Finalmente eu volteeeeeeeeeeeei! Tudo bem com vocês? Espero que estejam com saudades da fic, porque eu estava com muitas saudades de postar! hahahaha E dei um bônus pra vocês: capítulo longo, com 2.657 palavras, o mais comprido que fiz até agora hauhauha Só pra compensar né... Espero que gostem, um beijo! Vejo vocês na sexta ((:


Capítulo XII

Remus Lupin estava flutuando sobre os corredores, conversando ao lado de Hagrid. Ambos faziam a ronda noturna, para garantir que nenhum aluno estivesse fora de seus dormitórios.

- Novos tempos, novas medidas – disse Hagrid, caminhando com seus passos pesados, suspirando.

- Pois é... – retrucou o professor, olhando interessado para alguns quadros – Engraçado como percebo coisas que não percebia quando estava em vida...

- Como o que, professor? – indagou o homenzarrão, olhando agora para o fantasma – Não vá me dizer que nunca percebeu os quadros se mexerem, ou qualquer uma dessas coisas!

Lupin riu e acrescentou: "Claro que percebi, meu caro Hagrid, mas não é a isso que me refiro. Sabemos que os detalhes estão aqui, mas não os percebemos. Agora eu tenho tempo para analisar cada canto do castelo, suas obras de arte ou tapeçarias e é incrível. Hogwarts deveria ter alguma matéria relacionada a esse tipo de arte, seria incrível para alguns alunos."

- Artes? Em Hogwarts? Me soa como uma escola trouxa, se quer saber o que penso!

- Não somente pela beleza, Hagrid, mas pelo exercício. É preciso muita concentração, esforço, delicadeza para se construir algo em marcenaria, por exemplo. O mundo bruxo anda carente de novos arquitetos, talvez possamos prover isso a eles...

- Bom, professor, pensando por esse lado... Ei! Você aí! Volte já para o dormitório garoto, ou vai dormir com o Fofo esta noite!

Ambos os homens checaram se o garoto realmente voltara para o seu dormitório. Era um Corvinal, certamente, querendo bancar o espertinho, sabe-se lá por quê.

- Mesmo Fofo ser um cão adorável, sinto em usá-lo como ameaça... Não faria mal a uma mosca! – Hagrid falou, balançando a cabeça – Pobre Fofo, estava pensando em arranjar uma companhia para ele. Conversei com um homem de capa no bar e ele tinha alguns filhotes em negociações...

- Hagrid, não sei de onde você tira esses vendedores com animais estranhos! Me surpreendo não ter sido enganado até hoje... Bem, só posso dizer que você é excelente em tratar dessas criaturas.

O homem coçou alegremente a barba, sentindo seu ego crescer. Caminharam por mais alguns corredores em silêncio, até que recomeçaram a falar:

- Acho que mais alunos deveriam se interessar pelo Trato das Criaturas Mágicas. Se eu sumir, quem é que vai cuidar dos pobres bichinhos? Esses alunos só se interessam em ser aurores, ou trabalhar para o ministério, BAH, uma grande bobagem, se você quer saber.

- Talvez você não esteja percebendo... Existe alguém sim que poderia seguir essa carreira e ser muito promissor, só precisa de estímulo e atenção...

- Quem?!

- Luna Lovegood. É a única aluna de Hogwarts que não se aflige perto das criaturas e as trata de uma forma tão carinhosa quanto você. Já viu a menina perto dos trestálios ou conversando com Fofo? É uma menina maravilhosa, sem dúvida.

Hagrid balançou a cabeça concordando e ambos seguiram conversando baixo pelos corredores, falando sobre alunos, professores, até sobre Tonks e Teddy. Lupin disse que iria esperar até o filho entender melhor a situação, e que, mesmo que quisesse, não poderia sair da escola para visita-lo. Em alguns anos o garoto iria a Hogwarts e Remus poderia cuidar dele o tempo que quisesse. Pensar em Teddy fazia-o pensar em Tonks. A saudade era grande até para um homem morto suportar, mas teria que ser firme, era uma obrigação, não uma escolha. Pelo menos, o sofrimento tinha se dissipado. Estava calmo, tranquilo, as noites de lua cheia eram apenas dias comuns e cheios de alívio para o professor e disso ele não poderia abrir mão jamais. Seu único desejo era juntar tudo isso e mais a família que nunca teve.

