FIGHTING!
Xigaze, 15 de novembro de 2002. Os participantes da fase final do Torneio Outonal Chinês deveriam se reunir em Pequim.
- Vai lá, filho, e nos deixe orgulhoso! – Um homem alto para os padrões regionais, de longos cabelos negros e face lisa, sem nenhuma marca da idade que realmente tinha abraçou fortemente um garoto de cabelos mais longos ainda, presos em um rabo de cavalo baixo, que apesar de atingirem a cintura do garoto, permaneciam comportados como se fossem uma única grande massa consistente, sem se espalhar para todos os lados.
- Você também, Demônio Aquático! Mostre para eles o poder dos times pequenos! – O mesmo não podia ser dito do garoto ao lado, com cabelos castanhos tão longos quanto os do vizinho, presos no mesmo tipo de penteado. Eram porém, muito mais rebeldes do que os do colega, e formavam um emaranhado que poderia se tornar o pesadelo de qualquer cabeleireiro. Ele estava sendo abraçado por um homem visivelmente emotivo, com olhos marejados.
- Len, Toshihiro, Jun, se cuidem! – Pediu um terceiro homem, de rosto redondo e sorridente, o único que vestia terno e gravata. Seu celular parecia prestes a cair do bolso, mas ele não estava preocupado.
- Nos cuidaremos, pai, não se preocupe! – Anunciou a garota com a braçadeira de capitã. Seu rosto iluminava-se por seu sorriso que misturava felicidade e ansiedade. – Não vamos explodir o ônibus ou coisa assim!
Os dois garotos que a acompanhavam riram do comentário.
- Mas vocês são tão jovens... – Uma voz feminina exclamou, abraçada ao homem que abraçara o garoto de cabelos desgrenhados. – ... e já estão partindo em uma viagem tão longa!
- Ah, mãe! – Toshihiro exclamou, enquanto tentava evitar uma aproximação da mulher. – Nós vamos ficar bem! Vamos só cortar o país dentro de um ônibus lotado de pirralhos com idades entre nove e doze anos, nada demais!
Longe de ficar mais tranqüila, o rosto de Yan Urameshi assumiu uma expressão ainda mais aterrorizada e lágrimas passaram a correr rapidamente por sua face.
- Péssima idéia, Toshihiro... – O garoto dos cabelos pretos colocou a mão no ombro do amigo, como se dissesse "mais sorte da próxima vez". – Escuta, Urameshi-san... não tem nada demais nessa viagem, né, pai?
- Isso mesmo, Len está certo, Yan! – O homem que abraçara o filho poucos minutos antes se pronunciou. – Já cansei de fazer esta viagem, nada demais vai acontecer!
- Mais Qi, você é um profissional! Estes garotos são apenas crianças!
- Crianças que estão indo competir em um campeonato, como qualquer profissional faria!
Aproveitando-se da discussão dos adultos, o trio de jogadores embarcou no ônibus fretado para levar o time até a capital da República Popular da China para disputar a fase final de um dos quatro grandes campeonatos locais. Era a primeira vez que um time de uma vila tão pequena se classificava, e as crianças não cabiam em si de tanta excitação. Len Yin, Toshihiro Urameshi e Jun Yan passaram a semana que antecedia a viagem treinando junto com o time das oito da manhã até às nove da noite, parando apenas para comer e dormir, sem fim de semana ou feriado. Todos tinham suas razões para querer ganhar mais do que tudo, mas para o tímido camisa 1, esse torneio seria mais do que especial. Afinal, não é sempre que seu aniversário cai exatamente no dia das principais disputas.
O ônibus partiu. Enquanto as mães choravam e os pais acenavam, as cerca de vinte crianças reunidas no transporte pulavam e faziam a festa, felizes demais para simplesmente sentar e observar a paisagem. Teriam pela frente dois dias de viagem até chegarem à capital, e ninguém duvidava que não lhes faltaria energia para cumprir a jornada. Azar do treinador, que teria que controlar praticamente sozinho todos esses "anjinhos".
16 de novembro de 2002. Em algum lugar no meio de lugar nenhum, um ônibus se encontrava atolado em um buraco da estrada.
