Capítulo 12
A morte pela Sobrevivência parte II.
Alunos, muitos ainda em roupa de dormir, entravam no salão Principal, estranhei, de fato todos deviam estar em suas cama, curioso me juntei a grande massa de alunos que entravam no salão, mas quando faltavam apenas um grupo de 10 alunos entrarem, e estes estavam em minha frente, vi que lá dentro não tinha os irmãos Carrow nem Snape, só membros da Ordem da Fênix e os professores. Recuei alguns passos e fiquei do lado de fora, as portas de carvalho não se fecharam, para minha sorte.
- Estamos oficialmente em guerra. – começou a velha professora, que desencadeou murmúrios por todo o salão – Você-Sabe-Quem está vindo, iremos evacuar a escola. A evacuação será supervisionada pelo Sr Filch e por Madame Pomfrey. Monitores, quando eu der a ordem, vocês organizarão os alunos de suas Casas e os levarão, enfileirados, ao lugar de retirada. – a professora discursou, e eu nunca achei Minerva McGonagall tão decidida em sua vida, mesmo em guerra tiraria seus alunos do campo de Batalha.
De onde estava pude observar Potter rodear o Salão, parecia estar procurando alguém, só então percebi que seus dois amigos não estavam com eles. Tentei observar a mesa da Grifinória, mas não achei seus amigos sentados na mesa da casa rival a minha. Nada. Meus pensamentos só pararam quando ouvi um silvo muito conhecido invadindo o salão Principal. A voz de Voldemort era tão clara que pensei que ele estivesse entrando no Salão, instintivamente minha mão voou ao bolso de minha calça, segurando a varinha.
"Sei que estão se preparando para lutar. Seus esforços são inúteis. Não podem lutar comigo. Não quero matar vocês. Tenho grande respeito pelos professores de Hogwarts. Não quer derramar sangue mágico… Entreguem-me Harry Potter, e ninguém sairá ferido. Entreguem-me Harry Potter, e não tocarei na escola. Entreguem-me Harry Potter e serão recompensados… Terão até meia-noite." A voz de Voldemort ecoava pelo Salão, e sabia que pelo castelo e quem sabe Hogsmeade.
- Mas ele está ali! Potter está ali! Agarrem ele! – a voz feminina não me era desconhecida, logo reconheci a voz de Pansy enquanto via os alunos da Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa se levantarem, fazendo uma barreira entre os Sonserinos e Potter. Patético.
- Obrigado Srta Parkinson – McGonagall disse seca – Será a primeira a deixar o salão com o Sr Filch. Se os demais alunos de sua Casa puderem acompanhá-la…
E assim que Minerva disse isso, Filch saiu escoltando Pansy, contudo fui rápido o suficiente para parar de divagar como Pansy estava ali e abordá-los.
- Solte-a, Filch – disse baixo, com a varinha já em mãos.
- Não pense que irei te obedecer, criança – desdenhou o velho com dificuldade.
- Solte-a agora ou então mato você e sua gata velha e fedida – ameacei colocando a varinha em sua garganta.
Contrariado, Filch largou o braço de Pansy e saiu resmungando, antes de quase ser atropelado pela massa de alunos da Sonserina saindo do salão; puxei Pansy para um canto.
- O que faz em Hogwats? – perguntei meio rude, ela não se importou.
- Ministério Francês. Investigação. Irmãos Carrow. – disse rapidamente fazendo uma careta de dor enquanto me puxava em direção aos jardins de Hogwarts.
- Depois você me explica isso direito… onde está me levando? – perguntei, sentia uma ardência em meu braço esquerdo.
- Não sentiu a Marca Negra queimar, Draco?
- Bom, acho que estou me acostumando com a dor – disse com um sorriso de lado enquanto deixava Pansy me guiar – Mas como sabe para onde devemos ir, Pan?
- O que você tem hoje, Malfoy? Está parecendo o Weasel de tão lerdo! – Pansy exclamou e eu fechei a cara, certo, ela tinha razão, mas a sensação de ter torturado Bellatrix era formidável.
- Vamos ver quem é lerdo – eu resmunguei, pegando em sua mão e correndo pela floresta negra.
Paramos de correr ao chegar no coração da Floresta Negra. Uma fogueira iluminava o local alem da luz da Lua. Voldemort e seus principais Comensais estavam ali, Bellatrix olhava-me mortalmente e eu apenas lhe sorri.
- Que bom que tenha decidido se juntar a nós, Draco – Voldemort disse cinicamente enquanto passava a mão em Nagini – E você também, Srta Parkinson. Eram os únicos que faltavam. – disse levantando-se da cadeira em que sentava.
- Mestre – chamei-o
- Sim, jovem Malfoy?
- Permita-me dizer que não acho provável lhe darem Potter – pausei e como Voldemort não me interrompeu, prossegui – Evacuaram Hogwarts, os primeiros, claro, foram os Sonserinos, os poucos Sonserinos que restarão lá, por serem maiores de idade, não conseguiram pegar Potter. Temos Comensais lá já duelando, mas o numero é inferior comparado ao de professores e alunos das outras casas que ficaram lá, precisamos de mais Comensais para duelarem contra os professores e assim deixarem o caminho livre para alguns Comensais de Elite pegarem Potter.
- Alguma outra sugestão? – Voldemort perguntou aos outros Comensais.
- Mestre, acho que deveríamos chamar já os gigantes, eles causariam um terror tão grande, que nos dariam Potter. – Bellatrix disse, me fuzilando com o olhar.
- Os gigantes – Voldemort repetiu – Faremos então as duas sugestões. Malfoy, pegue seu grupo de Comensais e tentem pegar Potter, não podemos deixar ele na escola por muito tempo – divagou – Nott, quero os gigantes agora! – mal terminou de ordenar e Nott havia aparatado – Preparem-se, quando der meia-noite invadiremos Hogwarts, primeira linha de ataque os Comensais normais, segunda linha, os gigantes e outras criaturas das trevas, terceira linha Comensais de Elite. Eu quero a maior carnificina de todos os tempos se à meia-noite Potter não estiver aqui. Entendido?
Assentimos todos. Pansy e eu aparatamos nos jardins de Hogwarts, na orla da floresta negra.
- Muito importante, Pansy. Vá à Londres, o ministério está sendo tomado, Michael está no comando. Vá para lá, vocês tem que dar um jeito de ninguém naquele Ministério sair, ninguém pode saber que o Ministério está tomado. Depois disso, chame Blaise e convoque todos os meus Comensais aqui, quero Hogwarts tomada por mim, eu quero os seis grupos de Comensais que eu treinei aqui em Hogwarts hoje, agora! Consegue fazer isso? Você tem 10min, Pansy – lhe ordenei, e Pansy apenas aparatou.
E assim que Pansy sumiu de minhas vistas, corri para o castelo. Eu precisava encontrar Potter, vivo, e nenhum outro Comensal poderia o encontrar. Ao entrar no castelo vi a confusão que já estava, Comensais estavam lá, lutando com professores e alunos, membros da Ordem derrotavam facilmente um Comensal e toda a Ordem estava lá.
