Ato I: Casamento
Capítulo 13. Fofocas
Lambo olha ao redor. Estava muito entediado. Aliás, já estava além de entediado. Já que era forçado a conviver nessas festas onde poucas pessoas se interessavam por ele, podia dedicar-se a comer doces. Mas até disso havia sido privado, então podia se dedicar a segunda coisa que mais gostava de fazer: fofocar. Já que seu gêmeo estava entretido conversando com o rei, e não se sentia tentando a levantar e fazer companhia a eles, seus olhos se focaram na (provavelmente única) pessoa que poderia manter uma conversa decente: Haru.
Haru estava do lado das irmãs mais velhas, não estava ganhando muita atenção em comparação as outras, e olhava sem prestar atenção com quem quer que estivesse conversando com a irmã. Adorava Haru porque ela conhecia todo mundo e com poucas palavras conseguia ganhar a atenção, mas isso não se aplicava quando ela tinha que estar ao lado das irmãs e bancar a boa, obediente e invisível irmã mais nova. Levanta-se e vai até ela, batendo dois dedos no ombro da morena.
-Lambo-kun. - Haru dá um sorriso.
-Quer dançar? - estende a mão para ela. Haru aceita com um obrigado e leva-a para o meio do salão, onde ele começa a guiá-la. Podia ser um preguiçoso e um guloso nato, mas era um nobre e saber dançar era um pre-requisito para todo nobre - Não precisa me agradecer por salvá-la das suas irmãs. - Haru dá um tapinha em seu ombro com um ligeiro franzir de sobrancelhas.
-Não fale assim Lambo-kun. - ela olha distraída ao redor - O príncipe veio hoje também - ela olhava brevemente acima dos ombros dele.
-Porque não chama ele pra dançar? - pergunta e vê Haru ganhar um tom rosado nas bochechas - Qual é Haru, você gosta dele. Ao menos aproveite seu breve tempo de solteira ao lado do príncipe. E não vai matá-la só chamar ele pra dançar. - Gira com ela uma vez e vê que o príncipe conversava animadamente com um louro que mostrava alguma coisa na manga do terno que usava.
-Ele está conversando com o rei de Yema. - ela baixa ligeiramente os olhos - Talvez amanhã. - gira-a mais uma vez - Lambo-kun porque está com a camisa de vaca? - pergunta ela encarando-o com um sorriso.
-É a minha favorita. - responde com um sorriso vendo com satisfação ela rir. Haru era uma das poucas que não se importava com toda aquela superstição dos gêmeos. Ela sempre esteve ao lado delee de seu irmão, até os defendeu, por isso tinha um carinho especial, até certa admiração pela morena. - Ne, Haru, você também acha esses casamentos injustos? - pergunta em voz baixa.
-São para o bem do país inteiro, para evitar a guerra. - ela franze ligeiramente a sobrancelha antes de encostar o queixo ao seu ombro - Mas eu não gosto da ideia. Havia outras maneiras de solucionar isso, mas acho que alguns nobres simplesmente queriam ganhar mais poder político e sem o apoio interno o país não sobreviveria a uma guerra contra um país como a Millefiore. - ouviu-a suspirar antes de se afastar - Não tinha nada demais nos documentos. Não dizia quem estaria com quem, mas dizia o nome das pessoas.
-Além de você, eu e o jovem príncipe, quantos foram desafortunados? - Também apreciava muito o fato de Haru ser mais inteligente do que ele. Ela conseguia ler relatos de acordos comerciais e políticos com a mesma facilidade que leria um livro de romance. Havia conseguido entrar escondido onde seu pai guardava os documentos e em poucos minutos Haru havia lido ele completamente.
-Mais sete.
Haru olha ao redor por alguns segundos e após um aperto em sua mão, deixa que ela o conduza. Ela gira com ele e viu-se de frente para os grandes portões que levavam ao jardim
-O de camisa azul, sem gravata é Takeshi Yamamoto, primo do Lorde Asari e filho do Protetor de Piogge. - o moreno que ela falava estava bebendo alguma coisa numa taça enquanto conversava com uma mulher de kimono, um sorrso fácil no rosto - Aquele outro de cabelo prateado, perto da porta é Hayato Gokudera, filho de Lorde Sasori. - move os olhos para o prateado que encarava o baile com uma carranca irritada, as mãos no bolso enquanto ele se apoiava na parede
-Esse Hayato parece ser do tipo encrenqueiro. - fala fazendo uma nota mental de testar até onde ia a paciência do garoto. Ele fazem um quarto de volta e Haru move a cabeça para a esquerda.
