Muse – Knight of Cydonia
E como podemos ganhar
Quando tolos podem ser reis
Não desperdice seu tempo
Ou o tempo vai desperdiçar você
Darkness
Capitulo 14
Eles estavam sempre assistindo do galho mais alto da árvore da vida. Mas, quando se é imortal, tudo ao seu redor se torna facilmente tedioso. Foi assim que aquela aposta tinha começado. E eles se divertiam com isso. Com os jovens tolos apaixonados. O anjo e o demônio observavam com curiosidade, e era em momentos como aquele que as pessoas se lembravam de que os dois eram sementes do mesmo fruto.
Sasuke foi o primeiro a acordar. Sua cabeça martelava, sentia sua pele grudenta, e por um instante pensou que fosse suor. Quando tentou levantar a mão e viu que os pulsos estavam atados, as memórias, do momento anterior à inconsciência começaram a voltar.
Estava beijando Sakura. Sempre Sakura, atormentando suas noites e enlouquecendo seus dias. Ela era linda, e mesmo sabendo do seu cruel segredo, não conseguia parar de desejá-la. Ele esteve tão, tão perto. Tinha sentindo a pressão dos corpos e o raro momento de descontrole dela, quando ela olhou diretamente para os seus olhos, indo contra todos os princípios de sua organização.
Como qualquer outra estudante da Konoha High, ela o queria. Não era uma questão de ego. Só o fato dele se manter distante e sua postura dominante sobre as coisas. Aquilo atraía a atenção das mulheres. Elas se sentiam desafiadas. Ele estava em um lugar muito distante, e poucos conseguiam alcançá-lo.
Na noite anterior tinha sonhado com ela. Com o contorno do seu corpo a luz da lua, de velas e do dia. Viu nela, pela primeira vez, uma rival ao seu nível. Alguém que sabia o que realmente acontecia no submundo da cidade. Sakura entendia que o mundo em que viviam era bem mais complexo do que parecia.
Ela era uma feiticeira, uma bruxa, uma sacerdotisa. E ele queria cada parte dela.
Levantou a cabeça, e os olhos tentaram se estabilizar a luz forte. As paredes, o chão e o único móvel, uma mesa, eram todos brancos. Tinha o efeito desejado. Desnortear e causar a perda de tempo e espaço.
Sakura não estava em nenhum lugar próximo. Não sabia quem ou com o que havia sido nocauteado. Existia uma variedade de opções. Tinha ido para o meio do nada, e aquela casa abandonada poderia fazer parte do patrimônio de alguém. Poderia ser alguém passando, os visto cobertos de sangue e achado que de alguma forma ele estava a machucando. Darkness, aquele bando de mulheres presas pela maldição. E, é claro, ele jamais poderia descartar a ideia da Akatsuki estar envolvida. Pain tinha seus próprios interesses, e Sasuke não duvidava que se ele fosse um obstáculo, seria facilmente tirado do caminho.
Ele fechou os olhos por alguns minutos e, antes que percebesse, novamente, tinha pegado no sono.
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Tsunade levantou o rosto da mesa e sentiu o mundo inteiro girar. A sensação era estranha, uma vertigem e dor muscular. Ela piscou e olhou para o seu escritório vazio, para os raios de sol saindo pelas frestas da cortina.
Olhou para o seu reflexo na mesa de vidro. Suspirou, olhando para o losango de sangue na sua testa. Ao passar o dedo sobre a marca soube que ali ficaria uma pequena cicatriz. Sabia o que era aquilo. Por mais que tivesse sido preparada desde criança, a história que ouviu sua mãe contar milhares de vezes se transformando em realidade a deixou em pânico.
A Lua de Sangue acontece praticamente de cem em cem anos, com raras exceções o ciclo se quebra. Sabia que aquilo era por causa de sua neta. A lua se tornando vermelha era o primeiro sinal da maldição. Ela tinha seus picos, mas só o fato de Sakura estar lá com elas, e possuir a mesma idade de quando tudo aquilo havia começado, fazia com que mais e mais sinais aparecessem. Um mais intenso do que o outro.
