Peguei minha mochila a colocando nas costas e saindo do banheiro, Fred ainda estava sentado na cadeira de cabeça baixa e com as mãos enlaçadas fortemente a frente de si.
Segui e me sentei na maca ficando de frente para ele, e mesmo assim ele não me olhou.
-Só tenho uma pergunta Fred!
-Diga!
-O que vocês vão fazer com minha família e meus amigos, por que eles com certeza vão querer notícias minhas. –ele levou alguns segundos para entender minha pergunta, e tão logo entendeu levantou e me abraçou pelo pescoço.
-Obrigado Lya, obrigado mesmo. –eu podia sentir como ele estava aliviado com minha resposta. Ele beijou minha cabeça–Não se preocupe, o ministério da magia vai apagar da memória de todos a sua existência, mais só por enquanto, quando resolvemos o problema dos comensais da morte devolveremos a memória deles. –acabei o abraçando também.
Eu entendia que aquilo era o melhor a se fazer, mais não tinha como não ficar triste com tudo isso, eu ficaria sozinha no mundo. E dependeria exclusivamente de Fred e sua família para tudo, e isso não me agradava nem um pouco.
-Você poderia me explicar como vão ser as coisas daqui para frente, por exemplo, como vai ser entre nós e coisa tal? E sério Fred eu não quero depender de você sempre! –o soltei e olhei nos olhos.
-Lya, como eu disse a você antes, até o casamento vamos ficar com meus pais. Depois vamos para o meu apartamento que fica em cima da minha loja, e eu não menti para você eu realmente tenho uma loja de "brinquedo", na verdade a palavra certa seria de "logros" sabe, enfim. Eu realmente não gostaria que você trabalhasse, não por enquanto, serão duas crianças para cuidarmos. Mas se depois você quiser trabalhar, você pode tomar conta da loja comigo. –bom já era um começo. –E sobre nós dois, vai ser como você quiser Lya, mas primeiro me deixe começar certo dessa vez. Ele tirou a varinha do bolso do paletó.
-Orchideous – um buquê surgiu da ponta da varinha e ele me entregou, fiquei abismada, e as peguei sorrindo, eram lindas rosas vermelhas. Então ele puxou minha mão esquerda e só aí notei que ele estava de joelhos, com uma caixinha de veludo branco aberta, e nela um lindo anel prateado com uma pedra em formato de flor azul. –Você Lyana Anna Lopes, aceita se casar comigo? –respirei fundo, aquilo já era apelação demais.
"Juzuz! Para esse bonde que o mundo está girando rápido demais"
-Aceito! –sorrimos um para o outro e ele beijou a palma da minha mão que ainda segurava, e por fim levantou.
–Quero que você saiba que eu mesmo escolhi o anel, mais se não gostar podemos trocar. –ele tirou o anel da caixinha e eu pude ver a marca incrustada na parte de dentro deste "Tiffany & Co.", isso custou uma fortuna.
-Fred é lindo, mas podemos trocar por um mais barato. –eu disse meio desesperada, e quando tentei puxar a mão ele a segurou firme e colocou o anel em meu dedo.
-A opção de troca é só pelo modelo e não pelo valor senhorita, e como você já me deu o veredicto não temos mais o que discutir. –deu-me um meio sorriso, e tirou a mochila de meu ombro a carregando, e ainda segurando minha mão me deu apoio para descer.
-Lyana, sei que é muito em cima, mais posso marcar a cerimonia para daqui a duas semanas? –imaginei que seu ministério o tivesse pressionando a resolver logo a nossa situação.
-Não tem problema, mais pode ser algo simples, eu realmente não tenho a minima ideia de como vai ser isso? –não conseguia imaginar um casamento bruxo.
-Não se preocupe com nada, mamãe, Gina e Hermione vão cuidar de tudo, e será uma festa só para a família e amigos mais próximos. –me resignei, não havia o que fazer mesmo. –Vamos? –respirei fundo.
"E lá vamos nós! "
-Vamos. –apertei sua mão nervosa, e ele a segurou mais forte me passado segurança, abriu a porta e a segurou para mim passar.
