14º capítulo: Fim para Uns, Recomeço para Outros...

Catherine empurrou a porta que levava à cozinha e viu Elizabeth arrumando várias xícaras, numa bandeja grande. Mais adiante, Sara despejava comida na vasilha de Ozzie.

- Estou passando um café, que é o mínimo que posso fazer, por essas pessoas que estão aqui, quase às duas horas! E nisso vi que com toda aquela agitação, esqueceram-se de alimentar o pobre cão. Ele está triste, Cath, sentirá muita falta de Gil. Vivia atrás dele!

-Que bobagem,Sara! Tristinho... É um cachorro, pelo amor de Deus!

- De alguma forma, os animais sempre sabem dessas coisas...-

- Deixe dessas bobagens e descanse um pouco...

- Se eu parar, fico pensando. Se pensar, choro. É isso que me deseja, Cath? Uma amiga chorosa, morrendo de pena de si mesmo?

- Está tão ruim assim?

Sara concordou, mexendo a cabeça e começou a chorar de novo. Catherine viu Tina, sentada a um cantinho da mesa, comendo sua fatia de bolo do casamento. Sentiu de repente uma raiva desarrazoada da outra, ordenou-lhe com certa prepotência na voz:

- Tina seja útil, faça o café enquanto eu converso com Sara.

Em outra circunstância ela teria reagido, mas ela também estava assustada. Estava num ambiente estranho, numa situação estranha, viera assistir ao casamento de seu filho e de repente estava num velório. Muito esquisito tudo. Largou o bolo e em silêncio foi fazer o café.

Catherine pegou as mãos de Sara e fez com que ela se sentasse, depois puxou uma cadeira pra si!

- -Venha querida, bater um papinho com a amiga Cath!

- Oh Cath, não pensei que doesse tanto! Eu não consigo respirar direito...

- Você precisa reagir amiga, pelos seus filhos..

– Eu sei, é o que estou tentando fazer... Não é nada fácil deixar de lado um amor assim como o nosso...

- É, eu sei! Se nós achamos difícil, imagine você.

- Sempre soubemos que havia uma grande possibilidade disso acontecer, afinal ele estava quinze anos na minha frente, mas eu não me importava e não pensava nisso. Foi tão de repente...

- Bobagem! Reclamaríamos de qualquer jeito. Ninguém queria que ele morresse, ora bolas!

Sara sorriu, Catherine continuava engraçada. Elizabeth se aproximou.

- Precisa de mais alguma coisa?

- Não obrigada! Então vocês voltam para Los Angeles? – Sara perguntou.

- Sim, os meninos têm escola. Quando você souber com certeza quando será o funeral nos telefone que o Greg virá.

- Você não vai vir? – Perguntou Catherine.

- Não posso, os meninos, você sabe... Estão numa idade terrível!

Os homens entraram na cozinha e Elizabeth e Tina serviram o café quentinho, e recém- feito a todos.

William aproximou-se de Sara e Catherine e certificou-se que a mãe estava bem.

- Sabe que mamãe vai sumir com o corpo do meu pai, tia Cath?

Se William tivesse jogado uma bomba na cozinha não chamaria tanto a atenção. Todos fizeram um silêncio ensurdecedor. Depois, olharam esquisito para Sara que notou logo que algo estava acontecendo.

- Você percebeu o absurdo que falou William? Como se eu fosse maluca para esconder o corpo do seu pai. A troco do que eu faria isso? E, principalmente COMO eu faria isso?

- Ora, mamãe, você é quem trabalhou no CSI... não eu. Sei lá! O fato é que você não queria contar para Emily.

- É evidente que vou contar,William mesmo porque morte não se pode esconder, mas quero uns dias, porque conheço sua irmã.Sei que ela não vai suportar , se desconfiar, que o pai morreu por causa do seu casamento.

- Você acredita nisso? – Perguntou Greg..

- Não, por pior que seja a circunstância, ninguém morre de véspera. ,Mas, Emily... ela acreditaria em qualquer coisa, quem a conhece sabe do que estou falando...

- Tem ideia de não contar pra ela? – Perguntou Elizabeth.

- Sim, creio que poucos dias, não farão diferença para Gil, mas sem dúvida, atrapalharia muito a vida de Emily.

- O que pensa a respeito, Dr. Lassiter? – Indagou William

- A priori sou contra qualquer tipo de mentira. Mas acredito que sua mãe conheça sua irmã melhor que ninguém,então fico do lado dela. – Disse o médico, muito sério, como se estivesse advogando uma causa no Conselho de Medicina.

