Normal: narração e fala
Itálico: pensamento
Capítulo 14.
Os dias passavam para a tripulação, que continuava preocupada, mas de acordo com o mapa que Zeke havia deixado, chegariam na casa dele em dois dias.
Numa noite, os ferimentos de Hendrik já haviam se fechado e ele decidiu tirar os curativos e as bandagens. Entretanto, algo chamou sua atenção do banheiro.
Voz: O vazio que há em mim
Ninguém nunca ira preecher
Você teve que partir
E eu não paro de sofrer
Hendrik: *curioso* De onde será que está vindo essa música?
A música o levou para a proa do navio, onde Marlene estava cantando enquanto olhava o mar.
Marlene: No meu silencio
A sua voz
Vem cantar pra mim
Você se foi
E eu fiquei assim
Tão triste sim
E estou tão mal
Como um rio que congelou
Ou que secou
E estou tão só
Noites sem estrelas e se luar
Não ter você
Me faz chorar
Noites sem estrelas e sem luar
É o que eu sou
Noites sem estrelas e sem luar.
Hendrik: *batendo palmas* Bela música! E eu achando que a Akemi que adorava cantar.
Marlene: *virando-se, assustada* Hendrik? Há quanto tempo você está aí?
Hendrik: Eu cheguei no "No meu silêncio". Mas também ouvi antes dessa parte.
Marlene tentou esconder que estava com vergonha, virando-se de volta, e tentou ignorar quando Hendrik ficou ao seu lado.
Hendrik: Você já namorou, por acaso?
Marlene: Não.
Hendrik: Então quem é a tal pessoa que partiu e te deixou sofrendo?
Marlene: Ah... minha irmã.
Marlene contou a mesma história que havia contado para Daisuke.
Hendrik: Entendi. E como é esse Vega?
Marlene: Ele é legal. Costumamos brigar constantemente, mas por mais estranho que isso pareça, nos damos bem.
Os dois já estavam perto o suficiente pra rolar um clima, tanto que teria rolado um beijo se Marlene não tivesse impedido.
Marlene: Pode parar!
Hendrik: *confuso* O que houve?
Marlene: Isso não está certo. Sou sua médica, e médicos não podem se envolver com os pacientes.
Hendrik: Não sou mais seu paciente. Já estou recuperado.
Marlene fez um check up (ou sei lá como se escreve) e viu que Hendrik realmente estava bem.
Hendrik: Será que tem alguma coisa que ainda nos impede de se envolver?
Pra surpresa de Marlene, Hendrik sorriu, coisa muito rara dele fazer.
Marlene: *sorriso leve* Acho que não.
Aquele foi o primeiro beijo dos mais sérios da tripulação, mas não passaram disso, porque alguém apareceu na proa e os interrompeu: Kuina.
Kuina: Com todos esses casais nesse barco, me sinto segurando vela. *sorriso leve* Mas fico feliz por vocês.
Como Kuina estava sem sono e não sairia dali tão cedo, só restou sentarem no chão da proa e conversarem um pouco.
Marlene: Ainda não consigo acreditar que Zeke era mesmo um príncipe.
Kuina: Incrível, não?
Marlene: Pois é. Eu achava que isso era tão impossível quanto bebês virem de ovos.
Hendrik: E eles não vêm?
As duas olharam incrédulas pra ele.
Kuina: Você não sabe de onde vêm os bebês?
Hendrik: Quando eu perguntava isso no orfanato onde eu morava, alguns diziam "de ovos" e outros, "das sementes". É de um desses lugares, não é?
Marlene: *vermelha* Ahn... não.
Ela cochichou no ouvido dele de onde vinham os bebês, o que deixou Hendrik chocado. Ele tinha imaginado de tudo, menos isso.
Marlene: *séria* Depois eu compro um livro sobre reprodução, está bem?
De repente, uma bola de canhão foi na direção do barco. Não acertou ninguém, mas o barco começou a afundar. Akemi e Daisuke acabaram acordando de susto quando outros ataques vieram e reuniram-se aos outros.
Akemi: De onde esse ataques estão vindo?
Daisuke: *apontando* LÁ VEM OUTRA!
A última bola de canhão destruiu o barco de vez e todos caíram na água, menos Marlene, que se transformou em dragão.
Kuina: *indignada* Akemi, solta o meu pescoço!
Akemi: Se eu soltar, eu afundo! Não sei nadar!
Hendrik: Como vamos chegar à casa do Zeke agora?
Marlene: Subam. Vamos voando até lá.
Todos subiram nas costas de uma Marlene transformada em dragão, antes de saírem voando dali.
