Capítulo 14 – A ponta do iceberg
Sirius foi o primeiro a sair da cama. Ao abrir o dossel, a claridade ainda não tinha invadido completamente o dormitório masculino. Isso era um bom sinal, pois seus companheiros de quarto permaneceriam entregues a um sono profundo e ele poderia escapulir sem ser notado. O garoto não queria ter o grande desprazer em ter que confrontar os amigos antes do café da manhã, especialmente James, que havia entrado no quarto altas horas da noite, soltando indiretas que eram direcionadas a ele. O maroto também não estava a fim de aguentar os olhares de desaprovação dos três que, aparentemente, se uniram para falar mal dele. A situação da qual se encontrava não era nenhuma surpresa, pois todos amavam James Potter. Era óbvio demais que, depois do que fizera, todos ficassem do lado dele, pois o imprestável e sem sentimentos daquela turma se chamava Sirius Black.
Ter passado uma noite com Lily Evans era o mesmo que declarar guerra em Hogwarts. Ao cair na real depois de passar o resto do dia anterior sozinho, longe do globo ocular dos curiosos de plantão, Sirius não conseguia nem pronunciar que havia dormido com a garota mais impossível da escola. Era incabível algo desse tipo ter acontecido. Ele ainda não conseguia acreditar e digerir o ocorrido, pois tudo era muito surreal para ser verdade. O maroto nunca se dera bem com a ruiva e nem ao menos teve uma única conversa com ela que perdurasse mais de trinta minutos e vice-versa. De onde surgiu todo aquele desejo por Lily, só Merlin explicaria, pois Sirius não conseguia chegar a uma conclusão plausível. A grifinória nunca o notou e ele jamais imaginou que a jovem o faria subir pelas paredes. Ambos estavam muito longe de ser o padrão de interesse perfeito um do outro.
James tinha toda a razão em se sentir mal pelo ocorrido e ficar indignado. Ele tentou ano após ano receber uma resposta positiva da ruiva toda vez que a chamava para sair e sempre saia malsucedido naquilo que gostava de chamar de missão. O maroto tinha todo o direito de ter lhe dado um soco no rosto e tinha o pleno aval de xingá-lo de todos os palavrões existentes no universo daqui para frente. Conhecendo bem o ex-amigo, Sirius sabia que o que mais magoava James naquela história toda foi a facilidade com que Lily simplesmente pulou no pescoço do maroto errado. Ela estava bêbada, qual parte disto James não conseguia entender? Pessoas perdem o juízo quando excedem ao álcool e com a ruiva não foi diferente, pois ela não estava ciente do que fazia e do que provocava. Nada daquilo aconteceria se a jovem estivesse sóbria. Ele não fez nada de propósito, mas ninguém era capaz de compreender esta parte do problema, principalmente, James.
James deveria ter se remoído a noite inteira. Antes de dormir, Sirius escutou burburinhos com relação ao que acontecera no Salão Comunal da Grifinória e preferiu se desligar para não sair enraivecido detrás do dossel. Por mais estranho que fosse, ele preferiu ficar focado no estado emocional de Lily, tentando imaginar como ela se sentia e se realmente voltaria a lhe dirigir a palavra. Intimamente, o garoto também estava preparado para ter o desprezo da ruiva, pois garotas como ela não choravam por garotos como ele. Sirius passou a noite inteira agoniado por querer saber o acontecia do outro lado e não teve chance de sentir alguma raiva ou asco pelo que aconteceu entre James e Marlene.
Era incrível como coisas ruins aconteciam no timing perfeito, pensou Sirius, dando um suspiro. Ao deixar a mente rebobinar tudo o que aconteceu no dia anterior, ele compreendeu duramente a mensagem de James: ele não teve que embebedar Marlene para tê-la. A garota que costumava arrastar um hipogrifo se engraçou com o cara que não era ele, sem nenhum empecilho. Na mente distorcida de James, ele embebedou Lily para possui-la, como se tivesse jorrado firewhiskey goela abaixo da ruiva. Mesmo que explicasse quinhentas vezes para James que não foi isso que aconteceu, nada ainda fazia sentido. Nada do que tinha acontecido entre Lily e ele tinha nexo. Parecia parte de um sonho que se tornou um pesadelo.
O baque do desprezo de James foi alarmante quando o garoto entrou no dormitório na noite passada, fez tudo o que tinha que fazer, e se fechou no seu território, soltando algumas palavras irônicas por trás do dossel lacrado. Remus e Peter foram incapazes de criar um diálogo, percebeu Sirius, pois, provavelmente, temiam o início de outra briga ou uma nova cena de alfinetadas que beiraria a uma dor de cabeça infinita. Se James e ele trocassem algumas palavras, Sirius tentaria se justificar mais uma vez e o amigo não ouviria. James o odiava e direcionou o sentimento à Lily em dosagens praticamente iguais. A amargura pelo ocorrido demoraria e muito para passar.
Sorrateiramente, Sirius vasculhou o malão à procura de algo para vestir. Partiu para o banheiro e tomou uma ducha fria e rápida. Ele tinha pressa em sair do dormitório para evitar um encontro e qualquer possibilidade de trocar palavras e olhares furtivos com James. Ao sair do boxe, o maroto prendeu a toalha na cintura, se encarou no espelho e deslizou os dedos pelos úmidos cabelos negros. Seu rosto estava preocupado e ele percebeu que não fazia ideia do que faria a seguir. A escola inteira estava de férias e isso significava que não teria aula para matar o tempo. Em suas palavras, não teria aula para cabular. Naquele instante, o maroto percebeu que ficar em Hogwarts seria a maior tortura que teria que suportar. Fitando o reflexo no espelho, Sirius cogitou a possibilidade de dar o pé da escola e curtir um pouco do dinheiro que o tio lhe dera para esfriar a cabeça no mundo trouxa.
Ao pensar no mundo trouxa, a memória de Lily dominou sua mente e Sirius foi pego de surpresa por uma queimação estranha no peito. Ninguém precisava saber que ele se sentia culpado pelo que houve entre eles. Ninguém precisava saber que ele sonhou com ela a noite inteira e reprisou os momentos mais ínfimos compartilhados naquele edredom que, com toda certeza, ainda teria o perfume adocicado dela impregnado no tecido. De repente, lembrou-se das palavras de Remus e concluiu que seu coração estava em qualquer outro lugar, menos em seu peito. Sabia que tinha que se redimir com a ruiva, por mais que a atitude fosse contra tudo o que ele costumava fazer com relação as garotas com quem ficava. Seu orgulho queria falar mais alto e o lado malévolo implorava para que ele não se rebaixasse por uma menina. Ele nunca fez isso, por que agora? A resposta era simples: a tristeza que viu nos olhos de Lily cutucava sua consciência como uma faca cega, repetindo várias vezes que ela precisava dele, agora mais do que nunca.