Brandi a varinha contra um pirralho sonserino que achava que podia lutar nesta guerra, antes que o mesmo fosse morto por um Comensal. O menino arregalou os olhos quando viu o feitio vindo em sua direção, porem eu apenas o paralisei.
- Corra para as estufas se não quiser ter a pior morte que você poderia ter, fedelho – rosnei desfazendo o feitiço, quando estava próximo do mesmo; o menino assentiu tremendo e saiu correndo.
Olhei ao meu redor, Hogwarts estava desmoronando, havia virado um verdadeiro campo de guerra. Hogawrts, lar de todos. Meu lar. Hogwarts, que abrigava a todos, que fazia todos se sentirem bem. Hogwarts, acolhedora escola e lar. Qualquer um se sentiria honrado só de pisar no terreno da escola, lugar que nunca dei valor, lugar de sofrimento, mentiras, maldade; lugar de amor, carinho, felicidade, confraternidade, emoções. Hogwarts meu único lar. Hogwarts em pé depois de mais de mil anos, caindo, em guerra. Tão contraditória e bela, que a cada feitiço que derrubava um Comensal, mais triste e perseverante, dava esperanças para o lado da Ordem.
Por mais que eu ridicularizasse, Hogwarts era meu único lar, onde eu não era humilhado por meu pai ou por minha tia, onde eu não era submetido a cumprir ordens e sim onde eu ordenava. Onde eu conheci pessoas que sempre humilhei e descriminei, lar em que eu fiz coisas terríveis, eu era uma cobra naquele lugar, mas de alguma forma, de algum jeito, era o lugar que eu mais me sentia bem no mundo.
E vê-lo caindo era algo absurdamente dolorido e eu me senti culpado.
Um feitiço zuniu em meu ouvido e eu acordei de meus devaneios. Um aluno grifo, que estava a certa distancia de mim e com a varinha apontada, sorriu em escárnio.
- A Barbie estava tendo o sono de beleza? – provocou e não me preocupei com ele, um membro da Ordem corria em minha direção.
- Estupefaça – disse sem nem vontade, o membro da Ordem, que achou que eu não sabia que ele vinha em minha direção, voou abrindo passagem, tamanha fora a intensidade do feitiço, e bateu a cabeça no corrimão de uma das escadas, começou a sangrar. Me virei para o grifo, sorrindo de escárnio.
- Er-era só um-
Não dei tempo dele falar e o estuporei, estava sendo bonzinho, constatei. Crebbe e Goyle apareceram por ali e começaram a me puxar em uma direção.
- Não encostem em mim, seus abutres – rosnei, puxando minha manga das mãos deles, e limpando-a nas vestes.
- Harry Potter – grunhiu Goyle – ele está lá – apontou bobamente uma direção.
Sem perder tempo corri na direção em que o brutamontes apontara, subi as escadas sem me importar com a chuva de feitiços e os inúmeros duelos que aconteciam no hall do castelo. Um grupo de estudantes passou por mim, reconheci os gêmeos Weasley coordenando-os.
- Boa noite para isso – ouvi um dos gêmeos exclamar e vi Potter mais a frente, parei e puxei os dois brutamonte para atrás de uma armadura.
- Calem a boca – mandei antes que Goyle resolvesse abrir sua boca, o que faria naquele momento – Escutem, vocês aprenderam feitiço de desilusão, certo? – ambos assentiram e então continuei – Ótimo. Joguem em si mesmo esses feitiços e sigam Potter comigo, a distancia!
E mal eu acabara de falar, ambos se enfeitiçaram e desapareceram, eu sentia a respiração dos dois brutamontes um pouco atrás de mim, ao menos algo eles haviam aprendido. Decido, enfeiticei a mim próprio e comecei a segui Potter, que parou para conversar com um velho muito parecido com Dumbledore, chacoalhei minha cabeça, talvez estivesse ficando paranóico com toda aquela guerra. Potter virou em um corredor, virei no mesmo corredor também e ambos nos deparamos com as figuras de seus melhores amigos, segurando o que pareciam ser dentes gigantes, fixei meu olhar em Granger; seus olhos castanhos avelã ainda tinham a mesma intensidade, a face continha apenas alguns mínimos cortes superficiais, estava ofegante, então seus lábios começaram a se mexer, e eu prestei atenção ao que eles falavam.
- Foi o Ron, idéia do Ron – exclamou sem fôlego – Não foi absolutamente genial?nós estávamos lá, depois que você saiu, e eu disse ao Ron, mesmo que a gente encontre a outra, como vamos nos livrar dela? Ainda não nos livramos da taça! Então ele se lembrou! O basilisco! – dizia rápida, era visível o quão orgulhosa estava do amigo, meu punho se fechava aos poucos.
- Que b...? – Potter perguntou idiotamente, mas o ruivo o interrompeu.
- Uma coisa para destruir as Horcruxes!
[Falas de Harry Potter e as Reliqueas da Morte, página 483 - 485]
Agora tudo se encaixava, eles tinham em posse outra Horcruxe, e só veneno de basilisco destruiria tal objeto, então foram para a Câmara Secreta e arrancaram os dentes do basilisco que Potter havia matado quando ainda em nosso segundo ano. Faltava duas, ainda, Nagini e uma que eu não tinha conhecimento, precisava dar um jeito de matar a cobra de Voldemort, ainda naquela noite. Contudo me lembrei que a cobra passou a ficar protegida com um escudo em volta dela, apesar de frustrado, reconheci o quão incríveis poderiam ser os poderes de Voldemort.
As paredes do castelo tremeram novamente. Potter correu com os amigos, indo por uma passagem que até então eu desconhecia, os seguia; desceram uma escada que deu na Sala Precisa. Três mulheres, dentre elas minha prima Tonks e a Fêmea-Weasley, abordaram Potter e amigos, aproveitei o momento e chamei Creebe e Goyle e os impedi de continuarem, dizendo-lhes que deviam manter os olhos abertos para ninguém tentar me impedir de pegar Potter. Caminhei sozinho para dentro da Sala Precisa, o trio grifinório estava sozinho.
- ... elfos domésticos, devem estar lá em baixo na cozinha, não? – dizia Weasel
- Você quer dizer que deveríamos pôr os elfos para lutar? – Potter quem fez a pergunta idiota.
- Não, deveríamos dizer a eles para dar o fora. Não queremos outros Dobbys, não é? – Weasle respondeu, os olhos de Hermione se arregalavam gradualmente a cada palavra proferida pelo ruivo – Não podemos mandá-los morrer por nós…
E a frase do Weasley ficou no ar, sem complemento, pois o que veio a seguir, fora algo realmente surpreendente e chocante. Granger deixara caírem todas àquelas enormes presas que segurava no chão, como se estivesse em câmera lenta, eu observei tudo, até os simples detalhes; ainda num estado que parecia estar desacreditada, Granger eliminou a distancia que havia entre ela e o Weasley, pulando em seu pescoço com voracidade e, então, ela simplesmente o beija.
