Capítulo 13 – "Jovem de Novo"

"Um beijo deixa o coração jovem de novo e apaga os anos." - Rupert Brooke.

Tradutora: Beatriz.

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Prostituta. Puta. Meretriz. Stripper. Vadia. Vagabunda.

No momento em que coloquei os olhos sobre a melhor amiga de Tanya, Kate, essas foram as palavras que minha mente encontrou para descrevê-la.

Eu estava em pé na frente da casa de Charlie, dizendo adeus a Jake enquanto ele jogava seus pertences na parte de trás de seu Prius, quando o Volvo de Edward surgiu correndo pela rua. Jake e eu nos viramos para olhar enquanto ele entrava na garagem ao lado, meus olhos foram automaticamente atraídos para Edward assim que ele desceu. Eu olhei para seu cabelo caótico e calça jeans furadas, uma camisa gola V cinza abraçando seu peito e ombros largos. Olhando para os pés, vi os tênis sujos e sorri. Grande melhoria para mim, mas quando Tanya desceu, eu soube que ela discordava.

Ela olhou para Edward com desgosto enquanto ele corria seus longos dedos pelo seu cabelo. Era difícil analisar a sua expressão do outro lado do quintal, já que um par de óculos escuros protegia os seus olhos expressivos, mas a carranca em seus lábios deu a entender que ele não estava muito feliz. Tanya o observou como se ele fosse um estranho, uma praga que invadiu seu sistema saudável e ameaçou infectar o que ela mais amava. Eu conhecia aquele olhar, porque era como ela me fez sentir quando apareceu.

Tanya estava linda, como de costume - cabelo perfeito, maquiagem perfeita, sorriso deslumbrantemente branco e vestido branco. Além do olhar que ela estava lançando a Edward, eu não podia ver uma única falha na garota. Claro que ela estava estranhamente alegre, sua personalidade sem dúvida nenhuma em ação, mas o fato da questão era que eu não tinha provas. Ela era manipuladora e ciumenta mas, inferno, eu também não tinha nada de concreto, nada para mudar a opinião de Edward.

Nós estávamos estagnados, em um impasse, e eu estava ficando sem tempo. Era frustrante, para dizer o mínimo.

Eu estava meditando sobre esse fato quando a terceira pessoa saiu do carro, todos os meus pensamentos cessaram no momento em que coloquei os olhos nela. Fiquei espantada e apenas olhei, não tenho certeza do que eu esperava, mas certamente não era uma prostituta-puta-meretriz-striper-vadia-vagabunda.

Ela estava com uma pequena saia preta e um top rosa, expondo sua barriga e um brilhante piercing no umbigo. Seu cabelo loiro platinado estava estranhamente brilhante, seus grandes seios mal conseguiam se manter na faixa de tecido que ela chamava de camisa.

"Você se lembra do filme Legalmente Loira?" Jake perguntou, olhando para mim. "Ou era um filme muito de menininha para você, já que tem um final feliz?"

Revirei os olhos. "É claro que eu me lembro."

Ele apontou para o quintal da frente dos Cullen. "Bem, parece que as vadias da Delta Nu vieram para a cidade."

Eu ri. "Em quem isso me transforma, Elle Woods*?"

*Elle Woods: personagem principal do filme "Legalmente Loira".

"Senhor, não" ele disse. "Você não carrega um cachorrinho por aí, ou sabe a primeira coisa sobre um permanente, querida. Você é mais como Vivian, aquela com o pau no trazeiro."

Eu lhe dei uma cotovelada na cintura. "Eu não sou tão ruim assim."

"Você tem razão, existem algumas qualidades redentoras sobre você" ele disse. Olhei para ele, curiosa para saber quais ele achava que eram essas qualidades, e ele riu. "O que, você quer que eu as nomeie? O que é isso, um teste?"

"Talvez."

"Então a resposta é B, Bella. É sempre B. B, como seus sutiãs tamanho B que são bastante agradáveis ."

"Eu uso tamanho C" eu disse defensivamente, olhando para meu peito.

Ele riu. "Poderia ter me enganado."

Olhei de volta para o quintal dos Cullen enquanto as portas do carro eram fechadas e observei Edward por um momento. Nós não tinhamos conversado desde o encontro em seu quarto, quando eu tinha meio que quase sugerido que meus sentimentos por ele persistiam. Ele saíra do quarto sem dizer uma palavra e descera, tomando seu lugar ao lado de Tanya na mesa da sala de jantar. O que eu pensei que seria o progresso parecia ter me levado alguns passos para trás.

Isso estava começando a parecer inútil.

Edward pegou algumas malas do porta-malas do carro e dirigiu-se para a casa sem sequer olhar em minha direção. Tanya olhou porém, e acenou animadamente. Eu retribui com um aceno meia-boca, enquanto a saudação de Jake era um pouco mais entusiasmada.

"Bem, não são belas damas?" ele gritou. "Você tem sorte que o Chefe de Polícia Charlie Swan não está em casa, porque eu tenho certeza que é um crime ser tão bonita."

Ambas as garotas riram como meninas do colegial conforme entravam, enquanto eu lutava contra a vontade de vomitar. "Talvez eu devesse voltar para Seattle com você, Jake. Acho que estou apenas me preparando para o fracasso."

"De jeito nenhum, você tem que ficar" disse ele. "Você não pode simplesmente ir embora agora depois de eu ter preparado o terreno."

"Preparado o terreno? Edward não vai sequer olhar para mim agora."

"E por que você acha isso, Bella? Você o contorceu por inteiro. Se você for embora agora, ele não terá escolha a não ser ir em frente com o casamento, e você vai ser uma miserável, uma moça solitária para sempre." Ele lançou os olhos em minha direção. "Sem ofensa."

"Nenhuma."

"Além disso, mesmo que você se tire da equação, você realmente quer que a boneca Barbie se case com o seu homem? Você acha que isso é o que ele realmente quer? Um clichê, uma esposa cortadora de biscoitos, uma cerca branca, 2/5* filhos e um golden retriever?"

*No original "2.5 kids", que significa "d filhos", ou seja, Edward teria entr filhos com Tanya, para caracterizar uma família típica e feliz.

