Capítulo XIII
Fechei a porta atrás de mim e respirei fundo. Precisava de algum espaço. Precisava de um minuto para entender que diabos estava acontecendo. Esta manhã pensei que tinha sido descartada como uma das muitas conquistas de Edward, e agora ele estava dizendo que queria mais?
Que porra é essa?
Por que ele estava complicando as coisas? Uma das coisas que adorava nele era que as pessoas sempre sabiam onde estavam com ele. Bom ou ruim, sempre saberia o placar. Nada sobre ele tinha sido complicado: sexo –sem complicações. Fim da história. Era mais fácil quando eu não tinha opção de ser mais considerada.
Ele tinha sido o bad boy, o cara gostoso que minha irmã brincava no quintal.
Tinha sido o objeto das minhas primeiras fantasias. E não passei a minha juventude ansiando por ele –pelo contrário, na verdade –porque sabendo que poderia cobiçá-lo, mas nunca ter uma chance, facilitou de alguma forma.
Mas agora? Podendo tocá-lo e ele me tocando, escutando ele falar que quis mais quando ele não podia, ele poderia realmente dizer isso... Coisas complicadas.
Edward Cullen não sabia o significado de mais. Não tinha admitido nunca ter sequer um relacionamento com uma pessoa de longo prazo? Nunca encontrando alguém que o mantivesse interessado tempo suficiente? Não tinha recebido uma mensagem de texto de uma de suas "não namoradas" na manhã seguinte que transamos pela primeira vez? Não, obrigado.
Porque do mesmo modo que adorava passar o tempo com ele, e era divertido fingir que poderia aprender com ele, sabia que nunca poderia ser uma jogadora. Se eu o deixar ir além da minha calça –eu o deixo no meu coração e me apaixono –iria afundar.
Decidi, na verdade, que precisava ir trabalhar, liguei o chuveiro, observando enquanto o vapor enchia o banheiro. Gemi quando entrei debaixo do chuveiro, baixando meu queixo ao meu peito e o som da água abafar o caos em meus pensamentos. Abri os olhos e olhei para o meu corpo, a tinta preta manchada na minha pele.
Tudo o que é raro é para o raro.
As palavras que tinha desenhado tão cuidadosamente em meu quadril estavam agora sangrando um no outro. Havia marcas de onde a tinta tinha raspado nas mãos dele, e toques que se alternavam entre apertões e carícias com caneta havia deixado um colar de impressões borradas entre meus seios, sobre minhas costelas inferiores.
Por um momento me deixei admirar a curva suave de sua escrita, lembrando-me da expressão determinada em seu rosto, enquanto trabalhava. Suas sobrancelhas tinham franzido, seu cabelo caiu para frente para cobrir um dos olhos. Fiquei surpresa quando não alcançou para empurrá-lo de volta, um hábito que eu poderia achar cada vez mais cativante, mas ele estava tão concentrado, atento ao que estava fazendo que ignorou isso e continuou cuidadosamente pintando as palavras na minha pele. E então estragou por perder a cabeça. E eu me apavorei.
Alcancei a bucha e cobri aquilo com bastante espuma do corpo. Comecei a esfregar as marcas, metade delas já tinham saído com o calor e o vapor, o resto se dissolvia com o sabonete que deslizava do meu corpo para o ralo.
Com os últimos traços de Edward e sua tinta lavada da minha pele e a água cada vez mais fria, saí, me vestindo rápido e tremendo com o ar frio.
Abri a porta para encontrá-lo andando pelo quarto, colocando rapidamente as roupas e um gorro na cabeça. Parecia que ele estava indo embora.
Ele tirou o gorro e se virou para me encarar.
"Porra, finalmente." Ele murmurou.
"Desculpe-me." Falei, o temperamento deslumbrante novamente.
"Não é você quem está louco aqui." Disse ele.
Meu queixo caiu. "Eu... você... o quê?"
"Você saiu." Ele falou alto.
"Para o cômodo ao lado." Esclareci.
"Continua a mesma porra, Bella."
