Capitulo 13

Edward entra esbaforido no escritório.

"Olá, Anya. O Leo chegou?"

"Há três minutos. Está no escritório."

"Puxa..."

Edward faz menção de entrar, mas Anya o impede.

"Espere. Você sabe como ele é, está tomando o café, folheando o jornal...", depois aponta para o telefone onde aparece uma linha ocupada, "…e está dando o telefonema habitual para a esposa."

"OK."

Relaxa e se deixa cair no sofá ao lado. Menos mal. Puxa... Pensava que não ia conseguir. Alarga um pouco o colarinho da camisa, abre os botões.

"Agora só precisamos esperar que o telefonema com a esposa acabe bem..."

"Isso eu acho difícil…", diz Anya num sussurro, "…ela quer a separação, não consegue mais suportar...algumas atitudes dele."

"E então? Vai ser tempestade?"

"Depende. Se abrir a porta e pedir para mandar a ela o de sempre você tem chance."

"O de sempre?"

"Sim, é um código. Flores com um bilhete, já prontos."

Anya abre uma gaveta e mostra uma série de bilhetes todos com o nome de Suzy, cada um com uma frase diferente, uma para cada dia, e todos assinados por ele.

"Mas, Anya, você sabe que, mesmo sendo a secretária dele, não devia xeretar em tudo?"

"Ah, claro, como se eu não tivesse tido a incumbência de procurar todas as frases! Precisei recolher o melhor do melhor dos poetas modernos, mas só dos não conhecidos. E encontrei algumas ótimas..." Pega um bilhete.

"Veja esta... 'Eu fico mesmo quando você não me tiver e terei você mesmo sem possuí-la.' Complexa, enigmática mas forte não? De qualquer forma…", diz Sandra, fechando a gaveta, "…se quem a escreveu um dia for famoso, não penso que vai perdoar quem a tiver roubado."

"No mínimo vai ser o Leo a dizer que copiaram a frase dele!"

"Ah, isso é certo. Aliás, ele vai dizer que justamente por isso é que o outro ficou famoso!"

No fundo do corredor aparece um jovem. Alto. Magro. Paletó esportivo. Cabelos loiros, densos, penteados para trás, olhos azuis, intensos, um belo sorriso sobre os lábios delicados. Excessivamente delicados. De traidor. Bebe um pouco de água e sorri.

Preocupada, Anya fecha rapidamente a gaveta. Aquele seu segredo não é para todos. Depois faz de conta que voltou a ser profissional. O sujeito se aproxima.

"Nada, ainda?"

"Não, sinto muito, ainda ao telefone."

Edward olha para o jovem. Tenta identificá-lo. Já o viu, mas não lembra onde.

"Bem, então vamos esperar."

O jovem se aproxima. Estende a mão para Edward.

"Prazer; Mike Newton."

Em seguida, sorri.

"Sim, eu sei, você está pensando se já nos conhecemos."

"De fato...mas onde? Sou Edward Cullen."

"Sim, eu sei, eu ficava no escritório acima do de Tanya, fazia parte do staff de recursos publicitários."

"Claro, agora sim."

Edward sorri e pensa: agora eu sei por que já o estou odiando.

"Fomos almoçar juntos uma vez."

"É, e eu tive que sair correndo."

Sim, pensa Edward, de fato eu depois tive de pagar a sua conta e a da sua assistente. "

Sim, que coincidência."

"E agora me chamaram para essa entrevista."

Os dois se observam. Edward fecha um pouco os olhos, tenta focar a situação. O que quer dizer? Que história é esta? O meu lugar está em jogo? Fomos chamados dois para uma entrevista? Será ele o novo diretor que Leo está procurando?

Vai querer me dar a notícia bem na frente dele? Quer dizer, eu não só tive de pagar para ele daquela vez, mas agora me cabe ainda lhe oferecer a minha "última ceia".

Olha para Anya tentando compreender melhor. Mas ela, que compreendeu perfeitamente o que Edward gostaria de saber, sacode levemente a cabeça e mordisca o lábio superior como para dizer: eu, infelizmente, não sei de nada.

De repente, o led da linha externa se apaga. Um instante depois, Leo abre a porta.

"Ora, aqui estão. Desculpem se os deixei esperando. Por favor, entrem, entrem... Desejam um café?"

"Sim, com prazer", responde Mike de pronto.

Edward, ligeiramente chateado de chegar depois, acrescenta:

"Sim, obrigado, eu também."

"Bem, então dois cafés, Anya, por favor, e...pode mandar o de sempre para onde a senhora sabe. Obrigado."

"Claro, doutor", e pisca um olho para Edward.

"Então, por favor, acomodem-se."

Leo fecha a porta do escritório às suas costas. Os dois sentam-se diante da escrivaninha.

Mike se põe à vontade. Está tranquilo, quase atrevido, com as pernas ligeiramente cruzadas.

