O Espelho de Mandos
Capítulo 14: Desavenças
Meus dias em Mallad costumavam ser cansativos o suficiente para fazer-me esquecer Haleth completamente. Geralmente eu estava concentrado demais no treino ou ocupado demais no campo durante o dia, e durante a noite eu ficava tão exausto que era impossível pensar em qualquer coisa antes de dormir. Mallad não era muito diferente de Ugür: as pessoas moravam numa região que recebia o nome da cidade, e ao redor ficavam os campos, que eram cultivados comunitariamente. Em outros lugares, principalmente em Thargelion, cada família possuía sua própria terra e cuidava de sua plantação individualmente, resultando assim numa demografia bem mais dispersa, havendo menos cidades e vilas que em Estolad. Um lugar assim devia ser bem mais difícil de se proteger, e por isso deveria chamar bem mais a atenção dos orcs, mas pelo que parecia, infelizmente era do Estolad que esses seres vis gostavam mais.
Eu tinha quatorze anos e trabalhava no campo quase todos os dias. O esquema de revezamento de enxadas estava criticamente prejudicado pela falta de homens em Mallad, fazendo com que até mesmo as mulheres e os mais jovens participassem desse trabalho braçal. Por isso os meus dias eram ainda mais fatigantes aqui que em Dolmed.
Mas às vezes eu pensava nela, seja durante o trabalho, seja durante o treino, seja minutos antes de dormir. E então eu me perguntava se ela ainda lembrava-se de mim, imaginando que sim, e sentindo uma pontada de remorso por estar pensando tão pouco nela. Será que eu não a amava mais?
O remorso voltou quando peguei-me observando o contorno da roupa sobre os seios de Lacey. Eu concordava com Nobold quando este afirmara que ela era linda, e mais que fascinado com a beleza de seu rosto, eu ficava excitado com o formato de seu corpo, que ao contrário do da maioria das mulheres, era esguio e esbelto, tinha proporções mais afinadas que eram ainda mais destacadas pelas roupas masculinas que ela usava. Desviei o olhar e tentei concentrar minha atenção no som de uma coruja que piava próxima de nós.
- Posso pegar sua espada? – perguntou Cibele, aproximando-se novamente de mim. A menina parecia não se lembrar de minha reprimenda quando chorara no meu colo aquela manhã, e durante todo o dia criara uma curiosa simpatia por mim, seu novo tio.
- O que você pretende fazer com ela? – perguntei, deitado com as mãos cruzadas debaixo da cabeça, apoiadas na mochila. Kalmagol estava em sua bainha, deitada sobre minha barriga, perpendicularmente ao meu corpo. Deitar-se com ela presa ao cinturão não era muito confortável, então eu sempre dormia abraçado com ela, de forma que fosse difícil alguém tomá-la de mim sem me acordar.
- Quero matar uma raposa. Ela nos seguiu na estrada hoje e agora quer comer um dos cavalos.
- Raposas não comem cavalos. Elas só comem uvas.
- Essa come. Ela é grande e voa.
- Então não é uma raposa, e sim um morcego.
- Então quero matá-lo.
- Só tem um jeito de matar um morcego. Você precisará capturá-lo com uma rede e gritar no ouvido dele até que ele morra.
Cibele riu alegremente e correu até sua mãe, que também estava deitada encostada a uma árvore próxima à que guardava meu leito. Ela cochichou algo em seu ouvido que fez Lacey lançar-me um olhar repreensivo:
- Você está ensinando besteiras à sua sobrinha de novo?
- Desculpe, sen... Lacey – ela me obrigara a chamá-la pelo nome desde que eu a chamara pela primeira vez de senhorita. Afinal, ainda que houvesse poucas chances de um dia eu encontrar meu irmão com vida, agora ela fazia parte da minha família.