"Eu precisava de espaço, Edward." Falei, e, como se quisesse esclarecer meu ponto de vista, saí do quarto para o corredor. Ele me seguiu.
"Você está fazendo isso de novo." Disse ele. "Regra Importante: não surtar e se afastar de alguém em sua própria casa. Você sabe o quão difícil foi para mim?"
Parei na cozinha. "Você? Você tem alguma ideia da bomba que acabou de me tacar? Eu precisava pensar!"
"Você não poderia pensar lá?"
"Você estava pelado."
Ele balançou a cabeça. "O quê?"
"Eu não consigo pensar quando você está pelado." Gritei. "Isso é demais." Fiz um gesto para seu corpo, mas rapidamente vi que era uma má ideia. "Foi apenas... Eu me apavorei ok?"
"E como você acha que eu me senti?" Ele olhou para mim, os músculos de sua mandíbula flexionados. Quando não respondi, ele balançou a cabeça e olhou para baixo, enfiando as mãos nos bolsos. Isso foi uma má ideia. A cintura da calça deslizou mais para baixo, a bainha da camisa subiu. E oh. Esse pequeno pedaço do abdômen tonificado e o osso do quadril definitivamente não estavam ajudando.
Me forcei a voltar para a conversa. "Você acabou de me dizer que não sabe o que quer. E então disse que tinha sentimentos que iam além do sexo. Eu tenho que ser honesta, não parece que tem uma boa compreensão sobre tudo o que está acontecendo aqui. A primeira vez que transamos você basicamente me ignorou, só agora me diz que quer mais?"
"Ei!" Ele gritou. "Eu não te ignorei. Eu te falei, foi chocante ter você tão arrogante."
"Edward." Falei em voz firme. "Por 12 anos eu vivi com as histórias de você e meu irmão. Vi as consequências da sua relação com a Leah, ela ficou no seu pé por meses e aposto que você não tinha ideia. Vi você passar despercebido com damas de honra ou desaparecer em reuniões familiares e nada mudou. Você passou a maior parte de sua vida adulta agindo como um cara de dezenove anos de idade, e agora você acha que quer mais? Você nem sabe o que isso significa!"
"E você sabe? De repente, você sabe tudo? Por que supõe que eu sabia que essa coisa com Leah era tão grandiosa? Nem todo mundo discute os seus sentimentos e sexualidade e sei lá mais o que, tão abertamente como você. Eu nunca conheci uma mulher como você antes."
"Bem, estatisticamente falando, isso quer dizer muita coisa."
Eu nem sequer sei de onde tudo isso estava vindo, e no momento em que as palavras saíram da minha boca sabia que tinha ido longe demais.
De uma só vez o vi parar de brigar e observei os seus ombros caírem, e o ar sair dos pulmões. Ele me encarou por um longo momento, seus olhos perderam o calor até que eles ficaram apenas... planos.
E então, ele saiu.
Andei o velho tapete na sala de jantar tantas vezes que me perguntava se estava causando uma faixa nele. Minha cabeça estava uma bagunça, meu coração não parava de bater forte. Não tinha ideia do que tinha acabado de acontecer, mas ao longo de toda a minha pele e meus músculos sentia rigidez e tensão, com medo de que eu tinha acabado de expulsar meu melhor amigo, e o melhor sexo de toda a minha vida.
Eu precisava de algo familiar. Precisava da minha família.
O telefone tocou quatro vezes antes de Leah atender.
"Bells!" Falou minha irmã. "Como está o rato de laboratório?"
Fechei os olhos, inclinando-me para a porta entre a sala de jantar e cozinha. "Bom, muito bom. Como está o produtor de bebês?" Perguntei, acrescentando rapidamente, "E eu definitivamente não estou falando sobre sua vagina."
Sua risada se exaltou na linha. "Então, continua falando sem pensar. Você vai confundir algum homem um dia, sabe disso?"
Ela não sabia da metade da história. "Como você está se sentindo?" Perguntei, desviando a conversa para águas mais seguras. Leah estava casada agora e pela primeira vez muito grávida, um tão esperado neto Swan. Fiquei surpresa que minha mãe nunca a deixou sozinha por mais de 10 minutos em uma hora.
