A Senhora do Castelo

Capitulo 14

O corpo de Jaken jazia no chão, sem vida. Todos estavam perplexos diante da tragédia que acabara de acontecer. Inuyasha ajoelhou próximo do corpo e pegou o braço de Jaken para ver se tinha pulso. Ele olhou horrorizado para Sesshoumaru.

- Está morto!

Sesshoumaru caiu de joelhos e colocou a mão no rosto de Jaken. Não podia acreditar no que seus olhos tinham presenciado. Ele olhava do corpo para o alto da escada, inconformado.

- Jaken... morto? Impossível, Inuyasha...

- Está morto, meu irmão. A queda o matou. Jaken já tinha uma idade considerável. Tomarei as providências. Kohaku! Venha comigo!

Foi tudo muito rápido. Num segundo Jaken estava segurando o braço de Rin e no outro estava caído no chão. Do alto da escadaria Rin olhava perplexa. Ela tinha as mãos à boca. Momo e Kaede a seguravam, tão assustadas quanto ela, assistiam a movimentação que acontecia lá embaixo.

- Meu Deus... o senhor Jaken... caiu da escada...

- Meu Santo Cristo! O que foi isso?! – Kaede começou a esmorecer e Momo teve que segurá-la, largando Rin.

– Senhora Kaede! Rápido, me ajudem aqui!

Algumas criadas a ajudaram e a levaram para um dos quartos. Rin ficou ali sentada sob seus joelhos com os olhos fixos no corpo de Jaken. Há alguns minutos ele estava vivo, furioso com ela, arrastando-a pelo corredor a fim de desmascará-la para o conde e agora, estava morto, como um pedaço de carne no chão. Momo voltou para ver como ela estava.

- Condessa... condessa?!

- Me tire daqui...

Com a ajuda de outra criada, Momo a levou de volta para os aposentos.

Sesshoumaru ficou alheio ao que acontecia a sua volta. Estava estático, em estado contemplativo ao fitar o corpo inerte de Jaken. Sua vida passou como um filme diante dele, mostrando o primeiro dia que o mordomo entrou em sua vida até o último minuto em que esteve com ele. Um criado fiel, dedicado até ao extremo, que sempre o acompanhara ao longo de sua vida. Ele ainda não acreditava na cena no qual foi testemunha, tal qual como um pesadelo.

- Jaken...

- Sesshoumaru? Sesshoumaru? – era Inuyasha quem o chamava – vamos, venha comigo. Kohaku irá colocar um pano branco sobre o corpo – Sesshoumaru não se movia – venha comigo, logo a polícia real estará aqui para interrogar a todos e investigar o que aconteceu.

Ele então despertou do transe. Passou as mãos sobre o rosto como que para aclarar as ideias.

- A polícia? Ah, claro... preciso ver como Sara está. Afinal de contas era ela quem estava mais próxima a ele na hora da queda.

- Vai sim. Deixe que do resto eu me encargo.

- Obrigado, irmão.

A notícia da morte de Jaken caiu como uma bomba no meio da família Taisho. Inuyasha enviou uma carta através de um mensageiro aos cuidados de sua mãe relatando a morte do mordomo. Ninguém acreditava no que tinha acontecido, um dia após o grandioso baile no castelo de Westernlands. O avô do conde, o antigo rei, Sesshoumaru I passou mal e teve que ser medicado quando soube do ocorrido, pois Jaken foi primeiramente seu mordomo, antes do neto e do filho. O príncipe Oyakata também sentiu muito a morte do ex-criado, assim como sua esposa e a princesa Izayume.

- Mamãe, por que o Jaken? Ele sempre foi tão dedicado a todos da família... ele tinha uma verdadeira adoração pelo Sesshoumaru... não consigo acreditar...

- Calma filha! Ainda não sabemos o que aconteceu, se foi um acidente, ou... vamos cuidar do seu pai e do seu avô. Depois nos informaremos.

Izayoi tratou de tranquilizar toda a família. Não demoraria muito e logo Inuyasha traria mais notícias para todos.

