Cap. 13 – Infinitamente, até à morte

Disclaimer: Naruto não me pertence [ ainda x risada maléfica x ]

Tempo e Espaço: Uma Inglaterra "inovadora" no séc. XVII

Preparei-me para o impacto que a espada empunhada da mulher causaria em mim, mas em vez dela, ouvi um grunhido, que me pareceu vindo de muito longe, e algo a abaixar-se à minha frente.

Abri os olhos.

Desequilibrei-me novamente para trás com o peso do corpo que caiu em cima de mim. Era pesado, e um líquido quente brotava dele e desaguava à nossa volta, vermelho e viscoso.

Não poderia. O que estava a acontecer?

Com dificuldade, saí de debaixo daquele corpo e procurei o seu rosto, temendo o pior.

Mas mal eu adivinhava que o pior não se comparava àquilo – o meu pai estava ali mesmo, terrivelmente ferido, com os olhos semicerrados e a respiração lenta e pesada.

Não mexi um músculo. Isto não poderia ser verdade. Isto não estava a acontecer, é mau demais. Comecei a sentir espasmos terríveis pelo meu corpo, enquanto a cor abandonava lentamente o rosto do meu pai

- Não. Não, não pode ser… NÃO! NÃO! – gritei, desesperada. Agarrada ao rosto do meu pai, apenas reparei que chorava quando já não tinha mais lágrimas para deitar.

- Shhh, Tenten. Promete-me só que… que vais trazê-la para casa… - disse o meu pai, custando-lhe respirar - Cuida-te, Tenten, meu amor…

E com isto, o seu rosto descaiu para o lado, inerte. Exangue. Morto.

Memórias vinham à minha mente, pedaços de vida passados, que agora seriam apenas meras recordações.

Sabes, a tua mãe conheceu-me como um rebelde e peras – disse, sorrindo – também adorava cavalgar, como tu. Mas as responsabilidades como herdeiro chamaram-me à razão.

- Não te esqueças que hoje de manhã tens aulas de etiqueta e logo à noite vamos jantar com os Uchihas. Está preparada às vinte horas em ponto, não tolero atrasos.

- A tua irmã foi raptada pela colónia vizinha e eles mataram-na. – o meu pai interrompeu-a.

Abracei-o com força. Deixei transparecer todo o amor e apoio que consegui naquele gesto. Podemos dar-nos muito mal às vezes, e ele pode ser frio, insensível, objectivo e calculista; mas ele é o meu pai. E eu amo-o, adoro-o, infinitamente, até à morte.

E eu amo-o, adoro-o, infinitamente, até à morte…

Essa frase ecoou na minha memória como um arrependimento profundo. Um afecto calado. Uma oportunidade desperdiçada.

O facto que me torturava mais era que nunca lho tinha dito: que o amo, o adoro, infinitamente, até à morte.

Até à morte…

Grossas gotas de chuva caíam á minha volta, levando o sangue e as lágrimas da minha face.

Gritei de desespero e frustração, abraçando o corpo dele. Mal tinha reparado que a batalha à minha frente já havia recomeçado, mas com mais pessoas nela envolvidas. Olhei rapidamente, em busca de Neji, mas em vez dele, reconheci Uzumaki Naruto, que lutava arduamente com Sasori. Shikamaru lutava desta vez com o homem alto do cabelo cinzento, Aburame Shino, o que resgatará Nami, lutava com Deidara. Neji vinha a correr com dificuldade em direcção a mim, ajoelhando-se a meu lado.

Agarrei-me a ele como se a minha vida dependesse disso, o que tinha um rasto de verdade. Chorei, gritei, solucei, berrei até não ter forças. Sentia-me lixo.

Agarrei-me a ele como se a minha vida dependesse disso, o que tinha um rasto de verdade. Chorei, gritei, solucei, berrei até não ter forças. Sentia-me lixo.

O meu pai morrera.

Tal pensamento causou um impacto maior em mim que qualquer outro que já sentira.