Severus Snape encontrava-se em sua sala, organizando algumas poções e livros. Precisava distrair a cabeça depois de ler a carta que recebera pouco antes. Todos os alunos de sua casa haviam escrito seus sentimentos para ele; sabia que eles nunca falariam na sua cara, tampouco ele demonstraria emoção alguma a eles, mas aquilo derrubou o emocional do professor como nunca antes. Eles o perdoaram por cada ação, cada mentira, cada pequeno sofrimento. Não era mais o traidor sonserino, ele havia voltado a ser simplesmente o terrível professor Snape, que dá a aula mais insuportável e odiada pela maioria dos alunos em Hogwarts. Estranhamente, isso o satisfazia muito. Nunca dera valor ao seu cargo, à sua incumbência que era mais como um castigo para ele. Hoje, seu cargo era a coisa mais preciosa que tinha. Amava suas poções, seus livros e seu intelecto para isso era incrível. "Que se danem as Artes das Trevas", pensou ele muitas vezes desde que voltara a dar aulas.

- Entre, Draco.

- Droga Snape, você acaba com todo o suspense de entrar na sua sala. – o garoto sentou-se numa cadeira ao canto e ficou encarando seu mestre de Poções.

- Fazer o que, é meu novo ofício. Que você quer?

- Já vi que leu a carta. Eu mesmo fiz a magia na pena para escrever cada relato. Achei que pudesse dar um ânimo na sua vida – o garoto deu um pequeno sorriso.

- Draco Malfoy, o que você está aprontando? Anda bonzinho demais para um sonserina e, pior, para um Malfoy. Acaso seu pai não sabe de nada disso, não é mesmo?

O louro amuou-se na cadeira. Rolou os olhos e simplesmente disse:

- Acho que tenho minhas contas a prestar também, não acha? Cansei de ser o estereótipo de Malfoy, uma cópia pura do meu pai. Quero saber quem eu sou de uma vez por todas. Não sou um Lucius mirim, eu sou Draco, um ser totalmente diferente.

- Quando você for independente e dono do seu próprio nariz, talvez você possa afirmar tais coisas. Enquanto isso, você é como uma... Propriedade dos seus pais. Do seu pai. Então obedeça, como um bom garoto deve fazer. – ele enfatizou o "bom garoto", sabendo que aquilo afetaria o garoto de alguma forma.

- Draco, você fez aquilo que eu lhe disse?

- Sobre aquela pessoa? – o professor apenas assentiu – Sim, eu fiz... Fiz como deveria ser feito.

O professor ficou taciturno e assentiu lentamente. Voltou às suas tarefas anteriores, indicando ao aluno que era hora dele sair dali. Silenciosamente, o garoto obedeceu, saiu e fechou a porta. Tudo estava como o planejado.

Era possível escutar gritos irritados e uma voz cantarolando do dormitório dos garotos. Alguns dos alunos da grifinória subiram até lá, meninos e meninas, para encontrarem Harry Potter dançando como uma moça com Rony, que se debatia e xingava o amigo.

- Porra Harry, me larga, babaca! – o moreno riu e rodopiou o amigo e o soltou. Rony deu algumas voltas e esbarrou em Seamus, que estava arfando de tanto rir, quase sem respirar – Grandes amigos vocês são! Nem para me ajudar!

Assim que os risos foram se acabando e os alunos se retirando, Ron finalmente pode conversar com Harry a sós.

- Qual é dessa felicidade toda? Não vejo você assim desde... desde sempre.

- Fala de mim como se não tivesse feito igualzinho quando a Mione aceitou ficar com você – Harry riu e apenas continuou – É que... Eu fiquei a sós com o Malfoy e isso me deixou completamente maluco Ron.

O amigo sorriu, enquanto tentava apagar da memória a antiga felicidade do amigo por uma pessoa que tinha partido há muito tempo.

- Eu fico feliz que esteja assim, Harry, sério. Mione já sabe?

- Foi a primeira pessoa pra quem eu contei, sem ofensas, Ron – o moreno riu e abraçou o outro. Aquele sentimento de acerto de contas com o Universo era ótimo. Ele finalmente sentia que podia respirar sem medo de que pudesse parar subitamente com um novo susto, um novo inimigo.

