Nome: Sparks

Autor: Skay Grey

Status: Em Andamento

Tipo: Slash

Shipper Principal: Draco/Harry

Censura: NC18 - Imprópria para Menores de 18 Anos

N/A: ESSE CAPITULO NÃO FOI BETADO!

Sparks

Capitulo – 14

Eu te ouço vir mais próximo

Eu ouço-me mas não compreendo

Eu te ouço vir mais próximo

Eu ouço você mas não compreendo

Pobre de mim, eu estou flutuando ao mar

Oh não deixe-o acontecer, vamos tentar

Pobre de você, oh você que vai fazerTrechos de: Pour Me - Pobre De Mim – Coldplay

Na manhã do dia seguinte Harry estava um verdadeiro bagaço.

Levantou-se com os olhos inchados como sabia que estaria por ter chorado tanto e segurou-se para não continuar afogado-se nas próprias lagrimas.

Enfiou-se de baixo do chuveiro e por lá ficou um bom tempo. Como o esperado, o banho o fez sentir-se um tanto melhor, embora ainda estivesse arrasado.

Não comeu nem bebeu nada, estava sem a mínima vontade.

Usava um trapo que chamava de pijama, já que não sairia de casa um bom tempo.

Um conjunto azul, agora muito puído, que Ron e Hermione lhe presenteara a anos atrás o fazia sentir-se de alguma forma menos solitário.

Jogou-se no sofá sentindo o corpo pesado e reconheceu que estava deprimido.

Sentiria falta de Ron e Hermione mesmo que não conseguisse dizer uma única palavra aos dois daqui a seis meses, quando ele tentaria acabar com sua vida novamente...

Ou não...

Harry pensou incoerente das próprias metas futuras, mas ele não se prolongou nesse pensamento. Deixaria para refletir sobre que rumo tomar mais para frente.

Por mais que estivesse muito magoado com os dois amigos e que fizesse realmente um bom tempo que os laços com ambos estivesse frio o sentimento de perda era enorme.

Ultimamente Harry não conseguia pensar em seu próprio suicídio ou em nada parecido que logo o rosto de Draco aparecia em sua mente.

Uma coruja chegou com o jornal matinal, mas ele não se deu ao trabalho de ler.

Sabia de cor e salteado o que estava na capa.

Um bom tempo depois jogado no sofá, sua lareira apagada encheu-se de chamas verdes translúcidas, se acalmando em seguida.

Como sempre, Draco entrou sem ser convidado.

Fazia de propósito. Ao que tudo indicava Harry odiava esse seu comportamento.

- Oh... Você não estava viajando? – Disse o moreno surpreso, com a voz rouca.

- Sim, mas tive que retornar. – Draco limpou a capa com sua varinha, fitando Harry com um olhar malicioso em seguida. - Como seu namorado fictício eu não sabia que a minha foto estaria estampada na primeira pagina do Profeta Diário abaixo da manchete:

"Casal do Ano"

Harry deu de ombros, embora se importasse.

- Não é o que você queria? – Questionou, de olho nas reações do loiro.

- Sim. – Draco admitiu, encarando Harry. - Não deixa de ser publicidade e isso é ótimo para os meus negócios.

- Mas, - continuou o loiro, que não estava ali por que realmente queria fazer uma visita cordial ao moreno. Draco queria explicações. Todas as explicações possíveis. - por que esperou que eu virasse as costas para propagar a noticia pelo jornal? Achei que você estivesse terrivelmente desgostoso com o nosso pequeno acordo e mais puto ainda por causa da nossa deliciosa farsa.

Draco não deveria ter usado a palavra deliciosa.

Simplesmente escapou. Mas ficou aliviado de que Potter estivesse tão deprimido que não notou que ele se atrapalhou com as palavras.

- Eu não li, eu estava lá, então mais do que ninguém sei o que realmente aconteceu. Você leu a manchete inteira por acaso? – Harry perguntou, interessado na opinião de Draco. De repente, sem saber o por que isso realmente era relevante.

- Sim eu li a reportagem na integra. Fazendo uma rápida síntese diz que você foi a um restaurante com seus amigos, teve um desentendimento com eles e gritou aos quatro ventos o nosso tórrido relacionamento! – Um sorriso torto, inclinado para o mal, surgiu no rosto sarcástico do loiro. Harry estava cheio de ter maus pressentimentos, mas aquele sorriso não podia significar nada decente.

