Capítulo 14
Era engraçado que, para um vigilante... A única época em que Roy não tinha medo de nada; era quando ele não tinha mais nada a perder. Quando os seus amigos já tinham morrido. Quando ele estava tão fundo nas drogas e na bebida, que procurava meios de se suicidar, mas sem ter realmente a coragem para fazer isso. Ele provocava criaturas meta-humanas, caçava missões suicidas, irritava aberrações, esperando ser espancado até a morte.
Mas Roy realmente era bom no que fazia. E nunca teve o privilégio da morte. E quando poderia ser morto, o inimigo era tomando por uma compaixão sem sentido e o ruivo ia parar no hospital.
De certo modo, ainda tentava fazer o bem. Como a vez em que foi ajudar aquela vila. Mas o moradores viraram-se contra ele, contra os seus terroristas, contra Deus e mundo e ele acabou numa prisão de segurança máxima. Sentenciado a morte.
Que ironia cruel.
Ele observava o teto da cela podre sem nenhuma esperança, tocando em sua cabeça cada erro que fizera na vida. O filho difícil que foi. Os problemas que causou para Oliver. O que fizera quando estava com os Titãs... Cada seringa que usou, cada grama do pó que cheirou. Cada gota do álcool que bebeu.
Cada gota de sangue derramada em sua cruzada sem sentido e objetivo.
Ele não queria...
Não queria morrer.
Não daquele jeito.
Mesmo que já tivesse aceitado seu destino, lá no fundo, seu coração não deixava de ter esperanças que alguém – qualquer um – salvasse ele. Não precisava de muito. Apenas meras palavras de protesto antes que ele tomasse uma bala na cabeça já bastavam.
Porque ele não sabia, a um bom tempo, o que era ter alguém se preocupando com você. Lutando por você. Te esperando de braços abertos para voltar pra casa.
Amando você.
E então veio Jay.
Ele vestido de padre velho e gordo. Sorrindo torto, cheio de charme e marra. Explodindo e atirando tudo o que via pela frente.
E com ele veio Kori.
Tão radiante quanto o sol. Seminua e destruindo tanques de guerra como se não fossem nada.
Roy estaria mentindo se não dissesse que nunca estivera tão feliz em anos.
Eram dois completos estranhos, mas que achavam que ele, Roy Harper, era digno. Que ele, em todo o seu fracasso, todo o seu vício, toda a sua dor, seu descontento, sua incapacidade, seus erros, sua história... Valia a pena.
E deus como Jason e Kori foram pacientes.
Obviamente Roy estava longe de estar em forma, mas Jason sorriu de canto e lhe disse para tomar o tempo necessário.
Jason was just fucked up as himself.
Maybe, that's why they get along so well.
Se Roy estava morto por dentro. Jason tinha morrido de verdade.
E ele admirava o moreno, por sua força, por sua perseverança.
Era por isso que enquanto o ruivo passeava pela loja de artigos masculinos, e a gentil vendedora se aproximou perguntando se ele precisava de ajuda, Roy sorriu e respondeu que estava procurando um presente "for my Best bro".
Era por isso que Roy teve vontade de chorar, quando estava na casa de Jason naquele dia, e os dois vigilantes observavam Kori e Damian brincar na neve com Titus, e o moreno olhou pra ele, com um sorriso incomum nos lábios e os braços cruzados.
"We've done a good job, don't we?".
We.
Roy sorriu e concordou com a cabeça, porque não conseguia encontrar palavras para responder.
...
Kori sorriu para o ruivo, curiosa com os vários pacotes de presente que ele colocava no saco, prontos para saírem para o natal.
Natal.
Ele sabia que Kori não lembrava o que era o natal, o que se comemorava, não entendia o espírito. Mas ele sorriu e explicou tudo pacientemente. Porque era tão fácil. Tão simples de se admitir o enorme amor que ele sentia por ela.
Kori era a chama da sua vida.
Uma chama que tinha se apagado a muito tempo atrás. Mas ele se sentia vivo com ela. Sentia o calor, a emoção novamente. Ele olhava pra ela e só tinha boas lembranças sobre o passado.
Roy amava Kori.
De todo o coração e alma.
E ela amá-lo de volta, era muito mais do que alguém como ele jamais poderia imaginar e merecer.
...
..
.
