NOVO CAP FINALMENTE ON!
Até que enfim! Minha faculdade não é faculdade, é escravatura, isso sim!, agradeçam-lhe estes longos períodos sem actualização da fic. Mas não se preocupem, o facto de eu não conseguir postar não significa que eu não continue escrevendo! Estou escrevendo e em pulgas para ver todas as minhas ideias postadas!
Deixei um aviso no meu perfil, esclarecendo que irei com certeza terminar esta fic, custe o que custar, mas como os postes a partir de agora serão um pouco irregulares, talvez seja melhor colocar um alerta para ser mais fácil.
Agradecimentos: Aos resistentes que, mesmo com os meus atrasos, continuam a acompanhar a fic, àqueles que se vão juntando pelo caminho e principalmente a todas as pessoas que, apesar da demora em actualizar, me deixam feedback - é SUPER importante para mim e deixa-me extremamente desejosa de actualizar!
Espero que continuem a seguir, a gostar e a deixar a vossa opinião, encoraja-me e motiva-me bastante!
Bom, acho que é tudo e que não me escapou nenhum erro chato, mas já se sabe como é, apanhá-los a todos é uma grande proeza.
Disclaimer: Harry Potter não me pertence, não lucro com nada disto, a ideia é minha e esta fic também and so on. (Se eu pudesse roubava Malfoy e o vestido de Bellatrix, MAS NÃO VOU ROUBAR, portanto escusam de me acusar disso se acontecer)
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You Shall Overcome
Majestoso Inverno
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Harry andava impacientemente de um lado para o outro na Sala Comum. Algo realmente o perturbava e, sinceramente, Hermione não queria que ele partilhasse tal informação com ela pois pressentia que, em grande parte, devia-se ao seu comportamento. Recordava-se da conversa que tivera com ele antes do jogo de Quidditch e tencionava não repetir a dose enquanto aquela ainda estivesse fresca na sua mente.
- Estou aqui.
Ele voltara-se para a encarar e sondou-a com o olhar durante escassos segundos, como se ponderasse a melhor forma de iniciar o diálogo. O buraco do retrato abriu-se e Harry voltou costas a Hermione, deparando-se com uma aluna do primeiro ano que chegava. Quando a encarou novamente, parecia, de certa forma, aliviado, mas mesmo assim continuava ligeiramente nervoso.
- Eu sei que não queres que o Ron ouça a conversa e sei também que me vais perguntar novamente se está tudo bem. Está, obrigada pela preocupação desnecessária.
- Faltaste às aulas, não me tentes atirar areia para os olhos Hermione. – parado, enfrentando-a, Harry parecia verdadeiramente sólido e determinado. Avançou, aproximando-se dele.
- Eu sei, mas…
- Pára com isso, bolas! Não queres contar, não contes, mas não tentes enganar-me outra vez.
Os olhos verdes faiscavam e ela fora apanhada de surpresa. Estava a tornar-se um hábito tentar ludibriar Harry e ele definitivamente percebera o truque. Sabia que podia contar com ele, mas não queria, de todo, sequer mencionar o nome de Malfoy ou a existência do violinista. Tinha a certeza que assim que ele soubesse iria focar toda a sua curiosidade nesse assunto e tal iria impedi-la de descobrir a sua identidade. Contudo, não podia simplesmente continuar a esquivar-se, tinha noção disso e sabia que essa atitude apenas magoava o amigo, mas Merlin, ele não precisa de saber tudo e estar em cima de todos os acontecimentos.
- Não confias em mim?
- Não vás por aí.
- Ouve Harry, eu só faltei porque não me estava a sentir bem.
- Culpa do Malfoy?
- N, sim. Satisfeito?
- Ele não te fez nada antes do Ron e a Ginny chegarem, pois não?
Hermione voltou-se e andou em direcção à janela da Sala Comum, agarrando o seu parapeito.
- Tu sabes que ele tira qualquer um do sério.
- Se sei – Harry juntou-se a ela, pousando uma mão no seu ombro – Esquece isso, ele não vale nada.
- Pois não, ele… - forçou para baixo o nó na sua garganta que a tentava impedir de finalizar a frase – ele… não presta.
-w-
Os morosos dias que se seguiram pareciam longos, entediantes e terrivelmente monótonos. E arrastavam-se, arrastavam-se como se tentassem impedir a chegada de Março, que com certeza tentaria afastar um pouco do solitário frio que parecia ter-se apoderado do castelo por um período mais longo que o habitual. Contudo, nada é eterno, muito menos o mês mais curto do ano, que findava no dia da visita a Hogsmeade.
Os estudantes do castelo suspiravam por tal momento, ansiosos por poderem finalmente descontrair e mudar um pouco de ares. Não estava em questão o carinho que sentiam por Hogwarts, o problema era o tempo atmosférico, que lhes dificultava a vida desde o momento em que se arrastavam languidamente das camas, ainda durante a noite, até à altura em que teriam de trocar o uniforme pelo pijama, combatendo o frio que os arrepiava assim que se livraram das suas vestes. No entanto, a tarefa mais difícil era, de certo, encontrar coragem para estudar em vez de se recostar nos confortáveis sofás junto às lareiras, que os convidavam silenciosamente e aos quais custosamente viravam a cara… bom, pelo menos a maioria deles assim o fazia.