E as mesmas palavras que repetira momentos antes ecoavam na minha cabeça "Amo-o, adoro-o, infinitamente, até à morte".

- Tenten… calma. Anda, eu lev-

- Não. – interrompi-o, levantando-me – Vai tu. Vão buscá-la. Rápido. Eu ainda tenho contas a ajustar – senti toda a tristeza transformar-se em raiva absoluta, e uma sede de vingança, ácida e perigosa, percorreu todo o meu corpo em busca da sua realização.

Procurei aquela mulher no meio da confusão – e encontrei-a a poucos metros de nós, fitando-nos com um olhar que denunciava uma certa curiosidade mal disfarçada.

Senti uma força bruta fazer as minhas pernas caminharem na sua direcção, involuntariamente. Não estava com controlo sobre o meu corpo.

- Tenten. – Neji segurou-me os braços, impedindo-me de avançar – Não faças isso, não te vais sentir bem contigo própria. Matar não é solução… - disse-me suavemente. – O teu pai morreu para evitar que tal acontecesse contigo, ele morreu por ti. Não tornes a sua morte um mero desperdício entregando-te assim para os braços dela.

Por um lado, sabia que as palavras de Neji estavam certas, mas por outro, estava-me nas tintas. Tinha que o despistar.

- Vai, Neji. Eu tenho que fazer isto, não me sentirei bem comigo própria se não o fizer! Eu sei que vingança não é solução, mas coloca-te no meu lugar! – ele fechou os olhos. Sabia que ele entendia. Dei-lhe um rápido beijo na mão e afastei-me, com os olhos postos na figura imóvel da mulher de cabelos azuis, a poucos metros de mim.

Novamente, a corrente de ódio fluía em mim, com vontade de se saciar. Avancei, empunhando a minha espada que estivera caída ao lado do corpo do meu pai. Ela, por sua vez, sorria de maneira maníaca na minha direcção.

Corri e, com um grito que nem tive intenção de largar, ataquei-a. Ela desviou-se, apesar de surpreendida com o golpe, e por sua vez tentou acertar-me com a espada. Amparei o golpe, mas recuei com a força. Continuei a defender-me dos ataques dela.

Assim sucederam muitos minutos, ela atacava e eu defendia, esperando por uma oportunidade de golpeá-la que nunca chegava.

Tenho que arranjar maneira de lhe acertar, pensei.

Tentei focar-me nos seus movimentos: ela defendia-se e atacava 90% das vezes utilizando os seus braços. Não utilizava os pés nem as pernas, e os passos que dava eram mínimos e apenas os necessários.

E aí tive uma ideia.

Dessa vez, recuei mais um pouco, fazendo-a dar um enorme passo para me atacar novamente. Desviei-me, e recuei.

Novamente, ela atacou e eu recuei. Desviava, recuava. Ela atacava.

Desviei e recuei. E aí, quando ela me atacaria, baixei-me o mais rápido que pude, mas ainda senti os meus cabelos serem cortados pela lâmina da sua espada.

Com um movimento rápido, interceptei o meu pé entre os dela e puxei. A rasteira funcionara: ela caiu desamparada à minha frente, de costas.

É agora.

Rapidamente, empunhei a minha espada com ambas as mãos e, com o mais puro ódio, fitei-a nos olhos e gritei.

- É PELO MEU PAI! – e trespassei-lhe o peito com a espada. Ainda pude ouvir um "maldita" vindo da mulher deitava à minha frente, antes da cabeça dela tombar inerte para o lado.

Ela havia morrido.

Retirei a espada dali, e joguei-a longe de mim, não a queria mais. Tinha o meu arco, e tal chegava-me. Não queria matar assim novamente.

As lembranças do meu pai voltaram à minha mente, provocando uma dor insuportável em mim, mas não tinha tempo para isso agora – havia muito a ser feito.