Quando eu lhe contara a verdade sobre Arameth aquela manhã, ela imediatamente perdera seu humor que só havia demonstrado descontração até então, apesar de ter-me dito pouco antes que graças ao troll havia perdido tudo. "Tudo o quê?", eu perguntara, e após pensar um pouco olhando para o céu ela me respondera: "não sei"; dera uma risada e mudamos de assunto, fazendo-o chegar minutos depois em Arameth e seu sumiço em Gorgoroth, sobre o qual eu dissera que nada sabia, mas que um dia eu esperava viajar até lá para encontrá-lo. A partir daí ela ficou em silêncio quase o dia todo, só voltando a me dirigir a palavra agora.
- Me empresta sua espada! – choramingou Cibele, voltando a olhar para mim.
Olhei para Lacey, interrogativamente.
- Você não vai agüentar levantá-la, querida, é pesada demais pra você – disse Lacey, abraçando Cibele e afagando-lhe os cabelos.
- Ah -, fez a filha, e sentou-se ao lado da mãe, presa pelo braço da mesma. Ela ainda olhava para mim com cara de choro, por isso virei-me para o outro lado e fechei os olhos. Eu também precisava dormir, ou seria novamente dominado pelo sono durante meu turno, como acontecera na madrugada anterior.
- Galdweth – chamou-me Lacey, ao que respondi com um resmungo -, vocês vão se demorar em Walach?
Voltei-me para ela, encontrando seus olhos fixos nos meus, e tentei reprimir com desconforto o efeito que isso me causava.
- Por que quer saber? Planeja voltar conosco a Mallad, depois que terminarmos nossa missão? – tentei imprimir naturalidade à voz.
- Eu não sei muito bem para onde ir. Acho que não tenho um lugar para ficar.
- Como não? Onde está sua família, seus pais, seus irmãos?
- Eu não sei. Eu não me lembro.
- Que absurdo! Como você consegue lembrar-se de mim e não consegue lembrar-se de onde mora?
Ela desviou os olhos de mim, um pouco nervosa, e olhou para o céu.
- Acho que eu morava em Balan. Conheci Arameth lá.
- Então é para lá que você deve voltar. É o caminho oposto ao que estamos fazendo – eu estava me zangando com a confusão daquela mulher. Desde que nos conhecêramos, quase todas as perguntas que eu fizera-lhe ficaram sem resposta, e agora cada vez mais ela mostrava-se cheia de dúvidas e mistérios.
- Você não quer que eu siga para lá sozinha com minha filha, para ser capturada de novo, né?
- Você devia ter seguido com os demais civis a Mallad!
- Galdweth, nós estamos tentando dormir! – advertiu-me Amhar, deitado do outro lado da fogueira.
- Desculpe-me, chefe – respondi e depois silenciei-me, pondo-me a fitar o céu. Lacey também ficou alguns segundos em silêncio.
- Eu não conhecia nenhum deles. E além disso, a companhia de quinze cavaleiros armados garante bem mais segurança à minha filha que dez civis a pé – tornou ela, num tom de voz bem mais baixo.
- Você também não nos conhece. E pode ser bem mais arriscado para você andar com quinze homens armados que com dez civis a pé.
- Vocês são homens de Imlach, não me causariam nenhum mal!
- Você se lembra de Imlach, mas não se lembra de sua família? Afinal, que espécie de amnésia é essa?
Lacey deve ter se sentido magoada, pois calou-se e voltou a fitar o céu. Só então me ocorreu uma idéia, e eu de repente me arrependi de minhas rudes palavras.
- Você é uma andarilha, não é? – perguntei, lembrando-me de que ela era noiva do meu irmão, e perguntando-me se ele teria de fato querido desposar uma mendiga. Talvez em sua época, Lacey estivesse numa outra situação.
- É... acho que sim – disse ela, e não havia rancor em sua voz.
- Você perdeu seus pais, então?
- Também acho que sim. Não me lembro deles. Lembro-me de Arameth. E depois há um vazio... – ela virou-se para o outro lado, e eu achei melhor não incomodá-la mais. Cibele ainda me olhava, não mais com um olhar de choro, mas com uma expressão de raiva. Mostrou-me a língua e foi buscar os braços de sua mãe.