Leah suspirou, e eu podia imaginá-la sentada à mesa da sala de jantar na sua cozinha amarela, seu labrador preto gigante se movendo para deitar-se a seus pés. "Eu estou bem." Disse ela. "Cansada pra caramba, mas bem."
"Kiddo está te tratando bem?"
"Sempre." Ela respondeu, e eu podia ouvir o sorriso em sua voz. "Esse bebê vai ser perfeito. Basta esperar."
"Claro que vai." Falei. "Quero dizer, olhe para a tia dele."
Ela riu. "É exatamente como penso."
"Vocês já escolheram um nome?" Leah estava completamente definida em não saber o sexo da sua encomenda até o nascimento. E isso fez o meu novo sobrinho ou sobrinha muito mais difícil.
"Nós limitamos mais."
"E?" Perguntei intrigada. A lista de nomes de gênero neutro da minha irmã e seu marido estava acima do limite de cômico.
"Não, não vou te contar."
"O quê? Por quê?" Resmunguei.
"Porque você sempre encontra algo de errado com eles."
"Isso é ridículo." Engasguei. Embora... ela estava certa. Até agora as escolhas de nome dela eram terríveis. De alguma forma, ela e seu marido Rob decidiram que os nomes de árvores e tipos de pássaros eram um jogo justo para gênero neutro.
"Então, o que há de novo com você?" Ela perguntou. "Como é que a sua vida melhorou desde seu confronto épico com o chefe no mês passado?"
Ri, sabendo é claro que ela quis dizer Seth, e não o papai, ou até mesmo Liemacki.
"Tenho corrido, e saído mais. Quero dizer, nós viemos para uma espécie de... compromisso?"
Leah não perdia uma. "Um compromisso. Com Seth?"
Tinha falado com Leah algumas vezes nas últimas semanas, mas evitei a minha crescente amizade... relacionamento... sei lá o que com Edward. Por razões óbvias. Mas agora precisava de conselhos da minha irmã em tudo, e meu estômago se apertou em uma bola gigante de pavor.
"Bem, você sabe que Seth sugeriu para eu sair mais." Fiz uma pausa, correndo o dedo em torno de um redemoinho esculpido na antiga cabana na sala de jantar. Fechei os olhos, estremecendo quando falei. "Ele sugeriu que eu chamasse o Edward."
"Edward?" Ela perguntou, e um momento de silêncio passou em que eu me perguntava se ela estava se lembrando do mesmo alto, lindo rapaz, que eu estava. "Espera, Edward Cullen?"
"Este mesmo." Falei. Mesmo só falar dele fez meu estômago embrulhar.
"Uau. Não estava esperando por isso."
"Nem eu estava." Murmurei.
"Então você fez?"
"Eu fiz o quê?" Perguntei,lamentando instantaneamente a forma como isso saiu.
"Chamá-lo." Disse ela, rindo.
"Sim. É meio um motivo do por que estou ligando pra você hoje."
"Isso soa deliciosamente sinistro." Disse ela.
Eu não tinha ideia de como fazer isso, então comecei com o mais simples, o detalhe mais inócuo que havia. "Bem, ele mora aqui em Nova York."
"Pensei que me lembrava disso. E? Eu não o vejo há anos, tipo estou morrendo para saber o que ele tem feito. Como ele está?"
"Oh, ele parece... bem." Falei, tentando soar o mais neutro possível. "Estamos saindo."
Houve uma pausa na linha, um momento em que quase podia ver a forma como a testa de Leah enrugava, seus olhos se estreitando enquanto tentava encontrar o sentido oculto no que eu tinha dito.
"'Saindo?'" Ela repetiu.
Resmunguei, esfregando meu rosto.
"Oh meu Deus, Bells! Você está transando com Edward?"
Gemi, e risada encheu a linha. Puxando para trás, olhei para o telefone na minha mão. "Isso não é engraçado, Leah."
Ouvi-a exalar. "Sim, isso realmente é."
"Ele era o seu... namorado."
