Nota: Saint Seiya não me pertence
Amor e Guerra
By Rafael1977born
Capítulo 14. Epílogos.
O cavaleiro e a princesa
A mansão Kido parecia muito mais vazia sem as vozes deles.
Saori andava pelos corredores da casa, vendo a quão silenciosa ela estava. Mesmo com o barulho de empregados, para ela a casa não seria mais a mesma coisa.
Passaram-se dois dias desde o incidente no apartamento de June. Fora uma sucessão sem fim de emoções conflitantes. A surpresa pela revelação de que foi Julian Solo, seu amigo de longa data, quem arquitetara a morte dos seus pais. A traição de Tatsumi, que a conhecia desde que era criança. A alegria por Seiya estar vivo. Vários sentimentos, todos avassaladores.
Agora se encontrava só, vendo naquela grande mansão, as sombras de um passado feliz.
- Senhorita Kido? – a emprega a chamou, lhe despertando de seu transe.
- Sim?
- O senhor Ogawara se encontra no portão. Ele deseja lhe ver.
Depois da morte de Julian, Seiya a levou para a casa de Shiryu. Lá encontrou com seus amigos, que também ficaram surpresos pela revelação do plano de Seiya. De como ele desconfiava de Julian e forjou a própria morte para poder pega-lo. Mesmo feliz com seu retorno, não pode perdoá-lo por um único detalhe: seus pais estavam mortos.
Será que isso também fazia parte do plano dele? Será que sendo um agente secreto, ele deixaria os pais dela morrerem para cumprir sua missão? Essas dúvidas fizeram com que ela não o quisesse ver mais.
A essa altura, não sabia em quem confiar. E decididamente, não confiaria em um espião.
- Capitão Ogawara. - disse de forma seca, escondendo seus sentimentos, seu desejo em abraçá-lo e beijá-lo.
- Saori.
Ele estava belo, ela não pode deixar de reconhecer. Estava com seu uniforme completo, coberto com um sobre tudo e com seu quepe em mãos. Estava com um ar formal e triste. Pela primeira vez, ela olhou para aquele homem corajoso e desafiador e viu fragilidade.
- Vim me despedir. Terminei com meus afazeres e preciso entregar um relatório final para meu superior na Grécia. Só queria lhe dizer algo antes de ir.
- Acho que já disse e fez tudo que queria Seiya. Já teve sua vitória. O moçinho ganhou. O vilão perdeu. Pode voltar a sua vida de aventuras e espionagem.
Seiya não sabia como responder. Saori estava muito magoada. Não era para menos. Ele mentiu para ela. E ainda estava mentindo.
- Adeus Saori. Não sei se isso lhe importa agora, mas eu te amo. Sempre te amei. E nunca vou deixar de amar.
Saori estava despedaçada. Não queria deixá-lo ir. Mas não sabia como fazê-lo ficar. Não sabia como esconder essa dúvida que sente dele. Não sabia como perdoá-lo. Apenas o viu indo em direção das escadas. Desceu um último degrau, e deixou algo sobre o parapeito. Olhou para ela uma última vez e disse:
- Agradeça a eles por mim. Por tudo. E me desculpe de novo. Não queria mentir para você, mas era necessário. E é isso que eu sou Saori. Posso não ser o melhor dos homens, mas sou um bom soldado. Um bom cavaleiro. Eu sempre cumpro minhas promessas. Adeus.
Ela não entendeu sua última frase. Apenas o observou subindo na moto e saindo da propriedade. Desceu até as escadas e pegou o envelope. O abriu e viu uma foto. Bem antiga, com sinais de estar desgastada com o tempo. Nela, estavam Saori e seus pais, Seiya e sua irmã Seika. Era mais uma daquelas fotos que eram tiradas no orfanato, mas com uma diferença: nessa foto, Saori estava feliz.
