Capítulo XIV

Machucado

Harry olhou a seu redor. Estava seguro de que devia de ter alguma armadilha e esperava uma emboscada ou que aparecesse o mesmo Dumbledore para levar ao ministério. Uma vez ali, morreria. Porque a Dumbledore não lhe convinha o ter com vida. O único que lamentava era não ter preparado a Neville de todo para o relevar, ainda que sabia que Neville podia o conseguir desde que não perdesse de vista o mais valioso. Claro que Harry não se iria sem brigar; nunca lhes faria dano a Hermione nem a Ron, mas a todos os demais lhes ia destroçar. Harry fez amago de apanhar a varinha, mas Hermione adiantou-lhe.

—Não vimos a te atacar. —Harry olhou-a aos olhos buscando a mentira. Não podia esperar que de repente Ron e Hermione cressem em ele. — Precisamos falar. —Harry tentou perceber alguma mudança na magia, algum aparecimento… Permanecia imperturbável tentando ver onde estava a armadilha. — O professor Snape tem falado conosco.

—Por que vou confiar agora em vocês quando antes nenhum dos dois confiou em mim? —Harry não tinha consertado em Ron, que parecia uma feroz enjaulada e o observava como o que em realidade era, um criminoso.

—Não nos deu nenhum maldito motivo para confiar em ti. —Ron contraiu a mandíbula. — Que queria? Seus comensais mataram a meu irmão, muitos de nossos colegas morreram, de nossos amigos, e de repente dizem-nos que é uma de essas… coisas. A quem crer?! A ti, que nunca nos falou de nada, ou a ele…

—Que também não nos disse nunca nada —concluiu Harry. — Mas creram ao professor Snape. —Hermione negou.

—Escutamo-lo. Foi fortuito. Estava no bosque. Dumbledore e ele se tinham reunido com Kingsley Shacklebolt, quem lhes assegurou que te pegariam cedo. Dumbledore disse-lhe a Shacklebolt o perigoso que era e lhe pediu que ao te pegar não te desse oportunidade, que acabasse contigo antes de que fosse demasiado tarde. —Harry negou.

—Isso não pôde lhe trazer até aqui. Eu não sou o amigo que vocês… —recordam, merecem, querem…

—Disse que também se fizesse cargo de Neville, que era demasiado tarde para ele e que como queriam se evitar problemas o melhor era que ficasse a teu lado para sempre. —Harry sentiu o terror calar em seus ossos. Estava preparado para o ódio de Dumbledore, mas não para que se estendesse para Neville nem Draco. Com pesar dava-se conta de que estava pondo em risco a vida de Neville e a de todo aquele que se lhe acercasse.

—Falamos com Snape. —Ron baixou a mirada. — Contou-nos que você tratava de deter a Dumbledore, que sabia que o Dumbledore que ia acordar não seria o mesmo que conhecíamos. —Nunca o conheceram realmente, pensou Harry. — Perguntou-nos que se voltávamos a estar de teu lado e nós… Em realidade não há muito onde escolher. Não confiamos em ninguém, mas também não queremos que lhe passe nada a Neville, por isso estamos aqui… Por ele. —Harry assentiu. Ron tinha-lhe ressentimento. Isso era o que os segredos geravam e odiava a Dumbledore por isso.

—Querem ver a Neville? —Hermione assentiu. — Vamos.

Levou-os até as ruínas enquanto analisava as razões pelas que quereriam lhe unir. A verdade era que seguia desconfiando e que não queria se arriscar com eles. Traçou um plano alternativo, um com o que não ficariam dúvidas sobre as intenções de Ron e Hermione para estar ali. Dumbledore tinha todo tipo de planos escondidos de modo que agora mesmo podia estar no meio de uma teia de aranha ou entrando nela.

Hermione baixou primeiro. Ron parecia cuidá-la do mesmo Harry. Neville e Draco seguiam falando quando os viram chegar.

—Que… —Neville se pôs de pé e Hermione lhe abraçou.

—Está bem —disse ela. Ron acercou-lhes, já um pouco mais sereno. Harry, enquanto, olhava a cena.

As coisas tinham mudado. Estava seguro de que Ron sabia tudo o que Neville tinha feito por sua irmã. Hermione e Ron não viam nele um possível perigo como o viam no próprio Harry. Marchou-se de ali para dar-lhes espaço. Era o melhor.