Acordei assustado, sentindo algo puxar Kalmagol de mim. Estendendo meu braço para tomá-la de volta e pondo-me de pé num segundo, vi Cibele afastar-se de mim, olhando-me assustada.
- Garota! Nunca mais faça isso de novo! – meu coração estava disparado, pois além de ter sido acordado de forma brusca, vários pesadelos haviam assombrado minha noite. Desde o incidente com os bandidos que tentaram levar o anel de Haleth de mim, todas as minhas noites tinham sido pacíficas até então; quase sempre eu sonhava com nada e de vez em quando eu sonhava com Haleth ou com os treinos em Mallad ou Dolmed. Mas desta vez duas figuras voltaram nítidas à minha mente, enquanto eu dormia: o sujeito de armadura negra que eu havia encontrado na floresta há anos, do qual há muito tempo eu já havia esquecido; e Arameth, meu irmão, sentado maltrapilho numa caverna, abraçado a algo que eu sabia ser o tal Espelho de Mandos. Havia outras pessoas no sonho, mas agora que eu acordara, não conseguia mais me lembrar quem eram ou o que faziam. Sentei-me na grama, a fim de apaziguar a tontura que me tomou por ter acordado e levantado de forma tão violenta.
- Bom dia – fez Cibele, mostrando-me um beicinho e correndo até sua mãe, que estava no centro do acampamento, rodeada pelos homens, parecendo mexer no fogo, preparando nosso café da manhã.
Olhei ao redor e não encontrei mais ninguém dormindo, eu era certamente o último a acordar. O sol ainda não havia aparecido no horizonte bloqueado pelas árvores, mas o azul acinzentado do céu anunciava sua chegada para breve.
- Bom dia, rapaz – fez Hamzi, ao se aproximar de mim com uma caneca fumegante. Sentou-se ao meu lado e pôs-se a assoprar o conteúdo. – Chá?
Eu o olhava ainda um pouco aturdido, sentindo-me minúsculo perto daquele ser monstruosamente alto. À exceção de Amhar, e talvez de Amlach e os gêmeos, ele era o único que parecia um guerreiro de verdade naquela comitiva. Tinha os braços longos que se mostravam genuinamente musculosos com os ombros à mostra; as mangas de sua blusa foram aparentemente cortadas à mão na altura dos ombros, com a provável intenção de destacar sua força intimidadora.
- Vista seu colete quando terminar de comer, a partir de agora vamos entrar em terreno perigoso – tornou ele.
Eu não costumava sentir muita fome de manhã, por isso não me movi em direção à roda que se servia do que quer que fosse que estivesse sendo servido.
- Por que não me acordou à noite, para fazer meu turno? – perguntei, lembrando-me repentinamente de que eu já devia estar acordado há horas.
- Ontem foi um dia muito cansativo para você. Você mostrou muita bravura e coragem ao enfrentar aquele troll – disse ele.
- Eu não estava sozinho – falei, sentindo-me satisfeito com aquele breve reconhecimento de meu feito. No dia anterior, à exceção de Lacey e Amlach, ninguém da comitiva havia demonstrado admiração com o fato de eu ter derrotado o troll. Ao contrário, o próprio Amlach havia ficado com todo o crédito, embora ele o recusasse, pois Amhar decidira que era o filho do rei que merecia ser elogiado. Todos os outros, seguindo seu exemplo, decidiram o mesmo. – Quem fez o meu turno?
- Eu mesmo.
- Você dobrou?! Hamzi, sabia que é provável que lutemos hoje? Como é que você vai fazer?
- Eu estou bem, não se preocupe comigo – ele terminou o chá, e eu imaginei que mesmo se ele estivesse sem dormir há uma semana, ainda haveria força naquele homem para derrubar uma fileira de dez orcs montados em lobos.
