Notas:

É isso, gente, chegou ao fim. T.T Quero agradecer, primeiramente a Amy, que betou com perfeição essa fic, como sempre. Também a todos que comentaram, favoritaram e seguiram a fic até aqui. Pode parecer pouco, mas isso aumenta e muito a visibilidade dela e do autor (vulgo eu!).

Também quero dizer que eu planejei um cap extra curtinho, que já está pronto na minha cabeça, mas ainda n coloquei no papel. Mas assim que fizer isso e a Amy betar eu posto aqui. Beijos de luz! ;)

Autor: Matthew Black Potter Malfoy

Beta: Amy Lupin

Shipper: Albus Potter/Scorpius Malfoy

Disclaimer: Diferentemente de mim, a Rowling não tem culhões para publicar um slash que é obviamente óbvio. (Ozada a menina hoje! oO)


As manhãs de segunda eram as minhas preferidas durante as férias, pois papai me deixava ajudá-lo nos experimentos que fazia em seu espaçoso laboratório. Ele guardava o resto da semana para pesquisas e testes mais aprofundados que, de acordo com ele, eu ainda não tinha domínio e clareza para entender completamente. Mas, nas manhãs de segunda, sempre havia algo que ele podia me ensinar.

Eu o admirava enquanto trabalhávamos lado a lado em silêncio, pensando que um dia seria como ele. Afinal, estava no caminho certo até agora, apanhador por slytherin, melhor aluno da casa e acabara de receber minha carta sendo nomeado como monitor.

Mas, naquela segunda, Albus Potter foi botado à força de volta nos meus pensamentos.

"Ei, Scorpius!" Teddy chamou da lareira quando entrei na sala de flu.

"O que é tão urgente que você fez o elfo me chamar, Teddy?" Eu bufei, contrariado. "Você sabe que hoje é segunda."

"Que seja!" Ele revirou os olhos. "Eu preciso de um favor."

"Nem por todo o ouro de Gringotts, Teddy. Você não vai me convencer a roubar ingredientes do estoque do meu pai de novo."

"Não é isso, garoto." Ele exasperou-se. "Eu preciso que você dê um lance maior do que o das garotas no próximo piquenique de Hogwarts."

"Você vai ser um basket boy esse ano, de novo?" Eu pressionei os meus lábios, tentando conter um sorriso.

"Hahaha. Muito engraçado." Ele fechou a cara. "Se você já terminou de zombar da minha desgraça, pode me responder. Você vai fazer isso?"

"Por que você não deixa que uma delas te compre?" Eu disse com um sorriso escarninho. "Você nunca pareceu incomodado quando era Victoire Weasley quem fazia isso."

"É exatamente por isso." Teddy soou magoado, o que fez eu me arrepender do comentário. "Eu ainda não superei o término. Não quero sair com nenhuma outra garota por enquanto."

Encarei Teddy por um momento, triste pela sua situação. Ele obviamente ainda gostava da garota. Eu nunca a conheci oficialmente, visto que nossa relação familiar sempre fora mantida às escondidas, mas não é como se a garota merecesse minha simpatia. Ela constantemente estava brigando com Teddy e fazendo-o correr atrás dela, como se ele fosse o culpado e quando ela recebera uma bolsa para estudar medibruxaria na França e terminou com o garoto, decidi que ela não merecia Teddy de qualquer forma.

"Então? Vai me ajudar ou não?"

"Eu não sei, Teddy." Esfreguei minhas mãos nas minhas vestes. "Quer dizer, olha como todos reagiram durante o jantar na casa de tia Luna. Imagina como as pessoas vão reagir vendo nós dois dividindo uma sexta em um pseudo-encontro. Além do mais, você é nove anos mais velho que eu."

"Eca, Scorpius." Teddy fingiu cara de nojo. "Nós somos primos!"

"Por que você não pede isso para um dos seus quinhentos primos?" Eu notei como havia soado magoado, mesmo que essa não fosse minha intenção.

