Escondida no coração
Por Amanda Catarina
BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.
Notas: sentenças entre aspas indicam pensamentos, classificação recomendada: 18 anos.
Capítulo 14
Os lábios se encostaram devagar e o beijo começou manso, mas bastou que as línguas se tocassem para que sua intensidade aumentasse exponencialmente; assim, aquilo que tivera um início singelo logo se tornou ardoroso.
Apertaram-se com força, Rukia com os braços em volta do pescoço de Ichigo, que deslizou as mãos pelas costas dela numa carícia vagarosa. Descendo até a curva da cintura, ele apertou-a ali por um tempo, o beijo persistia, então pousou as mãos cada qual em uma das coxas dela. O toque quente fez Rukia escapar dos lábios vorazes para soltar um leve gemido. Deliciado, Ichigo estreitou a vista nela, reparando na pele alva toda arrepiada, sorriu levemente e pousou os lábios no pescoço dela. Mordeu-a de leve e, logo em seguida, beijou o mesmo local, ouvindo-a ofegar, sentindo-a apertar sua nuca.
Permaneceram agarrados até que, num movimento repentino, Ichigo alçou o corpo pequeno, erguendo-o um tanto, em busca de espaço para se virar de lado, depois foi tombando Rukia no sofá, ao mesmo tempo em que se deitava por cima dela. Com os olhos fitos nos dele, Rukia lançou-lhe um sorriso estreito, como quem desse o aval à investida, contudo seu acanhamento era notório, no tremor de seus lábios e queixo, e nas maçãs do rosto tingidas de vermelho. Ichigo achou-a absolutamente linda nesse momento e, após breves instantes de contemplação, tomou-lhe os lábios novamente.
Rukia reagiu pouco dessa vez, deixando apenas que ele explorasse o interior de sua boca ao bel prazer, prensada sob a forte musculatura, com as pernas finas entre as torneadas dele. Algo dentro de si tentava alertá-la para a seriedade do que se sucedia, mas em vão. E por quê? Simplesmente porque estar junto daquele ruivo, que sua razão insistia ser um desconhecido enquanto seu coração teimava no oposto, parecia tão certo. Tão certo como o nascer do sol ou como o brilho da lua.
E essa certeza a absorveu de tal modo que até se esqueceu da necessidade de respirar. Felizmente, Ichigo, menos relapso, colocou fim à ardência de seus pulmões, permitindo que o ar voltasse a preenchê-los, porém, ele próprio não fez tanta questão disso, pois passou a beijá-la no rosto, deixando uma trilha de beijos molhados por sua face, até chegar ao pescoço, do lado oposto ao que havia mordiscado antes, fazendo o mesmo ali.
Um alto gemido escapou dos lábios de Rukia, aumentando a já desmedida excitação de Ichigo, e não sem motivo: estava junto daquela que tanto amava e, a despeito da situação que enfrentavam, ela se entregava por completo, levando-o até se esquecer de sua perda de memória. Ademais, não havia lugar em sua mente para pormenores, todo seu ser estava focado no corpo dela sob o seu, em sua beleza extrema e maciez sedosa; tudo o mais se tornara pálido e de pouca relevância.
Trocaram outro beijo bem demorado, antes do término, Ichigo puxou-a para si, vindo agora à outra extremidade do sofá, de modo que Rukia ficou por cima dele. Descolaram os lábios. Debruçada sobre ele, ela o encarou, recebendo um sorriso maroto e um carinhoso afagar nos cabelos. Os gestos dele eram gentis, porém de seu olhar jorrava um desejo abrasador. Tão intenso que a levou a abaixar a cabeça, mas ergueu imediatamente o rosto ao ouvi-lo dizer:
– Você é tão linda.
O tom dele foi sussurrado e a deixou mais trêmula do que já estava, e enrubesceu mais também. Ficou feliz, é claro, em saber que ele a admirava tanto, mas tão desconcertada também, que abaixou a cabeça outra vez, em seguida, foi abaixando o corpo e deitou no peito dele, bem quieta.
