Amor até o final

Quando acordou, Harry se encontrava na enfermaria do colégio, olhou a todos lados, estava só e um pânico angustiante lhe invadiu. Aconchegando contra a parede, cobrindo-se com sua coberta até o pescoço, tentando fugir de vozes que lhe gritavam em sua cabeça, de sombras que saíram pelas paredes o espreitando tenebrosamente. Um ruído fazer saltar em seu lugar, empalidecendo totalmente ao ver que uma sombra mais densa se lhe acercava, gritou assustado se tampando os ouvidos ante as vozes que não se iam.

- Harry, está bem? –perguntou-lhe uma suave voz que se colou entre as outras, a conhecia à perfeição, mas não pôde lhe responder, as sombras estavam a cada vez mais perto. - Harry, não se preocupe, lhe avisarei a Poppy para que te dê algo, assim poderás dormir tranquilo.

Mas Harry não queria dormir, só que não pôde lhe dizer ao Diretor, a voz não lhe saía, e o único que podia fazer era seguir encolhido rogando desesperadamente para que as vozes se calassem e o deixassem em paz. Não passou muito tempo dantes de escutar a alguém mais, outra pessoa conhecida, a enfermeira. Pomfrey pedia-lhe que bebesse de algo, mas quase não podia lhe entender, não parava de mexer-se de adiante a atrás com a mirada quase fora de suas órbitas, suas pupilas se tinham dilatado e mal podia se ver uma minúscula faixa verde a rodeando.

Dumbledore estava preocupado, jamais tinha visto a Harry tão desequilibrado, mas se recusava ao levar a St. Mungo como sugeria a enfermeira, o último que desejava era o deixar no mesmo pavilhão que a Lockhart, ainda que já fazia planos de buscar aos melhores terapeutas para que o atendessem em Hogwarts.

Outra voz sobressaindo entre os lamentos que Harry escutava, e esta lhe fez sentir um sabor amargo na boca, recordava o nome… Ângelo. Não queria o ver, mas não tinha caso se preocupar por isso, as sombras estavam justo a seu lado ocluindo a visibilidade, mas depois veio essa outra voz, uma que sim queria escutar e se esforçou por lhe entender acima dos lamentos.

- Ficarei com ele.

"Sim… sim, faz favor!" pensou Harry ao compreender que Severus se oferecia ao acompanhar.

- Não é necessário, Severus, aqui lhe estão dando toda a ajuda que Harry requeira.

- Ângelo tem razão, Severus. –secundou Dumbledore. - Já fizeste muito por Harry e te agradecemos, mas você também tem que descansar.

- Ficarei. –respondeu o professor sem fazer caso de suas opiniões. - Agora podem se marchar, também não é necessário que estejamos todos… Potter precisa tranquilidade, de modo que espero mantenha afastados a essa bola de escandalosos Gryffindors, Albus, te avisarei de qualquer mudança.

- Severus, parece-me que…

- Abbatelli, você deveria estar dormindo agora, toma todas as poções que te indicou Promfrey, já não me faça passar por mais problemas e regressa à habitação a descansar, deve te repor de todos os malefícios que recebeste.

- Já estive dois dias na enfermaria, me sinto melhor.

- Tenho dito que te marche a descansar, Abbatelli.

- Sim, mas gostaria que viesse de comigo, preciso que me acompanhe, Severus.

- Agora não posso… irei mais tarde. Regressa à habitação ou fará que me enfade.

Severus usou o tom mais imperativo que pôde, apesar de que sabia que seu dever era mais com Ângelo, não só por ser seu colega senão porque lhe tinha salvado de uma poderosa maldição, não podia se afastar de Harry, primeiro devia se assegurar de que tudo estava bem, e ao o ver, tinha muito medo do que pudesse estar lhe passando. Ângelo não dissimulou um beicinho de desgosto, mas já não disse nada e se marchou seguido de Albus deixando por fim sozinho ao professor com Harry.

Severus acercou-lhe e sentando sobre a cama foi aproximando sua mão com lentidão. Não queria o assustar mais do que já estava, Harry tremia demasiado e ainda que por um segundo retrocedeu dando a impressão de que se o fazia mais terminaria incrustando-se na parede, quando sentiu o tacto de Severus sobre sua mão, seu corpo se relaxou visivelmente. Severus sorriu com tristeza quando os olhos aterrorizados de Harry deixaram de se encontrar fixos na nada e lhe buscaram. Para Harry, encontrar com esse negro intenso foi como ver a luz, pôde encontrar um caminho entre as sombras e de um salto se aferrou de Severus.

- Matei-o, Severus!... Tenho assassinado a Tom!

- Harry, respira tranquilo. –pede-lhe ao notar como mal sim podia falar pela falta de ar. - Está olhando as coisas da forma em que ele queria… não lhe permita, pequeno.