Eu estava estático em meu lugar, os olhos vidrados na cena em que presenciava. Vendo Granger e a Cenoura-Ambulante se beijaram com vontade, vendo Potter constrangido por estar ali, vendo todos os objetos que outrora carregavam agora no chão. Apertei a varinha em minha mão, sentido meu maxilar trincar, a cena estava desgostosa para mim e para Potter, embora ninguém soubesse que ali eu estava, um casala patético, Weasley e Granger; tive vontade de os estuporar ali naquele mesmo instante, mas Potter atrapalhou meus planos:
- Isso é hora? – Potter perguntou, sua voz quase não saíra, babaca – Oi! Tem uma guerra rolando aqui! – gritou quando viu o casalzinho infame o ignorarem e se abraçarem, ainda aos beijos; eu levantava a minha varinha para os estuporar, mas eles resolveram pararem de se beijar, ficando apenas abraçados.
- Eu sei, colega, então é agora ou nunca, não é? – respondeu meio risonho o ruivo, mirava em sua cabeça de cenoura.
- Deixe para lá, e a Horcruxe? – parei para ouvir sobre a Horcruxe, aquilo me interessava, afinal – Você acha que poderia só… só segurar isso ai, até apanharmos o diadema?
- Certo… desculpe – o ruivo falara, corado, se abaixando, assim como Granger para pegar as presas.
Respirei fundo, era hora de deixar de briga com o Cenoura, Granger para mim não tinha importância, era isso que eu repetia para mim desde o incidente em minha mansão, eu tinha de descobrir sobre a Horcruxe e pelo que Potty disse, era um diadema… eu já havia ouvido falar em um diadema aqui na escola, o de Rowena Ravenclaw! Mas ele estava perdido há séculos, impossível ser o Potter a achar ele.
Quando dei por mim, o trio grifinório não estava mais lá. Corri para fora da Sala Precisa, eu não podia perder o rastro de Potter, não se ele estava prestes a pegar a ultima Horcruxe. Eles falavam com a Fêmea Weasley, pouco tempo depois, lá estavam eles de volta, correndo em direção a Sala Precisa, a porta se materializou e quando eles entraram, eu pude ver que era a velha Sala em que tudo se guarda, onde eu trabalhei metade de meu ano anterior. Sorri com a sorte, tirando o feitiço de desilusão de mim.
- Crebbe, Goyle, cadê você? – perguntei fito um idiota no meio do corredor.
- Aqui – ouvi a voz de ambos e em segundos os dois apareceram ao meu lado, já sem o feitiço, abri a porta da Sala Precisa, com cuidado.
- Fiquem aqui para tomar conta da passagem – ordenei.
- Não – Crebbe protestou e eu ergui uma sobrancelha para ver se havia entendido certo – Vamos com você, Draco.
- E quem disse…? – mas minha frase ficou no ar, porque Crebbe passara por mim, como se eu não fosse nada para ele.
Goyle olhou para mim, com receio. Bravo, indiquei a entrada e fui entrando também, Goyle fechou a porta com cuidado, o que surpreendeu-me, caminhamos em silencio, ouvindo a voz de Potter falar com seus amigos, esperei pacientemente ele encontrar a porcaria da ultima Horcruxe, o trio se separou e, obviamente, seguimos Potter.
E então ele parou na frente de um armário e viu algo estranho brilhando lá no alto, em cima de uma peruca, parecia com uma tiara velha e descolorida. E mais rápido do que eu imaginava, Potter já se esticava para pegar o objeto estranho quando Crebbe diz:
- Pare, Potter.
Potter parou, derrapando, e se virou para nos encarar. Goyle e Crebbe estavam com as varinhas estendidas em sua direção, e então ele me viu, atrás dos sois brutamontes, abri um sorriso de escárnio.
- É a minha varinha que você está segurando, Potter – disse apontando a varinha, que era de minha mãe, para ele.
- Não é mais – disse quase desdenhando – Ganhou, guardou, Malfoy. Quem lhe deu esta?
- Minha mãe – respondi simplesmente e ele riu, nervoso.
- Então por que não estão com Voldemort? – perguntou para ganahr tempo, rolei os olhos com seu jeito ridículo de dispersar as coisas.
- Vamos receber uma recompensa. Ficamos na escola, Potter. Decidimos não sair. Decidimos levar você para ele. – Crebbe quem respondeu com sua voz irritante.
- Ótimo plano – elogiou falsamente Potter, se deslocando para tras, talvez ainda tivesse esperanças de pegar a velha tiara. – como foi que entraram aqui? – perguntou-me Potter, indo para trás.
- Vivi praticamente nesta sala de objetos escondidos ano passado – minha voz falhou quando finalmente percebi que a velha tiara poderia ser o tal do diadema, a tal da Horcrux – Sei como entrar.
- Estávamos escondidos lá fora, no corredor – delatou Goyle – Já sabemos lançar feitiços de Desilusão… Então você apareceu bem na nossa frente e disse que estava procurando um dia-D! Que é dia-D!
- Harry? – a voz do Weasley ecoou pela sala – Você está falando com alguém?
E então tudo virou uma confusão, Crebbe virou para o lugar que vinha a voz do Weasley e apontou a varinha para uma grande pilha de muitos metros de altura, lançando um feitiço. E então Potter gritou pelo amigou e eu ouvi a voz de Granger gritar junto, a pilha estava caindo para o lado em que o Weasley se encontrava. Potter parou a pilha enquanto eu ia pra cima de Crerbbe.
- Não! – segurei seu braço fortemente – Se você desmontar a sala, talvez enterre o tal do diadema! – tentei argumentar, contudo o brutamontes era mais forte que eu, e se desvencilhou de mim.
- E daí? É o Potter que o Lor das Trevas quer, quem se importa com um dia-D? – retrucou.
- Potter entrou aqui para apanhá-lo – disse já sem paciência com a tamanha ignorância dos brutamontes – então deve significar…
- Deve significar? – voltou-se para mim Crebbe, eu podia ver a fúria em seus olhos – Quem se importa com o que você pensa, Draco. Você e seu pai já eram.
- Harry? Que está acontecendo? – ouvimos a voz do ruivo dizer, contudo minha raiva apenas aumentava com ele e Crebbe, que estava achando que podia ser mais do que eu, um general de Voldemort.
- Harry? – imitou Crebbe – Que está… não, Potter! Crucius! – berrara apontando para Potter que havia mergulhado para pegar a tiara; o feitiço de Crebbe não o acertou, mas acertou o busto em que se encontrava a peruca e o diadema, e este, voou até mergulhar na massa de objetos que tinha por lá.
- Pare! O Lord das Trevas quer ele vivo… – berrei sem paciência.
- Então, eu não estou matando ele, estou? – retrucou me empurrando, quando tentei lhe acertar um soco - , mas, se eu puder, é o que farei , o Lord das Trevas quer ele morto mesmo, qual é a dif…?
Ele falava e eu percebi uma movimentação, Granger se aproximara devagar, sem nem ser percebida, exceto por mim, e apontou a varinha para Crebbe, tentando o estuporar, mas não deu certo, pois eu tentava tirar a varinha de suas mãos com as minhas próprias, e o empurrei para fora do feitiço, infelizmente. Eu olhei para sua expressão e o medo me aterrorizou, enquanto o via abrir sua boca:
- É aquela sangue-ruim! Avada Kedrava! – urrou, mas eu havia lançado um feitiço para confundi-lo, dando tempo de Granger pular para o lado fugindo do jato de luz verde que veio um segundo depois do que deveria.