"Oh, não, ele não era. Nem um pouco. Acho que demos uns amassos por uns dez minutos."
"Mas vamos combinar!"
"Sim, mas há tipo um tempo limite. Ou limite de base. Tipo, eu acho que nós mal saímos da primeira linha de base. Apesar de, na época, eu estava completamente preparada para deixá-lo bater com artilharia, se você sabe o que estou dizendo."
"Pensei que você estava devastada após esse feriado."
Ela começou a se matar de rir. "Calma aí. Primeiro de tudo, nós nunca estivemos juntos. Foi um amasso atrás das ferramentas de jardinagem da mamãe. Jesus, eu mal me lembro."
"Mas você estava tão chateada, nem sequer voltou para casa no verão que ele trabalhou com o papai."
"Eu não vim para casa porque tinha fodido o ano todo e precisava recuperar o atraso em créditos durante o verão." Ela falou. "E não te contei porque a mamãe e o papai poderiam descobrir e me matar."
Apertei a mão na minha cara. "Estou tão confusa."
"Não esteja." Disse ela, seu tom mudou para preocupada. "Apenas me diga, o que está realmente acontecendo com vocês?"
"Estamos saindo bastante. Eu realmente gosto dele, Leah. Quero dizer, ele é provavelmente o meu melhor amigo aqui. Nós transamos, mas ele foi estranho no dia seguinte. Então começou a falar sobre sentimentos, e só parecia que ele estava me usando como cobaia em algum tipo de estranho experimento emocional. Ele não tem exatamente o melhor histórico com as meninas Swan."
"Então você rompeu com ele porque em suas memórias de doze anos de idade, ele era o homem dos meus sonhos e me deixou de coração partido e sozinha."
Suspirei. "Isso foi só uma parte."
"Qual foi o resto?"
"Que é um galinha? Que ele não se lembra de uma fração das mulheres que já esteve e menos de vinte e quatro horas após me rejeitar, está me dizendo que ele quer mais do que apenas sexo?"
"Ok." Disse ela, considerando. "Ele disse? E você?"
Suspirei. "Eu não sei, Leah. Mas mesmo se ele quiser, se eu quiser, como poderia confiar nele?"
"Eu não quero que você seja uma idiota, então também vou desabafar aqui. Preparada?"
"Nem um pouco." Falei.
Ela continuou do mesmo jeito: "Antes de conhecer Rob, ele era um super galinha. Juro por Deus que seu pênis estava em toda parte. Mas agora? Um homem diferente. Beija o chão que eu piso."
"Sim, mas ele queria se casar." Falei. "Você não estava apenas dando para ele."
"Quando ficamos pela primeira vez juntos, eu definitivamente estava apenas dando. Olha, Bells, um monte de coisas acontece com uma pessoa com idade entre dezenove e trinta e um. Muitas mudanças."
"Vou acreditar nisso." Murmurei, imaginando ainda mais a voz profunda de Edward, seus dedos habilmente maus, seu peito largo e duro.
"Não estou falando apenas sobre o corpo masculino em desenvolvimento, sabe." Ela fez uma pausa, acrescentando: "Embora isso também. E agora que pensei nisso, você devia totalmente me enviar uma foto de Edward Cullen aos trinta e um."
"Leah!"
"Estou brincando." Ela riu gritando no telefone e, em seguida, fez uma pausa. "Não, na verdade, estou falando sério. Me envie uma fotografia. Mas realmente te odiaria por deixar a oportunidade de passar um tempo com ele só porque acha que ele sempre vai agir como um galinha de dezenove anos. A verdade é que você não sente que tenha mudado muito desde que você tinha dezenove anos?"
Não falei nada, apenas mordi o lábio e continuei a traçar a escultura da minha mãe da antiga cabana.
"Isso foi há apenas cinco anos para você. Pense como ele se sente. Ele tem trinta e um. Há muita sabedoria a ser adquirida em 12 anos, Bells."
"Saco!" Falei. "Odeio quando você está certa."
Ela riu. "Presumo que o seu pensamento lógico vem usando isso como uma espécie de campo de força contra o encanto Cullen?"
