N/T: A pessoa atende e ainda recebe reclamação por causa de um cliffhangerzinho à toa hahahaha
Mais dois caps hoje pessoal :)
Twitter: black_sphynxy
Cap 14
Quinn ficou parada no armário dela, mordendo o lábio e verificando as roupas com os olhos apertados de forma crítica. Ela olhou seu vestidinho preto pensando e imaginando se haveria realmente uma oportunidade no clima de final de fevereiro para usá-lo. Ela deu de ombros antes de tirar do cabide e andar de volta pro quarto.
Will estava parado logo na porta de agasalho e camiseta. Ele estava jogando uma raquete pra cima e pra baixo, algumas vezes pegando-a logo acima do ombro esquerdo dele. "Eu estou com tanta inveja de você agora, Quinn. Você acha que você e Rachel terão tempo de ver qualquer show do Broadway enquanto estiverem lá nesse final de semana?"
Dobrando o VP cuidadosamente no local apropriado antes de colocado no topo da sua mala quase totalmente feita, Quinn balançou a cabeça pensando. "Eu acho que provavelmente teremos tempo. Eu olhei alguns lugares que nós podemos conseguir ingressos, então eu talvez leve Rachel a um show depois da audição."
"Wow," Will disse, uma nota de legítima reverência na voz dele. "Eu ainda não posso acreditar que ela está tentando Juilliard. Isso é incrível demais! Eu estaria mentindo se dissesse que o Will de quinze anos atrás não estaria um pouco com inveja, mas isso é tão legal pra ela."
"Você já a ouviu cantar?" Quinn perguntou enquanto se voltava pro armário pra pegar um par extra de jeans – só pra se assegurar.
"Eu não ouvi, mas Shelby mencionou uma ou duas vezes. Eu não posso dizer se Rachel é realmente do calibre da Broadway ou se Shelby só está sendo um parente semi parcial que ela tem todo direito a ser."
Quinn colocou a cabeça pra fora do armário e colocou a mão na maçaneta pra se manter firme. Ela esperou até Will ter pego a raquete dele de novo e mudar os olhos dele para os delas antes de dizer apropriadamente, "Ela não está sendo parcial."
"Wow..." Will disse novamente, distraindo-se com outro olhar de admiração no rosto. Se a garota fosse realmente boa assim, essa audição talvez já estivesse no papo.
Tendo se vestido previamente em roupas confortáveis pra viajar, Quinn rapidamente agarrou outro vestuário de viagem para domingo enquanto ela voltava pra cama e abria a mala. Elas tinham que sair de Lima na próxima hora pra chegar a Cincinnati a tempo de pegar o vôo direto pra Cidade, então ela estava tentando ser o mais eficiente possível. Ela estava indo pro banheiro pra pegar todas as coisas de usar no banheiro quando uma batida soou na porta do apartamento.
Sem sequer saber se era ou não Rachel (Vamos lá, Quinn, é totalmente Rachel), o coração de Quinn começou imediatamente a correr. Ela era como uma criancinha, hipoteticamente pulando de um pé pro outro enquanto os pais enchiam o carro para uma grande viagem de férias de verão ou algo do tipo.
Ela tinha borboletas e ela meio que amava isso.
"Eu vou atender," Will disse sobre o ombro, já na metade do caminho no corredor para a sala de estar antes que Quinn tivesse tempo de se virar do banheiro pra entrada. Ela continuou a agarrar as coisas dela, pretendendo parecer como se ela não estivesse totalmente tonta de excitamento em ver Rachel Berry passar pela porta.