- Legal. Legal. Isso era tudo que a gente precisava! – Exclamou Jun, a primeira a sair do ônibus depois do treinador ao perceber a brusca parada, gozando de seu status como capitã, apesar de ter apenas onze anos de idade. – O que houve? – A garota agia como adulta ao encarar o motorista buscando informações.
- Caímos em um buraco. Sinto muito, mas acho que não teremos força suficiente para levantar este ônibus. Vejam o tamanho do buraco... – Jun espiou na direção indicada pelo motorista, se assustando com o buraco que mais parecia um precipício.
- O que faremos então? Não podemos ficar aqui parados, ou perderemos o campeonato!
- Teremos que esperar a ajuda chegar...
- O que está havendo? – Len e Toshihiro também saíram do ônibus, seguindo a companheira por curiosidade.
- Estamos encalhados. – A garota respondeu, irritada. – E se não sairmos daqui logo, vamos perder o torneio.
- Oh, não! – Len foi o primeiro a entrar em desespero. Era muita falta de sorte. – E agora? Como vamos sair daqui! Eu... Nós... Nós não podemos simplesmente perder o torneio, não sem jogar... lutamos tanto para chegar até aqui! Não podemos...
- Eu sei, Len, eu sei... – Era o treinador que falava. Sua voz estava lotada de decepção. – Treinamos muito para competir, mas se não pudermos sair daqui, não há nada a ser feito...
- Peraí! Eu tenho uma idéia! – Exclamou Toshihiro, sorrindo triunfante. – Len, Jun, vocês trouxeram as suas beyblades?
- Claro! Que pergunta idiota! Como poderia deixar Kailon se separar de mim? – Respondeu o goleiro, tirando o pequeno peão esverdeado do bolso de seu abrigo.
- Nunca abandonaria Kaluz por nada! – Respondeu a garota, também tirando sua beyblade do bolso.
- Ótimo! – Exclamou o líder dos Blue Fish, satisfeito. – Então me acompanhem, pois vamos desatolar um ônibus!
- Hum... Toshihiro, eu não sei se entendi bem o que você está pensado... – Sussurrou Len no ouvido do melhor amigo. – Como vamos desatolar um ônibus usando apenas três beyblades?
- Ah, já explico, já explico! Me sigam!
As duas seguiram seu líder, ainda um pouco incertas se isso era ou não uma boa idéia, deixando tanto o treinador quanto o motorista para trás. Após andar alguns metros na estrada de terra deserta, ficaram de frente para um riacho que corria paralelo a ela.
- Ótimo. Temos água, e agora? – Perguntou Jun, erguendo uma sobrancelha.
- Agora usaremos nossas feras-bit aquáticas para levar a água até o buraco onde o ônibus atolou até que ele fique cheio e a gente possa levantar o ônibus! Não é genial?
- E quem garante que a roda não vai atolar na lama ao invés de ficar livre do buraco, hein? – Perguntou Len, com um mau pressentimento com relação ao plano do melhor amigo.
- E você tem alguma idéia melhor, por acaso?
- Que tal se a gente usasse a força da água pra mover o ônibus todo pra frente, hein? – O moreno encarou o melhor amigo como quem diz "quem é o gênio aqui?".
- Eu acho que o Len levou a melhor dessa vez, Toshihiro... – Jun também ficou do lado do goleiro. Percebendo que perdera a batalha, o líder dos Blue Fish não teve outra escolha se não seguir em frente com o plano do amigo, não sem antes pedir que todos ficassem dentro do veículo com portas e janelas fechadas.
- Lá vamos nós! Três, dois, um, GO SHOOT! – Ordenou o mestre do leviatã, liberando as três beyblades para fazer seu trabalho. – Vai, Fenku!
- Vai, Kailon! – Len soltou seu tubarão verde.
- Arrasa, Kaluz! – Jun liberou seu gracioso golfinho.
- Agora, pessoal! Tirem o ônibus do atoleiro! – Novamente a ordem saiu do líder da equipe, e as três feras-bit obedeceram. O ônibus foi atingido por uma rajada de água e aos poucos começou a se mover, saindo do atoleiro depois de tensos minutos que pareciam horas.
Uma vez resolvido o problema, os três beybladers embarcaram novamente no ônibus e a viagem pôde continuar, com as crianças fazendo muita festa e o treinador e o motorista rezando para não enlouquecerem. Seria uma longa viagem...
17 de novembro de 2002. Chegada em Pequim, jogos do campeonato e festa para um aniversariante.