"Bem..." Ele pareceu cogitar a ideia por um instante. "Em primeiro lugar, você é meu parente de sangue mais próximo, mais do que qualquer um deles. Foi você mesmo quem me mostrou isso naquela árvore genealógica dos Black. Em segundo lugar, não me importo com o que as pessoas vão dizer. E em terceiro lugar, não posso pedir para nenhum deles que faça isso sem correr o risco de que isso chegue aos ouvidos de Victoire e não quero que ela pense que ainda gosto dela."

"Ah! Qual é, Teddy!" Eu suspirei. Definitivamente não estava interessado em fazer aquilo. "Deve ter pelo menos um em quem você possa confiar."

"Na verdade, acho que o Albus não diria o motivo para ninguém, se eu pedisse. Mas ele também será um basket boy esse ano, então não me restam opções além de você."

"Albus Potter também será um basket boy?" Eu não consegui impedir-me de soar chocado.

"Sim. Foi até engraçado o motivo..." E de repente os olhos de Teddy estavam arregalados em minha direção. "Espera um minuto. Não vai me dizer que você ainda tem aquela paixonite por ele."

"Não, Teddy!" Eu neguei veementemente. "Isso é passado."

"Então nada te impede de me comprar no piquenique." Ele me lançou aquele olhar de cachorro abandonado.

"Tá bom, Teddy." Eu girei os olhos. "Mas você vai ter que explicar isso para o meu pai. Duvido que ele fique feliz se achar que eu estou interessado no meu primo que, por um mero detalhe, é nove anos mais velho que eu."

No final das contas, a notícia de que Albus seria um dos basket boys não me afetara tanto. Pelo menos até o dia do piquenique.

"Eu escutei dizer que você vai entrar na disputa pelo Albus." Fancy Bones veio me dizer assim que meus pais se afastaram para cumprimentar os pais de Parker.

"Disputa?" Eu cuspi as palavras, incrédulo.

Quem essa garota pensa que é? Falando de Albus como se ele fosse um pedaço de carne. Não é como se eu tivesse algum interesse em dar um lance por Albus, mas imaginar que ela iria passar a tarde com ele simplesmente me embrulhava o estômago.

"Bem...não vai ser uma disputa muito justa se você entrar nela, não é?" Ela disse, fazendo uma expressão como se chupasse um limão. "Ninguém aqui tem uma herança ou magia negra para usar como meio de manipulação, afinal."

Eu travei a mandíbula e fechei os punhos ao lado do corpo. Não vale a pena, Scorpius. Deixe-a falar o que quiser.

"Pode ficar despreocupada, Bones." Consegui dizer entredentes. "Não tenho intenção de fazer isso. Eu não gosto dele mais."

"Sei." Ela torceu os lábios. "Como se alguém acreditasse nisso."

"É verdade!" Eu me irritei. "Vá em frente! Gaste seu dinheiro. Pegue seu prêmio, Fancy, você venceu. Eu não me importo!"

Fancy soltou um som agudo pela boca, provavelmente na intenção de dizer que não acreditava em mim. Eu me virei e caminhei até onde meus pais estavam. Ficar perto deles até a hora do leilão faria com que eu evitasse aquele tipo de comentário.

Não importava o quanto eu dissesse que não me importava. Ao ver Albus entrar naquele palco em seu terno muggle bem cortado, segurando sua sexta, senti todos aqueles sentimentos novamente. Antes que eu pensasse direito, Teddy foi chamado. Então Albus era o próximo.

As meninas ao redor começaram a dar lances por ele, mas eu não conseguia manter meus olhos no garoto de cabelo arroxeado em cima do palco, pois os olhos verdes de Albus estavam cravados em mim.

Mas, quando olhei novamente para Teddy, lá estava o olhar desesperado dele e aquilo fez com que eu subisse o lance para uma quantia que eu sabia que as meninas que lanceavam ao redor não poderiam cobrir.

Como aquilo aconteceu? Aquilo era por que eu tinha prometido a Teddy que iria ajudá-lo? Ou por que não confiava em mim mesmo com Albus?

Enquanto Teddy veio sorrindo ao meu encontro, eu repassava aquilo na minha cabeça. Eu estava ali prestes a ter meu "primeiro encontro" com meu primo, enquanto o garoto que sonhei durante quase metade da minha vida iria ter um piquenique romântico com minha pior inimiga.

