Capítulo 13

Depois de um almoço bem recheado e como tinham combinado anteriormente, Bella e Edward iriam sair para falarem á vontade sobre os seus passados. As mágoas e as tristezas que os dois guardavam dentro de si seriam finalmente contadas a alguém de fora, neste caso á pessoa que estava ao lado dele/a no momento.

Após muita insistência das crianças para que os dois ficassem a brincar com eles, Esme e Carlisle conseguiram convencer os netos a deixarem-nos sair um pouco, prometendo leva-los ao parque.

– Até logo princesas. – Edward despediu-se das meninas com beijos e depois passou a John. – Até logo campeão.

– Até. – Despediram-se a contra gosto.

Bella encheu o rostinho dos irmãos e das suas meninas cheios de beijos e seguiu com Edward. Aquilo que guardavam dentro de si, á anos, iria ser exposto. Só esperavam que os fizesse sentir mais leves.

Ao chegarem ao parque e para descomprir um pouco o ambiente que os rodeava, decidiram dar uma volta antes, a calma daquele local iria dar a força que eles precisavam para o que viria. Edward estava super nervoso e notava o mesmo em Bella, as mãos dela estavam mais frias que o normal e tremiam levemente. Mas alguém tinha que quebrar um pouco a tensão e Edward decidiu ser ele a fazê-lo.

– Bella vamos sentar naquele banco ao pé do lago? - Perguntou Edward tentando quebrar o silêncio e o nervosismo que se tinha instalado entre eles.

– Sim, vamos - Aceitou Bella.

Ambos sabiam que aquela conversa seria importante para a relação que se estava a desenvolver. Seria a quebra de confiança e fuga de tanta infelicidade ou o apoio incondicional que os faria reerguer. Dirigiram-se ao banco de mãos dadas, e o silêncio instalou-se novamente, mas menos pesado. Nenhum dos dois tinha coragem para começar a conversa.

O passado de ambos era algo que ainda os perturbava muito, os fantasmas sempre os assolando e lembrando que aquilo realmente aconteceu e não foi apenas um sonho mau. Passado esse que eles queriam esquecer e com a conversa que teriam em seguida muita coisa seria revivida, muitas feridas abertas e corações sangrando.

–Bella... -Edward... - Disseram em simultâneo. O facto de falarem ao mesmo tempo fê-los rir um pouco.

–Bella chegou o momento de falarmos do nosso passado, mas caso não estejas preparada, eu não quero pressionar-te. - Disse Edward, meigo. Ela era importante demais para ele, e se ela não estivesse pronta não a forçaria a nada.

–Eu não quero mais adiar essa conversa, por muito que tenhamos passado isso é um passo muito importante na nossa relação, e eu sei, que tu, assim como eu quer ter esse assunto resolvido. – Bella falou, fazendo Edward respirar de alivio, pois assim como ela, ele também achava um passo importante a ser dado. Seria uma libertação e um marco na relação deles. Demasiado importante.

–Bem… - Edward começou respirando fundo.

– Estou aqui para ouvir. – Bella falou segurando a mão dele para lhe dar força.

– A minha relação com Tânia começou muito cedo, eramos muito novos e não sabíamos nada da vida. Toda a minha família era contra a nossa relação, ninguém gostava dela, mas ainda assim casei com ela. – Edward falou olhando o horizonte como se estivesse a reviver todos aqueles momentos, e a deceção da família com o casamento. - Sinceramente á bem pouco tempo nem eu mesmo sabia porque fiz aquilo, teimosia talvez ou rebeldia para muitos. Mas agora, compreendo. Casei com ela por uma simples paixão e uma ilusão de amor que pensei que existia entre nós. Ledo engano, aquilo não era amor. – Confessou dando um sorriso triste a Bella que o olhava com compreensão nos seus belos olhos castanhos.

– Agora sabes? Quando descobriste esse sentimento? - Perguntou Bella curiosa e um pouco de ciúmes. A ideia dele ter tido alguém depois de Tânia era o pensamento dominante. Pensamento essa que ela não queria ter, afinal ele era livre e jovem e diga-se de passagem um ótimo partido para as mulheres daquela cidade.

– Sim, digamos que estou a descobrir o amor. - Piscou a Bella fazendo o seu coração acelerar de forma abrupta e um sorriso se abrir no seu rosto mesmo de forma involuntária.

– Bom saber, a mim está a acontecer o mesmo. - Confessou Bella envergonhada. Mas para não se deixar abalar seguiu com perguntas, estavam ali para falarem do passado. - Com que idade casaram?

