Capitulo 13

Bela sacudiu as cinzas do casaco e tossiu com toda a poeira. Olhou em volta e verificou que estava onde tinha almoçado com o pai, afinal o pó e flo tinha dado resultado. Saiu para a rua principal e viu as luzinhas das janelas do castelo ao longe, sobre uma das torres flutuava uma marca verde, alguém tinha morrido. Sem saber muito bem o que fazer subiu a rua. Com um "plop" apareceu alguém do seu lado, Bela assustou-se viu que era uma rapariga loira que trazia a mão esquerda agarrada ao braço direito que sangrava.

- Preciso de ajuda – murmurou a rapariga.

Bela agarrou-a antes que fosse tarde.

- Vamos para a cabana dos gritos – disse Elisabeth e Bela obedeceu.

À luz dos candeeiros da rua a Cabana parecia ainda mais assustadora mas ela não sabia para onde ir.

Entraramm, e pela fraca luz que vinha das janelas Bela viu que tudo tinha um ar esfarrapado o que a fez duvidar sobre a segurança do sítio. Elisabeth sentou-se no sofá da sala em que estavam e lançou um feitiço de protecção sobre a casa. Bela fechou as persianas e acendeu a fogueira e todas as lanternas. Conjurou uma bacia com água e um pano limpo, Elisabeth percebendo a ideia tirou a camisola e o casaco. Bela com cuidado começou a limpar as feridas, deitavam um cheiro esquisito e eram estranhas, pareciam mordeduras.

- Tens murtlap? – perguntou Elisabeth.

Bela assentiu e tirou da mochila um frasco que tinha tirado a Mrs. Weasley, molhou o pano e passou-o pelas feridas. Elisabeth de imediato sentiu as dores atenuarem e o sangue a estagnar.

Ficaram em silêncio e Bela apercebeu-se do quão estúpida tinha sido, podia ser uma devorador da morte ou algo do género. Estudou a rapariga, tinha um ar altivo, era branquinha, tinha cabelo loiro liso e olhos cinzentos. Só rezava para que fosse realmente uma rapariga aleijada. Elisabeth estudou a rapariga, tinha cabelo loiro curto, mas algo lhe dizia que não era essa a sua cor natural, era morena e tinha olhos azuis, as suas feições não lhe eram estranhas mas Elisabeth não se lembrava onde as vira antes, tinha um ar melancólico e um pouco desgastado. Deviam ter mais ou menos a mesma idade mas nunca a vira antes.

- O meu nome é Elisabeth Bates – apresentou-se Elisabeth.

- Eu sou Bela – respondeu Bela duvidosa se devia revelar o seu nome inteiro.

Era isso! As feições eram parecidas às da doida varrida de Bellatrix Lestrange.

- Posso perguntar onde fizeste isso? – perguntou Bela olhando para o braço.

- Não, - respondeu Elisabeth – aliás tenho que ir embora.

- Não com o braço nesse estado, devias ir a um hospital ou algo do género – impediu-a Bela.

- Eu sei cuidar de mim – respondeu Elisabeth levantando-se.

- Andas em Hogwarts? – perguntou Bela.

Elisabeth assentiu.

- O que se passou? Alguém morreu?

- Eu só tive tempo para fugir – esclareceu Elisabeth.

Bela não percebeu, Hogwarts não era o lugar mais seguro do mundo? Então porque fugir?

- Andas fugida? – perguntou Bela admirada. – Porque?

- Nada que te diga respeito, tenho que ir embora o mais rápido possível.

- Eu vou contigo – decidiu Bela. – Pelos vistos estamos no mesmo barco.

- Ai sim? – perguntou Elisabeth incrédula. - Andas a fugir também?

- Sim – garantiu Bela.

As duas olharam uma para a outra duvidosas, mas afinal sempre era melhor andar com alguém do que sozinha. Elisabeth vestiu uma camisola e um casaco que Bela trazia no saco. Saíram á rua onde lentamente começava a amanhecer.

- Vamos para onde? – Perguntou Bela.