O ruivo suspirou, mas manteve o bom humor. Quero dizer, ele quem disse que aquelas tortas de StarCity eram absurdamente maravilhosas, e que não passaria o natal sem elas. Obviamente, quem teve que ir buscar, também foi ele.
E agora, lá estava Arsenal, na fila do lado de fora da confeitaria. Os cabelos escondidos dentro do boné, que tinha o capuz do casaco de frio vermelho por cima. As mãos enluvadas estavam enfiadas nos bolsos e o rosto escondido no cachecol.
Bem. Não era porque ele já tinha se acostumado com o constante frio da casa dos Wayne, que gostava de passar frio. Além do mais, era por uma boa causa.
Ele prometeu pro Damian que levaria uma torta de maçã e outra de chocolate com morango. E a criança prometera "rabanadas" brasileiras para a ceia de natal. Da mesma forma que Kori ficou com todas as bebidas e aperitivos, enquanto Jason cozinhava o jantar principal.
Roy sorria, enquanto tirava a luva e puxava o celular para tirar fotos da fila enorme e mandava para o então melhor amigo.
Vc vai passar o dia todo aí. Vem logo q eu preciso de ajuda na cozinh – Jaybird
Mas eu tenho q pegar as tortas antes. Falta MT coisa? – Roy
Sim. MT coisa – Jarbird.
Vc nunca precisa de ajuda na cozinha. Oq vc fez? – Roy
Nothing. Just need some help from my buddy. – jaybird
Jason oq vc fez? – Roy
Nada. – jaybird.
Ok. Então eu fico aqui mesmo. Vou aproveitar p dar uma volta na cidade até a noite – Roy.
Eu n sei enrolar presente. N dava p empacotar tudo com o D aqui. – Jaybird
... pq vc n coloca numa sacola só? Qlqr sacola colorida serve – Roy
... n. n serve. Vem logo q eu preciso de ajuda. Dammit – Jaybird
Geez. Fine, mas vai demorar... eu sou o ULTIMO da fila. – Roy
"Roy?".
O ruivo ergue a cabeça imediatamente, desfazendo o sorriso. E encarou aqueles olhos claros familiares.
Oliver.
Jesus Christ. Just 'cause it's xmas.
"Oliver". Ele respondeu calmamente, virando o corpo para o loiro. Colocou a mão no bolso do casaco e sorriu sem jeito. "Happy xmas".
"Happy xmas...". O loiro parecia meio atônico. Pra falar a verdade, era um milagre alguém reconhecê-lo com o boné, capuz e cachecol sobre a boca. "How are you?". O mais velho se aproximou, quase que intrigado.
"I'm pretty fine, actually. Well. Right now I'm cold, so I'm not that fine". Ele deu uma risada, forçando a si mesmo para relaxar. "And you?".
"I'm fine too... Você... está fazendo o que aqui?". O Queen piscou confuso. Roy passou a mão na nuca, sem graça.
"Eu vim pegar a minha encomenda... Tortas". Gesticulou exageradamente para o estabelecimento. "São as minhas favoritas". Completou, voltando a colocar as mãos nos bolsos.
"You look good Roy. You look healthy, happy even". O loiro sorriu ameno e o ruivo abaixou a cabeça.
Aquilo significava muito vindo de seu antigo tutor. Especialmente depois da fase que suportou.
"Thanks... I... Eu não estou mais sozinho. Tenho bons amigos que tomam conta de mim". Sorriu genuinamente.
"A alienígena e RedHood?". O loiro franziu o cenho, confuso. Roy quase gargalhou, jogando a cabeça pra trás.
"Yeah! Eu sei que eles parecem um bando de malucos homicidas... Mas faz tempo que eu não me sentia tão bem. We are having a xmas party too!". O loiro cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. "Don't give that look Oliver. They are my Best friends, and I couldn't be happier right now". O ruivo balançou a cabeça para os lados, enquanto mantinha um sorriso nos lábios.
Na realidade ele tinha vontade de chorar, ou sair correndo dali. Estava realmente se forçando muito a sorrir e agir normalmente.
"I've seen some stuff you did during this year". O loiro mudou de assunto repentinamente, abaixando mais o tom de voz. "What happen in Gothan?".
O ruivo suspirou cansado, e desviou o olhar.