No corredor estavam todos os Weasley que conheci e alguns rostos novos, todos estavam curiosos, e quando viram o buquê em minha direita correm os olhos para a esquerda e ao contatar o anel ali sorriram aliviados. A senhora Weasley soltou a mão do marido e chorando veio me abraçar.
-Seja bem vinda a família! –eu a abracei forte.
-Obrigada! –depois dela, Gina e Hermione vinheram abraçar-me também, e ainda apertei a mão de Rony, Harry (que felicitaram Fred primeiro), e recebi mais um abraço caloroso do senhor Weasley.
-Lya esse é meu irmão Gui e sua mulher Fleur! –um ruivo mais alto com marcas estranhas no rosto e uma bela loira apertaram minha mão. –Os meus irmãos Carlinhos e Percy prometeram vir para o casamento. –contou, e eu fiquei abismada com o tamanho da família dele.
-Não a assuste Weasley ou ela pode desistir de você! –Malfoy vinha em nossa direção, e não vestia mais o habitual jaleco e sim um terno negro magnifico que o deixou com ar aristocrático. –Parabéns senhorita Lopes. –felicitou-me ele.
-Obrigada senhor Malfoy, e pode me chamar de Lyana.
-Me chame de Draco então! –ele apertou minha mão. –Só passei para lhe dar alta.
-Ora eu agradeço muito por isso, e me perdoe pelo trabalho!
-Não há o que perdoar senhorita. –e deu-me um sorriso "sedutor?". –Bom com sua licença então. –e saiu.
-O que foi isso? –perguntou Rony.
-O que? –não entendi o que ele queria dizer.
-Malfoy sorriu e foi agradável? –Hermione parecia que não acreditava no que acabara de ver.
-Viram, eu disse que a Lya era diferente! –gabou-se Fred e eu continuava perdida na conversa deles sobre Draco.
-Bom vamos, quero preparar um maravilhoso jantar hoje. –chamou a senhora Weasley.
Fred segurou novamente minha mão e me guiou por alguns corredores, não que fosse necessário com aquele monte de Weasley a frente. Ainda parei para agradecer as enfermeiras que me atenderam quando as encontrei passando. Paramos na recepção onde Fred soltou nossas mãos e enlaçou minha cintura me fazendo ficar vermelha.
-Segure firme em mim e não solte Lya. –e eu assim o fiz, e logo senti aquele puxão no umbigo e começamos a girar, quando enfim paramos novamente me senti tonta e enjoada, o soltei e me afastei um pouco dele para respirar.
O sol estava morno e tive de fechar os olhos por causa daquela nova luz, os abrindo vagarosamente depois, tentando me acostumar a claridade.
-Você está bem? –perguntou-me preocupado.
-Sim, só fiquei um pouco tonta e enjoada. –me senti ser erguida e me assustei. –Calma, eu vou carrega-lá até em casa, não está longe.
-Não precisa, eu logo vou me sentir melhor. –tentei persuadi-lo mais ele já caminhava e não parecia ligar para minha opinião.
-Não precisa ficar envergonhada, não é primeira vez que te carrego no colo! –disse casualmente. –E o peso realmente não mudou tanto. –isso era um elogio ou não?
Realmente não estava longe, pois logo chegamos a uma casa de construção um pouco duvidosa. Parecia ter 7 andares e não tive como contar as chaminés, e eu me perguntava como aquilo se mantinha de pé.
-Bem vinda "A Toca" Lya! –ele disse feliz, e seu eu não estivesse tão enjoada teria no mínimo agradecido.
Ele deu leves batidas na porta e esta foi aberta pela senhora Weasley que a segurou para que entrássemos.
-Eu avisei que ela se sentiria mal por causa da aparatação. –brigou ela.