A imobilidade dela levou Ichigo a se questionar se não era hora de parar com aquilo - deveras já tinham indo longe demais - mas a força do instinto operava em seu ser além de qualquer medida de sensatez. E o fato era que amava Rukia e o mesmo sentimento tinha que residir no coração dela também. Não fosse assim, ela não teria correspondido a seus beijos e carícias. Convencido pela lógica desse raciocínio, ele foi se virando, tal qual um felino e, num instante, Rukia estava embaixo dele de novo.
Por certo, o impetuoso desejo que reluzia em seu olhar, trouxe um certo temor ao semblante dela. Beijou-a na testa então, para acalmá-la, e depois selou seus lábios levemente, então se afastou, mas só um pouco. Aproveitando a proximidade, Rukia reproduziu o gesto dele. Pronto, eis a confirmação de que precisava.
Tornou a beijá-la, agora com muito mais ardor que antes, e foi escorregando as mãos pelo tronco dela. Chegando à barra da camiseta, foi a vez dele se ver agitado por um tremor mais forte. Uma mera peça de pano o separava da visão que habitava seus sonhos mais secretos, e estava a um instante de transpor tal obstáculo, bastava suspender aquela veste, algo simples, mas que, de repente, lhe pareceu tão complicado, que a fera dentro de si assumiu o controle, rasgando a veste ao meio, de cima abaixo.
Uma exclamação assustada foi a primeira reação de Rukia. E, ao fitar o rosto do ruivo, ela jurou ter visto dois orbes âmbar no meio de olhos totalmente negros, mas isso durou só um instante, e após piscar desconcertada, pela exposição, fechou depressa os braços sobre o corpo. A breve visão da nudez dela fez a garganta de Ichigo secar. A obstrução dos braços finos não bastou para esconder o delta da feminilidade dela, e nem seu delicado umbigo.
Absolutamente fascinado, ele se inclinou e, num gesto provocante, depositou um beijo na região pouco acima do umbigo dela. Rukia se retesou, em agonia, assustada com a intensidade das sensações que reverberaram em seu corpo por conta deste beijo ousado, diretamente em sua pele febril.
Com evidente malícia no olhar, Ichigo alcançou os braços cruzados e os abriu, afastando-os para os lados. Tudo que Rukia pôde fazer foi acompanhar a ação dele, com os olhos vidrados. Aquela cor negra, que sabia não ter sido fruto de sua imaginação, não tornou a aparecer nos olhos dele, porém seu olhar não era menos intimidador. Parecia perscrutar até seus ossos e a fez fechar os olhos, acuada.
Ainda segurando os pulsos dela, Ichigo ficou paralisado ante a visão dos biquinhos rosados e idênticos, e tão logo saiu desse estado, avançou na direção de um deles, tocando-o bem de leve com a ponta da língua. Rukia soltou um gemido alto, o mais alto de todos até ali. Os cabelos rebeldes dele lhe acariciavam o pescoço e sentia os lábios molhados sorvendo aquela área tão sensível de seu corpo e, ao sentir o seio todinho dentro da boca dele, cerrou os olhos e os punhos com força, afogueada pelo prazer que esse beijo erótico lhe proporcionou.
Ichigo puxou-lhe uma das mãos, entrelaçando seus dedos, e logo despendia o mesmo trato no outro seio. Ela cravou as unhas na mão dele, arfando e, por um instante, desejou poder trocar de posição com ele e contra-atacar da mesmíssima forma, só para ver se conseguia deixá-lo tão vulnerável quanto ela se achava. Mas logo sua mente estava tão tomada pelo prazer que nem pôde divagar com outra coisa que não aquela língua atrevida deslizando por sobre e entre seus seios.