- Não foi assim que as coisas aconteceram Malfoy. – Defendeu-se, arrependido de não ter lido a noticia. Sabe se lá Merlin quais os pontos de sua briga com os amigos o jornal havia distorcido.

Pelo ar presunçoso e extremamente irritante de Draco, o Profeta Diário provavelmente desfigurou suas palavras até que ele parecesse uma maníaco sexual, mantendo originalmente somente os pontos mais picantes de suas frases em relação ao loiro.

- Então, como foi que as coisas aconteceram Potter? – Draco perguntou com a voz suave como manteiga, fingindo-se de paciente. Ainda sorria torto para irritar mais ainda Harry.

O moreno abriu a boca para responder quando Draco perguntou mais docemente.

- E que história é essa de orgias com prostitutas Potter? Achei que meu hipotético namorado era um maldito puritano, mas estou surpreso com você! Devo lhe dar os parabéns por isso!

Se Draco não tivesse total controle de suas emoções, já estaria rolando no chão com lagrimas saltando dos olhos de tanto rir com a reação de Harry.

- Merlin amado! Não me peça para explicar isso também. – O moreno corou violentamente antes de soltar um gemido sôfrego, afundando o rosto nas mãos de tanta vergonha que estava sentindo.

O loiro poderia lidar muito bem com as caretas engraçadas de Harry Potter, ou o modo como ele corava de vergonha, que trazia secretamente uma intensa sensação de satisfação a Draco.

Infelizmente, depois de seus pesadelos, o loiro tinha uma baixa tolerância aos gemidos de Harry.

Seu corpo reagia a isso, era uma fraqueza que estava fora do seu domínio.

Se em pesadelos ouvir esses gemidos já era ruim, ao vivo e a cores se tornava um tanto pior.

Para seu auto-conforto ele pelo menos conseguia camuflar os arrepios que percorriam o seu corpo inteirinho, ajeitando as veste em um gesto elegante.

Desde que Harry não ficasse gemendo a cada cinco minutos ele não passaria por desajeitado.

Visto que Harry queria se transfigurar em uma ostra só com o poder do pensamento, Draco continuou a persuadi-lo.

- Eu não estou pedindo. Estou exigindo, consegue perceber a diferença Potter?

Harry deu-lhe uma mirada assassina antes de começar a falar:

- É um assunto particular a qual...

- Todo os bruxos do Reino Unido sabem. – Draco o interrompeu completando a frase de forma diferente. Estava curioso a respeito desse fato e não ia simplesmente pular a questão por que o moreno não se sentia a vontade.

Não era problema dele que Ronald Wealey dissera a plenos pulmões, publicamente que Potter contratara tais serviços.

- Belo assunto particular, - debochou o loiro. - você e seus amigos sabem guardar segredos como ninguém!

Mas Harry não moveu um músculo se quer para suavizar seu semblante homicida, então Draco tentou outra abordagem mais suave.

Se fosse com ele não funcionária, obvio. Mas como Potter era dado a sentimentalismo e cortesia, era bem provável que cederia.

- Olha. – O loiro falou pacientemente, com a voz em uma freqüência constante e respeitosa. - Se vamos fazer isso funcionar pelo tempo que for necessário, eu preciso saber exatamente o que houve. Somos íntimos agora você esqueceu?

Harry continuou o perfurando com o olhar. Instantes depois mesmo que o moreno ainda avaliasse Draco já demonstrava sinais de fraqueza mordendo minimamente o canto dos lábios enquanto considerava a idéia de responder a pergunta.

Draco já estava convencido que criaria raízes no chão quando Harry respondeu:

- Tudo bem. – O moreno respirou fundo, sem ter total convicção mas, compactuando. – Já que não tem outro jeito mesmo de você saber a verdade...

Draco quase sorriu por sua insignificante vitória, mas segurou-se firme.

Seu rosto era uma mascara insolúvel, congelada estrategicamente para não revelar qualquer tipo de emoção que traísse seus propósitos.

Até o presente momento, funcionava com perfeição.

Harry remexeu-se no sofá desconfortável.

Draco parecia um busto de marfim disposto a cerca de sua lareira, servindo como um adorno de tamanho real para a pobre decoração de sua sala.

O moreno percebeu que o loiro trocava quase que imperceptivelmente o peso do corpo de uma perna para outra enquanto se mantinha sólido esperando por sua resposta.

- Senta Malfoy, eu já volto. - Harry levantou-se em um pulo, e se pôs a caminhar. O convite para se acomodar resolvia o mal estar de Draco, mas em troca o moreno lhe causaria um pouco mais de expectativa.