Eu fiz uma careta. "Por que mais ele estaria com ela então?"

"Talvez a vagina dela seja feita de ouro?"

Eu realmente tive ânsia a essa altura. "Eca, Jake. Eu não quero pensar sobre sua... sobre suas... ugh."

Ele riu. "Por quê? Provavelmente é verdade. Ela abre as pernas e é como se tivesse uma Venus Fly Trap* lá, como se ele encontrasse o Santo Graal. Mas há algo mais poderoso do que uma vagina, Bella-boo. Algo que um homem como Edward Cullen quer mais do que qualquer coisa."

*Venus Fly Trap: uma planta carnívora.

"E o que é isso?"

"Amor" ele respondeu. "Ele quer ser desejado. Ele precisa ser necessário. Mas você, Bella Swan, deixou perfeitamente claro há anos atrás que você poderia sobreviver sem ele. Você praticamente castrou o pobre garoto com apenas suas palavras."

"Você não o conhece realmente."

"É verdade, mas eu não preciso. Sei o tipo dele."

Eu balancei minha cabeça. "Ele disse a mesma coisa sobre você, você sabe."

"Ah, é? Que tipo de pessoa que ele disse que eu era?"

"Um pau."

Um sorriso iluminou o rosto dele. "Hum, interessante. Bem, você sabe como diz o ditado - nós somos aquilo que comemos."

"Ugh, isso faz dele uma vagina, então?"

A gargalhada de Jake passou por mim, diminuindo meu humor sombrio. "Sim, Bella. Isso é exatamente o que ele é... Eu acho. Ele come vagina, certo?"

Fechei os olhos e suspirei, recusando-me a responder a essa pergunta.

Eu estava quieta enquanto Jake terminava de guardar as coisas para a sua viagem para casa. Depois de alguns minutos ele estava pronto para ir e passou os braços em volta de mim em um abraço, me levantando do chão. "Eu vou sentir sua falta, Jake."

"Você vai me ver em uma semana" ele respondeu. "Se o casamento acontecer, quero dizer. Tenho a sensação de que a cerimônia será um material para TV."

Sorri quando ele me colocou de volta no chão. "Promete? Porque eu não acho que eu poderia sentar sozinha, se ele realmente se casar com ela."

"Eu prometo" ele respondeu. "No entando, nesse meio tempo eu tenho uma sugestão."

"Huh?"

"Porra, faça algo quanto a isso. Você tem que sujar as mãos, Bella. E se o impulso vier, não se esqueça do meu diagrama e plano B. Certo?"

"Tudo bem" eu disse. "E eu vou considerar a definição de colocá-la em chamas, mas não prometo nada."

"Ótimo. Pelo que eu ouvi, você é uma especialista em queimar as coisas."

Eu lhe dei uma cotovelada. "Isso não é engraçado."

Ele deu de ombros. "Eu pensei que fosse."

Ele estava prestes a entrar no carro para ir embora quando a voz de Esme surgiu. Jake e eu olhamos para o lado, vendo-a vindo em nossa direção. "Estou feliz que te encontrei antes de ir embora" ela disse, segurando um envelope. "Eu quase me esqueci de te dar a minha carta para A Verdade seja Dita."

"Ah, sim" Jake disse, pegando-a e agitando-a com um sorriso. "Eu vou me certificar de que isso receba a devida notificação."

"Obrigada" Esme respondeu. "Tem sido um prazer conhecer você, Jake. É uma pena você não ter chegado a conhecer o meu marido, ou que o pai de Bella, Charlie, não tenha aparecido muito por aqui. Você vai ter que voltar quando as coisas estiverem menos agitadas e passar algum tempo com a família."

"Eu absolutamente volto" respondeu Jake. "Te vejo logo mais, Esme. Bella, eu ligo para você, amor."

Levantei-me e vi quando ele entrou em seu carro, colocando a carta de Esme sob a viseira de sol antes de dar partida. Esme acenou, jogando o outro braço sobre meu ombro e me puxando para ela. "Esse Jake é muito charmoso, não é?"

"Ele é."

"Ele é bonito também."

"Definitivamente."

"Tem um jeito com as palavras, com certeza."

"Sim."

"Engraçado."

"Uh–huh."

"Inteligente."

"Sim."

Ela suspirou quando ele saiu do meio-fio, se afastando. "Então, me diga uma coisa, Bella."

"Que coisa?"

"Até quando vamos deixar essa farça ir em frente?"

Eu fiquei tensa. "O quê?"

"Não me pergunte, mocinha. Você sabe exatamente o que quero dizer. Até quando vamos fingir que aquele rapaz é seu namorado?"

"Uh..." Eu estava pasma. "Quero dizer, como você...?"

Ela balançou a cabeça e sorriu. "Uma mãe sempre sabe, Bella. Sempre."

...

Eu fui para a casa dos Cullen, irrompendo pela porta da frente, subindo e indo direto para o quarto de Edward sem dizer uma palavra para Esme e Carlisle, que estavam sentados no sofá na sala de estar. Eles mal olharam para mim, acostumados com a minha presença, antes de se concentrarem novamente em um filme qualquer que estavam assistindo. Era tarde da noite, um pouco depois das dez, e Charlie estava trabalhando no último turno, como de costume.

Eu empurrei a porta do quarto e entrei, segurando o envelope rosa com tanta força que a cartolina dentro dele dobrou sob meu aperto. Edward estava deitado de costas na cama, batendo o pé e cantarolando alguma música que tocava em seus fones de ouvido conectados a um CD player portátil. Ele nem sequer pestanejou quando eu deslizei na cama ao lado dele, colocando minha cabeça em seu peito enquanto minha mão segurando o envelope descansava em seu estômago. Tirei um dos fones do ouvido dele e coloquei no meu ouvido, suspirando quando ouvi a suave melodia da antiga música dos Fleetwood Mac*.

*Fleetwood Mac: um grupo anglo-americano (quando o indivíduo mora nos EUA, mas suas raizes etnicas são da Inglaterra) de rock, formado em 1967.