- Londres, como é óbvio – respondeu Elisabeth. – Já sabes Desaparecer?

- Não ainda não – respondeu Bela.

As duas deram as mãos e desapareceram.

- Vamos procurar uma casa abandonada – mandou Elisabeth. As duas loiras puseram-se a andar pelas ruas.

- Esta parece abandonada – observou Bela olhando uma casa já antiga de aspecto abandonado.

- É já esta - decidiu Elisabeth e entraram. – Homen revelio. Parece estar desocupada.

Elisabeth começou a lançar feitiços de protecção que tinha encontrado na biblioteca para tornar a casa segura.

- Esta casa está uma desgraça – observou Bela tossindo com a poeira.

Elisabeth ignorou o comentário dela.

- A casa está sobre o encantamento Fidelius apenas eu e tu conseguimos cá entrar - explicou e olhando em volta acrescentou – em principio aqui estamos seguras lancei toda protecção que conheço.

Bela assentiu com a cabeça. Já tinha lido sobre esse encantamento em qualquer lado.

- Eu tenho que ir à Diagon-al, tenho que arranjar o Profeta Diário.

- Está bem – concordou Bela, – eu vou tentar tornar este sítio mais habitável.

Elisabeth girou a varinha no ar direccionada á própria cabeça e num abrir e fechar de olhos ficou ruiva com o cabelo a bater pelos ombros. Bela olhou impressionada. Ela demorava mil vezes mais tempo para conseguir faze-lo. Elisabeth conjurou óculos escuros e saiu.

Quando Bela estava arredar os móveis da sala de jantar para instalar dois colchões Elisabeth entrou.

- Que se passa? – perguntou Bela – estás branca como a cal.

- O Dumbeldore morreu – disse Elisabeth num tom miudinho lançando-lhe o jornal com a mão do braço são.

- Quem? Espera ai, o director de Hogwarts?

Elisabeth olhou-a admirada. Toda a gente sabia quem era Dumbeldore, mas assentiu com a cabeça. Bela abriu o jornal aflita à procura de mais alguma morte, o pai andava a trabalha com ele, será que estava bem? Mas não vinha mais nenhuma morte anunciadas. Poisou o jornal aliviada.

- Se Dumbledore morreu…estamos perdidos – murmurou Elisabeth ainda chocada.

Bela sabia que esse tal professor era muito famoso, que era um grande feiticeiro e que era ele que mantinha a Ordem. Continuou a folhear o jornal.

- Não vale a pena veres mais esse jornal nunca traz nada de jeito, nem sequer 25% do que acontece vem aí – observou Elisabeth ao ver Bela ler o jornal.

Bela ficou aflita, talvez ao pai tivesse realmente acontecido algo. Porque é que tinha fugido? O pai poderia estar mal, mas se ele estivesse mal não seria ela a ajuda-la de certeza, não, o pai estava em boas mãos. A ordem iria cuidar bem dele. Olhou para o jornal como se aquele pedaço de papel lhe tirasse as duvidas e algo despertou-lhe a atenção.

A aluna Elisabeth Bates prima de Lucius Malfoy fugiu nessa mesma noite, se teve algo a ver com a morte deste grande feiticeiro ou não o profeta diário não conseguiu apurar. Mas os aurores incluíram-na na sua a lista de buscas.

Assustada Bela parou e olhou a raparia.

- Como é que te chamas?

- Elisabeth Bates – respondeu a loira sem perceber por que motivo tinha ela perguntado aquilo.

Bela ficou sem respirar, aquela rapariga seria um devorador da morte tal como o primo? Mas havia algo que não batia certo se fosse um devorador da morte tinha fugido com eles.

- É melhor veres isto – sugeriu Bela a tremer pelo corpo.

Elisabeth olhou-a a rapariga tremia toda e tinha perdido subitamente a cor e olhava com medo? Tirou-lhe o jornal e leu, estava à espera de tudo menos de ler quilo.

- Mais vale eu matar-me já – comentou deitando o jornal ao ar e queimando-o.