"Obrigado por fazer o lance, Scorpius." Teddy disse, sorrindo. "Por um momento achei que você iria me deixar na mão."

"Foi bom fazer um suspense. Pra que elas achassem que tinham chance." Eu menti descaradamente. "Como vão as coisas no quartel agora que você terminou seu treinamento?"

"Ah! O Harry tem pegado no meu pé. Ele acha que tenho que dar o exemplo, para que ele não seja acusado de favoritismo ou algo do tipo..."

Tentei dar toda minha atenção ao que Teddy falava, mas era difícil, pois Albus estava bem atrás dele.

Teddy estava falando sobre feitiços de proteção e desarmamento quando algo inusitado aconteceu. Albus se levantou e veio em nossa direção.

"Scorpius, eu preciso falar com você!" Ele sentenciou, me puxando pelo braço.

"O que você tá fazendo?" Eu perguntei, confuso.

Foi quando ele fechou os olhos que eu entendi. Ele ia me beijar. A vida inteira eu tinha esperado por aquele beijo. Mas não assim. Não desse jeito.

Meus pais não disseram nada depois que me encontraram no saguão de entrada com Albus. Nem quando chegamos em casa. Aparentemente, minha privacidade estava preservada em casa, pelo menos.

Naquela noite, meu pai entrou no meu quarto e sentou em minha cama, enquanto eu fingia estar dormindo.

"Você quer conversar, Scorpius?" Ele perguntou de maneira branda.

Eu abri meus olhos, tentando segurar as lágrimas.

"Por que ele fez isso?" Perguntei, sentindo minha bochecha molhar.

Nesse momento, uma coruja entrou pelo quarto carregando uma carta de Albus.

"Acho que ele também gosta de você, no final das contas." Meu pai sorriu.

Eu poderia dizer que ele estava até emocionado, pela maneira como seus olhos brilharam.

"Não quero ler isso." Eu disse, entregando a carta para ele. "Rasgue. Queime. Só tire isso de perto de mim."

Eu sabia que meu pai não iria se desfazer da carta, para o caso de eu mudar de ideia. Mas eu não a queria perto de mim para me tentar.

"O jantar será servido em dez minutos." Ele disse, mesmo que eu não precisasse saber daquilo. As refeições eram sempre servidas nos mesmos horários, todos os dias.

Dois dias depois, eu estava na biblioteca tentando terminar uma lição de poções enquanto vovó Narcissa olhava pela janela o túmulo do vovô, fingindo que lia um livro, - eu me perguntava se ela estava bem - quando um elfo apareceu. Aparentemente, Albus não iria me deixar em paz tão facilmente.

"Sr. Malfoy," O elfo cumprimentou fazendo uma reverência. "Desejam falar com você na lareira."

"Quem?" Perguntei, temendo a resposta.

"Albus Potter, senhor."

Eu gemi.

"Eu resolvo isso, Sally." Minha avó disse, levantando-se da sua poltrona. "Volte aos seus afazeres."

"O que a senhora vai fazer?" Perguntei, enquanto o elfo desaparatava.

"Você deseja falar com ele?" Ela perguntou, como se a resposta para aquilo não fizesse diferença, mesmo que eu soubesse que não era verdade.

"Não." Eu murmurei.

"Então vou dizer a ele que você não pode falar, no momento." Ela sorriu brandamente, saindo da biblioteca.

Mamãe entrou alguns segundos depois, olhou para a poltrona vazia, depois para mim.

"Scorpius, cadê sua avó?" Ela perguntou, como se já soubesse a resposta.

"Hum..." Eu belisquei meu lábio inferior, culpado.

O elfo provavelmente deveria ter avisado o que estava acontecendo.

Mamãe não precisou de uma resposta para sair apressada da biblioteca. Eu, no entanto, lutei contra minha curiosidade de segui-la. Não achava que conseguiria ouvir a voz de Albus no momento, de qualquer forma.

Dez minutos depois, mamãe retornou sozinha, encostando-se ao batente da porta - pose que deixava vovó Narcissa irritada, frequentemente.

