HARRY POTTER E DRACO MALFOY
14-Inveja.
Os hábitos da casa foram um choque, Draco sempre esperava ser servido, e com presteza, mas era óbvio que não esperava que Potter o servisse. Só não esperava aquela atmosfera. Depois de receber a emocionante notícia que compartilharia o minúsculo quarto com o rapaz que nunca dormia... e bem Potter havia entrado arrastando aquela coisa, e não devia fazer esforço! Não havia ninguém naquela casa que pudesse ter preparado o quarto de antemão? Teve que se oferecer, e suportar um olhar incrédulo do outro, para impedir que o outro mudasse o quarto inteiro sozinho para fazer a minúscula cama caber no espaço vago.
Nossa será maravilhoso circular nesse quarto com esse espaço vago!- disse afastando o cabelo da testa.
Dobraremos a minha cama durante o dia...- Harry respondeu.
Se é que aqueles pedaços de madeira e aquela coisa fina que ficava por cima, e tivera cobertores com mais espessura, podia ser chamado de cama... Potter havia catado um lençol do armário, e Draco não sabia se ficava mais espantado com o conteúdo do armário ou com a forma com que Potter alisava o lençol... nunca viu ninguém preparar uma cama na vida... na sua casa, sabia que os elfos faziam isso, em Hogwarts também... no momento seguinte lençol, sobrelençol e um travesseiro gasto davam a aparência de cama aquilo que antes parecia só um pedaço de madeira com dobradiças e pés.
E o rapaz se jogou sobre a cama com uma aparência exausta... fechando os olhos, e olhando ficava óbvio que Potter nunca caberia inteiro naquela cama... a menos que encolhesse ou ela se estendesse... e diminuir Potter ainda mais era impossível já que ele era pequeno por natureza.
Ah... Potter? O que se faz nesse lugar... ah, pra passar o tempo?
Eu disse Malfoy...- Harry disse pesadamente.- Leia, ou durma, porque não há outra coisa pra fazer... não nessa casa.
Uma ponta de pânico se instalou, como assim? Ler ou durmir? Gostava de um ou outro cochilo preguiçoso, mas passar horas dormindo? E ler estava longe de ser sua atividade favorita. Olhando agora, Potter não parecia bem...
Potter...
Quuueeee...
Você tá bem?
Malfoy... vá dormir... estou com dor de cabeça.
Hum... tá certo... uso a cama?
Se você preferir tem um pedaço de chão aqui do lado, só tá meio empoeirado...
Aquilo era uma piada... hahaha... Potter entendia de cinismo... isso era uma boa notícia.
Tá, eu prefiro a cama.
Jogue o lençol no chão... depois eu junto... eles não devem ter trocado. deve estar empoeirado também.
Os trouxas não sabem limpar as coisas?- comentou jogando a mochila e o lençol no chão.
Sabem... claro que sabem.- murmurou.
Draco deitou sem sono, puxou o travesseiro e o virou, apoiando a cabeça, olhando o quarto, o dono do quarto, era engraçado sentia algo de vazio, e quando olhou o porta retrato havia um homem e uma mulher dançando sob folhas de outono, felizes... ás vezes eles se aproximavam e o olhavam sorrindo como se quisessem lhe convidar a dançar também e por alguns momentos sumiam da moldura, era óbvio quem eram... os pais dele.
Aquele homem e aquela mulher tão alegres estavam mortos... Potter era parecido com o pai... magro, com o cabelo preto assanhado, mas olhando bem... e desviou os olhos para o outro que já adormecera, provavelmente por causa do esforço, olhando bem o rosto lembrava sim o pai, mas os olhos, conhecia bem os olhos, e eram mesmo da mãe... ela lhe acenou no retrato, um pouco do nariz... e a boca, Potter herdara a boca cheia da mãe... apesar de na primeira olhada parecer-se totalmente com o pai, ali estava a evidência que ambos deixaram , muito de si, nos traços dele.
Porque diabos encasquetara em olhar a boca dele? lembrava bem do que seu pai fizera e com exasperação ao lembrar do rosto ferido e marcado virou de costas para o retrato, para o rapaz adormecido, não ia encarar os pais dele, sendo que fora o seu que o ferira, que fora, gente... como seu pai que os tirara dele. Sentou-se na cama sentindo-se mal. Apesar de tudo, seus pais nojentos estavam vivos... aquele doente e aquela covarde... e aqueles dois, que mereciam mil vezes mais viver estavam mortos há quinze anos... voltou a deitar e agarrou o travesseiro, pela primeira vez... ali estava se sentindo orfão também... mas os pais de Potter o amaram... os seus... provavelmente nem sabiam o que era isso.
Apesar de tudo, sentiu uma ponta de inveja de Harry.
