Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah, Isadora e Aishi são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa leitura!
Capitulo 14: Trouxe a luz...
I – Amigos.
Respirou fundo, terminando de contar os outros pormenores a Kamus. Contar-lhe tudo o que aconteceu ao longo dos últimos dezoito anos não foi nada fácil, mas intimamente admitia que estava aliviado. Sabia que,ele mais do que ninguém era capaz de entender aquilo.
-Nossa; Kamus murmurou espantado. –Só uma coisa que não entendi; ele começou.
-O que? –Filipe perguntou.
-Porque Aimê não voltou como todos nós? –Kamus o questionou.
-Quando Aimê descobriu que estava grávida, ela desistiu de lutar pela armadura. Isso aconteceu pouco antes da Eurin voltar para Gothland, ela não queria correr o risco de perder Aaliah, por isso preferiu deixar de lado a missão de tornar-se uma amazona e voltar suas atenções completamente ao bebê; ele explicou.
-Entendo, imagino como deve ter sido difícil segurar a barra sozinha; o aquariano comentou.
-...; Filipe assentiu. –Se eu soubesse, pelo menos estaria ao lado dela; ele completou, com pesar.
-Mas como você mesmo disse, que ela nunca pediria que você voltasse, sem cumprir sua missão antes; Kamus falou.
-Vendo por esse lado; ele murmurou, como resposta.
-Me diz, depois de me contar tudo isso, como se sente? –o aquariano perguntou, voltando-se para ele com um olhar curioso.
-O que quer dizer com isso? –Filipe perguntou, confuso.
-Exatamente o que você entendeu; ele respondeu, com um meio sorriso.
-Detesto quando você faz essa cara; o cavaleiro falou, serrando os orbes.
-Vamos, admita;
-Está certo. Eu admito; ele falou, dando um suspiro casando. –Por mais difícil que seja falar sobre isso, ainda me sinto melhor;
-Viu, não foi tão difícil; Kamus falou calmamente. –Mas falando sério, sobre a ultima conversa com Aimê, deveria ouvi-la e parar de ficar se escondendo dentro desse jardim;
-Mas...;
-Acho que não preciso repetir tudo o que Aishi, Aaliah e até a própria Aimê já lhe disseram, nunca vai saber se as coisas podem ser diferentes, se não tentar; ele completou pacientemente.
-Eu sei, mas-...;
-Chega de 'mas', levanta daí logo e vai se trocar; Kamus mandou, levantando-se.
-O que? –Filipe perguntou, assustado.
-Aishi e eu vamos a Toca do Baco e você vai junto; ele respondeu.
-Ah não Kamus, não quero ficar segurando vela; Filipe falou prontamente.
-Você não vai, vamos só jantar e não adianta, se demorar demais vou começar a ponderar a idéia de te congelar e levar arrastado, ou melhor, com telecinese; ele completou, com um sorriso perverso.
-Você não faria isso; o pisciano falou, porém engoliu em seco, ao ver o sorriso dele se alargar. –Você faria?-Filipe perguntou, parando petrificado ao ver Kamus assentir. –Só me da um minuto, já volto; ele completou, indo correndo para dentro do templo.
-Isso sempre funciona; Aishi falou divertida, surgindo atrás do noivo.
-Há quanto tempo estava ai? –Kamus perguntou, voltando-se para ela, enlaçando-a pela cintura.
-Acabei de chegar; ela respondeu, passando os braços em volta do pescoço dele. –Mas me diz, como foi?
-Bem... Evoluímos um pouco com essa conversa; ele respondeu. –Mas você sabe, que ele não vai mudar de uma hora pra outra;
-Não, mas a idéia de levá-lo congelado para a Toca do Baco parecia interessante; ela brincou, com um sorriso maroto.
-...; Kamus arqueou a sobrancelha com ar enciumado. –Você esta se referindo exatamente ao que?
-Quem vai estar lá, é claro; Aishi respondeu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo; -Pensou que eu estivesse falando do que? –ela perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Nada não; ele respondeu, desviando o olhar.
-Kamus; Aishi falou em tom de aviso.
-Eu sei, me desculpe; ele falou, voltando-se para ela, encontrando um olhar compreensivo da jovem.
-Quer falar sobre isso agora? –Aishi perguntou, tocando-lhe a face carinhosamente.
-Não, não agora; ele respondeu, com um sorriso sedutor.
Abaixou a cabeça lentamente, roçando-lhe os lábios suavemente antes de tomá-los num beijo carinhoso e calmo.