Apesar dos imprevistos, o ônibus da equipe de Xigaze chegou sã e salva em Pequim, após cinqüenta horas de viagem. O treinador Kim Hu Shei mal conseguia abrir os olhos, apanhado por uma letargia mental e corporal, em contraste com seus jogadores, que ainda estavam pulando, gritando, cantando e brincando com a mesma alegria do dia que deixaram sua cidade.
O mais animado era, sem sobra de dúvida, Len Yin. No seu aniversário de doze anos, estava pela primeira vez longe da família, rodeado de amigos e com chances de voltar para casa como campeão da China. Queria deixar o pai orgulhoso, mostrar para ele que estava disposto a seguir os mesmos caminhos que Qi Yin, goleiro titular de um time da região, trilhara.
- Muito bem, time! Vamos nos reunir! – Jun, aproveitando-se da ausência mental do treinador, passou a organizar o time. – Vamos seguir para o alojamento agora, e em meia hora vamos nos reunir perto da quadra pra olhar a tabela e decidir o nosso estilo de jogo. Vamos torcer para o nosso querido treinador Shei estar pronto para o jogo...
O time de Xigaze encontrou vários adversários ao longo do percurso, muitos dos quais os encararam feio ou com desprezo. Len foi um dos primeiros a revidar, com palavras não muito amistosas. Ninguém se deu ao trabalho de censurá-lo, já que logo todos os jogadores do time começaram a imitá-lo, inclusive Toshihiro.
Foi somente depois de muita discussão que o time conseguiu se fardar, os jogadores de linha vestindo o uniforme amarelo com as listra azuis, uma vertical e uma horizontal que se cruzavam perto da cintura, do lado direito. Idéia ao treinador, que gostava da Suécia e tentara fazer seu time usar um uniforme parecido com a bandeira do país, mas com as cores invertidas para não parecer tão evidente e também porque ele gostava mais de amarelo do que de azul. Len vestia seu uniforme preto de sempre, com a camisa número 1.
- Nossos primeiros adversários são de... Hong Kong! – Anunciou Jun, surpresa, enquanto lia a tabela. Seu time todo estava reunido e o treinador, depois de tomar alguns litros de café, encontrava-se novamente em condições de guiar o time. – Oh, não! Pelo que ouvi falar, eles são um dos times mais fortes da região!
- Não vai ser isso que vai nos fazer desistir, certo, pessoal? – Foi Toshihiro quem falou, se aproximando da garota para também olhar a tabela. – O time de Hong Kong pode até parecer mais forte do que nós, mas isso não é motivo para a gente entregar o jogo antes de ele começar! Vamos vencer, como a equipe forte que somos, e depois vamos fazer uma festa pro Len com o troféu de campeão!
Todos aprovaram a fala de Toshihiro, e alguns passaram a mão no cabelo de Len, um gesto que foi adotado pelo time como sinal de boa sorte. Tentaram fazer o mesmo com o rabo de cavalo bagunçado de Toshihiro algumas vezes, mas ele era tão embaraçado que as mãos de quem tentava acabavam presas nele, sendo Len o único a ainda fazer tal ritual, mesmo porque não poderia fazê-lo em seu próprio cabelo.
O primeiro jogo começou. Uma pedreira logo de cara. O time de Hong Kong treinava nos melhores campos da cidade, havia feito uma seletiva para convocar os melhores para treinar, tinha toda a infra-estrutura e pompa de um time rico e bem organizado, em contraste com o time de Xigaze que nada disso possuía. Ao entrar em campo e cumprimentar a torcida, as pernas de Len tremiam, embora ele se recusasse a admitir que estava com medo ou nervoso.
A pressão era grande, a zaga estava tendo trabalho. O vento soprava forte, e o cabelo bagunçado de Toshihiro se espalhava para todas as direções mais do que já era espalhado, atrapalhando não só os movimentos do menino como dos outros companheiros de posição. No primeiro descuido, o atacante adversário ficou sozinho com a bola. Len, assustado, saiu atrasado para cercá-lo, e o adversário saiu na frente no placar.