Então Potter tentou estuporar Crebbe, com visível raiva, contudo eu estava no caminho de Crebbe para ele se desviar, e ele trombou comigo, fazendo minha varinha voar para o monte de pilha de objetos que ali tinha. Me enfureci e acertei um soco no estomago de Crebbe enquanto ainda não tirava ele de perto de mim.
- Não o mate! Não o mate! – urrei com força para os dois, e aquilo fora o suficiente para deixar Potter estuporar um de nós, mas ele não nos estuporou.
- Expelliarmus! – e então a varinha de Goyle saiu voando, e o abutre pulando tentando alcançá-la.
Pulei para fora dali, me escondendo atrás de um armário, quando Granger tentara me acertar com feitiços estuporantes. Meu olhar se prendeu por segundos no seus castanhos avelãs, e parecia o tempo congelado, havia tanto tempo que eu não os via, e quando os vi, estavam com dor, engoli seco e ouvi outra vez Crebbe gritar "Avada Kedrava", dessa vez contra o Weasley, minha raiva por ele aumentou gradativamente em milésimos. E isso despertou Granger, que virou para olhar o Cenoura-Ambulante se jogar para evitar ser morto.
Granger parecia estar decidida a acabar com um dos dois brutamontes e estuporou fortemetnte Giyle que voou.
- Está por aqui, em algum lugar – Potter urrou apontando para a pilha,falava com Granger, pelo que percebi, percebi também um súbito aumento de calor – Procure enquanto vou ajudar R…
- HARRY! – Granger gritou tão desesperada que eu saí um pouco de trás do armário para vê-la.
E eu vi, labaredas de fogos por toda a parte. Mas não labaredas comum, um fogo poderosíssimo criado por feitiço, que só parava quando acabava com tudo. Crebbe, Weasley, Potter e Granger corriam para fugir do fogo; Potter tentou apagar o fogo com Aguamenti, provavelmente desconhecendo o feitiço; o calor se intensificava, levantei-me correndo dali e vi Goyle jogado no chão, desacordado, sem pensar no que fazia, peguei Goyle e o coloquei em meu ombro, enquanto via o fogo transformar-se em quimeras, dragões e serpentes .
Potter e amigos haviam desaparecidos no meio daquela fuligem e fogo, contudo consegui ver a silhueta enorme de Crebbe e a fúria tomou conta de mim, mais do que salvar minha própria pele. Deixei Goyle no chão e corri para cima de Crebbe, já que eu estava sem varinha, e então lhe chutei as costas com forças; Crebbe então caiu, urrando de dor e eu lhe chutei o rosto, fazendo questão de o fazer ter uma morte bem sofrida, mesmo que sem varinhas, o calor aumentava cada vez mais e eu desabotoei minha blusa (e levei um soco por isso), antes de aplicar uma série de socos e chutes em Crebbe. O fogo em forma de serpente avançava para cima de mim, então deixei Crebbe ali, no chão, ensangüentado, vendo a morte.
- Isso é o que acontece quando algum subordinado se recusa a obedecer seu superior, Draco Malfoy – disse para ele que só conseguiu grunhir.
Peguei novamente o corpo de Goyle e comecei a correr dali, tentando enxergar no meio daquela fuligem toda. Avistei então uma escrivaninha com algumas coisas em cima, era a coisa mais alta e que poderia me sustentar que eu havia achado, então rumei para lá, subindo com dificuldade por falta do oxigênio e pelo peso de Goyle. Ao chegar ao topo, permiti me sentar e descansar um pouco, ainda segundo Goyle, que estava na beirada, para não cair.
Era estranho pensar que ali era onde morreria, deixei minha cabeça pender para trás, enquanto pensava sobre o assunto. Morreria na Sala Precisa, onde, no ano anterior, havia praticamente morado lá, morado com Granger. E Granger gostava do Weasley, e eu não gostava do Weasley.
- Fracassou, Draco – disse-me Lucius, que havia aparecido ali do nada. – Fracassou como eu, fracassou na sua missão de tentar não ser como eu. Você é um fracasso, Draco. – dizia-me sorrindo com escárnio.
- Não, eu não sou igual a você – resmunguei – Você é pior que eu, você é a escoria da humanidade, pai.
- E você também, Draco – sorriu com desdém – Traiu o Lord, traiu sua família, e para que? Tudo por uma sangue-ruim que ainda lhe trocou na primeira oportunidade por um Weasley, tsk. Você é mais fracassado do que pensa, Draco.
- Não trai ninguém por Granger – resmunguei sentido um calor absurdamente grande – Voldemort tirou minha vida, eu tirarei a dele… Mas eu perdi Granger, pro Weasley, e ainda morrerei aqui, por causa do idiota do Crebbe – lamentei – que jeito ridículo de perder a vida, logo eu, Draco Malfoy.
- E agora eu lhe pergunto, de que adiantou isto, filho? Trair o Lord, tentar matá-lo, você morreu tentando, assim como tantos outros e assim como Potter irá fazer – disse-me, sua feição não era de sarcasmo ou desdém – Não percebeu que era mais fácil ficar ao lado de Voldemort, que dava mais lucro?
- Você não sabe de nada do que fala, Lucius, cai fora daqui e me dixe morrer em paz – resmunguei enquanto tirava a blusa e secava minha testa com ela; a figura de Lucius desapareceu de lá e eu sorri.
Pouco me lembro do que aconteceu após isto, lembro-me, contudo, que Potter e Weasley apareceram ali montados em vassouras, Granger na traseira da vassoura de Weasley, e então eles puxaram Goyle desacordado para a vassoura deles e eu subi, com dificuldade, a vassoura de Potter. Lembro-me que Potter mergulhou entre as labaredas de fogo para pegar o tal do diadema.
- C-Crabbe… C-Crabbe… é um idiota – disse entre tossidas, contudo acho que não ouviram o que eu disse.
Estávamos fora da Sala Precisa, eu escorado numa parede, tossindo, e Goyle ainda desacordado, no chão. Granger estava sentada na parede oposta a que eu estava, junto com Weasley e Potter.
- Ele está morto – disse Weasley rudemente.
[Falas de Harry Potter e as Relíquias da Morte, página 484 – 493]
Seguiu-se então um silencio, no qual eu pude observar Granger, que estava de olhos fechados, aparentemente muito cansada, então ela abriu os olhos devagar e seus olhos encontraram com os meus, só por um instante. Um grupo de Caçadores sem Cabeça passou por nós, foi aí que nos demos conta de que a guerra continuava.
Os ouvi falar, enquanto fechava os olhos, o diadema estava destruído. Faltava, agora, só Nagini, e então Voldemort poderia finalmente ser aniquilado. Quando eu abri os olhos, pude ver o trio correndo, o Ministro havia chegado, o que confirmava minha teoria de que ele não estaria com sua ridícula guarda no Ministério, certamente meus homens já deviam ter tomado o Ministério e deviam estar no castelo. De súbito, levantei-me, deixando o corpo de Goyle no chão, era hora de lutar.