Rin foi levada arrastada pelas criadas até os aposentos. Foi deixada na cama. Momo dispensou a outra criada e fechou a porta. Rin ainda tinha a imagem do corpo de Jaken rolando as escadas, e isso passava por sua mente em câmera lenta. Ainda estava gravada em sua mente a imagem do rosto do mordomo quando começou a cair girando os braços e gritando. Ela pôs as mãos no rosto e chorava baixinho. Momo a abraçou.

- Rin... como você está?

- Momo, não era para acontecer aquilo... não com o senhor Jaken... você viu, não era...

- Veja por outro lado... ninguém saberá do seu segredo! O senhor Jaken levou consigo para o túmulo!

Antes que continuassem ouviu-se batidas na porta. Momo abriu e era Sesshoumaru que entrou.

- Como ela está?

- Em estado de choque, senhor...

- Vá e traga um chá para que se acalme.

Rin estava deitada quando ele sentou na beira da cama e pôs a mão em seu ombro. Ela sentou-se devagar olhando para ele. O que poderia lhe dizer?

- Condessa... como está?

Ela o abraçou e chorava baixinho.

- Eu não queria que isso acontecesse, Sesshoumaru! Eu não tive culpa, eu...

Ele segurou o rosto dela com as mãos, olhando em seus olhos.

- Você não teve culpa mesmo! Jaken se desequilibrou! Todos nós vimos! Se Kaede e a sua criada não a tivessem puxado das mãos dele, você teria caído também... – ele acariciou o rosto dela - ...graças a Deus, você está aqui... viva! – ele a beijou – lamento por ele, mas... o que eu faria da minha vida se você estivesse morta? – ele a abraçou protetoramente -... nem quero imaginar!

- Sesshoumaru... eu...

- Shh! Quero que se acalme! Você não teve culpa! Só preciso saber depois o porquê Jaken te segurava daquela forma tão desesperado. Pude ouvir os gritos dele do escritório, estava alteradíssimo.

- Eu estava aqui me arrumando, ele foi entrando aos berros, eu juro que não fiz nada...

- Agora não, condessa. Mais tarde conversaremos. Quero que se apronte, pois o logo o delegado real estará aqui e interrogará a todos pelo que aconteceu.

Rin parou de chorar e tratou de ficar calma. A polícia da corte viria para o castelo, então ela tinha pouco tempo para conversar com Momo a versão dos fatos das duas. Nesse instante a criada entrou trazendo o chá que o conde ordenara para a esposa. Ele pegou a xícara e fez com que ela tomasse tudo.

- Agora que está calma vou descer para ver como está tudo lá embaixo. Fique aqui, não quero que seus olhos registrem o que irão fazer. Basta o que aconteceu. Virei buscá-la quando for a hora que o delegado for interrogá-la.

- Você ficará comigo, não me deixará sozinha?!

- Nunca, meu amor... – ele depositou um beijo na testa dela e saiu.

Agora era o momento de Rin achar uma explicação para atitude de Jaken. Enquanto Momo a ajudava a se arrumar, tratou de combinar tudo com a criada. Nada de erros, o álibi de uma confirmaria o da outra.

Kazima foi embora toda feliz do castelo. Carregava uma bolsa enorme cheio das sobras do banquete do baile e também suas cinco moedas de ouro.

- Está feliz por qual motivo, sua rata?

- Aqui, comam tudo! Eu, feliz? Eu tenho um bom motivo sim!

- Me conte logo! Detesto mistérios!

- A mulher sentou em cima da mesa, e abriu as pernas, bem devassa.

- Não te disse que acharia a Rin? Pois adivinhe quem é a senhora do castelo que eu fui trabalhar ontem?

- Não vai me dizer que...

- Ela mesma! Não te contei que faz tempo eu a vi na cidade alta, no centro toda vestida quem nem uma aristocrata? Você não acreditou. Eu disse que ela deu o golpe. E não sabe com quem? Com um conde que é sobrinho do rei! Ela tá montada nos ouros que eu sei. Vi com meus próprios olhos a riqueza que tem naquele castelo!

