Capítulo 13

Edward deu um meio giro, para encarar os olhos que tinha certeza que tinham mágoa. Bella, porém, já havia disparado.

— Você e sua boca grande, Edward! — disse, num disparo de remorso, para si mesmo e voltou na direção em que caminhava.

Marchava de cabeça baixa, com as mãos nos bolsos da bermuda. Sua mente dava voltas, seu coração parecia inexplicavelmente inquieto. Não tinha certeza do que deveria fazer. Pensou em ir atrás de sua tripulante, ou ex, mas achou aquilo desnecessário, além de patético.

— Não tenho que fazer nada! Ela que acredite no que quiser! — urrou inconformado por estar pensando na desvairada e em seu sentimentalismo feminino. — Me chamou de traidor. Traidor!... Ingrata!

Não iria abandoná-la , só tinha buscado uma saída estratégica para ambas as partes. Não entendia o porquê dela não compreender. Seria o melhor para os dois. Ele recuperaria seu espaço e ela chegaria a Flórida num tempo muito menor do que iria fazer no Elizabeth e seu tour pelo Caribe.

— Mulheres! Mulheres!

Por isso mantinha distância segura delas. Por isso seus relacionamentos não passavam do carnal, porque o afetivo parecia-lhe um pesadelo do qual nunca teria a curiosidade de se aventurar.

— Mulheres. Todas loucas! — chutou e uma rajada de areia saltou do chão. — Todas…

Seus pensamentos em relação ao mundo feminino somente pararam porque se deparou com excessivas luzes, fumaça provinda de uma fogueira e dezenas de pessoas portando seus copos de bebidas diversas. Todos circundavam alegremente a tocha gigante.

— Mas o que…?

Se soubesse que tinha luau na ilha teria se aprontado, vestido algo melhor do que sua bermuda e camisa velha. Não que os outros convidados estivessem vestindo alguma moda, mas… Deus, estava parecendo um pescador recém-chegado do mar! Achou até que estava cheirando a peixe.

— O Edward é um bom companheiro. O Edward é um bom companheiro. O Edward é um bom companheirooo. Ninguém pode negar. — cantou a multidão em uníssono e repetiram a cantiga deixando o velejador encabulado.

O grande número de vozes se juntou e formou uma melodia e sincronia imperfeitas, mas eram tantas que não se podia identificar os inúmeros desafinados.

— Mas o que está acontecendo?

— Ora, é o seu aniversário! — Charlotte se destacou na multidão caminhando para frente, em sua direção, sorrindo.

Charlotte também se vestira para festa. Como Bella se prepara quando o marujo a vira momentos antes, na breve discussão.

— Mas como soub…? — Edward disse, cortando-se num rompante de lembrança. — Bella! A senhorita Swan, a bisbilhoteira! — sussurrou a última parte.

— Onde ela está? — Charlotte inquiriu curiosa, procurando a tripulante do Elizabeth por cima do ombro do marinheiro. — Aonde a Bella foi?

— Ah… — murmurou, pondo a mão na testa.

— Não encontrou com ela? — a anfitriã perguntou e recebeu como resposta um meneio de cabeça. — E para onde ela foi?

— Eu não… Olha, esqueça ela um instante. Por que fizeram isso? — perguntou, não chateado, mas em dúvida se merecia todo o evento.

— É a sua festa! E a ideia foi da Bella. Gostou? — perguntou excessivamente animada. — Nós vamos nos divertir a noite toda! — ergueu o copo em um brinde que se propagou por todos os festeiros.

— Ela… fez o quê?

— Ela queria te dar um presente e convidamos seus amigos para completar seus 29 anos. Não é demais? — deu um gole em sua bebida. — A Bella vai demorar? E onde está Peter?

— E-eu não… — disse perdido, olhando em volta, sem saber se procurava Peter ou Bella. — E-eu não sei… não sei.

— Eu pedi que ele te distraísse e ele desaparece! — reclamou procurando o marido na multidão. — Homens!

— Não foi culpa dele, é que… Ah, esqueça. Eu… vou procurar os dois.

Arrependimento. Culpa. Peso na consciência. Os sinônimos dominaram a cabeça de Edward. Chegou a engolir em seco quando lembrou das recentes palavras cheias de amargura de sua maruja. E nem sabia o porquê de estar dando tanta atenção àquele detalhe.

— Eu posso ir. — Charlotte interveio, pegando seu braço, contendo-o quando deu um passo para trás. — Você fica e aproveita a festa.

— Não. — disse firmemente. — Eu vou! — disse andando para trás.

Charlotte deixou a missão para o aniversariante e voltou para a gigante caixa de som para iniciar a primeira música da noite, essa que só estava começando.

— E aonde é que o americano vai? — Billy gritou erguendo seu copo de rum, derramando parte dela com sua afobação. — E onde está a beleza da sua noiva?

Edward olhou para trás e franziu o cenho. Estranhou o fato de que aquela era a segunda pessoa a mencionar que ele estava noivo.

— Billy! — Charlotte gritou na direção do senhor, com a face desesperada. — Daqui a pouco ele está volta, não se preocupe. Continuem se divertindo. — ela disse a todos e votou-se para sussurrar para Edward. — Acho que é um mal entendido. Anda, vai atrás da Bella e do Peter! — gesticulou, dispensado-o.

Edward marchou em direção ao bangalô, mas não sabia o que diria à desvairada, decerto torceu até para não encontrá-la hoje, assim, não teria que se resignar e pedir que ela fosse a festa que ela mesma preparara para ele.

E lá estava o sentimento de arrependimento novamente, pesando em suas costas. Lembrou-se de Bella toda linda em sua roupa branca em contrate com seu leve bronzeado. Estava vestida para o luau. Para a sua festa.