- Sabia que era meu destino o fazer… -lhe disse soluçando agoniado. -… mas sempre olhei o futuro demasiado longínquo… e chegou quando menos o esperava… Eu me levantei hoje e tudo estava bem, inclusive me sentia mais tranquilo… -agregou respirando ruidosamente. -… eu queria ir a sua classe… ia rumo ao treinamento de quidditch e depois baixaria às masmorras e aí te veria, isso era todo o que ia fazer esta noite!... Eu não ia matar a ninguém hoje!… Não estava pronto, Severus! Não estava pronto para assassinar!

Severus já não respondeu nada, não lhe aclarou que tinham passado os dois dias mais longos de sua vida, o vendo sofrer em sonhos, acordar gritando por uns segundos antes de voltar a cair nesse inquieto estado soporoso. Podia sentir as lágrimas de Harry umedecendo seu pescoço, aferrando-se a ele tremulamente, quase estrangulando com seu abraço, mas isso não importava, suas palavras lhe doeram, ele também compreendeu que Harry não tinha tido nunca um instinto assassino, que sua preparação era simplesmente para sobreviver a uma batalha, não para destruir uma vida, que por muito miserável que fosse, para alguém como Harry devia significar muito.

Deixou-lhe abraçá-lo o tempo todo que quis e ele fez o mesmo, com a culpabilidade que lhe dava o não ter podido lhe evitar passar por aquilo, se sentindo ainda pior por se ter concentrado em ajudar a Ângelo quando era Harry quem mais perigo sofria, quando era a ele a quem seu coração sempre lhe pediria o ajudar e no entanto, não quis o escutar.

Harry não protestou quando Severus lhe recostou sobre a cama, mas lhe impediu se marchar, lhe sujeitando com firmeza da túnica, escondendo seu rosto do mundo. Severus acomodou-se a seu lado, deixando passar os minutos acariciando lhe o cabelo confortavelmente, até que pouco a pouco foi escutando que os soluços assustados de Harry se foram fazendo menos audíveis até se converter em um suave respirar que significava um bem-vindo sonho. Mesmo assim, não o soltou, ficou com ele até que pela madrugada lhe escutou se mover agitado enquanto dormia e teve que se aferrar quando o garoto se incorporou gritando, de novo com a respiração acelerada e seus olhos desorbitados pelo terror.

Severus consolou-lhe com caricias doces e pacientes, esperando sem falar a que Harry pudesse o fazer. Os olhos de Harry moviam-se enlouquecidos de um lado a outro, parecia buscar algo que nem ele mesmo sabia o que era, e se revolvia na cama como um leão enjaulado até que finalmente ficou quieto a metade dela, sentado sobre suas pernas e apertando com suas mãos trémulas a manta baixo dele.

- Sei como se sente. –disse-lhe Severus sujeitando-lhe do queixo para fazer que o olhasse. - E pelo mesmo, Harry, posso dizer-te que ainda que não o esquecerá, aprenderá a viver com isso.

- Não… não poderei. –negou com lágrimas nos olhos. - Eu não queria matar a ninguém, Severus, e vi como alguém morria por minha culpa, por esse maldito raio que jamais devi invocar!

- Era ele ou você.

- Pois tivesse sido eu! –gritou enlouquecido. - Agora sei que tivesse preferido morrer antes que sentir isto! Não gosto, não posso o suportar!

- Harry…

- Essas vozes não se vão. –disse olhando paranoico a todos os lados. - Dizem que não se irão nunca… posso o escutar a ele sabe?... a Tom. Posso ouvir seu grito de morte repetindo-se uma e outra vez uma e outra vez!

- É só produto de sua mente… ele já se foi, Harry, já não pode te molestar.

- Como lhe faço para não as ouvir, Severus? –perguntou chorando com desespero. - Seu grito retumba em meu cérebro… dói demasiado para poder suportá-lo mais tempo.

- Pensa em mim… não diz que me ama? Pois tenta que só isso habite em sua mente.

- Isso dói também… Tom diz que você não me quer e tem razão, ele diz que está aqui por lástima e isso me dá medo… Já não quero o escutar, Severus, quero morrer melhor! Prefiro morrer-me já!

- Harry…

- Já não tem caso, Severus! Você está com Abbatelli, Voldemort está morto, e eu não quero escutar mais estas vozes… já não tem caso seguir vivendo, quero morrer já!