Edward, mais tenso, procura de alguma forma se acomodar naquela poltrona que parece estar fugindo dele. Por fim, escolhe se inclinar para a frente com os cotovelos apoiados sobre os joelhos e as mãos juntas. Esfrega-as um pouco, aparentemente nervoso.

Mike percebe e sorri para si mesmo. Depois olha ao redor, tomando o seu tempo, procurando.

"Lindo esse quadro, um Willem de Kooning, não é? Expressionismo americano."

Leo sorri satisfeito.

"Sim..."

Edward olha para os dois e não perde tempo.

"Essa é uma lâmpada Fortuny, talvez de 1929, penso. Linda a base em mogno, uma lâmpada que fez sucesso algum tempo atrás."

"Muito bem, é assim que eu gosto. Levemente competitivos. Entretanto nada começou, eu ainda não disse nada. Ei, estamos bem nesse instante... O nascimento."

Leo senta-se e coloca de repente as mãos sobre a escrivaninha, uma diante da outra, como protegendo alguma coisa que os dois não conseguem ver.

"O que tem aqui? O que escondo?"

Dessa vez é Edward o mais rápido.

"Tudo."

"Nada", diz Mike.

Leonardo sorri. Levanta as mãos. Sobre a mesa não há nada. Mike dá um suspiro de satisfação. Leo olha direto para Edward, que retribui o olhar chateado. E, de repente, de uma das mãos que ficaram suspensas, Leo deixa cair alterna coisa.

Stump.

Um som surdo.

Mike muda de expressão. Edward sorri.

"Correto, Edward. Tudo. Tudo o que interessa a nós. Este sapinho de balas será o nosso trunfo. Chama-se "LaLuna‟, como "La Luna‟, mas tudo junto. E é a Lua que temos de tomar, conquistar. Assim como o primeiro homem em 1969. Aquele do espaço, o que colocou pela primeira vez o seu pé na Lua, enfrentando o Universo e todos os seus segredos... Devemos ser como aquele americano, ou melhor, precisamos enfrentar os japoneses e, para ser mais exatos, devemos 'conquistar' esta bala. Aqui está."

Leo abre o sapinho e espalha as balas sobre a mesa. Edward e Mike se aproximam, observando atentamente.

"Balas em forma de meia-lua com sabor de frutas, todas diferentes, mais ou menos como era aquele nosso sorvete, o arco-íris."

Mike pega uma, a observa. Em seguida, olha para Leo em dúvida.

"Posso?"

"Claro, experimentem, comam, entrem, vivam com LaLuna, aperfeiçoem-se, não tenham outro pensamento além dessas balas."

Mike põe uma na boca. Mastiga lentamente, elegante, entreabre os olhos como se estivesse provando um vinho especial.

"Bem, parece boa."

"É verdade…", diz Edward, enquanto também experimenta, "…a minha é de laranja."

Em seguida, trata de adotar rapidamente a postura técnica

"Bem, a idéia das mãos que escondem o nada e então deixam cair as balas, LaLuna, do alto, não é má... Peça LaLuna."

"Sim, mas infelizmente já foi utilizada o ano passado pelos americanos."

"Sim…", intervém Mike, "…as mãos eram as de Patrick Swayze. Lindas mãos. Haviam sido escolhidas para o filme 'Ghost' modelavam o vaso de argila na cena de amor, as mãos que transmitiam emoções para Demi Moore. No anúncio viam-se só as mãos. Pagaram, só pelas mãos, dois milhões de dólares..."

"Pois é…", Leo apoia-se sobre o espaldar da poltrona, "…para nós estão oferecendo catorze. E, além disso, a exclusividade durante dois anos de todos os produtos LaLuna, TheMoon, tudo junto em inglês. Vão fazer chocolate, gomas, batatinhas, até leite. Produtos alimentares com essa pequena marca. E nós temos a possibilidade ganhar aqui catorze milhões de dólares e a exclusividade. Nós. Se conseguirmos vencer a agência que, juntamente conosco, recebeu a incumbência desse anúncio. A Butch & Butch... Sim, porque os japoneses, que não são bobos, pensaram..."

Nesse instante batem a porta.

"Entre."

Anya entra com as duas xícaras de café e as coloca sobre a mesa.

"Aqui estão o açúcar e o leite. Há também um pouco de água."

"Bem, sirvam-se. Obrigado, Anya. E mandou o de sempre..."

"Sim."

"Com qual frase, dessa vez?"

"Você é o Sol escondido atrás das nuvens quando chove. Estou -te esperando, meu arco-íris."

"Muito bem, melhorando a cada dia. Graças a você, Anya, obrigado."

Sandra sorri para Mike e depois para Edward.

"Ele diz isso todo dia, parabéns sempre, aumento, nunca!"

E sai, ainda sorrindo.

"Vai ter, vai ter, tenha fé!"

Então, Leo serve-se de um copo de água. Tenha ao menos a mesma fé que eu tenho, comenta para si mesmo, pensando na frase.