- Não tens nada a ver com Voledmort? – perguntou Bela surpreendida e sentindo um peso cair-lhe do peito.

- Não pronuncies o nome do Senhor das Trevas! – gritou Elisabeth aflita.

- Ah, esta bem desculpa.

Elisabeth respirou fundo a miúda era louca. – tu tens algo a ver com quem nos sabemos?

- Claro que não – respondeu Bela.

- Eu não sou como os meus familiares – explicou Elisabeth – queriam que eu me juntasse aos devoradores. ontem houve um luta, eu lutei contra os devoradores nesse momento assinei a minha sentença de morte. Mas pelos vistos agora ainda estou pior, andam os aurores atrás de mim.

- Isso é verdade?

- Olha se eu fosse realmente uma do senhor das trevas não respiravas a este momento e muito menos te contava o que te estou a contar – respondeu Elisabeth.

Bela olhou-a a muito sério, o que a rapariga dizia tinha fundamento. Ela afinal era filha de Bellatrix e não era a pior pessoa do mundo por isso.

- É verdade, o teu braço? – perguntou Bela lembrando-se

- Eu acho que está um bocado melhor – afirmou Elisabeth.

- Deve te fazer falta – observou Bela.

- Não, eu uso tão bem a mão direita como a esquerda. Eu era esquerdina mas como existe o preconceito que esses eram os feiticeiros mais fracos aprendi a usar a direita – explicou Elisabeth sorrindo perante a ironia do destino.

- O meu pai também é esquerdino – disse Bela sorrindo ao lembrar-se do pai.

- Então porque não estas com ele? – perguntou Elisabeth.

- Longa historia - respondeu Bela encolhendo os ombros. – Desculpa voltar a perguntar mas onde fizeste isso ao braço?

- Foi na luta, um lobisomem atacou-me. Mais valia ter ficado na cama que ainda tinha o braço bom, tinha B… - a frase ficou-lhe trancada na garganta, tinha Blaise e agora o que iria ele pensar dela?

- Tinhas o que?

- Nada, nada – disse Elisabeth.

Houve um momento de silencio e não trocaram mais palavra. Bela levantou-se continuou a arrumar as coisas. Aos poucos conseguiu tornar a cozinha, a sala e a casa de banho habitáveis.

- Bem és cá uma fada do lar – observou Elisabeth impressionada.

Bela encolheu os ombros – também não sei fazer mais nada. Só no verão descobri que era uma feiticeira.

Elisabeth olhou-a a chocada, mesmo que ela fosse de origem muggle tinha descoberto há muito mais tempo.

- Quantos anos é que tens?

- 17.

- E não recebeste a carta de Hogwarts quando fizeste 11

- Eu só vivi na Escócia ate aos 7, sou portuguesa.

- E lá em Portugal não há escola?

- Haver há, mas eu não existo no mundo dos feiticeiros, apenas nos registos muggles portugueses.

- Isso é impossível – disse Elisabeth chocada.

- O meu pai trocou-lhes bem as voltas – disse Bela a rir.

- O teu pai é uma besta.

- Tu não o conheces para estares a dizer isso! - berrou bela, quem é que aquela rapariga pensava que era? – O meu pai faz tudo para me proteger!

- Se isso incluísse meter-te numa torre também o faria não?

Bela respirou fundo.

- Tu não o conheces, não tens bases para dizeres isso.

- O teu caso deve ser mesmo especial – disse Elisabeth sarcasticamente.

- Acredita que é.

Bela disse aquilo num tom tão sério que Elisabeth viu-se obrigada a acreditar aquela rapariga carregava algum mistério.

- E porque é que não estas com os teus pais? – perguntou Bela.

- Eu sou órfã – respondeu Elisabeth.

- Ah. Lamento – disse Bela sem lhe ocorrer nada melhor para dizer.

- Não lamentes. Para te ser sincera não consigo ter saudades do que nunca tive alem disso fui crida pelos meus primos como uma filha.

Bela bocejou.

- Olha e se fossemos dormir?

- Não era mal pensado.

As duas deitaram-se nas camas que bela tinha trazido dos quartos para sala.