Hermione estava bastante ciente desta rotina que se instalava todos os Invernos, mas este ano não se sentia dentro do espírito. Não, desta vez sentia-se completamente de parte, sendo constantemente torturada pela dúvida, o remorso e a imensa curiosidade que constantemente a assolapava sempre que o assunto envolvia um determinado loiro. Este, por seu turno, parecia ter voltado a envergar a sua capa de intocável e eram poucos os que ainda recordavam o incidente de Quidditch. Honestamente, quase nem a própria ligava a esse facto, o que realmente a preocupava era outra coisa.
Não conseguia tirar da cabeça todas as coisas que dissera a Malfoy nem a imagem do violinista. Sabia que ambos não estavam relacionados, mas não conseguia evitar misturar ambas as pessoas, apesar de saber o quão absurdo isso era. Tinha consciência que o mais correcto seria desculpar-se perante o loiro por muito que isso lhe custasse. Quanto ao violinista, entristecia-a saber que não mais ouviria a sua música. Tinha que arranjar uma solução para tal e afastar definitivamente do pensamento a ideia de que aquele negro violino era de um Malfoy.
Fitava com toda a atenção o fundo da sua caneca de cerveja de manteiga. Podia jurar que reflectia o desmaiado ouro dos cabelos dele. A culpa realmente era um dos piores sentimentos, constantemente presente e devorando as suas entranhas, consumindo a maior parte do seu espírito e estilhaçando os pedaços que decidia não provar. Tratava-se de um constante peso no seu coração, como se alguém permanentemente a massajasse sem delicadeza ao passo que simultaneamente lhe colocava uma mão no pescoço, com o intuito de asfixia-la mas sem querer recorrer à força necessária.
Podia ver os seus olhos cinzentos, passivos, esperando apenas a sua sentença. Tal atitude não correspondia claramente ao seu carácter dominante. Que sucedera? Em que ponto é que ele se transformara?
- … o que achas?
- Não sei…
- Não?
- Hermione!
Estremeceu ligeiramente, para em seguida erguer a cabeça e encarar os amigos. Sentiu as mãos geladas e percebera que estas estiveram sempre em contacto com a sua caneca de cerveja, cujo conteúdo permanecia, por sua vez, intacto.
- Desculpem, que dizias Harry?
- Deixa, não era importante.
Ron olhou para ele, surpreendido, apesar de, efectivamente, estarem a ter apenas de uma banal conversa de pub. Tentavam decidir o que fazer durante o tempo que permaneceriam em Hogsmeade e já haviam concluído que começariam o passeio pela loja dos Weasley. O que merecera a surpresa do ruivo era o peso presente nas musgosas esmeraldas de Harry Potter. Acusavam cansaço, desgaste e um fino rasgão de mágoa.
- Harry…
- A sério, não há problema. Não queres a tua caneca?
- Oh, eu… não, nem por isso, não estou com muita vontade…
- No problem! – Ron girou a caneca de cerveja de manteiga para junto de si, dando um grande e desejado gole.
- Ahn, bom, então se calhar enquanto o Ron bebe isso eu vou ter com a Ginny. Esperam por mim?
Harry contemplava-a através do reflexo dos seus óculos e isso deixava-a extremamente desconfortável. Era como se ele conseguisse realmente ver o que se passava dentro da sua cabeça, como se lesse os seus pensamentos sem a menor dificuldade e censurasse cada um deles. Antes de se despedir e sair, antes de quebrar o contacto visual com ele, chegou a ponderar se deveria aprender Oclumência.
-w-
Do local onde se encontrava podia ver bem os infindáveis campos gelados do Inverno. Não tarda todo aquele branco desaparecerá e o verde inundará sem pudor a paisagem, trazendo-lhe novamente vida. Draco detestava isso. Ainda tinha à flor da pele as sensações de um Inverno interminável e recordava-se perfeitamente do dia em que a Primavera derretera todo o seu gelo. Daí em diante, o calor embalava-o constantemente, o Sol afagava-lhe o rosto e todo o ambiente que o rodeava amolecia as suas defesas. Deixou-se dominar, expôs-se, entregou-se e confiou. Pela primeira vez na sua vida. E em seguida regressou o Inverno, dando-lhe um estalo e troçando dele por ter genuinamente acreditado que havia algo que poderia, eventualmente, durar para sempre. Ele esquecera-se o quanto doía estar sozinho, o quão difícil era suportar a dor no peito e os gritos na sua cabeça. Já não mais conseguia aguentar-se sem apoio, sem depender de alguém. Arrastara-se com a dignidade que lhe sobrava e tentava erguer a cabeça, mas em si um vazio gigantesco crescia de dia para dia, estrangulando-o e fazendo os seus olhos arderem.
Contudo, não estava de todo ansioso pela chegada da sua Primavera. Pelo contrário, sabia que ela nunca mais voltaria e arrependia-se de ela ter, em tempos, chegado. Se ela nunca tivesse chegado, ele jamais estaria naquele estado. Rasgado, quebrado e amolgado. Jamais franziria o sobrolho tantas vezes ou sentiria com tamanha profundidade. Maldita Primavera, malditos sentimentos.
