Espero que curtam, e não esqueçam de comentar!

Beijos e um excelente fim de semana para todos!

beijos.


CAPITULO XIV

Isabella despertou sentindo algo pesar sobre si, abriu os olhos espreguiçando-se lentamente.

- Bom dia!

-AAHHHH! – gritou acertando com a mão bem na boca de Edward.

-Au! – gemeu sentando-se, levando a mão ao local machucado.

-Oh meu Deus! Desculpe, mas o que está fazendo aqui? E agarrado em mim? – perguntou indignada.

-Qual o seu problema? – disse com dificuldade. – Você pediu pra que eu ficasse tá lembrada? – Isabella mordeu os lábios tentando se lembrar de quando chegou ao hotel, mas tudo que lembrava era de estar no hospital, com Esme, Rosalie e Alice.

- Como cheguei aqui?

- Eu te trouxe, você mal se aguentava em pé no hospital, te coloquei na cama e quando tentei sair, me pediu pra que ficasse... – dizia se pondo de pé. – Eu quis ficar na sala, mas você pediu pra que eu ficasse aqui, juntinho com você.

- Machucou? – perguntou se levantando, se aproximou dele com cautela. – Me deixa ver. – pediu tirando a mão dele dos lábios, que estavam um pouco inchados. – Desculpe, eu me assustei.

- Eu notei! – disse irônico.

- É que pensei que ainda estava no castelo... Felix e Caius tinham o costume de invadir o quarto onde eu estava, foi reflexo, me desculpe!

- Tudo bem, eu entendo!

-A última vez que um homem ousou tocar em mim... Quebrei o maldito nariz dele. – Edward a olhou confuso.

- Venha... – pediu o puxando até o frigobar. - Me deixa colocar um gelo nisso ai. - pegou uma pedra de gelo e a passou delicadamente sobre os lábios dele. Desculpe! – voltou a pedir, estava envergonhada.

- Não foi nada. – tentou dizer, seus olhos fixos nos de Bella.

-Obrigada!

- Pelo que exatamente? – perguntou confuso.

- Por tudo! Por me salvar, por ter ficado comigo ontem, há quase dois anos que eu não sabia o que era dormir bem.

-Disponha!

- E olha como retribuo... – meneou a cabeça bufando em seguida. - Ma sono dawero un idiota! Ai Isabella come sei stupido!Stupido! Stupido!(Mas eu sou mesmo uma idiota! Ai Isabella como você é burra! Burra! Burra!).

- No! Non sei stupido, è la donna più bella che abbia mai incontrato.(Não! Você não é burra, é a mulher mais linda que já conheci.) – Edward disse também em italiano.

- Você fala italiano? – perguntou surpresa.

- Fluentemente, não sabia que também falava.

- Aprendi as duras penas, acredite!- ele novamente riu meneando a cabeça, sentia falta daquele jeitinho destrambelhado dela. - Realmente sinto muito!

- Esquece, nem está doendo mais! – mentiu.

- Está inchado. – a jovem disse tocando o local, Edward suspirou fechando os olhos apreciando o toque. Isabella queria beijá-lo mais que tudo, mas seria certo? O que ele tinha com a tal Victória? Estariam juntos? - a jovem se afastou de repente. – Como está a moça? – perguntou do nada, o deixando confuso.

- O que?

- A moça, a tal agente... – Isabella tentava lembrar o nome. – Sanders, não é?

- Oh sim, a Victória? Está bem, você fez um excelente trabalho.

- Soube que foi vê-la ontem. - disse como quem não quer nada.

-Sim precisava acertar alguns pontos com ela, falando nisso, acredito que terá que depor no FBI.

- Fala isso por causa da morte de Aro?

-Sim, tentei assumir a responsabilidade, mas Victória...

- Como assim tentou assumir a responsabilidade? – Isabella realmente não havia entendido.

-Seria somente mais uma morte no meu currículo, quanto a você...

