História Treze: Aqueles que criam a emboscada

A música era calma e triste, uma exclamação pela vida, um pedido de socorro.

Orrin de Cão menor e Serafim de Taças se aproximaram um pouco mais, em posição de batalha, aguardando o terrível bote da besta. A mulher apenas se encontrava mais ao longe, sentada nas rochas. A noite encontrava-se escura o suficiente para impedir a visão exata das formas da mulher. Ela parecia ser uma pessoa normal, com contornos a mostra devido o vestido molhado. Seus cabelos deveriam ser longos, e parte de seu corpo ainda encontrava-se submerso.

Os cavaleiros sabem que Siren é um demônio marinho com forma de mulher, mas pode se tornar uma aberração para atacar e devorar pescadores. Não poderiam ariscar chegar mais perto, ou a música dela poderia hipnotizá-los. Entretanto, o demônio não saia de onde estava. Seriam forçados a entrar mais um pouco para chamar a atenção do demônio, assim podendo retirá-lo da água, sua maior vantagem.

- Estranho… – disse Serafim.

- O quê? – perguntou Orrin, sem tirar os olhos do monstro.

- Está sentindo? Parece ser uma outra Cosmo-energia. Não é similar as que os monstros emanam. Parece algo mais humano, algo mutável aos sentimentos. O mesmo em relação ao monstro. Não sinto uma energia puramente maligna vindo dele, apenas com más intenções. Isso não me parece certo.

Já havia algum tempo que Orrin tinha percebido a segunda presença ali. Sabia que algo não estava correto. O monstro Siren fica muito nervoso quando não obtém o que quer, mas esse estava muito tranqüilo, tranqüilo demais. Já estava impaciente com a situação.

- Afinal, o que é você? – perguntou Orrin com impertinência.

A música parou. Ambos se entreolharam por um momento, mas foi o momento errado para se fazer isso. Aproveitando a minúscula brecha de tempo que eles havia aberto devido o desvio da atenção, um ser saltou de dentro d'água atacando Serafim com toda força que pode. Um redemoinho de água acompanhou a criatura, juntamente com o impacto que o cavaleiro recebeu, sendo arremessado metros atrás, na areia.

- SHARK WHIRL! – gritou a voz de um homem quando o ataque foi realizado.

Orrin, pego de surpresa, virou para seguir em direção de Serafim, que estava caído devido o golpe que recebera. Com um movimento parabólico, o redemoinho que havia subido e acertado Serafim estava descendo. Quando tocou a areia, toda a água se dissipou, mostrando o criador da confusão. De joelhos no chão, um homem foi se levantando devagar, apreciando o momento de triunfo. Era bem musculoso e um pouco alto para a média dos gregos. Sua armadura variava nas tonalidades azuis com detalhes cinzas. Havia várias barbatanas por toda ela e seu elmo tinha a forma da cabeça de um tubarão.

Orrin foi à direção de Serafim para ajudá-lo, mas foi pego de surpresa também.

- SONIC EXPLOSION! – gritou uma mulher.

Nenhum som foi audível. Orrin apenas sentiu todo o seu corpo ser arremessado para frente com o impacto que recebera. Sentiu sua coluna dá uma forte pontada, e ouviu um barulho de rachadura que o preocupou mais que a dor. Caindo na areia, tratou logo de tentar se levantar. Apoiando o corpo com os braços, Orrin foi se levantando e tossiu violentamente. Sentiu o gosto de sangue na boca. Logo depois todo o seu corpo começou a esquentar rapidamente. Sentia cada veia de seu corpo queimar seu corpo de dentro para fora. "Eu conheço esse ataque…", pensou.

Pondo-se de pé, e virando para enxergar os adversários, ele notou uma imagem familiar. Era ela, a amazona, em sua pose naturalmente sensual e sua armadura de morcego. Ela o acertou novamente. Enraivecido com a desonra de ser atacado pelas costas, Orrin pôs-se em posição de combate, pronto para lutar, mesmo que fosse até as últimas conseqüências.

Os dois adversários viam a cena com diversão. Serafim tentava se levantar de um lado, e Orrin com o corpo um pouco torto devido ao impacto que recebera nas costas. "Mais um pouco e eles já eram!", pensaram os atacantes juntos. Ambos começaram a rir.