Well, I've been afraid of changing

'Cause I've built my life around you

But time makes you bolder

Children get older

I'm getting older, too

"Você não acha estranho que a maioria das músicas que você ouve seja mais velha que você?" Eu perguntei.

Ele suspirou. "Não, isso é a beleza da música. É como o amor. Isso só se torna mais poderoso, mais profundo, conforme o tempo passa."

Olhei para ele com surpresa. "Isso foi muito filosófico. Você leu em um livro?"

Ele riu, balançando o meu corpo com o movimento. "Eu? Ler um livro? Isso é conversa de louco, Swan."

Eu estava quieta, ouvindo, quando o CD mudou para uma música mais agitada que eu não conhecia. Edward abaixou o volume e arrancou o envelope da minha mão, puxando o cartão listrado em rosa e amarelo para fora. Ele o abriu, seu corpo ficando rigido conforme ele lia as palavras em voz alta.

"Minha querida Isabella, eu sei que este cartão está atrasado, mas quero te desejar um feliz aniversário. É tão difícil acreditar que você está crescida agora e não é mais a doce menininha me seguindo e querendo fazer tudo o que a mamãe fazia. Você está animada para o seu último ano? Eu sinto sua falta, querida. Com amor, mamãe."

As palavras ardiam e meu peito se apertou, dificultando a respiração. Edward deslizou o cartão de volta no envelope, me abraçando enquanto as lágrimas começavam a fluir de meus olhos.

"Ela não sabe o dia do meu aniversário, Edward" eu sussurrei. "Ela nem se lembra quando eu nasci."

"Tenho certeza que ela sabe quando é seu aniversário" ele disse. "Ela está provavelmente tão bêbada agora que realmente acha que está no fim de setembro."

Eu ri secamente. "Sim, em setembro do ano passado. Estou animada para o meu último ano? Ela nem sabe que eu me formei. Eu sou tão insignificante para ela... a minha mãe não sabe nada sobre mim."

"Ela não é realmente sua mãe, Swan. Se ela fosse, ela saberia quantos anos você tinha. Ela saberia que você é uma cozinheira brilhante, desde que não faça bolo de chocolate no forninho de cozinhar, e que a sua comida favorita é frutos do mar. Ela saberia o quanto você odeia a chuva, ou o quanto você gosta de ler. Ela saberia que a sua cor favorita é verde e não essa porra cor de rosa" ele disse, segurando o envelope. "Ela saberia que você fala durante o sono, que você sonha em escrever um livro um dia, que você gosta de boy bands terríveis, mas tolera rock clássico, porque você se importa comigo. Inferno, ela saberia até mesmo que você se importa comigo. Se ela fosse a sua mãe, ela saberia que aquela cicatriz na sua perna surgiu quando você tentou jogar basquete na Educação Física no ano passado, ou que você geralmente é péssima em esportes, aliás. Ela saberia toda essa merda, Swan, porque é assim que as mães de verdade são. Elas simplesmente sabem."

Eu me sentei e olhei para ele, absolutamente atordoada. "Eu nem sabia que você sabia de tudo isso."

Ele sorriu e se apoiou nos cotovelos, olhando para mim. "Claro que eu sei, Swan. Namorados sabem essas merdas, também."

...

"Bella? Você está aqui?"

Eu fui até as escadas ao som da voz do meu pai, parando no último degrau quando o vi. Ele estava vestindo o uniforme de trabalho recém-passado, o cheiro de seu perfume me cumprimentando há metros de distância. "Hey, Bells" ele disse, sorrindo.

"Hey?" Eu disse incrédula. "Isso é tudo o que você tem a dizer...hey?"

Ele parecia confuso, seu sorriso caiu. "O que há de errado em dizer 'hey' para a minha filha?"

"Eu não te vejo há dias. Você praticamente desapareceu!"

"Eu sei, Bells. Estive ocupado com o trabalho."

"Trabalho? O que, você trabalha 24 horas por dia? Você não veio para casa."

Ele riu. "Acalme-se. Foi uma semana louca. Por que tantas perguntas?"

"Porque eu preciso saber o que está acontecendo. Quer dizer, onde você dormia à noite?"

"Aqui e ali" ele murmurou, encolhendo os ombros como se não importasse. "Então, onde está seu namorado? Estou surpreso que você não me contou sobre ele antes que ele aparecesse. Isso não é do seu feitio. Existe alguma razão?"

"Ele foi para casa esta manhã. Ele teve que voltar ao trabalho" eu respondi. "Mas não venha bancar o policial voo-doo pra cima de mim e achar que você pode mudar de assunto e desviar minha atenção."

"Eu não vou. Simplesmente não há mais nada para dizer sobre isso. Estive ocupado."

"Tão ocupado que você esqueceu que tinha que pagar as contas?" Eu perguntei. Ele ficou tenso quando eu falei essas palavras, olhando-me com cuidado enquanto eu continuava. "Porque a sua luz foi cortada ontem. Felizmente, eu percebi isso e consegui religá-la na noite passada. Vi que sua conta de telefone estava vencida também, e sua tevê a cabo estava realmente cortada, não foi desligada por vontade própria. E os empréstimos... de onde eles vêm?"

"Você não deveria ter mexido nas minhas correspondências" ele disse, tenso. "Isso é assunto meu."

"Assunto seu? Você é o meu pai. Se alguma coisa está acontecendo, se você está tendo algum tipo de problema, por que você não falou pra mim? Eu tenho dinheiro, eu poderia ajudar."

"Eu não preciso de ajuda, Bella. Vou dar um jeito nisso."

"Vai dar um jeito como? Tudo o que você faz é trabalhar. Para onde todo o seu dinheiro está indo?"

Seus olhos dispararam para os meus. "Isso não é da sua conta."

Sua voz severa me pegou desprevenida. Este não era o Charlie caloroso que eu estava acostumada. "Não é da minha conta?"

"Sim. Eu sou seu pai, Bella. Sei que não fui o melhor, e você teve que crescer rapidamente, mas isso não faz de você o adulto nesta relação. O que eu faço com o meu dinheiro não é da sua conta."

"Mas eu me preocupo com você."

"Você não precisa" ele disse. "Eu prometo que não vou morrer de fome."