Olhei à minha volta: Neji lutava não muito longe de mim, com o loiro, Deidara; Sasori e Naruto ainda disputavam entre si; Shikamaru lutava com o homem do cabelo cinza. Não havia sinal do espião que deveria resgatar Nami.

Suspirei aliviada, provavelmente ele já a estaria a salvar. Vi Temari correr na minha direcção.

- Estás bem? Meu Deus, eu vi o que aconteceu, Tenten, eu sinto tanto…

- Agora não, Temari. Temos que ir buscá-la. Onde está o Aburame? Ela já foi?

- Não sei, por isso é que vim falar contigo. Se queres saber o que eu acho, não confio nele. Em vez de me deixar lutar com Deidara e ganhar avanço para resgatá-la, ele é que lutou com ele, mas eu observei-os. – ela fez um esgar sarcástico – Acredita, se aquilo era uma luta séria eu sou Maria Madalena em carne e osso.

Franzi o sobrolho. O que quereria dizer isto agora?

Lembrei-me das palavras de Neji hoje de manhã "Acho que fomos traídos, Tenten, nem mais nem menos".

E então, como se me tivessem deitado água gelada em cima, interliguei tudo: Shino era o traidor. Fora ele, que sempre estivera a par de tudo pelo Uzumaki, que transmitira as informações a Pein. Fora ele que o avisara das nossas intenções, preparando o exército a tempo. Por isso é que os Macedónios não cederam ao Ultimato, sabiam que, com as informações de Shino, seriam capazes de nos vencer em batalha.

Deus, agora tudo fazia sentido.

- Temari, é ele! Oh meu deus, é ele! – ela parecia confusa.

- O que queres dizer?

- Céus, não há tempo para explicar! Ele é um traidor, Meu Deus! Onde é que ele está?

Não se viam sinais de Shino em lado algum. Eu temia o pior. Se ele supostamente deveria ir resgatar a minha irmã, o que fará ele de verdade…?

Tremi só de pensar.

- Eu vi-o entrar no palácio. Mas porqu-

- Vamos, rápido!

Corremos em direcção ao palácio passando pelas lutas que se desenrolavam à nossa volta. Vi que Neji nos tinha visto, pois tinha acabado de dar o golpe mortal em Deidara. Ele correu na nossa direcção.

- Neji, é ele! Meu Deus, temos qu-

- Eu sei. O loirinho disse-me tudo. Tolo, pensava que me mataria e que comigo o segredo iria para o túmulo. Vamos.

Atravessámos os portões e corremos atrás de Neji. Percorremos o enorme salão de entrada, sendo discretos para não atrair os poucos guardas que ali estavam, e entrámos numa porta pequena de metal, que estava semi-aberta. Dava passagem para um lanço de escadas de pedra em caracol. Subimos apressadamente, pareciam que nunca tinham fim.

Quando finalmente chegamos ao seu topo, deparámo-nos com cinco portas, todas iguais. Neji entrou pela última da esquerda, que dava origem a outro lance de escadas.

Esforçava-me por segui-lo, mas o cansaço apoderava-se do meu corpo com uma força bruta, e o meu ombro começava a latejar fortemente.

Reparei, preocupada, que Neji também se esforçava para andar, e lembrei-me de quando o vi cair de joelhos com um golpe de Sasori. Deveria estar ferido.

Temari também estava mal, reparei que ela se agarrava ao braço e que coxeava. Lembrei-me da pancada que ela levara de Deidara, quando caiu de lado no chão.

Corremos o máximo que podíamos (e conseguíamos), mas novamente as malditas escadas pareciam não ter fim.

Meu Deus, se não chegarmos a tempo, é Nami quem sofre as consequências. Tal não pode acontecer! Não agora, que estávamos tão perto de a salvar. Não agora, que o meu pai se sacrificou por toda esta maldita batalha. Não agora, que prometemos à minha mãe que a traríamos de volta.

Não agora, que finalmente tudo parecia começar a bater certo.

- Não aguento mais… - murmurou Temari, gemendo – Vão, despachem-se…

- Temari… - custava-me abandoná-la ali, mas tínhamos que encontrar Nami – Por favor, toma conta de ti. Obrigada por tudo.