O homem sorriu de orelha a orelha, largou a comida no chão e pegou sua arma.

- Então o que está esperando? Chame seu filho pervertido e vamos atrás dela!

- Não!

- Como não mulher? – ele a segurou pelo pescoço - tá querendo perder a chance de novo? Burra!

- Ai, me escuta! Ela tá muito rica! Vamos fazer a coisa direito... podemos tirar muito ouro dela. Se formos agora ela vai fugir de novo!

- Espero que tenha um bom plano dessa vez, senão eu corto esse seu pescoço imundo e jogo pros animais da mata comer...

A mulher contou o que tinha em mente. Se fizessem tudo com calma, em pouco tempo, Rin estaria nas mãos deles.

A notícia da morte de Jaken se espalhou por todo castelo de Windrose. Alguns criados lamentaram e outros deram graças a Deus por ele ter morrido, por que não suportavam o seu jeito. Jaken tinha má fama entre a criadagem, a maioria não gostava dele mesmo. Como toda fofoca de criados foi inevitável que alguns nobres não ficassem sabendo da tragédia no castelo do conde Sesshoumaru. E foi através de sua dama de companhia que Kagura, a ex-noiva do conde, ficou sabendo da perda de seu ex-noivo. Então ela teve uma ideia.

- Preparem minha carruagem. Irei a Westerlands dar os meus pêsames ao conde. Afinal esse tal de Jaken era um criado fiel a família Taisho e ele deve estar inconsolável.

- Kagura! Você está louca? Isto é motivo para visitas? Ele perdeu um criado, não alguém da família! Não que o fiel lacaio não mereça suas lágrimas, mas convenhamos! – Bankotsu ralhou com a irmã.

- E você acha mesmo que este é o meu principal objetivo, irmãozinho? Isto é só um pretexto para estar com o meu Sesshoumaru e mostrar para aquelazinha petulante que eu não sou uma qualquer! Vou infernizar tanto a vida dela que ela vai desejar voltar correndo pro convento de onde nunca deveria ter saído! E você vai comigo.

- Ah, Kagura! Terei que ir, tenho negócios com o conde.

O delegado da polícia real Byakuya Doushi chegou ao fim da manhã para ver o acontecido. Tão logo o perito examinou o local o corpo de Jaken foi levado para a autópsia. Ele conversou com Inuyasha e logo começou o interrogatório com todos os presentes que testemunharam a tragédia. O escritório do conde foi o local designado para as perguntas. Os criados foram ouvidos, assim como Inuyasha e Sesshoumaru. Até o momento, todos declaravam a mesma coisa. A única que faltava era a senhora do castelo e Sesshoumaru foi até os aposentos buscá-la. Rin estava aflita. Momo já tinha dado a sua versão.

- Está pronta?

"Não".

- Estou...

Desceram as escadas e Rin parou no exato local onde o corpo de Jaken havia ficado na queda. Durou uma eternidade aqueles poucos segundos ali olhando o chão. Sesshoumaru a abraçou e a conduziu para junto do delegado.

- Conde, com sua permissão, gostaria de ficar a sós com sua esposa, para conduzir as perguntas da investigação conforme a lei.

Rin apertou a mão de Sesshoumaru e lhe lançou um olhar suplicante.

- Senhor Byakuya, peço-lhe desculpas, mas não deixarei minha esposa sozinha num momento como este. Espero que possa compreender.

O delegado olhou de um para o outro. Rin levantou-se da cadeira em que estava sentada, apertando as mãos de Sesshoumaru bem forte dessa vez.

- Ele fica! Se não... não direi uma só palavra!

Sesshoumaru segurou seu rosto com as mãos, olhando firme em seus olhos, lhe transmitindo segurança.

- Eu não vou sair daqui – ele se virou para o delegado – eu ficarei. Acredito que não precisará de um decreto real para continuar com o seu trabalho, doutor Doushi?

O delegado baixou o olhar e entendeu o recado. Voltou para suas anotações.