\*\*\*\*\*\

Neville estava surpreendido pela reação. Em realidade eles nunca o tinham tomando em conta, talvez nem sequer Harry o tinha feito. Durante muito tempo tinha admirado a Hermione; era uma garota brilhante e depois, com o tempo, tinha-se voltado uma garota linda que talvez deleitava seu aspecto por não se fixar nele. No entanto, nesse momento sentia-se valorizado por eles, o qual era igual de raro.

—Que fazem aqui? —Neville não podia deixar de se sentir nervoso por sua atitude.

—Temos vindo a por ti —espetou Ron. — Dumbledore quer-te morto. Dissemos-lhe ao Exército e Ginny decidiu que tínhamos que vir a por ti. —Neville negou.

—A por mim? E Harry? —Hermione olhou a Ron como se lhe estivesse fazendo a mesma pergunta.

—Não sabemos se é Harry —disse Ron enquanto Hermione negava com a cabeça. — É verdadeiro, nós o vimos. O tempo todo esteve comportando-se raro. Não podemos nos arriscar. Dumbledore está mau, mas, quem nos diz que seguir a Harry é o correto? Precisamos livrar-nos de tudo isto, precisamos nos proteger e…

—Fazer o correto sem importar quem esteja conosco —disse Neville enquanto se separava deles. — Não podemos confiar em Dumbledore, isso é seguro, mas não confiar em nós é absurdo e nos levaria à destruição.

—Harry não confiou em nós. —O rancor era evidente na voz de Ron.

—Vocês também não confiaram nele. E esta não é a primeira vez. Em quinto curso ocultaram-lhe coisas, deixaram de escrever-lhe e apartaram-no de vocês seguindo as ordens de Dumbledore apesar de saber que não era correto. Não me vou ir. Harry precisa-me para lutar contra Dumbledore. Se vocês não podem ver que isto é o correto então é melhor que se vão.

—Admira-lo demasiado. Ele não é o que cries —tentou o persuadir Ron.

—Não, não o é. —Neville olhou a Hermione, que parecia muito incômoda com a conversa. — É melhor que se vão.

\*\*\*\*\*\

Harry derrubou-se sobre sua cama e fechou os olhos tentando pensar em outra coisa que não fossem seus amigos lhe julgando. Não se moveu quando escutou a porta de sua habitação se abrir nem quando sentiu o peso de alguém em sua cama.

—Também decidi lhes dar um tempo a sós. Tem sido raro vê-los correr para Neville. —Harry assentiu. — Tem devido de ser duro passar neste ano contigo, te ver mudar, sucumbir ante a escuridão que te rodeava. —Harry abriu os olhos e olhou a Draco.

—A escuridão não me rodeia; vive comigo. Ainda agora, estando aqui, há noites nas que me acordo pensando que nada disto é real, que tudo foi uma armadilha. Penso que quiçá estou morto e que isto pode que seja meu inferno particular, no que acho que posso os salvar a todos ainda que já é demasiado tarde.

Draco notou-o pela primeira vez. Sim, era a escuridão colada à alma de Harry. Não era Voldemort, era algo pior porque vinha do fundo da alma de Harry.

—Está muito machucado, Potter. —Harry sorriu debilmente.

—Mais do que quisesse.

Viu-o tão claro que lhe rasgou. Era uma verdade assustadora envolvida em palavras. Olhar a Draco e dizer-lhe em voz alta fazia-o mais aterrador. Um homem é a soma de todas suas ações e Harry só podia recordar todas e a cada uma das ações que tinham corrompido sua alma até a deixar cheia de escuridão. Podia ter uma esperança? Podia existir uma luz? Harry queria convencer-se, queria confiar, queria aferrar-se à possibilidade de que sim.

—Potter, só sei que uma pessoa que se encontra em paz consigo mesma é uma pessoa capaz de fazer o bem aos demais…

Harry levantou-se e, dantes de que Draco conseguisse abrir a porta para se ir, o apanhou pelo braço para o girar. Olhou-o por um segundo. Poderia perder-se no mercúrio desses olhos, no brilhantes que eram, nessa luz que Harry reconhecia porque era a luz do repto, da luta… O beijou. Seus lábios ligaram, suaves ao princípio, mas cedo a paixão abriu-se caminho neles. Harry rodeou a cintura de Draco e ele cobriu as costas de Harry com os braços. Pouco depois Harry separou-se lentamente dele.

—Vamos —disse Draco ao escutar uns passos. — Devem de ser os outros heróis intrépidos.

