Home Sweet Home

Teleportamo-nos em frente às gigantescas portas de mármore do castelo. Pude ver que Nessie voava em círculos ali em cima do mesmo. Entramos no castelo para podermos chegar no quintal do castelo. Raident saia da caverna subterrânea para dar as boas vindas à Merlin e a mim.

- Lavender conseguiu ativar o terceiro poder. – falou ela para Merlin

- Eric também, não é?

Concordei com um gesto.

- Agora vão descansar Elementares, vocês precisam de energia. – falou Raident.

- Eu e Lavender podemos fazer uma pequena batalha? – pedi meio suplicante.

- Podem sim. – respondeu Merlin abrindo um leve sorriso. – Mas eu vou me deitar, sabe, depois de passar mais de mil e novecentos anos você fica velho. – Ele gargalhou. – Até mais tarde.

- Eu vou ir ver as novidades também. – Falou Raident. – Nos vemos por aí.

- Vemos-nos. – falei junto com Lavender.

Raident saiu flutuando levemente depois desta conversa e desceu para sua caverna no subsolo novamente. Lavender e eu saímos em direção à um grande campo que encontrava-se vazio. Era de um verde escuro, mas que com o vento mudava de rota e ficava em um tom mais claro.

- Eric, que tal nós fazermos uma batalha com nossos terceiros poderes? – Falou a loira.

- Você com um Golem e eu com uma forma marinha? Perfeito. – falei com um leve sorriso no rosto.

Lavender tomou distância naquele lindo campo e conjurou um Golem um pouco menor do que Vulcano. Era feito de lava e rochas vulcânicas. Com um forte pensamento conjurei um dragão, assim como Nessie, mas feito de água.

- Então vai usar Nessie? – falou ela debochando.

- Na verdade, apenas sua forma e um de seus poderes. – retruquei.

O Golem arremessou uma jorrada de fogo e a Nessie de água, desviou abrindo um buraco em seu interior e voltando ao normal em seguida, e cuspiu um jato de água na direção do Golem que não teve como desviar. É claro que nós controlávamos os dois, mas eles tinham um pouco de consciência e atacavam-se sem serem completamente mandados.

- Isso é cansativo. – reclamei.

- Você e seus cansaços. – Lavender retrucou e mexeu as mãos fazendo seu Golem lançar outra rajada de fogo no dragão de água. Que foi atingido e teve um pedaço de seu corpo evaporado urrando de dor. O Golem deveria estar gargalhando no momento em que eu fiz um movimento para que a Nes de água cuspisse uma grande quantidade de água, neutralizando grande parte do calor proveniente do monstro de lava.

Ele urrou e investiu contra a Nessie de água que foi dissipada pelo calor e evaporou, mas o monstro não havia ganhado, havia se molhado completamente e agora caíra desmontado desintegrando-se.

- Isso foi um empate? - falou a britânica visivelmente cansada.

- Acho que sim. – Encaminhei-me até ela com um sorriso no rosto, estava cansado, mas ao menos não havia perdido.

A garota se sentou logo ali, não parecia que tudo havia passado tão rápido, mas era quase noite, o sol começava a se pôr agora, sentei-me ao lado dela.

- Aliquam é lindo não é? – ela perguntou.

Reparei no contraste dos cabelos da garota com o pôr-do-sol avermelhado de Aliquam, tudo aquilo era realmente lindo.

- É... – apenas falei isso. A beleza do momento trazia calma, e talvez até uma vontade de ficar em silêncio apenas apreciando tudo aquilo.

Uma eternidade talvez havia passado, e eu continuava ali, observando a beleza de Aliquam e de Lave...Não, eu não poderia pensar nisso, não com uma telepata ao meu lado.

- HemHem. – Pigarreou uma voz. – O jantar está servido. – Era Goobi que havia falado isto.

Levantei-me rapidamente, levemente corado, e ajudei a garota a levantar e seguimos em direção ao castelo branco.

No dia seguinte, levantei cedo. Havia saído do quarto de hóspedes do castelo (de um deles) e havia me dirigido ao campo onde os dragões ficavam. Nessie ainda estava adormecida quando acariciei sua cabeça. Dragões até tinham vidas fáceis pensando bem. Eu tinha de salvar Lavender e ainda salvar Aliquam dos feiticeiros que avançavam cada vez mais sobre os limites do Oeste. É, ser um Elementar não é fácil.

Ouvi passos distantes, e vi que a garota loira andava ao encontro de Vulcano, não havia me visto. Mas não importava, ela ofuscava a beleza de Aliquam e levava para si.

- Lavender? – ouvi uma voz de longe, era de uma serva convocada por Merlin, apenas roupas, eu não saberia dizer de onde saia a voz da serva.

- Sim? – respondeu a garota.

- Merlin espera por você, para um recado.

- Tudo bem, estou indo.

E depois de uns dois minutos ela saiu para encontrar-se com Merlin. No tempo que ela estava fora acabei por adormecer entre as patas e a barriga de Nessie.

Juno ainda estava em meus sonhos, mas agora me olhava com um diferente olhar, sabia que eu estava tentando ajudá-la e isso já era melhor para ela.