Bela acordou olhou de volta e Elisabeth já não estava lá, assustou-se e se a rapariga fosse realmente perigosa? Pegou na varinha e sentou-se muito direita à espera de ver alguém aparecer para lhe fazer mal. A porta abriu-se, Bela deu um pulo e apontou a varinha à porta.

As duas gritaram.

- Quem és tu? – berrou Elisabeth apontando a varinha a Bela.

- Sou eu, Bela – disse baixando a varinha ao ver que era Elisabeth.

- Que raio! Pensei que fosse Bellatrix.

- Não eras a primeira a pensá-lo – respondeu Bela aliviada.

- Eu logo vi que não eras loira, – disse Elisabeth aproximando-se – e também que não tinhas olhos azuis.

- Pois, que foste comprar? – perguntou Bela vendo os sacos que Elisabeth trazia.

- Coisas que são precisas, hoje ninguém me reconheceu mas um dia destes pode acontecer, e tu também vais ter que sair – explicou enquanto ia tirando as coisas.

Bela também tirou as coisas, roupas, frascos com ingredientes esquisitos…

- Estas malas são lindas – observou bela tirando duas malas, uma preta, outra prateada.

- A prateada é para ti, vi as tuas luvas e achei que combinassem.

- Como é que vistes as minhas luvas?

- Revistei o teu saco, que é muito feio – respondeu Elisabeth com naturalidade.

- Tu revisaste o que? – perguntou Bela indignada.

- Se não revisitastes a minha é porque és burra, mas não tens nada suspeito, alias não me pareces suspeita – esclareceu Elisabeth rindo, aquela rapariga tinha muito a aprender.

Bela ficou sem saber que dizer, aquela rapariga tinha razão.

- Gastei imenso ouro, a comprar isto tudo, mas bom é preciso. Eu vi o teu livrinho, andas a ter aula privadas?

- Ah, não. Pegava em todos os livros que encontrava e resumia o que achava útil.

Elisabeth olhou-a muito séria elevando uma sobrancelha numa clara duvida.

- E sabes fazer os feitiços e encantamentos que lá estão?

- Ah sim, quase todos.

- Tens noção que tens ali matéria desde o 1º ate ao 7º? E deixa-me dizer-te que escolheste bem os feitiços.

Bela ficou na dúvida se aquilo era para ser um elogio ou apenas uma observação?

- Tens a cabeça a valer 2 mil galeões, sabias disso?

- Eu sei, que grandes miseráveis a minha cabeça vale bem mais que 2 mil galeões – respondeu Elisabeth sarcasticamente.

- Eu acho que já ouvi falar nos Malfoys – disse Bela tentado lembrar-se. – Ah, já me lembro era um tal Drago, Draco qualquer coisa assim. Diziam que era um parvalhão.

- Parvalhão é quem te disse isso, ele é arrogante e isso mas também eu o sou, não há mal nenhum nisso.

Bela não respondeu, ainda não se tinha apercebido de quantas saudades tinha desse parvalhões. Não os conhecia nem há um ano e era como se sempre os tivesse conhecido. Sentia saúdes das suas risadas dos braços de George para a envolver quando estava triste.

- Ui, toquei num assunto delicado – disse Elisabeth pouco arrependia.

- Não, não tocaste – disse Bela. Mas porque é que de repente lhe doía tanto lembrar-se dele?

Continuaram a arrumar e Bela viu algo a reluzir na mão da companheira.

- Lindo anel – elogiou Bela.

Elisabeth parou e olhou-o. Já nem se lembrava que o possuía. Tirou-o e ao faze-lo sentiu algo a ser lhe arrancado como se lhe tirassem um pedaço. Mas ela tinha que o tirar podiam reconhecer o anel e alem disso lembrava-lhe a pessoa que lho tinha oferecido. Agarrou com força na mão e depositou-o junto do fio que Narcissa oferecera. Há 24 horas tinha estado tudo bem, agora estava ali com uma estranha que talvez fosse buscar a pechincha dos 2 mil galeões.