- Não ouse fazer isso Edward! – a jovem o repreendeu. – Não pode assumir a morte de Aro pra me livrar de um interrogatório! Foi um acidente, nem sei se fui eu ou ele quem disparou a aquela arma, sei que fiquei assustada no momento, mas vou arcar com as consequências dos meus atos. Não pode arriscar sua comprometer sua carreira na agência, por uma coisa que eu fiz.

- Desculpe, eu só queria protegê-la.

- Lhe sou grata por tudo Edward, você e seus irmãos estavam lá, me salvaram daquele crápula, eu lhe devo minha vida de novo! Mas não pode me proteger de tudo e de todos, não pode me proteger pra sempre!

- Fui descuidado e você desapareceu por quase dois anos!

- Aquilo não foi culpa sua, ou minha, foi uma fatalidade, eu só estava no lugar errado na hora errada. – falou como se fosse óbvio.

- Não deveria ter voltado, deveria ter ficado com você e...

- Você teve que voltar Edward, eles precisavam de você em Seattle, não adianta ficar lamentando, não podemos mudar o passado! Muitas coisas aconteceram, minhas prioridades mudaram e você seguiu em frente.

- Você não?

- Eu simplesmente sobrevivi, Edward! Dia após dia, sem perspectiva, sem planos, sem sonhos... – o olhar de Isabella de repente ficou perdido e Edward se perguntava o que teria acontecido a ela nesse tempo em que estiveram afastados?

-Nunca desisti de você, Bella, jamais!

-Tem certeza? Soube que encontrou uma nova companhia para suas festas e eventos, que você e a tal agente Sanders, a ruivona de olhos azuis, estão se dando super bem. – comentou

- O que está querendo dizer com isso?

- Me diz você, Edward? O que há entre você e tal Victória?

- Nada! – disse de pronto, Isabella cruzou os braços diante do peito, lhe lançando um olhar mortal. – Somo amigos e...

- Oh sim, claro! – cuspiu sarcástica. – Mais uma de suas "amigas". – Edward bufou revirando os olhos.

- Ela não é importante, nos conhecemos quando Victória entrou no caso, nos aproximamos e acabamos nos tornamos amigos e...

- Não me venha com essa! – retrucou Bella. – Vocês se envolveram Edward, não minta pra mim... Não me tome por idiota! Ela é linda e vocês formam um casal perfeito e com certeza você não precisa mantê-la escondida em uma ilha, longe de tudo e todos, não é? Com certeza pode levá-la aos jantares, festas e eventos, pode apresentá-la como sua "amiga", namorada, amante, ou o diabo que aquela mulher é sua... – Isabella estava cada vez mais exaltada. – Não me olhe assim, estou dizendo a verdade simplesmente, só falta dizer que é somente sexo!

- Bella...

- Para Edward... – pediu levando as mãos aos cabelos. – Não estou reclamando, ou mesmo cobrando algo, mesmo porque não tenho direito algum de fazê-lo, só estou sendo realista, certo? O tempo que passei com você naquela ilha, foi inesquecível, foi sem sombras de duvidas a melhor coisa que me aconteceu, e eu só tenho a lhe agradecer Edward, por tudo que fez por mim, por tudo que me ensinou, que me proporcionou e por tudo que me deu... Você não tem ideia do quanto fui feliz ao seu lado e... - Edward a calou cobrindo os lábios de Bella com os seus, sua língua ávida invadiu a boca da jovem em um beijo urgente, cheio de desejo, paixão e muita, mas muita saudade. Isabella retribuiu o beijo com a mesma intensidade, suas mãos embrenharam-se nos cabelos de Edward que a puxou ainda mais pra si, colando seus corpos até onde era possível.

- Eu te amo... – Edward sussurrou contra a pele de seu pescoço. – Te amo Bella.

- Acredite Edward, eu também te amo, mas infelizmente não há futuro para nós.

-Há, tem que haver... – disse segurando o rosto da jovem em suas mãos. – Não sabe o quanto sonhei com este momento Bella, o momento de reencontrá-la.

- Não sou digna de você!

- Não diz besteira! Você é a mulher que eu amo, a única que já amei e que sempre vou amar.