Dando um suspiro que doeu nas costelas, Sirius voltou ao dormitório e se trocou o mais silenciosamente possível. Para seu alívio, todos ainda dormiam quando terminou de colocar a armadura em forma de vestes negras. Estava prestes a sair do aposento quando sua mente dera um estalido fazendo-o empacar. Cuidadosamente, foi até o criado-mudo de James e o abriu com toda a cautela de um ladrão. Ficou aliviado ao saber que o Mapa do Maroto ainda estava ali. Por mais que tivessem idealizado o material juntos, James poderia muito bem privá-lo do uso ou tê-lo queimado, pois o artefato foi o grande responsável pelas revelações que não deveriam ter sido descobertas de uma maneira tão avassaladora. Ao ter o pergaminho em mãos, Sirius viu uma esperança de que ele e o companheiro de travessuras poderiam voltar a se falar um dia.
Na ponta dos pés, Sirius tirou a varinha do malão, sussurrou as palavras mágicas e aguardou. Um sorriso de canto perpassou por seus lábios, pois ele sempre tinha um faniquito interno ao apreciar aquela obra-prima elaborada na calada da noite, por quase um mês. Depois do momento de deleite, Sirius deixou que seus olhos vagassem de um ponto para outro, explorando os terrenos de Hogwarts até chegar ao dormitório das garotas. Ali estavam os pontos que indicavam Lily Evans. Ela estava acordada e perambulava de um lado para o outro. Ao abrir mais o pergaminho, encontrou Alice, que também caminhava pelo quarto. Emmeline parecia que ainda dormia e Marlene não estava mais no local. Para ela não estar mais lá, Sirius presumiu que a morena se encontraria com James. Rapidamente, entendeu a deixa para sair do dormitório o mais rápido possível, antes que o ex-amigo acordasse. A rapidez o fez ficar otimista, pois poderia encontrar a ruiva no meio do caminho e, quem sabe, resolver as coisas.
- Malfeito feito! - pronunciou ele, encerrando a magia do Mapa do Maroto.
Com a mesma cautela, Sirius colocou o artefato de volta no lugar e saiu. Antes de descer a escadas, lançou um olhar rápido para a porta do dormitório das garotas, na esperança de que Lily emergisse por ela. Esperou alguns segundos e se sentiu um perfeito idiota. Meneando a cabeça negativamente, Sirius seguiu o trajeto para o Salão Comunal da Grifinória e não se surpreendeu ao ver as cabeças de alguns alunos girarem na sua direção. Ele já estava acostumado com aquele tipo de comportamento e se perguntou se Lily estaria pronta para enfrentar aquilo.
Sem prestar atenção no que fazia, ele sentiu seu corpo colidir com outro, com certa brutalidade. Recuperando o equilíbrio, ele ouviu um xingamento e pediu a Merlin para não ser quem estava pensando, mesmo tendo certeza de quem era só pelo timbre da voz.
- Black!
Marlene voltou a se equilibrar e ajeitou as vestes. Queria voltar ao dormitório para apressar Lily por sentir muita fome e não esperava que seu dia fosse começar com um encontrão em Sirius Black, o último garoto que ela queria ver naquele dia. Ao encarar o maroto, a morena impôs todo o desprazer de vê-lo no rosto e ficou furiosa por se sentir desconfortável diante de tanta beleza.
- Bom dia, Marlene! - exclamou Sirius, displicente.
A jovem congelou ao encarar o sorriso saliente de Sirius e resolveu dar atenção a qualquer lugar que não fosse o rosto dele. O rosto perfeito dele, corrigiu sua mente, fazendo-a se estapear na testa.
- Bateu com a cabeça? - perguntou ela, fazendo de tudo para manter o tom de desprezo na voz.
- Por que? - perguntou Sirius, revirando os olhos. Ele gostava de ser maltratado por Marlene, pois chegava a ser divertido. - Só por que te chamei de Marlene?
- Sim, exato!
- Desculpe! - Sirius colocou as duas mãos no centro do peito, falsamente chateado. - Você é a namorada do James e não posso mais te chamar de Marls, a não ser que ele deixe.
Marlene sentiu as bochechas ficarem quentes à menção dele sobre ser a namorada de James. Tinha que manter o foco, pois já que ele estava ali, todo engraçadinho, ela poderia aproveitar o momento que Merlin lhe deu para partir o maroto ao meio. Depois de imaginar como conseguiria abordar Sirius Black para lhe dar um recado que ensaiou a noite toda, a morena agradeceu aos feiticeiros por terem colocado o garoto diante dela com muita facilidade.
- Eu não sou a namorada do James e, mesmo se fosse, não seria nada da sua conta. Afinal, você é o namorado da Lily. Estou errada? - argumentou Marlene com um sorriso sacana nos lábios. Ela ficou satisfeita ao ver Sirius parar de sorrir rapidamente.
- Lily e eu somos quase casados, sinto muito em te chatear Marlene. - Sirius perdeu o sorriso, mas não a petulância. - Ela será uma ótima Sra. Black já que alguém aqui optou em ser a Sra. Potter.
O sorriso de Marlene se desvaneceu, empatando o placar. Agora, ambos se encaravam muito sérios, sem nenhum sinal de zombaria.
- Acho bom você parar de infantilidade, Black, pois as coisas estão bastante feias para o seu lado - avisou Marlene, cheia de asco.
- Só para mim? - perguntou Sirius, apontando para si mesmo.
- Só para você - reafirmou Marlene. - Afinal, o universo Potter é bem mais tranquilo e estruturado se comparado ao mundinho tacanho dos Black. Ouvi dizer que sua prima anda se divertindo ao lado do...
- Não termine a frase! - as feições de Sirius endureceram e ele ergueu a mão com a palma aberta, dando sinal para ela parar de falar.
Os músculos de Marlene se retesaram ao ouvir a voz de Sirius em um tom bastante ameaçador. Os olhos cinzas dele brilhavam de ódio e ela podia jurar que ele estava se contendo para não ser estúpido ou tentar sufocá-la pelo pescoço. Pela primeira vez, a morena queria fugir do garoto diante dela, por estar com muito medo da maneira como ele a observava.
- Desculpe, eu não... - ela tentou completar a frase, mas foi interrompida por Sirius.
- Esquece! - Sirius acenou para o ar, se escorou na parede e respirou fundo, a fim de se acalmar.