Meus olhos o examinaram. "Você é do tipo magro, mesmo assim."

"Eu ainda sou saudável."

"Mas a tevê..."

"Eu não preciso disso" ele disse. "E como você já apontou, eu mal fico aqui para assisti-la de qualquer maneira. Eu recebo amanhã, e vou reembolsá-la pela conta de luz."

"Não precisa" eu disse, não querendo fazer caso por causa de dinheiro. Eu estava realmente preocupada.

"Não, eu preciso" ele disse. "Eu não vou deixar você pagar as minhas contas ou se envolver. É assunto meu."

"Você continua dizendo isso, mas me preocupa que você tenha um assunto" eu disse, usando aspas nessa palavra. Eu não entendo. O que diabos isso quer dizer?

"Eu lhe disse para não se preocupar" disse ele, sorrindo novamente. "Eu estou bem, Bella. Estou feliz."

"Está?" Eu perguntei. "Você realmente é feliz?"

Ele acenou com a cabeça. "Sou, e acho que está na hora de você ser também."

...

Charlie aparecia apenas o tempo suficiente para pegar um sanduíche antes de dizer que tinha que voltar para a delegacia. Ele prometeu que estaria em casa depois do trabalho, para que pudéssemos passar algum tempo juntos e me deixou sozinha em casa novamente.

Eu limpei as coisas antes de ir até a cozinha, olhando pela janela e vendo Edward no quintal perto da árvore. Eu o observei um pouco, percebendo que ele estava sozinho. Ele só estava ali de pé, olhando para os galhos como se fossem as coisas mais fascinantes do mundo.

Eu hesitei, sem saber se ele ainda queria me ver, antes de sair pela porta dos fundos e cautelosamente caminhar em sua direção. Ele olhou em minha direção quando me aproximei, os olhos deixando os meus rapidamente e voltando para a árvore. "Você acha que eles são tão inteligentes quanto parecem?" ele perguntou casualmente.

Minha testa franziu. A primeira vez que ele fala comigo depois do que eu disse em seu quarto, e é isso que ele tem a dizer? "As árvores?"

Ele riu. "Não, Swan. Os esquilos."

"Oh." Eu olhei para a árvore, vendo o pequeno esquilo cinzento correndo por alí. "Eu não sei. Eu sempre pensei que eles fossem meio idiotas. Eles pulam na frente dos carros o tempo todo."

Ele balançou a cabeça. "Esses são os esquilos Kamikaze. Eles fazem essa merda intencionalmente. É tudo uma parte de seu plano mestre."

Eu ri. "Preocupa-me que você ache que eles têm mesmo um plano mestre."

"Todo mundo tem um plano mestre, Swan."

Ficamos ali por um momento em silêncio, observando o esquilo correr enquanto suas palavras eram absorvidas. Eu definitivamente tinha um plano mestre e isso me fez pensar...

Qual era o dele?

"Feliz aniversário, a propósito" eu disse baixinho, o silêncio ficando estranho. Eu não gostava de me sentir desconfortável perto dele. Ele era o meu Edward, meu melhor amigo, meu primeiro amor. Meu único amor, na verdade.

Ele sorriu suavemente. "Obrigado."

"Tem algum grande plano?"

"Na verdade não. É como isso" ele disse, apontando para a árvore. "É isso o que você faz quando fica velho, Swan. Você não faz festas, você observa a natureza ou uma merda do tipo."

"Deus, eu não consigo imaginar. 28 anos. Tão velho" eu disse sarcasticamente.

Ele riu. "Vá em frente e zombe de mim. Você vai ter 28 em três meses e você saberá exatamente o que quero dizer. Inferno, provavelmente vá começar agora. Foi quando eu comecei a entender. Você provavelmente vai sentir seu relógio biológico e perceber que os trinta estão ao virar da esquina. Quando éramos crianças, nós pensávamos em ter tudo até este momento, e o que temos?"

"Empregos?" Eu sugeri.

"Um emprego que eu odeio" ele disse.

"Você tem uma noiva."

"Sim, e você tem um namorado."

"Um que você odeia?" Eu perguntei curiosa.

Ele sorriu. "Eu não iria tão longe. Eu não entendo, mas enquanto você estiver feliz, eu realmente não posso odiá-lo. Deve haver algo decente nele."

"Ele é muito parecido com você" eu admiti. "Às vezes ele faz coisas e tudo o que posso pensar é 'Edward costumava fazer isso também'. É bom às vezes, mas outras vezes eu quero sacudi-lo."

"Sim, eu estou na situação oposta. Tanya faz coisas e eu penso 'Swan nunca faria isso'."

"E isso é bom?" Eu perguntei, com um pouco de medo da resposta. "É bacana?"

Ele deu de ombros. "Eu costumava pensar assim, Swan. Eu não sei mais."

Eu aceito isso. Foi muitíssimo melhor do que um sim. "Então, onde ela está? Ocupada cozinhando a sua comida preferida para o seu aniversário?"

Ele riu secamente, se aproximando e arrancando uma folha da árvore. "Não. Eu acho que ela nem mesmo se lembrou de que é meu aniversário."

Olhei para ele chocada, lembrando-me claramente dela me dizendo que ela e Edward faziam aniversário no mesmo dia. Como ela poderia esquecer o aniversário dele quando era o dela também? "Você está brincando."

"Não. A levei para almoçar e dei um presente de aniversário pra ela, mas ela nem sequer mencionar o meu. Ela e Kate pegaram o meu carro emprestado e sairam para comemorar, não tenho ideia de onde."

Eu estava atordoada. Eu estava desconfiada das intenções de Tanya, com certeza, mas eu nunca esperei que ela fosse ignorar o aniversário de Edward. Especialmente porque nós já tínhamos conversado sobre isso mais de uma vez.

"Bem, Esme está cozinhando o jantar então?"

"Não, ela tem planos para esta noite. Ela está fazendo algumas aulas de culinária em Port Angeles. Acho que ela pensou que Tanya fosse fazer alguma coisa."

"Isso é uma merda."

"Não é grande coisa" ele disse encolhendo os ombros.