– Com 21 anos, nessa época eramos apenas crianças, mas achava que já sabia tudo. Passados dois anos a Tânia ficou grávida da Caroline, ela nunca quis saber da filha e só reclamava da enorme barriga e de como iria ficar gorda. Quando a bebé nasceu recusou-se a cuidar dela e sempre a rejeitou. Foi nessa altura que a nossa relação esfriou de vez e a Tânia começou a revelar quem verdadeiramente era. Antes da gravidez as coisas já não estavam muito fáceis, porque a Tanya não entendia os meus horários e cansaço. Estava no início da minha carreira e precisava de me esforçar ao máximo, para conseguir chegar a algum lado. Ser medico nunca foi fácil e ela sabia disso quando aceitou casar comigo. Desde o nascimento de Caroline eu sempre fui pai e mãe para ela – Edward explicou com um semblante pesado. – Era eu que fazia tudo por ela, desde mudar fraldas a dar o biberão. Amamentar nunca fez parte dos planos da Tanya, segundo ela deixaria os peitos caídos.

Bella não sabia o que dizer ao ouvir aquilo que Edward lhe contava, como é que é possível uma mãe rejeitar um filho dessa forma. Ela já imaginava algo assim pela conversa da pequena Caroline mas ouvir isso de Edward foi como uma longa facada nela. Que mulherzinha tido sido ela? Um ser desprezível com certeza.

– Está tudo bem Bella? - Questionou Edward ao ver expressão de Bella ao ouvir tudo aquilo, ela parecia bem magoada.

– Sim, só não percebo como a Tânia pode fazer isso com Caroline. – Respondeu meio suspirando. – Isso fez-me lembrar os meus pais era comigo, mas estou bem, podes continuar.

Edward assentiu e continuou com o seu discurso, sobre quem tinha sido Tanya e como foi conviver com ela.

– Dois anos depois da Caroline, a Tânia voltou a engravidar, e mais uma vez não quis saber da filha. E da mesma forma que fui pai e mãe para a Caroline também o fui para a Sophia. – Edward fazia pequenas pausas, para ganhar a coragem para contar tudo aquilo por que tinha passado. - Foi uma altura difícil, a Caroline ainda era tão pequena e já tinha de dividir toda a atenção com a irmã, mas toda a família ajudou muito na altura, mesmo sem saber de tudo o que se passava. Foram uns dois anos assim, a minha vida resumia-se a trabalho, às minhas filhas e tentar que a relação com Tânia progredisse de alguma forma e ela muda-se de atitude com as meninas. O que mais me magoava era ver elas a precisarem da atenção da mãe e ela não querer saber. Mas tudo o que é mau pode piorar e foi isso que aconteceu. A Tânia começou a distanciar-se ainda mais, indo a festas e mais festas e foi numa dessas festas que conheceu James.

Bella já tinha os olhos brilhantes, com as lágrimas que ameaçavam cair, não queria imaginar as suas meninas passarem por isso. Deve ter sido horrível mas mesmo assim eram duas meninas adoráveis e sorridentes. Umas verdadeiras princesas. Mesmo estando profundamente sentida com tudo o que ouvia, não pode deixar de ficar curiosa para saber quem era esse tal de James. E o papel que ele teve na vida da pequena família.

– Quem é James? – Questionou curiosa.

– O amante que a levou à morte. – Edward respondeu de forma tensa - Eu sempre desconfiei que ela me traia mas sempre ignorei. Pelas meninas, elas precisavam de uma família e de uma mãe que pensei que ela ainda poderia ser. Até ao dia em que Caroline, na altura com 5 anos presenciou-a a mãe e outro homem na nossa cama nus. A partir daí foi o fim. Entrei imediatamente com o processo de divórcio em ação e expulsei Tanya de casa. Ela ainda tentou fazer-se de inocente e apelar pelas meninas, que nunca quis saber. Mas nada me fez mudar de ideias. Nas vésperas da assinatura do divórcio, a Tanya e o amante dela, James saíram para uma festa e beberam demais. Na hora de irem para casa, segundo testemunhos, numa brincadeira dos dois no carro e aliado ao excesso de velocidade, James perdeu o controlo do carro caindo por uma ribanceira morrendo os dois. As meninas não sentiram tanto a morte da mãe porque ela nunca foi presente. E com isso dei ainda mais atenção às minhas meninas. – Edward despejou tudo seguido com medo de perder a coragem e não conseguir falar mais.

– Desculpa falar tudo seguido e rápido mas tenho medo de perder a coragem.

– Á vontade. Continua. – Bella incentivou-o tentando controlar com esforço as suas lagrimas.

– A partir daí sempre fiquei de pé atrás com as mulheres. Foram três anos assim, até que te conheci, a doce e inocente Bella, que quebrou todas as minhas barreiras e acima de tudo ama as minhas filhas. – Edward terminou, confessando o quanto a bela morena era importante na sua vida.

Bella agora já chorava abertamente, era demais saber que Edward e as meninas tinham passado por isso, Tânia não merecia a família linda que tinha, mas não ficou indiferente ao facto de Edward só confiar nela agora e beijou-o de forma apaixonada. Ao terminarem o beijo reparou que Edward olhava para ela e sabia que tinha chegado a sua vez de contar tudo, agora sentia-se mais confiante, se ele conseguiu ela também conseguia.