- Você quer chá ou café? - Harry gritou da cozinha.

- Chá. – Malfoy respondeu secamente. - Estou proibido de ingerir cafeína, graças a crise cardíaca que me fez ser hospitalizado.

Harry engoliu seco.

Maldito seja! Que memória de penseira Malfoy tem! Bom, é uma experiência quase morte também não é algo que se possa esquecer tão facilmente...

- Então... Chá não é? Certo. – Harry agiu como se tivesse amnésia.

Menos de cinco minutos depois o moreno trouxera duas xícaras em formato de personagens de desenho animado.

A sua com café era o Homem Aranha e a que ofereceu ao loiro com chá era o Batman.

Draco quase revirou os olhos, embora soubesse quem estava sendo retratado nas xícaras.

Só Potter para ter um gosto tão estrambótico para louça!

Inegavelmente, o cheiro de mel em seu chá lhe agradou e olhando bem de perto, Malfoy achou sua xícara simpática e um tanto charmosa, ao modo mais bizarro do elogio.

Bebericou o liquido fumegante, sentindo um leve sabor de limão misto com o mel ao fundo, assim como apreciava.

Sem saber como, Potter tinha oferecido o liquido na medida precisa ao gosto de Draco, enfraquecendo as reservas do loiro.

O moreno permaneceu silencioso em seu assento, provando seu café enquanto assistia o semblante do outro suavizar-se após dar dois goles com gosto no chá.

- Não enrola Potter. – Draco deu mais um gole mantendo a xícara perto dos lábios.

Harry que estava quase entrando em transe com a estranha sensação de ter agradado Draco, enfim, acordou e começou a falar.

- Eu fui almoçar com Ron e Hermione. Eu já tinha idéia de que um dos dois me perguntaria a respeito dos boatos que estavam rolando pelo ministério. Quando eu confirmei não esperava que o meu melhor amigo quisesse partir a minha cara e no meio do processo começasse a berrar uma série de absurdos, inclusive meus segredos... Simplesmente as coisas saíram fora do meu domínio.

- Deixe-me adivinhar o resto Potter: a Granger ficou com cara de pastel depois desatou a chorar como uma desesperada. O homem tocha tentou socar você e não fez isso por que a Granger que obviamente manda nele, não deixou e você em vez de tirar proveito da situação e sair por cima, atacou seu amigo e saiu arrasado como uma garotinha órfã.

- Esquecendo a parte da garotinha órfã você meio que acertou. – Harry deu um outro gole em seu café impulsionado pela avidez com que Draco bebia de sua própria xícara.

- Sou bom nisso. – O loiro sorriu de forma oblíqua, vangloriando-se.

- Assim como é bom em ser humilde. – Harry retrucou ironicamente.

- O fato não é esse. – Draco reclamou. - Agora que a merda esta feita, precisamos de uma estratégia que não seja discreta para sobrepor essa noticia. Não quero o meu nome rolando ao lado de palavras como prostituta.

Malfoy ainda não tinha desistido de saber a respeito das garotas, por que ele duvidava sinceramente que fossem garotos, que Harry Potter havia contratado para serviços sexuais.

Abordaria o assunto seguidamente, fazendo com que o moreno cansasse de fugir e lhe dissesse a maldita verdade sobre.

Harry depositou a xícara no chão antes de soar indignado.

- Ué! Foi você quem disse: dei-lhes o melhor Potter! E eu dei oras! – Retrucou.

- Se isso é o seu melhor, você esta perdido. – Draco respondeu sinceramente. Se a conversa fosse cara a cara com o loiro, Ronald e Hermione precisariam de um tratamento psiquiátrico depois para se recuperarem.

- E o que você sugere então? – O moreno cruzou os braços esperando a resposta.

Draco ergueu as sobrancelhas loiras de forma desafiadora.

- Vamos fazer uma extraordinária aparição Potter! – Terminando o seu chá, Draco desejou que a xícara fosse maior.

Aquilo estava realmente bom!

- Como... Como um... Casal? – Harry descruzou os braços rapidamente, inclinado o tronco para frente com os olhos verdíssimos ligeiramente saltados.

- Exatamente isso. – Draco depositou sua xícara vazia ao lado da de Potter ficando em pé. - Vamos fazer compras e almoçar juntos a onde TODOS possam nos ver! Assim que os repórteres colocarem os olhos sobre nós, a noticia vai mudar de forma.

- Nem pensar Malfoy! – O moreno reagiu bruscamente em negativa.