Só Neville os estava esperando. Harry tentou não pensar em seus amigos lhe dando as costas. Ademais sabia que precisavam ajuda; eles três sozinhos não poderiam fazer quase nada. Estava por começar a falar quando viram aparecer um patronus com forma de nutria. Harry assomou-se à superfície e viu a Ron e Hermione rondando por ali. Saiu para que seus amigos o vissem. Foram uns segundos muito longos nos que Harry esperava que Ron e Hermione encontrassem nele algo do amigo que recordavam. Ele mesmo também precisava encontrar isso mesmo.

—Querem passar? —Ron assentiu e Hermione acercou lhe lentamente a ele. Duvidou um momento, mas terminou dando-lhe um abraço. — Vamos. —Hermione foi a primeira em baixar seguida por Ron, que ainda parecia reticente.

—Doninha, Granger. Que gosto os ver nesta maravilhosa morada. É uma lástima que aqui o destino seja salvar o mundo ou que Dumbledore nos frite a maldições. Ainda que vendo-o em retrospectiva vocês já estão acostumados a que lhes persigam com intenção de lhes arrancar a cabeça. Podemos mandar à doninha por diante, assim não perdemos demasiado.

—Cabr… —Hermione deteve a Ron.

—Malfoy, faz favor. Queremos levar a festa em paz. —Hermione tentou acalmar a Ron, que parecia sacar espuma pela boca. — Harry, temos algum plano? —Harry pensou-lhe um pouco e negou.

—Ainda não. Parece-lhes se vamo-nos à cama? Já é muito tarde.

Draco olhou-o estranhado, mas não disse nada. Claro que Harry tinha um plano, um que ia garantir a segurança de falar de seus outros planos sem que chegassem a ouvidos de Dumbledore.

\*\*\*\*\

Pela manhã levantou-se muito temporão. Fazia em uns dias tinha encontrado uma pequena gaveta cheia de frascos de poções; só eram mostras diminutas, mas não precisava demasiada quantidade. Abriu a gaveta e buscou a mostra indicada. Depois foi-se à cozinha e preparou o café da manhã. Um par de gotas no chá e depois a esperar. Neville não era uma pessoa de manhãs e Draco, pelo regular, se tomava seu tempo, de modo que para Harry não foi uma surpresa que a primeira pessoa que viu essa manhã fosse Hermione.

—Bons dias —disse-lhe enquanto tendia-lhe uma caneca de chá que Hermione aceitou sem hesitar. O primeiro gole a ela lhe soube a gloria e a Harry lhe soube a verdade. — Bom? —Hermione deu um gole mais.

—Sim. Surpreende-me um pouco que seja assim. Não te imaginava como uma pessoa que soubesse cozinhar. Imagino que nos anos ao lado de teus tios te deixaram isto. —Hermione se corou ao dizê-lo. — Sinto muito, não quis…

—Não se preocupes. Gosto da honestidade crua. De fato, é verdadeiro; aprendi a cozinhar com meus tios.

Hermione seguiu bebendo-se o chá ante a desinteressada mirada de Harry. Ao pouco tempo uniu-lhes Ron. Harry estava tendo uma grande manhã. Ron saudou a Hermione, e a ele entre dentes, e se bebeu inesperadamente todo seu chá. Harry esperou um momento para lançar a pergunta.

—Vocês estão aqui por gosto?

—Não. Quem estaria no meio disto por gosto? —Harry sorriu quando escutou uma resposta tão honesta por parte de Ron. — Isto é uma merda. Meu irmão tem morrido e nem sequer posso estar em casa com minha família porque temos que deter a um louco ou mais dois. —Hermione abriu muito os olhos.

—Não estão com Dumbledore? —seguiu perguntando Harry. Ron olhou-o.

—Não. E também não estamos contigo. —Hermione apanhou fortemente a Ron pela mão para chamar sua atenção.

—Como tens podido, Harry? —Potter envergonhou-se um pouco.

—Sinto muito, mas tem servido de bastante. —Harry apanhou rapidamente sua varinha e apontou para Hermione e Ron. — Obliviate. —Ron e Hermione piscaram, olharam a Harry e depois seguiram comendo. Com os anos Harry tinha aprendido a usar muito bem esse feitiço a curto, médio e longo prazo. O casal compartilhou uma conversa breve e amena da que Harry participou pouco.

Quando acabaram o café, Ron e Hermione se levantaram deixando a Harry só, mas não por muito tempo. Draco apareceu impecável como sempre e olhou com interesse o café da manhã. Harry estava a ponto de retirar as canecas, mas Draco chegou primeiro. Draco sempre tinha sido um portento em poções, um grande pupilo de Severus Snape, e para desgraça de Harry era das poucas pessoas que podia notar as pequeníssimas diferenças entre o veritaserum e a água.