- Eu preciso ir... – Bella disse se apartando dele, Edward ficou surpreso com sua reação. – Tenho que ir...

- Como assim ir? Pra onde?

- Não posso dizer, mas prometo que volto, me dê dois dias Edward, eu só preciso de dois dias.

- Dois dias? Pra que Isabella?

- Dou minha palavra que volto em dois dias e esclarecerei tudo, até lá acha que Emmett já terá alta?

- Acredito que sim.

- Ótimo! Assim que eu voltar, nos reuniremos e esclarecerei tudo a vocês, a você principalmente, mas agora eu preciso ir.

-Quer que eu vá com você?

- Não, tenho que fazer isto sozinha, mas será que... – Isabella mordeu os lábios, estava hesitante. – Será que poderia me emprestar o dinheiro pro taxi? Eu só tenho a roupa do corpo e...

-Claro... – disse prontamente sacando a carteira, retirou algumas notas de euro entregando a ela. – Isso dá?

- Acredito que sim, eu te devolvo quando voltar, prometo.

- Tsc! Deixa de besteira Bella, só volte pra mim. – pediu voltando a beijá-la. – Venha comigo, tenho um carro alugado, pode levá-lo, é mais confiável.

- Não precisa.

- Por favor, Bella, aceita. – insistiu.

- Tem certeza?

- Absoluta!

Isabella foi se aprontar enquanto Edward subia para suíte dele, não fazia ideia do que ela faria, mas se Bella deu sua palavra, com certeza voltaria.

- Pra onde está indo?

- Siena! É tudo que posso lhe dizer, confie em mim Edward, voltarem em dois dias.

- Eu confio Bella, tome! – disse entregando a ela o numero do seu telefone. – Qualquer coisa me liga e vou me encontrar com você.

- Está bem.

A jovem saiu de Volterra por volta de onze e trinta da manhã, chegaria a Siena por volta de meio dia, meio dia e meio, o mais tardar.

- Como você pode deixá-la ir sozinha? O que há com você Edward? – sua cunhada dizia andando de um lado para outro. – O que disse a ela? Vocês brigaram?

- Não Alice!

- Se acertaram? – sua irmã Rosalie perguntou esperançosa.

- Também não, Bella me disse que precisava ir a Siena e que voltaria em dois dias...

- E acreditou? Sabe que ela pode desaparecer de novo, não sabe? – retrucou sua cunhada.

- Bella me deu sua palavra de que voltaria em dois dias, sua irmã disse que irá esclarecer tudo, Alice e confio nela.

- Edward está certo Alice, acredito que Bella nos esclarecerá tudo quando voltar. – disse Carlisle.

- Agora só nos resta aguardar o prazo que sua irmã estipulou, meu amor. – Jasper disse tentando acalmá-la.

- Tem razão, me desculpe Ed... – pediu sinceramente. – Mas é que...

- Não se preocupe Alice, eu entendo perfeitamente.

A cirurgia para a retirada da bala foi um sucesso e em dois dias Emmett teve alta, claro que ficaria um tempo de molho, em fisioterapia, mas estava novo em folha. Isabella se hospedou no San Lino, o mesmo hotel em que os Cullen estavam com Alice, depois de acomodar a todos, ligou para Edward.

"Alô?"

- Edward?

"Bella? Onde está?"

-No hotel, onde poderíamos nos reunir?

"Está em sua suíte?"

- Não, me hospedei em outra, estou acompanhada. – o telefone ficou mudo por alguns segundos.

"Acompanhada?" – Isabella sorriu ao notar a mudança no tom de voz dele.

- Como está o Emmett? – perguntou mudando de assunto.

"Bem melhor, já teve alta, mas vai ficar de molho uns meses."

-Isso é bom, eu acho! Estou na suíte 127, poderíamos nos reunir aqui, o que acha?

"Tudo bem, a que horas?"

- Hmm... Em uma hora está bom pra vocês?

"Perfeito!"

- Ótimo, até mais!

"Até mais." – o fato de Bella estar acompanhada deixou Edward incomodado e enciumado, se perguntando se ela teria encontrado alguém? Seria este o motivo para ter voltado a Siena? Alice foi a primeira a chegar, acompanhada de Jasper é claro.