"Não muito bem, aparentemente." Fechei os olhos e me encostei contra a parede.
"Oh Deus, isso é incrível. Estou muito feliz por você ter me ligado hoje. Estou gigante e grávida e nada sobre mim é interessante agora. Isto é incrível."
"Isso tudo não é estranho para você?"
Ela cantarolou, considerando. "Acho que poderia ser, mas sinceramente? Edward e eu... Ele foi o primeiro garoto que cobicei, mas só isso. Saí fora dois segundos depois que Brandon Henley colocou seu piercing na língua."
Apertei a mão sobre os olhos. "Ah que nojo."
"Sim, não te contei sobre isso porque não queria te arruinar, e não queria que se arruinasse por mim, querendo saber como o piercing afetava a contração do músculo ou qualquer outra coisa."
"Bem, isso passou para uma conversa de cicatrizes." Falei. "Posso ir agora?"
"Oh pode parar."
"Realmente fiz uma confusão com as coisas." Gemi, esfregando meu rosto. "Leah, eu fui uma idiota total para ele."
"Parece que você tem alguma bunda para beijar. Ele é para esse tipo de coisa agora?"
"Oh meu Deus!" Falei. "Desligando!"
"Ok, ok. Olha, Bells. Não veja o mundo com os olhos de uma menina de doze anos de idade. Escute ele. Tente lembrar que Edward tem um pênis e isso faz dele um idiota. Mas um idiota fofo. E você não pode negar isso."
"Pare de ter razão."
"Impossível. Agora vai colocar sua calcinha de menina grande e consertar as coisas."
Passei toda a caminhada até o apartamento de Edward tentando dissecar cada lembrança que tinha daquele Natal, tentando conciliá-las com o que Leah tinha me contado.
Tinha doze anos e era fascinada por ele, fascinada pela ideia de ele e minha irmã juntos. Mas agora que tinha ouvido a versão de Leah dos acontecimentos daquela semana e eu tinha chegado depois, me perguntei o quanto ele tinha sido real, e o quanto meu cérebro super dramático tinha produzido. E ela tinha razão. Essas memórias tornavam muito mais fácil colocar Edward em uma caixa como o galinha em forma de homem, e quase impossível imaginá-lo fora dela. Será que ele quer mais? Ele era capaz disso? Eu queria?
Resmunguei. Tinha um monte de desculpas para pedir.
Ele não atendeu a porta quando bati, ele não respondeu nenhuma das mensagens que tinha enviado lá.
Então fiz a única coisa que consegui pensar, e recorri a mensagens de texto de piadas sujas.
B-Qual é a diferença entre um pênis e um salário?
Digitei. Quando não houve resposta, continuei.
B-A mulher sempre vai estourar seu salário.
Nada.
B-O que um peito disse para o outro?
E quando nenhuma resposta veio:
B-Você é meu amigo do peito.
Meu Deus essas eram ruins.
Decidi tentar mais uma vez.
B-O que vem depois de sessenta e nove?
Tinha usado o seu número favorito, e esperava que isso fosse o suficiente para atraí-lo.
Quase deixei cair meu telefone quando a palavra apareceu na minha tela.
E–Bochecho. Oh que merda, Bella. Isso foi terrível. Venha aqui antes de envergonhar nós dois.
Praticamente corri para o elevador.
Sua porta estava destrancada, e quando entrei, vi que ele estava no meio da preparação para o jantar, panelas fervendo no fogão, o balcão colorido na produção. Estava usando uma velha camiseta Primus desbotada, um jeans rasgado, aparentando estar bem o suficiente para comer. Ele não olhou para cima quando entrei, mas manteve a cabeça baixa, os olhos sobre a tábua e a faca na frente dele.
Passos incertos me levou por toda a sala e eu estava em suas costas, apertei meu queixo em seu ombro. "Não sei por que você me atura." Falei.
Respirei profundamente, queria memorizar o cheiro dele. Porque e se tivesse realmente feito isso, e se ele pudesse ter tido o suficiente da boba Bells e suas perguntas idiotas e atrapalhar os encontros sexuais e tirar conclusões precipitadas? Eu teria me chutado para o meio da rua há muito tempo.