E então minha verdadeira batalha começou, coloquei uma mascara que eu encontrei caída no chão, estava irreconhecível e assim avancei. Os Comensais que usavam mascara eram os melhores, os quase de Elite e os de Elite, e cada um que passava por mim, morria. Pansy passou por mim e eu a abordei.
- Pansy, sou eu, Draco – sussurrei a puxando para um canto e levantei a mascara um pouco para ela me reconhecer.
- Draco! – ralhou – Eu estava lhe procurando! O Ministério está tomado; Voldemort quer todos os estudantes sonserinos com ele agora na Floresta Proibida, não quer que nosso sangue juvenil seja morto; Blaise está aqui, por Merlin, você o viu? – falou tudo rapidamente, quase no desespero.
- Eu encontro Blaise, vá para a Floresta, como Voldemort quer, e lhe diga que é Comensal e que lutará para derrubar Potter. Ele vai te deixar voltar, me encontre, daqui a uma hora, perto da cabana de Hagrid. – disse e ela assentiu, após hesitar um instante, saiu correndo para Floresta Proibida.
Continuei avançando pelo castelo, a procura de Granger e Blaise, mas não tinha sinal de nenhum dos dois. Vi o Minsitro da Magia morto e sorri me lembrando de Michael e me perguntando se ele estava ali para acabar com Rodolphus.
O relógio corria, cada vez mais meus homens, que não tinham mascara, dominavam o castelo. Blaise passou correndo e eu o mandei para a cabana de Hagrid, Pansy devia o estar esperando, dei-lhe as coordenadas de uma boa casa na França, que era minha, e os mandei ficarem por lá, ele hesitou em me deixar lá, mas ele sabia que ele nada tinha haver com a minha guerra pessoal contra Voldemort.
Abatia Comensais mascarados por onde passava, até que um deles tirou minha mascara, quando eu estava no alto de uma escadaria, e me encarou sorrindo com desdém.
- Ora, ora, quem temos aqui…
- Sou Draco Malfoy – atuei na maior cara-de-pau – Sou Draco, estou do seu lado.
E então quando eu ia matar o Comensal, alguém o estupora, viro-me para o lado crente que acharia um dos meus Comensais, não acho ninguém. Levo um soco no nariz, que começa a sangrar e ouço uma voz berrar:
- E essa é a segunda vez que salvamos sua vida hoje à noite, seu filha-da-mãe de duas caras! – reconheço a voz sendo a do Weasley.
[Falas de Harry Potter e as Relíquias da Morte, página 501]
Consertei meu nariz com desgosto, ele talvez poderia ter razão. Bravo, coloquei minha mascara novamente e estuporo alguém que passara na minha frente.
Dez para meia-noite.
Chamei todos os meus Comensais para uma sala, a qual eu lacrei com um feitiço; tive de ampliar a sala para caber os quase 500 Comensais que ali estavam. Michael estava lá, constatei satisfeito, assim como outros Comensais que era os melhores dentre todos os que eu treinei. Tirei minha mascara.
- Hoje estamos num momento critico para todos nós – comecei, rodeando a sala – Esta batalha esta acabando com a escola que nos formamos, mas ela precisa ser terminada. Aqui é o fim de tudo, de todos. Aqui foi o nosso começo e, de alguns de vocês, será o fim – discursei e pigarreei –Por que são Comensais da Morte? –todos olharam-se confusos com minha pergunta – Qual é o líder de vocês?
E como eu esperava, a resposta fora "O Lord das Trevas", olhei para Michael e alguns outros Comensais de confiança, eles entenderam o meu olhar.
- Vocês não entenderam direito, qual é o líder de vocês… Draco Malfoy ou Voldemort? – perguntei sério, murmúrios correram pela sala e eu sorri satisfeito – Quem é o líder de vocês?
- Ele está tentando dar um golpe! – gritou um do fundo, contudo, para a minha surpresa, nenhum dos meus Comensais de confiança precisou se mexer.
- E daí, idiota? – um outro respondeu – Draco Malfoy que nos treinou, nos deu respeito e nos tratou como Comensais, Voldemort não fez nada!
E então, dos meus quase 500, perdi uns 200, mortos porque preferiam Voldemort do que eu, outros 15 foram mortos pela pequena confusão que houve quando eu perguntei algo tão simplório.
- Obrigado, caros colegas, pela ajuda – sorri ironicamente – Hoje Voldemort cairá e todos vocês serão recompensados pela ajuda. Não quero nenhum mascarado vivo até o amanhecer – disse firme – Se Potter não se entregar e não entregarem ele, coisa que não farão, os Comensais de Voldemort invadirão Hogwarts, e ai sim a carnificina verdadeira começará, eu acredito que vocês são muito melhores que muitos mascarados, quero ver me provarem isso. Estão comigo?
- Sim, senhor! – disseram em uníssono e então a porta fora aberta e eu o ultimo a sair dela.
- O que estava fazendo ai, Malfoy? – uma voz perguntou-me a minhas costas, reconheci a voz de imediato e me virei, encontrando aqueles olhos de avelã me olhando interrogatoriamente.
- Não é da sua conta, Granger – sussurrei, estreitando os olhos e sorrindo cínico –Cuidado que eu posso te fazer de refém pro Potter ter de ir a Floresta.
- Não seja ridículo, Mal-
Mas então sua frase ficou no ar quando eu, de repente, avancei para ela, e a virei de costas para mim, prendendo seus braços, impossibilitando-a de fazer qualquer movimento.
- Não estou sendo ridículo, Granger – sussurrei em seu ouvido, ela estremeceu – Sou um Comensal, sigo ordens de Voldemort, e Voldemort quer seu amiguinho lá com ele, quer decepar seu amigo… Então não me chame de ridículo – continuei a sussurrar, fria e cruelmente, olhei para meu relógio – É meia-noite, Granger, tome cuidado. – disse por fim, soltando-a.
- Mas que…? – olhava-me confusa
- Vá, Granger, reúna os seus no Salão Principal e cuidem dos feridos, até a ordem ser dada não podemos invadir do jeito que queremos o castelo, Voldemort usará o feitiço Sonorus pra falar alguma coisa, ele gosta de colocar terror – disse, encostando-me na parede – Não morra.
Granger me olhou por alguns segundos, até que começou a andar para trás, e então se virou e correu, e minha vontade era de correr atrás e impedi-la de ficar aqui nessa carnificina, mas ela não me obedeceria, ficaria aqui pelo Weasley, pelo Potter, ela morreria por eles. O mesmo sentimento estranho que se apoderou de mim ao vê-la beijar Weasley, voltara.
Andei calmamente até o hall, corpos, pedaços de escadas, paredes tombadas, rachaduras, vidros, armaduras e mais várias outras coisas eram vistas em todo o lugar. Sentei-me, cansado, no chão, apoiando minhas costas em uma parede. Michael sentou-se ao meu lado.