-Dos gêmeos ali, a garota é Chrome Dokuro. - viu um rapaz de cabelos azuis escuros e uma garota um pouco mais baixa de cabelos arroxeados. Provavelmente a única evidência de que eram gêmeos era o formato do rosto.
-Será que é com ela que vou me casar? - pergunta ironicamente olhando para Haru - Azar com azar pode dar em sorte.
-Não faça brincadeira, ela é uma fofa. - reclama Haru dando um tapinha em seu ombro.
-Você a conhece?
-Não, mas ontem ela me pediu um guardanapo emprestado e quando eu dei ela disse obrigado.
-Isso significa que ela é educada, não fofa.
-Haru nunca errou nos seus julgamentos desu. - fala ela irritada e Lambo ri em voz baixa. - O gêmeo dela é Mukuro Rokudo. Sabia que os nomes deles são anagramas? Chrome se pronuncia Kuromu, que é Mukuro com as letras trocadas.
Na verdade não se surpreendia, mas estava para surgir o dia que ele entenderia os pais e seus péssimos gostos para nomes; só porque eram gêmeos não queria dizer que os nomes deviam ser parecidos. Particularmente achava que seu pai havia ficado com preguiça de pensar num nome para ele e trocou o 'p' de Lampo por um 'b'. Haru ri para si mesma antes de olhar para o lado.
-Kyoko-chan é a de cabelo castanho avermelhado que está sentada.
-Kyoko-chan? - ele olha para a dita cuja, uma garota radiante entre uma morena e uma de cabelos róseos, ambas com um ar mais adulto.
-Você não a conhece? - os olhos de Haru se abrem ligeiramente em surpresa - Lembre-me de apresentá-los depois. Ela é irmã mais nova de Lorde Knuckle, é engraçada e sabe de um monte de coisas. A de cabelo rosa perto dela é Bianchi Sasori, filha do Lorde Sasori e meia irmã de Gokudera. Ela é bem madura.
-Como você sabe?
-Ela e Hanna trocam cartas, e Hanna só conversa com gente madura. - Haru gesticula na direção da morena ao lado de Kyoko - Hanna é casada com Ryohei-kun, o irmão de Kyoko. Parece que eles vão ficar também.
Eles giram mais algumas vezes enquanto Haru lançava olhares por cima do ombro dele procurando pelos outros.
-Aquela de vermelho é I-Pin, sobrinha de Lord Alaude, a mãe dela era uma embaixadora na China. Aquele de cabelos negros perto dela é Kyoya Hibari, filho de Lorde Alaude. - viu uma garota chinesa usando um daqueles vestidos tradicionais chineses vermelho com um dragão dourado que subia da barra do vestido até a altura do peito e um moreno, que também tinha alguns traços orientais, sentado ao lado dela ignorando tudo ao redor dele.
Voltou a conduzir Haru pelo salão, girando a morena duas vezes antes de puxá-la para perto de novo.
-Hahi! Porque Lampo-kun está com o cabelo verde?
-Alguma coisa sobre ficar diferente de uma vez por todas. Ele também fez um trovão embaixo do olho. - a mandíbula de Haru caiu comicamente com surpresa, mas depois a morena se recupera e ri baixinho. Para de dançar e se afasta do local onde alguns casais ainda dançavam - Se não aguentar ficar com suas irmãs, pode ficar na nossa mesa. Eu pedi alguns doces para comermos.
-Aceito. - ela sorri dando o braço a ele - Obrigado Lambo-kun.
Louis olha ao redor assustado. Não sabia onde estava ou até o porque de estar algemado com um pano em sua boca impedindo que falasse. A última coisa que lembrava era de estar saindo da cozinha porque Flavia pediu para ver se a maioria dos convidados já havia terminado o segundo prato quando alguém pôs um pano com um cheiro muito adocicado na sua boca e então ele acordou naquele lugar.
Olha ao redor assustado, tentando se livrar das algemas que prendiam seu pulso mas elas machucavam a cada movimento. Um ruído a seu lado fez com que ele se virasse e viu a forma de dois homens surgirem, um deles segurava uma lampada a óleo.
-Seu idiota! - o que estava com a lâmpada falou - Não é ele!