- Vá, menos conversa, despachem-se!

- Vamos Tenten. – disse Neji, pegando-me na mão. – Estamos quase lá.

De repente, lembrei-me de uma coisa.

- Neji, mas ela não estava nas masmorras…? – perguntei, lembrando-me da vez em que ele dissera isso ao meu pai.

- Sim. Mas eles descobriram que a vi lá, e mudaram-na para cá. Deidara disse-mo.

Subimos juntos o resto das escadas, e quando parecia que não tínhamos mais fôlego para gastar, chegamos ao sótão do que parecia o interior de uma torre, grande e redonda.

Havia apenas uma porta, que também se encontrava entreaberta como a primeira. Ouvimos barulhos vindos de lá, vozes a conversarem baixinho.

Neji fez-me sinal para não fazer barulho e aproximou-se da porta, espreitando. O meu coração queria saltar do meu peito para fora. Cuidadosamente, aproximei-me de Neji, tentando fazer o máximo de silêncio.

Mas tal como o azar que nos tem perseguido, chutei sem querer uma pequena pedra de que estava no caminho. O barulho fez eco ao cair nas escadas.

As vozes calaram-se abruptamente, e Neji voltou a sua cabeça muito lentamente para trás, exibindo uma expressão pouco amigável.

Ele puxou-me rapidamente e pôs-me a mão na boca, colocando-se na penumbra, à escuta.

Alguns segundos de silêncio, foi tudo o que ouvi antes de me assustar com uma seta que voou directamente na nossa direcção, e se Neji não se tivesse desviado quão rapidamente, nos teria acertado em cheio.

O susto foi tanto que paralisei. O meu coração batia freneticamente, fazendo as minhas veias pulsar com uma adrenalina pouco comum. Olhei para Neji, que estava com o rosto mais branco que cal, e fiz-lhe uma pergunta silenciosa. "E agora?"

Neji olhou pensativamente para a porta durante um bocado, e depois para mim. Olhou novamente para a porta.

Voltou-se para mim outra vez e apontou para outra pedra que estava no chão – Dá um pontapé nela – sussurrou, tão baixo que até tive dificuldade em ouvir. – E quando eu disser "arco", tu entras simplesmente no salão, esta bem?

Assenti com a cabeça, embora confusa. Ele soltou a mão da minha boca e colocou-se atrás da porta. Fiz o que ele mandou, percebendo que fazia parte do plano dele.

Dei um pontapé na pedra, que, tal como a outra, caiu das escadas abaixo e fez eco.

Ouvimos outros dois segundos de silêncio dentro da sala.

- Quem está aí? – perguntou uma das vozes vinda da sala, seguidos de passos em direcção à porta.

Escondi-me atrás de Neji, e quando o homem atravessou a porta, ele segurou-o e tapou-lhe a boca, fazendo de seguida um movimento rápido com as mãos, quebrando-lhe o pescoço sem emitir um som. Ele morreu imediatamente, e Neji largou-o no chão sem o mínimo de cuidado, apesar de silenciosamente.

Constatei que se tratava de outro servo de Pein, já que tinha vestido o mesmo manto preto que os outros.

Neji retirou o arco do homem morto, fez-me sinal para ficar onde estava e entrou na sala.

Estava ansiosa, não podia ver nada do que se passava lá dentro, apenas ouvir.

- Dêem-me a Princesa ou será pior para vocês. – ouvi a voz de Neji dizer.

- Neji Hyuuga! – disse uma das vozes, que reconheci como sendo a do Aburame – Qual surpresa vê-lo aqui, não estava à espera que chegasse tão longe. Agora já sei, não devo subestimar o génio dos Hyuuga.

- Subestimar-me foi o maior erro da tua vida, Shino. Agora dêem-me a Princesa.

Ouvi o som de passos e espadas a serem desembainhadas.