"Saudades" - uma voz feminina e suave ecoou pelo sonho. "Como eu tenho."

Eu não reconheci a voz, mas assim passou o resto do sonho.

Acordei sendo sacudido. O bom de ser acordado assim foi ver os olhos vermelho-fogo da garota.

- Eric, MINHA MÃE É DE ALIQUAM E FEZ CONTATO. – Gritou ela exultante.

Como ainda estava semi-dormindo demorei para assimilar e responder.

- Isso é muito bom.

Lavender me ajudou a levantar e subiu rapidamente em Vulcano e gritou:

- VENHA!

Pulei em Nessie e começamos a voar em direção ao Brasil, ao norte dele, demoraríamos pouco tempo para chegarmos lá. Lavender podia começar a pegar fogo do nada, de tão excitada que estava. Senti um leve aperto no peito.

As horas se passaram e finalmente chegamos em uma terra onde uma grama verde com o leve aspecto de queimada predominava, pude ver tendas abaixo de onde estávamos e assim eu e Lavender descemos e pousamos com Nessie e Vulcano.

Vários seres de pele levemente avermelhada e olhos de cores fortes observavam a chegada de dois elementares, uma mulher de cabelos igualis ao de Lavender aproximou-se dos portões da cidade. Seus olhos levemente marejados.

- MÃE! – Exclamou Lavender correndo abraçar fortemente a mulher

- Lavender! Minha filha. Quantas saudades. – disse a mulher com uma voz levemente chorosa.

Saudades, aquilo me lembrou de meu sonho.

- E-Então é por isso que você teve de viajar. Você viajou para Aliquam. – falou uma Lavender também chorosa.

- Bom, a Terra é mais segura se você não ter de viver com um ser Aliquano, se fosse assim isso poderia acabar com essa segurança. Por isso tive de fugir. Mas saiba, minha filha, que eu estou com muito orgulho por você ser uma Elementar, eu esperava que você fosse apenas uma Pyro como eu.

- Uma Pyro? – pediu a garota.

- Seres que controlam parcialmente o fogo. Existem os Pyros, os Arestes, que controlam o ar, os Aquanadus, a água e os Tegrous que são os "dobradores" da terra.

- Então Raident é uma Areste? – pedi.

- Raident? A mulher que ajuda Merlin? Se for ela, sim. E você é o elementar da água, não é?

- Eric. – falei me apresentando.

- Eu sou Pamela, mas me chame Pam. Vamos para a minha tenda.

A cidade onde estávamos tinha um vulcão ativo ao fundo, era uma cidade de Pyros, então tinha um calor maior do que o normal, ainda assim era aconchegante.

Encaminhamo-nos para uma tenda logo ali perto, tinha a cor branca e um emblema de chama com um P vermelho no centro em letras cursivas.* A tenda tinha uma bonita sala e cozinha, um longo corredor que levava há duas portas, os quartos, as cores eram predominantemente fortes.

- Sentem-se. - Pediu a Pyro.

- Mamãe, o que aconteceu com meu pai? – pediu Lavender se sentando ao lado da mãe no sofá vermelho da frente do qual eu sentei.

- Seu pai não resistiu ao fato de ter uma filha Elementar, então quando o contei sobre Aliquam ele se internou em um hospital Psiquiátrico.

- Meu pai era humano?

- Ainda é querida. Por isso não conseguiu entender o porquê que eu deveria abandoná-la., os perigos das fendas dimensionais. – houve uma pausa, os olhos de Pam ficaram marejados novamente. – Eu ainda o amo sabe, filha.

Depois disso resolvi deixá-las sozinhas, um reencontro entre elas não seria legal se eu ficasse lá de intrometido, mesmo eu...Não. Fui visitar Nessie.

- Olá amigona. – Minha voz não era das mais animadoras, passava uma certa tristeza.

"O que houve?" Pediu Nessie quase imediatamente.

- Bom, Lavender encontrou sua mãe. Eu sinto vontade de encontrar a minha também, sinto um buraco na alma. E agora descobri que meus pais devem ser Aquanadus, já que eu sou o Elementar da água.

"Mestre...Eu sei aonde a cidade Aquanadus fica. Você quer que eu te leve lá?"

Eu não poderia acreditar no que havia ouvido. Talvez aquela fosse a hora que esperava desde o momento em que Lavender falou sobre sua mãe, a hora que havia desejado. Não tive nem tempo de falar com Lavender, apenas mandei uma mensagem telepática para a garota e pulei nas costas de Nessie, voando rápido em direção ao Sul, ao continente gelado, Antártida.

As horas estavam se arrastando, afinal se você deseja algo que está próximo de você, o tempo sempre passará devagar. Depois de várias longas horas, finalmente, consegui avistar um bloco gigantesco de gelo. Aproximamo-nos mais, Nessie já estava se cansando. Então resolvemos parar. Do céu eu não pude ver as muralhas que se estendiam de um lado a outro do bloco. Pousamos para fora, já que algo não nos deixava passar. Um gigantesco portão azul com um símbolo que aparentava ser ondas e em letras cursivas a palavra: Aquan **. A porta não era feita de um material simples, mas sim de uma grossa camada de água, bem controlada. Apenas Aquanadus poderiam entrar ali, ou no caso, um Elementar da água. Não era possível ver nada que existia lá dentro.