Imaginou sua animação quando foi atrás dele e de seu amigo e da decepção que sentiu ao saber que ele cogitara abandoná-la…

Avistou Peter andando em sua direção e sentiu frustração, pois a culpa era dele também:

— Muito obrigado por ter me avisado que estavam fazendo uma festa para mim. Você é um amigo e tanto. Eu realmente não preciso de inimigos.

— Era uma surpresa! Se eu contasse a Charlotte me matava. A Bella também e… falando nela. Você vacilou feio com ela! Ela preparou tudo e…

— Tá! Eu já sei! Não precisa falar.

— E o que você vai fazer? — cruzou os braços, inquisitivo. — Vai se desculpar…?

— Eu não tenho que me desculpar! Eu só estava tentando ajudá-la. Você sabe muito bem!

— O que eu sei é que você magoou a garota. Agora… o que você vai fazer para se redimir… é por sua conta! — sacudiu os ombros e apontou . — E se quer uma dica. Ela foi por ali! Boa sorte!

Peter passou por ele e deu alguns tapinhas em seu ombro antes de seguir em direção à fogueira. Edward pensou em segui-lo, deixar a tripulante maluca para trás e ver se encontrava alguém para curtir a noite. Entretanto, sua consciência pesava demais para pensar em outra mulher ou pessoa que não fosse a linda e entristecida clandestina.

Capítulo 13.2

Marchou carrancudo. Contudo, marchou lentamente, adiando o encontro tanto quanto fosse possível. De acordo com Peter, ela havia ido para o lado das embarcações, sendo assim, teria um bom tempo para pensar no que diria até lá.

— Não! Não vou pedir desculpas! Só vou dizer para ir ao luau. Só isso! Não tenho que me desculpar, eu não fiz nada de errado. — disse após sua cabeça girar a procura de ajuda.— O que, afinal, ela quer de mim? Um pacto de sangue? Que eu dance a dança da amizade? Ah, que ridículo! Como se eu tivesse alguma obrigação com ela. Eu nem conheço ela!

Decerto não a conhecia, o que tornava aquela conectividade bizarra que sentia pela mulher algo impossível de se entender.

E por mais que adiasse, chegou a seu destino, a primeira opção de fuga de Bella.

Fez que ia adentrar o convés e estacou covardemente. Olhou para trás e girou o corpo para se preparar para… Sim! Iria fugir. Quando ficou sobre o pé de apoio, avistou ao longe uma silhueta familiar ao lado de seu furioso pai, o almirante Stefan Morgan.

— Ah, essa não!

A última vez que falara com Maria fora há mais de um ano, quando ela interpretara que havia sido pedida em casamento por ele. Na ocasião ela entendera tudo errado quando, ele totalmente bêbado, falou de uma certa proposta que tinha para ela. Mas a proposta nada tinha a ver com casamento, e sim com uma fuga da festa do filho de Billy, o até então formando em advocacia.

Só queria uma diversão noturna particular e não um compromisso até sua morte! Mas no lugar de esclarecer o assunto, ela se afobara e fora contar a "novidade" à família.

Jasper dissera que o almirante ficara furioso quando soube que Edward escapara no dia seguinte ao "pedido" e nunca mais dera as caras. Até o momento.

Agora o velejador tinha dois problemas. Uma era Isabella e outro era Maria. Pensaria no mais próximo a ele. Mas não o mais fácil.

Maria, de repente, olhou em sua direção e ele se sentiu impelido a saltar para o interior do Elizabeth II, batendo contra o chão com violência. Espiou quando não era mais observado e ergueu-se para caminhar, sabendo que a tripulante estava lá, ou passara por lá, visto que havia apagado as luzes do veleiro antes de sair.

Deduziu que ela estava lá embaixo, então, seguiu para lá. Entretanto, ao passar a alguns centímetros da porta da cabine, escutou algo imprevisível e ao mesmo tempo familiar:

— Traidor! Mentiroso!... Traidor! Mentiroso! — tagarelou Frank.

— O quê? — resmungou o velejador após sobressaltar. — De que diabos dos lados você tá?

— Traidor! Mentiroso!... Traidor! Mentiroso! — repetiu a ave convicta.

— Ah, o que que é? Vai ficar do lado dela agora? Quem é o traidor afinal? Hã? — Edward reclamou e interrompeu bruscamente sua revolta. — E… ela tá muito brava? Hein? O que mais ela disse? — sondou a ave. — Acha que ela vai me escutar? Hã?

— Traidor! Mentiroso!... Traidor! Mentiroso!

— Acho que isso responde a minha pergunta. — torceu os lábios e parou ao baque pesado no andar de baixo. — Escutou isso? Ela deve estar destruindo tudo lá embaixo. — coçou a cabeça. — Pelo menos vou ter minha casa de volta, com a minha bagunça e… um pouco de sujeira nunca me matou. Se bem que… Não! Vai ser muito melhor tudo ser como era antes, não acha?

— Uh, Mentiroso! — Frank desmentiu.

— É melhor lembrar de que a minha família foi quem te salvou do tráfico de aves se não quiser voltar para o seu habitat natural, sua avizinha traíra. E não me olhe como se eu estivesse enrolando para entrar lá! Eu não tenho medo dela! E principalmente, não ligo para o que ela pensa!

Ao terminar de falar achou um absurdo o fato de ter a sensação de que estava mentindo para si mesmo e que se sentia sim receoso de encontrá-la.

— Quando foi que fiquei tão covarde?

Deixando a filosofia de lado, encaminhou-se para seu destino como se estivesse indo para a forca.


Comentem, senão vou achar que ninguém está lendo.

Abraços,

Myssie.