-Era o meio mais seguro de traze-la mamãe. -disse Rony comendo um bolo sentado à mesa da cozinha, passamos por esta e chegamos a uma sala aparentemente aconchegante, onde a maioria das pessoas se dividia entre sentar no só e no tapete. Mas Fred não parou ali, simplesmente passou direto subindo pela escada. Na terceira porta do corredor ele abriu esta sem muita dificuldade, e me colocou na cama de solteiro que tinha ali. Era um quarto simples, uma cama, um guarda-roupas e uma escrivaninha com um jarinho e alguns livros em cima. Fred pegou o buque em minha mão pós as rosas dentro do jarro, tirou minha mochila do ombro a depositando na cadeira, e depois veio se sentar do meu lado.
-Quer alguma coisa? –perguntou-me preocupado.
-Não, eu estou bem Fred, obrigado. –ajeitei-me na cama, deitando numa posição mais confortável e respirei fundo, como sempre fazia na esperança de ajudar com o enjoo. Ele começou a alisar minha barriga e isso foi me acalmando um pouco.
-Esse era o antigo quarto da Gina, mamãe o organizou na esperança de você aceitar casar comigo, e sinceramente mesmo eu não acreditando que você aceitaria eu trouxe todas as suas coisas para cá, menos as eletrônicas, eles não funcionam bem aqui.
-Meu celular?
-Não conseguimos recupera-lo com magia, e seu notebook, bom, para que ele não estragasse também eu o deixei na casa de férias. – explicou ele.
-Obrigada Fred!
-Não há de que, se sente melhor?
-Sim, bem melhor. –os bebês mexeram nos fazendo sorri.
-Acho que eles gostam de mim. –falou feliz, e eu revirei os olhos. –Ei, eu vi isso.
-O que? –me fingi de desentendida.
-Engraçadinha! –estirou língua para mim e eu ri. –Eles vão me amar mais.
-Vai sonhando! –tadinho dele, tão iludido.
Ele tirou a mão da minha barriga e a colocou no peito empinando o nariz.
-Sonhar é de graça. –disse fazendo bico, e comecei a rir e ele me acompanhou. –Bom vou te deixar descansar um pouco, o banheiro fica ali, e se precisar de algo é só chamar.
-Tá, obrigado. –ele se inclinou beijando minha testa e piscou pra mim antes de se virar rindo da minha cara vermelha.
-Você é a única morena que conheço que fica tão vermelha quando envergonhada. –riu abrindo a porta.
-Essa é um dos motivos que o fez se apaixonar por mim. –brinquei.
-Nunca disse o contrário. –arregalei os olhos surpresas e ele gargalhou alto, e saiu fechando a porta atrás de si.
"Deuses é tenção de mais para essa pobre alma que vus fala! "
Fiquei um tempo deitada, mas quando me senti entediada me levantei para explorar o quarto. No guarda-roupas estavam realmente todas as minhas coisas, encontrei até mesmo o embrulho de presente que eu a tanto tempo guardava, o retirei dali o colocando na escrivaninha, e só aí notei que o livro ali em cima era o que Hermione prometera me emprestar, então o peguei feliz, e me sentei na cama para ler.
Hogwarts nossa, aquele lugar deveria ser realmente fascinante, e eu estava devorando cada palavra imersa naquele novo mundo.
-Lyana? –Fred me sacolejou um pouco pelo ombro, e eu me assustei com ele ali. –Merlin, você está bem? –ele me olhava preocupado.
-Estou sim, só me assustei com você aqui! Não o vi entrar. –sorri para ele o tranquilizando.
-Eu bati, mais você não respondeu, então entrei para vê se estava tudo bem e te vi lendo, te chamei várias vezes, mais como você não me respondeu fiquei preocupado. –se explicou.
-Desculpe eu estava concentrada no livro.
-Percebi, mas eu vim aqui te chamar para jantar! –disse e eu não acreditei que já fosse noite. –Mamãe ficou me enchendo para te trazer um lanche, mais eu achei que você estava dormindo e não quis te incomodar.
-Estava sem sono, então resolvi ler um pouco. –dei de ombros levantando, e colocando novamente o livro na escrivaninha.
Sai do quarto com Fred a minha frente, e seguimos pelo corredor descendo a escada logo em seguida. Não havia uma alma sequer na sala, nem mesmo na cozinha, mais Fred me guiou para o lado de fora da casa, e ali no jardim estava disposta uma enorme mesa, com vários tipos de comida, e ao redor sesta estavam todos conversando alegremente sentados, provavelmente só nos esperando.