- Nunca mais ouse me assustar deste jeito! Como sai assim sem me avisar? – disparou assim que a irmã abriu a porta. – O que houve com o loiro? – perguntou ao ver os longos cabelos castanhos de Bella.

-Oi pra você também, Alice! – soltou sarcástica. – Quanto ao cabelo, agora me sinto eu mesma. Oi Jasper! – cumprimentou o cunhado com um beijo e um abraço.

- Oi Bella, você está linda!

- Obrigada, mas entrem, por favor. – ao entrarem o casal notou que a sala da suíte de Isabella era conectada a outra suíte.

- Está acompanhada? – Alice perguntou encarando a porta.

- Sim, sentem-se, por favor. – a jovem pediu apontando o sofá, mas mal chegou a sentar-se na poltrona de frente para eles, pois ouviram batidas na porta.

- Acho que os outros chegaram! - anunciou Alice, Isabella foi até a porta a abrindo, eram Carlisle, Esme, Rosalie e Emmett.

- Edward disse que você queria falar conosco, você está linda, filha. – realmente Isabella estava muito bonita, seu vestido era um tomara que caia, bem acinturado com o corpete preto e a saia branca com flores em preto e vermelho na barra, ele caia um pouco acima dos joelhos e nos pés, calçava sapatilhas pretas. Seus longos cabelos castanhos caiam pelas costas, a jovem usava uma fita preta e vermelha prendendo sua franja.

- Obrigada, entre, por favor, Carlisle! Esme!

- Meu marido tem razão, você está mesmo linda!

- Desse jeito vou ficar sem graça. – brincou cumprimentando Esme com um abraço.

- Rosalie?

- Cheguei a pensar que havia sumido de novo! – disparou ao abraçar Isabella.

-Só fui resolver uns assuntos, mas como prometi, aqui estou eu.

- Ainda bem, não ouse desaparecer outra vez... - ralhou a loira. – Quero que veja o meu bebe nascer.

- Oh meu Deus! Você está grávida? Porque não me disse nada?

- Acabei esquecendo! – disse dando de ombros.

- Eu sou o cara, Bellinha! – disparou Emmett estufando o peito com o braço na tipoia. – Meu filho será o primeiro da nova geração dos Cullen.

"Não mesmo grandão! Nessie é a primeira!" – o corrigiu mentalmente.

- Uau! Tudo isso é pra mim? – brincou sacudindo as sobrancelhas.

- Como você está?

- Pronto pra outra! – Isabella revirou os olhos o abraçando com cuidado.

- Obrigada Emmett!

- Pelo que exatamente? – perguntou confuso.

- Por estar lá na hora cera, por ajudar a me tirar daquele lugar.

- Demos sorte, isso sim! Deveria agradecer a teimosia de Edward, graças a ela é que voltamos.

- Por falar nele, onde está seu irmão? – perguntou de costas para a porta.

- Estou aqui. – Edward sussurrou em seu ouvido, Isabella sobressaltou, estremecendo dos pés a cabeça, sentindo seus pêlos eriçarem.

- Não me assusta assim... – pediu levando a mão ao peito. – Quase me mata do coração, de onde você surgiu?

- Só me atrasei um pouquinho, desculpe! – Edward pediu estalando um beijo em seu rosto, Isabella olhava pra ele se perguntando de onde vinha aquele bom humor?

- Entra. – Isabella deu um passo para o lado lhe dando passagem, os Cullen e Alice estavam lá, havia chegado a hora da verdade.

- Estamos todos aqui, desembucha! – sua irmã exigiu.

- Alice! - Jasper ralhou.

- Não me venha com essa, está tão curioso quanto eu. – Bella sorriu meneando a cabeça, sua irmã não mudaria nunca.

- Em primeiro lugar tenho uma pergunta a fazer... – a jovem disse voltando-se para Carlisle. – Acha que posso ser indiciada pela morte de Aro?