-É claro que é ele! - o outro apontou para Louis. O da lâmpada grunhiu e aproximou-se de Louis segurando-o pelos longos cabelos ruivos e puxou-os para trás forçando o ruivo a olhar para cima, a dor fez os olhos lacrimejarem.
-Olhe bem para o rosto dele seu imprestável. - a mão puxou mais fortemente e Louis deixou escapar um gemido de dor que foi abafado pelo trapo enfiado em sua boca - Ele parece ter alguma tatuagem?
Ouviu o outro fazer um barulho de desagrado e o da lâmpada largou seus cabelos. Louis tentou se afastar deles arrastando-se para trás, mas suas costas atingiram uma parede. Esses homens estavam atrás do senhor G? Além de Louis, ele era o único ruivo no castelo e o único que tinha uma tatuagem no rosto. Olha freneticamente ao redor procurando uma saída. Precisava sair dali, precisava avisar senho rei.
-E o que fazemos agora? - perguntou o outro
-Livre-se dele. Ele já viu demais. - respondeu o da lâmpada e Louis arregalou os olhos vendo o outro com um sorriso largo.
-Que pena. - o outro fala e tira de dentro da roupa que usava uma faca longa - Tudo por causa de uma tatuagem. - a faca desliza próxima a seu olho e viu o homem dar uma sorriso largo e terrível fielmente refletido pela lâmina - Então acho que posso me divertir um pouco.
Giotto entra no quarto. Já passava da meia noite e o vinho que consumira durante a festa deixava sua visão ligeiramente embaçada. Vê através das cortinas semi-transparentes que havia uma figura na cama. Franze as sobrancelhas notando um tom avermelhados nos cabelos da pessoa.
-G? – aproxima-se desconfiado. Lembrava-se que o ruivo havia ficado para trás conversando com Cozarto. Abre as cortinas finas que circundavam a cama de dossel e não pode evitar um grito de horror; afasta-se assustado, mas tropeça no tapete. Reborn e Tsuna escancaram a porta do seu quarto, vendo que Giotto estava caído no chão próximo a porta.
-O que houve? – pergunta Tsuna, mas o moreno trava e sente o estômago se revirar ao encarar a cama.
Havia um corpo sobre a cama, amarrado de forma a ficar ajoelhado sobre os lençóis. Reconhece com horror que era um dos rapazes que trabalhava na cozinha. Ele ainda usava as roupas com que tinham visto ele mais cedo, o cabelo ruivo estava solto e havia sido cortado na altura do ombro. Ele tinha um corte horrível no lado direito do rosto, algo como três linhas descendo até o queixo de onde o sangue escorria e pingava sobre a roupa. O choque ficou instalado entre os três por alguns segundos antes de Reborn aproximar-se da cama
-Ele parece ter sido estrangulado. – fala Reborn assumindo uma postura calma enquanto examinava o corpo – Tem marcas de dedos no pescoço. Esses cortes no rosto devem ter sido feitos com uma facae enquanto ele ainda estava vivo.
Tsuna havia ido ao banheiro, o estômago do garoto não suportava mais manter o jantar depois da visão do corpo e do cheiro que o acompanhava.
-Porque alguém faria uma coisa dessas? – pergunta Giotto com uma mão em frente ao rosto, tentando evitar acabar na mesma situação que seu primo.
-Eu diria que para assustá-lo. – Reborn ajoelha-se em frente ao corpo procurando alguma coisa que identificasse quem foi o assassino do pobre empregado.
-O que está havendo? – pergunta G entrando no quarto a passos rápidos e para ao ver a cena, seus olhos arregalados – O que aconteceu aqui?
-Alguém matou esse rapaz. – Reborn lança um longo olhar ao ruivo que encarava o corpo estupefato – E parece que a ameaça é diretamente para você G, já que quem quer que tenha matado ele imitou o seu cabelo e o corte tem a forma da sua tatuagem.
G encara-o com olhos arregalados antes de olhar novamente para o empregado. O rapaz era tão jovem, mal chegara aos vinte e talvez a única razão de estar morto seja porque aceitou o convite de trabalhar temporariamente no palácio de novo naquele ano. Vê que Giotto tentava acalmar Tsuna, mas o moreno simplesmente não conseguia lidar com essas cenas e estava vomitando qualquer coisa que ainda estivesse dentro do seu organismo.