Severus guardou silêncio, olhava a Harry voltar a balançar seu corpo e levar-se as mãos aos ouvidos em uma vã tentativa para não escutar as vozes que o torturavam. Sua alma avariou-se ao dar-se conta da grande fragilidade que o valente Gryffindor tinha ocultado sempre, seu rogo pela morte lhe chegava à alma, também não queria o ver sofrer … Severus recordou angustiado que eles dois jamais teriam um futuro onde estivessem juntos, onde pudessem amanhecer um ao lado do outro, se dando nos bons dias com um beijo para em seguida realizar os labores quotidianos e se sorrir de vez em quando… recordou que nunca ia poder lhe dizer quanto o amava e que jamais se veria com ele em um altar unindo suas almas para a eternidade. Seus próprios olhos se anegaram ante a angústia desses pensamentos, de repetir-se uma vez mais que não tinha esperança para eles e sendo consciente como nunca em sua vida do que significava a palavra "jamais".

- Harry… espera-me aqui.

- Não!... Não me deixe sozinho, te suplico, Severus! –pediu aferrando aterrorizado.

- Não me demorarei, te prometo.

- Não, não, faz favor, pelo que mais queira, não me deixe agora!

Harry realmente parecia temer que alguém chegasse a lastima-lo ainda mais assim que Severus se marchasse, só sua presença tinha fato possível amortecer as vozes e a ideia de se separar dele era assustadoramente.

- Bem… então, veem comigo.

- A onde?

- Já o verá, não pergunte nada e confia em mim… o faz?

Harry assentiu conseguindo emular um pequeno sorriso e baixou da cama ajudado por Severus. Durante um momento caminharam entre as penumbras do castelo de madrugada. Harry não se soltava do braço de Severus, ainda olhando desconfiado a seu ao redor, sobressaltando-se ocasionalmente por algum ruído que lhe parecia ouvir ou por alguma sombra emergindo dos rincões. Finalmente Severus decidiu levá-lo em braços, assim evitaria mais sustos, Harry escondeu a cara no peito de Severus e já não voltou a se inquietar, pelo menos até que sentiu que o professor voltava ao baixar. Então atreveu-se a revisar onde estavam e aturdido viu como Severus passava três vezes por uma parede… até esse momento não sabia que ele pudesse chegar a conhecer a sala precisa. Esqueceu-se de perguntar qualquer dúvida quando o professor lhe tendeu a mão lhe convidando a atravessar com ele a porta que se tinha formado na fria parede.

Um tímido sorriso apareceu nos lábios de Harry, estavam em uma habitação pequena, de cortinas de veludo vermelho escuro, alumiada tenuemente pelo fogo de uma lareira onde grossos troncos crepitavam entre flash dourados. Muitos almofadas e almofadões de suave seda e veludo branco encontravam-se cobrindo um espaço em frente ao fogo. Rosas prateadas que jamais tinha visto em sua vida inundavam um par enormes jarrões colocados estrategicamente para que seu aroma a sândalo e gardênias chegasse com discrição à cada ponto da habitação.

- É… belíssimo. –comentou Harry e sua voz tremia menos.

- Que bom que goste porque o pensei especialmente para de ti. –disse-lhe tomando uma rosa para dar-lhe com um sorriso que a Harry lhe provocou um estremecimento.

- Porque? –perguntou confundido aceitando a rosa,

- Porque… amo-te.

Harry alegrou-se de que tivesse almofadões depois dele, jamais esperou escutar essas palavras e o impacto que teve lhe fez perder força em suas pernas tendo que se deixar cair sentado sem deixar de olhar a Severus com o verde de seus olhos ressurgindo nas penumbras e brilho intenso neles. Aquelas simples duas palavras, menores que nenhuma outra, conseguiram apagar por completo todo o ruído de sua consciência… teve silêncio ao fim, e teve esperança.

- Diga que não é uma broma.

- Não é. –respondeu ajoelhando-se em frente a ele, se permitindo o olhar como sempre quis o fazer. - Amo-te!

- Severus…

- Amei-te desde faz tempo, nunca me atrevi a te o dizer porque…

Severus já não pôde dizer seu porque, Harry se lançou para ele para beija-lo e nesta ocasião não lhe impediu, lhe correspondeu como a primeira vez, como sempre sonhou. Lentamente foi recostando-o sobre os almofadões enquanto suas mãos desabotoavam a camisa do pijama que Harry levava posto.

- Severus… -gemeu Harry prazenteiramente. -… não estou sonhando, verdade?

- Não, amor, nenhum dos dois sonha… Te amo, Harry, te amo mais que nada no mundo!

- E…

- Esquece-te de tudo, Harry, neste momento só estamos você e eu, nada mais importamos nós e nada nos voltará a separar.

- Sim, Severus, eu também te amo e não quero me separar jamais de ti!

Severus sorriu-lhe brevemente antes de voltar a saborear esses juvenis lábios que tanto tinha estranhado, estava disposto a tudo, já nada se importava, acabaria por sempre com qualquer coisa que lhe impedia estar juntos.