O dia que ela nasceu, talvez, fosse o pior de todos. Sua filha tinha tido Sakura em casa, e dormia profundamente quando aconteceu. Todas elas lembraram. Um sonho conjunto sobre uma mulher abençoada pelos Deuses tendo a visão do massacre. Sacerdotisas deveriam se manter puras para obter a clareza das linhas do futuro. Sakura ter sujado suas mãos de sangue era um sacrilégio. Ia contra todas as leis de pureza aplicadas naquela época. Elas viram a garota matar um homem que invadia seu santuário, viram-na lutar, e viram-na em sua fase mais sombria.
Naquele dia souberam que a Escuridão tinha voltado para guiar todas elas.
Tsunade se levantou, caminhando até um armário no outro lado da sala. Agachou-se e pegou uma garrafa de saquê, bebendo direto do gargalo.
A Lua de Sangue sempre trazia a memória mais tenebrosa de todas suas vidas. A que mais partira seu coração. Não ficou surpresa ao lembrar-se de Dan, em uma época diferente, com outro nome. Tinha certeza que era a primeira guerra mundial. Ela estava usando roupas de enfermeira, o branco do uniforme coberto pelo vermelho do sangue dele. Fizera massagem cardíaca, e tinha tentado conter o sangramento, mas sem resultado, ele estava todo coberto de buracos de bala. Tinha morrido nos seus braços, e todos os anos que passara estudando o corpo humano não lhe serviram para nada.
Não gostava de olhar para trás. Fazia com que todas as suas conquistas fossem inúteis se comparadas às perdas. Esperava que aquilo terminasse logo. Já não tinha paciência para aquela vida de fatalidades.
Deitou-se sobre o tapete felpudo e fechou os olhos, esperando que a tontura acabasse logo.
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Tinha uma música que não saía da sua cabeça. Era Für Elise, do Beethoven. Quando criança, sua mãe lhe levava em aulas de balé, e de todas as peças que ensaiavam, aquela era sua preferida.
Lembrava que quando chegava em casa, queria mostrar cada passo para ela, e sempre gargalhava daquele jeito infantil quando sua mãe conseguia copiar seus movimentos. Era como se mágica finalmente tocasse o mundo.
Não sabia por que estava se lembrando dela. A maioria das suas memórias era antes dos seus cinco anos. Conhecia Kurenai melhor que a mulher que lhe dera a vida. Talvez fosse a sensação de que, aos poucos, sua alma estava flutuando para longe do corpo. Correndo para o rosto borrado que sempre estava sorrindo e abria os braços cada vez que a via.
Depois de onze anos, Sakura se deixou desejar que ela estivesse ali. Pois sabia, quando abrisse os olhos, seria para o pesadelo do mundo real.
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Alguém chutou suas costelas, e ele grunhiu. Se seu corpo estava doendo antes, agora a agonia só se multiplicava. Um chute se seguiu de outro e Sasuke abriu os olhos para se cegar mais uma vez com a luz forte.
- Sasuke-kun... Tsc, tsc. Você me decepcionou tanto. – A voz disse, cheia de fúria e sarcasmo. – Eu entendo. É difícil resistir àqueles olhos grandes e verdes. Elas são treinadas para seduzir e matar desde pequenas, sabia? Uma pena, eu imaginava que você não cairia nas garras dela tão fácil.
Começou a sentir sangue nos seus lábios, e as feridas que mal se fecharam se rasgavam mais profundamente.
- O que você sabe, Sasuke-kun? O que ela te disse? – O golpe que se seguiu foi pior que os anteriores.
Quando ele finalmente conseguiu ligar a voz a um rosto, abriu suas pálpebras, só um pouco, e viu Pain com um cano cheio de pregos. Ele não lhe dava tempo para falar. Algo tinha motivado toda aquela ira, deveria haver algo por trás de todo o ódio que ele sentia em relação àquelas mulheres. Esse desprezo não fazia sentido, ninguém se perde em um estado de loucura como aquele sem uma razão.
Os golpes pararam e Sasuke escutou a tranca da porta, o arrastar contra a madeira e uma luz mais fraca colorindo o quarto branco.
- Ela está acordando. – Konan disse.