"Uma hora você terá que encará-lo, Scorpius." Ela disse, sensata.

Fingi que ela não falava comigo e ela não esperou uma resposta, antes de sair novamente.

Depois do incidente da lareira, achei que Albus tivesse desistido. Ele não me mandou nenhuma carta ou fez contato pela lareira.

Mas, na tarde da segunda que antecedeu o retorno às aulas, eu estava caminhando com papai para fora de seu laboratório quando avistei, por uma das janelas, alguém mexendo no túmulo de vovô.

Eu não acreditei quando percebi que era Albus.

"O que ele está fazendo?" Eu gritei, me aproximando da janela.

"Ei, Scorpius, calma!" Meu pai chamou minha atenção. "Eu dei permissão."

"Para violar o túmulo do vovô?" Eu rebati, sarcástico. "Ele está cavando em volta do túmulo, pai."

"Eu sei." Ele sorriu. "Eu disse que ele podia."

"Por quê?"

"Bem...ou você vai até lá e pergunta pra ele, ou fica aí olhando até descobrir por si só."

Meu pai continuou andando pelo corredor. Eu, no entanto, continuei parado em frente a janela.

Foi uma tortura vê-lo cavando a grama ao redor do túmulo do meu avô. Em algum momento, ele percebeu que eu o olhava pela janela. Mas ele não se desviou da tarefa de revirar o gramado.

Eu esperei até que ele saísse de perto do túmulo. E continuei esperando por alguns minutos até ele voltar, empurrando um carrinho de mão. Percebi que tinha adubo no carrinho e algumas mudas de flores.

Flores? Ele iria plantar flores ao redor do túmulo do meu avô? Por quê?

Demorei alguns minutos ainda para perceber que todas as flores, apesar de suas diferentes colorações, eram Narcissus.

-Pinhãozinho-

Quando Scorpius caminhou pelo gramado em minha direção, eu pensei na primeira vez que o vi e em todos aqueles anos que eu o evitara. Como alguém poderia querer fugir de Scorpius Malfoy?

-Pinhãozinho-

Quando o vi ali parado, olhando para mim com aqueles incríveis olhos verdes, percebi que eu ainda esperava de Albus Potter meu primeiro beijo. E percebi que, em todos esses anos, nós não havíamos conversado realmente.

"Se minha avó vir você mexendo no túmulo do meu avô, ela te mata sem receios de ir parar em Azkaban. Você sabe disso, não sabe?" Eu sorri enviesado.

"Achei que valia a pena correr o risco." Ele disse, dando de ombros. "Além do mais, seu pai me garantiu que ela não estaria aqui hoje."

Ele se abaixou, puxando duas pequenas estátuas de metal do carrinho de mão, um dragão e um escorpião. Eu franzi a testa, curioso.

"Você sabe." Ele deu de ombros. "Não havia nenhuma flor que lembrasse você ou seu pai. Achei que poderia fixar isso com um feitiço."

Eu não pude impedir que uma lágrima escorresse pela minha bochecha quando ele me entregou as estátuas. E, pra dizer a verdade, eu não me importava.

"Você quer me ajudar?" Ele disse, apontando para as flores.

"Claro." Respondi com um sorriso.

Nós nos ajoelhamos lado a lado e começamos a bater a terra fofa para assentar as flores em seus lugares, enquanto conversávamos sobre amenidades. Ficamos ali naquela tarefa até o sol começar a se pôr, mesmo que não houvesse necessidade.

E, em algum momento, a mão dele pousou sobre a minha.

Eu levantei meus olhos, encarando aqueles olhos. Ele se inclinou em minha direção, fechando os olhos. E dessa vez, eu não me afastei.

Foi apenas um roçar de lábios. Algo inocente. Mas aquele havia sido meu primeiro beijo e, para mim, foi perfeito.

Quando ele se afastou, suas bochechas estavam coradas e eu sabia que as minhas não deveriam estar diferentes. Sem dizer nada a respeito, nós voltamos a nossa tarefa de arrumar as flores. Nós teríamos muito tempo para nos beijar nos próximos anos, de qualquer jeito.