- Senhora Taisho, conte-me a forma que o falecido senhor Jaken entrou em seus aposentos nesta manhã.

Rin contou tudo desde o começo, como o mordomo entrou em seu quarto alterado, dizendo coisas desconexas, por exemplo, que ela não merecia ser a senhora do castelo.

- E qual seria a razão para ele afirmar isso com tanta convicção?

Rin olhou para Sesshoumaru que estava sentado ao lado dela e apertou sua mão.

- É inaceitável para a sociedade uma dama com um histórico familiar como o meu. Não é novidade para ninguém o que aconteceu a dez anos, quando meu pai ateou fogo no castelo Asano, causando aquela tragédia, isto ficou como uma imagem ruim para mim. Como o senhor Jaken era muito ligado ao meu marido, e isto está mais que provado por seus anos de dedicação. Talvez em sua concepção, eu não fosse uma mulher indicada para ser a esposa de seu amo. Num acesso de raiva, de indignação, agiu daquela forma, acreditando estar defendendo a quem apreciava, agindo daquela forma e exigindo que eu dissesse ao conde que eu não era digna dele, para que ele me expulsasse do castelo.

- Soube que ele tirou uns dias de licença para descansar e havia voltado há dois dias. Será que ele não descobriu nada a respeito da senhora?

Rin engoliu em seco e baixou a cabeça. Ela tremia de nervoso. Sesshoumaru interveio em seu auxílio.

- Minha esposa lhe deu explicações suficientes, doutor. Não tem lógica sua última pergunta. Se Jaken soubesse de algo a respeito de Sara teria me dito. Ele era fiel a mim!

- Talvez ele tenha dado um tempo para que a senhora mesma lhe contasse, senhor Taisho.

- Basta! Está indo longe demais. Creio que já pode concluir a sua investigação, já que todos testemunharam e falaram sobre o mesmo fato! E quanto ao mordomo ter entrado alterado no quarto, a versão da criada Momo confirma o mesmo que da minha esposa, que o senhor Jaken estava nervoso, a atacou com duras palavras e a agrediu fisicamente, arrastando-a até a escadaria. Todos viram como tudo terminou!

Diante disso, o delegado concluiu o inquérito e o caso foi encerrado, logo ele e os policiais foram embora.

O velório de Jaken foi realizado na capela que foi construída no lado norte do castelo de Westernlands. Toda a família Taisho compareceu e alguns criados também. o padre Myuga deu ínicio a cerimônia de despedida.

- Estamos reunidos aqui para dar adeus ao nosso querido Jaken Onigumo. Abriu mão de si mesmo, renunciou aos seus próprios sonhos e dedicou toda sua vida a serviço para o bem estar de toda a família Taisho. Companheiro e a amigo de todos. Nunca se ouviu falar de tamanha fidelidade encontrada em um ser tão bom. Era capaz de dar sua própria vida em lugar do próximo.

- Mas que mentira descarada! O senhor Jaken era um tremendo de um mentiroso, puxa-saco, mal educado e só tratava bem os outros quando estava na frente de alguém da família Taisho, do contrário só faltava chutar os outros criados... fala sério!

- Shhhh! Cala a boca, Momo! Se alguém te escuta!

- Perdão, senhora Kaede... mas isso é demais para mim!

- Shhhhh! Quieta!

O antigo rei Sesshoumaru I leu em voz alta uma pequena homenagem ao servo e amigo.

- "Amigo Jaken...nasceu, cresceu, morreu. Esta foi a sequência natural da sua vida. Mas ainda que tenhamos conhecimento de que nasceu para permanecer determinado período na Terra, e de que um dia teria que retornar ao mundo espiritual, ainda assim nunca estivemos preparados para a sua partida, a quem em vida amamos. Ao partir deixou um enorme vazio em nossos corações e a dor da incerteza, da dúvida. Nestes momentos não podemos permitir que o desalento, a dor e a tristeza tomem conta de nós. Devemos elevar o nosso pensamento para os céus pedindo forças, ânimo e coragem para prosseguirmos, pois a vida segue. Descanse em paz, amigo!"