- Nossa, eu realmente estava feliz apenas poucas horas atrás? Quero me matar! – Harry reclamou, jogando a cabeça pra trás e batendo com o livro aberto no rosto.

- Harry! Pare de ser dramático, só faltam 150 linhas e não é nem você quem está escrevendo!

A muito custo ele colocou o livro de volta na mesa e voltou a ler. Poções era uma matéria horrível de ser estudada e ele odiava cada segundo que passava fazendo aquilo.

- E não se esqueçam que depois disso, temos mais três trabalhos para fazer. Que maravilha! Não é ótimo? – Hermione exclamou, sem olhar para a cara de desprezo, cansaço e agonia dos dois amigos.

- Hermione, sinceramente, eu não sei como você aguenta isso, como você gosta disso! É insuportável! – Ron se se encostou ao sofá, pois estava sentado no chão, em frente à mesa. Jogou os braços na almofada e ficou em estado vegetativo por alguns minutos, apenas resmungando. – Como foi que eu acabei me apaixonando por uma viciada em estudos, me digam...

Hermione riu e não se sentiu ofendida – em outros tempos, sentiria vontade de matar Ronald, mas já havia aprendido que esse era o seu jeito –, dando um beijo no rosto do namorado. Ele relutante se levantou, se espreguiçou e voltou a sentar e estudar. Passaram algumas horas daquele jeito e, quando acabaram, sentiram como se tivessem sido enfeitiçados: não sentiram o tempo passar, a fome roncar dentro de seus estômagos e não perceberam a pequena Molly no braço do sofá, tirando uma soneca. Devia ter esperado muito tempo, sem receber nenhuma atenção. Harry então a acordou delicadamente, e ela prontamente esticou a patinha, que segurava um pergaminho enrolado.

- Hermione, a professora Babbling quer nos ver... – e passou a carta para a amiga. – O que pode ser?

Ela apenas balançou a cabeça. Despediram-se de Rony (que tinha medo da professora e ficava feliz em não ter que ir) e foram até a sua sala. Quando chegaram à porta, tocaram com as varinhas ao mesmo tempo a runa encrustada. A porta se abriu com um "clique" e eles entraram silenciosamente.

- Que bom que vieram! Não, não se desculpem pelo atraso, eu vi que estavam estudando, por isso esperei um tanto mais. Sentem-se, pois não pretendo demorar.

A pedido dela, ajoelharam-se no chão, silenciosos e esperaram até que ela começasse. A professora trouxe seu caldeirão negro e uma caixinha com alguns itens que os dois jovens não puderam ver com clareza.

- Prestem muita atenção, mas jamais repitam isso sozinhos! – ela advertiu severamente, olhando os dois alunos nos olhos – As artes mágicas são perigosas para quem não as conhece plenamente.

Pegando a caixa então, Babbi retirou um espelho arredondado, que cabia perfeitamente no fundo do caldeirão. Levantou-se e pegou um balde de madeira, quase cheio até a borda e despejou o conteúdo no caldeirão. "É uma água muito especial, não se pode encontra-la aqui, apenas em um lugar", ela lhes contou e olhou para Harry. Ele respondeu o olhar, mas ela não teve certeza de que ele a havia compreendido. Pegou então algumas ervas e foi colocando uma a uma no caldeirão, murmurou o que os dois amigos julgaram ser feitiços. Depois pegou um punhado de terra e circundou o caldeirão com ela, ajoelhando-se e sujando seu belo vestido.

- Peço agora que concentrem-se e façam muito silêncio – era inútil falar isso a eles; estavam tão hipnotizados que sequer parecia que respiravam – eu vou pronunciar um mistério, o qual vocês nunca devem contar a ninguém.

Bathsheba Babbling ergueu suas mãos e as baixou lentamente, até ficarem paralelas à água do caldeirão. Sussurrou algumas palavras e uma leve brisa começou a movimentar lentamente a água do caldeirão.

- Pelo fogo do caldeirão, a terra que toca meus pés, a água do Poço Sagrado e os poderes do ar, invoco-a! – e ficou parada, meditando por alguns minutos, enquanto formulava alguma pergunta em sua mente. Aos poucos a água movimentou-se um pouco mais rápido e parou, enquanto uma imagem se formava em sua superfície. – Observem.