Maldita dor que desfalecera sobre ele há tantos meses.
Levou a mão ao ombro com o intuito de o massajar parcialmente, mas algo se encontrava pousado nele. Procurou com o olhar o que era, cerrando com força o seu maxilar. Ignorou, voltando a contemplar a paisagem.
Hermione apercebera-se do sucedido. A insatisfação dele ao ver o pequeno pássaro de papel pousado no seu ombro chegou-lhe através da brisa. Sabia que ele nunca tinha prazer em vê-la, estava habituada a tal e preparada para enfrentar a situação. Malfoy era uma nódoa negra como breu na bela paisagem que encarava, tal como ela fora quando o visitara na Ala Hospitalar. O seu comprido sobretudo assentava-lhe na perfeição, delineando-lhe a silhueta. O seu porte nunca lhe havia parecido tão elegante e majestoso.
Deu alguns passos na sua direcção, admirada por não ter tentado camuflar a opinião que tinha dele. Cada passo que dava correspondia a um soco no estômago. Temia perder os sentidos e as forças antes de o alcançar.
- Malfoy…
- Desaparece.
- Ouve…
- Sai.
- Não antes de me ouvires.
Ele não se mexeu, mas inspirou e expirou profundamente. Podia senti-la cada vez mais próxima de si. Nunca era bom presságio quando tal acontecia, mas se o fizesse naquele momento, tinha a certeza que não iria correr bem. Sentia-se no limite, farto de toda aquela estúpida inocência, aquela pretensão de ser melhor que ele, de ter o direito de o humilhar quando achava correcto – e à frente do Weasley, ainda por cima.
- Granger…
- Eu queria pedir desculpa.
O quê? Voltou-se, descrente, para ela. Era perceptível a sua rápida respiração e não sabia dizer se tremia de frio ou de nervos. Piscava demasiadas vezes os olhos, tentando encara-lo e ao mesmo tempo fugir do seu olhar. Parecia confusa, perdida num impasse e na busca das palavras adequadas. Conhecia-a demasiado bem, podia jurar que, se fechasse os olhos, ouviria o seu coração bater a um ritmo estupidamente acelerado.
Encarar a frieza de Malfoy era sempre algo extremamente complicado, mas, desta vez, parecia excessivamente difícil. Porque sabia que lhe dera motivos para a desprezar e espezinhar. Não que ele não o fizesse antes, toda a gente sabia que fazia, mas desta vez era diferente, ele não o faria porque a odiava pura e simplesmente, não seria um passatempo. Seria porque ela lhe dera motivos para tal e isso desesperava-a.
Não queria o ódio dele. Não queria ser desprezada por ele.
- Eu tenho consciência que fui longe de mais.
- Esquece.
- Não, a sério, eu estou genuinamente arrependida!
Ele sabia disso.
- Desaparece.
- Malfoy…
- Já pediste desculpa, podes ir.
- Não, eu…
- Vai!
- Não!
Hermione aproximou-se dele como um relâmpago, deixando visível no seu olhar o estrondo que ocorria em sua mente. Queria ser ouvida, queria poder falar sobre e para ele. O seu corpo tremia de adrenalina e temia que se desmanchasse com o toque do vento que se atrevesse a intrometer por entre as poucas brechas que separavam os seus corpos.
O silêncio das cinzas fê-la, subitamente, retomar à sua fragilidade costumeira. A tempestade que em segundos se formara, rapidamente se desvanecia, juntamente com a sua certeza e coragem para o enfrentar. Contudo, não iria desistir. Não novamente, não tão perto. Era tarde de mais.
Prendera-se nele.
- Q-quero ficar… - não sabia o que dizia mas sabia definitivamente o que sentia. Queria ficar ali, com ele. Queria descobrir se era o seu violinista, queria arrancar-lhe a ferros o pedido de desculpas que ainda lhe devia por a ter atirado ao chão, queria ela própria desculpar-se mais e mais, até à exaustão, queria tocar-lhe na pele para ver se era tão fria quanto parecia, queria despentear-lhe ao máximo cada fio de cabelo, exageradamente liso e bem penteado, queria sentir o seu corpo e descobrir se era tão delgado quanto dava a entender, queria perder-se naquele cinzento e ver se havia algo mais dentro dele para além do seu complexo sistema de auto-defesa. E estava-se nas tintas se ele não fosse o seu violinista, se, na verdade, continuasse a ser o detestável Malfoy do costume. Não estava minimamente preocupada com o facto de a vir ignorar mais tarde ou de ter que mentir novamente por causa dele. Não agora, não nestas circunstâncias. Porque era tarde de mais para pensar e raciocinar quando apenas uma certeza lhe entorpecia o cérebro e inebriava os músculos.
Queria-o a ele.
Perdera-se nele.
Continua...
Nota da Autora: Espero que tenha valido a pena a espera e adianto que o próximo capítulo vai ser electrizante, não perca! ;)
Review? :)