-Kamus, estou pr-...; Filipe parou, ao deparar-se com o casal em seu jardim. –Ah! Desculpe, não queria interrompê-los; ele falou sem graça.
-Não se preocupe, não interrompeu nada; Aishi falou calmamente, nem um pouco incomodada com isso, embora Kamus estivesse extremamente vermelho. –Vamos;
-...; Os dois assentiram, desaparecendo em seguida com a jovem.
II – Entre Amigos.
-Obrigada; Isadora falou sorrindo, enquanto o cavaleiro puxava a cadeira para que pudesse sentar-se.
Viu-o dar a volta na mesa, sentando-se de frente para ela. Notou que algumas garotas passavam por eles, lançando olhares retalhadores em sua direção.
-Não ligue pra isso, por favor; Milo pediu, com um sorriso nervoso.
-...; Isadora balançou a cabeça levemente para os lados, poderiam passar quantos anos fossem, mas ele não perdia o jeito de menino arteiro por nada, nem quando tentava parecer sério; - Não se preocupe, eu sei que elas te perseguem; ela brincou, com certo sarcasmo.
-É a vida; Milo respondeu, com um falso suspiro de cansaço, nem um pouco modesto. –Mas e ai, o dia foi muito movimentado? –ele perguntou, curioso.
-Bem-...;
-ISADORA; alguém chamou pela jovem, fazendo-a parar no que pretendia dizer.
Os dois viraram-se na direção da voz, notando que o homem mais próximo de Deus era literalmente arrastado para dentro da Toca do Baco por Aaliah que acabara de avistar a jovem e dera um grito nada discreto, chamando a atenção de algumas pessoas.
-Oi; Shaka os cumprimentou, com um sorriso sem graça.
-Oi Isadora. Oi Milo; Aaliah falou sorrindo.
-Oi; os dois responderam, com uma gotinha escorrendo na testa.
-Bem vocês parecem ocupados, então depois a gente se fala; Aaliah falou, com um sorriso maroto, fazendo a jovem enrubescer.
-Nós íamos jantar, não querem nos acompanhar? –Milo perguntou, voltando-se para os dois.
-Eu e Aaliah já havíamos combinado d-...;
-Claro, se não se importarem; a jovem falou cortando-o.
-Sentem-se então; Isadora falou sorrindo, indicando as outras duas cadeiras para eles;
Shaka puxou uma das cadeiras para que Aaliah pudesse sentar-se, quando a jovem acomodou-se sobre o assento, tomou o lugar a seu lado. Sob o olhar atento do Escorpião, que estava tão ou mais curioso que Isadora, diante da atitude tão atenciosa do cavaleiro.
-Com licença, pretendem fazer o pedido agora? –o metri perguntou, aproximando-se com alguns cardápios na mão.
-Vocês se importam, ou querem esperar mais um pouco? –Milo perguntou, voltando-se para ele.
-Por mim, não tem problema; Shaka respondeu.
-Nem eu; Isadora e Aaliah responderam juntas.
-Pode deixar os cardápios, quando escolhermos, nós chamamos; o Escorpião falou, com um ar sério.
Shaka arqueou a sobrancelha levemente, a ultima vez que o vira agir tão sério assim fora há muito tempo atrás; ele pensou, lembrando-se do que acontecera em meados da batalha contra os titãs.
-Shaka. Shaka. Shakaaaaaaa; Aaliah chamou, passando a mão em frente aos olhos dele.
-Uhn? –ele murmurou piscando, virou-se para ela notando o olhar curioso dos três sobre si. –O que foi?
-Estávamos te chamado e você não respondia; a jovem de melenas azuis comentou.
-Me desculpe; ele falou, com um sorriso sem graça passando a mão nervosamente pela franja dourada. –Mas do que falavam?
-Estava perguntando ao Milo, desde quando ele e a Isadora se conhecem, mas ai a gente percebeu que você estava longe; ela respondeu.
Shaka voltou-se para o Escorpião que tinha o mesmo olhar de Isadora sobre si, como se perguntasse 'E agora, o que respondemos?'.
-Ah sim, disso eu me lembro. Vocês se conheceram naquela época que a Isadora estava estudando em Atenas; Shaka falou, voltando-se para Milo com um olhar sugestivo. –"Detesto ter de mentir pra você, mas não é algo que me diz respeito contar"; ele pensou, com pesar.
-Sério, e você estudava o que? –Aaliah perguntou, aparentemente sem notar o semblante tenso de Shaka.
-Artes; ela respondeu, suando frio. De tudo aquilo não era mentira. Mesmo porque estudara isso realmente, mas somente quando se mudou para o Brasil.