- Foi legitima defesa, sem intenção de matar... – Jasper respondeu pelo pai. – A arma disparou no meio de uma luta, ele a ameaçou e somos testemunhas disto.

- Este é o ponto! Vocês trabalham em sigilo, a não ser Jacob e a agente Sanders, nenhum de vocês poderá testemunhar a meu favor, para todos os efeitos, nenhum de vocês esteve lá, correto?

- Tive uma longa conversa com Thompson a respeito disso, filha... – disse Carlisle tranquilo. – Você foi mantida em cativeiro por dias, estava sob ameaça de morte, foi legitima defesa e nenhum juiz lhe condenará... – ele foi pra junto de Isabella. - Não se preocupe, estaremos com você, já acionei o melhor criminalista de Washington, ele a acompanhará em seu depoimento ao FBI e a Interpol.

- Obrigada! Mas e quanto a organização? Acha que ainda corro risco, ou a ameaça acabou com a morte de Aro?

-Acredito que sim, acho difícil a organização se reerguer diante de tantas perdas. – respondeu a abraçando ternamente.

- Todos nós tivemos perdas nesta história, e algumas são irreparáveis.

- Tem razão filha!

- É muito bom vê-lo de novo.

- Digo o mesmo! – ele sorriu piscando para a jovem que lhe sorriu corando levemente, Edward a olhava encantado, fascinado e completamente apaixonado.

- Será que agora pode finalmente nos contar onde foi que se meteu nesses quase dois anos? – sua irmã estava impaciente.

- Sei que todos aqui devem estar curiosos, talvez alguns menos que minha irmã, ou simplesmente sejam mais discretos... – Alice fez careta para a irmã que sorriu meneando a cabeça. – Estou aqui para esclarecer suas duvidas.

- Se é assim, então nos diga como foi parar nas mãos de Aro? – Carlisle perguntou lhe indicando a poltrona, Edward sentou-se no braço do sofá ao lado de Esme, todos tinham os olhos em Isabella que puxou o ar com força o soltando em uma única lufada.

- É uma longa história, antes, preciso voltar um pouco no tempo, no dia em que fui ao Rio, para tentar falar com Edward... – novamente ela soltou uma lufada de ar. - Depois de ter conseguido falar com ele, Leah, Seth e Quill e eu, ficamos um tempo por lá, já que Harry e Sue tinham ido às compras...

- Harry nos disse, mas prossiga filha, desculpe! – pediu Carlisle.

- Joca, o dono do quiosque era uma figura, muito gentil e engraçado. – a jovem sorriu com a lembrança das coisas que o brasileiro havia dito a ela. - Seth queria me mostrar à garota que ele estava a fim, o garoto falava dela o tempo todo, e quando me levantei para acompanhá-lo até a praia, esbarrei em um homem estranho, era alto, loiro e usava rabo de cavalo...

- James... – Edward cuspiu entre os dentes.

- O próprio! – a jovem afirmou. - Ele me olhava de um modo estranho, quando meu olhar encontrou o dele, senti um calafrio percorrer minha espinha, uma sensação ruim. Mas em fim, quando estávamos voltando para a marina fomos abordados por três homens encapuzados e armados.

- Essa parte a gente já sabe. –disparou Emmett.

- Emm! – sua esposa ralhou, Isabella sorriu meneando a cabeça.

- Eu imagino que sim, Emmett.

- Porque se entregou a eles? – sua irmã lhe perguntou desta vez.

- Quando vi Quill levar aquele tiro, confesso que me apavorei... – disse se voltando sua atenção para Alice. - Fiquei desesperada! Me lembrei do dia em que Edward levou aquele tiro, assim como no dia em que aquela mulher levou um tiro. Pensei que fossem os homens dos Volturi e não poderia deixar que mais ninguém pagasse pelos meus erros. Que acontecesse com eles o que houve com Angie e Erick, Seth era só um garoto, jamais me perdoaria se algo lhe acontecesse.

-Entendo.

- Depois disso, senti um cheiro muito forte e perdi a consciência, acordei dentro de uma cela com mais algumas mulheres, elas choravam o tempo todo, falavam em português e sinceramente não entendia quase nada. Entre elas havia uma garota, seu nome era Maria Isabel, estava tão assustada, a garota tinha somente dezesseis anos...