- AFINAL, QUEM SÃO VOCÊS! – Orrin gritou de tal forma que calou os dois imediatamente, assustando-os um pouco. Logo voltaram a encarar a cena com passividade.

- Mais você é burro mesmo, meu querido saco de pancadas. Você me machucou da última vez. Pode não ter parecido, mas em nosso último embate sai de lá um pouco ferida. Nada que uns dias de descanso não resolvam. Vim aqui cortar as suas cabeças e entregá-las em uma bandeja para o amo Ares. Sou Adrienne de Morcego.

- E eu sou Than de Tubarão – a voz do homem era bastante grave e rude.

- Somos seus carrascos. Encenamos tudo isso para chamar a atenção do Santuário durante esses últimos dias. Está na hora de matarmos o mal, e começaremos pelas beiradas… O que está fazendo? – perguntou incrédula.

Orrin sabia muito bem o que fazer. Durante toda a falação, Serafim já havia levantado e Orrin estava elevando seu Cosmo. "Dessa vez a destruirei". Sua fúria intensificara ainda mais seu poder, e seu Cosmo estava quase transbordando de tanta ira.

- SERAFIM! – gritou Orrin correndo na direção de Adrienne – Ataque o homem-peixe. Eu me encarrego de destruir essa aberração com asas. SANCTIFIED HOWL!

Orrin correu com tamanha velocidade que nenhum dos inimigos pode se mover com exatidão, acertando a amazona certeiramente. Entretanto, as asas de morcego havia se fechado por sobre sua dona momentos antes dela receber o impacto. A violência foi tamanha que toda a areia ao redor da amazona e Orrin se ergueu como numa explosão, e ela foi arremessada para mar. O cavaleiro de Tubarão foi arremessado para um dos lados, caindo de joelhos, sendo arrastado por algo próximo de três metros. A amazona finalmente parou quando suas asas se abriram e começaram a bater, fazendo-a voar sobre a água. Enfurecida com ataque que recebera, aproveitou o momento no qual Orrin estava se recompondo do ataque para acumular seu Cosmo.

- SEU TOLO! – berrou a amazona – Se deseja tanto morrer logo, então que parta logo ao Tártaro.

- Quero ver você tentar – retrucou Orrin com desdém.

Com seu Cosmo acumulado, Adrienne partiu na direção de Orrin com um único mergulho. Quando chegou perto o suficiente, fez uma manobra brusca com as asas, fazendo-a parar no ar ao mesmo que realizava um ataque com suas garras em forma de um "x".

- WINDSTORM CLAWS! – gritou a mulher.

Um lampejo esverdeado e rápido saiu do ataque da mulher em direção a Orrin. Quando acertou a areia o mesmo efeito do ataque de Orrin foi repetido, fazendo toda a areia voar como numa explosão. Não se via nada de Orrin por dentro da nuvem de poeira. Adrienne ficou esperando para ver o resultado, mas em prontidão. Fez um gesto com as mãos para que seu aliado aguardasse, mas atento.

A poeira foi baixando e revelando o que nela escondia. Atrás de uma parede invisível encontrava-se Orrin e Serafim, mais à frente, contendo o ataque da amazona. Incrédula, ela observava seu próprio ataque lutando para romper a barreira criada por Taças.

- Essa é a WALL OF CUPS – falou Serafim para a amazona com um pouco de dificuldade devido à força que fazia para conter o golpe persistente –… minha técnica defensiva-ofensiva. Agora que a conhece, deixe-me mostrá-la lado ofensivo dessa técnica.

- O quê?

Fazendo um gesto rápido e com muito esforço, Serafim empurrou sua muralha e o golpe da amazona na direção oposta. A muralha se destroçou ao mesmo que fez o golpe retornar para sua dona, com a mesma velocidade e intensidade. Rapidamente as asas de Adrienne a protegeram do ataque, fazendo-o explodir nela. Dessa vez ela caiu direto no mar.

Quando emergiu, abriu as asas com violência, demonstrando sua ira. Serafim e Orrin observavam seus adversários, lado a lado. O verdadeiro embate agora irá ter início.