- Teve sua vingança com meu querido tio? – perguntei-lhe.
- Absolutamente – disse sorrindo, porem logo fechou o sorriso – Mas agora, depois de que esta guerra terminar, se é que terminará hoje, não tenho para onde ir ou o que fazer, não tenho mais rumo. A não ser, talvez, Azkaban – brincou.
- Quantos anos você tem, Michael?
- 27.
- Você é tão jovem quanto eu, não reclame – disse e Michael riu – Quanto a Azkaban, creio que nada irá lhe acontecer – garanti.
"Harry Potter está morto." Me levantei ao ouvir essas palavras, meus Comensais já se colocaram em posição de batalha.
"Foi abatido em plena fuga, tentando se salvar enquanto vocês ofereciam as vidas por ele." A porta do Salão Principal estava aberta e por ela começara a sair algumas pessoas, descrentes nos que seus próprios ouvidos ouviam.
"Trazemos aqui seu cadáver como prova de que o seu herói deixou de existir." Ouvi um soluço próximo a mim, me virei e vi a Fêmea Weasley, com lagrimas pelo rosto, assim como Granger, que segurava a mão da ruiva.
"A batalha está ganha. Vocês perderam metade de seus combatentes. Os meus Comensais da Morte são mais numerosos que vocês, e O-Menino-Que-Sobreviveu está liquidado." O Cabeça de Cenoura abraçou a irmã, lágrimas rolavam pelas faces de todos que saiam do Salão. E então eles foram lá fora, para ver Voldemort e ver se era mesmo verdade de que Harry Potter estava morto, apertei minha varinha na mão enquanto andava lentamente até a saída.
"A guerra deve cessar. Quem continuar a resistir, homem, mulher ou criança, será exterminado, bem como todos os membros de sua família."
- Não chore, menina dos olhos cor de avelã, a guerra não está perdida para vocês – sussurrei no ouvido de Granger, quando a vi apoiada numa parede fora do castelo.
"Saiam do castelo agora, ajoelhem-se diante de mim e serão poupados. Seus pais e filhos, seus irmãos e irmãs viverão e serão perdoados, e vocês se uniram a mim no novo mundo que construiremos juntos."
[Discurso de Voldemort, Harry Potter e as Relíquias da Morte, página 566]
- Meu melhor amigo morreu, Malfoy.
- Mas você está viva, Granger, e quando um líder morre, outro assume seu lugar. O ideal nunca morre junto com o líder – disse e me afastei, seus olhos com lagrimas me acompanharam.
- Aonde vai?
- Seguir meu ideal, Granger – disse e então segui pela multidão à frente, Granger me alcançou e ouvimos um berro dado por McGonagall, parei de andar quando quase estava a frente daquele grupo, Granger, porem continuou, sabia que continuaria até ter certeza de que o amigo estava morto e logo a confirmação veio.
- Não!
- Não!
- Harry! Harry!
Ouvir Granger gritar era ruim, não sabia qual dos dois tipos de grito dela era pior, o de dor ou o de tristeza. E os gritos daqueles três deram força a multidão que havia se formado fora do castelo, gritavam insultos para os Comensais e eu simplesmente fui voltando para perto do castelo, meus Comensais continuavam ali, preparados para uma luta.
- Silencio! – a voz de Voldemort de nada adiantou, e eu quase ri de sua patética reputação, então Voldemort lançou um feitiço que calou a todos – Acabou! Ponha-o no chão, Hagrid, aos meus pés, que é o lugar dele.
- Senhor – sussurrou Michael me dando um susto – Desculpe, é que eu tive de vir avisá-lo, Voldemort está com sua cobra de estimação, livre do escudo.
- Isso é sério? – perguntei idiotamente e Michael assentiu – Venha, vamos!
Corri para dentro do castelo, subindo as escadas que estavam quebradas, muitas vezes pulando de uma escada para outra com mais ou menos um metro de distancia entre elas, escorregando e pulando, cheguei ao segundo andar do castelo, que estava mais destruídoque o primeiro andar. Cheguei a um corredor amplo, parecia até um saguão, a maior janela de lá estava quebrada, e de lá eu via todos lá em baixo.
E então algo passou voando pela minha cabeça e chegou às mãos de Voldemort lá em baixo e após dizer alguma coisa, todos fizeram silencio.
- Neville agora irá demonstrar o que acontece com quem é suficiente tolo para continuar a se opor a mim – anunciou e com um aceno de varinha vez o chapéu Seletor, a coisa que havia voado sob mim, queimar e como o chapéu estava em Longbottom, o mesmo gritou ardendo em chamas.
Gigantes começaram a se enfrentar, os de Voldemort, com um estranho que nem era tão gigante assim; começou a chover flechas da Floresta Proibida em cima dos Comensais da Morte, que foram surpreendidos. Aproveitando a confusão parei o feitiço de Voldemort no chapéu Seletor e no mesmo instante que Longbottom se levantou, o corpo de Potter sumiu.
- Desça, Micheal, agora! – ordenei estreitando os olhos, estaria Potter vivo?
Longbottom decepou a cabeça de Nagini com a espada de Grodric, a qual havia tirado de dentro do chapéu, e a boca de Voldemort se abriu num urro de fúria que fora abafado pelos gigantes lutando e pelos cascos dos centauros. Com a varinha em punhos lancei um escudo protetor entre Voldemort e Longbottom, mas para minha surpresa, já havia um ali, meu feitiço apenas reforçava. Aquela era a minha confirmação de Potter estava vivo, então tudo que eu fiz, fora descer ao primeiro andar correndo, enquanto reinava o caos fora do castelo.
A grande guerra, pela qual eu havia esperado a noite inteira, havia começado. E a adrenalina corria solta por mim. Desci pelas escadas já com a varinha em punhos, o sorriso cínico predominava minha face e a vontade de matar todos aqueles cachorros me dominava. Se Voldemort um dia quis a pior parte de mim na guerra, ele alcançou seu objetivo, contudo o meu pior lado estava contra ele, porque a sensação de prazer que me dominava a cada vida de um Comensal que eu tirava era inimaginável.
Eu abri caminho até o grande Salão Principal, estuporava, matava, torturava, ensangüentava as pessoas que por mim passavam, todas elas de capas prestas e mascaras. Mereciam as piores das mortes, contudo o meu alvo naquela noite ainda era Bellatrix Lestrange e eu caminhei até ela, abrindo espaço. Elfos, centauros, hipogrifos, animais exóticos, Ordem da Fênix, alunos e professores lutavam do lado de Potter; gigantes e Comensais da Morte mascarados do lado de Voldemort; Comensais da Morte sem mascaras do meu lado. Era uma luta desigual, mas nada que não pudesse ser feito, meus Comensais exterminavam os outros Comensais. Chegava a ser ridículo o jeito como eles não percebiam que um Comensal matava o outro, e quando viam não conseguiam fugir, de tão lentos que eram.
Talvez eu estivesse um pouco sádico naquela noite, contudo me enojava os Comensais da Morte, Voldemort despertava tamanha raiva em mim que eu simplesmente acabei por esquecer de que eu precisava ficar livre depois que a guerra acabasse, esqueci-me de não matar. Certamente fora um de meus erros, contudo não me arrependo de ter matado Comensais da Morte.