Jaken foi enterrado no cemitério da família real. Em sua lápide escreveram fiel mordomo e amigo dedicado. Mais tarde Inuyasha voltou trazendo o resultado da autópsia feita em Jaken. Ele veio com o rei, a rainha, e os pais do conde. Estavam ainda todos reunidos no escritório no castelo de Sesshoumaru

- Ele quebrou o pescoço na queda.

- Céus! Que triste fim! – disse a rainha abraçada a Rin.

- Que Deus tenha misericórdia de sua alma – disse a princesa Izayoi, que estava também ao lado de Rin – minha querida, você não tinha que passar por isso! Não deve ser condenada por causa do passado de sua família. Isto é um absurdo. Não dá para acreditar que o criado Jaken nunca a aceitou como esposa de meu filho, chegando ao ponto de manifestar este pensamento que culminou em sua morte.

- Céus! Nem parece que Jaken foi enterrado no jazigo da família. Foi uma cerimônia simples, mas muito marcante, filho.

- Foi mesmo pai. Como está o vovô? Percebi que, depois que leu a mensagem, ele não se sentia muito bem.

- Melhor, foi medicado,mas ainda está abatido. Ele e Jaken foram amigos. Conheceram-se na adolescência. Depois que ele tornou-se seu mordomo. Era uma relação de longa data. Bom, iremos agora. Boa noite.

Todos se despediram. Foi um dia triste e muito pesaroso. Enquanto Sesshoumaru acompanhava sua família até a porta, Rin foi para o quarto. Enquanto subia, pensava em cada minuto que viveu nas últimas vinte e quatro horas. O baile. O sexo com Sesshoumaru. A morte de Jaken. E ver que tudo terminou sem que o seu segredo fosse revelado. A pergunta que fica: até quando ela vai continuar com essa mentira? E será que o mordomo não contou a descoberta para alguém? Não tinha como saber. Trocou de roupa e esperou o seu "marido". Logo Sesshoumaru se unia a ela na cama. Ficaram abraçados.

- Af! Eu nem parei para pensar no dia de hoje. E saber que o Jaken... que ele não estará em pé na mesa do café ou no escritório pronto para servir como sempre fez. É meio estranho quando se estava tão acostumado com uma pessoa como ele...

- Eu sei que vai sentir muito a falta dele. Desculpe-me...

Ele rolou pra cima dela e segurou firme seu rosto, encarando-a.

- Pare de se desculpar! É uma ordem. Nada vai trazer o Jaken de volta. Você sim está aqui comigo e isto é o que me importa.

Rin sorriu. Sesshoumaru voltou a abraçá-la. Enquanto o sono vinha para ele, ela permaneceu acordada, pensando no que a vida teria reservado a mais para ela.

- Larga ele!

- Vou matá-lo! Argh! Seu idiota, cretino de uma figa!

- Solte-o homem!

Osamu queria enforcar o filho de qualquer maneira. Só liberou o pescoço dele por que a mulher gritava feito louca.

- Dá para explicar o que é isso!

- Acontece que o bastardo do seu filho deu com a língua nos dentes! Estamos sendo caçados por mercenários por causa do que fizemos um ano atrás!

- Eu não fiz nada! Foram vocês três! Eu disse só para roubar os ricos na estrada! Mas não! Os burros aí tinham que matar pra mostrar que são tudo uns machões! Idiotas!

- Cale a boca, mulher!

- Tô errada agora?! E você, anta, que fez?!

- Fiz nada mãe!

- Mãe, o mano encheu a cara e falou o que nós fez, matamos e jogamos tudo no rio! Aiiiii!

O irmão mais velho deu um soco na barriga do caçula, que se contorcia de dor no chão.

- Fecha a matraca, retardado, demente, louco!

- Abra essa boca sem dente que você tem, Kageru! O que você fez?