- Essa é a cidade dos Aquanadus? – pedi à Nessie.

"Sim."

Com um rápido movimento com as duas mãos, abri a grossa camada de água que primeiramente abriu-se em listras e depois abriu-se por completo. Adentrei o portão e pude ver a cidade que se erguia dentro da cúpula de água. O portão fechou-se sem nenhum barulho atrás de mim Nessie olhava apreensiva pelo mesmo. Um alto mastro se erguia do meio da cidade com uma bandeira que continha o mesmo emblema e balançava freneticamente. Realmente havíamos chegado. Senti um aperto no peito novamente, minha família poderia estar ali.

A cidade era cheia de seres quase-humanos de pele levemente azulada, seus olhos mudavam do verde-esmeralda ao azul-marinho. A maioria era loira. Eram os Aquanadus.

- Salvem o Elementar. – falou um Aquanadus do centro. Todos os seres se curvaram diante de mim. Fiquei sem reação àquilo.

- Hemhem. – pigarreei. Todos se levantaram.

- O que podemos fazer senhor? – falou uma garotinha vindo ao meu encontro.

- Vocês não precisam fazer nada.

- Por que Vossa Majestade está na nossa cidade? – pediu um homem ao fundo.

- Majestade? – pedi confuso. – Eu vim procurar por uma pessoa.

Passei os olhos por todos na multidão, vi uma mulher com olhos verdes-esmeralda e marejados, aproximei-me dela.

- O que houve?

Reparei na face da mulher, ela era...idêntica à mim. Será que ela era minha mãe?

- Eric...Como você cresceu. – falou a voz suave, a voz que havia ouvido no meu sonho. Senti meus olhos sendo preenchidos por lágrimas. Eu estava frente a frente de minha mãe. Tinha certeza de que estava pálido.

- Mãe? – pedi com a voz torcida.

- Sim Eric.

Pude sentir algumas lágrimas escorrendo livremente pela minha face.

- Vamos Eric. Vamos para casa.

Fazendo isso minha mãe me levou para uma tenda afastada dali, tinha um lado parcialmente congelado logo ao lado. As cores eram calmantes, predominavam o azul e o branco. Pude ver que nas costas da mão dela tinha o mesmo emblema, o dos Aquanadus. Sentamo-nos lado a lado no sofá da casa. Ela segurou minha mão.

- A última vez que eu havia te visto era quando você era apenas um bebê. – os olhos dela continuavam marejados.

- Mas, por quê você me abandonou? – pedi coma voz chorosa.

- Bom, depois que você nasceu...-houve uma pausa. – Bom você passou por alguns perigos por isso seu pai e eu tivemos que deixá-lo na Terra. Por proteção.

- Mas por que vocês não ficaram lá na Terra como a mãe de Lavender?

- Ela casou-se com um humano, ela ganhou um "visto" para a Terra, então ela pode voltar para lá, quando ela quiser. E como ambos, eu e seu pai, somos de Aliquam, a gente não pode ficar lá.

- Mas e como eu nasci com a coloração humana?

- Aliquanos pegam a coloração da raça apenas aos cem anos, e como você não passa de trinta...

- Você tem mais de cem anos? Eu tenho trinta?

- O tempo Aliquam passa diferente da Terra, então eu tenho cerca de duzentos anos Aliquam e você trinta.

- E onde está meu pai?

- Trabalhando, e treinando.

- Aonde ele trabalha?

- Para Merlin, como quase todos os seres que "dobram" elementos.

- E eu tenho algum irmão?

Os olhos da minha mãe se encheram de lágrimas e desviaram a atenção de mim, como se ela estivesse prestes a mentir.

- S-Não... – falou ela olhando para o chão. Talvez aquele fosse um assunto doloroso, quem sabe eu deveria parar de falar sobre ele, pelo menos por agora.

- E, como vocês me colocaram na Terra?

- Nós estávamos com medo de te largar pelo mundo, por isso te levamos a Merlin e ele te levou para a Terra. Eu ainda me lembro daquele dia.

- E por que ele nunca me contou isso?

- Isso você deve pedir a ele meu filho. Como eu senti saudades de você meu filho. – Ela me deu um abraço caloroso, que retribuí com todo prazer.

Logo um portal branco se abriu e Johnny saiu por ele.

- Johnny! – exclamei surpreso.

- Droga, estou interrompendo. Desculpa Eric e...

- Agnott. A mãe dele.

- Muito prazer senhora. E me desculpe. Mesmo. Mas é um assunto urgente.

- O que foi Johnny?

- Juno voltou. Acompanhada do Elementar da Terra desta vez. Mamãe foi comunicá-la.

- Então, você deve ir filho. – Minha mãe me abraçou fortemente. – Eu te amo.

- Eu também mamãe, eu prometo voltar.

Saí da tenda correndo sendo seguido de Johnny, abri o portão subi em Nessie ele abriu um portal, fomos arremessados para outro lugar completamente diferente.

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