nenhuma das minhas ligações? Por que só está me ligando agora? Eu te liguei tantas vezes! –Lucius exclamou do outro lado da linha.

— Sinto muito, eu estava com meu pai. –James respondeu com um sorriso. Ele não conseguia parar de sorrir daquela forma idiota, mas estava feliz demais para se importar.

— Oh...está tudo bem? –o loiro perguntou, soando um pouco preocupado.

— Sim! Está tudo ótimo! –ele afirmou, jogando-se na cama em meio a um suspiro contente. — Ele disse que não está desapontado comigo, ele disse que me ama!

James parecia uma criança que havia acabado de descobrir o mapa para um tesouro maravilhoso e Lucius sorriu com aquela imagem.

— É claro que ele te ama, bobo, eu disse isso. –retrucou.

— Você estava certo, Lucius! Ele só estava com medo. Ainda não me contou tudo, mas eu sei que ele vai. Ele está tão diferente, está mais caloroso e gentil, ele até passou o dia inteiro comigo! E nós voamos juntos, foi tão divertido. Ele não me pressionou nem nada. Pela primeira vez nas nossas vidas, nós nos divertimos juntos! –James exclamou, excitado.

Lucius desejou estar lá para ver a adorável expressão radiante no rosto de James. Ele na verdade sentia ciúmes de Harry. Sabia que aquilo era estúpido, mas não podia evitar. O loiro havia conseguido fazer o ruivo sorrir por diversas vezes, porém nunca foi capaz de fazer com que ele soasse tão feliz e excitado por alguma coisa.

No entanto, havia algo que perturbara Lucius durante o discurso de James.

— Eu fico muito feliz por você. –o loiro começou. — Isso quer dizer que ele voou na Foxy?

— É claro! Ele amou, achou perfeita! Você devia tê-lo visto, Lucius! Os olhos dele brilhavam tanto! Foxy é perfeita pra ele e tudo graças ao seu pai! Eu estou quase convencido de que não vai ter problema algum contar ao papai que a vassoura é sua.

Lucius suspirou profundamente. Ele estava genuinamente feliz por James e ao mesmo tempo triste por ser aquele a levar o namorado de volta a realidade.

— James... você não pode contar ao seu pai que a Foxy é minha. Você não pode dizer a ele que é uma criação do meu pai.

— Por que não? Você não ouviu o que eu acabei de dizer? O papai está muito mais aberto e...

— E você está sendo ingênuo. Só porque ele está sendo legal com você pela primeira vez não significa que ele vai continuar assim quando descobrir a verdade sobre nós e sobre aquela vassoura. –o loiro disse de uma só vez.

O ruivo então sentiu o coração se partir.

— Por que você está sendo tão cruel? Eu acabei de te contar que...

— Eu sinto muito, James, mas deixe-me lembrá-lo que não faz muito tempo que você estava reclamando sobre como Potter era uma porcaria de pai!

— Ele admitiu que era uma porcaria! –o ruivo contra-atacou, irritado.

— Ótimo! Mas isso não quer dizer que ele vai nos aceitar! –Lucius replicou.

— Foi você quem disse que eu deveria dar uma chance ao papai e agora está sendo pessimista!

— Eu não estou! Sou apenas realista! Você e seu pai estão se reconciliando, mas Roma não foi criada em um dia, sabia? Essas coisas levam tempo e vocês estão se redescobrindo. Isso não quer dizer que ele vai aceitar tudo o que disser a ele! Eu falei com meu pai e...

— Você falou com seu pai? Sobre o que?

— Bem, ele descobriu sobre o nosso plano e...

— Ele descobriu? –James estava quase histérico. — Por que você tinha que contar a ele?

— Eu tive que contar! Além do mais, ele descobriu tudo sozinho! –Lucius respondeu, também perdendo a paciência. — Será que pode me ouvir? Meu pai não acha que é uma boa idéia dizer ao seu pai que ele criou a Foxy. Ele aprecia o que estamos tentando fazer, mas acha que seu pai vai ficar louco com você por ter mostrado a ele a vassoura. Mas...já que ele já a viu...não mencione meu pai.

— Talvez o papai não vá se importar tanto...quero dizer, eles foram inimigos, mas seu pai trabalhou com a Ordem da Fênix!

— Eu realmente sinto muito, James. Sinto muito por estragar seu momento...Mas meu pai parecia realmente sério sobre isso. Ele acha que é melhor que você não mencione o nome dele. Ele acredita que as conseqüências vão ser severas demais e não quer que você sofra. Eu não quero que você sofra.