"Eu estarei com meu celular a todo momento nesse final de semana. Eu quero que você me ligue tão logo você saia da audição pra me deixar saber como tudo foi, ok? E me ligue hoje à noite quando você chegar no hotel para que eu saiba que vocês chegaram bem. E Domingo antes de você entrar no avião!" As palavras de Shelby eram apressadas. Ela se sentia culpada, mas ela tinha que deixar Rachel na casa de Quinn e ir pra Columbus o mais rápido possível pra chegar a tempo do banquete obrigatório naquela noite. Ela estava totalmente no Modo Mãe Preocupada. Ela estava triste por não poder acompanhar Rachel, mas estava contente que alguém tão amável e digna de confiança como Quinn estaria com sua filha todo o final de semana.
"Sim, eu prometo ligar em todas as vezes que você acabou de mencionar." A voz de Rachel estava entremeada do menor traço de brincadeira e júbilo, e Shelby sorriu junto com ela antes de se esticar pelo console central e esmagar Rachel com um abraço. Rachel a sentiu fungar no seu cabelo. "Ei, sério, não chore. Você me fará chorar. Esse vai ser um final de semana magnífico, não tem nada pelo que ficar triste."
"Eu sei," Shelby soluçou, se afastando e cuidadosamente enxugando o rímel que estava escorrendo embaixo dos olhos dela. "Eu só estou tão orgulhosa de você, Rachel."
Rachel sorriu de volta pra mãe. "Obrigada por tudo." Elas trocaram sorrisos enquanto Rachel alcançava a mão de Shelby e dava um aperto. "Agora vá! Você nunca vai chegar a tempo nesse passo." Ela saiu do carro e pegou a mala do assento traseiro (era rosa choque) antes de se inclinar pra trás dentro da janela frontal abaixada. "Dirija com cuidado," ela disse suavemente.
"Diga a Quinn que eu disse o mesmo!"
Rachel rolou os olhos. "Oh, por favor. Você deve ter dito isso a ela pelo menos três vezes na noite passada. Para alguém tão confiante na habilidade dela em conseguir me manter a salvo por um final de semana, com certeza você está sendo autoritária."
"Eu sou uma mãe," Shelby replicou com um sorriso choroso. "É o que eu faço."
Elas disseram a última rodada de adeus antes de Rachel se encaminhar pro apartamento 205.
"Entre, Rachel!"
Quinn ouviu a voz de Rachel do outro cômodo antes de vê-la. "Obrigada, Sr. Schuester."
Colocando a cabeça pra fora da porta do quarto, Quinn viu a estudante dela. Rachel estava colocando a mala perto da parede enquanto Will dava a ela boas vindas.
"Eu sequer posso imaginar o quão animada você deve estar. Já faz vários anos desde que eu fui à Cidade, e eu sei que você deve estar tão excitada..." Will continuou a falar e Rachel concordou e respondeu em todos os lugares certos.
Mas seus olhos tinham visto Quinn. Will estava jogando a raquete pra cima e pra baixo enquanto continuava a falar sobre Broadway e Times Square e todas as luzes brilhantes e a ótima comida e blá blá blá. Então ele não notou quando os olhos de Rachel continuaram fixados logo acima do ombro direito dele. Ele não notou ela morder o lábio e levantar a mão esquerda no ar, lentamente balançando os dedos na direção de Quinn em cumprimento.
E quando Quinn percebeu que tinha sido pega encarando – observando – ela não correu. Ela não se escondeu. Ela não tentou fingir que ela não estava encarando – observando - de forma alguma. Ela simplesmente permitiu que suas emoções tomassem conta naquele momento.
E foram aquelas emoções que causaram o maior sorriso possível de todos os tempos a cobrir o rosto dela.
Esse final de semana era real. Esse final de semana estava acontecendo. E parte de Quinn estava flutuando ligeira pra atmosfera com a percepção de que isso fosse mais do que uma viagem para Nova York, mais do que ela acompanhando Rachel para a audição da Juilliard.
Esse era o começo de algo muito, muito maior.
Will saiu do apartamento atrás delas. Antes de fechar e trancar totalmente a porta, ele perguntou, "Vocês pegaram tudo?"