O goleiro aniversariante parecia estar mesmo sem sorte no seu grande dia. Os atacantes do outro time pareciam saber exatamente quais eram suas fraquezas, e aproveitavam-se do infortúnio capilar da defesa para promover uma humilhação dentro de campo. Uma, duas, três, quatro vezes mais Len viu as redes atrás de si balançarem sem que ele pudesse fazer qualquer coisa para impedir. E este havia sido apenas o primeiro tempo.
- Toshihiro, venha cá! – Chamou o treinador Shei. Seu rosto quadrado supersério, juntamente com a barba de dois dias por fazer e a expressão séria e compenetrada, deram ao chefe da zaga calafrios na espinha. Ele tinha alguma coisa em suas mãos, mas o garoto não conseguia distinguir muito bem à distância.
- O que foi, treinador? – Perguntou ele, tenso. Tinha quase certeza que teria que ouvir um dos maiores sermões de sua vida.
- Use isto. – Shei entregou ao aluno um atilho de cabelo. – Peça a Jun que lhe faça uma trança nessa coisa que você ainda chama de cabelo. Tenho certeza que assim os nossos movimentos vão melhorar e muito.
Toshihiro saiu da conversa com o treinador visivelmente impressionado. Enquanto a capitã cuidava de seu novo penteado, o garoto se perguntava se aquilo era tudo que ele tinha para dizer no intervalo.
Sem nenhuma mudança de jogadores ou sequer uma palavra do treinador, o time de Xigaze entrou de novo em campo. Ninguém se atrevera a falar com Len durante sua curta estada no banco, nem mesmo o goleiro reserva. Todos conheciam muito bem o temperamento do garoto e sabiam que ele estava se sentido humilhado, arrasado, incapaz de fazer qualquer coisa para ajudar o time, um zero a esquerda e todos os outros nomes pejorativos para se chamar um perna-de-pau inútil. Não chegou a pedir para sair, mas todos sabiam que era porque ele provavelmente não estava conseguindo falar nada.
O segundo tempo recomeçou com o goleiro aniversariante tão desanimado que ele estava a ponto de sentar-se apoiado nas traves e tirar um cochilo por lá, assim ao menos se livrava da vergonha de ter que agir como um cone em sua posição. Era assim que ele se via no momento, um cone, e seus olhos mal e mal viam a partida que se iniciava.
Era incrível a diferença que apenas um atilho de cabelo podia fazer em um time. Uma vez com o cabelo fora do caminho, Toshihiro passou a comandar não só a zaga, como também o meio do campo, e finalmente com liberdade para agir, o time de Xigaze começou a atacar para valer, dando à capitã do time a primeira chance de mostrar porque levava essa faixa presa no braço. Alguns dribles desconcertantes e uma bomba chutada com a perna esquerda depois, o time da vila do interior reduzia a diferença no placar de cinco para quatro gols.
Nem mesmo com o primeiro gol de seu time Len passou a se ligar no jogo. Foi preciso que Jun marcasse mais duas vezes, uma com um chute de perna direita colocado na gaveta e outro de cabeça após um escanteio, para que o garoto de fato despertasse.
"Meu time... Está jogando para valer! Nós somos melhores do que o time de Hong Kong sem fazer esforço! Eu não acredito! Eu não acredito! Como foi que mudamos tanto de um tempo para o outro? O treinador fez milagres de novo... Bom... se eles podem fazer milagres, eu também posso! Venham, seus manes, eu não tenho mais medo!"
Exatamente nessa hora, um atacante adversário arriscava um chute alto de longa distancia, sabendo que o goleiro de longos, porém comportados, cabelos normalmente não a alcançaria. Len entrou para dentro do gol e correu, deu alguns pequenos passos para pegar impulso e pulou tão alto quanto jamais pulara na vida. A bola foi para escanteio.
O goleiro pôde ouvir seu amigo zagueiro organizando o time dentro da área para tentar anular os movimentos dos adversários ali concentrados, enquanto se posicionava no meio do gol esperando que a bola não viesse em sua direção. Isso era pedir demais, ele sabia. Lembrava-se que pelo menos um dos gols dos adversários havia sido dessa maneira.
Dito e feito. A bola foi mandada para o meio da área, sua área de atuação. Desta vez, porém, ele não hesitou. Gritou com toda a força "é minha", para avisar aos companheiros que não o atrapalhassem, e segurou firme a bola, caindo no chão com ela segura encaixada em seu peito. Ao se levantar, viu Jun livre no meio do campo. Era sua chance. Alguns poucos segundos depois, o placar mudava para 5x4.