-Jantar à luz do luar!
-E das estrelas. –enfatizou ele.
-Venha querida sente aqui, você deve está com fome, sirva-se à vontade.
-Não diga isso mamãe, eu ainda quero jantar. –choramingou Fred.
-Você está insinuando que como muito Fred? –comecei a me servir, esperando pelas resposta gaiata dele, eu sabia que ele adorava me provocar por comer bem.
-Não estou insinuando Lya, e sim afirmando. Se antes você feito um dragão faminto, imagina agora comendo por 3. –eu ri da sua cara de pau.
-Hora seu devorador de brigadeiros alheios, você que sempre assaltava meus brigadeiros da geladeira, e ainda tinha a cara de pau de me comprar trazer os ingredientes e dizer que era só fazer mais. –ele pegou a asa da galinha de sacanagem, sabendo que eu era viciada nela.
-Brigadeiro é jogo sujo, aquilo é um manjar dos deuses, em falar nisso você bem que podia fazer para nós depois.
-O que é aquilo –apontei para a entrada da casa, e enquanto ele olhava eu taquei o garfo na asa da galinha e roubei dele a mordendo rapidamente.
-O que?... –e se virou para mim. –Há não, você roubou minha asa.
Todos na mesa riram gostosamente da cara de desespero de Fred, Rony quase se engasgou, e Fred me estirou a língua jurando que teria volta. E depois acabou rindo também. Foi um jantar divertido, com várias histórias da infância deles, e até umas minhas, sem falar na maravilhosa comida, que a senhora Weasley fez.
-Me diga Lyana você não quer saber o sexo dos bebês? –perguntou Gina.
-Se quero, mais meu ultrassom estava marcado para a semana que vêm, e agora não sei como vai ser.
-Há querida, se quiser podemos saber agora. –ela me sorriu gentil. –É um feitiço bem simples.
-Agora? –fiquei eufórica, e todos me olharam esperançosos. –Se não incomodar eu gostaria sim.
-Não seria incomodo algum, e acho que posso falar por todos que estamos curiosíssimos.
-Eu aposto que são dois meninos. –disse Gui.
-Eu acho que é um menino e uma menina. –brando o senhor Weasley.
-Dois galões que são duas meninas. –disse Harry.
-Dois que são meninos. –falou Rony.
-Ei não vão apostando sobre o sexo dos meus filhos...
-Fred meu filho. –exclamou orgulhosa a senhora Weasley.
-Não sem mim. –terminou sacana e a pobre senhora bateu a mão na testa em negativa, enquanto eu ria da situação.
-Eu aposto...
-NÃO.. –gritaram todos. –A mãe não vale, vocês sempre acertam. –fiz bico e eles riram.
No final apenas eu e a senhora Weasley não apostamos. Fred, Arthur e Hermione apostaram em um menino e uma menina, Fleur, Gui e Rony em dois meninos, e por fim Gina e Harry apostaram em duas meninas. Assim depois de muita bagunça eu levantei e nos afastamos um pouco da mesa, e fizeram uma rodinha ao nosso redor, com a senhora Weasley a minha frente, eu estava realmente ansiosa e comecei a torcer a mão nervosamente, Fred percebeu e as pegou beijando-as.
-Fique calma, não importa o sexo, serão muito bem-vindos!
-Revelat sexus. –a senhora girou a varinha e tocou com a ponta desta na minha barriga, e de lá uma fumacinha branca saiu. Todos se aproximaram mais e Fred apertou minhas mãos nas suas, estávamos todos ansiosos, e quando a fumacinha se separou em duas e começou a mudar de cor tenho certeza que ninguém mais respirava direito.
-Cara Fred você vai pagar todos os seus pecados. –disse Rony rindo da cara de pânico de Fred.
-Ganhamos! –Gina pulava feliz abraçando o marido.