O plano de Draco estava ficando fora de controle e Harry não conseguia para-lo.

Primeiro era para chocar o ministro, depois era para ser boato e agora ele teria que se expor ainda mais, aparecendo para quem quisesse ver, pintando de namorado de Draco Malfoy.

Aquilo só podia ser um terrível pesadelo!

- Você não quer se vingar Potter? Calar a boca de todo mundo que anda falando pelas suas costas que você é um bissexual promiscuo que contrata prostitutas? Então, não tem maneira melhor. Supostamente você namora comigo, uma pessoa séria, com um caráter duro e uma personalidade notável. Assim que acharem que a nossa relação não se resumi a sexo somado a orgias particulares de sua parte, todo esse burburinho perde a graça. Eu conquisto clientes para o meu novo empreendimento e você volta a ser simplesmente o mesmo cretino adorável de sempre! Não serei o corno e você não será o canalha que salvou o mundo! Perfeito!

Como um plano sem sentido poderia ter aquele teor de lógica Harry não sabia, mas reconheceu os argumentos de Draco assim que detectou as palavras: prostitutas, promiscuo e orgias.

- Esta bem Malfoy, mas... Você não vai me beijar de novo não é? – O moreno o olhou de soslaio, desconfiado.

- Se for necessário... – Draco deu de ombros, como se fosse um risco a correr. - Eu acho que andar de mãos dadas já é suficiente.

Maldita tara por mãos!

Se ao menos o cretino tivesse mãos horrorosas!

Mas não! Precisava ter aquele tipo de mão?

Por Morgana! Sou um fraco mesmo!

Da onde tirei a idéia néscia de andar de mãos dadas com Potter?

Estou ficando maluco! É isso! Maluco!

Harry que não estava mais contente que Draco gemeu novamente despertando o loiro de seus devaneios, fazendo-o ajeitar as vestes para esconder mais um arrepio.

- Oh céus! Eu morri e fui para o inferno! – O moreno reclamou.

- Não, você esta aqui, bem vivo para nosso desgosto. – Draco sorriu sarcástico, para provocar Harry.

Malfoy deu uma bela olhada examinadora em Harry, dos pés a cabeça.

O moreno sentiu-se nu com a avaliação aberta do outro.

- Se troque. Você esta com uma aparência horrível Potter. – O loiro ordenou de olho no pijama gasto de Harry. - Vou deixar a lareira conectada. Da mansão, vamos pegar uma das belas carruagens a minha disposição. Chegaremos ao Beco em grande estilo.

O moreno continuou sentado, vendo Draco caminhar até a lareira.

Precisavam estabelecer alguns limites para essa pantomima toda entre eles.

Não é só por que tinham um acordo que Malfoy começaria a trata-lo como bem quisesse.

Harry não se lembrava de transigir de livre espontânea vontade que Draco o...

beijasse o abraçasse...

Tão pouco se sentia a vontade de andar de mãos dadas com o loiro!

- Malfoy, - Harry chamou a atenção para si com a voz firme. Draco parou seu andar, virando-se nos calcanhares para olha-lo fixamente. - Promete que não vai inventar para ninguém nada sexual ao nosso respeito? Prefiro morrer e matar você junto ao ter que passar por outro escândalo de novo!

Draco simplesmente revirou os olhos, bufando em seguida.

- Não prometo nada e devo lembra-lo, novamente que você não esta em condições de exigir qualquer coisa nesse acordo. Eu vou conduzir as coisas e ponto, você gostando ou não vai funcionar dessa forma. Eu o alertei que era pegar ou largar, ninguém o forçou a aceitar. Você é livre para desistir a qualquer momento. É claro que terá que arcar com suas responsabilidades quando a verdade vier a tona, então pense bem a respeito e para de me encher o saco com isso! – A voz inexorável de Draco demonstrava que ele não estava nenhum pouco inclinado aos pedidos de Harry, mas acabou explicando-se melhor da mesma forma.

O loiro resfolegou, para manter o tato.

Lentamente trabalhava para conseguir uma tênue e movediça trégua com o moreno.

Não queria que isso se fosse por que ambos sabiam como transformar a vida do outro num inferno, por tanto era melhor manter esse respeito forçado do que voltarem a trocar socos novamente.

- Escute Harry. – Draco o chamou pelo primeiro nome indubitavelmente, para que o moreno se sentisse seguro e não desistisse do acordo entre eles, contando a verdade para todos sobre não haver nada entre eles.