- Então, onde está a cortesia que lhe ensinaram, Neji? Não sabe que não se trata das pessoas por tu? – na última sílaba, ouviu-se o som de duas espadas a colidir – Tenha calma, Neji, a Princesa está bem, ou melhor, está… viva. – ouviu-se uma risada sarcástica e um segundo colidir de espadas, seguido de muitos outros.

Durante muito tempo, o som das lâminas foi o único que se ouvia, sem contar com as raras injúrias vindas da boca do Aburame durante o duelo.

Aguardava silenciosa a minha deixa para entrar no esquema de Neji, rezando silenciosamente que não acontecesse nada de mal a ele ou à minha irmã, e que aquilo acabasse rapidamente.

Foi entre os meus devaneios silenciosos que ouvi um grito ensurdecedor vindo lá de dentro, fazendo o meu coração falhar uma batida.

Quase não resisti ao impulso de espreitar pela fenda, tamanha foi a angústia de imaginar Neji ferido. Por tal, mal ouvi a sua voz, o alívio que me assolou foi como uma nova esperança.

- Maldito sejas, Aburame Shino, traidor da tua agora renegada pátria. Que apodreças no inferno. – Ditas essas palavras, ouviu-se um baque surdo, denunciando o tombo Aburame.

Ouviram-se palmas vagarosas de dentro do salão e passos a aproximarem-se.

- Muito bem, Neji. – disse uma voz calma e suave, denunciante de perigo – Vejo que chegaste longe.

- Chega deste jogo, Pein. Entrega-me a Princesa, já não há nada que possas fazer.

- Aí é que te enganas, meu amigo. Enquanto eu respirar, a Princesa não terás.

Congelei. Ali estava Pein, o culpado de tudo isto, em carne e osso. Senti uma raiva absoluta pela sua voz e por toda a sua existência.

Ouvi Neji a empunhar a sua espada, rasgando o ar.

Pein riu-se – Queres ter um duelo contra mim? Tu e que batalhão?

Neji também se riu, sarcástico – Eu e o meu arco.

Meu Deus, é agora. Agarrei firmemente na espada do homem morto e no meu arco, e entrei no salão.

Era um espaço amplo, sem janelas e apenas com iluminação de velas. Tinha um tecto alto e redondo, tal como as paredes de pedra, sendo que no centro do salão havia uma elevação, onde um corpo estava depositado. No chão, estava o corpo do Aburame, inerte. Reconheci, sobressaltada, que ele estava com um capuz preto a cobrir-lhe o rosto, tal como o homem com o qual eu sonhara.

Era Nami, constatei, por um lado aliviada, por outro horrorizada.

A vontade que tinha de correr e esmagá-la nos meus braços foi avassaladora, mas fixei o meu olhar nos dois homens à minha frente.

Ali estava Pein, mais apavorante que alguma vez imaginara. Com o seu porte altivo e arrogante, era até um pouco mais alto que Neji; o seu cabelo arrepiado num tom entre o ruivo e o louro, resultando num tom alaranjado; e os seus múltiplos orifícios e estranhos buracos faciais, que se dizia terem sido feitos durante uma tortura feita a ele pelo meu avô, antigo Rei da Inglaterra, quando Pein tentara invadi-la, antes de invadir a Macedónia. Daí ele ter raptado Nami, pela sua sede de vingança doentia.

Enquanto eu estudava o salão e Pein, numa questão de segundos, o Rei Invasor estudara-me a mim.

- O que temos aqui! – disse, sorrindo trocista – Isto é melhor do que eu previa! Duas cartadas de uma só vez, Princesa Tenten Mitsashi.

O ódio corria nas minhas veias.

- Solta-a. – disse, num to de voz firme, colocando-me ao lado de Neji. – Solta a Nami.

- Em troca do quê?

- Da tua vida? – perguntei, sarcástica. Não, não tinha medo dele.