As duas fumacinhas tinham ficado rosa, e mesmo não sendo uma bruxa eu sabia que aquilo só podia significar que carregava duas meninas, duas princesinhas que seriam muito amadas por todos, e como eu tinha certeza disso? Bom só de olhar a alegria que se instalara ali era notável isso.
-Fred? –agora foi minha vez de apertar sua mão, pois esse era o único que ainda não havia reagido, na verdade estava estático e de olhos arregalados para a fumaça rosa que já sumia.
Ele não me olhou e apenas soltou nossas mãos, e silencioso foi em direção aos limites da propriedade e puf, sumiu. Ele simplesmente desapareceu, e eu fiquei pateticamente ali em pé sem entender nada, será que ele não tinha gostado de saber que seriam meninas? Mas ele disse que não se importava com isso, ele tinha mentido? Respirei fundo e as lágrimas se formaram em meus olhos.
-Não se preocupe querida! –disse o senhor Weasley tocando meu ombro de leve. –Ele... bom olhe ele ali.
Todos comemoravam, mas meus olhos correram para onde ele apontava, e da outra extremidade da propriedade vinha um Fred radiante trazendo um caixa nos braços.
-Vamos comemorar ao estilo "Gemialidades Weasley"! –ele gritou. E um coro de vivas foi ouvido.
Chegou na mesa depositando a caixa ali, e começou a tirar de dentro dela garrafas com líquidos estranhos, e uns bastões esquisitos (que começou a distribuir entre os presentes), jogou um no chão a uma certa distância de nós, e veio até mim com uma garrafa e um copo na mão, me entregando o copo.
-Isso é cerveja amanteigada não alcoólica, invenção minha, você pode beber não fará mal para nossas filhas e é muito saboroso. – entregou-me orgulhosamente e notou que eu chorava então sorrindo passou a mão em rosto para limpa-lo. –Tudo isso é emoção?
-Eu achei que você... que você não tinha gostado, que queria meninos. –mordi o lábio inferior, malditos hormônios que me faziam chorar por tudo.
-Boba, eu disse que não me importava não foi! –puxou me abraçando pela cintura, e beijou o topo da minha cabeça carinhosamente. –Sempre quis ter uma filha, imagina o porquê? –fiz que não com a cabeça levantada para o olhar. –Vou poder ensina-la todas as brincadeiras e vai ser muito divertido um anjinho tacando o terror por aí, e agora que serão duas, você consegue imaginar como isso será. –ele sorria maligno e eu tremi, enquanto os outros riam.
-Vão por Hogwarts a baixo! –exasperou-se uma senhora Weasley com cara de horror para o filho.
-"As gêmeas Weasley", mal posso esperar pelas cartas de desespero da diretora Minerva contando-nos suas aventuras. –ele fingia limpar uma lágrima de emoção, passando a mão abaixo do olho dramatizando. –Vou guarda-las orgulhosamente.
Não tinha como não rir. Deuses esse homem transformaria nossas filhas em diabinhas se eu deixasse.
-Graças a Merlin que nenhum de nós é professor! –Hermione disse aliviada. –Já me bastaram os anos como monitora.
Tomei um gole do copo que me foi entregue, e sorri, era realmente uma delícia, uma mistura de menta e canela, e tinha até umas bolinhas engraçadas que pareciam ser mirtilo.
-Que comece o show. –Fred fez um aceno com a varinha e o bastão que estava no chão fez um estrondo e uma bola de fogo foi lançada ao ar, e quando esta alcançou uma certa altura explodiu em fogos de artificio iluminando o céu com várias cores.
E assim se seguiu noite a dentro, onde os outros bastões foram utilizados um a um, e os presentes se divertiam em admirar a beleza e esvaziar as garrafas de "whisky de fogo" (foi assim que me disseram que chamava) que os deixava cada vez mais animados.
E naquele momento eu me sentia feliz e acolhida ali. Fred em nenhum momento me deixou sozinha, ficou a noite inteira abraçado comigo, indiretamente me dizendo que jamais me deixaria sozinha, e sinceramente eu estava realmente tentada a acreditar nisso.