Nick entrou com a mulher na cozinha; queria se despedir de Sara, pegar as crianças e ire pro ainda na manhã seguinte um avião para o Texas. Cínthia tinha de ultimar as malas ainda. Sara levantou-se e ofereceu-lhes café. Nick deu-lhe um comprido e apertado abraço.

- Vocês não voltam?

- Não dá mesmo, Sara. Todos já perderam uma semana de aulas.

- Sim, claro... – Disse Sara soltando-se do abraço e sentindo que o chão lhe faltava.

Elizabeth sentiu a angústia de Sara, ela sabia que fosse qualquer que fosse o motivo, ela sentir-se-ia mais segura se o time estivesse com ela, nessa hora. Intrometeu-se.

- Para ficar de olho neles, basta um. Por que vocês não fazem como eu e Greg? Eu fico em casa e ele vem para cá.

- Podemos fazer isto, meu bem? – Perguntou Nick, com cara de menino.

Todos os olhares dardejaram Cínthia, que não pode deixar de dizer "sim".

Greg aproximou-se da esposa e disse-lhe que era melhor subirem. Quis pegar-lhe o braço, mas Elizabeth fingiu que não lhe viu o gesto. Subiram separados. Entraram no quarto do casal, ela lembrou-se de que haviam ficado lá há 7 anos. Olhou para Grissom, ele estava bem, parecia apenas tirar uma soneca. Como Sara aguentaria ficar sozinha?

Greg sorriu quando ela disse dos sete anos. Aquele Ação de Graças ficaria na memória de todos eles. A bofetada que Sara dera em Grissom não era só inacreditável, mas inesquecível também.

- Grissom não era uma pessoa comum, nem nada que o cercava também. JÁ lhe contei como finalmente fui promovido a CSI?

Elizabeth ouviu esta história, inúmeras vezes, mas não disse nada. Apenas olhava aquele rosto, que relembrando o passado, remoçava com ele. Pensou que Grissom parecia morrer feliz rodeado por eles. Até Warrick fez-se representar por Otis que, segundo Greg era muito parecido com o pai.

Pensou em Sara,agora sozinha, com os filhos tão distantes...Como iria se virar? Tornou a olhar o marido cuja expressão era de um menino esperando por Papai Noel. Ele sempre fora sincero com ela. Fora sério desde que ela o conhecera, aliás, a seriedade aliada ao seu jeito brincalhão era uma mistura tão estranha que a tinha conquistado tempos atrás. Certo, ele trabalhava à noite naquele trabalho estranho. Certo também, que gastava as horas extras viajando, mas tudo que ganhava ia para a família.

Era por ela e os meninos que ele se sacrificava. Ele tivera tantas oportunidades de traí-la longe de casa, porque escolheria alguém embaixo de seu nariz?Além disso, ela conhecera a tal Sissy, ela não fazia o gênero de Greg. Afinal, após tantos anos de convivência conhecia o marido.

A tal Sissy devia ter uma boa conversa e uma boa orelha. Tudo de que precisa um cinquentão cuja esposa o deixa meio solto. Reconhecia que também tinha sua parcela de culpa. Fora mãe exigente de três garotos levados. Oh, ela adorava os filhos, mas gastava inutilmente suas energias, tentando fazê-los parecer anjos, o que eles nunca foram, nem nunca seriam.

Então, quando os filhos eram pequenos, ela estava sempre exausta. Greg não reclamava, pois como estava sempre fora, era ela a responsável por tudo funcionar. Depois que os filhos cresceram, ela estava habituada a comandar, casa, marido e filhos com mãos de ferro,como costuma acontecer à mulheres que tomam decisões sozinhas.

Elizabeth reconhecia que tinha deixado o marido à deriva, nos últimos anos, dando passagem para as Sissies da vida, entrarem. Ela ainda amava o marido. Ainda era tempo de recomeçar. Ele lhe havia jurado que nada havia acontecido e ele nunca tinha mentido para ela...

Ainda havia tempo para ouvir e prestar atenção ao marido, antes que daqui a alguns anos, ele ficasse mudo e imóvel, estendido numa cama feito Grissom e ela estivesse sozinha, feito Sara.

Greg ainda falava de olhos brilhantes. Elizabeth aproximou-se e depositou meio desajeitadamente, um beijo nos lábios. Greg ficou surpreso e não sabia bem como reagir.

- Isso quer dizer que está tudo bem entre nós? – Falou baixinho, com medo que se falasse alto, tudo se transformaria em pó.

A mulher pouco habituada a isso, ficou com as bochechas em fogo e sacudiu afirmativamente a cabeça.