Os assuntos relacionados à sua família sempre o tiravam do sério. Sempre que os Black eram o assunto da vez, ele pulava a conversa, pois era dominado por uma fúria sobrenatural, a ponto de deixá-lo descontrolado. A última coisa que Sirius queria era discutir sobre eles logo cedo, ainda mais com Marlene, que não era obrigada a vê-lo agir como um animal pronto para atacar. O maroto sabia muito bem dos novos negócios da adorável família Black, mas preferia fingir que não sabia de nada. Contanto que não envolvessem seu nome estava tudo certo.
Procurar uma briga com Marlene também não era a melhor pedida, porque ela queria irritá-lo. De forma ingênua, ela resolveu provocá-lo ao falar de Bellatrix, o que deu certo, como também foi um erro. Ao fitar o rosto da morena, Sirius viu arrependimento, mas sabia que ela não repetiria o pedido de desculpas depois de ter sido interrompida por ele.
- Posso tomar café? - perguntou Sirius, ao perceber que Marlene continuava imóvel devido ao que fizera. Ela o olhava de forma estranha e ele não estava gostando nada daquilo. O maroto podia jurar que era o sentimento de pesar que intensificou o tom claro dos olhos dela e, a última coisa que ele precisava, era ser objeto de caridade.
- Não! - negou Marlene, se recompondo. Sentia-se mal por ter provocado Sirius de maneira tão baixa, mas não abriria mão do que tinha para falar, só porque ele ficou enraivecido com o comentário que fizera. - Preciso falar com você.
- Sobre?
Ela fez uma pausa e perguntou, sem demora:
- Como você pôde usar a Lily para aliviar seus desejos sexuais?
A pergunta foi tão direta que Sirius parou de chofre e o questionamento gerou um solavando dentro do estômago dele.
- Eu não fiz nada que ela não quisesse - ele se defendeu, cruzando os braços.
- Ela é minha melhor amiga e você sabe que James sempre foi louco por ela - disse Marlene em alto e bom som. Queria ter certeza que estava sendo ouvida por Sirius.
- E o que isso tem a ver?
Marlene se aproximou dele tentando manter toda a calma do universo.
- Black, você poderia ter um pouco de dignidade uma vez na sua vida, o que acha? - Marlene aconselhou, aborrecida. - É da Lily que estamos falando e não daquelas oferecidas de quinta categoria que gostam de se esfregar em você a troco de nada.
Marlene falou a última frase tão rápido que fez Sirius rir.
- Está com ciúmes, Marlene?
- Não me chame de Marlene. Para você é McKinnon, ok? E, outra coisa, não tenho ciúmes de lixo humano.
- Ouch! - Sirius exclamou voltando a se posicionar de maneira reta. - Esqueci que você só sente ciúmes do James.
Marlene queria puxar os próprios cabelos, pois a raiva que Sirius gerava dentro dela não estava escrito nas runas.
- Black, James é apaixonado pela Lily e...
- Era! - interrompeu-a Sirius, com um sorriso desdenhoso nos lábios. Viu os olhos da morena ficarem perdidos, assim como a linha de raciocínio dela. A morena abriu a boca para continuar o falatório e se calou no mesmo instante.
- Que seja! - Marlene resmungou, impaciente. - Você deveria ter respeitado os sentimentos do seu melhor amigo.
- Você fala isso como se eu fosse o único errado nessa história toda. Por um acaso, o seu namorado respeitou os meus sentimentos? - questionou Sirius, enrugando a testa.
- E você tem sentimentos? - ironizou Marlene, soltando uma breve gargalhada.
- Se você fosse abençoada com inteligência, quem sabe poderia ver o que é muito óbvio.
Marlene parou de rir e estreitou os olhos.
- Você está me chamando de burra? - perguntou Marlene sentindo as bochechas ficarem quentes
- Se a carapuça do duende serviu...
Sirius deu de ombros e viu as bochechas de Marlene ficarem coradas. Ele sabia que o comentário a deixou enraivecida. O maroto aproveitou a oportunidade para deixá-la mais fora de si ao diminuir a distância entre eles.
- Olhe, Marlene, James deu uns amassos com você e eu dormi com a Lily. Corrija-me, mas eu não sou o único errado aqui. Pare de me cobrar por um erro que seu queridinho quase fez também.
- Eu dei uns amassos com o James porque eu quis.
- E a Lily dormiu comigo porque ela quis.
- Ela estava bêbada.
- Eu também estava, mas até aí ninguém acredita por causa da minha linda fama de cachorrão. Lily conheceu esse meu lado e deveria estar feliz. - Sirius alisou os cabelos, todo pomposo, fazendo Marlene desviar a atenção dele pela segunda vez.
- Lily está muito mal e, acredite, a última coisa que ela gostaria de conhecer é esse seu lado podre. Você não faz ideia do quanto ela está envergonhada. - Marlene respirou fundo para manter a calma. - Por favor, pare com as brincadeiras sobre o assunto.
Marlene usou seu melhor timbre para anunciar a melhor amiga realmente estava entristecida e ela pôde jurar que a informação afetou Sirius. A morena percebeu que o semblante dele havia mudado. A ironia que jazia ali se tornou uma preocupação que ele relutava e tentava esconder a todo custo dela. Ele não fazia ideia que Lily foi a primeira a se levantar e ficou perambulando pelo quarto, como se cogitasse a necessidade de ter que sair. Alice e Marlene tiveram que convencê-la de que era preciso se alimentar, espairecer e tentar rir um pouco fora do dormitório, algo que a ruiva ficou muito incerta com as possibilidades de acontecer.
- Escute, você nunca acreditou em mim, mas talvez seja esta a sua oportunidade de ouro. - Sirius coçou o queixo e procurou os olhos de Marlene. - Eu gosto de você, Marls. De verdade! Mas eu não sou como o James, que parou a vida dele para conquistar a Lily. O que ele ganhou com isso? Nada! Desculpe, mas eu não vou abrir mão da minha vida em função de uma garota que não me dá uma chance. Eu sou bastante incisivo e gosto de respostas diretas.
Marlene o encarou e tentou manter a compostura com relação aos efeitos que Sirius causou dentro dela com o que havia acabado de dizer.
- Você nunca me deu uma chance, Marls, nem ao menos cogitou sair comigo sem compromissos. E olha que só te chamei para um passeio uma única vez - relembrou ele, controlando uma ira interna. - Eu te respeitaria se você viesse a ser minha namorada, pois sei do seu valor. Lily também tem o valor dela. Eu sei do meu erro para tentar consertá-lo.
- Você brincou com a Lily - afirmou Marlene, engolindo em seco.