Quinn concordou. "Sim, chequei duas vezes e ainda uma terceira."
Ele riu e deu uma última rodada de 'boa sorte' e 'tenham uma boa viagem' antes de entrar no carro dele e ir em direção à academia pra um encontro amigável com o Ken.
Quinn destrancou o carro dela de forma automática enquanto elas iam em direção dele, abrindo o bagageiro remotamente. Ela levantou totalmente a mala antes de colocar a mala dela dentro. Rachel rolou sua mala rosa (chocante) e empurrou a alça pra baixo. Ela se inclinou pra pegá-la e colocá-la no bagageiro, Quinn correu pra frente. "Não, não. Deixe-me fazê-lo."
Quinn conseguiu só internamente se encolher com o quão brega ela soou.
Rachel não segurou nenhuma parte do seu sorriso extra-luminoso ao gesto. Tinha sido cavalheiresco, pra dizer o mínimo.
O vermelho nas bochechas de Quinn quando ela finalmente se colocou atrás do volante era algo que ela tentou sem sucesso culpar o vento frio. Certificando-se que sua protegia do final de semana colocasse o cinto, Quinn colocou o próprio e as dirigiu para fora do estacionamento. "Eu espero que você não se importe," Quinn disse, "mas eu tive o pior momento pra me lembrar de pegar meu casaco do teatro. Eu realmente gostaria de tê-lo para esta viagem, então eu vou fazer um pequeno desvio primeiro. Nós devemos ter ainda muito tempo pra viagem."
"Claro," Rachel rapidamente respondeu, esticando a mão para tocar com os dedos as costas da mão de Quinn na marcha. "Não é um problema." Ela quase teve que morder a língua para evitar adicionar o 'Quinn' no final da declaração dela.
Quinn rapidamente sorriu pra Rachel. Ela não moveu a mão dela, nem fez qualquer tentativa de afastar Rachel. Ela apenas sorriu pra Rachel como isso fosse uma ocorrência natural do dia a dia e retornou seus olhos pra estrada à frente.
Progresso, Rachel pensou, é uma coisa linda.
A mão dela, Quinn pensou, é tão loucamente macia.
Os pensamentos de Rachel estiveram cheios co um pouco mais do que a viagem para Nova York desde que ela recebeu a carta. Ela tinha pensado sobre seleções de música e o que ela iria vestir, ela tinha pensado sobre possíveis perguntas da entrevista e o que eles iriam dizer sobre a redação de admissão dela, ela tinha pensado sobre como seria estar longe e com Quinn por três dias. Mas seus pensamentos não eram uma bagunça gigantesca – eles eram claros, precisos e ela sabia exatamente o que ela queria.
Rachel queria Nova York.
Rachel queria que as aspirações à Broadway eventualmente se tornassem realidades.
Rachel queria Quinn Fabray.
Elas estacionaram atrás do teatro. "Oh, ótimo! Eu vejo o carro da Sherry." Ela colocou o carro em uma vaga e deixou o carro ligado. "Eu estarei de volta em alguns minutos, Rach."
Então Quinn correu em direção ao prédio, abriu a porta dos fundos e entrou. E Rachel foi deixada com os lábios entreabertos e sua respiração difícil. Um sorriso floresceu no seu rosto quase instantaneamente, e uma risada surgiu em seu peito, escapando para os confins da sua garganta antes de ela sequer perceber que a risada era de pura felicidade. Porque Quinn tinha a chamado de 'Rach', e isso tinha acontecido como se fosse a coisa mais natural do mundo inteiro.
Quando algo é certo, é só certo.
Rachel de repente teve o desejo de não esperar no carro. Ela tirou o cinto e desligou o veículo antes de entrar no edifício. Ela entrou na coxia e rapidamente fez seu caminho pro palco.