- Oh meu Deus! – soltou Esme chocada.

- Com o passar dos dias comecei a entender algumas palavras, me aproximei de Maria Isabel, eu tentava confortá-la e acalmá-la. Já que os homens de James viviam fazendo provocações e insinuações... – todos notaram que o semblante da jovem havia mudado, estava séria e com o olhar perdido. - James, vivia me atormentando, dizendo que eu iria adorar o oriente médio, e que meu destino seria o arém de algum saudita milionário que colecionava mulheres. – Edward rosnou baixo travando a mandíbula, cerrando as mãos em punho.

- Estouramos o leilão ao qual você seria vendida, James foi preso, assim como alguns dos compradores. – Jasper explicou.

- Menos mal, bastardo filglio de uma madre (bastardo filho da mãe!)... – disparou em italiano para a surpresa de quase todos. - Que apodreça atrás das grades! Nojento!

- James sempre esteve a um passo a frente de nós. – o olhar da jovem pousou na figura de Edward sentado ao lado de Esme, sobre o braço do sofá da sala de estar da suíte. – Quando estouramos o cativeiro, ele já havia partido e a levado embora.

- Não ficamos muito tempo naquele lugar, ele tinha pressa, falava constantemente com uma pessoa ao telefone, provavelmente um superior. A viagem foi estafante e muito longa, fizemos várias paradas e cada vez mais garotas se juntavam a nós, Se não me engano estávamos em quinze ou dezesseis no final.

- Sabe por onde ele passou? – perguntou Jasper.

- Sinceramente não, estava focada em proteger Maria, já que seus homens não tinham o menor respeito por nós... – a jovem cerrou as mãos em punho. – Não sabe o que fui obrigada a presenciar... – lamentou, a tristeza e a dor eram visíveis em seu olhar. - Aqueles bastardos se aproveitavam do desespero e da fraqueza de algumas daquelas mulheres. – as lágrimas escorriam pelo rosto de Isabella.

- Eles tocaram em você? – Edward não conseguiu esconder a preocupação ao perguntar, a jovem meneou a cabeça negando.

- Não!Quando tentaram se engraçar pra cima de Maria Isabel e de mim, os deixei inútil por um bom tempo.

- E o que você fez? – Emmett perguntou desta vez.

- Quando estávamos na ilha, seu irmão me ensinou alguns golpes de defesa e ataque, eles me foram bem úteis, acredite! Acho que aqueles bastardos ficaram um bom tempo sem poder ter uma ereção! – o riso foi inevitável, pelo modo simples como Isabella contava. - Também quebrei o nariz de James quando se engraçou pro meu lado, na realidade eu queria quebrar era outra coisa, mas o nariz foi o que consegui alcançar no momento!

- Em seu depoimento, quando foi preso, James disse que você acabou com a vida dele, me diz uma coisa? Como conseguiu escapar dele? – a curiosidade brilhava nos olhos azuis de seu cunhado Jasper.

- Não foi nada fácil e acabou custando à vida de uma das garotas, Susana era o nome dela.

-Lamento, mas como foi exatamente?– insistiu, novamente a jovem puxou o ar com força, seu olhar de repente ficou perdido, Isabella parecia perdida em suas próprias lembranças.

- De início, tentei seduzi-los, mas não colou, eles ficaram com medo de se aproximar de mim, depois daquele episódio.

-Não os culpo! – retrucou Emmett.

- Pelo que ouvia James dizer, desceríamos em um aeroporto clandestino em Arezzo, de lá seguíamos de vam até Volterra onde passaríamos por uma inspeção e avaliação, para só então sermos enviadas a Milão. Quando pousamos em Arezzo houve uma confusão entre eles, Santiago, um dos homens dele, havia batido em uma das garotas, segundo James danificado a mercadoria.

-Que horror. – Alice soltou segurando firme a mão da irmã.