Olhou para a foto com olhos marejados, enquanto ouvia o barulho da moto desaparecendo ao longe. Subiu as escadas de volta a mansão, mas foi interrompida por outro carro que chegava. Era um sedan preto com a placa da polícia de Tókio. Ao parar na entrada da casa, notou que quem dirigia era Ikki. E se surpreendeu com quem saia do banco do carona.
- JABU?
Em seguida seu coração saltou pela boca! Das portas de trás, seus pais saiam do carro! Sim! Seus pais! Mitsumasa e Yuki Kido! Estavam vivos! Correu para os seus braços e chorou copiosamente. Todos que ali estavam se emocionaram inclusive o policial e o segurança. Funcionários congratulavam seus patrões por estar vivo, algo que parecia um verdadeiro milagre.
- Mas como!?
- Minha filha, eu e sua mãe pretendíamos contar antes mas...
- O que aconteceu? Como aconteceu?
- Foi tudo idéia do Seiya, disse Jabu. – No dia do atentado, ele passou aqui bem cedo. Disse que tinha uma suspeita do Tatsumi, e me pediu para fazer uma "encenação". Eu disse a ele que seus pais iriam viajar, e fiquei o observando. Enquanto fingia cuidar de assuntos da segurança, o segui, e vi que tinha colocado um explosivo no carro. O timer era bem simples, detonaria alguns minutos assim que o carro fosse ligado. Então eu apenas fingi que iria levá-los de limusine, e quando chegamos ao pomar, descemos e entramos em um carro que já estava esperando lá fora.
- Isso mesmo minha filha –disse Mitsumasa – Seiya conversou conosco antes. Você já tinha saído para ir para a fundação. Ele queria contar para você as desconfianças dele. Mas como você tinha saído e ele não queria nos deixar a sós, pediu para obedecermos a Jabu. E então, quando ele nos disse que corríamos risco, tivemos que fazer essa encenação e mentir para você.
- O resto foi comigo! –Disse Ikki- Ele me falou da idéia da conspiração, e que a única forma de manter os Kido em segurança era se eles estivessem "mortos". Disse que eu precisaria apenas fingir que eles estavam mortos de verdade. Quando Jabu me ligou dizendo o que aconteceu, eu pedi para um amigo legista atestar que existiam vítimas fatais no carro em chamas. Assim, de uma hora para outra, Jabu e seus pais estariam mortos, até o assassino estar preso pelo menos.
Saori estava perplexa. –Ele...ele pensou em tudo! Ele..estava sempre..protegendo todos!
- Tenho que admitir que o miserável é bom. Miserável no bom sentido! – confessou Jabu. – E onde ele está? Eu devo uma rodada de cerveja para ele!
- Saori se lembrou de tudo que tinha dito a Seiya. Ele tinha vindo ali para se explicar. Por isso a frase, por isso a foto! E ela o escorraçou! De novo!
-Ikki! Preciso que você me dê uma carona! Pai, mãe, eu os amo! Deus, ainda bem que estão vivos! Mas preciso encontrar o Seiya! Antes que eu o perca pára sempre!
...
Seiya se dirigia até seu apartamento. Kiki estava lá à espera, junto de Aioria. Iria lhes entregar as chaves do lugar e a moto, e depois iria para o base militar de Hokkaido. De lá, um vôo direto para Grécia. Tinha algumas assuntos a resolver. Viu os dois lhe esperando, ele também uniformizado, e Kiki de terno e gravata.
- Aqui esta. Agora de volta a rotina.
- Tem certeza Pégasus? Você gosta da garota! Não seria melhor tentar pelo menos?
- Kiki esta certo! Não parece legal você salvar a princesa, matar o dragão e depois ter que voltar para casa de mãos abanando.
- Não vou. Eu vim para o Japão para enfrentar o meu passado. E eu consegui fazer isso. E agora eu vi que meu lugar é onde meu coração está. Mas mesmo que eu queira estar aqui, ainda não posso ficar.
- Então porque voltar para Grécia?
- Porque certas coisas devem ser feitas pessoalmente.
