Intimidade

Ela abriu os olhos de forma relutante, por mais que a claridade do quarto deixasse evidente que o sol já havia saído, ela não sentia muita vontade de acordar. Ainda estava com um pouco de sono, o que era peculiar, pois Alexandra era o tipo de pessoa que acordava no momento em que o sol nascia. Seu corpo estava levemente amolecido, como se ela tivesse cavalgado durante todo o dia anterior.

Mas ela sabia que não fora um dia de cavalgada que a deixara daquela forma.

Ela desviou os olhos do teto para a pessoa que estava dormindo ao seu lado. Edmund tinha um sono pesado, e seu cabelo estava bagunçado, emoldurando o rosto entregue aos sonhos. Seus lábios carnudos estavam levemente abertos e ela não conseguiu conter sua mão quando os dedos pousaram levemente ali, sentindo a textura daqueles lábios que na noite anterior havia percorrido todo o seu corpo de forma masculina e carregada de desejo.

Ela corou, retirando a mão no mesmo segundo. A coberta estava jogada sobre o corpo dele, tampando apenas da cintura para baixo. A pele dele era pálida, assim como a dela. Não havia manchas nem marcas, apenas algumas leves cicatrizes, algo tão comum em um rei que ela nem mesmo se incomodou com aquilo. Pelo contrário, as marcas de guerra o deixavam imperfeito, e humano.

E o peso daquele corpo...

Sem que Alexandra conseguisse se conter, as imagens e sensações da noite anterior tomaram a mente dela em uma velocidade absurda, e ela sentiu seu rosto pegar fogo e sua respiração alterar um mínimo. Edmund havia a surpreendido, por mais que ela já desconfiasse de que ele não era tolo em relação àquilo, o modo como ele havia a tocado...

Sua pele se arrepiou, mas ela recusou-se a ficar ali pensando em tudo. Poderia enlouquecer caso isso acontecesse. Ela tentou se afastar de Edmund, mas pela primeira vez percebeu o braço forte dele por cima do seu corpo, quase tocando o seu umbigo. Engoliu em seco.

O acordaria?

Ela tentou sair novamente, mas o movimento mais decidido fez com que ele acordasse levemente e de forma automática puxasse a garota para o corpo dele, como se o seu subconsciente tivesse medo de que ela fugisse dali a qualquer momento.

Edmund sentiu a resistência dela no mesmo segundo. Com muita força de vontade, ele entreabriu os olhos. Já havia amanhecido, mas ele não queria acordar. Outra coisa que ele percebeu imediatamente, foi o rosto vermelho de Alexandra. Ele quase sorriu com isso. Quase.

Voltou a fechar os olhos.

- Por que está envergonhada? – ele perguntou de forma grogue.

Alexandra não respondeu, apenas permaneceu em silêncio e com os olhos focados no teto.

- Você está sendo boba.

Ele disse, retirando o braço do corpo perfeito daquela garota. Ela percebeu isso e aproveitou a chance, tentando sair da cama novamente, mas ele a impediu, colocando a mão forte em seu colo e forçando-a a permanecer deitada.

- Fique deitada...

Ela fez o que ele pediu, mas não ficou satisfeita com isso. Edmund saiu da cama rapidamente, levantando-se e caminhando em direção à janela. Estava nu, e ela não conseguiu conter seus olhos de percorrer o corpo dele. Ele tinha um físico bonito. As costas eram ligeiramente largas e torneadas, assim como os braços. Ele possuía aqueles dois furinhos nas costas, perto da...

Ele se virou.

Ela desviou os olhos no mesmo momento, sentindo-se extremamente idiota por estar o observando. Edmund sorriu ante ao desconforto dela e decidiu colocar sua roupa íntima, cobrindo-se para que ela não sentisse mais aquela vergonha sem sentido.

Ele piscou uma vez para ela, antes de andar até a porta. Para a surpresa de Alexandra, ele abriu a porta e saiu do quarto. O rei Edmund saiu do quarto, vestindo apenas sua roupa íntima. Ele agora estava no castelo, precariamente vestido, andando normalmente. Ela quase não conseguiu acreditar, mas antes de se beliscar para acordar daquele pesadelo, a porta do seu quarto foi aberta novamente e ele entrou, sorrindo de forma calma.

- Eu pedi o nosso café.

- Você ficou louco? – ela perguntou, irritada.