Apenas recentemente Rachel tinha realmente se tornado readaptada ao palco, readaptada com o que significava estar sob o holofote. Ela tinha cantado My Man para Quinn, e ela tinha cantado praticamente toda a música que ela conseguiu pôr as mãos nas últimas duas semanas no espelho do quarto (e para Shelby quando ela estava em casa). Mas havia algo sobre o palco – até mesmo esse palco relativamente pequeno com apenas uma luz fantasma iluminando suas costas na escuridão – que fazia Rachel se sentir como se estivesse em casa.
Quinn estava de repente andando pelo corredor no palco a direita. Rachel mudou os olhos para o único balcão de assentos quando Quinn falou. "Imagine como se sentirá quando você estiver num palco real da Broadway."
Rachel sorriu confiantemente de volta para sua... sua... professora?
Sua amiga?
Sua confidente?
Sua futura... amante?
Sua Quinn.
"Tomara!" Rachel disse simplesmente. Quinn estava parada na frente do palco agora, seu casaco dobrado sobre os braços. "Pronta pra ir?"
"Estou pronta se você estiver," Quinn respondeu. Rachel esperou que ela quisesse dizer que ela estava pronta pra algo mais do que apenas a viagem pra Cincinnati. Mas parte de Rachel sabia que Quinn queria dizer exatamente aquilo.
Uma garota podia sonhar. Mas não ainda estava começando a parecer muito com a qualquer momento, agora.
Quinn virou a página no livro dela lentamente. O papel estava áspero embaixo de seus dedos, e ela sentia mais do que ouvia o ranger da página e a menor dobradura na lombada entre suas mãos. Ela e Rachel estavam sentadas uma ao lado da outra no portão delas, esperando o número do seu grupo ser chamado para o vôo.
Olhando para Rachel, Quinn notou que a outra garota estava encarando sem se mexer para o avião que elas iriam embarcar em apenas alguns minutos. Ela colocou o livro no colo enquanto ela realmente tomava um tempo pra encarar – observar – Rachel (como se ela não o fizesse normalmente). A perna direita da morena estava balançando, mas era tão de leve que Quinn não notara antes. Suas mãos estavam firmemente cruzadas no colo dela.
Quinn tamborilou no braço de Rachel. Rachel se virou rápido, parecendo retirada de quaisquer pensamentos que povoavam sua mente. Quinn não falou, mas ela levantou as mãos e perguntou, Há algo errado?
O sorriso mais doce que Quinn já tinha visto no rosto da garota mais jovem repentinamente apareceu. Quinn não estava certa se era porque ela tinha gesticulado a pergunta pra Rachel ou porque ela fizer a pergunta, ponto. É meio bobo, Rachel respondeu. Os movimentos da mão dela eram menos confiantes do que Quinn estava acostumada a ver.
Estou certa de que não é bobo, de jeito nenhum. Por favor, me diga, Quinn gesticulou em retorno.
Rachel mordeu a parte interna da bochecha antes de finalmente soltar. Eu nunca viajei de avião antes. Eu realmente não sei o que esperar. É... ela parou como se procurasse a palavra certa ...assustador.
Quando Quinn sorriu em resposta, não era depreciador ou desprezando. Era simplesmente apoiador e compreensível, e seu coração quase convenceu seu cérebro a convencer suas mãos a puxar Rachel para um abraço confortador ali mesmo. Ficará tudo bem, Quinn gesticulou. Eu voei várias vezes. É um sentimento interessante na primeira vez, mas acho que você vai gostar.
Tem certeza?
Tenho.
Se Rachel confiava ou não nela importava mais pra Quinn do que ela se importava em admitir.
Quinn dobrou cuidadosamente seu casaco e o colocou em cima de sua mala no bagageiro do avião. Ela pegou seu livro com a mão direita de onde ela tinha enfiado embaixo do braço esquerdo. Sentando-se no banco ao lado de Rachel, Quinn afivelou o cinto dela enquanto simultaneamente notava que Rachel já tinha feito o mesmo.