- E você acha que não vou correr atrás do prejuízo, certo?
Marlene ficou calada, sem fazer menção se responderia aquela pergunta. A atitude dela fez Sirius sorrir, com ar zombeteiro.
- Você não me conhece, Marls. - Sirius suspirou colocando as mãos nos bolsos da calça. Ele estava muito sério e lutava contra seus sentimentos mais profundos. - Você só acha que me conhece. Talvez, tenha sido por isso que me dei melhor com a sua amiga, pois ela me compreendeu e me escutou. Eu jamais imaginei que a ruiva, a garota do James, a queridinha de Hogwarts, fosse me escutar e me dar alguns conselhos sem me cobrar nada. Nesse caso, a cobrança seria meu corpo, mas Lily sabe que não sou uma pessoa vazia. Ao contrário de você, que gosta de julgar sem conhecer.
- Tirando a parte do seu corpo, eu não consigo acreditar em nada do que você acabou de dizer. - Marlene mediu Sirius de cima a baixo e fez uma careta. - Lily jamais veria um bom samaritano em você. Ela não é burra!
O coração de Marlene começou a bater muito forte ao olhar a expressão cabisbaixa de Sirius. Por mais que ele tentasse se esconder em um iceberg, lá estava o maroto expondo suas emoções.
- Um dia você vai acreditar em mim e perceberá que a Lily não é nada burra – assegurou Sirius, sem sorrir. Era a primeira vez que ele não terminava uma frase sem mostrar os dentes em um largo e arrebatador sorriso. - Olhe, se você gosta do James e ele retribuir este sentimento, eu desejo sorte para vocês dois. Eu poderia ter feito algo melhor para te conquistar, mas meu lado egoísta sempre fala mais alto. Não vou ficar de ironias e piadinhas, a não ser que eu seja provocado. Se for para vocês ficarem juntos, minha benção está dada.
Marlene abriu a boca para falar alguma coisa, mas preferiu se calar. Já era a segunda vez que Sirius fazia isso e ela o xingou mentalmente. Ela se sentia incapaz de dizer alguma coisa, pois ele simplesmente havia acabado de quebrar suas pernas. Todos os pensamentos e frases prontas que tinha ensaiado se dissiparam. Aquele garoto que estava na frente dela, não era o mesmo que a infernizava diariamente. Não era possível que o grifinório estivesse falando sério. Será que Lily foi realmente capaz de mudá-lo? Marlene deduziu que precisaria de alguma prova para ter certeza de que ele não era um ser humano vazio, como ele acabara de afirmar. Só assim a jovem mudaria qualquer ponto de vista com relação ao caráter do maroto.
- Eu queria te dar um tapa na cara por causa desse discurso ridículo. Um bem dado! - Marlene meneou a cabeça positivamente, um pouco indignada. - Sua benção? Eu não preciso da sua autorização para namorar, especialmente se esse alguém for o James.
- Sinta-se à vontade para me estapear. Sou masoquista. - Sirius abriu os braços, desencanado, para mostrar que não interferiria se ela quisesse esmurrá-lo.
- Não vou sujar minhas mãos logo cedo. - Marlene suspirou, afastando os cabelos negros dos ombros. - Ok! Vamos encerrar esse papo desagradável.
- Você vai me beijar para eu te provar que sou melhor que o James?
Marlene o fuzilou com o olhar, fazendo-o sorrir de canto.
- Retomando... - ela pigarreou e arrumou a postura. - Já que você está querendo ser o mártir da história, sua benção é muito bem-vinda, mas James e eu não vamos começar um relacionamento baseado em um erro. Eu só quero que o Jay perceba que a Lily ainda é ideal para ele, nada mais. E, se você quer provar para mim que não é um monstro insensível, você vai tomar partido pela minha amiga e não vai deixá-la na mão - ela fez uma pausa para recuperar o fôlego. - Não quero vê-la sendo humilhada pelos quatro cantos do castelo enquanto você leva mais uma dezena de garotas para sua cama.
- Muito justo! - Sirius se afastou da jovem e sentou-se no braço da poltrona mais próxima.
- Black, o que importa agora é que James e Lily fiquem juntos. Questão de honra! - Marlene girou nos calcanhares para olhá-lo.
Sirius observou Marlene com as duas mãos erguidas, mostrando para ele que a soma de um mais um é igual a dois. Ela estava desesperada em tentar ajeitar as coisas, deduziu ele, fitando o rosto bonito dela. Imaginou se fosse o sentimento de culpa tomando conta da consciência da morena.
- Que seja! - Sirius coçou a cabeça pouco interessado. - Vou fazer o possível para salvaguardar a Lily.
- O possível não é o bastante - disse Marlene, entredentes. - Preciso de mais resultados.
- Marlene, vamos ajustar umas coisinhas: eu fiquei com a Lily. Ponto! - Sirius se levantou e revirou os olhos, cheio de tédio. - Como você me conhece muito bem, preciso continuar me divertindo para esquecer o que fiz. Não posso parar minha vida sexual por causa da Lily.
Sirius estalou os dedos e esticou os braços, se espreguiçando. Marlene não disse nada, então, ele prosseguiu:
- Sabe, Marls, não é por nada não, mas sua BFF é bem grandinha para lidar com as consequências de seus atos. Assim como James é bem maduro para consertar uma coração partido. Por mais que seja irresistível ficar ao lado da Lily, não tenho experiência em ser babá.
- Como você consegue ser tão insensível? - perguntou Marlene, encarando-o com desprezo. Estava indignada demais com o que ele acabara de dizer. - É dessa forma que você quer que eu te dê alguma oportunidade nesta vida? Isso só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto, Black. Você não pode estar falando sério sobre a Lily. Não pode!
A voz de Marlene estava trêmula e Sirius fez questão de ignorar essa pequena mudança no temperamento da garota.
- James é seu namorado e Lily não é nada minha. Não vou me intrometer mais neste assunto. Ao contrário do que vejo no decorrer desta discussão, quem está tentando ser mártir aqui é você, então, boa sorte na execução deste papel.
Marlene perdeu as estribeiras e deu um tapa no rosto de Sirius, no mesmo lado do qual se encontrava o corte que James deixara de lembrança nos lábios dele. O garoto não cambaleou, apenas girou o pescoço alguns centímetros para o lado devido ao impacto da mão da garota. Em poucos segundos, podia sentir sua pele queimar. Para provocá-la, Sirius tocou a região, como se o tapa tivesse sido insignificante.
- Você vai ajudar a Lily ou eu vou fazer da sua vida um inferno. Entendeu? - Marlene ameaçou ainda com a mão erguida.
