Uma segunda chance
Capítulo 14 – Suas palavras são como veneno
Quando Stiles chegou com os outros adolescentes da escola, estranhou o fato de Derek estar sozinho cochilando no sofá. Ele subiu as escadas chamando pelo pai e estranhou quando não recebeu resposta. Seu pai nunca o ignorava. Andou até a porta do quarto, e percebeu porque o outro não respondera, a porta estava fechada.
Balançando a cabeça, ele entrou sem bater e deu de cara com o pai e Peter na cama. E apesar de não conseguir ver os dois nus, pois estavam cobertos com o lençol, era claro o que os dois faziam tanto pelos movimentos quanto pelos gemidos de Peter e pela respiração ofegante do pai. Ele não conseguiu dizer nada e ficou estático parado com a mão na maçaneta e com os olhos arregalados.
John tinha Peter prensado na cama com as pernas em sua cintura, e os dois seguiam um ritmo lento e forte. Estavam de mãos dadas e se beijavam. Travavam uma batalha de línguas absurda que só parou para respirarem. Peter virou o rosto para o lado, tentando retomar o fôlego, e John aproveitou para morder seu pescoço, fazendo-o gemer alto e abrir os olhos. Foi quando ele percebeu Stiles horrorizado parado na porta.
-John! – gritou alarmado.
Ele então tentou se encolher, virando o rosto para o lado oposto. John ao ver sua reação começou a rir.
-Meio tarde pra ser tímido, não acha? – falou John, com um sorriso divertido no rosto.
-Não é nada disso! – Peter o olhou feio – Seu filho está na porta! – explicou tentando se desvencilhar do outro.
John olhou para a porta assustado e viu que não só Stiles estava lá, mas também Isaac e Jackson. Por um minuto ficou sem reação.
-Não é o que parece – finalmente falou, negando tudo.
Isaac levantou uma sobrancelha em resposta
-Bom, talvez seja exatamente o que parece – consentiu, balançando a cabeça e desviando o olhar dos adolescentes.
-Nós vamos lá para baixo – falou Jackson, arrastando os outros dois para o corredor, quando percebeu o embaraço dos dois. Peter tinha até se escondido debaixo do lençol.
Depois que ouviram os adolescentes descendo as escadas, John tirou o lençol do rosto do outro e viu que ele parecia um tomate.
-Então, onde paramos? – perguntou com um sorrisinho safado.
-Não acredito que esteja falando sério! – Peter o olhava abismado.
-Não custava tentar – ele riu, dando de ombros.
Ele deu uma piscada quando saiu de cima do outro e um tapa em sua coxa antes de sair correndo para o banheiro.
-Boa sorte com seu banho gelado porque eu vou usar toda a água quente – falou, ao se trancar no banheiro.
Lá de dentro ele conseguiu ouvir o outro reclamando "Não é justo!".
Os adolescentes estavam sentados à mesa.
-Meus olhos! Meus olhos! Arranquem meus olhos – resmungou Stiles, coçando os olhos.
-Calma. Talvez nem seja o que estamos pensando. Talvez seja que nem com o caçador hoje de manhã – Isaac tentou animá-lo, mas nem acreditava no que dizia.
-Que nada, eles estavam definitivamente fazendo sexo – comentou Jackson despreocupado.
Lydia olhou feio para ele, e lhe deu um tapa no braço quando Stiles fez uma cara de dor e bateu a testa na mesa. Derek riu.
-Todo filho está fadado a achar os pais fazendo isso, pelo menos uma vez na vida – disse Isaac demonstrando que não era nada fora do normal.
-Todo mundo acha seu pai com o pai dos seus amigos na cama? – perguntou Derek curioso.
Stiles levantou a cabeça e olhou feio para o garoto.
-Falando assim soa meio engraçado – admitiu Isaac, rindo.
Scott e Allison, que estavam namorando no sofá, foram obrigados a parar o que estavam fazendo quando o telefone de Allison começou a tocar desesperadamente.
Ela olhou para o identificador e viu que era o pai. Deu um sorriso triste para o namorado e levantou para atender.
-Onde diabos vocês estão? Seus carros estão aqui, mas não tem ninguém na casa – gritou Chris histérico do outro lado da linha – Aquele irresponsável está com vocês? Aconteceu alguma coisa?
-Calma, pai. Está tudo bem. Nós estamos aqui do outro lado da rua. Só deixamos os carros estacionados aí. Deixamos o xerife tomando conta do Peter – ela explicou para o pai.
-Eu diria que alguém tomou mais do que conta – comentou Scott rindo, ao ver que o xerife descia as escadas com um sorriso de uma orelha à outra.
Chris desligou o telefone na cara da filha, que não entendeu nada.
O xerife desceu arrastando Peter que parecia querer estar em qualquer lugar menos ali. Estava claramente sem graça e evitava encarar qualquer um nos olhos.
Antes que qualquer um pudesse falar qualquer coisa, Chris Argent arrombou a porta a pontapés, e não hesitou um segundo em partir pra cima de Peter.
-Você não consegue seguir uma simples ordem, seu moleque! Era só ter ficado lá dentro e esperado até eu voltar – vociferou o caçador, chacoalhando o lobisomem enquanto segurava-o pelos braços.
Peter parecia assustado com a reação do outro e nem tentou se soltar. Sua cabeça ia para frente e para trás com a força com que o outro lhe balançava.
Chris só parou quando sentiu o cano de uma arma na sua cabeça.