- Mãe... eu e esse besta fomos a taberna do Kuroda disfarçados, bebemos além da conta... e acho que falei demais sobre a carruagem que atacamos a um ano... os homens que eu flechei e a mulher que depois que acertei a cabeça dela com uma pedra, eu me diverti com ela... daquele jeito... a senhora sabe, hehehe...

- Silêncio, verme! Me poupe da sua perversão, louco! Eu não dei a luz a duas crianças não! Foi duas aberrações, filhos de um cruz-credo com uma rata de esgoto que saiu vocês! Ai que raiva! Burros!

- E pra fechar este cretino contou para todos na taberna. O Kuroda só confirmou quem nós somos e agora nossas cabeças estão a prêmio! Por que fomos atacar aquela carruagem? Parece que a mulher era parente da família real! Agora sim morreremos!

- Vamos sequestrar a Rin, pedir um baú de moedas de ouro e fugir para o outro continente!

- É o jeito! Agiremos já!

Eles se ajuntaram para elaborar algo triste para a vida de Rin.

Depois que a condessa Taisho esteve no escritório de advocacia um tempo atrás, Shippo, o assistente do advogado de Sesshoumaru, não se deu por vencido e continuou a investigar sobre a família Asano. Descobriu então o paradeiro da antiga babá que trabalhou no castelo Asano. Ele relatou tudo para o doutor Akitoki, que o mandou buscar a mulher para viver na capital, e providenciou tudo o que ela precisava. Os dois se reuniram com ela na casa que agora ela morava.

- Como está, senhora Tsubasa?

- Muito Bem, senhor Akitoki. Graças a sua ajuda, sai da pobreza daquele vilarejo em Southlands.

- A trouxe para cá para que me conte o que sabe da família Asano. Este foi o nosso acordo.

- Sim, não tenho o que esconder. Durante anos servi a família Omoro. Fui babá da senhora Asano e depois que ela se casou com o general, é que eu fui morar no castelo para cuidar dos filhos que o casal viesse a ter.

- Na verdade, eles tiveram somente uma filha, que é hoje a atual senhora do castelo de Westernlands, casada com o conde Sesshoumaru Taisho, sobrinho do rei Akio de Endor e um dos sucessores ao trono.

- O senhor está me dizendo que a minha menina pode se tornar um dia rainha do nosso reino?! Eu nunca poderia estar viva para saber de algo tão grandioso como isso! Meu Deus!

- É... Ela pode sim, se o atual rei a reconhecer como princesa e se o sobrinho um dia for coroado rei, e isso somente se o Rei Akio e o pai do conde abdicarem em seu favor. Tem tempo para isso acontecer. Agora voltemos ao assunto! Céus!

- Irei para a cozinha, farei um chá! A prosa está boa!

A mulher saiu e Akitoki quase que desiste de conversar. Shippo insistiu.

- Céus, Shippo! A mulher não se concentra em nos dizer o que realmente importa! Foge do assunto toda hora! Acho que a mente dela não está boa!

- Acalme-se doutor! Iremos até o fim e depois contaremos tudo a condessa.

Não demorou muito a mulher retornou com o chá e eles estavam conversando de novo.

- Senhora, nos dizia que foi trabalhar como babá para o casal Asano e cuidar de sua filha!

- Ah sim! Cuidar da filha!

- Sim... da pequena...

- Não! Pode parar! O senhor está errado!

- Como assim?!...

- O casal Asano teve filhos sim, mais de um, teve filhas, duas meninas!

O doutor Akitoki e Shippo se entreolharam, surpresos. A mulher continuou seu relato.

- Tiveram duas lindas meninas, ah, sim... me lembro perfeitamente do rostinho delas, tão lindas... até que aconteceu aquilo...

- O quê?

- Uma das crianças foi tirada da senhora Asano. Estávamos no jardim e ouvimos uma discussão, alguém que brigava feio com o general, o tipo jurou vingança, eu não me recordo bem. Só sei que entrei para chamar a ama de leite das meninas e então, quando voltei, encontrei a senhora desmaiada no chão e só uma bebê... tinham levado a outra criança...