"Besteira" eu disse. "Nós não podemos simplesmente ignorar o seu aniversário. Temos que comemorar. Se ninguém vai cozinhar, eu cozinho."

"Você não precisa."

"Eu sei, mas eu quero" eu disse, olhando para o meu relógio. Ele parecia tão abatido que fez meu peito doer. "Apareça em cerca de duas horas, ok? Eu vou ter terminado."

Eu comecei a ir embora antes que ele pudesse protestar mais e o ouvi suspirar. "Obrigado, Swan."

"Pelo quê?" Eu perguntei, olhando para ele.

Ele deu de ombros. "Por se importar o suficiente para querer fazer isso."

...

Eu olhei na geladeira e nos armários, meio em pânico enquanto tentava encontrar alguma coisa boa para cozinhar para Edward. Eu finalmente encontrei os ingredientes para fazer espaguete e almôndegas caseiras, deixando o molho pronto e fervendo enquanto eu trabalhava no resto. Eu bati um pouco de massa para fazer alguns cupcakes de chocolate, grata por eu ter comprado tantos alimentos para Charlie, e fiz um creme para o recheio e para cobri-los.

Cozinhar levou mais tempo do que eu esperava, já que eu estava terminando a comida quando Edward entrou em casa. Eu olhei para ele quando ele entrou na cozinha, gostando de sua aparência. Ele havia trocado de roupa e estava vestindo uma calça jeans e uma camiseta branca lisa, a familiaridade disso trouxe um sorriso ao meu rosto. Eu limpei as mãos sujas na frente do meu avental preto antes de tirá-lo, e tentei arrumar meu cabelo, ansiosa de repente. "Eu estou uma bagunça."

"Você está bem" ele disse, acenando.

"Eu provavelmente deveriair tomar um banho rápido."

"Eu disse que você está bem, Swan" ele disse, agarrando o meu braço para me impedir de sair do cômodo. "Você está bem."

Merda, não core. Corei. "Uh, obrigado."

Ele riu, se aproximando e passando a parte de trás de seus dedos no meu rosto corado. A sensação enviou uma vibração ao meu coração, a minha pele formigando com seu toque. "Eu sempre amei isso. Você nunca pode esconder nada de mim."

Hormônios de merda. "Meu rosto é um traidor" eu murmurei.

"Ah, não seja ranzinza" ele disse. "Eu senti falta dessa cara. É bonito de ver."

Meu Deus, ele estava tentando me matar?

Olhei para ele por um momento, sem palavras, e ele suspirou quando deixou sua mão cair. "Então o que você tem para mim?"

O que você quiser, amigo. É tudo para você. "Uh, espaguete e almôndegas."

"Ótimo, eu estou morrendo de fome" ele disse, afastando-se de mim. Eu retirei o avental e levei a comida para a mesa, pegando dois pratos do armário. Sentei-me em frente a ele e nós mesmos nos servimos, começando a comer imediatamente. "Isso está fantástico, Swan."

"Obrigado."

"Não, obrigado você" ele disse. "Você sempre foi uma ótima cozinheira. Jake tem sorte por ele poder comer isso o tempo todo."

"Eu realmente não me lembro da última vez que ele comeu alguma coisa que eu cozinhei" eu disse honestamente. "Ele prefere ir a restaurantes comigo. Uma das vantagens do meu trabalho."

"Então ele vai com você para o trabalho?"

Eu balancei a cabeça. "Sempre. Ele gosta de refeições gratuitas. E o vinho, claro. Ele é um maldito exuberante. Pegando um brinde de cada vez."

Eu sorri, mas Edward não parecia divertido. "Você já se perguntou se talvez ele esteja te usando?"

"Jake?" Eu perguntei, rindo quando ele assentiu. "Ele definitivamente não está me usando. Esse homem tem mais influência em seu dedão do pé do que eu poderia sonhar em ter."

"Eu tenho dificuldade em acreditar nisso" Edward respondeu. "Você é popular, Swan. Sua marca de honestidade tem influência."

"Minha marca de honestidade tem influência?" Eu perguntei com descrença. "Você leu isso em algum lugar?"

"Eu poderia ter lido."

"Nunca pensei que veria o dia em que Edward Cullen admitiria que ele lê alguma coisa."

Ele deu de ombros. "Há uma primeira vez para tudo."

"É verdade" eu respondi. "Então, quais outras primeiras vezes eu desconheço? Você usa sapatos de barco, você dirige um carro de mamãe do futebol e você lê... isso tudo é um pouco assustador, para ser honesta. Estou me perguntando se eu ainda quero retomar todo este trabalho de melhor amiga."

Ele riu. "Eu aposto que sim. Eu me assusto algumas vezes também, mas você realmente não pode falar nada, Swan. Você vive na cidade grande, você tem mais dinheiro do que eu, você usa maquiagem agora, e você sai com idiotas."

"Ei, nem tudo isso é novo" eu disse, apontando meu garfo para ele enquanto cerrava meus olhos. "Eu sempre saí com idiotas."

Ele soltou o garfo e agarrou o peito de forma dramática. "Estou magoado."

"Sim, sim, a verdade dói" eu brinquei.

"Você é quem está me dizendo" ele murmurou, pegando o garfo de volta para continuar a comer. "Mas de verdade, estou feliz por você. Você construiu uma vida boa para si mesma. Tudo caminhou para o melhor."

"Eu acho que sim" eu respondi. "Mas, você já se perguntou se se tivéssemos..."

"Claro que sim" ele disse, me cortando. "Eu me pergunto o tempo todo."

"Você acha que isso teria funcionado?"

"Eu sempre pensei que teria. Você era a única com dúvidas" ele disse, olhando para mim com curiosidade. "E você?"

Eu dei de ombros. "Talvez."

"Você se arrepende da sua decisão?" ele perguntou. Eu balancei minha cabeça hesitante e vi o breve flash de magoa nos olhos dele antes de ele desviar o olhar de mim, olhando para o prato. "Não penso assim."

"Não é bem assim, Edward. Eu te disse antes, eu sinto muito pela forma como..."

"Como isso me deixou. Eu sei" ele disse. "Tudo o que importa é que você está feliz agora. Isso é tudo o que eu sempre quis, Swan."