- Por quê? Por pedir o café?

Edmund não estava entendendo nada, mas ele conseguia sentir a irritação dela de longe.

- Os seus convidados não precisam ver o rei de Nárnia andando pelo castelo apenas com suas roupas íntimas.

Quando ela colocou sua preocupação em voz alta, Edmund riu. Alto e de forma confortável. Ela não gostou daquilo, mas logo acrescentou.

- Principalmente quando esse rei está saindo do meu quarto.

Ele continuou rindo, mas logo depois decidiu que ele devia acalmá-la.

- Não seja boba, Alexandra. São seis horas da manhã. Eu sei que você costuma acordar assim que o sol nasce, mas humanos comuns não fazem isso. – ela decidiu ignorar a provocação. – Além do mais, ninguém me viu. Havia um texugo próximo ao quarto e eu pedi para ele.

- O texugo foi o suficiente.

Edmund sorriu, mas decidiu não continuar com aquela discussão, sabendo que aquilo poderia virar uma bola de neve caso ele o fizesse. Ele se aproximou dela, bagunçando os cabelos dela como se ela fosse uma criança. Logo depois deu as costas, abrindo a porta do banheiro e sumindo do quarto. Ela percebeu que ele tinha ido tomar um banho.

Dois minutos depois alguém bateu na porta. Alexandra não levantou para abri-la, mas a pessoa teve a sensibilidade de esperar um pouco para entrar logo depois que bateu. A pessoa, na verdade, era uma texuga. Ela empurrava consigo um carrinho pequeno de dois andares que continha os mais diversos tipos de torradas, frutas, pães e bebidas.

Alexandra se sentiu envergonhada com a presença daquela texuga, e sem conseguir se conter puxou ainda mais o cobertor para seu corpo, tampando definitivamente seus seios e parte dos seus braços. A texuga sorriu.

- Não precisa se envergonhar, criança.

Ouvir uma texuga lhe dizendo isso enquanto ela estava nua apenas a deixou ainda mais desconfortável, e ela enterrou o rosto no cobertor, pensando em várias maneiras de matar Edmund quando ele saísse daquele banheiro. A texuga colocou o carrinho ao lado da cama e sorriu por causa da reação da garota, saindo do quarto para que ela tivesse mais privacidade.

Alexandra levantou o rosto no momento em que escutou a porta se fechando. Ela retirou o cobertor do corpo, sentando-se na beirada da cama e mexendo as pernas levemente para conter sua ansiedade. Dez minutos depois ele saiu.

Edmund estava com uma toalha amarrada na parte inferior do corpo. O tecido era vermelho, e contrastava absurdamente com a pele pálida e com os cabelos negros que ele possuía. Ele não havia se enxugado direito, então algumas gotas de água pingavam do seu cabelo e desciam livremente pelo seu peito, correndo até o abdômen e morrendo no tecido da toalha. Alexandra percebeu cada gota que caía ali, mas lembrou-se de algo que gostaria de fazer antes de tudo.

Com extrema velocidade, ela saiu da cama, caminhando de forma furiosa em direção a ele. Ele ficou surpreso com a reação dela, ela colocou o dedo no rosto dele como se tivesse o ameaçando. E estava.

- Uma texuga acaba de entrar nesse quarto e me ver nua. Um texugo acaba de vê-lo saindo desse quarto praticamente nu. E você ainda está sorrindo.

Ela percebeu de imediato, vendo o sorriso jocoso que Edmund estava nos lábios. Aquilo só a enfureceu ainda mais.

- Você acha isso bonito? – ela perguntou. – Eu juro, caso isso volte a acontecer, eu te mato, Edmund!

Mas ele não parecia levar a promessa dela muito a sério, o sorriso jocoso dele ainda estava nos lábios carnudos e Alexandra não sabia se aquilo estava a deixando ainda mais enraivecida ou tirando sua concentração. Ele não entendeu o motivo de tanta raiva, mas sabia que era parte da personalidade dela ser assim, impetuosa.

Ele adorava aquilo.

- Ei! Por que você está sorri...

Antes que ela começasse aquela enxurrada de perguntas, Edmund a calou com um beijo. Estava fácil. Alexandra estava nua, e ele conseguiu sentir os seios rígidos e firmes o pressionando, assim como as curvas femininas encostando-se à sua pele. Foi o suficiente para ele ficar excitado.