- Susana estava com um enorme hematoma no rosto, o que gerou uma tremenda confusão entre eles, aproveitei todo aquele alvoroço e fugi levando Maria Isabel comigo, ouvimos um disparo e os gritos desesperados das garotas e corremos, corremos muito e nos escondemos nos arredores do aeroporto. Passamos um dia inteiro ali, eu não tinha a menor ideia do que fazer e nem pra onde ir, não entendia nada da língua local... – Isabella fechou os olhos, apertando a mão de Alice com força. Automaticamente o olhar de Alice encontrou o de Edward que se aproximou de Bella.

- Não precisa contar, se não quiser... – disse abaixado ao seu lado, tocando seu rosto delicadamente. – Nós entendemos Bella, sabemos que não deve ter sido nada fácil pra você, ou para sua amiga.

- Desculpe... – a jovem pediu o olhando nos olhos, seu coração deu um sobressalto ao ver aqueles lindos olhos castanhos marejados, sentiu um aperto em seu peito, desejava mais que tudo envolvê-la em seus braços, reconfortá-la e protegê-la. – Foram dias terríveis... – a voz de Isabella saiu embargada. – Por dois dias vagamos a esmo, sem água e sem comida, até encontrarmos um vilarejo. Eu havia passado muito mal e Maria se arriscou indo até o mercado, roubando algumas frutas para nós.

- Deus do céu! – lamentou Alice.

- Uma mulher nos ofereceu um teto... – Isabella riu com escárnio. – Teodora foi muito simpática, nos deu comida e água, assim que terminamos, exigiu que pagássemos o que havíamos consumido com trabalho...

- Que tipo de trabalho? – Alice perguntou reticente.

-Teodora era uma cafetina, queria que pagássemos atendendo alguns de seus clientes, queria que nos tornássemos prostitutas. – os olhos de Alice praticamente saltaram, assim como os de Esme e Rose, Edward não estava muito diferente delas.

- E o que vocês fizeram? – disparou Rosalie.

- Fugimos! – disse dando de ombros. – Andamos sem parar até chegarmos à estrada que levava a Siena, eu estava no meu limite das minhas forças e rogava pra que Deus me desse uma ajudinha. Foi quando um carro parou e Joseph apareceu...

- Quem é esse? – disparou Emmett, Edward o agradeceu mentalmente por sua indiscrição.

- Um anjo! Ele se compadeceu e cuidou de mim, nos levou para sua casa e cuidou de mim com muito carinho e dedicação... - Edward sentiu seu estômago contorcer, se perguntava quem era esse cara? Bella teria se interessado por ele? – Só um instante... – pediu levantando-se de repente. – Eu já venho. -Isabella caminhou até a porta que ligava a sala a outra suíte, entrando em seguida.

- Aonde ela vai? – Emmett perguntou confuso, aliás, todos estavam.

- Não faço a mínima ideia! – respondeu Alice. – Quem é esse tal Joseph?

A porta se abriu e todos se calaram, Isabella estava de braço dado com um senhor de idade, ele tinha os cabelos completamente brancos, usava óculos e se apoiava em uma bengala. Ao seu lado uma senhora rechonchuda que também tinha os cabelos completamente brancos.

- Estes são Joseph Giotto e Caterina Jacomo Giotto, Joseph seduto qui, non proucupe, siamo tra amici. (Sente-se aqui Joseph, não se proucupe, estamos entre amigos.) – automaticamente Jasper e Alice se levantaram para que Bella o ajudasse a se sentar. – Desculpem, mas ele não fala outra língua senão o italiano, mas Caterina sua esposa, fala bem o inglês. – a jovem explicou rapidamente.

- Olá! Vocês devem ser os amigos de que a bambina fala tanto!

- Este é Carlisle e sua esposa Esme... – Isabella os apresentou a Caterina. – Eles são os pais de Emmett, Rosalie sua esposa, Jasper que é irmão de Rosalie e de Edward. – dizia apontando para cada um.

- Oh! Então questo é o uomo que tanto parla? E 'davvero bello!(Ele é realmente lindo!)- disse se aproximando de Edward, tocando seu rosto.