Sem aviso, um carro negro parou dando uma freada brusca, que quase causou uma acidente. Um motorista mais nervoso chegou a gritar com o outro condutor, que apenas mostrou um distintivo e gritou "Assunto policial!". Do banco do carona, Saori desce apressada, e corre na direção de Seiya.
- Saori?
- Temos que conversar! AGORA!
Kiki e Aioria se entreolham, sabendo que aquela era uma situação em que eles não deveriam participar. Ikki acabara de estacionar o carro, e também tem a mesma impressão.
- Vamos deixar eles se resolverem ok? Tem cerveja lá em cima. – diz Kiki, enquanto sacode as chaves da casa que Seiya lhe dera.
- Você tem idade para beber moleque? – pergunta Ikki.
- Sou do serviço secreto! Tenho idade para fazer tudo! – sorri e sobe as escadas. Os outros dois o seguem, sabendo que o casal precisava de um momento á sós.
...
- Vamos para um lugar mais tranqüilo?
- Não...eu só preciso de um momento para lhe dizer isso...eu...me perdoa Seiya. Eu fui uma boba! Sempre fui! Todas as vezes que você se aproximou de mim eu te tratei mal. Era uma idiota que só olhava as aparências...não pensava que você me amava, que só queria saber de mim porque eu era a SAORI KIDO. Por favor, me perdoe! Eu te..
Não teve tempo de completar a frase. Sua boca foi calada com os lábios dele. O beijo intenso e demorado, de quem finalmente tinha encontrado o que procurava. Os dois se entregaram a aquele momento, e depois ele confessou.
- Eu também te amo Saori. E não tem nada a ver por você ser uma Kido. Tem a ver por ser você. Apenas você.
- Então não vá! Fica comigo!
- Eu tenho que ir. Afinal, tenho responsabilidades. Como posso pedir transferência para Tokio e exigir minhas férias sem me apresentar ao meu comandante?
- Esta falando sério? – os olhos da jovem se encheram de felicidade.
- Sim. E agora que você esta aqui, porque não vai comigo? Essas férias seriam muito melhores se estivéssemos juntos.
- Eu..aceito! Só nós dois! E pra onde você vai me levar?
- Para um lugar que na minha cabeça tem tudo a ver com você: Athenas!
O rei está morto. Longa vida ao rei!
É entardecer em Roma. Uma bela mulher esta nua em uma piscina, saboreando sua taça de vinho. Enquanto olha as notícias sendo narradas pela apresentadora de um jornal, que lamenta a morte do jovem magnata Julian Solo. As circunstâncias ainda não são conhecidas, mas tudo leva a crer que tenha sido um ato de suicídio em seu iate particular, na costa do Japão.
-Eles são criativos não? – comenta a bela mulher, com seu acompanhante, um também belo e musculoso homem de longos cabelos negros, enquanto lhe abraça e beija seu pescoço suavemente.
- Hummm..Kanon...desse jeito não vou querer sair daqui. Mas falando sério agora, não acha que isso pode soar estranho? Suicídio?
- Não minha bela sereia. De maneira alguma. Afinal, hoje em dia tudo pode ser explicado como um caso de profunda depressão. Pobre menino rico se mata por sentir falta dos pais. Sem falar que não deixa de ser verdade. E quanto aos preparativos?
- Tudo correu conforme o planejado. Enquanto você passava para ele todas aquelas informações sobre compra de ações da Fundação Graad, ele nem percebia que assinava procurações que passavam várias das cotas de ações dele para seu nome meu amor. Estava tão obcecado pela tal Kido, que nem olhava para nada a sua volta.
- Ainda bem. Assim ele não via seu império marinho escorrer como água dos seus dedos. Assim ele não via a mais bela de todas as deidades do mar, bem a sua frente. Agora isso tudo é meu. Tanto essa fortuna, como você!
- Assim você é quem me encanta...meu "dragão marinho"...
E assim, o casal se entrega a sua luxúria. Numa mesa próxima vários documentos, inclusive inúmeras cotas de ações das empresas Kido.
Fim?