-Que legal, se especificou em que área? –a jovem perguntou animada.
-"Céus"; os três pensaram desesperados, sem saber como dar o assunto por encerrado sem que a jovem percebesse.
-Tela/ Musica; Isadora e Milo falaram juntos.
-Uhn? –Aaliah perguntou, com um olhar confuso.
-Escultura/ Teatro; eles falaram novamente.
-Acho que não estou entendendo, qual dessas artes você fez? –a jovem perguntou um tanto quanto desconfiada.
-Eu fiz um pouco de cada, mas me especializei realmente em Tela; Isadora respondeu, vendo Milo dar um discreto suspiro aliviado. –Nunca consegui me dar bem com esculturas e era péssima em interpretação, então optei por pintura em óleo sobre tela; ela completou, agora mais segura do que estava falando.
-Interessante; Aaliah murmurou. –Mas isso foi quando, antes ou depois das guerras?
-Durante; os três responderam num murmúrio.
-Mas ai me mudei para o Brasil para terminar de estudar Belas Artes lá; Isadora completou, dando por encerrado aquilo de vez.
-Entendo, mas o que acham de fazermos os pedidos logo? -Aaliah sugeriu, deixando o assunto de lado momentaneamente.
-Claro; os três murmuraram, aliviados pela conversa ter mudado de rumo.
-o-o-o-o-
-Pelo visto todo mundo resolveu aparecer por aqui; Kamus comentou, enquanto os três entravam na Toca do Baco.
-Como? –Filipe perguntou, ao vê-lo apontar uma mesa não muito longe de onde estavam.
-Ali; Aishi falou, vendo que em uma mesa estavam Isadora e Milo, enquanto Aaliah e Shaka dançavam uma musica lenta na pista.
-Aquele é o Shaka? –o pisciano perguntou surpreso, ao ver o cavaleiro vestido todo de preto, sendo que era mais comum vê-lo vestido só de branco.
-Uhnnnnnnn; Kamus e Aishi murmuraram com um sorriso maroto.
-O que foi? –Filipe perguntou, voltando-se para os dois.
-Nada não; Aishi respondeu gesticulando displicente.
-Boa noite meus amigos; a divindade de cabelos ruivos falou, aproximando-se com um largo sorriso.
-Boa noite; os três responderam.
-Sejam bem-vindos a Toca do Baco, espero que passem uma noite agradável; ele desejou.
-Obrigado; os três responderam.
-Mas então, me digam, tem preferência por algum ambiente? –Dionísio perguntou.
Os três se entreolharam, ponderando sobre qual seria o melhor.
-Aishi; os dois chamaram.
-Pode ser no dec do restaurante mesmo; a jovem respondeu, ao questionamento dos dois.
-...; Dionísio assentiu. –Venham, vou acompanhá-los até lá e colocar-lhes um metri a disposição; ele completou, indicando o caminho a eles.
-o-o-o-o-
Enlaçou-a delicadamente pela cintura, aninhando-a entre seus braços. Ouviu um baixo suspiro escapar dos lábios da jovem, quando a mesma descansava a cabeça sobre seu ombro.
-Porque mentiu pra mim? –Aaliah perguntou de repente, enquanto eram embalados por uma suave melodia.
-Como? –Shaka perguntou surpreso.
-Sobre Isadora, porque mentiu? –ela perguntou, num tom magoado de voz.
-Me desculpe; o virginiano falou, notando que nada passava despercebido pela jovem.
-Você não me respondeu; Aaliah insistiu.
Desde o momento que perguntara, até o tempo que ficara esperando que eles dessem uma resposta notou o clima tenso que se instaurou na mesa. Nunca havia comentado aquilo com Isadora, ou ao menos perguntado a ela sobre seu passado, mas a curiosidade surgira ao encontrá-la varias vezes na floricultura conversando com Milo.
O mais surpreendente nisso, era que o Escorpião simplesmente parecia outra pessoa, diferente daquela que o pai ou os amigos às vezes descreviam. Poderia dizer que eram momentos em que ele contrariava os desígnios de seu próprio signo, o que acabou por despertar essa curiosidade em saber sobre os dois.
Aproveitara o momento para questionar isso, mas notara que não fora uma boa idéia, já que nem mesmo Milo, ou Isadora, pareciam querer falar sobre o assunto e sabia que aquele olhar suplicante que lançaram a Shaka, só deixava claro que ele também tinha algo a ver com isso.
-Me desculpe Aaliah, mas não é algo que me diz respeito te contar; ele falou, parando de mover-se.