-Ah, aí estão vocês. - fala Reborn e o ruivo olha para trás vendo um loiro usando uma camisa e calça sociais e a capitã Lal Mirch, que estava com um short na altura dos joelhos e uma blusa camuflada. A capitão olhou ao redor com surpresa
-O que houve aqui? - pergunta Lal, tomando as rédeas da situação.
-É uma boa pergunta. Não era obrigação de vocês evitar que esse tipo de coisa acontecesse? - pergunta Reborn cruzando os braços.
-Não faça acusações kora. Nada passou por nós ou pela guarda de elite. - fala o loiro cruzando os braços com irritação.
-Alguém deve ter posto ele aqui. - Reborn franze as sobrancelhas levemente - Ou acha que ele simplesmente veio aqui, fez a cicatriz em si mesmo, se amarrou e em seguida se estrangulou hein Collonelo?
Pareceu que Collonelo ia aumentar a discussão, mas Giotto cortou-o com a voz um pouco mais trêmula que o normal.
-Discutir ineficiência não ajudará em nada - Giotto passa um braço ao redor de Tsuna que ainda parecia um pouco pálido e mantinha uma mão em frente a boca
-Vamos revirar o andar e ver se deixaram alguma evidência Vossa Majestade. - fala a capitã em voz séria - Sugiro que fiquem num dos quartos no andar de baixo. Vou deixar dois dos meus melhores guardas de plantão a noite inteira.
-Obrigado Lal. - fala Giotto com um sorriso fraco - Tsu, quero que fiquei no meu quarto esta noite.
Tsuna confirma debilmente e segue com Giotto para fora do quarto. Ouviu Lal gritar algumas ordens e passos apressados no corredor. G volta os olhos novamente para o rapaz, remorso preenchendo-o. Lembrava-se que ele se orgulhava do cabelo comprido e só cortaria no dia de seu casamento.
Como ele olharia para a família do jovem e diria que a culpa disso era dele?
Tsuna anda pelos corredores mordendo a parte interna das bochechas. Ainda mexia com seus nervos lembrar-se do rapaz do noite anterior e se ele estava assim como não estaria G? Apesar do pavio curto, G se importava com as pessoas e saber que alguém havia morrido apenas para ameaçá-lo devia ser um choque e tanto. Por isso iria ao quarto do ruivo, talvez conversar aliviasse o pensamento dos dois. Bate a porta do quarto do mais velho antes de entrar.
-Ah, é você. - fala o ruivo com um suspiro aliviado, ele estava sem camisa, apenas com uma faixa grossa de trinta centímetros que circundava seu peito - Você me assustou, não devia entrar assim.
-Desculpe. - fala o moreno com um pequeno sorriso encostando a porta atrás de si - Ainda usa isso?
-É uma tradição que os guerreiros usem quando estão afastados de casa - G pega uma toalha e coloca-a por cima do ombro - Precisa de alguma coisa?
-Na verdade não - o moreno olha para o lado pensando em como puxar o assunto e seus olhos param na mesa - Você que fez? - Tsuna aproxima-se da mesa vendo vários colares e pulseiras feitos de pedras coloridas e o que pareciam tiras muito finas de linhas também coloridas.
-Fui eu que fiz. - fala uma voz feminina e Tsuna levanta os olhos vendo uma mulher sair do banheiro, ela tinha cabelos castanhos na altura dos seios,olhos da mesma cor e um rosto delicado, usava um vestido simples verde. Ela vira-se pra G e fala alguma coisa em outra língua, provavelmente seik.
-Ela disse que você parece bastante com Giotto.
-Você conhece meu primo? - a mulher confirma com um sorriso
-Ele tinha sanyuni… quatorze - ela fala pausando para pensar e depois sorri de novo; a voz dela era suave mas ela não falava bem o idioma de Caelum - Eu vendo para vir aqui.
-É lindo. - ela confirma ainda sorrindo - Meu nome é Tsuna. E o seu é…
-Fiore - responde a seika com um sorriso.
-Pode me mostrar como se faz? - levanta uma das pulseiras. A seika pareceu pensar profundamente sobre isso.
-Talvez. - ela bate no queixo com o dedo - Mas só fico dois dias. - ela levanta dois dedos, provavalmente com medo de ter dito o número errado.
-Vai ser o suficiente. - Tsuna olha de Fiore para G e de volta para Fiore - Estou... interrompendo alguma coisa?