Ela não parecia surpresa em vê-lo sangrando. O Uchiha não sabia toda a história por trás da traição dela. No começo tinha suposto que era por amor ao líder do grupo, mas não. Konan e Pain não se encaravam como pessoas apaixonadas, ao menos não na frente deles. Todos os integrantes da Akatsuki tinham algo que os motivava a estar lá. Desde sede por conhecimento ao desejo de vingança.
Sasuke não era diferente. No entanto, tinha se envolvido mais por ganância do que pela promessa de ajudar Itachi. Todos eram humanos e tinham seus defeitos e franquezas, não era uma exceção.
Pain olhou mais uma vez para ele, e suspirou em frustração. Agarrou-o pela camiseta, tirando seus pés do chão. Sorriu daquela forma irritada.
- Não acabamos ainda, Sasuke-kun...
Jogou o corpo do garoto contra a parede. E, mais uma vez, Sasuke sentiu a escuridão lhe tomar.
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Naruto não tinha ideia de como havia parado ali. Na noite anterior tinha saído com Kiba e Gaara, para uma das piores partes de Tóquio. Ele precisava se sentir livre.
Em algum ponto da noite eles se separaram, e seus pés se arrastaram pelas calçadas, sem rumo. Talvez devesse ter medo, ou ficado preocupado. Mas seu corpo lhe guiava enquanto sua mente vagava por um mundo desconhecido.
Naruto estava acordado quando aconteceu. Ele caiu de joelhos em algum beco no centro da cidade. Suas mãos seguraram a cabeça e ele escutou vozes lhe chamando de demônio. Viu uma fogueira, e uma mulher correndo em sua direção com o rosto vermelho e uma fúria anormal nos olhos.
Hinata.
O que estava acontecendo e como ela veio parar na sua mente, ele já não sabia. Mas a maneira que ela segurava as saias de um vestido muito pesado, algo que não se via naquele século, há não ser em peças de teatro. O sol entre as nuvens tocava o seu cabelo e fazia-a parecer uma Deusa de outro tempo. E, naquela visão/sonho/memória, ele sentia que a amava profundamente.
Naruto não entendeu. Havia a visto poucas vezes na Konoha High, e geralmente a garota assumia uma postura tímida. Ele percebeu que ela era acostumada a receber atenção masculina, mas não parecia contente com isso. Enquanto Sakura era cheia de barreiras e dona de uma língua afiada, Hinata era doce e atenciosa, sempre medindo suas palavras.
Não soube de onde aquele pensamento veio. No entanto, sentiu que precisava achá-la. Precisava descobrir o que estava acontecendo. E, mais do que nunca, ele sentia uma vontade descontrolada, se não a beijasse em breve, sentia que seu corpo iria ceder e toda a luz do mundo iria desaparecer.
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Sentiu uma mão calejada no seu rosto. Contornando sua testa, suas maçãs do rosto e, por último, seus lábios. Conhecia aquele toque. E foi aquele toque que acendeu a chama da fúria no seu corpo, que levantou todas as barreiras que tinham caído. Abriu a boca e mordeu o polegar de Yahiko com força. Gemeu com a pancada contra o seu rosto.
- Vadia... – Ele grunhiu e ela sorriu para o seu rosto cheio de raiva.
- Já fui chamada de coisa pior. - Ela riu.
A verdade é que, era mais fácil agir daquela maneira. Como se ela não se importasse, como se não estivesse com medo, como se não ligasse para o que ele faria com ela. A Escuridão era fácil de abraçar. Por anos tinha deixado que aquele lado inusitado de sua personalidade viesse à tona. As pessoas acreditam no que os seus olhos enxergavam, e com Yahiko nunca foi diferente.
Estava amarrada em uma cadeira. A alça do vestido tinha caído dos ombros e a saia se enroscava em suas pernas. Seu cabelo caía em camadas pelo rosto, prejudicando sua visão periférica. Havia seis ou sete homens ao redor dela, não conseguia se virar o suficiente para terminar a contagem. Eles a encaravam a espera de algo. No entanto, entre todos aqueles rostos, dois se destacaram.
Konan, a traidora e Akasuna Sasori, seu meio-irmão.
Ela respirou entre dentes cerrados e viu que Yahiko analisava atentamente cada traço do seu rosto.