- Você realmente vai querer correr o risco de me colocar perto da Lily? - questionou Sirius em um tom de voz muito cruel. - Eu posso começar a gostar dela e pode ser tarde demais para você.
- Eu não me importo se você gostar dela. - Marlene fechou os punhos, irritadiça. - Sua missão é ficar 24 horas no pé da Lily, não quero saber. Se ela for ao banheiro, espere do lado de fora. Quando ela for dormir, deixe-a na porta do dormitório. Passe o Natal com ela se quiser. Apenas, cuide dela. Entendeu?
Sirius queria provocar a ira de Marlene mais uma vez, mas percebeu que já estava cansado de dialogar com ela. Voltou a se sentar na poltrona e permitiu que ela finalizasse aquele momento que o deixou muito estressado.
- Se eu sonhar que alguma das suas ficantes encheu o saco da Lily, juro que te azaro. E você sabe muito bem que sou ótima nisso, pois tenho excelentes notas em Defesa Contra as Artes das Trevas.
- Por que eu não consigo acreditar em você? - questionou Sirius, com certo desgosto. - Veja bem, como você pode confiar em mim perto da Lily, sendo que acabou de dizer que não acredita em mim? E se eu me apaixonar pela ruivinha? E se ela começar a gostar de mim? Eu pergunto isso, pois é óbvio que James e você se gostam. Desculpe, Marls, mas eu não sei se vou ser capaz de segurar a sua amiga - explicou Sirius, com muita calma.
- Eu já disse que não me importo se vocês se gostarem, Black. - Marlene alisou a testa, muito nervosa. - Se você fizer isso e der certo, juro que não te encho mais o saco com nada. Nadinha!
- Eu estava te mostrando a realidade do que pode acontecer, só isso. Mas já que não se importa, vou colocar a ruiva algemada a minha pessoa. Se rolar mais uma noite de amor ardente, apareço para te dar o boletim completo - disse Sirius apreciando o rosto muito vermelho de Marlene.
Aquilo foi o suficiente para a grifinória soltar um grunhido enraivecido. Sirius era um pé no saco, pensou ela, quase surtando no meio do Salão Comunal.
- Black, engula isto: eu não me importo! Apenas faça o que te ordenei.
- Você não liga, porque você gosta do James.
- É, sim, eu gosto dele! Mas que saco!
A rapidez da resposta de Marlene fez Sirius piscar algumas vezes, só para ter certeza do que ouviu. Ao perceber que tinha falado demais, a morena pousou os dedos na boca e aguardou a próxima patada do maroto.
- Ok! Eu vou cuidar da Lily - disse ele, por fim, voltando a encarar Marlene que ainda estava aturdida com a própria revelação.
- Ótimo! - exclamou ela ficando na defensiva. Se soubesse que afirmar que gostava de James faria Sirius cuidar de Lily, deveria ter dito antes, mesmo sem saber se era verdadeiro ou não o que sentia. - A persiga, mesmo que isso a deixe aborrecida. Goste dela se quiser também. Vocês formam um casal muito bonito.
Marlene tentou ser o mais fria possível na sua afirmação. Ela, teoricamente, gostava de James, então, nada do que acontecesse entre Lily e Sirius era da sua conta. A escola inteira logo saberia da sua revelação, devido aos alunos que estavam muito concentrados na conversa entre ela e o maroto. A morena só precisava avisar James do que fizera para não criar uma nova bola de neve.
Os dois grifinórios não voltaram a se falar e logo foram atraídos por passos apressados que vinham da escada. Ambos mudaram totalmente o comportamento ao avistarem Lily, que os encarou com o famoso olhar julgador. Alice estava ao lado da ruiva e também assumiu a mesma posição inquisidora.
- Está tudo bem por aqui? - perguntou a ruiva, olhando de Marlene para Sirius. Ela sentiu um agito negativo no peito, pois o maroto não fez questão de encará-la.
- Ouvimos os berros lá de cima - disse Alice, ajeitando a franja.
- Você sabe que adoramos discutir logo cedo - comentou Marlene, colocando uma das mãos nas costas de Sirius, beliscando-o.
- Sim, sim! Adoramos brigar! - Sirius sorriu, insolente, disfarçando a dor do beliscão que era o indicativo para que ele mentisse.
- Hum... - Lily olhou para Alice que ainda estava abobalhada fitando Sirius e Marlene.
- Nós vamos tomar café! Estou morrendo de fome. - Alice alisou a barriga por cima da roupa. - Frank disse que estou ficando gorda. Isso é um problema, pois minhas roupas de bolinhas me deixarão com cara de palhaço prestes a entrar no picadeiro.
Lily deu um riso abafado e meneou a cabeça negativamente. O gesto foi o suficiente para que os olhos dela se encontrassem com os de Sirius, que estavam fixos nela.
- Eu vou esperar o James - avisou Marlene, evitando encarar Lily. Não sabia até que ponto da conversa a ruiva e Alice ouviram e não estava disposta em dar um parecer. Ainda mais se ambas escutaram a parte em que ela assumiu que gostava de James. - Lils, Black estava à sua espera. Ele quer conversar com você e me pediu uns conselhos incríveis.
Sirius piscou algumas vezes ponderando a cara de pau de Marlene. Ele fitou o olhar assustado da ruiva e percebeu que a última coisa que ela queria era sua companhia. O maroto ficou inquieto ao fitar aquele tom de verde, vazio, sem sentimento algum.
- Ah! - Lily não sabia o que dizer e parecia que seus pés haviam grudado no soalho.
- Sirius Black no café da manhã, isso é realmente delicioso, Lily. Não que você não saiba disso. - Alice franziu a testa e encarou o maroto. - Conte-me mais sobre você estar apetitoso nessa roupa preta, sr. Black. É muito sexo, beijo na boca ou malhação para ser gato desse jeito?
Lily queria afundar a cabeça de Alice na privada pelo comentário.
- Genética! - respondeu Sirius, dando uma piscadela para Alice.
- Um dia eu te pego, Sirius Black.
- Estarei à sua espera, Alição cheia de tesão.
Alice ergueu as duas mãos e as bateu nas coxas, na tentativa de fazer uma dança bem obscena.
- Ok, Alice! Acho que ouvi Frank te chamando. - Marlene cortou a dança estranha de Alice, totalmente envergonhada.
- Sério?
- Sim! - confirmou Lily, empurrando a amiga pelos ombros com gentileza. - Ele não gosta de esperar.
- É, é verdade! - Alice terminou de descer as escadas. - Até mais tarde, seus lindos - ela parou ao lado de Sirius e dera um ligeiro aperto no quadril do maroto, fazendo-o dar um salto - Na formatura, resolveremos isso.
