Capitulo 14: Decisões

" O que pretendo fazer?", indagou-se Lílian mentalmente durante o banho

Molly a havia levado a descobrir a verdade.

"Não posso crer que estou apaixonada", censurou-se a ruiva enquanto levantava-se e ia se secar.

Após sair da banheira, pegou o vestido verde de seda. Agora sozinha, conseguia pensar com calma nessa sua realidade.

"Como posso ter sido tão cega? Molly descobriu a verdade em minutos".

- O que vou fazer? – murmurou para si mesma.

Pegou a bolsa de dinheiro que o Sr. Wood lhe havia dado para comprar a passagem de volta para casa. Ela havia hesitado em recebê-la, mas afinal, precisava de dinheiro, e onde o conseguiria? Prometera, então, devolver mais tarde a quantia. Naturalmente, não saberia como fazer já que o pirata estaria sempre em algum lugar naquele oceano enorme.

E ela estaria em casa, reencontraria seu pai, seus irmãos e Douglas.

" E nunca mais verei James", pensou ela tristemente, ele era o cavaleiro com o qual ela tanto sonhara, como conseguiria deixar de amá-lo?

Seria tão fácil confessar o seu amor. Dizer a James que queria ficar ao seu lado o resto de sua vida, mas não era assim tão simples.

- James – ela murmurou – se ao menos eu soubesse o que você sente por mim...

OoooooooooooO

A casa de Robert Weasley tinha um nome sugestivo: A Toca. Ele a construíra segundo o estilo das enormes casas da Virgínia que tinha admirado quando garoto, e dera tal nome a sua propriedade devido ao fato de se sentir seguro naquele lugar. Depois de anos na pirataria, e com seu talento para o pôquer, Robert juntara um bom dinheiro, decidira se estabelecer em Santa Maria, e colocara os olhos na filha de um oficial.

Tão logo o pai de Martha vira a casa que Robert estava construindo, concordara que sua filha se casasse com aquele homem supostamente rico.

No começo, Martha havia se irritado com a atitude do pai, mas não demorou e estava apaixonada por Robert.

Em todos os anos que os conhecia, James testemunhara a felicidade do casal. E Robert sempre amara seus filhos, Arthur e Muriel.

James suspirou lembrando-se de Muriel. Tinha sido uma linda moça com longos cabelos loiros, diferentes dos ruivos de Arthur e Robert, entretanto parecidos com os de Martha. Ela nunca dissera uma palavra mais dura e sempre estivera sorrindo.

Apesar de desejar, James nunca chegou a amá-la. Mas tentara ser um bom marido, apesar de que sentira desejo demais de voltar para o mar.

Agora o que ele mais queria era ver Lílian. Onde ela se metera?

- James, você está bem? – Molly perguntou, preocupada com o amigo.

- Estou bem.

- Então por que está andando de um lado para o outro?

- Não estou andando de um lado para o outro. E não tem nada mais importante do que ficar me espionando?

- Bem, na verdade eu tenho. Preciso procurar a Srta. Lilian e lhe dizer que chegou ao porto um navio cargueiro que segue para a Inglaterra. Perguntei, e eles aceitam passageiros.

James sentiu um frio percorrer o corpo.

- Então, se me der licença... – Molly fingiu que ia subir as escadas.

- Espere!

- O que foi? – ela perguntou com o mais inocente dos sorrisos.

James pensou no que podia dizer. Gostaria de subir e implorar a Lílian que não partisse. Queria que ficasse com ele.

Poderia lhe dizer que cabia a ele levá-la para casa.

Por que ela gastaria dinheiro com uma passagem se podia vir de graça com ele?

Um pensamento lhe cruzou pela cabeça.

- Onde ela arranjou o dinheiro para a passagem? Você sabe, Molly?

- Talvez tenha pirateado...

- Não tem graça, senhorita.

- Bem, se me der licença, vou subir e lhe dar a noticia. A não ser que...

- A não ser quê? – James perguntou esperançoso.

- Oh, não é nada – Molly virou-se e subiu correndo as escadas.

" Eu não consigo entender essa mulher" , James pensou risonho.

Sirius se aproximou de James, enquanto este estava distraído.

- Ei Pontas, estou indo visitar a Andie, quero ter certeza que ela e Dora estão em boas condições.

James sorriu, conhecera Andrômeda, quando esta era muito jovem. Ela engravidara de um dos homens da tripulação de Sirius, que mais tarde morrera numa batalha.

Sirius não podia deixar sua prima sozinha, com uma filha para cuidar. Levou-a para a ilha de Santa Maria, e com a ajuda de Robert, Andie e Ninfadora puderam reconstruir suas vidas ali.

Já se passara oito anos desde que James vira Andrômeda e Dora pela última vez, na época, a pequena Ninfadora tinha apenas sete anos.

- Onde está o Aluado? – perguntou James

Sirius soltou uma exclamação de pura indignação.

- Você acredita que aquele pirata, está jogando charme para cima da minha sobrinha?

James caiu na gargalhada.

- Para de rir Pontas, Dora só tem quinze anos. Ela ainda é uma criança.

- Você nunca deixou de dar em cima de uma garota por ela ser jovem Almofadinhas, por que não dá uma chance para o Aluado?