-Quem você acha que é para invadir a minha casa, Argent? Se você está tão exaltado, sugiro relaxar lá na delegacia – falou John, puxando-o para longe do mais novo.
Ao colocar mais distância entre os outros dois, John se colocou na frente de Peter que se encolhia tremendo. Chris percebeu a postura dos dois e o fato de a arma continuar apontada em sua direção o tempo todo. Quando tentou encarar Peter nos olhos, o outro não aguentou e virou o rosto, e então o caçador pôde ver um pedaço da marca que o xerife tinha deixado em seu pescoço.
-Você não consegue mesmo ficar sem abrir as pernas pra qualquer um, não é? – riu Chris, balançando a cabeça.
Os olhos de Peter encararam os seus e ele parecia triste por ter ouvido aquilo e por um breve instante Chris se sentiu mal. Ele balançou a cabeça e saiu andando, ignorando todos os outros presentes.
John foi atrás dele, segurando-o pelo braço quando o outro já estava na calçada.
-Pode tratando de explicar o que disse lá dentro – exigiu John autoritário. Chris riu.
-Eu não estou nem aí mais. Ele é problema seu agora – disse o outro agressivamente. – Já torrou ficar pajeando e consertando as bostas que esse fedelho faz e se mete – vociferou o caçador.
-O que quer dizer? – John perguntou. Chris riu.
-Eu conheço esse moleque desde antes de aprender andar! – exclamou Chris, e John finalmente se deu conta de quem era a voz que ele tinha achado familiar na fita das filmagens caseiras dos Hale – Você tem ideia de quantas vezes eu ou a irmã dele tiramos ele se situações parecidas com essa? Aposto que não. Mas garanto que não foram poucas. Você já se deu ao trabalho de checar a ficha criminal dele? – o caçador viu que o outro parecia meio incomodado, mas fez que sim com a cabeça.
John tinha pesquisado e viu que nada constava. Porém, constava uma ficha juvenil, cujo conteúdo era protegido por lei e ele não tinha acesso. Chris ficou surpreso com a atitude – Eu não fui o primeiro com quem você falou a respeito dele – comentou, estreitando os olhos. John concordou com a cabeça – É sempre mais fácil imaginar um complô contra alguém do que essa acreditar que essa pessoa não vale nada – comentou debochado.
Quando ele vê que John ficou pensativo, Chris decidiu dar o tiro de misericórdia.
-Talvez eu esteja errado. Afinal, vocês parecem estar nesse relacionamento ou que quer que tenham há um tempo – disse olhando para a porta onde Peter estava parecendo arrasado – Peço desculpas pela porta. Mande a conta depois – pediu, atravessando a rua em direção à sua Tahoe vinho e sai cantando pneu.
John ficou vendo o outro se distanciar e viu um vulto pelo canto do olho. Quando virou viu que Peter passara por ele. Percebeu que o outro evitava olhá-lo e parecia secar o rosto. Ele ainda tentou chamar o outro, que só abaixou a cabeça e apressou o passo, retornando para sua casa.
Quando entrou em casa novamente, John reparou que todos os adolescentes olhavam pra ele com expressões de censura.
Derek passou correndo, sem se importar se esbarrava nele ao sair ou não. Lydia foi em seguida, com Jackson que fez questão de lhe fuzilar com o olhar.
-Fique longe dele – rosnou Isaac, com os olhos amarelos, ao sair por último.
Só restaram Allison, Stiles e Scott.
John olhou para a porta sem entender nada.
-Todos os lobisomens todos ouviram o que o senhor e o meu pai conversaram, e passaram para o resto – Allison explicou ao ver a expressão confusa do xerife.
-Qualquer um sabe que não sou fã do Peter, mas fiquei com dó quando ouvi a reação dele ao que vocês falavam – admitiu Scott.
-Que reação? – perguntou John.
-Você é cego ou o quê? – Stiles se irritou com pai.
John parecia surpreso com o tom do filho.
-Você quebrou o coração do cara – Stiles falou, apontando para a casa do outro lado da rua.
John parecia querer discutir.
-Deu para ouvir – murmurou Scott, pesaroso.
Os três olharam pra ele espantados, pois sabiam que ele não morria de amores pelo lobisomem.
Scott reparou que falou em voz alta e ficou sem graça.
-É melhor eu ir pra lá – disse para Allison, sem tirar os olhos da casa do outro lado da rua – Precisam de mim lá – ele não esperou ela responder e atravessou a rua correndo e entrou na casa.
-Eu acho melhor eu ir também. Mas amanhã eu volto para irmos juntos para a escola, como de costume, ok? – ela disse para Stiles, que concordou.
Ele então fechou o melhor que pôde a porta, já que a fechadura estava estourada e prendeu a porta com uma cadeira atrás. No dia seguinte chamaria um chaveiro.
Ele viu que o pai ainda olhava a casa por uma janela, pensativo.
-Talvez eu devesse ir lá conversar com ele – disse John, colocando a mão na janela.
-Faça isso se quiser ser despedaçado por lobisomens enlouquecidos – comentou Stiles despreocupado.
John o olhou surpreso. Stiles deu de ombros.
-Você mexeu com o pai deles, esperava o quê? – explicou ao ir para a cozinha.
Ele começou a mexer na cozinha e reparou que boa parte das coisas do balcão estavam afastadas e fora do lugar.
-Vocês não fizeram nada na cozinha, não é? – perguntou para o pai, com os olhos estreitos.
Viu que o pai ficou meio sem graça.
-Ewwwwwwwwww – gritou e correu para colocar luvas e começou a desinfetar tudo.
Fim do cap. 14