– Durante o colégio namorei com Mike Newton, com quem tive a minha primeira vez que diga-se de passagem não foi lá grande coisa. Quando fomos para a universidade separáramo-nos e terminamos o namoro. – Bella explicou de forma rápida o seu inicio na parte amorosa.

– Bella não precisas... – Edward tentou detê-la.

– Shiiiu - Silenciou-o colocando-lhe o dedo sobre os lábios - Eu vou te contar tudo. – Afirmou cheia de certeza que estava a fazer o correto. Ele merecia.

– Ok. – Assentiu dando-lhe um leve sorriso de apoio.

– Na universidade, onde tirei o curso de jornalismo ainda tentei namorar com um colega de turma chamado Caius, mas o namoro não foi muito longe, e mais uma vez aconteceu, ele também não era grande coisa na cama e acabou por confessar que era gay.

Edward nessa altura riu, não se conseguiu conter.

– Difíceis esses namoros, espero bem não desagradar a senhorita nesse quesito – Edward brincou um pouco para desanuviar um pouco mas mesmo assim deixando Bella vermelha que nem um pimento.

– Acredito que passarás no teste – Bella brincou da mesma forma apesar de estar super corada. - Continuando... Sempre tive uma relação próxima com os meus pais, que eram o meu porto seguro e adorava visitar os meus irmãos. No ano em que terminei a licenciatura e comecei a trabalhar no jornal com o Jasper recebi a notícia de que os meus pais tinham morrido num acidente de automóvel. - Nessa altura, Bella já chorava só de lembrar do acidente que vitimou os pais - Um motorista de um camião, bêbado, passou um sinal vermelho num cruzamento em velocidade excessiva, embatendo no carro deles. Os dois morreram a caminho do hospital com hemorragias cerebrais.

– bella. – Ele tentou detê-la ao vê-la chorar tanto. Deveria ser difícil perder os pais assim de repente e ainda ficar com duas crianças a cargo.

– Eu quero continuar, Edward. Dói mas eu vou te contar tudo. – A morena limpou algumas das lagrimas que banhavam o seu rosto continuando o discurso sobre o olhar atento de Edward. - Como ainda tinha 21 anos e tinha começado a trabalhar foi decidido pelo tribunal que os meus irmãos iriam para um centro de acolhimento temporário, alegando que eu estava muito vulnerável com a morte dos nossos pais. Foi tão difícil viver numa casa vazia e pensar que eles estavam numa casa de acolhimento, mas isso fez-me erguer a cabeça, jogar tudo para trás e por uma máscara de está tudo bem e retira-los de lá. Lutei até que me foi dada a guarda deles, mas havia visitas periódicas da assistente social, qualquer deslize e eu ficava sem eles novamente.

– Bella és uma resistente e lutaste pelos seus irmãos, os teus pais teriam muito orgulho em ti, tenho a certeza. Nesse momento tenho ainda mais orgulho em ser teu namorado, pois sei que nunca vais desistir de nada. – Edward falou com orgulho na namorada, a mulher forte e lutadora que tinha ao lado.

– Obrigada Edward - Bella agradeceu com um pequeno sorriso - eu fazia-me de forte perante toda a gente, mas a verdade é que chorava todas as noites pela dor da morte dos meus pais. Nós três estávamos sozinhos no mundo sem o apoio de qualquer familiar próximo. Não foi nada fácil. O Jasper e Rosalie foram uns super amigos para mim, mas a Rosalie teve de sair do país em trabalho e só me restou o Jasper. Até que um dia, numa das idas ao parque conheci Esme. Foi como se um anjo tivesse caído na minha vida, nós conversávamos sobre tudo e ela foi um enorme apoio para mim mesmo sem saber

– A dona Esme tem esse poder com as pessoas, e ainda bem, pois, de certa forma foi graças a ela que nos conhecemos melhor - Edward sorriu lembrando da primeira vez que viu Bella no hospital, ainda sem saber quem ela era.

– Isso remete-nos para o dia que nos conhecemos e o que me levou até lá. – Bella suspirou, contando mais uma parte da sua vida. - Conheci Jacob uns três meses após a morte dos meus pais no cemitério. Ficámos amigos, mas a nossa relação progrediu e seis meses antes da tentativa de violação começamos a namorar, mais por conformismo do que por amor. Ele sempre foi muito carinhoso comigo e super atencioso, até aquele dia. Ele tinha bebido demais e o resto já sabes. Tu foste um anjo que apareceu para mim no momento certo e tenho muito a agradecer por isso.

– Eu é que agradeço por estares na minha vida.

Edward abraçou Bella e ambos sabiam que tinham aparecido na vida um do outro no momento certo e agora não havia nada que pudesse fazer com que eles não vivessem a vida, mas juntos. Seriam a cura um do outro. O amor pode tudo e tem caminhos que desconhecemos. Mas os dois encontraram-se no meio do caminho com uma simples razão, amarem e serem amados para poderem construir uma família feliz. Obstáculos todos temos mas juntos conseguimos tudo.