Mas ele me surpreendeu, colocando para baixo a faca, e virando-se para me encarar. Parecia triste, e a culpa torceu meu estômago.
"Você pode ter tido os detalhes errados sobre Leah." Ele falou."Mas isso não significa que não tiveram outros. Alguns eu nem me lembro." Sua voz era séria, de desculpas mesmo. "Fiz algumas coisas que não me orgulho. Isso tudo é um tipo de aproximação comigo."
"Acho que é por isso que a ideia de você querendo mais me aterrorizava." Falei. "É que tem sido tantas mulheres em seu passado e posso dizer que você não tem ideia de quantos corações quebrou. Talvez não tenha ideia de como não quebrá-los. Eu gosto de pensar que sou esperta demais para me colocar nesta posição."
"Eu sei." Ele disse. "E tenho certeza de que isso é parte do seu charme. Você não está aqui para me mudar. Só está aqui para ser minha amiga. Faz com que eu pense mais sobre as decisões que tenho tomado, do jeito que nunca fiz antes, e isso é uma coisa boa." Ele hesitou. "E admito que fiquei um pouco envolvido em nosso momento pós-transa... Eu só me empolguei."
"Está tudo bem." Estiquei para beijar seu queixo.
"Só amigos é bom para mim." Falou. "Amigos que fazem sexo é ainda melhor." Ele me puxou de volta para encontrar meus olhos. "Mas eu acho que é um bom lugar para ficar por enquanto, ok?"
Tentei ler a expressão dele, entender por que parecia estar tão cuidadoso considerando cada palavra que falava.
"Sinto muito sobre o que falei." Disse a ele. "Entrei em pânico e falei algo doloroso. Eu me sinto uma idiota."
Ele estendeu a mão, enganchou um dedo no meu cinto, e me puxou para ele. Fui voluntariamente, sentindo a pressão de seu peito contra o meu.
"Nós dois somos idiotas." Ele falou, e seus olhos caíram para a minha boca. "E só pra que você saiba, estou prestes a beijá-la."
Balancei a cabeça, empurrando os meus dedos para trazer minha boca para a dele. Não era realmente um beijo, mas não tinha certeza do que mais podia chamar isso. Seus lábios roçaram os meus, cada vez com um pouco mais de pressão do que antes. Sua língua lambeu suavemente, quase sem tocar antes que ele me puxasse para mais perto, mais profundo. Eu o senti enfiar os dedos sob o tecido da minha camisa e ficar lá, descansando na minha cintura.
Minha mente estava de repente girando com ideias do que eu queria fazer com ele, quanto mais perto estava, mais precisava estar. Queria sentir o gosto dele, tudo dele. Queria memorizar cada linha e músculo.
"Quero chupar seu pau." Falei, e ele me puxou de volta, apenas o suficiente para avaliar a minha expressão. "De verdade dessa vez. Como, fazendo com que você tenha orgasmo e tudo mais."
"É?"
Balancei a cabeça, esfregando meus dedos sobre a linha de sua mandíbula. "Mostre-me como ser demais nisso?"
Rindo,ele falou. "Meu Deus, Bella." Silenciosamente em outro beijo.
Já podia sentir que estava duro contra meu quadril e deslizei minha mão pelo seu corpo até a palma dele. "Ok?" Perguntei.
Olhos arregalados e confiantes, ele pegou minha mão, me levando para o sofá. Hesitou por um momento antes de se sentar. "Eu tô fora, se você continuar olhando para mim desse jeito."
"Não é esse o objetivo?" Não esperei por um convite e me ajoelhei no chão entre suas pernas. "Diga-me como você quer que eu faça isso."
Seus olhos ficaram pesados, olhando para mim. Ele me ajudou com o cinto, ajudou a empurrar sua calça para baixo de seu quadril, e observou como me inclinei e beijei a ponta.
Ele parou por um momento quando me sentei, e sondava a minha expressão. E então agarrou seu pênis na base. "Lamba da base à ponta. Comece devagar. Provocando-me um pouco."