Inclinando o ombro um pouco no espaço pessoal de Rachel, Quinn a empurrou levemente para conseguir a atenção dela. Tão logo aqueles lindos olhos castanhos olharam nos de Quinn, ela sabia que faria tudo para deixá-los menos temerosos. Ela estava de repente vendo aquela garota – encurralada, descoberta – do primeiro dia das aulas. Hey, Quinn sinalizou. Rachel sorriu fraco, mas foi de lábios fechados e os olhos dela não brilharam daquele jeito cativante que Quinn estava acostumada. Eu prometo que não há nada pra ter medo, Quinn tentou confortá-la.
Parte de mim entende o quão irracional estou agindo, Rachel sinalizou em resposta. Mas eu não consigo me sentir menos amedrontada por alguma razão.Ela novamente cruzou as mãos no colo e inclinou a cabeça pra trás contra o encosto estranhamente desconfortável.
Quinn de repente encontrou os olhos dela distraídos com a extensão suave da pele da mandíbula de Rachel até o adorável suéter preto com gola em v generosamente preenchido que ela estava vestindo. A pele dela era mais escura do que a de Quinn. Parecia macia, e, Quinn se sentiu mexendo-se em seu assento em direção à Rachel, cruzando o joelho direito dela sobre o esquerdo e permitindo que os joelhos quase se tocassem. Rachel, ela sinalizou o nome da garota deliberadamente. O medo de Rachel já tinha diminuído um pouco debaixo do olhar intenso de Quinn. Você tem alguma idéia do quão linda você está nesse momento? Nada pode tocar você, Rachel. Você é verdadeiramente destemida, esse vôo não é nada. Não fique com medo.
Naturalmente, Rachel se fixou na primeira declaração. Linda? Ela perguntou.
Quinn inclinou a cabeça pra trás no próprio encosto de cabeça. Foi isso que eu disse, Quinn respondeu. E eu quis dizer isso.
Os joelhos de Rachel também se mexeram e seus tornozelos estavam de repente pressionados juntos pelo material dos jeans delas. O tornozelo de Rachel cruzou sobre o de Quinn, descansando ali como se eles fossem peças de quebra-cabeça que tivessem acabado de encontrar seu par. Quinn engoliu com dificuldade, sentindo quase como se a maior parte tivesse sido sugada pra fora do avião. Ela respirou pesadamente uma vez pelo nariz dela antes dos seus olhos olharem pra baixo, notando que a mão de Rachel estava perigosamente perto da sua. Quando ela sinalizou novamente, foi parcialmente para remover sua mão traiçoeira da situação – a mão que ela sabia que estava bem desejosa de se enrolar ao redor da de Rachel se a outra garota desse o sinal a ela que isso era normal.
Supostamente eu não devia querer isso, Quinn sinalizou. Um enorme peso saiu do seu peito simplesmente porque ela tinha acabado de dizer isso! Supostamente ela não devia admitir tais coisas. Ela devia aceitar isso, claro, ela estava se apaixonando por uma aluna – que ela talvez já tivesse feito exatamente isso. Mas reconhecer isso em frente da citada aluna? Não. Ela supostamente não era pra... Ela não devia ter...
Então Rachel estava sinalizando, Mas você quer.
E o peso desapareceu de repente, porque os gestos de Rachel tinham sido uma declaração e não uma pergunta. Quinn estava de volta naquele banheiro agora com os quadris de Rachel pressionados nos seus, compartilhando o mesmo ar e o mesmo espaço e o mesmo tempo. E ela estava imaginando aqueles lábios na frente dela, respirando uma à outra. Não aindaera... era agora?
Não, não agora, mas logo. Deus, Quinn esperou contra todo o pensamento racional que isso – o que quer que isso se tornasse – estivesse chegando mais perto.