Ele riu-se, aquele som que odiei desde o primeiro momento. – Vamos, não brinquem comigo. Não estavam à espera que eu delineasse este plano perfeito ao longo de tantos anos, apenas para ter essa Princesa insignificante em cativeiro, pois não?

- Fizeste-o por vingança. – disse Neji, num tom duro.

- Hum… Sim, pode-se dizer que sim. Mas esse não era o fulcral, meus amigos. Pensem comigo: quando eu matar essas ousadas que se denominam Princesas, quem ficará no comando de Inglaterra futuramente? – disse, num tom de voz demasiado inocente e suave – Pois, ninguém. E se, por ventura, eu matasse o Grande Rei Mitsashi, acidentalmente, durante a batalha, quem ficará no comando Inglês neste momento? Exactamente, ninguém. E quem poderá vingar as torturas infernais, – o seu tom de voz ia-se tornando mais grave e intenso – suportadas tão dificilmente por um Maldito que se intitulava por Rei de Inglaterra? Sim. Eu, Pein, Futuro Rei de Inglaterra e Mestre da Macedónia, conquistarei um Reino tão vasto que nem o mais ousado se atreverá a contradizer-me.

Processei a informação, chegando a uma conclusão dolorosa e cruel.

- Queres dizer que… que apenas a raptaste para servir de isco? – perguntei, sentindo-me mal só de imaginar o que Nami deveria ter passado até agora e saber que foi tudo apenas para me atrair a mim e ao meu Pai cá.

- Princesa esperta. – disse, piscando o olho.

- Seu verme nojento, não vales nada! – gritei, avançando contra ele com a espada empunhada. Sentia toda a raiva e sede de vingança pelo meu pai e por Nami, acumulada em cada milímetro do meu corpo, fazendo-me sentir uma força avassaladora de matar e esfolar o desgraçado que a provocou.

Vi que Neji tentara impedir-me, mas eu continuei a correr na direcção de Pein para me satisfazer.

Ao meu acto, Pein apenas sorriu, mas em vez de empunhar a espada para me atacar ou se defender, ele retirou um punhal estreito e afiado do cinto, o qual lançou com uma perícia inimaginável rumo ao centro do salão.

NÃO.

Só tive tempo de parar de correr e olhar, desesperada, para o corpo da minha irmã que estava na cama de pedra improvisada no centro do salão.

Tudo parecia acontecer em câmara lenta: o punhal a voar em direcção a Nami, Neji a praguejar fortemente atrás de mim, Pein a gargalhar maniacamente e o som duma espada cair ao chão, que sabia ser a minha que havia tombado da minha mão.

Abanava a cabeça, como se o Não silencioso a pudesse salvar.

Quando o punhal estava a centímetros da barriga de Nami, e eu já estava prestes a desmaiar, um milagre cruzou o ar.

Algo, muitíssimo veloz e pequeno, interceptou o punhal de Pein e arremessou-o para longe, fazendo-o embater na parede de pedra e ficar lá espetado, preso entre outro punhal de duas lâminas afiadas.

Olhei atónica para trás, na direcção da porta.

Ninguém mais e ninguém menos que Itachi Uchiha estava ali, empunhando duas espadas nas mãos, um arco às costas e sangue no rosto.

Durante três segundos, não se ouviu um som. Pein tinha parado de gargalhar ao ver que não acertara.

Olhávamos os três para Itachi, que por sua vez olhava para Nami.

Foi nesse curto espaço de tempo, que soube o que deveria fazer. Era agora, ou jamais o conseguiria, e se não o conseguisse, todos sofreríamos as consequências.

Saquei de uma seta da minha bolsa, prendi-a ao arco e retesei a corda. Mal tempo tive de fazer a pontaria, quando, quase involuntariamente, soltei. Pein só teve tempo de olhar para mim, negando, quando a seta lhe trespassou o coração como jacto de vento afiado, chegando a revelar-se do outro lado, nas suas costas.

Os olhos de Pein reviraram-se, ele tremeu e, com um último suspiro, disse – Maldita sejas, Mitsashi.