Outros ataques perigosos ameaçaram os dois lados, porém nenhum obteve sucesso. O time de Hong Kong parecia finalmente ter entendido o poder de Jun e agora sabia anular as suas jogadas, do mesmo modo que Toshihiro e Len faziam com os ataques adversários. Foi então que Kim Hu Shei lançou mão daquele conhecido como "reserva de luxo" do time de Xigaze, um garoto de nove anos, um pouco acima do peso, baixinho, pálido, de cabelos pretos um pouco mais curtos que os de Len e Toshihiro e caninos mais salientes que o normal . Sua camisa era a de número 23. Kei Kon não era exatamente o tipo de salvador da pátria que comumente se imagina, mas o time de Xigaze conhecia suas habilidades secretas, e não reclamou quando ele entrou no jogo para jogar ao lado da capitã.
Len sentou-se na linha do gol, curioso para ver o que o colega ia fazer. Toshihiro e os outros zagueiros se agruparam na entrada da área com olhares divertidos. Achando tudo muito estranho, os garotos de Hong Kong tiveram alguma cautela ao atacar, porém não cautela suficiente. Rápido como um raio, Kon foi do campo de ataque para a defesa e rapidamente roubou a bola dos garotos. Ao movimentar-se rumo ao campo de ataque novamente, seus movimentos lembravam muito os de um felino, um tigre, talvez, ágil em sua empreitada, silencioso e majestoso, por mais difícil que fosse imaginar um gordinho correndo com classe. Era irreal, mas estava lá. O time de Xigaze empatou a disputa, e ainda faltavam cinco minutos para o jogo acabar.
O time de Hong Kong entregou os pontos assim que viu a diferença no placar aumentar em três gols em apenas três minutos. Jogando em dupla, Jun e Kon eram realmente muito eficientes e nada podia pará-los. Resultado final: Xigaze 8x5 Hong Kong, de virada.
Os jogos que se seguiram a esse, incluindo a final, foram muito mais fáceis. A cada novo jogo, Len brilhava mais e mais com suas belas defesas, isso quando realmente precisava defender, já que a zaga comandada por Toshihiro acabou sendo eleita a melhor da competição. Isso, claro, quando a bola realmente ultrapassava a linha do meio do campo, visto que, mesmo sem que outra aparição do White Tiger se fizesse necessária, Jun dava um show no ataque, calando a boca de todos que diziam que garotas não sabem jogar bola.
Len não cabia em si de felicidade, nem o faziam seus companheiros de time. O ônibus voltou para casa ainda mais barulhento do que estava na viagem de ida, e pelo menos dessa vez ninguém ficou preso em um buraco. A viagem da volta, como sempre, foi mais curta, e acabou antes que os campeões nacionais pudessem realmente senti-la. Como celulares ainda eram coisas desconhecidas para as crianças e telefones fixos quase nunca funcionavam, os pais dos jogadores mirins somente ficaram sabendo do desfecho da competição quando seus filhos saíram do ônibus em fila gritando "É campeão! É campeão! É campeão!", com Len em frente a todos segurando a taça. Qi Yin foi o primeiro a correr, abraçando o garoto assim que este terminou de descer os degraus da escada.
- Parabéns, filho! Eu estou muito orgulhoso de você!
A fala do goleiro profissional foi pronunciada por outros vinte entre vinte pais e amigos daquele time que agora era o melhor do país. Chang e Kian também apareceram para cumprimentar os amigos, e os cinco Blue Fish voltaram para casa muito animados, cheios de novidades para contar e uma experiência para ser guardada pelo resto da vida.
Eram poucas as pessoas que com doze anos de idade podiam se gabar de terem ganhado um título nacional tão importante. Estavam em menor número ainda as que podiam se gabar de terem feito doze anos durante uma conquista tão importante. Naquela noite, pela primeira vez na vida, Len se viu no direito de sonhar com realizações ainda maiores, viu-se o goleiro titular de seu time numa copa do mundo. Viu-se defendendo um chute de um atacante vestindo uma camisa amarela e verde, número 10, com um topete nos cabelos castanhos sustentado a muito gel fixador. Viu seu sorriso de malandro se tornar uma expressão decepcionada e riu-se por dentro.