E então eu vi, uma cena que nunca irei tirar de minha cabeça, nunca irá sair de minha mente, ficará presas em minhas entranhas, assim como na noite da tortura na Mansão; Granger, Lovegood e a Fêmea Weasley estavam lá, no Salão Principal, duelando com nada menos que minha tia Bellatrix Lestrange. Corri, corri por entre todos daquele amontoado Salão, corria desesperado, mas era tarde de mais quando chegava perto, Bellatrix já estava com a varinha apontada para Granger e eu gritei. Um grito rouco que ninguém ouviu, tamaho era o barulho da guerra, ninguém ouviu. A boca de Bellatrix se abria e então eu gritei "Confundus" e atingi bem em cheio, Bella, que por milésimos de segundos ficou com os olhos desfocados e então ela gritou:
- Avada Kedrava! – mas não foi Granger que ela quase atingiu, pois o feitiço a confundiu tanto que ela mudou a mira sem perceber, e o alvo "virou" a Fêmea Weasley, mas Bella estava confusa com a visão embaçada pelo feitiço e errou.
Eu estava pronto para ir lutar com minha tia, para ter a vingança que eu desejava, mas alguém passou por mim parecendo um cavalo enfurecido, os cabelos ruivos e o grito que ela deu, reconheci como a mãe da Fêmea Weasley:
- A minha filha não, sua vaca! Saiam do meu caminho! – a mulher de idade gritou, atirando a capa para o lado e, assim, ficando com mais liberdade para um duelo.
Com horror, vi as duas começarem a lutar, e ainda por cima, um duelo de igual para igual. Jorros de luz voavam de ambas as varinhas num claro duelo mortal, eu me encotei numa parede próxima ao duelo, assim que a matriarca Weasley morresse, Bellatrix seria minha e eu a mataria com prazer. Todos do salão começaram a se afastar dos dois grandes duelos que tinham ali: Voldemort contra McGonagall, Slughorn e Kingsley; Bellatrix e a Weasley-Mãe.
- Que vai acontecer com seus filhos depois que eu matar você? – provou Bella se desviando da chuva de feitiços da Weasley-Mãe – Quando a mamãe for pelo mesmo caminho que o Frdinho?
- Você… nunca… mais… tocará… em… nossos… filhos! – a Weasley-Mãe gritou e eu vi os olhos dela em uma fúria desigual.
Então eu sabia o que aconteceria quando Bellatrix gargalhou alucinadamente, eu não teria o prazer de matar Bellatrix, eu não teria o prazer de a torturar como queria, porque assim que ela gargalhou, a Weasley-Mãe aproveitou o tempo e lançou um Avada Kedrava, que atingiu em cheio o peito de minha tia. E todo o salão parou para ver a general de Voldemort cair sob o feitiço de Molly Weasley, só restava eu, dos bons Comensais e o próprio Voldemort. A guerra estava ganha, pois com Potter vivo, ele derrotaria Voldemort, e eu nunca me senti tão aliviado.
Por outro lado, Voldemort não pareceu nada feliz ao ver Bellatrix morrer. Urrou em fúria, fazendo seus três oponentes voarem pelo ar e se contorcerem tamanho era sua fúria. E ele virou para a Weasley-Mãe pronto para lhe matar, apertei minha varinha firmemente pronto para proteger a mulher que matou Bellatrix, afinal eu devia isso a ela, mas outra pessoa fez isso mais rápido que eu.
- Protego! – alguém urrou e o escudo se fez por metade do Salão, protegendo a Weasley-Mãe, o feitiço vinha do nada, Potter finalmente deu as caras na guerra, pois assim que Voldemort começou a procurar quem era o autor do feitiço, Potter aparecia.
A multidão começou a berrar de alegria e choque, mas então todos perceberam a tensão daquela batalha e Potter, novamente, deu uma de herói e humilde.
- Não quero que ninguém mais tente ajudar. Tem que ser assim. Tem que ser eu.
Ele e Voldemort começaram a conversar, trocar farpas enquanto faziam um circulo andando, sem desviar os olhos um do outro. O Salão inteiro estava em silencio e eu cansado daquela ladainha dos dois, nem pareciam que iriam duelar. Sentei-me na parede, jogando a cabeça para trás, fechando os olhos e ouvindo o duelo de comadre de Potter e Voldemort.
- Eu causei a morte de Dumbledore – ouvi Voldemort dizer,imagens do ano anterior passaram por minha cabeça.
Tortura. Marca Negra. Armário Sumidouro. Granger. Colar. Hidromel. Torre de Astronomia. Batalha. Granger. General. Tortura.
- … Dumbledore está morto, sim. Mas não foi você que mandou matá-lo. Ele escolheu como queria morrer, escolheu meses antes de morrer, combinou tudo com o homem que você ulgou que era seu servo.
As palavras de Potter quase me fizeram abrir os olhos, tamanho era meu espanto. Estaria ele falando de mim? Se estivesse, Potter realmente estava cavando minha cova com aquelas mentiras ridículas.
- Severus Snape não era homem seu. Snape era de Dumbleroe, desde o momento em que você começou a caçar minha mãe! – esclareceu, e eu me senti aliviado, não era de mim que Potter cavava a cova e sim de meu padrinho - … o patrono de Snape era uma corça, o mesmo que o de minha mãe, porque ele a amou quase a vida toda, desde que eram crianças…
Snape amava a mãe de Potter, aquele duelo estava tendo revelações demais. E então, só naquele momento, eu dei por falta de meu padrinho. Não o havia visto a noite inteira, muito menos na reunião na Floresta Proibida, estaria ele morto? Novamente, me responderam naquela ladainha toda.
-… Matei Sevrus Snape há três horas, e a Varinha das Varinhas, a Varinha da Morte, a Varinha do Destino é realmente minha! O ultimo plano de Dumbledore falhou, Harry Potter! – Voldemort falava vibrando de prazer.
Snape estava morto. Fora morto por Voldemort.
Engraçado como Voldemort gostava de me fazer ficar cada vez com mais raiva dele, parecia que ele sabia que eu o odiava, que eu queria o matar, que eu sabotei sua guerra. Mas eu sabia que Voldemort não sabia de nada disso, era impossível, Voldemort passou o ano inteiro atrás de alguma coisa que ninguém sabia o que era… Varinha das Varinhas. Nunca havia ouvido falar nesta varinha, mas pelos nomes que ela tinha e por Voldemort ter vibrado tanto, deveria ser essa a coisa que ele tanto procurou.
- Você ainda não entende, não é, Riddle! Possuir a varinha não é o suficiente! Empunhá-la, usá-la, não a torna realmente sua. Você não escutou o que Olivaras disse? A varinha esco0lhe o bruxo… A Varinha das Varinhas reconheceu seu senhor antes de Dumbledore morrer, alguém que jamais rinha posto a mão nela. O novo senhor tirou a varinha de Dumbledore contra a sua vontade… – e então tudo se encaixou em minha mente, a cada palavra que Potter proferia.