Mais um cavalo sumira aquela noite. Ele pertencia a Hazan, que ao descobri-lo, dera início a uma miríade de lamentações, começando uma listagem das virtudes de seu animal que iria dar lugar à narração da história de sua vida: desde que fora ganho numa disputa de dados em Maldor de um sujeito chamado Ernvel, que roubava como um maldito elfo-verde, e que, coincidentemente, dizia vir de Ossiriand para o Estolad em busca de trabalho – o que, com a absoluta certeza do velho, era a mais evidente bazófia.
Quando eu havia terminado de ajeitar a sela no dorso de Aracar, Amhar aproximou-se de mim, esquivando-se à ladainha e à rabugice de Hazan.
- Galdweth, diga-me – disse ele, falando quase num sussurro -, quando é que você vai se livrar dessa mulher?
- O quê? – olhei na direção de Lacey, que estava colocando suas botas enquanto sua filha corria ao seu redor. – Por quê?
- Você tem que se livrar dela – soava mais como um conselho que como uma ordem. – Agora já são dois cavalos que perdemos. Você está mantendo sua garupa ocupada com a mulher e a filha, enquanto poderia ocupá-la com outro soldado.
- Mas há tantos outros cavalos. Escolha outra garupa!
- Não temos certeza se algum dos demais agüentaria o peso. Talvez o de Amlach seja forte o bastante, mas... você sabe, ele é filho do rei.
Anuí, embora com uma careta de insatisfação. Eu sabia que Amlach não se importaria com algo assim, mas não era justo exigir de Amhar a mesma intimidade que eu tinha com o príncipe. Ele tentava cumprir bem seu papel de autoritário que às vezes concede privilégios.
- Além disso, existe o fato de que ela está incomodando o ambiente entre os soldados – continuou ele, devagar, e ao ouvir minha exclamação de espanto, acrescentou rapidamente: - não com todos os soldados. Mas você sabe que uma mulher numa comitiva traz má sorte. Nobold aparenta estar com raiva de você, e Sven disse-me durante nosso turno que planeja comprá-la de você.
- Comprá-la de mim? – dei um riso meio alto demais para o sigilo da conversa, mas logo voltei a baixar o tom: - ela não está à venda – como se eu fosse dono dela.
- Eu imaginei – respondeu ele, e eu podia jurar que havia frustração em sua voz.
- Onde eu devo deixá-la? No meio da floresta?
- A princípio, você sequer devia ter trazido ela até aqui.
- Eu sei – falei, e tornei a olhar para ela. Como ela era bonita. Eu não devia ficar surpreso que todos os homens da comitiva a cobiçassem. Eu mesmo a cobiçava. Não queria admitir, mas de fato eu desejava a noiva de meu irmão. E agora ela se aproximava de nós.
- Estão falando de mim? – perguntou ela, com uma naturalidade que me encantava.
- Não, nós... - a garganta de Amhar teve uma crise repentina que o fez engasgar, pigarrear e embolar algumas palavras que não fizeram sentido algum.
- Como já chegamos muito próximos do nosso destino, o Sr. Amhar e eu perguntávamo-nos onde a senhorita desejaria ficar – falei, sem conseguir conter o excesso forçado de cortesia, a fim de atingir Amhar, que lançou-me um olhar furioso enquanto Lacey me fitava com surpresa.
- Mas já discutimos isso ontem! Não ficou acordado que eu iria acompanhá-los até Walach?
- Infelizmente o Sr. Amhar não concorda muito com essa decisão.
- De modo algum, estou de pleno acordo! – fez ele, recuperando-se de seu acesso de tosse. – Eu apenas atentei para um pequeno inconveniente.
- Qual? – perguntou ela, com seus olhos de ágata a fitá-lo ingenuamente.