Harry e Hermione se inclinaram um pouco para ver melhor a imagem. Aos poucos, podiam ver claramente uma moça. Ela usava um vestido bordô e tinha cabelos negros que chegavam até abaixo de sua cintura. Ela tinha uma harpa em suas mãos e eles sentiram que poderiam ouvi-la tocar e cantar, realmente! Mas nada escutaram, apenas observaram a moça mover seus lábios numa cantoria silenciosa. Aos poucos, a imagem se afastou e eles puderam ver que ela estava bem no meio de um círculo de pedras, um que já haviam estudado com o professor Binns. Seus corações deram um pulo quando Babbi sussurrou Morgana para as águas. A moça da imagem havia parado de tocar e de cantar. Seus olhos arregalados pareciam procurar alguém ao seu redor, como se ela tivesse escutado algum som. Viram-na gritar alguma coisa, mas apenas a professora podia escutá-la. "Estou aqui, minha filha, mas diga-me onde você está!", ela falou um pouco mais alto, num tom quase desesperado. Tão rápido quanto apareceu, a imagem foi se desfazendo e mostrando apenas alguns acontecimentos futuros, dos quais nada importavam naquele momento. As imagens se foram e a professora Babbling mantinha sua cabeça baixa, como se estivesse muito fraca para se levantar.

- Estou bem, estou bem, deem-me alguns segundos apenas – ela falou baixinho, mas Hermione e Harry puderam entendê-la perfeitamente, e mantiveram-se em silêncio. – Muito bem. Suponho que tenham visto o que eu vi. Aquela era Morgana, há muito tempo atrás. Procurei encontrar o destino que sua alma tomou, mas não consegui. Mas talvez ela tenha conseguido.

Ela se levantou e começou a arrumar as coisas. Impediu que os dois alunos a ajudassem, já que eram objetos sagrados que não poderia ser tocados de qualquer forma por qualquer um. Quando terminou, chamou ambos para sentarem-se com ela nas confortáveis poltronas.

- Muito bem. Chamei-os aqui justamente para isso. Fiquei muito feliz ao me trazerem aquelas notícias, e foi por isso que fiz todo esse ritual. Talvez agora fique mais fácil encontra-la e espero que ela possa estar entre essas paredes. – mais uma vez era perceptível a triste agonia no rosto da professora. Ela se sentia solitária, com saudades da sua única filha de coração e a mera expectativa de tê-la de volta em seus braços enchia seu coração de esperança.

Nos próximos minutos eles se dedicariam a ouvir a história do velho círculo de pedras, colocadas lá por alguém desconhecido. Nem os druidas antigos sabiam quem; foi numa época anterior a deles e o conhecimento foi perdido. Depois de conversarem alegremente sobre coisas cotidianas, Babbi decidiu que era hora deles se retirarem para o Salão Principal para jantar.

- Se vocês puderem, façam-me um favor – eles voltaram sua atenção para a professora – Consigam alguns fios de cabelo dessa moça. É tudo que peço.

Ambos assentiram e se despediram. Caminharam pelos corredores, conversando baixo para que ninguém os escutassem. Estavam tentando formular um plano para conseguir um fio de cabelo da menina, mas como?

- Hermione!

- Ai Harry, que susto, não grite assim de repente! – a menina deu um tapa no braço do menino, que deu uma risadinha.

- Desculpe, desculpe, me empolguei. Ela é da nossa casa, não é? Pois então, é só você pegar a escova dela Mione!

- Harry, não é tão fácil assim! Primeiro porque não posso sair pegando a escova de uma desconhecida no meu dormitório e segundo porque é grosseria!

- Você não hesitou em fazer isso com Crabbe e Goyle – ele falou baixinho, tossindo para disfarçar.

- Aquilo foi outra situação! Eles não são da minha casa! De qualquer forma, ela é muito reservada, Harry... Não sei se eu conseguiria pegar sem que ela percebesse...

- Temos que tentar Mione! Pelo bem de Babbi...

Ao entrarem no Salão para jantar, conseguiram ver a menina numa das pontas da mesa. Séria, com olhos escuros, pequena e com cabelos muito pretos. Se parecia muito com a Morgana da visão, mas seria mesmo ela ou só uma ironia cruel do destino? Eles se entreolharam e sentaram perto de seus amigos e tentaram esquecer o que havia acontecido apenas por um tempo. Mais tarde eles pensariam no que fazer.