A cada rouco gemido dela, Ichigo sentia o ventre pulsar e repuxar mais, por isso teve o cuidado de separar um tanto as pernas delgadas e se manter no meio destas - julgava cedo ainda para deixá-la perceber o quanto estava excitado. E também queria registrar bem na memória a deliciosa sensação que era desbravar aquele corpo miúdo através dos beijos; estava embevecido com sua maciez, já intuía isso, mas conceber pelo imaginar era muitíssimo inferior a sentir de fato.
Tomando uma dose de coragem, Rukia meteu os dedos por entre as mechas do alto da cabeça dele, alisando-as, depois escorregou as mãos pelos ombros largos e depois pelas costas, numa carícia cada vez mais suave. Em função disso, o ritmo acelerado das batidas de ambos os corações diminuiu um pouco. Na calmaria que precede a tempestade, ficaram apenas trocando beijos breves e carícias.
Mas então, subitamente, Ichigo se ergueu um tanto. Livrou-se com pressa da regata, porém o short de malha foi apenas arriado o suficiente para liberar seu sexo. Rukia não chegou a ver essa última etapa, estava ainda inerte com o repentino levantar dele, então ele avançou contra sua boca, num ímpeto voraz. Ela o correspondeu do melhor modo que pôde, deliciada em sentir o peito desnudo dele contra o seu, e o bater de seu coração quase na mesma frequência que o dela.
A exaltação foi aumentando, a febre de seus corpos elevou-se ainda. Naturalmente, o instinto sexual despertava com todo vigor tanto nele quanto nela. Suas almas já estavam indissoluvelmente unidas e seus corpos trilhavam pela mesma senda. Ichigo finalmente abandonou os lábios rubros, apoiando o queixo no ombro de Rukia, e se remexeu um tanto, buscando uma posição ideal. Era o instinto que o movia, não havia como ser nada além, afinal nunca tinha estado com ninguém dessa forma e nem conseguia sequer se imaginar com outra.
Rukia sentiu a fervente ereção dele resvalar na parte interna de sua coxa e, de imediato, soube qual era o destino desta. Teve medo, mas logo se achou tola por sentir-se assim, afinal ele não chegara até ali sozinho. Nesse momento, porém, o estrondoso clamor da voz de seu coração, deixou de abafar o sumido murmúrio de sua razão, levando-a a se lembrar de que estivera disposta a pertencer a outro homem. Por uma fração de segundo, a lembrança do capitão shinigami perpassou sua mente, então um temor tão horrível foi despejado em sua alma, fazendo-a se agarrar mais forte em Ichigo. Tendo estranhado a estranha perturbação dela, ele a acolheu entre os braços por alguns instantes, então perguntou:
– O que foi?
Apesar do abalo e do susto com a voz dele, depressa meneou a cabeça e respondeu:
– Nada...
Ele não se convenceu de todo e se afligiu com a ideia de ela querer desistir àquela altura, porque ainda que lhe pedisse expressamente para parar, não se julgava capaz de atendê-la. Mas ao sentir Rukia enlaçar seu pescoço, soube que não se tratava disso. Suspirou aliviado e depois voltou a beijá-la. Diferente dos outros esse beijo foi rápido, pois uma nova instância do desejo, sedenta por mais contato, passou a conduzi-lo.
Assim, o momento crucial chegou: o enlace mais sublime que dois seres podem compartilhar estava para acontecer entre eles. Somente seus gemidos extasiados se ouvia naquela sala, no instante em que suas intimidades enfim se tocaram. Nada além de um toque e, tanto Ichigo como Rukia, quase foram arrebatados pelo prazer que tal contato lhes causou. Precisaram de vários instantes, inspirando e expirando ruidosamente, para então sim prosseguirem. E eis que ele avançou, penetrando-a com todo esmero e cuidado.