"I'm sorry but this is not of your business Oliver". Ele endireitou a postura. "Questionar as minhas amizades e depois exigir respostas para o que aconteceu naquele dia... I'm sorry. Mas eu posso interpretar isso de uma forma errada".
Oliver arregalou os olhos e abriu a boca, mas não pode emitir nenhum som.
"I-it's not- It's not like that. Geez Roy. I'm just asking". O loiro desviou o olhar, encolhendo os ombros, enquanto enfiava as mãos nos bolsos.
Roy arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços.
"Ok. Maybe I'm doing some investigation too". O mais velho admitiu. "Come on. Vocês não são santos. Muito menos inocentes em nada. Principalmente RedHood. Eu não sei como o Batman ainda não conseguiu pegá-lo".
Roy apenas se irritou mais, franzindo o cenho.
Oliver não tinha o direito.
Não ele.
Não contra os seus amigos. Sua família.
Mas assim que o ruivo puxou o capuz do casaco para trás, ele escutou aquela voz macia ao longe. E imediatamente desfez a postura agressiva, virando de costas e se abaixando para recepcionar Damian.
O moreno vinha correndo, com um sorriso nos lábios, enfiado num casaco preto grande de mais para o seu tamanho.
"Hey Little D!". Colocou a mão em cima da cabeça do mais novo, sorrindo. "O que está fazendo aqui?". Normalmente o Wayne não deixaria o ruivo bagunçar tanto seus cabelos, mas o pequeno parecia de ótimo humor.
"Eu já peguei tudo o que tinha que pegar, e tava por perto, então resolvi passar e te pegar pra gente ir pra casa logo".
"Well, we have a problem then".
"Why?"
"Porque o nosso Jaybird é burro e não sabe embalar presentes, então ele me pediu ajuda enquanto você não está em casa. Além do mais, estou preso nesta enorme fila".
"Tt. You make everything so difficult, Harper". O menino cruzou os braços, e fez uma feição séria.
Roy riu e se pôs em pé.
"I'm sorry".
"Okay. I'm getting the pie. Gimme the paper".
Roy entregou o papel na mão no mais novo, que leu atentamente, e marchou para dentro da loja, ignorando toda a fila do lado de fora.
O ruivo finalmente olhou para Oliver, que mantinha o olhar cravado na entrada da loja.
"... Was that...?"
"What do you think?"
Os dois saíram da fila enorme e ficaram perto da entrada, esperando o menino voltar.
"Robin?"
"What do you think?". Repetiu de maneira séria.
"Eu achei que também estava morto. Todo mundo acha".
"Pois ele não está. Apenas NightWing foi assassinado naquele dia. RedHood salvou-o a tempo. Desde então, ele está conosco". Roy colocou as mãos nos bolsos e encarou o ex-tutor.
"Does HE knows?"
"Yes".
"You are protecting him".
"We all are".
"From what?"
"From everyone, from everything. From all the bad feelings and ugly memories. He's our little brother". O ruivo sorriu ao ver o Wayne sair da loja com três caixas nas mãos.
Três?
Mas ele não tinha encomendado duas?
"Eu ganhei uma de cortesia". O garoto sorriu convencido, dando de ombro como se não fosse nada. "Come on. A gente passa em casa, eu te deixo e vou pegar a Kori".
Damian virou lentamente para o Arqueiro Verde e arqueou uma sobrancelha.
"Oliver Queen". Murmurou não impressionado. Olhou o loiro dos pés à cabeça e depois virou-se para o ruivo. "Wanna stay longer?".
"No. We are done here. Let's go home, Little D".
Roy deixou seus dedos se enrolarem nos fios negros de Damaian, fazendo uma nota mental de lembrar Jason de que em breve teriam que cortar as madeixas do menor. O Wayne ergueu o queixo, aceitando o carinho na cabeça, ao mesmo tempo em que encarava o ex-tutor do ruivo.
O moreno começou a andar sozinho, tomando caminho onde tinha deixado a nave, carregava as caixas e ainda olhou duas vezes para trás, para se certificar de como o ruivo estava.
Roy sorriu para o pequeno e deu um leve aceno com a cabeça, certificando que estava bem. Virou-se para o loiro mais velho e suspirou, com a mão na nuca.
"I have to go. Happy xmas Oliver".
O loiro não conseguiu dizer nada. E nem Roy ficou para ouvir.
...
O caminho de volta para a casa dos Wayne foi incomum.