Inclinei-me, puxando minha língua até a parte inferior de seu comprimento, ao longo da veia grossa, e lentamente sobre o aperto da coroa. Ele vazou um pouco na parte superior e me surpreendeu com sua doçura. Eu beijei a ponta, chupando mais.
Ele gemeu. "Mais uma vez. Comece na parte inferior. E chupe um pouco no topo novamente."
Beijei seu pau, sussurrando: "Tão detalhista." Com um sorriso.
Mas ele parecia incapaz de sorrir de volta, seus olhos azuis viraram tempestade com intensidade. "Você perguntou." Ele rosnou. "Estou ensinando passo a passo a você o que imaginei uma centena de vezes."
Comecei de novo, amei, amei ao vê-lo assim. Ele parecia um pouco perigoso, e ao seu lado,sua mão livre formou um punho. Queria que ele soltasse mesmo, cavando as mãos no meu cabelo, e começar a empurrar forte dentro da minha boca.
"Agora chupa."
Ele balançou a cabeça enquanto eu rodeava com os meus lábios, então a minha boca, usando a língua para acariciar um pouco.
"Chupa mais. Forte."
Fiz o que pediu, fechando os olhos por um instante e tentando não entrar em pânico com a ideia de engasgar com ele e perder o controle. Aparentemente, fiz a coisa certa.
"Ah, caralho, sim, desse jeito." Ele gemeu quando fechei os meus lábios em torno dele. "Seja descuidada... Use um pouco de dentes no eixo." Olhei para ele, para confirmar, antes de deixar meus dentes passarem em sua pele. Ele resmungou, empurrando os quadris para que ele atingisse a traseira de minha garganta. "É isso aí. Jesus. Tudo que você faz é bom pra caralho."
Era apenas o elogio que precisava para assumir, chupar mais forte e deixar acontecer, me libertar.
"Sim, oh..." Seus quadris se moveram mais duro, mais rígido. Seus olhos estavam fixos no meu rosto, as mãos empurrando o meu cabelo do jeito que eu queria. "Mostre-me o quanto gosta disso."
Fechei os olhos, sussurrando em torno dele, chupando cuidadosamente agora. Podia sentir pequenos ruídos que escapavam da minha garganta e tudo que conseguia pensar era, sim, em mais, e perder o autocontrole.
Seus grunhidos profundos e respiração agitada eram como uma droga para mim, e senti minha própria dor construindo e o prazer dele crescendo e crescendo. Nós caímos em um ritmo, minha boca e punho dele trabalhando em conjunto com os movimentos de seus quadris, e poderia dizer que estava se segurando, fazendo isso durar.
"Dentes." Ele me lembrou com um chiar, e, em seguida, gemeu de alívio quando obedeci.
Com uma mão, usou a ponta do dedo para traçar meus lábios em torno dele, e a outra enfiada no meu cabelo, me orientando e, eventualmente, me segurando no lugar enquanto cuidadosamente empurrava para cima. Contra a minha língua, ele inchou e sua mão no meu cabelo formou um punho fechado.
"Gozando, Bella. Gozando." Podia sentir os músculos de seu estômago pular e apertar, suas coxas enrijecendo. Dei a ele uma última longa chupada antes de sair, pegando-o em minhas mãos e, deslizando-o rápido e rude, o agarrando do jeito que ele gostava, apertado.
"Caralho." Alertou, chiando um suspiro quando gozou, quente em minhas mãos. Trabalhei duro por ele, continuei a puxar lenta e resistente até que era muito e ele me tirou, sorrindo enquanto me puxou para ele.
"Caralho, você aprende rápido." Ele disse, beijando minha testa, minhas bochechas, os cantos da minha boca.
"Porque tenho um excelente professor."
Ele riu, pressionando seu sorriso ao meu. "Posso garantir a você que não aprendi isso com a experiência." Ele se afastou, os olhos percorrendo cada centímetro do meu rosto. "Fique e jante comigo?"
Eu me enrolei em seu lado e balancei a cabeça. Não havia nenhum outro lugar que gostaria de estar.