Sirius riu baixo e viu Alice partir do Salão Comunal da Grifinória. Agora, só restava os três e ele podia pressentir que James surgiria a qualquer instante para dar um gás a um segundo round entre eles.
- Vamos tomar café, Lilica. - Sirius se dirigiu a ela, fazendo-a dar um sobressalto. - Estou faminto! Marls adora tomar meu tempo.
- Eu vou sozinha - avisou Lily, com firmeza. Queria que ele parasse de caminhar na direção dela com aqueles olhos brilhantes que a desconcertavam. Mas, segundos depois, Sirius estava diante dela, estudando seu rosto, com aquela beleza perturbadora.
- Você não vai - disse Sirius, incisivo, como se ela pertencesse a ele. Ao se aproximar mais dela, segurou o braço da ruiva para que ela não recuasse e sussurrou: - Você não está pronta para o que esse povo tem a dizer sobre você.
O toque dele, mesmo sobre sua jaqueta, foi o bastante para ela ficar afoita. Com receio, ela se afastou dele e evitou encará-lo.
- Vamos! Prometo ser bonzinho - ele sorriu de canto, sem ter muita certeza do que estava fazendo.
Lily procurou o olhar de Marlene e ela viu a melhor amiga dar um aceno positivo com a cabeça. O gesto foi uma forma da morena em lhe dizer que tudo ficaria bem.
- Ok! - concordou Lily com relutância.
- Obrigado!
Sirius estendeu o braço para Lily, indicando que ela poderia se apoiar nele. Ao passar o braço pelo do garoto, as sensações que a dominaram foram distintas, inexpressivas e apenas uma foi identificada. Ela voltou a se sentir segura na companhia do maroto e, tê-lo por perto, fez seu coração parar na garganta.
A jovem temeu que ele pudesse ouvir seu órgão vital bater e manteve certa distância de Sirius para evitar mais um momento embaraçoso. A troca de olhares entre os dois foi interrompida pela aglomeração repentina de alunos em torno do mural de avisos destinado aos alunos da Grifinória.
- Arrasou! Festa do Slugh na sexta-feira!
Ao ouvir a palavra Slugh, Lily deu um muxoxo baixo e cerrou os olhos. Tinha esquecido que ainda restava a festa de final de ano que o professor sempre dava antes do Natal. Para o azar dele, nem todos os alunos favoritos estariam na escola. Aqueles que ainda tinham estadia em Hogwarts, não estavam com o melhor ânimo para se engolirem em uma cerimônia que costumava ser muito chata.
- Que ótimo! - resmungou Marlene, chamando a atenção de Sirius e Lily.
- Quer tomar café conosco, Marls? - perguntou Sirius, voltando a sorrir, insolente.
- Já disse que vou esperar o James - afirmou a garota, encarando Sirius com firmeza.
- Ok! - Lily meneou a cabeça positivamente. - Vamos?
Sirius concordou e caminhou lado a lado com Lily em direção à saída do Salão Comunal.
- Você sabe o que tem que fazer, Black - lembrou Marlene, antes de vê-lo sair pelo buraco do retrato da Mulher Gorda.
Sirius não virou para observar Marlene e continuou a caminhar ao lado de Lily que permaneceu muito quieta. O maroto se lembrou do dia que correu atrás da ruiva por aquele mesmo corredor para propor uma amizade que o fizesse atingir o coração de Marlene. Aquele jogo que ele iniciou, ao lado de James, era para ser inofensivo e não atingir altas proporções de perda e ganho. A intenção sempre tinha sido das melhores. James queria Lily. Sirius queria Marlene. Era para ser simples.
Sirius voltou à realidade ao sentir Lily se desvencilhar dele e se virar de forma abrupta para encará-lo, quase perdendo o equilíbrio.
- Você não tem mais nada o que fazer ou inventar? Quem sabe, alguém para se agarrar? - perguntou Lily, mostrando os primeiros sinais do aborrecimento com relação a Sirius.
- Não! - negou Sirius, sem demora. Ele notou que os alunos que passavam ao redor deles estavam com olhos e ouvidos atentos, para não perderem nenhum detalhe para fofocarem depois. - Lily, estou tentando te ajudar.
- Me ajudar com o quê? - questionou ela, cruzando os braços.
Sirius dera dois passos à frente e Lily recuou, como era de se esperar. Sem pedir licença e temendo que a ruiva lhe acertasse um soco, ele a segurou pelos ombros, com gentileza, fazendo-a ficar estática.
- Lily, há uma coisa que você precisa saber.
- E o que é? - perguntou ela, com rispidez.
- Eu não acompanho as garotas com quem fico depois de ter dormido com elas. Eu finjo que elas não existem, pois gosto de assisti-las mendigando minha atenção - explicou ele, se divertindo ao ver a expressão chocada da ruiva. - Será que você não percebeu que, o fato de eu estar aqui, é para consertar as coisas?
- É meio tarde para isso. - Lily fez menção de que ia embora, mas ele foi mais rápido, e a segurou pela cintura.
- Eu sinto muito pelo que houve, Lily - ele sussurrou, mantendo o foco nos olhos verdes dela. - De verdade! Não pense que estou curtindo ficar brigado com o James e carregar nos ombros que posso ter arruinado sua reputação de boa esposa para os solteiros de Hogwarts.
Ela assimilou as palavras de Sirius focada no fino corte nos lábios dele. James realmente tinha uma grande precisão em fazer estragos, pensou ela, sem se mover. Por mais que o maroto estivesse a alguns centímetros de distância dela, parecia que as mãos dele em torno da sua cintura havia formado uma fortaleza entre eles, que os isolavam do resto do mundo.
- É tarde demais para lamentar pelo que aconteceu - sussurrou Sirius, ainda com as mãos em torno da cintura dela. - O máximo que posso fazer é te ajudar. E essa ajuda, infelizmente, é comigo ao seu lado. É pegar ou largar, Lilica.
A jovem relaxou os ombros e mordeu o lábio inferior. Sentia uma imensa dor nas costas e um cansaço que parecia não querer se libertar dela. A noite que tivera foi um revezamento de cochilos e pesadelos que a deixaram mais exausta, como se tivesse virado cinco noites seguidas.
- Você já sabe o quanto me odeia? - perguntou ele, a fim de quebrar o clima chato. Ficou feliz ao vê-la sorrir.
- Te odeio bastante! - respondeu ela, alisando a testa. - Quase cem por cento.
- E por que não cem por cento?
Ela o fitou, considerando a melhor resposta que vinha na sua mente.