Harry já não pensava, só em Severus, aquilo era o mais maravilhoso que lhe tinha sucedido em sua vida e era imensamente feliz sendo beijado pelo homem que amava tanto. Todo seu ser vibrou emocionado quando Severus conduziu seus lábios até seu pescoço, com sua língua lhe fazia acordar à sensualidade, era ditoso sabendo que nessa ocasião já tudo seria diferente… ao fim Severus lhe tinha confessado que o amava e lhe prometia que iam estar juntos, nada podia ser melhor.

Com algo de timidez, Harry imitou a Severus e levou suas mãos para a interminável abotoadura da túnica de seu professor. De vez em quando se olhavam e sorriam ante a frustração de Harry por não poder ir mais rápido, mas até essas pequenas dificuldades aumentavam a excitação que os embargava.

Por uns segundos Harry abandonou seu trabalho quando Severus terminou de lhe tirar a camisa e se dedicou a beijar-lhe o peito com veneração. Dedicou uns minutos a sugar suavemente a cada mamilo de Harry, enquanto a outra acariciava-a de tal maneira que imediatamente estas reagiram erguendo-se, e o garoto removendo em seu lugar com absoluto deleite. Novamente Severus empreendeu seu caminho para abaixo, ocupando mais tempo em beijar e lamber esse pequeno umbigo que se tinha imaginado infinidade de vezes, agora que podia o ver lhe parecia do mais adorável e o amava tanto como a seu dono, lhe fez saber na cada uma de suas caricias, umedecendo com sua saliva, saboreando-o longamente enquanto suas mãos iam se deslizando pela tersa pele de Harry, percebendo sua textura, seu calor, suas linhas.

Severus sorriu ao sentir a excitação de Harry pronunciando-se por embaixo de seu pijama, oprimindo lhe o peito enquanto lambia seu estômago, e então ele mesmo se encarregou de terminar de desabotoar sua túnica. No entanto, Harry não estava disposto a ficar sem fazer nada e se incorporando um pouco, olhou com admiração o varonil torso de Severus enquanto lhe percorria em uma caricia que terminava em seus já erguidos mamilos.

Severus voltou a recosta-lo, e lhe beijou longa e profundamente, recordando novamente seu primeiro beijo, tremendo agora ao sentir as mãos trémulas de Harry se posar timidamente sobre sua cintura, era trêmulo sentir seus dedos sobre sua pele nua. Deixou de beija-lo quando notou um discreto brinco de Harry com o cós de sua calça, lhe sorriu ante sua travessura, mas ele também podia jogar.

- Atreve-te a tirar?

Harry assentiu emocionado pelo repto e colocando a Severus de costas sobre o colchão, mordeu-se o lábio inferior contendo sua alegria e nervosismo, mas não renunciaria ao desafio imposto. Desabrochou a calça deslizando lentamente a bragueta, conseguindo que Severus gemesse expectante. Ao sentir que o homem levantava seu quadril não o pensou duas vezes e deslizou a roupa para abaixo, suas pupilas se abriram ao máximo ante o que via, não soube que dizer nem que fazer até que ouviu um toque misturado com um gemido que lhe fez exalar o ar contido. Levou seus dedos para a entreperna de Severus para acariciar lhe… era tão suave, tão quente, tão viril.

Os dedos de Harry aumentaram o desejo do Professor, considerou muito cedo para pedir-lhe que fizesse algo mais que acariciar, era melhor lhe fazer desfrutar e lhe emocionava saber que seria o primeiro e o único que o faria. Imitando o movimento de Harry, agora ele o recostou sobre os fofos almofadões e o fazendo levantar um pouco seu quadril lhe tirou a calça de seu pijama junto com a roupa interior. Foi-lhe sumamente erótico ver que o garoto se corava visivelmente, ainda que guiando por seus instintos e o desejo que sentia, não se absteve de levantar um pouco sua pélvis em um franco oferecimento a realizar o que se morria por experimentar.

Harry arqueou as costas e o pescoço ao sentir a língua de Severus percorrendo lhe toda a longitude de seu inchado membro, gemia extasiado ao o sentir lhe acariciar os testículos com suas mestres mãos, pondo mais carinho e dedicação em isso do que inclusive lhe tinha visto pôr ao preparar alguma de suas amadas poções.

- Isto é… delicioso. –gemeu Harry voluptuosamente ao sentir um suave beijo na ponta de seu pênis.

- Concordo. –respondeu Severus descendo até encher sua boca. - É extraordinário!

- Não deixe de fazer nunca, Severus… me encanta!