Ser goleiro era realmente muito bom!
Len: Finalmente! Finalmente eu recebi o destaque que eu mereço!
Toshihiro: Finalmente o Len não apareceu como aquele cara malvado e assustador do Torneio Oceânico!
Jun: Finalmente a gente apareceu jogando pra valer!
Felipe: E eu não acredito que esse carinha teve o topete de sonhar que defendeu um chute meu! Só em sonho mesmo! Hehehehehehe
Kian: Sai pra lá! Esse é o off-talk do Len, não o seu!
Ken: Já perceberam como é fácil errar na hora de digitar e escrever Ken ao invés de Len
Len: Já percebeu como é fácil acertar um soco na cara de um certo beyblader inconseqüente que acha que pode me roubar o estrelato com um simples erro de digitação? (Olhar sugestivo para o Ken)
Ken: Gulp... (cara de medo) melhor deixar pra lá... (sai correndo)
Len: assim está melhor! E, nossa... quanto tempo faz que a gente não ganha destaque nessa coisa?
Jun: Humpf! Eu to com raiva do James! Ele deliberadamente se esqueceu da MINHA fic de aniversário, que devia estar entre a do Carlos e a do Felipe, já que eu faço aniversário dia 27 de JUNHO!!! ò.ó (Jun irada-mode on)
James: (Aparece do nada) Não é que eu tenha esquecido... (vestindo uma armadura medieval só por via das dúvidas) É uma questão de estratégia! Espera só o ano que vem...
Jun: O que tem ano que vem? ò.ó (Irada-mode ainda on)
Atos Revolucionalis: Mais personagens, oras! (Nem sabe o que está fazendo ali)
Len: O que você está fazendo aqui? O.õ Não era o chefe da revolução que pretendia reavivar o comunismo stalinista nas repúblicas da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pra que o mundo esquecesse os terroristas muçulmanos pra que eles fizessem uma aliança com vocês por debaixo dos panos e vocês acabassem destruindo o mundo tacando bombas atômicas nas principais cidades americanas?
Elizabeth: Ah, não! Mas que cara mau! Você vai ver só! (Elizabeth com o taco de beisebol versão flamejante)
Atos Revolucionalis: Na verdade, eu vim aqui só pra pentelhar, (Elizabeth tenta bater no Atos Revolucionalis) e também porque o James é um folgado que não tem nada melhor pra fazer (Elizabeth nocauteada com um movimento do Atos Revolucionalis) e fica mandando os personagens que nem deviam estar aqui fazerem pontas sem sentido como essa só pra encher lingüiça enquanto ele próprio não aparece.
(Atos Revolucionalis some)
Len: Humpf! Nem para dizer tchau! ò.ó
James: (aparece do nada de novo) Eu já tinha aparecido.l. Esse Atos Revolucionalis tá ficando meio louco...
Toshihiro: Azar o dele! Assim na hora de lutar e dominar o mundo ele vai ficar mais imprestável e não vai conseguir realizar seus planos/o/
Len: Vocês estão fugindo do foco! O assunto aqui é o meu aniversário, que está exatamente UM MÊS atrasado! u.ú
(Coros de "ooohhhh" ao fundo)
Cristiano: Ah... e a minha fic só recebeu um review! Desse jeito eu vou ficar triste! TT.TT (sai chorando copiosamente)
Len: ehehehehehehe... MANDEM REVIEWS PRA MIM! Ò.Ó Se não eu vou brigar com o Toshihiro-baka de novo e vai ser outro dramalhão pessoal do personagem mais dramático da história!
Yoshiyuki: Não acho que ele seja o mais dramático... XD
Yuy: ¬¬'
Len: É, né... tem razão! (pose de pensador na privada) (quer dizer, em sua vida privada, não na privada. Não aquela privada que tem no banheiro de todas as casas que tem a felicidade de ter saneamento básico)
Chang: E agora? O que faremos? O.õ
Kian: vamos cantar parabéns para o Len com um mês de atraso/o/
(Todo mundo se agrupando em volta do Len pra cantar parabéns)
(A sinfonia quebra o vidro da tela do computador)
(Beybladers se libertam do computador e fazem o caos na cidade)
(Caçada aos beybladers termina de um jeito não muito legal...)
(Para as pessoas que moram na cidade! XD)
FIM