- Porque você foi até que digno quando acordei pelada ao seu lado.
Sirius abafou uma risada meneando a cabeça negativamente.
- Vai aceitar minha companhia? - perguntou Sirius, soltando a cintura dela e voltando a estender o braço, bancando o cavalheiro.
- Não tenho outra companhia melhor. - Lily passou o braço pelo dele e, juntos, voltaram a caminhar, lado a lado, para espanto das pessoas que passavam por eles.
- Bom saber disso - brincou ele, desdenhoso, olhando para os alunos que passavam. - Quer apostar quanto que geral acha que somos namorados?
- Somos o casal mais badalado da escola, ao lado do Potter e da Lene.
- Somos mais bonitos, admita.
Lily empurrou ele com gentileza, de forma a ir para o lado, junto com ele.
- Não, não somos. Até porque, não somos um casal de verdade. Você está me ajudando a manter as aparências.
- Como você é chata, Lilica! - Sirius resmungou, sorrindo. - Precisamos fingir que nos amamos, entendeu?
- Eu sou uma boa fingidora - confessou Lily, se sentindo um pouco mais animada. - Mas não espere que eu comece a alisar seu corpo em público, pois quero suas mãos longe de mim.
Sirius e ela riram. Ao se aproximarem para descer mais um lance de escadas, o maroto parou de caminhar de repente e puxou a ruiva para trás.
- O que foi? - perguntou Lily, confusa.
- Não quero que você entre no Salão Principal - alertou ele.
- E por que não? - perguntou ela, esticando o pescoço para tentar adivinhar o que tanto Sirius olhava.
A resposta logo veio quando o maroto esticou o dedo indicador em direção a um montinho de garotas esbaforidas, reunidas perto da grande porta do Salão Principal.
- Eu fiquei com quase todas e elas vão querer te infernizar. E me infernizar. Não estou no humor para isso.
Lily se esgueirou pelo corrimão, quase esbarrando de frente com Sirius, e se escondeu quando uma das garotas fez menção em erguer a cabeça.
- Eu não me importo - disse ela, afastando os cabelos vermelhos do rosto e voltando a ficar de frente para Sirius.
- Mas eu me importo.
Lily sentiu o coração bater na boca mais uma vez. Sirius subiu um degrau para ficar a uma altura razoável da jovem e ela sentiu os músculos ficarem tensos. Ele teve que se conter ao máximo para não encará-la ou ficar muito perto, pois sabia que a beijaria por ímpeto, sem nem um pingo de vergonha na cara. Mesmo com a aparência cansada, a ruiva continuava linda e só mesmo um idiota como James para destruí-la e difamá-la sem ao menos conhecê-la direito.
- Uau! Vejo avanços em seu caráter. - Lily riu, levando uma mão à boca.
- Marlene me deu um pouco de realidade ao me dar um tapa na cara.
- Agora entendo porque o clima estava pesado entre vocês. - Lily encolheu os ombros e, de repente, assumiu uma expressão assombrosa.
- O que foi?
- Ah! Nada! - desconversou ela, olhando para o lado. Ele não precisava saber que ela ouvira uma parte da conversa dele com Marlene. Acumular segredos que envolvessem Sirius se transformou em um vício particular.
- Certo...
Sirius observou o rosto impassível de Lily e preferiu não iniciar mais um momento desconfortável entre eles.
- Lily, eu não sou o melhor tipo de pessoa do mundo, mas posso manter sua dignidade. - Sirius atraiu a atenção dela de novo e respirou fundo. - James gosta de você. E vai continuar gostando. Não importa quantas burradas você faça.
- E o Potter volta de novo à conversa... - Lily disse, desgostosa. - Você deveria agradecer a ele por esse lindo corte no lábio.
- James ficou na pior, acredite. Soco no nariz dói mais que um na boca.
- Homens!
Lily bufou encarando Sirius, com certa indignação. Lembrou-se daquela discussão terrível e do quanto James a desprezou. De repente, ela sentiu um embrulho no estômago, como se fosse vomitar.
- Hei! - Sirius tocou a ponta do nariz de Lily. - Não fique assim!
- Assim como? - Lily se recompôs, impondo um sorriso falso nos lábios.
- Triste!
Sirius cutucou a ferida certa e viu os olhos de Lily lacrimejarem. Automaticamente, como se fosse algo costumeiro entre eles, o maroto a trouxe para seus braços, apertando-a delicadamente.
- Eu não estou triste - ela apoiou o queixo no ombro de Sirius e retribuiu o abraço. - É só que...
- James é um idiota! - Sirius disse, afagando os cabelos dela. Inalou o perfume de Lily e percebeu que teria que se afastar da ruiva antes que fosse tarde e fizesse uma burrada no meio da escada.
Lily ergueu a cabeça para olhá-lo e recuou no mesmo instante ao notar que a sua boca e a de Sirius ficaram muito próximas.
- Você está triste sim, mas não vai admitir. Pelo menos não para mim. - Sirius umedeceu os lábios com a língua e voltou a fitar o grupo de garotas. Era o mais segurou a se fazer. - Lilica, você quer sair daqui?
- Como assim? - ela questionou, aturdida.
- Sair de Hogwarts! - ele se virou para ela com um sorriso maroto nos lábios.
- Sirius, o que você quer dizer com sair de Hogwarts?
- Vem comigo!
Sirius a puxou pela mão corredor a fora até chegarem no terceiro andar. Lily o seguiu, dominada pela confusão devido a atitude repentina do garoto.
- Está a fim de fazer uma boa caminhada? - perguntou Sirius, com a testa enrugada.
- Você está me sequestrando?
Ele soltou a mão dela e sentiu vontade de abraçá-la de novo, mas se conteve.
- Quase isso! - Sirius parou de andar, de repente, em frente à estátua da bruxa caolha que Lily reconheceu muito bem. Havia cansado de implicar com James quando ele passava horas perambulando em torno dela por motivos que ela nunca entendeu. - Acredite, ninguém vai sentir nossa falta.
Lily percebeu o tom amargurado de Sirius e cruzou os braços, relutando a se mover. Parecia que ela não era a única que estava abatida com toda aquela história.
- Sis, seja honesto comigo. Só uma vez.
Sirius se virou para ela, assustado.
- Pensei que nunca mais me chamaria assim.
Eles compartilharam um sorriso singelo. Lily caminhou até ele e deu um sobressalto ao dar de cara com a corcunda da estátua aberta.