Porque se existia algo nela que ele amava, era o modo lento que ela começava a amolecer em seus braços, o modo como a fúria dela dava espaço para a doçura, e o modo que as palavras mal educadas transformavam-se em gemidos contidos.

Ela estremeceu ao sentir a excitação dele. Suas mãos foram mais ousadas que na noite anterior e ela correu-as pelos braços fortes, sentindo os músculos ali, a pele deslizar facilmente por estar molhada. Mas foi pega desprevenida quando ele a pegou no colo, indo em direção à cama e colocando-a no colchão com delicadeza e certa impaciência.

Ela também estava impaciente, e ficou ainda mais ansiosa quando ele desatou o nó da toalha, jogando-a para o lado, no chão. Na noite anterior, ela desviou os olhos. Mas naquele momento ela não conseguiu a mesma proeza. As orbes violetas cravaram-se no corpo dele, no abdômen, nas coxas fortes e em algo que ela descobriu estar curiosa para olhar desde que o descobrira nu naquela praia, sem querer.

Edmund subiu no colchão, aproximando-se dela e encaixando-se perfeitamente entre suas pernas. Plantou um beijo doce e ao mesmo tempo ávido no vale dos seios da garota e a olhou com atenção no momento, penetrando-a calmamente antes de pedir a permissão que ele havia pedido na noite anterior.

Alexandra sentiu-o invadi-la. E logo começou. Aquelas sensações que ela sabia que ia sentir, mas que do mesmo modo a pegavam desprevenida quando invadiam seu corpo. Sua pele se arrepiou com o toque masculino das mãos fortes, seus lábios se separaram para receber a língua dele e vez ou outra gemer o nome do rei, ou até mesmo mordiscar o ombro dele, demonstrando o prazer que estava sentindo. Suas pernas começaram a perder a força à medida que ele batia o quadril de encontro ao dela, à medida que ele mostrava como a desejava.

E então aconteceu. Ele travou o corpo ao dela e mordeu levemente o pescoço delgado que ela possuía. Alexandra sentiu a mesma sensação inebriante da noite anterior. Ela tinha que admitir a si mesma, não pensou que sentiria aquilo tão cedo. Julgou que o clímax fora quase uma utopia, um ápice de fazer sexo com alguém que tanto a excitava. Ela estava enganada. Edmund conseguiu levá-la à borda com a mesma intensidade da noite anterior, como se ele tivesse um poder incalculável sobre o corpo dela.

E tinha.

Ele apenas precisava tocá-la. E ela estaria entregue a ele como uma marionete.

Sempre.


Os dois estavam deitados na cama há horas, do mesmo modo que ficaram na noite anterior. Alexandra percebeu que apreciava muito aquilo. Adorava sentir o som do coração dele quando ela pousava sua cabeça em seu peito forte, adorava como os dedos dele acariciavam os cabelos dela, ou deslizavam pelo braço dela. E principalmente, adorava o cheiro dele, e o modo como o corpo dele passava uma sensação de proteção quando estavam próximos.

Aquele tipo de pensamento fez algumas perguntas surgirem na mente dela.

- Você acha que devemos nos preocupar com a Feiticeira Branca?

Edmund pensou um pouco antes de responder, mas sabia que já estava na hora de Alexandra perceber o perigo real que a Feiticeira representava.

- Acho que enquanto aquela mulher viver, sempre teremos que nos preocupar com ela.

Alexandra estremeceu e ele percebeu isso. Logo se virou para ela, depositando um beijo carinhoso nos cabelos longos.

- Vamos. – ele a chamou. – Vou levá-la até seus pais.

- Por quê?

Por mais que ela quisesse ver o pai, ela também queria ficar ali. Se possível o dia inteiro, apenas mordiscando frutas e recebendo carícias de Edmund. Ele sorriu para ela, como se soubesse em que ela estava pensando. Mas logo seu rosto ficou sério.

- Todos estão reunidos para um conselho, em outro castelo que fica próximo daqui. – ele se levantou da cama. – Acho que você devia participar.

A expectativa dela aumentou. Ela participaria finalmente de alguma reunião ali dentro, a primeira desde que aquela bruxa deu os primeiros sinais de seu retorno. Ela observou-o se vestir, contente pela confiança.

Sorriu, percebendo que Edmund não a considerava mais imatura ou criança.