"Então, estávamos dizendo...", Mike saboreia tranquilamente o seu café. Edward já terminou seu, "...que os japoneses não são tão bobos."

"De fato, são geniais. Nos colocaram competindo contra a Butch & Butch, a maior agência, nossa concorrente direta, com quem deveremos nos confrontar e sobretudo vencer. E, visto que eu posso não ser tão genial quanto eles, mas certamente não sou nem devagar, nem bobo, eu os copiei... Eu sempre copio. Na escola me chamavam copycopy. Os japoneses nos colocam contra a Butch & Butch? Bem, o que faço eu, coloco Edward Cullen contra Mike Newton. Em jogo estão catorze milhões de dólares, dois anos de exclusividade com LaLuna e, para vocês, o cargo de diretor de criação internacional e, naturalmente, um Mimo aumento de salário...real."

Num instante, Edward compreende tudo.

Essa era a razão daquela estranha entrevista a dois. Depois percebe o olhar do outro sobre si. Então se vira. Seus olhares se cruzam.

Mike semicerra os olhos, saboreia o desafio. Edward se mantém firme, seguro. Mike lhe sorri serenamente, manhoso, convencido, esperto.

"Claro, como não, é convidativo", e estende a mão para Edward, evidenciando assim o início do grande desafio.

Edward lhe dá a mão.

Naquele instante, toca o celular.

"Ops, desculpem."

Vê o número no display mas não o reconhece.

"Desculpem..." E, voltando-se levemente para a janela, atende.

"Alô."

"E ai, Cullen, como vai? Ganhei um sete, ganhei um sete!"

"Você ganhou um sete?"

"Sim! Isso não acontecia há séculos! Você me deu uma sorte incrível! Acho que só ganhei um sete uma vez, no primeiro ano e de educação física. Oh, você ainda está ai? Ou desmaiou?"

"Mas, quem fala?"

"Como quem fala, é a Bella, não?"

"Bella? Mas que Bella?"

"Como, que Bella? Você me está gozando? Bella, aquela da motoca, que você atropelou hoje de manhã."

Edward se volta para Leo e sorri.

"Ah, sim, Bella. Desculpe, mas agora estou em reunião."

"Sim, e eu estou na escola, mais precisamente no banheiro masculino."

Naquele instante alguém bate à porta.

"Vai demorar."

Bella finge uma voz de homem.

"Ocupado."

Depois, quase sussurrando, quase dentro do celular:

"Escute, tenho de desligar, tem alguém aqui fora. Mas você sabe a coisa mais absurda? Aqui na escola não deixam usar o telefone livremente. Então, você se dá conta? Imagine que eu precise dizer uma coisa urgente para a minha mãe..."

"Bella..."

"Sim, o quê?"

"Estou em reunião."

"Sim, você já falou."

"E então vamos desligar."

"Está bem, então não devo dizer uma coisa urgente para a minha mãe, mas a você. Olha, você me vem buscar à uma e meia, na saída? É que tenho um problema e creio que ninguém pode me pegar."

"Mas não sei se vou poder, acho que não, tenho outra reunião."

"Vai poder...vai poder...sim."

E desliga.

Bella sai do banheiro. Diante dela está justamente o professor que lhe deu sete. Bella enfia voando o celular no bolso.

"Bella, mas este é o banheiro dos homens."

"Ah, desculpe."

"Não acredito que você se tenha enganado. E, além do mais, é o banheiro dos professores..."

"Então me desculpe em dobro."

"Olhe, Bella, não faça que eu me arrependa da nota que acabei de Lhe dar..."

"Prometo que farei de tudo para confirmá-la."

O professor sorri e entra no banheiro.

"E então, antes de começar a aula da professora Martini..."

"Sim..."

Bella o observa com expressão ingénua. O professor fica sério.

"Desligue esse celular, e fecha a porta atrás de si."

Bella pega o celular e o desliga.

"Feito, professor! Desliguei", grita através da porta.

"Muito bem e agora saia do nosso banheiro."

"Saindo, professor!"

"Muito bem. Então a nota sete está confirmada."

"Obrigada, professor!"

Bella sorri e vai para a sua sala. A professora Martini acabou de entrar. Bella pára na porta, liga o celular e o põe na modalidade silenciosa. Em seguida, sorrindo entra na classe.

"E então, Ondas, como vamos festejar o meu sete?"

Notas finais:

Então que dizem?

Primeiro vou-me desculpar às minhas leitoras por ter estado tanto tempo sem postar, mas é que estive com alguns problemas familiares e o meu tempo ficou um pouco desorganizado. Mas agora estou de volta.

Agradecer a Babootwi e a debbysp por adicionarem esta história às suas favoritas.

Edward vai entrar em competição com Mike Newton. Quem ganhará?

Este telefonema, foi muito estranho… Edward não contava xD Mas muito cómico. Esta Bella é hilária.

Mas será que Edward vai buscá-la?

Beijos.