Severus sorriu a médias, não tinha pensado se deter, ansiava provar o sabor da virilidade de Harry e se esmerou por lamber, sugar e brincar com a cada parte de seus genitais para o fazer chegar ao êxtase. Sentia os suaves dedos do garoto afundar-se em sua cabeleira em cálidas caricias, estremecendo-se ao percebê-los roçando suas orelhas ou a pele de seu rosto. Notava divertido como Harry se resistia a ejacular, era um jogo excitante e enlouquecedor, a cada um ansiando o desfrutar até que já não se pudesse mais.

Finalmente Harry foi vencido e um chorro de sêmen caiu na boca de Severus enquanto o garoto era presa de sensuais espasmos pós ejaculatórios. Mas Severus não se deteve, retirou as mãos de Harry entrelaçando seus dedos com os dele para lamber e continuou lambendo até que não ficou nem uma sozinha gota, e ainda que o pene de Harry já não estava tão duro isso não o desanimou, regressou a beijar-lhe nos lábios, sorrindo ao notar a cara de estupefação de Harry ao provar seu próprio sabor, ainda tinham tantas coisas que não sabia sobre sexo, mas Severus lhe ensinava muito bem, e a cada coisa que lhe fazia resultava mais excitante que a anterior.

Harry sentiu como a mão de Severus se dirigia novamente a seu pênis, e com verdadeira habilidade começou a masturba-lo, não podia o crer, mas o contato desses dedos, e ademais o sentir a firme ereção do mago esfregando contra seu corpo conseguiram que uma nova excitação surgisse dentro dele. Seu pênis voltava a encher-se como se tivesse fuga, podia o sentir erguer-se com uma rapidez espantosa.

- Severus… vai a…

- Sim… o farei. –respondeu sabendo ao que Harry se referia. - Não tenha medo, não se me esquece que é sua primeira vez e te juro que será especial, amor.

- Não tenho medo… mas sim me sinto raro. –confessou abrumado. - Ainda que desejei-o desde que soube quanto amo-te, não posso achar que o vá fazer.

- Sempre é assim a primeira vez, mas quando me tenha dentro…

- Ter-te dentro? –repetiu sonhadoramente. - Sim, Severus, isso quero! Quero ter-te dentro de mim, quero que me tome e ser seu para sempre! Só seu!

- Sim, Harry… só meu, e eu também, a partir deste momento sou só seu.

O mago maior incorporou-se ligeiramente e separando as pernas de Harry ajoelhou-se entre elas… ao o ver, a audaz Gryffindor se desfez de qualquer repressão e deixou cair os joelhos aos lados se mostrando totalmente ante Severus, ainda que nada impediu que sua cara adquirisse um tom escarlata que fazia jogo com as cortinas. Severus sorriu e aproveitando a disponibilidade de Harry introduziu um dedo dentro dele para o preparar. Dessa forma conseguiu que o garoto gemesse se mordendo os lábios enquanto suas mãos se aferravam à suavidade dos almofadões. Vê-lo fazer isso aumentou a delirante ação de Severus, quem introduziu outro dedo mais e finalmente um terceiro. Tomou-se o tempo todo que creu necessário, não queria nenhum tipo de dor para Harry e ainda que este já dava mostras visíveis de querer algo mais, preferia esperar e dar dessa forma uma lembrança que o fizesse sempre feliz.

- Severus… faz favor. –pediu Harry levantando seu quadril em busca de maior contato. - Isto é delicioso, mas…

- Tranquilo, pequeno… sei o que faço. –respondeu tão doce que já não parecia ele mesmo. - Asseguro-te que é o melhor.

- Sei, eu confio em ti, mas… te preciso, amor, preciso já me sentir parte de ti. Preciso sentir-me seu! Preciso que me tome sem medos, sem reservas, que faça de meu corpo o que tenha que fazer para que goze como nunca!

- Gozo e desfruto com só te tocar.

- É adorável, Severus… mas quero mais!

Severus sorriu ante a impaciência de Harry, e decidiu comprazê-lo, após tudo, cria ter conseguido seu propósito já, o garoto estava o suficientemente preparado para que não sentisse demasiadas as moléstias da primeira intrusão. De todos os modos empregou um pequeno feitiço que lhe faria as suprimir por completo sem minguar a sensibilidade ao prazer… outro invento do que se orgulhava que se lhe tivesse ocorrido, porque agora sabia que tinha sido imaginado para Harry.

Harry sorriu emocionado ao sentir a ponta do pene de Severus acariciando sua entrada, rodeou-lhe pela cintura com suas pernas, mas Severus levantou-lhe a direita colocando-lhe sobre seu ombro, nesse momento Harry alegrou-se da flexibilidade que tinha adquirido em suas práticas esportivas, ainda que se esqueceu de todo quando começou a se sentir lentamente invadido. A sensação era única, olhou a Severus aos olhos, ambos ligados com o mesmo sentimento de amor e já nenhum quis demorar mais o momento. Snape sorriu ao sentir como Harry se estremecia no ponto em que conseguiu roçar a próstata do garoto durante seu trajeto até o mais profundo de Harry. Este respirava agitado ante a excitação que aumentava até pontos que nunca creu possíveis, e tudo se nublou a seu ao redor quando Severus investiu com mais potência.