- Molto soddisfatti Caterina! (Muito prazer Caterina!).

- Il piacere è mio figlio!(O prazer é meu filho!).

- Oh, è un fascino!(Oh, ele é um encanto!) – Isabella revirou os olhos ao ouvi-la, todos riram, pois até mesmo Alice entendia bem o italiano.

- Até demais Caterina, acredite! – a jovem implicou. – Questa è mia sorella, Alice!(Esta é minha irmã, Alice!).

- Lei è bella come lei, così piccola e delicata!(Ela é linda como você, tão pequenina e delicada!).

-Grazie Caterina, Joseph, er prendersi cura di mia sorella!(Obrigada Caterina, Joseph, por cuidar da minha irmã!).

- Non è così! Isabella è un angelo che Dio ha mandato a noi, come Maria!(Não por isso! Isabella é um anjo que Deus enviou para nós, assim como Maria!). – disse Joseph desta vez, depois de todos terem se cumprimentado devidamente a senhora sentou-se ao lado de seu marido.

- Joseph chegou com Isabella e Maria em casa... – dizia Caterina. - Questa bambina chegou magra, muito mal, chegamos a pensar que não fosse resistir, estava tão fraquinha e abatida.

- Como disse, ele cuidaram de mim, assim como de Maria. – Isabella depositou um beijo carinhoso na testa de Joseph, estava sentada ao seu lado no braço do sofá. Todos notaram que o carinho era recíproco entre o casal e ela.

- Esteve com eles esse tempo todo? – sua irmã perguntou encantada com a forma que Bella os tratava, sua irmã era mesmo uma caixinha de surpresas.

- Sim, num pequeno vilarejo chamado San Quirico d'Ocico, fica na região montanhosa, onde ficam os vinhedos.

- Temos uma pequena propriedade lá, Joseph herdou de seu pai, vivemos lá desde que nos casamos, há cinquenta anos.

- Cinquenta anos de casados? – Emmett não conseguiu esconder a surpresa.

- Si, tínhamos um filho, mas meu Alberto se foi há cerca de vinte anos, éramos somente eu e Joseph até esse tesouro aparecer. – Isabella estalou a língua revirando os olhos.

- Porque não nos ligou? Poderia ter ligado pelo menos para nos tranquilizar! – havia magoa na voz de Alice. – Poderia ter me ligado, ou ligado para Edward. – disse apontando para o mesmo.

- E dizer o que, Alice? Não poderia arriscar a vida de Joseph e Caterina? – a jovem se levantou levando encarando a irmã. - Olhe para eles Alice, Joseph passou sua vida toda naquele vinhedo, Caterina vive lá há cinquenta anos, acha mesmo que eu correria o risco de acontecer com eles o que houve com Angie e Ben? Além do mais, eu não poderia me arriscar, não depois de descobrir que... Eu não podia me arriscar... Compreende?

- Não realidade não! – sua irmã respondeu atravessado.

- Droga Alice! Você não sabe do eu tive que abrir mão quando decidi não ligar... Depois que melhorei minha única vontade era de voltar pra casa, mas daí eu me dei conta de que eu não tinha mais casa... Que não podia voltar pra lá, e também não podia ficar com você, porque a comprometeria, a implicaria... Não podia voltar pra você... – disse olhando para Edward. – Porque você Edward tem uma vida na qual eu não me encaixo... E jamais me perdoaria se por minha causa fosse prejudicado.

- Não seja absurda, Bella! – disse atravessado, estava sentido, quando Isabella iria compreender que ele a amava?

- Absurda? Sabe perfeitamente que tenho razão Edward! Vai me dizer que havia como mantermos um relacionamento fora daquela ilha?

- As coisas são diferente agora e...

- Não muda muita coisa Edward, eu ainda sou a fotógrafa que acusou Aro Volturi de assassinato, sem contar que serei processada por ter matado aquele infeliz! Como acha que as pessoas do seu meio vai reagir a isto? Além do mais, até onde sei você seguiu em frente, não é? – Edward lançou um olhar reprovador para sua irmã e sua cunhada.

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