Incomum porque pela primeira vez, Roy ia calado, pilotando tranquilamente. Enquanto Damian preenchendo o silencio com comentários sobre seus presentes serem incríveis. E como tinha sido difícil decidir algo para Kori. Sobre a decoração de natal. O chocolate quente que ele aprendeu a fazer com leite condensado – seja lá o que isso fosse -.
Damian falava sobre ter outro bicho de estimação para brincar com Titus.
Falava sobre a neve e a escultura suprema de gelo que ele construiu no jardim de trás. Sobre os pokemons que tinha trocado com Kori. Sobre os jogos que deveriam zerar e como precisavam de mais uma TV na sala, porque Jason gostava de jogar XboxOne e ele PS4.
"I'm sorry".
Roy se virou rapidamente para o lado onde Damian estava sentado com as caixas do colo. O moreno tinha a cabeça baixa e um olhar triste.
"For what, D?"
"You didn't look happy when I arrived... Was it my fault?". Olhos azuis arrependidos brilhavam úmidos e o ruivo suspirou e sorriu, levantando da cadeira de piloto.
Ele se abaixou na altura do moreno e sorriu, segurando a cabeça do menor com as duas mãos.
Dammit. Damian was such a cute child. So so so so cute!
Apertou as bochechas do menor, que soltou um som agudo em protesto. Riu.
"Ever since you arrived in our lives, everything has become happier, Little D". Apertou a face do menor com mais firmeza, forçando um bico na cara do mesmo, enquanto espremia as bochechas. "You are too cute to be angry at". Finalizou com um enorme sorriso. "Além do mais, eu já estava prestes a sair correndo dali por conta própria, você meio que me salvou".
Damian apenas soltou um "Tt", enquanto massageava a própria face.
Roy era legal. Mas ele era tão idiota as vezes.
Damian podia ver toda a dor e sofrimento, todas as lembranças ruins estampadas atrás do sorriso idiota.
Porque aquele retardado não desistia e chorava logo todas as mágoas que tinha pra chorar?
"It's ok".
"Hmn?"
"I won't tell Jay".
"... Thanks D".
...
..
.
Titus farejava os presentes de maneira excitada. O corpo já acostumado com um suétes branco e vermelho de bolinhas verdes. Ele sentou e encarou os presentes.
Um osso enorme muito mal empacotado, principalmente.
"Come here boy. Not yet".
O cão olhou o pacote e depois o dono. E depois o pacote de novo. Choramingou, e andou até o dono, um pouco mais animado com o agrado que o dono da casa segurava para si. Abocanhou o pedaço de carne e foi comer perto da lareira, onde Damian e Kori estavam sentados, tomando chocolate quente.
Roy suspirou e olhou uma ultima vez para a mesa, verificando se não tinha mais nada faltando. Jason passou do seu lado, lhe estendendo uma caneca fumegante.
Um. Dois. Três... oito marshmallows? Jay estava realmente de bom humor.
"Okaaaaaay! Podem vir! Mesa posta".
Os dois se levantaram do chão e foram se sentar à mesa, elogiando a decoração do ruivo.
Ora. Nada que um tutorial do youtube não ajudasse para a decoração de uma mesa.
Comeram. Beberam. Riram e conversaram como uma família normal.
Roy se sentia tão feliz. Tão relaxado.
Kori entrelaçou os dedos dela nos de Roy por debaixo da mesa, enquanto riam sobre uma história de adolescência de Jason.
Ser pego se masturbando às cinco horas da manhã pelo Batman em pessoa é um trauma que nenhum adolescente deveria sofrer.
E isso nem se compara com A conversa que foi obrigado a ter com o vigilante.
Ela beijou-lhe discretamente os lábios e sorriu.
"A gente deveria abrir os presentes tipo, agora". Damian sorriu animado.
"Não quer esperar até amanha, little D?". Jason sorriu, tomando um gole de vinho.
"Bem. É quase meia-noite de qualquer jeito, e até onde eu sei, se o papai Noel estrar pela lareira, vai ativar todos os alarmes e o titus vai pegá-lo também. Não deveríamos contar com os presentes do Velinho". Roy piscou para Damian que prontamente concordou.
Jason girou os olhos e levantou da mesa.
