Acordou ás duas da manhã com Sakura recostada em seu peito no sofá. Sem fazer nenhum movimento muito brusco, ergueu-a com facilidade e levou-a ao quarto deitando a garota na cama, retirando seus sapatos e cobrindo-a com um edredom.

Depois deixou o local. Checou na portaria, a chave reserva havia sido devolvida, mas só por garantia mandaria trocar a maçaneta no dia seguinte e ferraria com a vida do porteiro por provavelmente ter aceitado suborno.

Madara estava passando dos limites. Na verdade sempre foi assim. Lembrava-se de uma vez ter encontrado Konan no mesmo estado em que Sakura estava na noite anterior. Ela estava aflita...

Konan. A verdade é que Sakura havia feito com que ele superasse a morte dela mais fácil do que imaginava. E por mais que forçava á si mesmo á não se lembrar dela, os bons momentos que passaram juntos sempre lhe viam á mente.

Podia não ter passado com Sakura o mesmo que com Konan, porém ele não ia permitir que seu tio á amedrontasse, afinal, ela era sua e ninguém a tocaria á não ser ele.

Sakura não se lembrava de ter se deitado no quarto. Estava muito abalada ainda, de forma que quase não levantara da cama aquele dia, apenas para suprir suas necessidades. Um homem esteve ali trocando a maçaneta da porta de entrada, provavelmente Sasuke havia mandado depois de saber que o tio estivera ali. Conferiu o relógio e decidiu fazer uma ligação:

– Filha.

– Ohayou okaasan. –sentiu seus olhos encherem de lágrimas ao ouvir a voz dela.

– Sakura, o que foi? –a mãe percebeu algo.

– Nada, eu só... Estou com saudades.

– Nós também meu bem.

– Está tudo bem por aí não está?

– Por kami, não aconteceu nada inesperado depois daquela vez.

– Certo. Eu amo vocês.

– Também te amamos muito querida. -a Haruno desligou e engoliu o choro.

Quase deu um pulo quando viu alguém entrar pelo quarto, mas se acalmou quando viu que se tratava de Sasuke. Ele caminhou até ela com uma chave nas mãos.

– É sua, a chave daqui. –a rosada pegou-a e colocou sobre a mesa de canto.

– Sasuke eu não consigo entender você. Primeiro ameaça meus pais e quando outra pessoa o faz você jura prometê-los?

– Eu jamais sujaria minhas mãos com o sangue de dois inocentes, em momento algum passou por minha mente matá-los. Aquilo foi um susto para que você não me ignorasse.

– Nunca pretendeu matá-los? Então eu posso sair da sua vida agora e Madara não vai poder machucá-los também. –afirmou levantando-se.

– Espere. –segurou-a para que ficasse diante de si. – Eu não quero que você vá Sakura.

– Aí é que está Sasuke. Nem tudo gira em torno do que você quer. –tentou se soltar.

– Posso não ter a coragem de machucar seus pais, mas acha que não a tenho para machucar você? –seu tom mudou. – Madara não vai tirar mais nada de mim.

– Sasuke... –advertiu enquanto era prensada na parede.

– Por que Sakura? Por que não pode ficar aqui comigo? –quanto mais o tempo passava mais certeza ela tinha de que Sasuke um garotinho mimado.

– Ah... Deixe-me ver: porque você rouba a minha liberdade e me mantém aqui como uma boneca. –enfrentou-o olhando em seus olhos.

– Só quero proteger o que é meu.

– Não sou sua! Não existe essa de ser dono das pessoas, elas não são objetos.

– Certo. –ele bufou liberando-a. – Tenho uma conferência de negócios e só voltarei na sexta. Fique onde quiser durante essa semana, recupere sua tão querida liberdade. Porém no sábado, quero que me acompanhe á um jantar com alguns sócios.

Sakura não disse mais nada, apenas encarou-o séria.

– Você fica linda brava. –pegou-a pela nuca dando-lhe um beijo acalorado e saiu, não sem antes dizer: – Juízo Sakura, juízo.

Não podia negar que estranhou um pouco o Uchiha, ele não havia feito grande coisa, mas ao menos ela agora tinha a chave e poderia voltar para o seu apartamento.

Enquanto saia do elevador Sasuke dizia á si mesmo: "Não, eu não posso perdê-la". –por hora, daria uma folga á Sakura, seria até melhor que ela não ficasse sozinha e caso ela insistisse na ideia, teria que partir para outro plano menos conveniente.