-Mais ou menos. - fala o ruivo levantando-se da cama onde estivera sentado durante a conversa dos outros dois. Tsuna esfrega os cabelos timidamente e dirige-se a porta, mas para ao lembrar-se de algo.
-Você vai assistir os jogos? - pergunta o moreno olhando por sobre o ombro.
-Quando acabar o show de horrores. - fala o ruivo dando as costas a ele e entrando no banheiro. Tsuna dá um pequeno sorriso, sabia que G não assistiria uma abertura de jogos em que mostrariam animais selvagens que foram capturados e depois adestrados. Sai do quarto, vendo Fiore empurrar G para dentro do banheiro, antes de fechar a porta e seguir para a pequena arena que havia sido montada a alguns metros do castelo.
G suspira um pouco mais relaxado, sentindo a água quente com os aromas que Fiore havia especialmente trazido para ele. A água estava num tom esverdeado, e dava a impressão que estava dentro de um copo de chá verde gigante. Se esticasse um pouco os pés, conseguiria tocar os saquinhos com as ervas que ela colocou na banheira.
-Pronto. - pode sentir as mãos de Fiore deslizarem por suas costas e pararem em seus ombros - Vem cá. - ela puxa levemente seu ombro para reforçar o pedido.
Encosta-se a ela, colocando a cabeça em seu ombro e sentindo a pele macia dela nas suas costas. Fiore murmurava uma canção em seik enquanto molhava seu cabelo com uma das mãos. Fecha os olhos e por um momento, só por um breve momento, achou estar de volta em sua terra natal. Mas não podia voltar, ainda não.
-Senti falta disso. - fala o ruivo em seik acomodando melhor a cabeça ao ombro de Fiore. -Eu senti sua falta. - ela encosta o rosto aos seus cabelos e sente os braços dela ao redor do seu tronco
-Também sinto. - coloca um dos braços sobre o braço dela, o tom de Fiore parecia carregado com tristeza e um pouco de medo e raiva - Não queria que voltasse.
-É meu dever. - ele respondeu com um suspiro e sente ela abraçá-lo mais forte.
-Eu sei. - responde ela em voz baixa e folga o aperto ao redor do ruivo - Se G não vai a Seik, Fiore traz um pouco de lá para você. - fala ela mais animada,a voz bem mais suave e fluida quando falava na sua língua natal, antes de encostar os lábios a sua bochecha num beijo estalado e ri baixo - Baba disse que você não podia voltar muito cedo dessa vez então eu tive que vir perguntar por mim mesma.
-Como Aeghin está reagindo ao casamento? - pergunta o ruivo com um sorriso de canto.
-Bem. As vezes ele fala de você. - podia imaginar o que o irmão falaria dele, metade eram ofensas e a outra metade maldições; um traço bem comum na família - O que você acha que devia escolher como punição?
-Corte-lhe a língua, assim ele não poderia mais comandar ninguém - responde e ouve-a rir baixinho
-Baba disse que deveria tirar o que faz dele homem.
-Não é uma má ideia. Por garantia faça os dois - ela ri, o som ecoando nas paredes.
G sorri. Era um costume da sua tribo instalar uma punição caso o marido ou esposa fosse infiel ao casamento, em que apenas a família do noivo poderia sugerir uma punição para a noiva aplicar no futuro marido e vice-versa. Lembrava-se que sua mãe admitiu que a punição de seu pai seria morrer envenenado durante uma festa. Claro, essas punições eram apenas da boca pra fora, mas era engraçado ouvir alguém gritar "Eu vou cortar fora sua pele e atirá-lo aos lobos"durante o jantar.
-G.
-Hum?
-Baba disse que você precisava falar algo comigo sobre… aquilo. - ela fala em voz baixa e levantou ligeiramente a cabeça vendo que ela tinha o rosto corado. G sorri de canto com a reação tímida da mulher que conhecia a tantos anos pensando em como poderia explicar a ela.
-Não acho que só explicar seja suficiente. Acho que vou ter que te mostrar.
Leila era apenas mais uma das empregadas que cuidavam do castelo Vongola. E como esperado das empregadas, apesar de todo o trabalho que havia para ser feito, a conversa (e fofoca) era inevitável. Desde que as festas começaram, ouvia muitos burburinhos especialmente sobre os jovens que ficariam lá, mas particularmente não se interessava por isso. Uma das poucas coisas que gostava de ouvir era sobre o guardião do rei (nossa, ele era lindo) e da própria família real (a beleza devia estar nos genes daquela família, não havia outra explicação para isso).