- Oh, meu Deus! –exclamou Harry feliz de poder ter chegado vivo até esse dia. - Faça outra vez, Severus, faz favor… uma vez mais.

- Quantas vezes queira. –respondeu sorrindo-lhe enquanto fazia da cada investida um deleite para o garoto cujo rosto refletia o prazer que sentia com a cada roce, Severus também luzia radiante, emocionado e profundamente apaixonado… pouco a pouco fez mais forte seu empurre, sustentou os quadris de Harry com suas mãos para poder adentrar-se mais, sem deixar de medir a intensidade com que o fazia, Severus chocava sua pélvis contra a de Harry tentando não lastima-lo mas enfatizando vigorosamente a cada vez que retrocedia um pouco para voltar entrar e conseguir que esse gesto de pleno êxtase não se retirasse das facções do rapaz.

- Não se detenha nunca, Severus… -gemeu Harry. -… não deixe de me fazer me sentir tão amado como agora… faz favor, não se detenha nunca.

Severus sorriu tudo o que lhe permitia a euforia do momento, mas sabia que essa petição não poderia ser. Aguentou o mais que pôde, sem lhe importar o cansaço, seguiu empurrando, seguiu invadindo por vários minutos mais até chegar quase ao esgotamento, queria fazer desfrutar a Harry o tempo todo possível. Mas quando soube que seu limite estava a ponto de chegar, levou sua mão até a ereção de Harry que todo esse tempo esteve acariciando seu ventre na cada movimento e lhe masturbou conseguindo dessa forma que o garoto lhe olhasse como se fosse um ser supremo no universo. Por fim, no meio de uma forte investida, Harry se convulsionou apertando a Severus mais contra seu corpo enquanto suas paredes faziam o mesmo com o membro do homem que amava. Severus se descarregou violenta e abundantemente dentro de Harry quem gritou ante a sensação que lhe provocou sentir esse líquido quente e suave em seu interior enquanto ele umedecia a mão de Severus com o seu próprio.

Snape deixou-se cair suavemente sobre o rapaz, ambos respiravam acelerados ainda. O homem maior resistia-se a abandonar o corpo que o tinha acolhido com tanto amor, era uma doce bênção se sentir estreitado ainda dentro dessas lubrificadas paredes, e Harry não protestava, ao invés, parecia feliz dessa decisão, pois quando um par de minutos depois começou a sentir a retirada emitiu um terno gemido de abandono.

- Como se sente? –perguntou Severus acariciando lhe o rosto suado enquanto lhe despejava o cabelo umedecido da frente.

- Cansado, agitado, trêmulo… mas mais feliz do que jamais me senti. –respondeu Harry com um brilhante sorriso. - Suspeito que assim que amanheça não vou a poder nem me mover, Severus, meus músculos se sentem batidos e relaxados ao mesmo tempo, são sensações tão formosas como contraditórias. Ainda que algo me diz que este exercício me manterá em forma, talvez não será necessária uma dieta tão estrita para baixar de importância.

- De que fala? –perguntou divertido.

- Não quero que me siga vendo gordo.

- Harry, você não tem nem uma grama a mais… é perfeito como está!

- Uma vez, no comedor, sugeriste-me que devia me pôr a dieta.

- Nunca te deste conta que só buscava pretextos para cruzar palavra contigo? –disse sorrindo-lhe. - Perdoa-me por ter sido demasiado agressivo às vezes, mas sentia-me torpe e ainda que fosse restando-te pontos ou castigando-te, precisava alguma desculpa para acercar-me a ti… Nessa ocasião te confesso que me senti zeloso de que Abbatelli pudesse te falar e te sorrir, eu também queria que me sorrisse, mas era impossível, de modo que o único que ficava era dizer qualquer tolice para que me olhasse, para chamar um pouquinho sua atenção.

- Severus, nunca me imaginei isso. –respondeu lisonjeado.

- Pois é verdade… nunca o disse em sério. –assegurou acariciando lhe os lábios com a ponta de seus dedos. - É só que sou um idiota.

- Para valer gosta assim? –questionou sorrindo-lhe apaixonado.

- Muito!... Amo-te. –disse-lhe roçando-lhe os lábios com os seus.

- Eu também te amo. –respondeu com um forte abraço. - E justo quando achei que minha vida já não fazia sentido, me diz o que mais ansiava escutar e me dá ademais, a felicidade de me fazer seu… obrigado.