Kori foi a primeira a sair voando na direção da árvore decorada. Damian e Titus correram logo em seguida, com Jason logo atrás, ordenando que não abrissem todos os pacotes de uma vez. E Roy foi por ultimo. Todos sentaram no chão e puxaram os pacotes coloridos de debaixo dos galhos frondosos.
Kori sorriu e selecionou pacotes bonitos demais para terem sido empacotados por ela mesma. Ela se pôs de pé e entregou os pacotes para cada um.
Um para Jason. Dois para Damian e um para Roy.
E mais um para Titus.
Jason pegou o pacote meio abobalhado, sem saber exatamente o que fazer. E sem dizer nada, desfez o laço gigante e rasgou o papel.
Um relógio bonito folhado a ouro e as chaves do que parecia um carro novo – mais tarde eles descobriram que era uma moto, mas isso não vem ao caso -.
O moreno parecia genuinamente emocionado. Provavelmente não teve muitos natais agradáveis desde que voltou dos mortos. Provavelmente aquele era o primeiro presente que ganhava em anos. Ele sorriu e abraçou a alienígena com força, agradecendo.
Os presentes de Damian eram um videogame novo – aparentemente um console que o pequeno ainda não tinha – e uma moldura simples.
Com uma foto de todos eles juntos.
Damian chorou. E passou o resto da noite atracado ao irmão mais velho.
E quando Roy abriu o próprio presente. Não havia nada mais que uma simples chave.
Ela sorriu e se abaixou, ficando na altura do ruivo muito confuso.
"This key... I bought a new home for us too... Um apartamento grande... Nós... Nós podemos ter um bicho de estimação se quiser... Fica mais perto daqui do que a ilha".
Roy também chorou naquela noite.
Ao final da noite, Roy tinha ganhado uma casa nova de Kori, um arco novo de Damian e um boné de Jason, que combinava com o uniforme novo e melhorado.
Jason não chorou, mas parecia imensamente feliz com o relógio novo. O moreno também ganhou um par de espadas novas de Damian e um suéter – do Batman – de Roy.
Vale ressaltar que o suéter quase fez o Harper perder a cabeça.
Mas o ruivo compensou com uma coleção de cinco livros raros.
Kori, como a bela dama – princesa alienígena – que era, ganhou um cordão de ouro com um pingente de esmeralda. Roy deu uma coleção de vinte e cinco livros para ela ler. E Damian, por incrível que pareça, deu o presente mais incrível.
"Você construiu isso? Pra mim?". Kori olhava a caixa pasma. Damian sorriu e concordou com a cabeça.
"Father have one of those back at the batcave". Damian sentou no chão ao lado da ruiva e pegou os braceletes. "originalmente, é como uma mascara que muda o rosto do usuário, Dick usou em algumas missões... Eu adaptei para as principais áreas corporais, esses aqui vão nos seus braços".
Damian colocou os braceletes na ruiva e os dois imediatamente ficaram transparentes.
"Esse aqui, é para o peito, ombros e rosto... Eu posso colocar no cordão que Jay te deu". Damian correu até a cozinha e voltou com um tubo de cola superbonder e grudou o dispositivo atrás do pingente. "Eu posso adaptar melhor depois". Murmurou. "Esse aqui é para o seu cabelo. Eu tive que fazer dois, então, se quiser colocar num brinco, ou atrás da orelha, também tanto faz".
"E isso vai fazer o que? Mudar minha aparência?".
"No... It's just... I wanted you to go out with us more often... So... Isso vai mascarar as suas células de pigmentação, basicamente a cor da sua pele e a aparência do seu cabelo".
"Eu vou parecer uma humana". Ela sorriu. "E eu vou poder sair na rua com vocês".
"You said you really wanted to go to the movies someday... You... Você não pode ainda sair com poucas roupas, ou um vestido para um lugar mais quente... M-mas eu prometo que vou construir um pra você!"
Dammit Damian. Too many feels.
...
"Damian is sleeping". Jason desceu as escadas lentamente, com um sorriso tranquilo nos lábios. Roy e Kori sorriram de volta. "Ainda nem acredito que deu tudo tão certo". Suspirou aliviado, enquanto colocava as mãos no quadris e fechava os olhos com tranquilidade. "Eu pensei que seria uma data bem dificil, ainda mais por conta das lembranças e tudo mais... Mas Damian parecia tão feliz que eu não quis tocar no assunto".
"You are proud of him". Kori sorriu.