"Estou feliz agora, mas eu estava feliz naquela época também."

"Você estava?" ele perguntou.

"Você sabe que sim."

Ele acenou com a cabeça, concentrando sua atenção em sua comida. "Vamos falar de outra coisa. É meu aniversário. Prefiro não me debruçar sobre o que perdi."

"Mas você não me perdeu" eu disse. "Eu estou bem aqui."

"Sim, mas por quanto tempo?"

Para sempre, eu pensei. Para o resto da minha vida. "Eu acho que durante o tempo que você quiser que eu esteja."

O canto dos lábios dele se transformou em um sorriso suave enquanto ele continuava a comer, sem dizer uma palavra sobre o assunto. Ele riu depois de um tempo, quando eu, inadvertidamente, comecei a gemer comendo, minha cara me traiu novamente quando eu corei. A atmosfera estava relaxante, o riso dele desmanchando sutilmente a tensão persistente da nossa conversa.

Depois que terminamos os nossos espaguetes, peguei dois cupcakes de chocolate do balcão e os coloquei sobre a mesa antes de vasculhar as gavetas da cozinha. "O que você está procurando?" ele perguntou depois de um momento.

"Uma vela para o seu cupcake."

Ele suspirou. "Eu não sou mais uma criança, Swan. Eu não preciso de uma."

"Oh, cale a boca" eu disse. "Vamos fazer isso do jeito certo."

"Tem certeza que você não quer usar uma vareta?" ele sugeriu. "Foi isso o que você fez quando eu tinha seis anos e você fez aquele maldito bolo pra mim."

"Tenho certeza, Edward."

"Falando nisso" ele continuou "Eu com certeza espero que este cupcake tenha um gosto melhor do que aquele."

Eu ri, tirando um pacote de pequenas velas de aniversário coloridas que estavam escondidas no fundo de uma gaveta. Elas eram obviamente velhas, provavelmente da última vez em que eu comemorei um aniversário ali. Dando a volta na mesa, peguei uma azul e coloquei em seu cupcake. "Eu ainda não posso acreditar que você comeu aquilo sabendo que eu tinha colocado uma vareta suja nele."

"Eu fiz isso por você" ele disse agarrando o meu braço e me parando de novo quando comecei a andar. Ele enfiou a mão no bolso e tirou uma caixa de fósforos, soltando-a sobre a mesa.

Eu olhei para ela com surpresa. "Fósforo? Você não fuma agora, fuma?"

"Claro que não" ele disse, franzindo a testa com a minha pergunta.

"Por que você está carregando fósforos então?"

"Porque eu te conheço, Swan, melhor do que você conhece a si mesma. Vim preparado."

...

Eu me deitei sobre a manta na grama, olhando para o céu escuro de Port Angeles. Edward estava ao meu lado, apoiado em seus cotovelos e sem sapatos. A área estava tranquila, sem ninguém além de nós. Edward tinha encontrado o lugar para nós dois, longe das festividades, dizendo que ele queria ficar sozinho durante a noite.

Fogos de artifício explodiam a distância, iluminando o céu com rajadas de cor. Eu sorri enquanto assistia, sentindo os olhos de Edward em mim o tempo todo. Olhei para ele depois de um tempo, incapaz de evitar. "Por que você está me olhando?"

"Porque eu posso."

Eu ri. "Sim, mas você está perdendo o show."

"Não, eu não estou" ele argumentou quando outro fogo de artifício explodiu, iluminando o céu apenas o suficiente para que eu pudesse ver o reflexo dele. "Eu estou vendo exatamente o que vim ver."

Revirei os olhos, olhando para o céu enquanto meu rosto ficava quente. "Você me vê o tempo todo."

"Não desse jeito" ele disse. "Não tão em paz, brilhando sob a luz da lua, os fogos de artifício refletindo em seus olhos. Você é como uma obra de arte, Swan. Uma obra-prima."

Eu bufei rindo, me aproximando e empurrando-o de brincadeira. "Você é tão cheio de merda."

Ele riu. "Ok, isso foi brega, mas é sério. Você é linda."

"Você me faz sentir bonita" eu disse calmamente.

"Ótimo" ele respondeu, inclinando-se e beijando-me suavemente, seus lábios macios contra os meus. "Porque você é."

"Você também" eu respondi, o meu coração batia tão rápido que fazia o meu peito doer. "Bonito, quero dizer."

"Eu sei o que você quer dizer" ele murmurou, aprofundando o beijo. Nossas línguas se misturaram enquanto ele movia seu corpo em minha direção, pairando sobre mim. Eu levantei as minhas mãos, passando-as em suas costas por baixo da camisa, sentindo os contornos dos músculos dele e omoplatas. A pele dele era suave e quente, e ele gemeu em minha boca quando se pressionou contra mim. Eu fiquei tensa, atordoada, enquanto sentia a protuberância em suas calças na minha perna. Espalhando calor através de mim, cada centímetro meu parecia formigar conforme minha respiração falhava. Eu estava em alerta, a ideia de que este lindo e generoso garoto realmente me queria dessa forma deixava algo dentro de mim em chamas.

Fogos de artifício continuavam a explodir no céu enquanto algo despertava entre nós dois. Era um desejo mútuo, um anseio, uma necessidade. Era desespero, anos de amizade tranformando-se em muito, muito mais, algo que vinha crescendo há algum tempo. Era o começo de uma coisa grande, algo tão poderoso que cada centímetro meu gritava, suplicando que ele me consumisse.

Nós apalpamos as roupas, empurrando-as de lado, os lábios dele nunca se fastaram dos meus durante o tempo todo. Isso não foi planejado, mas parecia que nós dois simplesmente sabíamos que era o momento certo. Eu nem tinha percebido que ele tinha se exposto até que ele quebrou o beijo, pegando sua carteira e retirando o preservativo de lá. Meu coração parou com isso, diferentes emoções me atingiram de todas as direções. Excitação, medo, desejo ansiedade, necessidade, desejo, luxúria... amor.

"Eu te amo, Edward" eu sussurrei.