Voldemort fora atrás da Varinha das Varinhas o ano inteiro, mas nunca soube que fui eu quem desarmou o velhote da Torre de Astronomia, que eu era o novo dono dela. Me levantei de súbito do chão e passei a andar para a frente da multidão, queria ver de perto a reação de Voldemort ao saber que a Varinha não pertencia a ele, nem a mim, e sim a Potter, que havia me desarmado na Mansão.
- O verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas era Draco Malfoy. – Potter finalizou e todos ficaram surpresos, eu já estava na frente, vendo os dois andando em círculos, vi o rosto de Voldemort ficar surpreso, mas ele rapidamente se recompôs.
- Que diferença faz? Mesmo que você tenha razão, Potter, não faz a menor diferença para você nem para mim. Você não possui mais a varinha de fênix: duelaremos apenas com a pericia… e depois de tê-lo matado, posso cuidar de Draco Malfoy…
Me enfureci a tal ponto que de tanto apertar minha varinha, vi algumas faíscas saírem dela e praguejei contra Voldemort baixinho para que ninguém pudesse ouvir:
- A diferença é que eu vou te matar como matei metade de seus Comensais, seu ofídico cego – resmunguei e a duas pessoas que estavam ao meu lado viraram para me encarar.
Tirei os olhos do duelo irritado com minha burrice por não ter deixado aquele comentário em minha mente, as pessoas que me encaravam, para meu azar, eram Lovegood e a Fêmea Weasley.
- Que? – sussurrei irritado para as duas.
- …Eu sou o verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas – Potter disse enquanto os primeiros raios de sol inundavam o Salão, nós três viramos para frente e eu soube que finalmente o duelo que eu esperei iria começar.
- Avada Kedrava! – berrou Voldemort ao mesmo tempo que Potter:
- Expelliarmus!
O feitiço de Potter não poderia vencer o de Voldemort, mas algo inesperado aconteceu. A varinha de Voldemort voou da mão de Voldemort e enquanto ia parar nas mãos de Potter, a maldição da Morte virava conforme a varinha, que terminou apontada para o peito de Voldemort, que recebeu a maldição e caiu para trás com um baque surdo.
[Harry Potter e as Relíquias da Morte, página 572 – 578]
Por alguns segundos todos observavam, pasmos, o corpo de Voldemort no chão e então eu vi Granger e o Cenoura Ambulante irem correndo abraçar o amigo que outrora acharam estar morto. E então todos começaram a comemorar.
- Senhor, a Guerra está ganha, conforme você previu – Michael apareceu ao meu lado sorridente.
- Sim, Michael, mas ainda há muito que fazer. Volte para o Ministério da Magia, quero que você entregue o Ministério ao novo Ministro. – disse lhe apertando a mão.
- Muito obrigado, senhor – ele disse antes de sair correndo pelo Salão, olhei para o Salão novamente e encontrei Lovegood ainda parada me observando.
- Lovegood… você não ouviu nada do que eu disse, ok? – disse antes de sair correndo para fora do Salão Principal.
Encontrei meus Comensais do lado de fora do Salão Principal, tinha ali um pouco menos 200 homens apenas.
- Senhores… não quero nenhum Comensal fugindo daqui, ninguém pode fugir deste castelo e do terreno da escola – disse e eles assentiram, todos aparentando estar cansados – Ah, quero ao menos 50 no Ministério junto com Michael, devemos garantir que nenhum Comensal sairá daqui ou de lá.
A ficha ainda não tinha caído. Todas as Horcruxes de Voldemort haviam sido destruídas; Voldemort fora derrotado apenas por um Expelliarmus; Bellatrix havia sido morta e não fora pelas minhas mãos; Snape estava morto e eu não tinha noticias se minha mãe estava viva. Reconfortava-me saber que Pansy e Blaise, ao menos, não haviam morrido assim como boa parte de meus Comensais que ficaram para batalhar no castelo.
Sentei-me no começo do que sobrou de uma das escadas de Hogwarts, estava cansado demais. Fechei meus olhos e deixei-me apoiar as costas nos degraus frios de pedra.
- Aquele ali é o Malfoy? – ouvi algum abutre perguntar – Será que está morto?
- Bom mesmo estar… em compensação os pais deles estão vivinhos, espero que aqueles dois vão para Azkaban – um outro disse e então eu abri os olhos e me levantei num salto.
- Se eu for pra Azkaban, também, vai ser porque eu vou te matar, fedelho irritante – eu resmunguei e os dois garotos que haviam comentado se encolheram.
Com um feitiço, pendurei os dois pirralhos de cabeça para baixo no ar e saí na direção do Salão Principal. Minha blusa estava rasgada, nas mangas e em parte do abdômen, minha Marca Negra estava amostra e eu tinha alguns ferimentos; claramente quando entrei no Salão Principal, muitos entortaram o nariz. As famílias se abraçavam, algumas choravam a perda dos seus; eu varria o Salão a procura de minha mãe, contudo encontrei Granger junto da família do Cenoura Ambulante, e no instante seguinte que eu a avistei, alguém me abraça.
- Draco, meu filho – Narcissa me aperta contra ela e então braços mais fortes me envolvem também, Lucius Malfoy – Você não sabe o quanto e eu seu pai estávamos preocupados atrás de você!
- Estou bem, mãe, ninguém arrancou nenhum pedaço de mim, estou inteiro – disse-lhe rolando os olhos e me desvencilhando do abraço.
- Sua mãe foi muito corajosa, Draco – a voz fria de meu pai chegou aos meus ouvidos e me questionei porque ele não tinha morrido também – Ela mentiu ao Lord que Potter estava morto só para conseguir vir te procurar aqui e saber se você estava vivo – ele sussurrou e eu pasmo notei que estava orgulhoso de minha mãe.
- Tomei o Ministério e Hogwarts, mãe – disse, por algum motivo queria que meus pais sentissem orgulho de mim, queria provar a minha mãe que eu não era igual ao marido dela – Meus Comensais tomaram o Ministério e Hogwarts hoje, nós quem matamos os Comensais de Voldemort.
- Você o que? – ambos indagaram.
- Olha – disse enquanto olhava para os lados – Vão para a Mansão, daqui a pouco eles vão começar a prender os Comensais, assim vocês não passam pela humilhação publica de serem presos sob o olhar de todos – disse sério, não me importava se Lucius seria humilhado, mas minha mãe já havia sido humilhada o bastante para uma vida inteira.
Depois de hesitarem um pouco, eles fizeram o que eu mandei.
E, o que eu previa, aconteceu. Poucos minutos depois Kingsley parou em frente a mim e disse com sua voz grave:
- Sr Draco Malfoy, o Sr está preso por ser um partidário de Lord Voldemort.
A maioria dos olhares de quem estava naquele Salão caiu sob mim, incluindo o de Granger e fora para os olhos dela que eu olhei enquanto entregava minha varinha para Kingsley e estendia os braços para a uma corda enfeitiçada que ele amarrava em meus pulsos.
Dei-lhe um sorriso de canto antes de ser levado para Azkaban.