"So much that I think I'm the one crying". Ele riu, abrindo os olhos.
"Damian Wayne é o pacote de feels que ninguém consegue aguentar". Roy sorriu. E depois riu ainda mais quando o Wayne concordou.
"I... wanted to talk to you guys".
O moreno sentou no chão, enquanto o casal se mantinha no sofá. Titus lambeu o rosto do dono e subiu as escadas, provavelmente para dormir com o mais novo da casa. Kori arrumou a postura, enquanto Roy mantinha a mesma pose desleixada, escondendo o nervosismo súbito atrás de goles exagerados de chocolate quente.
"Eu queria agradecê-los... Por tudo".
Dammit.
Aquele foi o sorriso mais gentil que Jason já dera.
E olha que aquele sorriso, até então, era unicamente dedicado à Damian.
"Sem vocês, eu não estaria aqui. Sem vocês nada teria sido possível e eu nunca teria conseguido vir tão longe. Tanto como pessoas, como soldado, quanto em relação ao Damian". O moreno sorriu mais ainda. "nós chegamos bem longe. Somos um ótimo time. E eu tenho orgulho de fazer parte dele. More than team mates, friends, you are my family".
Roy nem percebeu o sorriso acompanhado de lágrimas que se formou em sua face.
"Come on Roy. No crying, dumbass!". Jason franziu o cenho, enquanto Roy começava a rir sem motivo algum, limpando as lágrimas de seus olhos. "como eu ia dizendo. Além de minha família, vocês também são a família de Damian. E eu sei que ele se importa com vocês, tanto quanto eu". Ele se pôs de pé e foi até a arvore, pegando uma pequena caixinha escondida entre os galhos mais baixos. "And those are for you. 'cause this is your home too".
Por algum motivo, Roy sentia como se estivesse sendo comprometido com uma enorme responsabilidade.
A responsabilidade que era ser especial para alguém. Ser parte da vida de alguém. Ser um melhor amigo, um irmão, um companheiro. Nunca em sua vida, duas míseras chaves pesaram tanto. Tiveram tanto significado.
Ele jurou que não cairia novamente. Que se manteria forte por sua nova família. Que seria leal e presente. Roy não podia falhar com eles.
Ele não falharia nunca mais. Não com os seus amigos, sua família. Com as pessoas mais importantes do mundo pra ele.
E o calor dos braços de Cori e Jason era muito mais do que ele merecia após as coisas que fez na vida.
He was such a crying little shit
...
..
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Não que Tim não estivesse apreciando a comemoração.
Não.
Ele apenas... Não se sentia muito no clima. Seu olhar vagava pelo salão bagunçado, seu time fazendo uma enorme baderna entre presentes e comida.
Tim sabia que alguns deles não tinham comprado presentes, uns por falta de dinheiro e outros por falta de disposição. Então apenas comprou um monte de coisas práticas como relógios, eletrônicos, roupas e outras bugigangas. Não. Ele não escreveu o nome de ninguém. Então todos os pacotes foram abertos e todo mundo ganhou alguma coisa no troca-troca de objetos.
Não se importava, realmente, em não ter ganho nada. Quero dizer, eles não lhe deviam nada – fora a vida, liberdade, dinheiro, comida e talvez lealdade e dignidade -. E Tim não conseguia forçar a sua boca a sorrir.
Por isso ele estava sozinho do lado de fora, observando a baderna por detrás das janelas de vidro. Não queria arruinar o clima animado e muito menos causar alguma inconveniência fazendo os outros perceberem que justo o líder da equipe, o dono do local da festa, o cara que fornecia alimento, abrigo e supria todas as necessidades deles, não tinha ganhado nada.
Virou de costas e foi se sentar na beira da piscina, no deck do barco.
Ele queria ir até Gothan. Mas lhe faltava coragem. Lhe faltava jeito para aparecer lá e abraçar Bruce, lhe dizer feliz natal e todas aquelas baboseiras. Provavelmente o cavaleiro das trevas estaria com um humor horrível e uma vontade de comemorar pior do que a dele mesmo.
Além do mais, Bruce Wayne passaria a festa de natal na cobertura de um empresário qualquer, confraternizando com outros figurões da alta sociedade. Seria um pouco estranho se o filho do meio aparecesse lá do nada, para atrapalhar o pai.