- Eu também pensei isso. - Lily revelou, dando um suspiro. - Olhe, eu não sei o quanto você está se sentindo um lixo ou se realmente está se sentindo assim. Veja bem, eu não te conheço, só fragmentos do que é o Sirius Black. Eu sei que você está machucado com a reação do Potter sobre nós. Basta olhar para você se fazendo de forte. Mas, fugir não é a solução para a besteira que fizemos, pois ela não vai ser esquecida tão facilmente.
Sirius suspirou e evitou olhar para a garota, embora sentisse sua pele queimar a cada palavra dela.
- Eu não sei o que as garotas dizem para você, Sirius, não faço a mínima ideia, mas eu te acho sensacional. - Lily ergueu o dedo indicador e tocou a ferida no lábio de Sirius para chamar a atenção dele. - Tirando toda essa máscara de tô nem aí pra vida, você é inteligente, um bom amigo e, com certeza, seria um namorado exemplar. Não quero que se culpe.
Lily parou diante de Sirius e segurou uma mão dele. Mesmo assim, ele não a encarou.
- Eu queria que você falasse comigo, nem que fosse uma vez. De verdade.
Ele ergueu a cabeça para olhar para Lily e percebeu que ela estava pálida. Aquele assunto realmente a estava comendo viva e, depois de muito procurar, viu a culpa pelo que aconteceu vir à tona.
- Obrigado pelas palavras, Lilica, mas eu estou bem. - Sirius puxou a mão de volta e moldou um sorriso muito forçado nos lábios, que não passou despercebido pela ruiva. - Vamos?
- Para onde? - questionou Lily, desistindo de insitir na causa de Sirius.
- Se me acha adorável, acho que você deve confiar em mim. - Sirius esticou o braço na direção dela. - E então?
Sem hesitar, ela passou o braço pelo dele e foi como se um campo magnético circundasse os dois, impossibilitando-os de se moverem. A respiração saia fraca pelos pulmões e qualquer tipo de reação cerebral parecia ter se dissipado. Lily só conseguiu voltar à realidade quando mais um borrão da sua relação com Sirius agitou seu sistema nervoso. Como se estivesse ficado surtada, ela simplesmente soltou o braço dele e seguiu caminho em direção ao nada.
Nota da Julie Plec: Apenas passando para dizer que eu quero o SIS e o Jay para mim, sem mais HAUHAUAHUHA gente, comecem a surtar com os capítulos que a Metadita está criando, porque as coisas estão ficando cada vez melhooooor!
Nota "da" Kevin Williamson: Minha metade resolveu sambar na cara da sociedade, pois é graças a essa pessoa que a fic nasceu e ainda existe Hahahahah Ela é meu baú de ideias e de assuntos mirabolantes para debater a trama da fic e que defende mortalmente James e Marlene. Se o James não terminar com a Lily no final completa da fic, A CULPEM OK? Hahahahahahaha
Cheguei no último dia deste final de semana nada lindo, pois ele passou VOANDO! Não acredito que terei que trabalhar amanhã, estou #CHATIADA Hahahahah
Mas, vamos ao que interessa, Sirius vai virar macho decente agora com a Lily. Eu gostei bastante de escrever esse capítulo, por conta das revelações da Marlene e do comportamento entre Sirius e Lily, que realmente precisam arrumar as coisas. Os capítulos daqui para frente ficam mais bacanas e interessantes, especialmente a festa do Slugh que já está escrita a MUITO TEMPO hahahahaahahah. Vcs não sabem o que é SOFRER para querer postar tudo e NÃO TER TEMPO HAHAHAAHAHAHAH
Obrigada pelas reviews lindas, suas lindas (L):
7Miss7Butterfly7: Menineeeeeeeeeeeee! Os personagens vão começar a evoluir mais drasticamente, por conta da divísão da fic e tudo mais. Eu quero explorar a primeira guerra bruxa mais pra frente e daí sim as emoções ficarão ao mesmo tempo certas e mais confusas. O Amos vai fazer uma pontinha, não se preocupe, pois muito fala-se dele, mas o coitado nem deu as caras para conseguir se defender Hahahahaha
Eu queria que, pelo menos, as meninas fossem mais maduras que os meninos. Elas nunca juraram uma a outra que amam James e Sirius, algo que eles sempre deixaram muito claro um com o outro e por isso o atrito é e será uma marca que ambos terão.
Os casais vão demorar para serem destrocados, pelos motivos que falei e tals. Não faria sentido fazer a Lily se apaixonar pelo James no próximo capítulo. Ficaria muitoooooooooooo sem sentido e sem graça. Eu preciso explorar meu ponto de vista de como a ruiva foi terminar com o maroto, pois não consigo entender isso, sabe? Hahahahah
A divisão da fic vai ser em postagens diferentes, como fiz com a minha falecida Encurralados pelo Destino e tals. Mas eu acho que vou fazer só duas partes, pq eu tentei fazer uma "trilogia", fiz besteira na história anterior e não consegui engatar a última parte. Triste! Hahahaha
Gabriela Black: eu me perguntei se te abduziram, pois vc simplesmente SUMIU! Hahahahahaha. Sim, o Sirius é o cara DELÍCIA, que faria qualquer garota se humilhar por uma noite Hahahahahahaa. O James para mim respeita as meninas, até faz aquele tipo de cara que faz uma ficada durar uma semana, só para não ficar feio, sabe? Ain, eu adoro qdo vc fala sobre a queda por Sirius e Lily, pq o meu caso já virou um tombo Hahahahaha
Simmmmmmmmmmm! A Hermione passou o rodo em um monte de carinha, então, a Lily tbm podia mto bem fazer isso. Ainda mais pq ela era toda POP! Até o Slugh queria o corpo dela, GROSS! HAHAHAHAHAAHAHAHH
Vixi, assessoria nunca trabalhei, mas deve ser punk! Boa sorte aí!
DafnyFontenele: eu fiquei tão contenteeeeeeee em te ver por aqui! Como vc deve ser J/L ROXA deve estar se TORTURANDO em ler essa fic. Até pq a Lily e o Sirius virou tendência por aqui HAHAHAHAAHAH
Metadeeeeeeee: eu quero começar a season 2, comofas? Ela vai ser mais bacana, todo mundo revoltado, cheio de mimmimi (tudo bem que essa parte é do James, mas beleza HAHAHAAHAH)
Obrigada por terem passado aqui e serem tão fofas. É muito bacana trocar ideias sobre essa fic, na verdade, eu gosto de conversar mesmo e adoro saber das opiniões para saber se estou no caminho certo.
Não sei quando volto de novo, mas NÃO ME ABANDONEM! HAHAHAAHAH Qualquer coisa, estou no Twitter, no Facebook, na PM do FF, em qualquer BURACO! AHAHAHA
BEIJÃO!