Na faculdade, Sakura encontrou Ino logo antes do primeiro horário e contou á loira tudo o que havia acontecido:

– Hoje vou pra casa com você. –a rosada disse sorrindo.

– Está mesmo contente com isso? –Ino perguntou desconfiada.

– Não muito, porque é apenas por esses dias. Mas já vou ter um descanso daquele Uchiha. Mas por que essa cara?

– Ah Cherry pare com isso. Você sabe tanto quanto eu que bem aí no fundinho sentirá a falta dele.

– Não diga bobagens Ino! –virou-lhe as costas nervosa.

No apartamento, Ino fez questão de ficar em casa e fazer uma típica festa do pijama á duas com direito á filme, pipoca e brigadeiro.

– Tem uma coisa que todo muito esqueceu e que me intriga muito. –disse a loira do nada.

– O que é porquinha, está falando do filme?

– Não Cherry é da realidade. Ninguém, nem mesmo o Sasuke pareceu querer descobrir quem e o porquê Konan foi morta.

– Pra você ver o quanto ele é insensível. Pelo menos eu creio que não estou mais na lista de suspeitos dele.

– Mas há algo muito estranho aí Cherry. Konan poderia ter se aplicado algo, mas por que justamente as fitas do estacionamento sumiriam?

– Eu fiquei tão atordoada desde aquela noite que nunca cheguei a me questionar sobre o crime. Você tem razão Ino.

– Logo concluímos que ela foi assassinada, mas por quê? –continuou concluindo sua linha de pensamento. – Já vi Konan em muitos eventos antes. Ela não era tão conhecida, mas foi só começar algo com Sasuke e do dia para a noite estava na capa de todas as revistas. Algo assim causa inveja nas pessoas, porém geralmente não provoca assassinatos.

– Está querendo dizer que...

– O culpado pode ter feito isso por pura maldade ou para afetar alguém. Nesse caso...

– Sasuke. –a rosada completou.

– Estamos apenas supondo aqui ok? Mas se Sasuke já anunciou em meio á família e alguns conhecidos que são namorados e no sábado irão á um jantar, sabe que você logo será aceita como a nova namorada de Uchiha Sasuke, não sabe?

– Quer dizer que eu...

– Olha, Sasuke é um ótimo empreendedor, mas não muito carismático com o pessoal da alta sociedade. Digamos que ele não tenha muitos amigos em meio á ela.

– Só tem uma coisa que está esquecendo Ino: eu já recebi uma ameaça.

– Madara?

– Ele não foi preciso, mas acredite era isso que ele queria me passar.

– E simplesmente pelo fato do caso ter sido praticamente varrido e esquecido em baixo do tapete, alguém muito poderoso pode estar por trás.

– E agora, será que Sasuke não enxerga isso? –estava começando a ficar nervosa.

– Pelo fato dele ter permitido que saísse do loft por esses dias... Ele deve ter alguma suspeita, mesmo que não seja igual á nossa. Mas não adianta ficarmos nos desesperando por isso, não até termos provas e certezas verídicas.

– O que está pensando hein porquinha?

– Eu acho que não cheguei á lhe dizer, mas sabe o Gaara? Ele é investigador da polícia e me deve um favorzinho. –disse piscando um dos olhos.

– Ino isso é perfeito.

– Eu sei. E tudo isso por quê? Primeiro por estar preocupada com o bem estar da minha amiga e segundo, porque esse assassinato foi a única coisa além de sexo que me prendeu a atenção. –concluiu sorrindo.

Enquanto isso, um tanto distante dali:

– Essa é a garota. Fique de olho nela, não deixe que ninguém suspeito se aproxime certo?

– Entendido Sasuke-sama. Darei o melhor de mim para protegê-la. –o homem ruivo consentiu.

– Exatamente Jugo.

Sasuke entregou uma quantia em dinheiro ao homem, embora soubesse que aquele o ajudaria até mesmo de graça.

Jugo tinha um tamanho assustador, mas enganava-se quem o achava mais um desses brutamontes sem coração. Muito pelo contrário, ele era doce e muito bem educado. Trabalhava como segurança do Uchiha e quando sua mãe ficou doente, foi o patrão quem bancara todo o tratamento sem exigir nada em troca. E aquele era um Sasuke que de fato, poucos conheciam.

O ruivo ainda o deixou no aeroporto onde pegaria um voo para Nova Yorque. Lá o amigo loiro lhe esperava:

– Pronto?

Não respondeu, apenas sentou-se em sua poltrona e pôs-se á pensar em silêncio. Esperava que quando voltasse, tudo estivesse justamente como estava agora.