Rukia se esforçava ao máximo para não gritar, mesmo sem conceber nada melhor para aliviar sua angústia. Durante a invasão, o tempo lhe pareceu distorcido, sentiu o fôlego curto e dor, mas nem um "ai" de reclamação escapou de seus lábios. De olhos cerrados, buscava relaxar o corpo, de modo a facilitar as coisas, mas de repente gritou alto. Sem sombra de dúvida, algo se rompia no interior dela. Sua respiração ficou em suspenso e a boca entreaberta por breves instantes, ela podia sentir o membro invasor inteiramente dentro de si.
Permaneceram estáticos por um tempo. E este momento iria ficar marcado para sempre em suas memórias. Uma união única, especial e impossível de ser repetida. O ideal da partida da virgindade, com o nascimento de um elo vitalício entre os dois, fora plenamente consumado.
Quando Ichigo começou a se mover, Rukia não soube como reagir de imediato, mas logo o instinto veio em seu auxílio e passou a movimentar-se no mesmo ritmo que ele. E esse ritmo logo se tornou mais convulso. Ela já sentia poucos resquícios da dor de antes, pois um prazer inefável se sobrepunha a tudo. Ichigo balbuciou seu nome, ao pé de seu ouvido, precedido de um possessivo "minha". Apaixonadamente, ela se agarrou aos ombros dele.
Desse modo, o enlace, já bem prolongado, prosseguia, rumo ao clímax eminente. Foi então que alcançaram o gozo, juntos, de um modo pleno e belo. A avassaladora paixão fora saciada enfim, deixando neles uma enorme exaustão como efeito colateral.
Trocaram um riso cúmplice e a expressão satisfeita de Ichigo foi a última coisa que os olhos de Rukia viram, antes que ela os fechasse, tomada por um sono imbatível.
xxx xxx xxx
Quando Rukia voltou a abrir os olhos, deparou-se com um teto diferente e compreendeu que estava no mesmo quarto de antes. Por um instante pensou se tudo não teria passado de um vibrante sonho, mas virando a cabeça um pouco de lado, percebeu que não estava sozinha ali, naquela cama enorme. Ichigo estava logo a seu lado, dormindo tranquilo, feito uma criança.
Sorriu e se virou na direção dele, para contemplá-lo melhor. Reparou também que tanto ele como ela estavam devidamente vestidos, e que o mesmo perfume suave exalava de seus corpos. Um edredom macio os envolvia, a janela estava entreaberta e por ela entrava um vento com cheiro de mar. Ela não pôde deixar de se intrigar com o fato de não ter acordado, enquanto ele providenciava tudo isso. Tocando de leve o rosto bonito, enrubesceu ao pensar no que tinham feito. Fechou os olhos e suspirou, então sentiu a mão dele se fechar na sua.
– O que foi, princesa? Teve um pesadelo?
O coração dela deu um sobressalto. Ligeiramente surpreendida, logo sorriu a ele e falou, num tom ameno:
– ...como eu poderia?
Seus olhos se fixaram. Ele lançou um sorriso a ela, mostrando que captara o que ficara implícito, deu um beijo nas costas da mão dela e depois pousou a mesma delicadamente no colchão. Contente e reconfortada, Rukia encostou-se nele e em poucos instantes caiu no sono de novo. Ichigo não demorou a adormecer também.
Era um merecido descanso depois de um dia alucinante e uma noite inesquecível, entretanto essa tranquilidade que desfrutavam estava seguramente com as horas contadas.
Continua...
xxx xxx xxx
Capítulo desafiador, gente. Escrever hentai não é nada simples. Não demorou por acaso... _''
Como sempre quero agradecer a todos que tem acompanhado e comentado! E para quem está sentindo falta do Byakuya, podem esperar que no próximo ele vem com tudo.
Por fim...
...uma coisinha que não posso deixar de dizer (quem me conhece melhor, entende), se você for uma shinigami de mais de 50 anos e seu amado for um rapaz muito precoce, vocês até podem transar mesmo não estando casados, mas do contrário não façam aquilo antes disso. ^_~
wanessa shiba, desculpe e demora (você encontra meu e-mail lá no meu perfil, se quiser, me escreve, assim poderei responder melhor seus reviews)