Os olhso de Rachel olharam abruptamente sobre o ombro de Quinn. Um olhar amedrontado caiu sobre suas feições, e ela estava repentinamente se afastando completamente de Quinn e cruzando os braços sobre a barriga.
Mias do que um pouco curiosa, Quinn rapidamente se virou no seu assento para ver o corredor e ver o que diabos tinha feito Rachel se fechar. Um homem de meia idade usando calças e uma camisa listrada com uma gravata nova estava encarando-as do outro lado do corredor. As defesas de Quinn imediatamente se levantaram enquanto ela se levantou metaforicamente desafiadora. "Posso ajudá-lo com algo?" Quinn perguntou alto mas ela também sinalizou as palavras.
As sobrancelhas do homem se levantaram. Não só porque Quinn o surpreendeu por falar, mas porque ela estava usando um olhar que ela tinha ensinado a Santana há anos. Haviam rumores de que Santana fez com que os fracos se urinassem, mas Quinn podia causar até mesmo aos fortes perderem suas funções corporais. "Você pode falar?" ele perguntou.
"Sim e eu posso ouvir. E eu posso ver perfeitamente bem e eu não aprecio sua encarada." Quinn não teria adicionado essa última frase, mas os olhos dele continuavam a ir de Quinn pra Rachel e vice-versa. Encarar só era ok quando era observando e quando era feito por ela mesma, não esse imbecil.
O rosto do homem virou momentaneamente, aborrecido por ter sido bronqueado por uma mulher – ou algo do tipo, Quinn tinha certeza. Ele a relembrou dolorosamente do pai dela, e, isso seria algo perto de 'insubordinação' para uma fêmea ter o enfrentado nessa situação. Entretanto, ao invés de reagir, o homem simplesmente bufou antes de se virar para sua revista Sky Mall e passou a ignorar a loira.
Quinn se ajeitou no assento, inclinando a cabeça pra trás. O avião começou a taxiar pela estrada e Quinn sentiu a pressão no braço dela. Ela olhou pra braço e então pra Rachel. Dessa vez quando os olhos dela se olharam, Quinn não viu medo. Ela conectou-se com aquelas piscinas castanhas brilhantes e sentiu o seu corpo relaxar imediatamente.
Obrigada, Rachel sinalizou. Quinn começou a balançar a cabeça e explicar que Rachel não precisava agradecer a ela, mas a garota interrompeu. Obrigada por ser meu cavalheiro de armadura brilhante. Quinn sorriu com o sentimento e Rachel continuou. Você está linda também, você sabe, quando me defende desse jeito.
Eu estava nos defendendo.
Você estava sendo protetora. Isso foi adorável.
Quinn sorriu e se inclinou de volta na cadeira dela novamente, olhando pra frente enquanto o avião começava a correr, pegando velocidade na sua ascensão pro ar. Repentinamente, a pele da bochecha de Quinn estava em chamas. Os lábios de Rachel estavam pressionados ali e Quinn pensou que o avião devia ter batido porque isso era o paraíso. Então os lábios de Rachel foram embora e sua respiração estava ali no ouvido de Quinn – como se fosse um sonho – e ela estava sussurrando, "Obrigada."
Olhando para o lado, Quinn encontrou uma nervosa – mas não assustada – Rachel, olhando pela janela enquanto o chão corria embaixo delas. Quinn tinha feito as coisas antes sem pensar ou hesitar quando dizia respeito à Rachel, e quando ela pegou a mão direita de Rachel com a sua esquerda, envolvendo Rachel em seu calor, conforto e segurança, pareceu certo e justo e relativamente inofensivo. E logo antes das rodas do avião saírem do chão, Rachel se voltou e olhou pra Quinn nos olhos e entrelaçou os dedos dela deliberadamente juntos.
O olhar de Rachel parecia muito com voar sobre as nuvens e Quinn estava estranhamente em perfeita paz com a situação pela primeira vez desde que conhecera essa magnífica jovem mulher sentada ao lado dela.