- Mas James, estamos falando da Dora – Sirius lançou a James uma cara de cachorro abandonado.

- Sem essa Almofadinhas, vamos logo visitar sua prima, antes que o Aluado sequestre sua inocente sobrinha. – brincou James.

- Você acha que ele faria isso? – perguntou Sirius com os olhos arregalados.

- Cai na real, Sirius.

- Ele pode sim sequestrar ela. Porque ela é linda, jovem, sedutora, e é claro, tem o sangue dos Black, ou seja, é irresistível.

James não aguentou e deu um soco brincalhão no braço de Sirius.

- Juro que se você não fosse meu amigo, faria você andar na prancha, como na última vez Black Jack Sirius.

Os dois saíram da casa de Robert rindo e relembrando dos momentos que vivenciaram na época de Marauder e Black Jack Sirius.

Oooooooooooo

Molly subiu as escadas resmungando.

- Você é um cabeça dura, James Potter. Tenho pena de Lílian por ter de aguentá-lo.

Molly entrou sorrindo no quarto de Lílian.

- Passou a dor de cabeça? – foi perguntando.

- Mais ou menos.

- Bem, tenho uma noticia que poderá ajudar. Há um navio nas docas que esta seguindo para a Inglaterra.

- Oh! – Lílian murmurou, sentindo a dor de cabeça aumentar. – Suponho que devo procurar o seu capitão.

- Não precisa – Molly lhe assegurou – Papai já falou com ele, e o capitão disse que não há problema algum em tê-la como passageira.

Molly passou as mãos pelos cabelos e pareceu preocupada.

- Não há problema algum, não é?

Lílian gostaria de dizer que sim, que havia um enorme problema. Como deixaria James para trás?

- Problema algum – mentiu novamente – Sabe quando o capitão pretende partir?

- Em três dias.

- Três dias! – O coração de Lílian pareceu afundar. Três dias e então ela nunca mais veria James.

Molly se aproximou sem esconder um sorriso.

- Você sabe, Lily, que muita coisa pode acontecer em três dias.

- Claro. O mundo pode acabar e eu posso cair morta ou...

- Ou quem sabe James a pede em casamento.

Lílian caiu na risada, não pretendia fazer isso, mas a idéia era tão absurda que não conseguiu se controlar.

- Ah, não acredita em mim?

- James deixou claro que não quer se casar novamente, Molly.

- Há uma grande diferença entre o que um homem diz e o que ele quer realmente. Confie em mim, ninguém sabe manipular um homem tão bem quanto eu.

- Mas e se James quiser voltar novamente para o mar?

- Deixe-o ir. Ele voltará bem depressa.

Poderia confiar em Molly? Talvez, afinal, a mulher conhecia James há mais tempo, e era inteligente e observadora.

Se alguém podia dizer se James estava ou não apaixonado era Molly.

E ela dissera isso. E acreditava que James estava a ponto de fazer uma proposta de casamento.

"Meu Deus, e se Molly estiver errada?" , pensou Lílian

- Não sei não, Molly.

- Pelo menos pense no assunto. E o faça rápido, o tempo não está do nosso lado.

Oooooooooooo

Por quase uma hora Lílian se deixou arrumar e pentear por Molly e sua empregada. Mas o resultado valeu a pena. Seus cabelos haviam sido penteados de tal forma que seus olhos se realçavam. O vestido também lhe caiu como uma luva.

- Espere até que James ponha os olhos em você – Molly lhe sussurrou no ouvido quando desciam as escadas.

Parando na porta da sala de estar, Lílian viu primeiro Sirius que conversava com Remus como se estivesse lhe ameaçando. James estava ao lado dos amigos rindo de ambos e conversando com Robert de costas para ela.

Um pouco desapontada, Lílian seguiu Molly e foi sentar-se no sofá ao lado de Martha.

- como esta bonita! – Martha exclamou ao vê-la. – Robert – ela chamou o marido – Acredito que você vai ter trabalho em manter os rapazes afastados da Srta. Lily enquanto ela for nossa hóspede.

Lílian ruborizou ao ouvir o elogio, os marotos viraram para olhá-la.

- Ah Robert – exclamou Sirius – pode ter certeza que não é fácil manter esses safados longe das moças – resmungou olhando ameaçadoramente para Remus.

Quando viu Lílian, os olhos de James se arregalaram e aos poucos um sorriso de aprovação lhe surgiu nos lábios. Isso provocou arrepios na ruiva, nunca em sua vida ela recebera um olhar de admiração como o de James.

- Bem, estamos todos prontos para o jantar, não é? – Martha perguntou – Pena que Andie e Dora não puderam vir Sirius, a companhia delas seria muito boa, e tenho certeza que Lílian adoraria conhecê-las.

- Estou tentando manter a minha sobrinha na linha. – falou Sirius tentando mostrar seriedade.

- Quer dizer, está tentando mantê-la longe de mim – riu Remus.

- Ah, pode ser também – Sirius acompanhou a risada do amigo.

Martha sorriu e levou todos os convidados para a sala de jantar.

"Molly talvez esteja certa" , Lílian pensou "Talvez eu devesse escutá-la."

Se Molly sabia tudo sobre os homens, então ela sabia mil vezes mais o que Lílian sabia naquele momento.