-Não entendo; ela murmurou, sentindo que ele pretendia se afastar, mas manteve-se entre os braços do cavaleiro.
-Existem coisas que às vezes devem ficar enterradas, ou se contadas, somente por aqueles que fazem parte disso; Shaka respondeu, de forma enigmática.
-Você diz isso sobre o Milo e a Isadora? –Aaliah perguntou.
-...; Shaka assentiu. –Quando Isadora ou o Milo estiverem preparados para falar sobre isso, não se preocupe, qualquer pergunta que você fizer, eles lhe responderão, mas agora, deixe que esse assunto seja enterrado, junto com todas as lembranças ruins que foram trazidas a tona; ele completou.
-...; Aaliah assentiu, fitando os orbes azuis do cavaleiro, vendo que ele não desviava o assunto e sim, era franco, deixando claro que o assunto era sério e não para ser tratado apenas por curiosidade. –Com uma condição; ela falou, com um doce sorriso, tirando a tensão que se instaurara entre os dois.
-Qual? –ele perguntou, arqueando a sobrancelha levemente.
-Que nunca mais você minta pra mim, prefiro que você diga que não quer falar sobre isso no momento, do que usar desse artifício pra mudar o rumo da conversa; ela falou.
-...; Shaka assentiu. –Prometo; ele completou, com um meio sorriso.
-Ótimo; ela falou, enlaçando-o pelo pescoço, com os braços.
Voltaram a mover-se calmamente ao som da musica, deixando qualquer duvida ou questionamento de lado, quando fosse a hora, certamente voltariam a falar sobre isso. Mas não agora...
III – Salomé.
Passaram rapidamente pela mesa de Milo e Isadora, cumprimentaram os dois, enquanto seguiam com Dionísio para o dec, Aishi lançou um olhar de soslaio ao pisciano que parecia bastante curioso com a presença da jovem de melenas verdes com o artrópode.
-Obrigada; ela falou sorrindo, quando Kamus puxou-lhe a cadeira.
-Bem, vou chamar o metri, fiquem à vontade; Dionísio falou sorrindo, enquanto se afastava;
-Obrigado; os três falaram.
-Sabe, aproveitando que o Shaka e Aaliah estão aqui, eu gostaria de matar uma curiosidade; Kamus comentou, enquanto os três recebiam os cardápios do metri.
-Que curiosidade? –Aishi perguntou, voltando-se para ele.
-Porque o Shaka?
-Uhn? –os dois murmuraram confusos.
-Digo, já deu pra perceber essa sua predileção por ele com relação a Aaliah, diferente se o cavaleiro fosse o Milo, por exemplo, mas me explica essa historia direito; Kamus falou, com um sorriso maroto.
-Ahn! Bem...; Filipe começou, passando a mão nervosamente pelos cabelos. –A história é meio longa; ele completou.
-Não se preocupe, não temos pressa; Aishi e Kamus falaram juntos, embora a jovem estivesse também curiosa para saber quais os motivos do pisciano para não fazer vista grossa sobre a relação entre Shaka e Aaliah, diferente de outro pai de primeira viagem que qualquer um que se aproxime da filha, ou é pervertido ou estava a um passo de ir parar em outra dimensão.
-Vocês já ouviram falar do nome Salome? –ele perguntou, um tanto quanto constrangido por falar no assunto tão abertamente.
-Já ouvi falar, era uma jovem muito bonita, filha de Herodias da Judéia. Se muito não me engano, foi por causa dela que a cabeça de João Baptista foi literalmente cortada fora; Kamus comentou, como se recordasse da historia só agora.
-Eu também conheço a historia, mas de outra perspectiva; Aishi falou, com um meio sorriso vendo a curiosidade dos dois aflorar. –Mas depois falamos sobre isso, o que tem ela?
-Bem, não faz muito tempo eu assisti uma peça na Acrópole, com esse nome, mas contava uma outra versão sobre a historia original. Algo um pouco mais romantizado; Filipe explicou. –A peça falava sobre a época de reis e como eram aqueles banquetes reais, onde alguém sempre acabava envenenado ou a cabeça rolava de uma vez;
-Que criatividade; Kamus balbuciou, vendo os dois assentirem.
-Lembro bem que o enredo era o seguinte 'Como se sabe o limite de um homem santo?'; ele falou.
-Como? –Kamus perguntou, confuso.
-Tentando-o; Aishi respondeu, com um largo sorriso. –Acho que já sei o que você pensou quando viu aquilo; ela completou rindo, vendo que o cavaleiro estava tão ou mais vermelho que os cabelos de Dionísio.