"You want to visit him, don't ya?". Suspirou cansado e esperou até o kriptoniano sentar ao seu lado para conversar adequadamente.
"Yes. Mas eu não sei como..."
"Como o que?"
"Como proceder. Eu não sei o que faria quando chegar lá". Suspirou, deitando no chão frio. O outro moreno imitou o seu movimento, os olhos cravados em sua face, enquanto o ex-robin admirava o céu.
"You will never know until you get there".
"Oh. I know. That's the problem".
O kriptoniano ficou confuso, enquanto o humano apenas girou os olhos.
"Eu conheço Ele. Eu o conheço muito melhor do que conheço meu próprio pai biológico". Kon arregalou os olhos e apoiou o peso do corpo nos cotovelos para prestar mais atenção. "Meus pais biológicos estão vivos. Estão bem. Vivem uma vida ordinária e sem graça. Eu mesmo busquei à força meu caminho de vigilante. Eu não dei muita escolha à Batman a não ser me ter como Robin". O moreno virou de lado, encarando o companheiro de equipe. "Ever since, ele tem sido mais um pai pra mim do que meu progenitor foi a maior parte da minha vida". Ele fechou os olhos lentamente. "Nightwing was my brother. Assim como RedHood e Robin... Batman, mesmo sendo... O Batman, me conhece como ninguém. Da mesma forma que eu aprendi a desvendá-lo ao longo dos anos... Ele sempre se preocupou comigo, as vezes até demais".
"Jesus. Do you realize you are making the Goddamm Batman look like some lovely-overprotective-daddy?".
Tim riu.
Na verdade, ele gargalhou como não fazia a um bom tempo. Kon apenas observou o líder finalmente rir genuinamente, mantendo um sorriso divertido nos lábios. Esperou até o menor terminar, para proceder com o seu discurso.
"Eu entendi o que você quer dizer. Você sabe como ele se sente, sabe qual será a reação dele. Mas ainda tem medo de ir lá e estragar tudo, de piorar o sofrimento dele". Superboy deitou de lado, apoiando a cabeça na palma da mão, enquanto Robin mantinha a cabeça apoiada no braço esticado no chão.
Tim apenas concordou com a cabeça.
"Bem. Acho que isso deveria ser mais um motivo para ir visitá-lo". O maior sorriu, sentando. Tim imitou o movimento, encarando o outro com um olhar que Kon não conseguia desvendar. "Happy xmas Tim".
Kon sorriu e tirou do bolso um cordão de prata.
Tim pegou o objeto e observou o pequeno pingente com o símbolo do cabaleiro das trevas. Passou o fio pelo pescoço e enfiou o cordão dentro da camisa social, rindo enquanto o kriptoniano mantinha um sorriso debochado nos lábios.
"Thanks. And happy Xmas for you too, Kon".
"Oh. Eu que agradeço. Aparentemente você me deu um relógio e um computador que parece valer mais que um carro, de acordo com o KidFlash".
Tim visitou Bruce naquela noite de natal.
Comeram juntos na cozinha, numa paz que não tinham a muito tempo.
Não trocaram presentes. Mas Tim viu o sorriso debochado de seu pai ao por os olhos no presente de natal do kriptoniano.
E ao fim da noite, Tim chorou até adormecer, deitado no sofá com a cabeça no colo do pai, sob os olhos marejados de Alfred e perante o sorriso do retrato de Dick.
...
..
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Heyyyyyyyyy guys :DDDD
EEEEEEê! Capitulo novo!
Então. eu estava fora do país, de férias, e sem o meu notebook. Então, yep. meio dificil de escrever sem o meu lindo pc comigo :\ mas eu que fui troxa mesmo, esqueci que podia muito bem ter posto num pendrive e levado comigo, mas enfim... Aí está o capitlo de natal YAY.
Eu acho que posto amanha ou depois de amanha o próximo de ano novo =D
Queria agradecer de coração a todos os comentários, todo mundo que leu e teve paciencia de não abandonar a minha fic XD eu sei como demoras enchem o saco, mas tem vezes que o universo conspira contra voce, afim de te impedir de escrever\publicas - e tem vezes que é só preguiça mesmo, né. UEHUEHEUHE [não me matem prfv].
Anyway. Feliz natal atrasado a todos. Feliz ano novo também =D
BatBeijos pra voces, seus lindos! E até o próximo cap =DDD