Aí tombou para trás, finalmente morto.

Olhei para Neji, que me fitava atónico. Apenas pude abrir a minha boca para a fechar novamente a seguir.

Olhei para Itachi, mas ele já estava ao pé de Nami. Corri ao encontro dela, e quando lá cheguei, é que tomei consciência.

Nós havíamos conseguido.

- NAMI! – gritei, sem me conter. Elevei-lhe o tronco e olhei-a nos olhos, eles estavam semiabertos. – Nami fala comigo, estás bem?

Ela fitava-nos, enquanto uma lágrima solitária rolava do canto do seu olho verde para se misturar com o seu cabelo castanho. Abanando a cabeça afirmativamente, ela deu-nos a confirmação que nada de mal se passava com ela.

Abracei-a tão fortemente como podia, afagando-lhe o cabelo e o rosto, enquanto lágrimas botavam dos meus olhos sem cessar, tanto por a ter encontrado, como por ter tido de perder o meu pai para o fazer.

Estávamos ambas incapazes de dizer algo. A saudade e a alegria era tanta que nos sufocava. Ficámos assim ainda algum tempo, quando alguém que tocou no braço. Olhei, e vi Itachi, lembrando-me do que ele havia feito: salvara Nami.

- Oh, Itachi, como alguma vez te poderei agradecer o suficiente! – movida pelo momento, dei-lhe dois beijinhos nas bochechas, à boa moda antiga.

Neji fitou-me com uma sobrancelha arqueada, estupefacto com a cena, mas eu apenas me ri e dei-lhe muitíssimos beijos seguidos no rosto. Itachi falava agora com Nami, e reparei, curiosa, que ele afagava-lhe o rosto, suavemente.

Ouvimos passos e vozes nas escadas, e quando olhei para trás, não tive como sorrir. Os nossos amigos Gaara, Shikamaru, Temari e Naruto estavam ali, provavelmente fora Temari que os chamara. Ela estava ao colo de Shikamaru, e pelo que percebi, ambos estavam muito… agradados com o facto. Vieram ter connosco e Neji contou-lhes o que se passava, enquanto eu me deleitava a observar a minha querida irmã.

O seu rosto evoluíra, como era de esperar, mas não havia sinal de cicatrizes ou marcas como seria de esperar: As maçãs do rosto subiram, tirando-lhe o ar infantil; os olhos esverdeados tinham sombras escuras nas suas covas, dando-lhes um ar mais misterioso; o nariz continuava um pouco arrebitado na ponta, tal como eu me lembrava; e o seu cabelo estava mais comprido que eu alguma vez imaginara ser possível, pois já ultrapassava o fundo das costas.

Ao todo, ela revelava uma beleza exótica incomum e misteriosa, ao mesmo tempo que prevalecia com algumas características comuns da sua infância.

Olhei-a com carinho, e ela fitou-me. Aproximei-me e peguei-lhe na mão, com cuidado. Ela guiou as nossas mãos unidas à sua boca e depositou um leve beijo na minha.

- Obrigada… - sussurrou, apenas para eu ouvir.

Sorri, sentindo-me uma completa criança, e afaguei-lhe o rosto. Sim, agora poder-se-ia dizer que… teríamos finalmente um final feliz.


POISÉ, ESTAMOS A CHEGAR AO FIM T.T minha gente, estou tão feliz e tão triste ao mesmo tempo :c vou ter saudades do refúgio que esta fic me proporcionou, um mundo onde posso mergulhar, sem hora de voltar, esquecer tudo e dar asas à imaginação *.* vai haver mais um último capítulo, ou melhor, o epílogo da história. E querem uma boa notícia? Já está escrito :D poisé, a velocidade de "postagem" depende da quantidade de reviews :pp por isso, minha gente, vençam the lazy worm inside of you're own e façam a jackey aqui feliz, sim? +.+

A sério, reviews fazem qualquer pessoa feliz :D (L)

Ah, e claro, obrigadão por quem leu/deixou review