Os olhos dele dispararam para os meus tão rápido que eu vacilei com o movimento. Eu não tinha dito isso antes. Nenhum de nós tinha. Era uma palavra difícil para mim, e eu percebi, enquanto ele olhava para mim, que eu não tinha dito isso a ninguém desde que eu era mais nova. Lágrimas se formaram nos meus olhos e ele se inclinou, beijando-me novamente enquanto colocava o preservativo.

"Eu também te amo, Bella" ele disse, afastando as minhas pernas enquanto se estabelecia entre elas. O som do meu nome nos lábios dele mexeu em algo dentro de mim, derrubando o muro de proteção que eu sempre mantive em pé. Eu me senti como se estivesse flutuando, como se estivesse pegando fogo, a paixão me consumia. Eu senti como se estivesse completa, a parte de mim que havia desaparecido desde que minha mãe foi embora de repente estava de volta. Eu me senti segura, digna e feliz.

Eu me senti amada.

E de repente, sem aviso, eu senti como se estivesse sendo rasgada ao meio novamente.

"Merda!" Eu gritei, arqueando as costas devido à dor inesperada quando ele empurrou-se completamente para dentro de mim. "Jesus, o que você está fazendo comigo?"

"Relaxe" ele disse. "Isso vai ficar incrível logo logo."

Eu confiei nele e queria acreditar nele, então eu fiz o meu melhor para relaxar, mas as palavras de Edward estavam longe de ser verdade. A dor súbita, uma ardencia, se desintegrou, e em seu lugar veio uma dor incômoda constante. Edward se moveu lentamente, mas com paixão, conforme ele me preenchia completamente antes de puxar para fora. Grunhidos e gemidos misturados com choramigos, palavras doces que enchiam o ar em sussurros, vozes engasgadas. Ele me disse várias vezes que eu era bonita, que me amava, meu nome preso em sua garganta como se ele precisasse disso como o ar.

Foi desajeitado à medida que nós nos atrapalhamos, tentando encontrar um ritmo nessa situação embaraçosa. Roupas penduradas nos galhos, as calças dele amontoadas em volta dos joelhos dele enquanto meu tênis pressionava suas coxas. Ele não parecia tão experiente como eu imaginei que ele fosse, ainda um mero garoto de dezoito anos transando com sua namorada pela primeira vez, e era óbvio para mim que Harlequin tinha mentido. Não houve gritos de êxtase, nem tremores de paixão, sem explosões de prazer me levando ao delírio. Os únicos fogos de artifício naquela noite foram aqueles no céu, iluminando nossas formas a cada poucos segundos com cor. Durou poucos minutos, Edward grunhiu algumas vezes antes de cair em cima de mim, seu corpo se nivelando com o meu.

Eu passei as minhas mãos pelo seu cabelo quando ele levantou a cabeça, olhando-me na escuridão. "Eu não posso acreditar que fizemos isso" ele disse calmamente, beijando o canto da minha boca.

"Eu sei" eu disse. Era tão surreal, que eu não acreditaria se não fosse pela dor um pouco latejante ali embaixo. "Se formos pegos, Charlie vai nos matar."

Ele riu. "Você está sempre preocupada com Charlie. Acho que ele ficaria orgulhoso, na verdade."

"Orgulhoso?" Eu perguntei incrédula. Ele tinha acabado de tirar a minha virgindade em público, e ele pensava que meu pai ficaria orgulhoso?

"Sim" ele disse, apontando para a embalagem do preservativo ao nosso lado na grama. "Pelo menos eu estava preparado."

...

"Swan!"

Eu pulei ao som do meu nome e olhei para Edward, vendo que ele estava me olhando com desconfiança. "Sim?"

Ele riu. "Você vai acender a maldita vela ou o quê? Eu quero comer meu cupcake."

"Oh, sim, certo" eu disse, tirando um fósforo e riscando-o. Ele acendeu e eu rapidamente acendi a vela antes de apagar a chama. "Não se esqueça de fazer um desejo."

Ele olhou para mim enqunto eu me sentava em frente a ele, e não fez nenhum movimento para apagar a vela. "Você não vai cantar?"

"Você quer que eu cante?" Eu perguntei incrédula.

"Pode ter certeza que sim" ele respondeu. "Se você está me obrigando a fazer essa porcaria de desejo ridículo, o mínimo que você pode fazer é cantar 'Parabéns para Você' pra mim."

Eu revirei os olhos. "Os desejos não são ridículos."

"Eles são" ele disse. "Eles nunca se tornam realidade."

"Provavelmente porque você não está fazendo isso direito."

Ele riu. "Eu não sabia que havia uma maneira errada de fazer isso, Swan."

"Sim, você não pode simplesmente pedir algo e esperar que aconteça. Você tem que realmente querer."

"Eu não quero isso. Eu sempre quis."

"Talvez você não queira o suficiente?"

Ele balançou a cabeça, seus olhos intensos. "Eu não acho que esse seja o problema."

Eu olhei para ele, uma sensação estranha rastejando em minha pele. Eu não sabia o que dizer, então eu não disse nada. Eu não tinha certeza se eu precisava falar, para ser honesta. Eu tinha certeza que ele podia ver tudo o que eu poderia querer dizer em meus olhos.

"Cante a maldita música, Swan" ele disse depois de um momento. "A história me diz que nada de bom vem de nós dois com uma vela acesa."

Revirando os olhos, eu suavemente cantei a música de aniversário, desviando meu olhar dele em constrangimento. Depois que terminei, ele respirou fundo e soprou a vela, arrancando-a da cobertura e colocado-a sobre a mesa.

Ele deu uma mordida e eu observei enquanto ele lambia um pouco de creme de seus lábios. "Droga, isso é bom."

"Obrigada" eu disse, pegando o meu e dando uma grande mordida. "Fazer doces é divertido, talvez até mais do que cozinhar. Eu amo cupcakes."

"Eu te amo."

Engoli em seco e comecei a tossir, quase sufocando quando aquelas palavras me atingiram. Eu fiquei boquiaberta devido ao choque. "O que você acabou de dizer?"

Seus olhos se arregalaram de surpresa. "Eu disse que eu os amo também."

