14. Eu me apaixonei, e toquei o céu. Agora, eu estava atolada na areia movediça.
No dia seguinte, Bella e Edward já haviam voltado. Quando olhei para Bella, nem acreditei. Parecia que ela estava grávida há uns dois meses, não há alguns poucos dias ou semanas. E ela estava radiante, muito animada com a idéia de ter um filho. Os Cullen estavam atordoados, inclusive Edward. Carlisle passava horas pesquisando sobre seres meio-vampiros, o que provavelmente nasceria dessa miscigenação incomum entre vampiros e humanos. Mas o que eu nunca conseguia entender era como Bella havia engravidado. Eu pensava que era impossível um vampiro engravidar alguém, seja esse alguém vampiro ou não. E a família Cullen era um exemplo vivo. Três casais que estavam juntos há séculos e que nunca tiveram filhos.
Apenas Rosalie é que parecia encantada com a idéia da gravidez de Bella. O que eu julgava muito estranho, já que ela nunca havia gostado de Bella. Se alguém dizia que ela melhor para Bella não ter o filho, Rosalie já intervia, defendendo Bella e a coisa. Cheguei até a pensar que Rosalie não estava raciocinando muito bem - talvez as contínuas brigas com Emmett estivessem ocasionando isso -, mas foi bem pior perceber que a loira estava totalmente lúcida. Estava bem claro para todo mundo que era loucura a Bella ter o filho. Era notável que a cada dia ela ficava mais fraca, e quanto mais a coisa crescia, mais força ela parecia ter. Carlisle vivia remendando as costelas de Bella. A criaturinha pareceu ter herdado a força do pai.
Bella poderia morrer. Mas ela estava disposta a não desistir. Não havia quem fizesse com que ela mudasse de idéia. Então, só haveria uma chance para Bella. Uma chance igualmente perigosa, mas que salvaria a vida de Bella e do filho. Transformá-la em vampiro. E seria o Edward que iria transformá-la, a pedido dela. Mas as chances de Bella sobreviver eram igualmente remotas. Ela estava tão fraca, que eu não saberia dizer se ela agüentaria os efeitos do veneno vampiresco em seu sangue.
Eu não havia voltado atrás em minha promessa. Estava sempre com os Cullen, ajudando no que fosse necessário. Mas confesso que queria que a coisa nascesse logo. Não se falava de outro assunto na mansão. Bella já tinha até escolhido um nome para a sua filha - é, a coisa tinha um sexo -, e Rosalie estava intragável com a sua postura de babá dedicada. Ainda mais depois do que ocorreu, eu consegui chegar ao ponto de odiar Rosalie.
Eu estava voltando da cozinha dos Cullen, com um copo d'água para Bella, quando escuto uma conversa entre Rosalie e Carlisle. Decidi parar para escutar. Ainda bem que Edward estava caçando, senão ele já teria ido me tirar dali.
- Rose, sinceramente, Renesmee está fazendo Bella definhar! Ela está cada vez mais fraca, não sei mais o que fazer!
Ao ouvir o nome Renesmee, engoli um riso. Eu gostava de Bella, mas Renesmee? Sinceramente, eu achava aquele nome muito esquisito.
- Mas isso não é motivo para que você pare de se esforçar por Nessie! Por Bella!
- Quem disse que eu vou parar? Eu só não sei o que fazer! O bebê está cada vez mais com fome, e está consumindo as forças vitais da Bella! Temos arranjar algo suficientemente forte, para que Nessie não deixe a mãe tão fraca.
- Por que não damos sangue para Bella beber? Já que Nessie é um meio-vampiro, é de se imaginar que goste de sangue... A lobinha metida podia ceder um pouco do seu sangue, mesmo sendo sujo, já que está tão disposta a ajudar.
- Está louca, Rosalie? Ninguém aqui vai fazer isso! E eu não deixaria Julie fazer uma coisa dessas, não mesmo! Eu tenho acesso ao banco de sangue do hospital, e é lá que vou buscar alimento para Nessie. Nunca mais quero ouvir você falar assim da Julie, Rose.
Emmett também não parecia concordar muito com as atitudes da namorada, mas preferiu se manter neutro. Jake também não gostava nada das atitudes de Rosalie, e estava muito desconfiado. Depois desse dia, ele passou a ir comigo todos os dias para a mansão dos Cullen, pois estava com medo que Rosalie fizesse algo comigo, a julgar pela maneira como falou de mim. E não vou negar que só Rosalie era alvo do meu rancor. Nessie também era. Eu não sabia por que! Como eu poderia não gostar de alguém antes mesmo de nascer? Eu sentia que ela estava ligada ao meu pressentimento, não sei explicar como.
Parece depois de ter quebrado pela sexta vez (não tenho certeza, já tinha perdido as contas) as costelas de Bella, Renesmee finalmente nasceu. Foi aterrorizante ouvir os estalos que vinham do corpo de Bella, e ela gritando agoniada. A levaram rapidamente para um quarto. Jake e eu corremos atrás. Eu não conseguia olhar para Bella, a coisa parecia que a ia rasgar completamente. Quando finalmente o monstrinho nasceu e conseguiram controlá-lo, Edward foi rapidamente realizar a tarefa da qual foi incumbido: transformar Bella. Quando ele já ia injetar o veneno em seu coração, Jake me puxou pela camiseta. Saímos. Eu estava ofegante, e tremia muito. Eu não devia ter visto aquilo. Até um nascimento normal de um humano me perturbava, aquele então, havia me deixado completamente atordoada. Fomos vagarosamente até a cozinha. Jake iria fazer um copo d'água com açúcar, para eu me acalmar.
Tomei a água, ainda tremendo. Mas quando Jake me abraçou, me senti completamente calma. Só ele possuía aquele dom.
Voltamos de mãos dadas para a sala. Esperaríamos ali as notícias sobre Bella. Hesitei. No sofá, estava Rosalie. E, em seu colo, Renesmee. Jake estava imóvel ao meu lado. Dei um passo, mas ele continuou no mesmo lugar. Quando olhei para ele, ele estava com o olhar vidrado. Ele olhava em direção de Renesmee. Ele soltou a minha mão. Esqueceu que Rosalie também o odiava, e foi, encantado, olhar a recém-nascida. Relutante, Rosalie deixou Jake encostar sua mão no rosto da menina. A criaturinha abriu um sorriso, e mordeu o dedo de Jake, que gargalhou.
Lágrimas começavam a cair, pesadas, em meu rosto. Eu tinha certeza. Jacob acabava de me largar, porque ele havia tido uma impressão com aquele monstrinho intitulado Renesmee.
Título inspirado na música Quicksand, do Incubus.