- Quem levou a outra menina?! – Shippo perguntou.

- Não vi quem foi. Depois disso o general me despediu, dizendo que a culpa foi minha por não ter cuidado direito delas, que não devia ter deixado a senhora sozinha no jardim... – a mulher se entristeceu e se emocionou - ... anos mais tarde, fiquei sabendo do fogo que consumiu o castelo e que o general morreu nele. Queria muito rever a menina Asano, saber como ela está...

O clima na sala ficou um tanto estranho. Se Shippo esperava saber algumas informações, havia conseguido muito mais. Então a condessa Sara não seria a última descendente da família Asano. Tinha uma irmã e estava viva em algum lugar. Era só descobrir o paradeiro dela!

- Se tivéssemos a lista das pessoas contratadas na época que trabalharam no castelo Asano, poderíamos chegar ao homem que raptou a irmã da condessa, doutor!

- Pois é filho.. mas tudo se perdeu no incêndio... se soubéssemos de algum outro serviçal que trabalhou a vinte anos no castelo...

- Eu sei de um!

- Sabe?! Quem?! Diga! - os dois homens falaram ao mesmo tempo.

- O meu finado marido.

A frustação misturada com a decepção caiu como chuva em cima deles.

- Eu não disse, Shippo... a senhora Tsubasa não está em seu melhor momento...

- Sim...o senhor falou, doutor..

- Deus! Estão pálidos? Mais chá? – ofereceu a mulher toda feliz.

Depois de conversarem com senhora o doutor Akitoki enviou Shippo ao castelo de Westernlands, e encaminhou uma mensagem para a condessa no qual combinariam um dia para que ela fosse ao escritório de advocacia conhecer a ex-babá. E isto se deu num dia em que o conde passou uma tarde inteira no castelo do rei. Então Rin foi com Momo até o centro da cidade alta. Mal a carruagem parou e Shippo foi logo abrindo a porta para conduzi-la para dentro. Rin subiu as escadas com o coração na mão, pois em poucos minutos descobriria algo a mais de sua origem. O senhor Akitoki apresentou a senhora Tsubasa a ela.

- Condessa, essa senhora trabalhou no castelo Asano e foi sua babá.

Rin olhou para a mulher de quase seus cinquenta anos. Percebeu se tratar de uma pessoa humilde. A mulher segurou suas mãos e a recebeu com um abraço.

- Minha menina! Você se tornou uma linda mulher!

- Obrigada senhora, eu...

- Queria tanto que a sua mãe estivesse para desfrutar dessa alegria! Poder reencontrá-la depois de tanto tempo! E saber que está viva! Ficamos tão tristes com o que aconteceu...

- Se refere ao incêndio que destruiu o castelo?...

- Não... estou me referindo ao dia em que tiraram você dos braços de sua mãe.

Rin ficou atônita.

- Senhor Akitoki, o que ela está dizendo?!

O advogado interveio.

- Senhora Tsubasa. Contou-nos que o casal Asano teve duas filhas. Um que foi raptada e a outro que sobreviveu ao incêndio, e é essa aqui, a condessa Sara!

- Nããão!

- Como não, senhora? Estou-lhe afirmando quem ela é! A conheço muito bem!

- O senhor a conhece como Sara, a condessa. Mas eu repito que não é ela!

O advogado bufava de raiva com a insistência da mulher. Rin ficou sem ação. Mais uma pessoa sabia do seu segredo?

- Senhor Akitoki... o que esta mulher está dizendo?!

- Perdoe-me condessa! Desde que a encontramos vivendo em condições paupérrimas, percebemos que não goza de uma boa saúde mental. Desconcentra-se e diz coisas sem nexo algum.

- Escute aqui, doutor! Eu sei muito bem o que digo, fique o senhor sabendo! E minha mente está muito boa.

- Então o que está me dizendo, senhora?! – Rin esbravejou com a mulher.

Tsubasa humildemente segurou suas mãos e lhe deu um sorriso.

- Que você não é a menina Sara... você é a menina Rin, a filha perdida do casal Asano!

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