- Antes de mais nada eu sempre levo em conta que a minha educação realmente depende da educação dos outros, - o loiro continuou. - então se ninguém mencionar nada a esse respeito eu também não o farei. Se eu for forçado a isso, por que não é um grande prazer assumir um relacionamento com alguém que eu não preso, eu vou agir na medida certa, não se preocupe.

Harry encarou Draco como se ele fosse um alienígena ameaçando o planeta, vindo de outra dimensão com seus tentáculos gigantes e gosmentos para aniquilar a raça humana.

- Eu defendi você sabia? Eu sei que não deveria, mas eu realmente defendi você com toda as minhas forças ao sustentar essa mentira e inventar uma outra falando o quanto você é perfeito para mim e me fazia feliz! – Harry apontou com raiva, mas no fundo misturava as palavras de Draco as acusações de Ron que ecoavam em sua mente e isso mais o magoava do que lhe aumentava o sentimento de injustiça.

Malfoy realmente não esperava por esse ato altruísta.

Sabia que Harry era todo sensível, mas não tinha idéia de que o moreno fosse além de todas as expectativas inimagináveis ficando contra seus amigos e a seu favor.

Pela manchete do jornal Draco subentendeu que Harry havia discutido com seus amigos por assumir que tinha uma relação física impetuosa com ele.

Não tinha noção que Harry estava brigando com unhas e dentes para resguardar um romance açucarado de arrancar suspiros.

Merda! Por que Harry tinha que bancar o bom mago para cima dele?

Draco sustentou o olhar do moreno por varias segundos silenciosos.

Sentia-se um imbecil por não ter previsto que Harry agiria dessa forma.

Era obvio que ao contar para os amigos ele diria que estava namorando e que era sério, não combinava com os pensamentos do moreno um ato mais arrojado e indecoroso.

Tentou se explicar novamente, mesmo que não precisasse.

Mas não gostava que Harry o olhasse daquela forma estranha.

- Potter, o meu plano consiste em um golpe publicitário brilhante. Quando propus isso foi por que resolvi transformar os meus problemas com você em vantagem. Além do mas, não fui eu que gritei a plenos pulmões em um restaurante que meu suposto namorado tem um corpo deliciosamente perfeito e ainda por cima é um Deus Nórdico na cama, ou que eu faço você beirar a inconsciência quando transamos!

- Você é quem sugeriu que eu respondesse isso para as pessoas! – Harry resmungou visivelmente ofendido, remexendo-se no assento.

- Não é mentira de todo. – Draco sorriu torto com o ar puritano do outro que corou novamente. O loiro divertia-se muito com as caretas de Harry. Talvez, só talvez por isso gostasse tanto de provoca-lo. – Então não se sinta culpado. Encare isso como uma meia verdade. A parte da mentira é que você não provou para afirmar com tanta propriedade.

Foi a vez de Harry rolar os olhos indignado.

- Exato Malfoy. Nós nunca fizemos isso e você sabe que nunca vamos fazer! Por tanto, tudo isso é mentira sim! E das piores! – O moreno resfolegou irritado. - Mudei publicamente a minha orientação sexual, disse que fiz coisas que eu não fiz, menti para meus amigos, fui insultado e insultei e Ron expôs aos berros o único segredo que fiz questão de guardar. Praticamente quando confirmei nosso namoro para o restaurante inteiro ouvir, defendendo até o seu ultimo fio de cabelo loiro foi como se tivesse trocado de identidade e ninguém mais conseguisse me enxergar como Harry Potter, além de você é obvio. – O moreno gesticulou mordendo o canto inferior da boca em um burlesco sinal de culpada mal encoberta.

- Relaxe esta bem, você é o mesmo, infelizmente. E daí que só nós dois sabemos desse sórdido segredinho Potter, por hora não é o suficiente? – Draco lembrou-o com uma postura cínica. - Então a partir de agora, comece a se entreter com isso, ou as coisas se tornaram muito mais tenebrosas! Você tem seis meses muito árduos pela frente antes de alcançar seu grande objetivo. Se acostume com o que esta vivendo e agradeça a todos os grandes magos por eu ser compassivo!

- Compassivo Malfoy? Céus... Mal posso esperar para me ver livre de você! Quando ganhar a alforria estou considerando a hipótese de envenena-lo ou enfiar-lhe uma faca na garganta, ainda não me decidi por que estou a procura da morte mais lenta para lhe causar o maior tempo possível de sofrimento. – Alfinetou Harry, mas falava com o excesso de ressentimento deixando nítido que as palavras eram tão falsas quanto uma moeda de quinhentos galeões.