—Veritaserum, Potter? Isto é demasiado até para ti. Supõe-se que são teus amigos.

—Tinha que o fazer. Não podia nos arriscar. —Draco negou.

—Para valer está machucadinho, Potter. Pudeste perguntar-lhes.

—E dar por fato que me diriam a verdade? Não o creio. Isto era o melhor, o mais prático. —Draco levitou as canecas e as estrelou contra o chão. — Obrigado, temos que evitar que Neville se dê conta. —Draco elevou a sobrancelha direita.

—Claro. Se Neville dá-se conta mata-te, além de dar-te um desses discursos morais que tanto gosta. Então, devo supor que já tens um plano contra o velho? Porque de outra forma não acho que tivesses sido capaz desta canalhada. Ainda que vou-me dando conta de que contigo há que se preparar para tudo.

—Tenho um plano, Draco. Vamos viajar a América. É nosso primeiro destino para encontrar uma das peças que precisamos para regressar a sua tumba.

—Maravilhoso. Encantam-me as viagens —disse Draco irônico.

\*z\*z\*z\*z\*z\

O Washington que recordava era um lugar menos coincidido e mais luminoso. Harry descobriu que sabia muito pouco desse mundo muggle. No entanto, para descobrir a primeira gema só teve que seguir as pistas que Severus tinha sugerido. A verdade era que, sem a ajuda de Severus, Harry estaria mais perdido que um grão de areia no deserto do Saara.

Os restos do barco cargueiro que tinha naufragado tinham sido levados ao Smitshsonian. Todos menos uma pequena caixa metálica na que ia uma gema de cor vermelha. Sabiam-no porque tinham-se colado ao Instituto Smithsonian e não tinham encontrado nenhum registro dessa caixa metálica. Draco sugeriu ir à raiz do assunto: as pessoas que tinham resgatado o carregamento. Casualmente a empresa resgatista encontrava-se nessa mesma cidade. Harry decidiu que era melhor que ele fizesse o interrogatório; tinha uma varinha indetectável, trazida sua época.

Por conseguinte, Harry entrou aos escritórios do grupo de resgate envolvido em sua capa, caminhou direto ao escritório do diretor e abriu a porta inesperadamente assustando ao homem.

—Que droga…? —Harry saiu da capa com a varinha em mãos. — Como demônios tens entrado? —gritou o homem. — Que se supõe que é? Um mago?

—Para sua desgraça, sim. Deprimo. —O homem soltou um grito afogado. O feitiço estava-lhe oprimindo o torso, era como se da varinha tivesse saído uma grande mão e o estivesse oprimindo. — Tinha uma caixa no embarque que tinham que levar ao Smithsonian. Onde está? —O homem negou e Harry aumentou a pressão. — Que fizeram com ela? —O homem moveu a boca e Harry afrouxou o feitiço.

—Ma… Mark D… Mark Doyle. Ele lhe levo. Íamos vender a joia no mercado negro.

—Onde está Mark Doyle? —O homem negou, mas Harry aumentou o feitiço e o homem decidiu falar.

—Halo… É um clube próximo ao distrito histórico. —Harry terminou o feitiço e o homem caiu ao chão buscando poder respirar. Acercou-se a ele e o sujeitou até prensar contra a parede.

—Espero que não me tenha mentido porque se é assim regressarei e te causarei o pior sofrimento que possa imaginar. —O homem assentiu. O último que Harry fez foi modificar um pouco suas lembranças.

Saiu do lugar e caminhou para o beco onde lhe esperavam os demais. Hermione parecia estar explicando-lhe algo a Ron enquanto Neville e Draco se mostravam expectantes.

—Pronto. Temos que ir a um clube chamado Halo.

—Preocupa-me perguntar como tem obtido a informação —disse Draco. Harry olhou-o.

—Não querem o saber. —Neville adiantou-se uns passos para Harry e lhe palmeou as costas.

—Tens razão, não queremos o saber.

\*z*z*z*z*\

As ondas da música faziam tremer o local que estava repleto de fumaça espesso e de corpos, uns dançando e outros mais bebendo na barra ou nas mesas distribuídas pelo clube. Harry tinha feito uma imagem muito clara do homem que buscavam e tinham decidido se separar em dois grupos.