- Infelizmente, com a lamentável perda da montaria que se sucedeu durante esta madrugada, sem que qualquer um que tenha feito vigília à noite tenha notado – ele lançou um olhar acusador a mim, que supostamente teria feito um dos turnos de vigília, e que, portanto, era um suspeito de ter falhado no dever. Mas era óbvio que ele não poderia dizer nada abertamente ao meu respeito, pois ele era tão suspeito quanto eu, uma vez que um dos turnos também havia sido responsabilidade dele. – Bom, isso ocasionou a infeliz necessidade de dois nossos cavaleiros terem de compartilhar uma mesma sela.
- Entendo – disse Lacey. – Mas não sei por que isso me diz respeito.
Eu sabia. E estava odiando Amhar por isso.
- É só um mero detalhe, que talvez tenha escapado à vossa atenta percepção, senhorita – continuou ele, remedando a falsa cortesia com a qual eu tentara provocá-lo -, de que és a mais leve dentre nós. Mesmo com tua filha abraçada às costas, és bem menos pesada que o mais magro de nós, carregando sua mochila com mantimentos. Outro detalhe, senhorita, é que estás a ocupar, quem sabe, a montaria mais forte de nossa comitiva.
- Estás a sugerir, senhor – remedou ela, com a mesma cortesia escarnecida na voz -, que eu vá para uma montaria mais leve, enquanto o desafortunado cavaleiro que perdeu seu cavalo na noite de hoje vá para a garupa do alazão?
- São estes os termos.
- Fá-lo-ei – disse ela, olhando para mim -, se Galdweth também concordar em se mudar.
- Aracar não aceitará ser tripulado por outro além de mim – falei diretamente, com o ego ferido por ter sido derrotado tão facilmente.
- Então, senhorita – tornou Amhar -, gostaria de convidá-la a compartilhar a minha sela sobre Lazael.
- Prefiro ser transformada em árvore – disse ela, afastando-se um passo dele, que havia se adiantado e estendido-lha a mão um segundo antes -, ou ser obrigada a dividir novamente uma caverna com um troll!
Eu tive uma grande dificuldade para conter o riso.
- Mas que insolência – fez Amhar, surpreso e indignado com a reação dela. Eu sentia que éramos alvo de todos os olhares da clareira. – Diga isso de novo e não hesitarei em deixá-la exatamente onde está, e então será obrigada a pedir carona a orcs!
- Você não ousaria! – respondeu ela, no mesmo tom, e de dentro da roupa tirou uma pequena tira de pano, que desembrulhou e revelou uma pequena cruz de prata envolta em anéis que formavam um colar. – Eu sou uma Delfingor!
Eu logo me perguntei o que a figura representava, e tentei associar o nome Delfingor às grandes famílias sobre as quais Haleth e Lanval falaram-me no passado, em suas aulas de História. Mas nada me ocorreu, e até para Amhar esse sobrenome não parecia ter significado algum. Furioso, ele tentou arrancar-lhe a cruz da mão, mas no segundo seguinte havia uma espada apontada para seu peito, a poucos centímetros de distância.
- Afaste-se da moça – fez Amlach, que aparecera do nada, como um raio. No momento em que Amhar aproximara-se demais de Lacey, eu levara a mão ao punho de Kalmagol, mas hesitara em tirá-la da bainha. Apontar uma espada contra seu superior era um crime passível dos piores castigos. A não ser que você fosse filho do rei.
Amhar olhou para ele, boquiaberto e paralisado. Lacey correu para trás de mim, e Cibele pulou em seus braços, assustada com a discussão.
- Ela... ela me desafiou – Amhar tentou se defender.
- Quem manda nessa merda a partir de agora sou eu – os olhos de Amlach eram frios e mortais, e até eu estava impressionado com a autoridade que ele conseguia exercer. – Compreende?
- S-sim, senhor – fez Amhar, e eu vi suas pernas dobrarem-se de medo.
- E quem ousar tentar tocar mais uma vez a cunhada de Galdweth terá a garganta cortada na frente de todos – fez Amlach, guardando a espada na bainha. Todos tínhamos a atenção cravada nele.
O bastardo tinha apenas quinze anos. Mas já sabia ser chefe.