-Ainda não entendi; o aquariano falou, ficando emburrado.
-Muito simples; a jovem começou. –A historia que o Filipe se refere, é sobre Salomé, ela era uma jovem bonita, porém extremamente fútil, acostumada a ter todos a seus pés, mas num belo dia acabou por se apaixonar por João Batista. Mas veja bem, essa é a outra versão da historia, os conceitos cristãos sobre ela são bem diferentes; ela falou, antes que o noivo perguntasse novamente. –Ela se apaixonou por ele, mas nada chamava a sua atenção. Certa vez, Herodes deu um jantar em seu palácio, chamando-o como convidado especial, Salome e Herodias sua mãe estavam presentes. Sem saber do interesse de Salomé no religioso, Herodes pediu que ela dançasse.
-Até ai eu entendi, mas o que Aaliah e Shaka tem a ver com isso? –ele insistiu.
-Espere a Aishi terminar; Filipe o reprovou, vendo-o engolir em seco diante do olhar do pisciano.
-Continuando... Ela disse que dançaria, mas com uma condição. No termino da dança, ele deveria conceder a ela um desejo, apenas um, mas que não importasse o que ela pedisse, ele realizaria; Aishi explicou. –Todos ficaram encantados, até mesmo o alvo que ela queria atingir, porém sem demonstrar abalo algum ou deixar que ela mesma percebesse que esse sentimento era correspondido, ele permaneceu indiferente. Quando Salome terminou, ela pediu ao rei que o matasse.
-Como? –Kamus perguntou, confuso.
-Porque ela sabia que nunca poderia tê-lo, então, queria tê-lo em seus braços nem que fosse por alguns míseros segundos antes dele partir para o outro mundo;
-E o rei concedeu isso; Kamus comentou.
-...; Os dois assentiram.
-Ahn! É só impressão a minha, ou vocês estão querendo que a Aaliah corte a cabeça do Shaka? –ele perguntou, vendo os dois explodirem em risos. –To falando sério;
-Kamus, a moral da história é a seguinte; Filipe começou, pacientemente. –Tome por base a forma como você e Aishi começaram. Você com a sua vidinha metódica e fria enquanto ela não tinha medo de falar o que pensava ou agir como desejava. Com aqueles dois é quase a mesma coisa, só que no caso não é você, e sim aquele que se diz intocável e o homem mais próximo de deus, superior a tudo e todos; ele completou, fazendo um gesto sádico de aspas com os dedos.
-Uhn! Agora entendi; Kamus murmurou. –Só por curiosidade, que signo é o da Aaliah?
-Escorpião; Aishi e Filipe falaram ao mesmo tempo.
-Não precisa explicar mais nada, depois dessa já entendi tudo; ele falou, gesticulando displicente. –E o Shaka já sabe disso?
-Não; Filipe respondeu, com um sorriso nada inocente. -Mas agora mudando de assunto dona Aishi; ele começou, voltando-se para ela.
-Uhn? O que foi? –ela perguntou.
-Que outra versão da historia você conhece? –ele perguntou curioso.
-Isso mesmo, pode nos contar; Kamus falou, fazendo manha.
-É uma longa historia; Aishi respondeu.
-Temos tempo, fique a vontade; os dois cavaleiros falaram juntos.
Aishi balançou levemente a cabeça para os lados, era melhor contar ou eles não lhe deixariam em paz depois; ela pensou, com um meio sorriso.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim, mas antes de ir preciso explicar uma coisa. A historia citada acima, é bem diferente da original, como a própria Aishi comentou. Essa citada aqui é o enredo de um musical americano, baseado na historia original de Salome e João Baptista. Digamos que uma versão bem mais romântica sobre os fatos verdadeiros.
Como minha área é mais mitologia, não vou me aprofundar nesse fato, queria apenas deixar claro a situação em que o personagem 'Aaliah' foi criado, digo, sua finalidade. Porque quando soube dessa historia, o primeiro cavaleiro que pensei em colocar numa situação parecida foi o Shaka, então, para aqueles que tinham curiosidade em saber porque a predileção do Afrodite pelo Shaka como genro, espero ter esclarecido.
Mas detalhe, Aaliah e Salome não tem nada em comum, apenas a historia da segunda, serviu como inspiração para a criação da primeira, para que fosse o completo oposto do Shaka e que acabasse dando um pouco mais de trabalho devido a personalidade e a historia em si que ela fosse representar.
No mais, muito obrigada a todos que acompanham essa fic e ainda perdem um tempinho comentando, valeu mesmo pessoal.
Kisus
Já ne...