- Surpresa, Sakura-chan? – Ele perguntou.
Sua mãe tinha morrido pelas mãos do seu pai. Yahiko sabia disso, ela em sua ingenuidade tinha lhe contado, anos atrás. Sakura era uma bastarda, filha de um professor com uma aluna do segundo semestre de medicina. Sabia daquela história, tinha passado anos cavando para descobrir o que realmente acontecera naquele dia trágico.
Acontece que seu pai era um homem casado, tinha uma família e sua mãe podia facilmente arruiná-lo. Era um homem que gostava de ter tudo sobre controle. Mesmo depois de cinco anos tendo-a como amante, quando sua mãe disse para ele escolher entre suas duas famílias ele tomou uma decisão drástica. Ninguém tentava manipular um Akasuna. Para qualquer um que tentasse, as consequências seriam muito, muito graves.
- Saudades, omoto¹? – O ruivo perguntou, sorrindo.
Não se lembrava dele durante a infância. Logo depois do que aconteceu com sua mãe, Tsunade havia lhe mandado para o outro lado do mundo, e lhe escondido em um internato muito caro. O que ela sabia era o que sua avó tinha feito com seu pai. Ele tinha sido encontrado no centro de uma das praças de Tóquio, morto e com sinais visíveis de tortura. Nenhum suspeito tinha sido identificado.
Ela inclinou sua cabeça para a esquerda, como um pássaro. Um sorriso doce tomou conta dos seus lábios. Seus olhos percorreram cada detalhe do rosto masculino, repulsa preenchendo cada parte do seu corpo.
- Oh, está triste, Nii-san? Por Otou-san ter sido tirado de você de forma tão brusca, e Okaa-san cortando a garganta, não aguentando a humilhação de ter sido trocada por uma mulher mais bonita e mais jovem? Pobrezinho, deve ter sofrido tanto durante todos esses anos.
Sasori a agarrou pelos cabelos, encostando a testa na sua. Ele olhou dentro dos olhos dela, vendo uma tonalidade muito familiar. Quis deformar seu rosto o suficiente para que o sorriso arrogante sumisse, para que a diversão desaparecesse dos olhos.
- Eu vou fazer você sofrer, otomo. Você vai chorar, e implorar para que sua mãe morta venha buscar você.
Ela revirou os olhos. Afastou sua cabeça só um pouco, chocando sua testa com força contra a dele. Sasori cambaleou para trás, levando alguns fios do cabelo dela consigo.
Todos os presentes na sala contiveram suas expressões surpresas. Porque, lentamente, eles viram a mágica acontecer. O cabelo vivo se tornando negro e os olhos cor de jade se transformado no tom mais profundo de azul.
- Você vai precisar de bem mais que isso se quer me assustar, Nii-san.
Yahiko parou na sua frente, empurrando Sasori para longe. Ele novamente acariciou o rosto dela, e sorriu com tanta doçura, que o coração dela bateu mais forte, com a lembrança de quando aquele sorriso tinha um significado totalmente diferente.
- Isso não vai ser um problema, Sakura-chan. A noite é uma criança.
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N/a:
¹otomo: segundo o Google, é algo como "irmãzinha", o feminino para "otouto".
Pois é, estou aqui mostrando minha cara de pau! Haha. Faz mais de um ano que eu não atualizo Darkness, que vergonha. Vida de estudante universitária não é fácil minha gente. Ainda preciso arranjar um computador novo, nesse momento estou usando o da minha irmã. Ta triste isso. Mas, capitulo novo, que bom né?
Bom, não sei quantos capítulos Darkness vai ter, mas acho que em breve a fic vai estar concluída. Realmente, mil perdões pela demora em atualizar. Escrever e ler fanfics é uma coisa que eu amo fazer e estava morrendo de saudade, então estou e vou tentar atualizar o quanto antes.
Reviews, pretty please?
Muito obrigada, e beijões para todas vocês.
Sami.
N/b:
Hey people, como estão? Estavam, como eu, morrendo de saudades da fic? Estou muito ansiosa para ver o que vai acontecer com a Sakura e o Sasuke...
Mandem reviews w nos deixem felizes, please!
Beijos
Bela