- Eu sou quem deveria te agradecer… não me atrevia nem a imaginar neste momento, mas o desejei desde faz tanto que agora me parece estar em um sonho.

- Desde quando, Severus? –perguntou-lhe olhando aos olhos. - Desde quando te apaixonaste de mim?

- Não o sei com exatidão… desde quarto, creio, talvez desde terceiro.

- Severus, em terceiro tinha treze anos! –exclamou se corando.

- Acha que não me repetia mil vezes ao dia? –respondeu sorrindo-lhe. - Sentia-me um pervertido, mas era impossível não me sentir zeloso quando apareceu esse pulgoso em sua vida… eu queria que me quisesse como a ele, não, mais que a ele! mas não tinha nenhuma esperança. Depois, em quarto ano, por Merlin que tem sido o pior de todos!... sempre temeroso de que algo te passasse durante alguma das provas, te querendo ajudar mas sem saber como, não me ficou mais remédio que confiar em sua capacidade e orar para que meu pequeno não saísse ferido.

- Seu pequeno? –repetiu divertido.

- É nauseabundamente sentimental, reconheço, mas a cada madrugada que acordava umedecido por sonhar contigo e com a consciência me partindo em pedaços por ter esses sonhos com um quase menino me fez terminar chamar desse modo.

- Severus… -chamou-lhe enternecido pelo amor que lhe mostrava.

- Acho que foi em quinto quando reconheci plenamente o que sentia. Foi quando regressou o pulgoso, quando sabia que passavas suas férias com ele, que o abraçava e via em suas classes de oclumência todo o carinho que lhe tinha… juro que o odiei ainda mais, Harry, e te peço perdão por isso!

- Entendo que lhe odiasse por todo o que te fizeram quando jovens.

- Aquilo já era coisa do passado, meu presente era você ainda que jamais o soubesse. Quando morreu seu padrinho me senti mal, não por ele, por suposto, meu maior desejo era ir a seu lado e te consolar, mas não me sentia com direito, e decidi permanecer na sombra, fugindo covardemente de sua segura rejeição, não tivesse podido suportar que me recordasse seu ódio nesse momento.

- Se eu tivesse sabido, Severus, talvez não…

- Não tente ser amável comigo, Harry. –interrompeu lhe beijando-o novamente. – você me odiava, e com toda razão, minha confusão e meu papel como espião não me permitia te dizer nada e isso me frustrava e terminava exagerando mais meu suposto ódio por ti. Compreendo que me detestasse, o que não entendo é como terminaste se apaixonando de mim….Sou demasiados anos maior que você, poderia ser seu pai.

- Nem diga! –exclamou fazendo um gesto de repulsão. - Morro-me, por Deus que me morro!

Severus sorriu enquanto Harry se aconchegava esfregando sobre o peito do maior. Durante uns segundos permaneceram na mesma posição, em silêncio. Harry percebendo a respiração de Severus sobre sua orelha, e o professor, estremecendo com os dedos brincalhões de Harry que desenhavam em suas costas frases de amor.

- Eu também sou feliz. –disse Severus de repente.

- Eh? –perguntou olhando aos olhos.

- Isso escrevia, que é feliz… e eu também o sou.

Harry sorriu ao inteirar-se que Severus tinha estado adivinhando o que escrevia em sua pele, mas em seguida seu rosto voltou a ensombrecer-se.

- Sentes-te mau? –perguntou Severus preocupado.

- Não, é só que… Que foi o que passou? Porque o raio não se deteve?

- Não o sei. –respondeu voltando a estreita-lo contra si, pressionado de sentir que novamente chorava. - É seu primeiro Avada, talvez é mais poderoso do que nos imaginamos, foi mais forte que ele, e não sabe quanto me alegro disso.

- Nunca… nunca em minha vida voltarei a invocar essa horrível maldição. –prometeu-se angustiado antes de voltar a olhar a seu agora amante. - Severus, antes de morrer, Voldemort disse algo, tudo é muito confuso para mim, não recordo que era, mas se referia a ti… que era?

- Já não importa, amor… esquece tudo o que passou. Fiquemo-nos somente nós dois nesta habitação de acordo?

Harry assentiu voltando a aconchegar a seu lado. Severus fechou os olhos um segundo para não pensar mais nisso. Ademais, Harry precisava esquecer por completo, de modo que armando-se de valor, voltou a sorrir enquanto mordiscava suavemente o lóbulo da orelha de Harry.

- Mas não me disse, Harry… você desde quando se apaixonou de mim?