Mas parecia não ter muitas chances nem de ter aquela tão sonhada única noite com um cara dos sonhos. Mestre Giotto preferia mulheres com cabelos negros, já ouviu uma ou duas garotas da cozinha comentarem sobre isso, mas ela era loira, então suas chances eram nulas. Mestre Tsuna, bem, ele ainda era muito inocente para essas coisas então nem guardava esperanças. E G-sama… Bom, ninguém nunca ouviu falar que ele havia levado alguma mulher para a cama nos dez anos em que trabalhava para o rei. Havia até mesmo um boato de que G-sama na verdade gostava de homens! E ele era tão implicante nas "saidinhas"' de Mestre Giotto porque tinha uma queda pelo rei. Era difícil de acreditar, mas as más línguas não se cansavam.
Sabendo disso, é fácil imaginar quão surpresa ficou Leila quando ela entrou no quarto de G-sama para guardar algumas roupas limpas e ouviu alguns gemidos femininos nada discretos vindo do banheiro. Continuando com seu excelente trabalho de guardar cada roupa no local correto (não era espionagem ok, a porta estava trancada e ela precisava ter a certeza que cada roupa estava sendo guardada corretamente e levar alguns minutos a mais seria apenas uma consequência do seu eficiente trabalho). Era difícil não imaginar o que estaria acontecendo quando ouvia algumas palavras em uma língua que não entendia, seguidas por 'G~' falado em voz melosa e alguns gemidos. Sorri consigo mesma. Aquilo renderia histórias pelo resto da semana!
Os sons diminuem após algum tempo e não ouve nada por alguns segundos exceto um splash da água da banheira. Ao ouvir a porta abrir não pode evitar olhar naquela direção e viu uma mulher, provavelmente nos seus vinte, usando apenas uma toalha para cobrir sua nudez. A mulher encara-a por meio segundo antes de ter o rosto completamente tomado pela cor vermelha, por as mãos em frente ao rosto e falar alguma coisa em seik (soava como uma das maldições que G-sama usava quando ficava irritado). Faz uma breve reverência a mulher antes dela entrar no banheiro apressada e fechar a porta com força, ouviu-a falando alguma coisa em seik a G-sama. Aproveita essa chance para sair do quarto, ignorando completamente as últimas peças de roupa que faltavam guardar. As garotas da cozinha nunca iriam acreditar! Havia sido breve, mas viu que ela usava um anel.
-Leila, por que esse sorriso? - pergunta Sara, uma das ajudantes de cozinha.
-Você não vai acreditar! G-sama é casado! - fala sem conseguir se conter. As cinco pessoas que haviam na cozinha se viraram para encará-la como se tivesse enlouquecido.
-Hein? Sério? - pergunta outra das mulheres.
-Eu acabei de sair do quarto dele. Havia uma mulher seik lá e ela usava um anel bem aqui - fala apontando para o dedo anelar com um sorriso de orelha a orelha.
-G-sama também usa um anel, mas não imaginei que fosse por isso. - fala Luchio, o cozinheiro, coçando o queixo.
-Isso é tão romântico! Ele se mantem fiel a ela mesmo quando não está em Seik! - fala Flavia com os olhos brilhantes abraçando a si mesma - Não se encontram muitos homens desse tipo hoje em dia!
A medida que mais empregados chegavam, a notícia se espalhava ganhando um pouco mais de drama a cada vez. A história de 'G-sama é casado e a esposa seik veio visitá-lo', foi ouvida como 'G-sama é um romântico a moda antiga que valoriza o casamento ' e espalhada como 'G-sama nunca trairia a esposa seik mesmo que quilômetros os separassem'. Algumas das empregadas que tinham uma queda pelo ruivo bad boy, não sabiam se ficavam decepcionadas por saber que ele era casado ou suspiravam mais por ele ao saber que havia um lado romântico por baixo do temperamento indomável.
É, apenas mais um dia no castelo Vongola.
Novo capítulo. Espero que gostem! :]
Ah, uma coisa: no outro site eu postei um drabble especial por ter chegado aos 50 reviews. Vocês acham que eu devia postar aqui também ou esperar ter 50 reviews aqui?