-Crucio. –disse um homem que não consegui ver o rosto pois estávamos no que parecia ser o chão de um porão sujo (cheiro de podridão) e escuro.
Reconheci a voz de Avery, mas não tive tempo para pensar muito nisso pois todo meu corpo pareceu receber uma descarga elétrica e eu gritei, gritei como se não houvesse amanhã, a dor era alucinante.
-Você vai me pagar sua trouxa imunda, eu matei todos que ama, e agora vou matar você! –e uma luz se acendeu atrás dele, e eu pude ver a pilha de corpos em meio ao sangue. Sara, Karl, mamãe e papai, meu irmão e os Weasley e Potter.
-NÃOOOOOOOOOOOO...
-LYANA! –abri os olhos dando de cara com Fred que me sacodia pelos ombros.
Não pensei duas vezes para agarra seu pescoço e o abraçar forte chorando aliviada.
-Ei fique calma, foi só um pesadelo. –dizia ele me puxando para sentar na cama, enquanto alisava minhas costas. –Mamãe ela está tremendo, está muito nervosa.
-Vou fazer um chá, não podemos dar poções calmantes a ela. –a senhora saiu apressada do quarto, o senhor Weasley ficou na porta me olhando preocupado, mas resolveu sair também, provavelmente indo ajudar a mulher.
Eu tremia e chorava ainda, foi tão realista que eu podia jurar que ainda sentia uma fina dor passar pelo meu corpo.
-Ei eu estou aqui, por favor tente se acalmar Lya. –ele alisava carinhosamente minha cabeça e com a outra mão me apertou contra ele, e eu o apertei mais. Senti seu cheiro a amadeirado, com uma mistura de chocolate e hortelã, e porque não dizer orvalho de inverno, e ainda tremula virei o rosto encostando o nariz em seu pescoço cheirando ali, e isso enfim pareceu começar a me acalmar.
Ele não disse nem perguntou nada, apenas a deixou ficar ali esperando calmamente que ela se acalmasse sem parar de nina-la. Quando enfim relaxou, ele ainda assim não a soltou, mantendo-a protetoramente em seus braços.
-Obrigada Fred! –a voz saiu tremula e embargada.
-Você está bem? Sente alguma dor? –perguntou virando o rosto um pouco, fazendo com eu suas bochechas se encostassem, e ficou roçando-a ali como um gato que quer carinho. E isso acabou por alegra-la um pouco.
-Estou bem agora não se preocupe. –soltou suas mão do pescoço dele, e se afastou de leve. –Desculpe te acordar e assustar.
-Não se preocupe com isso. –falou solicito.
-Aqui querida beba isso. –uma senhora Weasley entrava no quarto com uma xicara em mãos.
Peguei agradecendo e tomei um gole do chá de camomila, e todos ficaram em silencio até que eu terminasse de beber tudo.
-Desculpem-me por acorda-los e dar-lhes tanto trabalho. –pedi envergonhada.
-Não se preocupe com isso filha, todos passamos por isso após a guerra, imaginávamos que iria acontecer com você também, você passou por um trauma horrível, então não se preocupe com isso e se precisar de qualquer coisa não hesite em falar. –o senhor Weasley me sorria carinhoso ao falar.
-Tome, essa é uma das poções que Malfoy lhe recomendou tomar caso isso vinhesse a acontecer, ela ajudará a tranquilizar seu corpo para não afetar os bebês. –explicou-me ela me entregando uma poção cinza que logo tomei.
-Não tem uma poção do sono sem sonhos não? –perguntou Fred preocupado.
-Ele foi claro ao dizer que não seria bom que ela tomar mais dessas poções, já que tomou várias nos últimos dias, pode afetar a gestação. –explicou preocupada.
-Eu estou bem agora, não se preocupem. –entreguei o frasquinho a senhora, e o casal depois de uns minutos se despedi-o de nós.
-Você também deveria ir dormir Fred. –ele parecia cansado.
-Vou me sentir melhor depois que você dormir. Não vou conseguir dormir antes disso. –passou a mão no meu rosto carinhoso.
-Então durma comigo!