Eu tinha certeza do que ele tinha dito... mas não podia fazer sentido. Certo? "Uh, sim, você sempre amou, uh, meus cupcakes."

Ele assentiu com a cabeça e beliscou o resto do seu cupcake, levantando-se para pegar outro enquanto eu tentava ficar sob controle. Eu estava nervosa, claramente ficando maluca, e de repente senti que precisava de ar. Eu estava à beira de hiperventilar, aquelas palavras que eu tinha certeza que ouvi ecoando na minha cabeça...

Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.

Porra, eu ainda o amava.

Levantei-me, empurrando a cadeira para trás, e rapidamente me virei para Edward. Eu estava prestes a dizer a ele que eu precisava ir para fora por um minuto, tentando encontrar alguma desculpa para o porquê de eu precisar me afastar, quando o som de sua risada me parou.

"Você tem cobertura em você" ele disse, parando na minha frente, tão perto que meu peito estava quase o tocando. Fiquei parada quando ele estendeu a mão, correndo o dedo indicador delicadamente sobre meu lábio inferior. Seu movimento era lento, e ele fez uma pausa, acalmando a mão em meu rosto. Minha respiração falhou quando vi alguma faísca em seus olhos, e ele olhou para mim como se estivesse à procura de algum tipo de sabedoria que só eu poderia proporcionar.

Sim, eu gritei por dentro. Seja o que for, sim.

Ele não disse uma palavra, e eu não respirei, enquanto ele se inclinava lentamente, seus lábios tocando os meus. Foi suave, apenas um beijo. Sua boca estava doce devido a cobertura, e eu ansiava desesperadamente por mais, mas a ligação foi interrompida abruptamente por batidas na porta da frente. Eu pulei assustada, e Edward se afastou de mim, como se tivesse sido queimado.

"Cacete" ele disse, pânico surgindo em seu rosto. Eu não tinha certeza se ele falou depois disso, o sangue corria tão rápido através de mim que isso foi tudo o que eu consegui ouvir. Eu corri para a porta da frente, os joelhos fracos, e a abri para dar de cara com a última pessoa que eu queria ver.

"Edward está aqui?" perguntou Tanya. Não havia alegria em sua voz, nada da simpatia que ela geralmente exalava. Não, essa era a voz de uma mulher irritada, e pelo olhar no rosto dela eu poderia dizer que essa raiva estava atualmente centrada diretamente para mim.

"Uh, sim, ele, uh... sim." Jesus, quando eu esqueci como se fala?

"Hey Tanya" Edward disse atrás de mim, sua voz casual. Eu me virei para olhar para ele, atordoada. Eu estava à beira de um colapso, sem saber se eu queria pular de alegria ou pular da janela mais próxima, e ele agia tão frio como gelo. "Você está em casa."

"Sim, e, obviamente, você não está" ela disse incisivamente. "Eu tentei te ligar algumas vezes, mas você não está com o telefone. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo."

"Oh, sim, eu devo ter esquecido" ele disse, encolhendo os ombros. "Swan e eu estávamos jantando."

"Jantando?" ela perguntou, olhando para ele com desconfiança quando fez um gesto em direção ao cupcake dele. "E comendo a sobremesa, ao que parece."

"Sim, ela os fez pra mim."

A raiva de Tanya flamejou enquanto ela cortava os olhos para mim, mas ela lutou para se controlar. "Ela fez? Por quê?"

Eu abri minha boca para responder, irritada por ela estar agindo dessa forma, mas Edward falou antes que eu pudesse. "Você não se lembra? Nós temos essa tradição no meu aniversário."

A cor pareceu sumir do rosto de Tanya quando ela ficou chocada, percebendo a situação. "Oh meu Deus, eu sinto muito, Edward! Com Kate aqui e tendo que finalizar todos esses planos de casamento, tudo escorregou completamente da minha mente."

Ele deu de ombros. "Está tudo bem. Isso não é tão importante."

"Você não está bravo? Você jura?" ela perguntou. "Eu não suportaria se você estivesse com raiva de mim."

"Eu não estou bravo." Ele parecia sincero, e eu queria dar um tapa em sua cabeça. O que havia de errado com ele? Ele devia estar furioso. "Swan foi gentil o suficiente para me fazer companhia esta noite, eu ganhei algo que eu desejava muito."

Ele ergueu o cupcake para acentuar o seu ponto, e meus joelhos ficaram fracos quando eu vi o brilho nos olhos dele, um sorriso travesso puxando seus lábios. Senti de repente que eu ia derreter. Será que ele realmente estava falando do beijo?

"Eu realmente gostaria de poder ter feito isso por você" Tanya disse, ignorando o momento que eu estava tendo. "Eu vou me redimir, eu prometo."

"Há sempre um amanhã" ele sugeriu. "Antes tarde do que nunca, certo?"

Ela sorriu. Muito brilhante, na verdade. Era obviamente forçado. "Certo. Perfeito. Amanhã."


N/T: Ahhhh essas lembranças da Bellinha!

Charlie dizendo que está na hora da filha ser feliz. Edward dizendo que a ama (todas tendo um ataque do coração). Um pouco de cobertura nos lábios e um beijo (alguém se lembra qual é o número da emergência?) Que capítulo, galera... *suspirando*

Alguém me perguntou há uns capítulos atras, quantos capítulos PS tinha. Eu me lembro de ter respondido por PM, mas avisando aqui também, são 23 capítulos, contando o prólogo e o epílogo. Então nós já passamos da metade!

E no último capítulo perguntarm se havia pontos de vista do Edward. Infelismente PS é toda escrita na visão da Bella, eu também adoraria entrar na mente do Edward d euma forma mais profunda, mas, enquanto eu lia essa fanfic, sempre achei que ele deixava muito claro os seus pensamentos, seus sentimentos.

Enfim, vocês já sabem como funciona, comentários significam trechinhos via PM ou e-mail, e tradutoras e beta muto felizes e animadas!

Beijos meninas, e até a proxima semana!

Tradução do trecho da música do capítulo:

Bem, eu tive medo de mudar

Porque construi minha vida ao seu redor

Mas o tempo traz coragem

Crianças envelhecem

E eu envelheço também