Harry fez menção de se levantar, mas Draco aproximou-se do sofá, impedindo sua passagem.

- Eu sei. – O loiro alargou os lábios de um jeito libertino, fitando Harry bem nos olhos se inclinando um pouco mais em sua direção. - Isso tem me motivado bastante. Tem feito-me conceber idéias muito interessantes, para tornar o nosso joguinho em algo muito, mas, muito divertido.

- Cretino. – Harry assobiou entre os dentes, desconfortável com a proximidade de Draco.

- Obrigado. – O loiro ergueu a sobrancelha de um jeito sardónico vendo Harry encolher levemente os ombros.

Para provoca-lo, Draco se inclinou ainda mais, virando a cabeça, quase colando os lábios no ouvido de Harry para sussurrar com seu hálito de canela, exalando sua respiração quente e sensual.

- Ah, só para constar. – O loiro murmurou, percebendo que Harry estava petrificado no assento, mas completamente arrepiado. - Se eu realmente tivesse a intenção de levar você para a cama, para transformar essas inofensivas mentiras em completas verdades, satisfazendo sua consciência e sua curiosidade a essa altura você estaria implorando por mais...

O loiro virou-se caminhando com elegância, lentamente até a lareira.

Harry não pode ver o rosto pretensioso de Draco ao chegar nas chamas, mas tinha praticamente certeza de que o loiro sorria o mais perverso dos sorrisos.

- Claro! – O moreno ainda tentou dizer ironicamente, mas nem ele conseguia convencer-se do seu tom. – Você não percebeu ainda mas, eu fiz um sortilégio que coloquei na sua cueca, não agüento mais esperar para que faça efeito e você transe comigo até me matar! Isso é tudo o que eu sempre quis!

- Cuidado com o que deseja Potter, - ainda de costas, Draco apoiou uma das mãos na borda da lareira, preparando-se para entrar nas chamas. - ou pode acabar se tornando realidade.

Harry teria respondido se tivesse recobrado a fala antes do loiro deixa-lo só na sala, com a boca aberta, completamente sem ação.

Bem que tentou, mão não havia como ganhar de Malfoy, aquele ser persuasivo, manipulador e terrivelmente dono de si quando o tema era ser diabólico, seguramente sensual e depravado.

Sem escapatória, o moreno subiu as escadas já com os pensamentos no que deveria vestir.

Se ia aparecer com Draco Malfoy em publico, com a intenção de mostrarem uma bela imagem de casal apaixonado, precisava concentrar-se no melhor do seu guarda-roupa.

Não queria fazer feio de jeito nenhum, por tanto era crucial que estivesse mais que bem vestido, por que com certeza isso era um dom natural do loiro.

Assim que chegou no quarto e abriu o guarda-roupas teve uma sensação de insegurança tremenda, como se nenhuma das suas opções fosse suficientemente boa para deixa-lo em pé de igualdade com Draco.

Harry coçou a nuca, fazendo uma careta desgostosa.

O quanto antes deveria se desfazer desse tique, sem que arranjasse outro, é claro.

Fitou suas roupas por mais um instante sentindo-se estranho.

Toda aquela sua agitação tinha um "q" de encontro.

Acometido por uma onda forte de excitação em relação ao inesperado começou a rir de puro nervoso.

Harry considerou a sugestão de Malfoy.

Talvez se levasse as coisas de forma mais divertida, sofreria menos e logo os dias teriam voado, se deixasse de ser politicamente correto o tempo todo para o exemplo de todos etc. etc. e tal.

Quem sabe não descobriria em toda essa experiência um modo melhor de conduzir sua vida? Até aquele momento seus esforços anteriores fracassaram miseravelmente, talvez algo mais radical fosse exatamente o que precisava para as coisas darem certo.

O riso foi abrandando e o rosto do moreno se congelou em um semblante leve, com a nova e mais estranha perspectiva.

Não havia nada mais absurdo para Harry Potter do que escolher sua melhor vestimenta em toda o seu guarda-roupas para dar uma volta de mãos dadas com Draco Malfoy, seu suposto namorado sério, no lugar mais bruxo do Reino Unido: o Beco Diagonal.

Dentre todas as coisas extravagantes e estapafúrdias que já havia feito, nada podia deixa-lo mais energizado.

Draco simplesmente o confundia em todos os aspectos.

Harry suspirou, murmurando em seguida:

- Se não pode contra eles, junte-se a eles!