Pela primeira vez desde que haviam começado a namorar, James ficou realmente irritado ao ponto de sentir ódio por ele. Estava irritado porque sabia que o que o namorado dissera fazia sentido e muito provavelmente estaria certo sobre a reação de Harry.

No entanto James desejava que suas ilusões sobre o pai pudessem durar por mais tempo. Pelo menos até o fim do Natal. Infelizmente, Lucius havia destruído suas esperanças da forma mais horrível. Ele sentia que poderia chorar a qualquer momento.

— Jimmy...Você está aí? Por favor, fale comigo. –o loiro soava relutante, arrependido, ao murmurar.

— Eu...eu não sei o que dizer ao papai agora. Ele já viu a vassoura e está louco para saber quem a criou. Você é um imbecil! Por que tinha que me dizer isso agora?

Lucius suspirou profundamente.

— Porque eu tinha. Eu não quero que se machuque.

— Você me machucou, seu idiota! Muito!

— James, me escute...

— A coisa mais triste é que provavelmente você está certo e isso tudo é só uma ilusão. –James disse, desanimado. — Mas mesmo assim...agora que eu comecei, tenho que ir até o fim. Não importa quais serão as conseqüências. Eu preciso continuar...então me desculpe, Lucius, mas eu tenho que saber. Eu preciso saber tudo sobre meu pai.

O Sonserino tremeu ligeiramente e então suspirou, derrotado.

— Eu entendo. Apenas...lembre-se que ainda tem a minha Chave de Portal. E que eu te amo. Muito. E realmente sinto a sua falta.

E agora era o momento de James suspirar.

— Eu também te amo e é por isso que preciso continuar, não posso parar agora. Você me ensinou a lutar pelo que eu acredito e por quem eu sou.

— Eu sei... Mas de alguma forma, eu tenho um mau pressentimento sobre isso. Desde que eu conversei com o papai... Ele parecia muito preocupado, James. Esse ódio entre os dois é muito mais profundo e obscuro do que podemos imaginar. Algo de muito ruim aconteceu no passado entre eles. Eu tenho medo que seu pai não vá entender quando você contar a ele sobre nós dois. Mas se você tem que fazer isso, então o faça, só quero que saiba que estou aqui. Venha até mim. Você não tem que enfrentar isso tudo sozinho.

James engoliu em seco já que também tinha um mau pressentimento sobre aquela história toda. Mas algo dentro dele praticamente o obrigava a seguir em frente.

— Vou esperar até depois do Natal para contar tudo a ele e se a reação for ruim, eu prometo que vou para sua casa com a Chave de Portal. Mas...uma parte minha ainda quer acreditar que ele vai entender. Eu sei que ele vai surtar...mas talvez ele aceite com o tempo...

— Talvez, James, talvez... Boa sorte.

— Obrigado. Você também.

Ambos sorriram ao mesmo tempo, mas de forma triste.

— Eu te amo. –Lucius disse, no que James respondeu logo em seguida.

— Eu também te amo.

Continua...

Nota da Tradutora: Ah, gente, esse capítulo demorou uns dois dias além do que eu queria ter postado, mas não deixei vocês essa semana sem notícias, não é? Muito obrigada mesmo por todas as reviews e é bom demais saber que vocês não esqueceram de um fic que eu gosto tanto. Vou responder aqueles que me deixaram reviews assinadas! Aos outros, um beijo enorme e uma cerveja amanteigada! Nos vemos na semana que vem! Agora me digam – o Draco não é a coisa mais adorável de todas?

Cenas do próximo capítulo...

Uma janela explodiu, assustando a todos.

James...

Eu não sou mais seu filho e quer saber? Eu não dou a mínima! Você nunca foi meu pai mesmo, nunca se importou comigo! Mas tem alguém que se importa! MANSÃO MALFOY! -James gritou inesperadamente e desapareceu no ar.

Nota da tradutora: A Blanche tinha escolhido outro teaser pro final desse capítulo, mas eu não pude resistir em trocá-lo por esse. Acho que algumas pessoas vão enlouquecer até a próxima atualização. Alguém imagina mesmo que o Harry ia continuar nesse amor?

Nota da Autora: Hahaha Tadinho do Harry. Juro que quando eu comecei a escrever não imaginava que ele fosse ficar tão detestável. XD Mas faz parte da relação amor e ódio que ele tem com o Draco. Nem podia ser diferente! Aliás, numa fic nova que eu comecei a escrever, o Harry está ainda mais terrível, e o Draco ainda mais adorável. XD Eu adoro isso. Enfim... Espero que gostem do capítulo. Vem muita coisa por aí!