- Não sei… talvez também em terceiro. –respondeu conseguindo esquecer-se de Voldemort. - Senti-me tão culpado por enviar-te esse expelliarmus na casa dos gritos, também te peço perdão por isso. Ou quiçá em quarto, quando vi sua imagem no espelho do falso Moody e soube que tudo ia sair bem, pois já vinha em caminho de me ajudar. Talvez em quinto, quando senti essas cocegas no estômago quando me disseram que me daria classes particulares… não sei, mas depois, quando vi como esse estúpido Veela te paquerava descaradamente fazendo que os ciúmes me carcomeram, não entendia bem o que sentia… até que me beijou, então meu cérebro pareceu acordar de um letargo profundo, soube que já não poderia viver sem ti, que te amava com a alma… e a propósito, porque me recusou e se foste com Ângelo?

- Achei que era o melhor para os dois, sobretudo para ti.

- Mas não o quer… verdade? –perguntou temeroso.

- Não, Harry, sinto um afeto muito especial por ele, não te posso negar, mas somente amo a um homem e esse é a ti… e amanhã mesmo Abbatelli o saberá.

- Para valer? –questionou ilusionado. - Não voltará a me deixar por ele?... Faz favor promete que me vai amar sempre, que não se afastará de mim jamais!

- Sempre te amarei, Harry… eu prometo. Estaremos juntos pela eternidade.

- Sim… isso quero. –respondeu dando um longo bocejo de cansaço.

- Tem sono?

- Sinto-me cansado, mas não quero dormir, quero falar contigo, saber tudo de ti, Severus… me resisto a me dormir.

- Já sabe que te amo e isso é o mais importante. Agora será melhor que descanse, no dia não demora em chegar e prefiro que esteja dormindo.

- Porque?... gostaria de ir a ver o amanhecer contigo.

- Proponho-te algo… espera aqui um momento.

Severus pôs-se de pé e caminhou para um estante próximo, dava as costas a Harry quem não deixava do olhar com embelezo, Severus tinha o corpo mais formoso do que tivesse imaginado e seu desnudez lhe fascinava, por um momento pensou no atingir para lhe pedir que voltasse ao amar, mas decidiu esperar a saber o que o homem lhe preparava. Aproveitando que Harry não podia o ver de frente, Severus fechou os olhos se concentrando em pedir o que precisava, quando os abriu tinha em frente a sim um par de copas com um líquido borbulhante e cristalino, e junto a elas um par de frasquinhos de cristal, o primeiro deles contendo uma substância azul claro, o segundo, um material oleoso negro.

Esvaziou a cada uma nas respectivas taças, nenhuma das duas evidenciava o conteúdo, suas cores e sabores permaneceram intactos. Um triste sorriso desenhou-se nos lábios de Severus, mas que mudou automaticamente a outra mais feliz quando girou sobre si mesmo sustentando uma taça na cada mão.

- Gosta de champanhe? –perguntou caminhando de regresso junto a Harry.

- Nunca a provei… mas sem dúvida alguma não acho que goste mais que de você. –respondeu fincando sua mirada em certa parte da anatomia de Severus que até fazia uns minutos se tinha encravado dentro de seu corpo.

- Não seja avoaçado, amor. –lhe repreendeu docemente ao dar-se conta de onde estavam os olhos de Harry. - Agora é tempo de brindar por nosso amor… toma. –disse oferecendo-lhe a taça que sustentava em sua mão direita.

- De acordo, brindemos… mas promete-me que em um dia nos amanheceremos junto ao lago para ver sair o sol sim?

- Terá uma eternidade para isso.

Harry sorriu assentindo e tomou sua taça. Severus chocou os dois cristais e fingiu dar um pequeno sorvo à sua enquanto Harry bebia tudo, comprovando que o champanhe não estava nada mau. Quando viu a taça vazia do rapaz, Severus se lançou sobre ele para beija-lo apaixonadamente, Harry lhe correspondeu com a mesma veemência, mas se retirou quando sentiu um sabor salgado.

- Que sucede? –perguntou assustado enquanto secava com suas mãos o rosto de Severus. - Porque chora?

- Porque sou feliz… porque agora sei que nada nem ninguém me separará jamais de ti.

Severus deixou as duas taças junto a eles e aferrando-se ao corpo de Harry esperou pacientemente a que o ligeiro sedante que pusesse na bebida do garoto lhe fizesse acabar com sua vontade de não se dormir. Sorriu ao escutar como a respiração de Harry se fazia compassada ao cair em um quase natural e sereno sono, era feliz sabendo que a morte não lhe chegaria de maneira dolorosa… então esvaziou o conteúdo de sua taça de um sozinho gole a deixando já sem rastros do veneno a um lado, fechou os olhos e voltou a se abraçar de Harry sem deixar nem um oco entre eles, esperando que o final lhe chegasse junto ao do ser que amava tanto.

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Nota tradutor:

Nossa que drama esse final... nessas horas penso que Severus é muito shakespeariano!

Pois bem vejo vocês nos próximos capítulos

Ate breve

Fui…