Draco e Neville estavam rodeando a pista de dance. Dissimulavam dançando com outras pessoas, sorrindo-lhes e fingindo alguma taxa de juro em qualquer coisa menos no que em realidade ocupava suas mentes. Neville não se sentia demasiado bem nesse ambiente, mas tentava dissimula-lo. Entre as sombras do lugar distinguiu a um garoto que lhe sorria. Neville sentiu-se perturbado por um momento e ficou quieto, mas o garoto do sorriso brilhante acercou-lhe de forma quase felina. Em menos de um pisco viu-se envolvido por uns braços delgados e uns músculos planos que se colavam aos seus. Engoliu saliva e olhou a seu redor buscando a Draco, mas não tinha nada mais que pessoas dançando, rindo e bebendo. Neville não tinha tomado nem uma taça e se sentia bastante mareado, um pouco pelo ambiente e outro tanto pela cercania de todos os corpos… desse corpo. O garoto acercou-se-lhe um pouco mais e de repente o beijou. Neville ficou estático por um momento. Eram os lábios de um homem, era uns lábios novos, era um beijo que lhe estava levando a um lugar que Neville não entendia.

—Solta-me. —Empurrou ao garoto, que perdeu o sorriso. — Como se atreve…

—Ey, basta! —Draco acercou-se e ajudou ao garoto no chão.

—Perdão, não sabia que vinha acompanhado. —Neville fulminou ao garoto com a mirada e saiu correndo do clube sem importar-lhe a missão. Estava demasiado perturbado como para pôr atenção em nada mais.

Enquanto saía, empurrou com força às pessoas que se lhe cruzavam e depois correu a se esconder no primeiro lugar escuro que encontrou. Derrubou-se contra uma parede sentindo que algo lhe queimava mas com o que não queria lidar.

—Está bem? —Draco quis tocar-lhe o ombro, mas Neville afastou-se.

—Não… Não me toque. —Draco acercou-lhe e apoiou-se na parede a seu lado.

—Só tem sido um beijo. —Neville fechou os olhos. Tinha sido mais que isso e o sabia. — Não entendo o escândalo. —Neville contraiu o rosto. Era a maldita sensação assustadora de saber que algo que nunca pensou lhe era absortamente fascinante. E nem sequer podia sentar-se a pensar nisso porque estava no meio de algo bem mais importante.

—Deixa-me só, faz favor. —Quando Draco se foi, Neville golpeou a parede. Sentia-se frustrado em mais de um sentido.

\*\*\*\*\*\

Harry viu ao homem caminhar por um corredor afastado do contaminante ruído. O corredor estava alumiado por uma luz fluorescente que lhe cegava um pouco. O homem entrou depois de uma porta assinalada como armazém. Harry entrou justo depois dele; a capa seguia sendo indispensável para essas missões. Outro homem esperava-lhe nesse lugar e então Harry deu-se conta de que estava a ponto de vender a gema. Sacou a varinha e murmurou depulso. O homem que tinha estado esperando saiu voando estampando-se contra a parede. O homem com a gema congelou-se. Então, Harry saiu da capa.

—Incarcerous. —As sensatas envolveram o corpo do homem, que caiu ao solo deixando livre a joia. Harry caminhou lentamente para a pedra vermelha, sacou a pedra da ressurreição e viu que brilhava intensamente. — Sinto muito, mas isso é meu. —Apanhou a joia. — É uma lástima que se cruzasse com ela. —Harry apontou a varinha diretamente ao rosto do homem, que negava enquanto tentava se soltar das sensatas o sujeitavam. Quis gritar quando a ponta da varinha brilhou, mas uma sensata lhe impediu. — Para valer que o sinto…

\*\*\*\*\*\

—Vamo-nos. —Harry tomou a Hermione do braço e depois fez-lhe um sinal a Ron. Buscaram a Draco na barra e os três saíram apressadamente de ali. Chegaram ao beco onde os esperava Neville e depois desapareceram.

\*\*\*\*\*\

—Tem ela? —perguntou Draco quando chegaram a sua guarida. Harry mostrou-lhes a pedra.

—Vou dizer-lhe o ao professor Snape. — Harry estava seguro de que a notícia alegraria a Severus.

Foi a seu quarto, apanhou o pergaminho e de repente algo se escreveu nele.

"Saiam dali. Dumbledore quer fazê-los estalar…"

—Merda…. —Uma explosão fez vibrar a cada rincão da casa.

Nota tradutor:

Mas então o que esta acontecendo? Como foi que ele soube que a pedra foi resgatada por Harry?

Vejo vocês por ai

Ate breve

Fui…